Cobertor - Izuku Midoriya
3 Estilhaços do coração
Notas iniciais
Hoje acordei atrasada, infelizmente havia me esquecido de colocar o meu celular para carregar na noite anterior e por isso não acordei com o som do despertador. Rapidamente me visto, pego os meus materiais e sigo para a sala da 2–A, não teria tempo para tomar café da manhã.
Faz dois anos que eu e o Izuku estamos juntos e amanhã é o nosso aniversário de namoro. Passei essas últimas semanas em busca do presente perfeito, até que o encontrei numa loja de artigos raros.
Consigo chegar a tempo na sala antes do sinal tocar e sento-me na cadeira.
As horas foram passando e quando menos percebi, a aula havia acabado. Estava pensando em convidar o Izuku para vir almoçar comigo em um restaurante, sigo para fora da sala a procura do meu brócolis preferido e quando viro o corredor, acabo derrubando os materiais no chão.
Como ele pôde?
As lágrimas de decepção surgem caindo aos montes como uma represa transbordando.
Em plena véspera de aniversário de namoro, vejo a minha frente ele e a Ochaco no corredor aos amassos, se agarrando... se beijando.
Eles se assustam com os sons dos materiais caindo e parando o beijo, olham para o local da origem do som. Izuku arregala os olhos ao ver que eu havia presenciado a cena. Todos esses anos não significaram nada a ele? Me sinto traída, Izuku ficou justo com a Ochaco que nos apoiou durante todo esse tempo. Eu sabia que ela tinha um sentimento pelo Izuku, nós tivemos alguns desentendimentos no passado, porém depois, pensei que ela havia superado e seguido em frente.
Como estava enganada...
— (S/n), eu...
— N-Não precisa falar nada... V-Vocês dois já deixaram bem específico que se amam. — Digo entre lágrimas.
Recolho os matérias do chão e corro para longe deles. Izuku me segue, porém me viro e digo:
— M-Me deixe sozinha, não estou a fim de ouvir você.
— Mas, eu...
— Amanhã nós íamos fazer dois anos de namoro, Izuku! Por acaso fui apenas uma brincadeira para você? Tudo o que a gente passou, não significou nada?!
— Com a Ochaco foi algo do momento... Ela me contou tudo o que sentia por mim e...
— E você resolveu me trair em plena véspera e se entregar a sua paixão do momento? Se você gostava dela, por que não terminou comigo antes? Por que resolveu continuar com esse relacionamento?! Se nós tivéssemos conversado, talvez a dor não ia ser tão grande!
— Sinto muito. — Midoriya fala arrependido.
Olho decepcionada a ele e digo:
— Simples desculpas não irão consertar o estrago que causou em meu coração.
Sem olhar para trás, caminho de volta e sigo para fora do colégio.
Querendo chegar o mais rápido em casa, começo a correr sem olhar por onde andava. Minha cabeça estava turva em pensamentos, relembrando cada momento ao lado do Izuku.
Cada lembrança me fazia derramar mais e mais lágrimas, tanto que a minha visão fica embaçada, dificultando a vista.
Atravessando a rua, vejo uma luz de farol me cegar e escuto o som de uma buzina, o caminhão estava a centímetros de me atropelar se eu não fosse salva por quem menos esperava no momento.
— Full Cowl!
Izuku ativa sua individualidade e me segura em seus braços, levando-me para o outro lado da calçada em segurança.
Meu coração estava acelerado pela adrenalina, olho para o Izuku que parecia estar preocupado comigo.
— (S/n), você está se sentindo bem? Se machucou?
Ele pergunta enquanto analisava se eu estava inteira. Fisicamente estava bem, mas... as emoções continuavam fragmentadas. Me levanto e minutos depois, falo:
— Sempre me salvando, não é... Izuku?
— Claro! Eu te amo (S/n), jamais permitiria que você fosse atropelada. Entendo o que você deve estar pensando, mas, me dê a chance para concertar meu erro, por favor!
— Não, Midoriya. Não posso te perdoar no mesmo dia em que você me quebrou. Eu... preciso de um tempo.
— V-Você está terminando comigo? Mas, (S/n)! — Izuku suspira. — Então... Isso é um adeus?
— Pode se dizer que sim...
Ao entrar em casa, subo para o meu quarto e fechando a porta, permito-me liberar todas as minhas frustrações e mágoas. Vejo o presente que havia comprado cair da sacola e ao estender as mãos para o pegar, com raiva, atiro o presente pela janela do quarto. Havia comprado uma blusa e um cachecol de edição limitada do All Might. Izuku vivia falando que queria comprar esses itens, mas não conseguia encontrar em nenhuma loja, foi então que resolvi procurar e dar de presente de namoro.
Alguns minutos depois, escuto a minha mãe me chamar:
— Filha, um amigo seu veio aqui lhe entregar algo que você deixou cair.
Quem seria essa pessoa? Curiosa, sigo para a sala e me surpreendo.
— Bakugou?
— Vou deixar vocês dois conversarem, enquanto isso irei dar uma passada na feira de frutas, até depois!
— Tchau mãe!
Volto o meu olhar ao garoto explosivo e pergunto:
— O que você faz por essas redondezas?
— Estava de passagem quando sinto algo atingir a minha cabeça. Isso aqui é seu?
Ele estende o presente para mim e ao pegar de volta o embrulho, suspiro.
— Não que seja da minha conta, mas amanhã você e o nerd não iriam fazer aniversário?
— Sim, mas... Nós demos um tempo. Vi ele com a Uraraka, os dois...
— O que aquele idiota fez?! — Bakugou fala alterado.
— Ele me traiu com ela... — Respondo entristecida.
Nesse instante, vejo Bakugou cerrar os punhos e dizer.
— Eu vou matar aquele nerd! Sei que eu e você nunca fomos melhores amigos, (S/n). Mas não quero vê-la triste por causas das atitudes dele!
— Por que você se importa?
— Quem é que estará cuidando do meu rival quando a gente brigar de novo? Já perdi as contas de quantas vezes você o socorreu. Você é uma menina muito gentil, não merece ter passado por isso... — Bakugou fala e desvia o olhar.
— Obrigada, mas, tente não fazer nada do qual se arrependa.
Ele reflete e depois de um tempo, diz:
— Eu tenho um plano, mas não tenho certeza que você irá aceitar.
— Diga e veremos.
— Vamos causar ciúmes no nerd, fingindo que estamos juntos. Depois disso, pode ter certeza de que ele voltará rastejando para você.
— Não é para tanto, mas eu topo. Só que, o Izuku vai desconfiar se simplesmente começarmos a ficar assim do nada.
— Está certa, então podemos começar como amigos e nas outras semanas, o próximo passo será fazê-lo acreditar de que estamos juntos como dois ficantes.
— Certo, nós teremos que colocar algumas regras nesse seu plano para ele funcionar e também, para nós dois não passarmos do limite.
Vejo que ele havia ficado confuso e o explico:
— Não podemos nos envolver romanticamente, caso um de nós dois acabe se apegando ao outro, o plano pode ir por água a baixo.
— Entendi, não se preocupe quanto a isso... E, (S/n)? — Bakugou me chama.
— O que foi?
— Quer tomar um sorvete? — Assento e seguimos para uma sorveteria que havia por perto.
Durante o passeio, Bakugou me distraiu para me esquecer do Izuku. Nos sentamos num dos bancos da sorveteria e olho para a paisagem ao meu redor. Por alguns segundos, pensei ter visto um vulto rosa e o som de um clique. O cansaço do dia deve estar me afetando, foram muitas emoções. Volto a prestar atenção na história que o Bakugou contava...
Continua...
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