Clãs Sombrios: o Despertar de Piedoso
6 Luz Negra
1) Lira
Entrei em uma casa antiga. Pelo menos era o que aparentava. No lado interno havia um templo antigo. Segui para o cômodo cuja porta era de frente para a entrada. K foi para seu quarto e Luke disse que iria sair um pouco. Entrando no cômodo havia uma sala ampla com um altar localizado no lado oposto à entrada. Nele, havia figuras de anjos e uma espada feita puramente de outro, com couro e pedras brilhantes enfeitando-a no cabo. Ajoelhei-me e comecei a rezar e apareceu em minha frente Ju, meu anjo da guarda.
- Oi, Lira. Por que está me chamando?
- Preciso de sua ajuda. Achei um vampiro muito poderoso. Guie-me, por favor.
Ju ergueu sua mão e uma grande luz alva preencheu o local. Quando a luz cessou, levando Ju consigo, deixou para trás uma lança de ouro com lâmina de cristal.
- Essa é a Lança do Destino. Use-a e será invencível em batalha.
- Obrigada – agarrei a lança e retirei-me do salão, seguindo para meu quarto. Cansada, precisava repousar e, com minha nova arma, estava muito mais tranqüila, podendo dormir melhor.
2) Ju
Após Lira se retirar do cômodo, uma sombra tomou conta do lugar, restando uma luz ao redor de Ju, destacando sua pele morena, seus longos cabelos castanhos findavam na cintura. Usava um manto lilás. Das sombras surgiu um homem usando um kimono do verão preto com desenhos de caveira vermelhas espalhados por toda a extensão da vestimenta.
- Toke, o que faz aqui? Fique longe, seu vampiro asqueroso! – disse secamente.
Toke levantou a mão, fazendo Ju cair no chão e se contorcer de dor.
- Calada, ser patético! Dobre a língua quando for falar com o líder do clã do morcego.
- O que queres? Por favor, pare! – disse desesperadamente.
Ele abaixou a mão, aliviando a dor de Ju.
- Quero que faça um favor para mim. Extermine o vampiro Piedoso e seus irmãos.
Não consegui me conter e ri sarcasticamente.
- Não se preocupe. Minha protegida já está cuidando disso sem teres pedido.
Uma sombra começou a mover-se no fundo da sala. Aproximou-se de nós e pude vê-la.
- Aline...
- Não me chame assim! Agora sou uma vampira! Agora sou Alice.
- Não!
Não podia acreditar. Minha antiga protegida havia virado uma vampira e ela usava uma roupa que parecia daquelas bonecas de porcelana de tão emplumada e enfeitada, toda preta com traços brancos. Seu cabelo agora estava cortado em uma altura muito curta.
- Mestre, Gloriosa falhou, Juiz foi deposto e está com ela.
- Estou ciente e já cuidei disso. Vamos embora. Deixo esse problema em suas mãos, Ju – Toke, que era um vampiro alto, asiático, de cabelos longos e lisos, tão negros quanto a própria escuridão e pele pálida, desapareceu levando as sombras e Alice consigo.
- Droga! Eu realmente o odeio, mas, pelo menos, dessa vez, ele me pediu algo que não é incômodo fazer, eu acho.
Mal sabia que essa seria uma tarefa dificílima.
3) Piedoso
Estava deitado em um imenso sofá da casa co clã do lobo, com minha cabeça apoiada nas coxas de Bela que estava sentada, acariciando meus cabelos.
- Então, meu cabeludo. O que queres que eu faça?
- Transforme um dos cavaleiros da luz por mim. Os três juntos são muito perigosos para nós.
- O quê? Por que eu? Não quero, não. Eles são todos feios. Por que não manda os outros?
-Bruto e Gentil estão em missão com Sedutora e Trovão está protegendo a casa. Agora que virei o líder do clã, devido à ausência do Juiz, muitos vampiros estão descontentes com isso e preciso acalmá-los o ânimo. Não sei ainda como fazer, mas pensarei em algo. Por ora, apenas faça o que te peço.
- Está bem – disse bufando de raiva, mas logo se alegrou – Pode deixar comigo. Irei atrás do Luke, o mais gato deles.
- Por mim, tanto faz.
Bela levantou e foi embora, deixando-me sozinho pensando no que fazer a respeito dos vampiros que não estavam contentes com o meu atual título de líder e pelo fato de eu proteger os lobisomens, o que aumentava o desgosto deles.
4) Teteca
Estava em algum lugar escuro, muito apertado. Tudo o que me lembrava era de cair da cachoeira e bater a cabeça. Deveria estar morta a essa hora. Forcei para cima meu corpo, tentando escapar daquele lugar. A tampa se mexeu e caiu para o lado. Estava dentro de um caixão e a luz da Lua Minguante fazia minha pele ferver. Usava uma camisola branca. Entendi agora o que havia acontecido: eu havia morrido. Esgueirei-me para fora do caixão e segui uma trilha, que me levou para uma caverna escura. Sabia que lá aquela ardência iria cessar. Não sei como, mas sabia. Ao me arrastar para o fundo, achei uma entrância, perfeito para me esconder e repousar.
5) Thaty
Na frente do espelho, admirava meu novo vestido verde, colado ao corpo, sem mangas e findando no tornozelo, tendo uma abertura no lado esquerdo, deixando à mostra a perna inteira. Era moldurado em dourado e combinava com meus sapatos pretos com salto agulha. Depois da sessão “Eu me amo, se fosse lésbica, me comia”, fui para a escola, ou melhor, o campo de futebol da lá. Bem no centro dele emanava uma energia maligna.
Quando cheguei lá, fui surpreendida por dois gatinhos, um musculosos e com regata e outro de pólo, porém nem tão musculoso assim.
- Nossa! Vampiros bem gatinhos! Será que sabem brincar com uma gata selvagem como eu?
- Olha, Gentil! Uma vadia se achando!
- Quer que eu cuide dela ou...
- Deixa que eu mesmo faço isso. Só temos que ganhar terreno por ora mesmo. Vou poder me divertir com a putinha – disse Gentil com um ar de superioridade.
- Uau! Nossa! O machão quer me pegar! Vamos ver se ele consegue – desdenhei.
Ele correu em alta velocidade para me alcançar, mas, ao levantar minha mão e fazer milhares de cobras o prenderem, parou quase instantaneamente.
- Droga!
- Quem é o mação agora, hein, bebê? – disse desdenhando dele.
Não durou muito minha alegria, pois ele agarrou a cobra e com isso elas começaram a envelhecer até virarem pó.
- Interessante... Você faz as coisas envelhecerem – disse intrigada.
Ele pulou em cima de mim, agarrando meu pescoço e girando meu corpo até lançar-me contra um dos prédios depois do campo, destruindo o muro do local e a parede do prédio.
- Não seja patética, sua puta. Meu dom é de drenar a energia vital de tudo o que me rodeia – disse, rindo histericamente, mas logo parou quando me levantei.
Por um segundo, pareci uma velha, porém logo voltei ao normal.
- Então, que sorte a minha ter energia ilimitada!
Sumi no espaço e reapareci atrás dele, cortando-lhe a cabeça.
- Poxa, que pena. Achei que ia durar mais – disse com voz tão fina quanto a de um bebê.
- Morra, vadia! – gritou o outro vindo, com poder de vampiro, em minha direção
Antes que ele pudesse me tocar, chutei seu estômago, perfurando-o com meu salto agulha e fazendo-o cair para o lado.
- Só para constar, meu salto contém um veneno – disse sorridente – Não vai poder se recuperar por um bom tempo.
- S-Sua... Va... Dia... – calou-se e caiu no chão.
Aproximei-me para cortar-lhe a língua – ele me chamou de vadia! Era o mínimo que podia fazer – quando uma lâmina de vento vinda de não sei onde decepou minha mão, fazendo-me perder um pouco de sangue. Logo uma nova mão foi criada a partir da tora de meu braço.
- Quem foi o viado que fez isso? – disse muito furiosa.
6) Pequeno
Após uma hora de sermão da minha mãe, dizendo que era uma obrigação da nossa família proteger o cetro das sombras, fui para o campo da escola Luz Negra, onde eu estudava com meus amigos, porém, quando cheguei, vi Thaty, ou o que devia ser ela, atacando dois garotos, que os reconheci como amigos do Ramon. Criei uma lâmina de vento e a lancei para impedi-la. Depois de ela gritar alguma coisa, me teletransportei para onde ela se encontrava, ficando ao lado de um corpo decapitado, que estava diante dela. Do meu outro lado, estava um garoto gemendo de dor com a mão sobre o estômago.
- Oi, Thaty! O que fazes aqui?
- Entendo... Então, foste tu, Pequeno. Não sabia que era um feiticeiro.
- Pois é. Também não sabia que você era uma puta feiticeira negra que matava inocentes – disse desdenhando dela, com um sorriso no rosto.
- Sabe, eu odeio esse teu jeito de falar, todos sorridente.
- Acaba com essa puta! Tu és o Pequeno, não é? O amigo do Piedoso – gritou a cabeça decapitada.
- Ah! – gritei assustado – Parece que não são tão inocentes assim. Vampiros, que legal! Se Piedoso se referir ao Ramon, então sim, sou eu mesmo.
- Você sabe que ele prefere Piedoso e se você, tipo, juntar minha cabeça ao corpo para que eu possa me recuperar eu agradeceria. Vai demorar um tempo para o Gentil ali. Para de se contorcer de dor!
- Bem...
De repente uma vampira pálida surgiu atrás de mim. Quando me virei para ver seu rosto, fiquei chocado.
- Roberta...
- Prefiro me chame de Sedutora. Tá, gatinho?
Sua voz estava cansada, sua pele, pálida como nunca, com veias negras brotando de seu pescoço e dos olhos, deixando suas íris brilhantes, vermelhas e, como o de todos os vampiros, destacadas. Ela se aproximou, pegou a cabeça caída no chão, segurando-o pela orelha, jogando o corpo sobre ombros, pegou o outro, colocando-o sobre o ombro livre, e pulou para as sombras, sumindo novamente. E tudo isso em menos de um segundo!
- Pois é, Thaty! Parece que somos apenas nós dois! – disse, quebrando o gelo.
- Não por muito tempo! Você vai morrer logo.
Ela sumiu e reapareceu atrás de mim. Usei meu poder para criar mão de ar e impedi-la de atacar.
- Merda! Seu viado!
Nesse momento, fiz raízes brotarem do chão, prendendo seu corpo. Ela não iria escapar, pois eram raízes mágicas que impediriam seu teletransporte.
- Merda, merda, merda! Você é um viado mesmo! Solte-me e lute como um homem!
- Não sou idiota! Meu único dever é protege esse local de vadias feiticeiras como você!
Concentrei lâminas de vento em minha mão quando fui jogado para longe por uma cobra gigante que Thaty invocou. Joguei as lâminas, me fazendo desacelerar e pousar no chão levemente, porém a cobra gigante ficou no caminho das lâminas e foi atingida, sendo cortada em milhões de pedacinhos minúsculos.
Quando olhei para Thaty, estava envolvida por uma aura negra, que fez seus olhos ficarem completamente negros. Repentinamente, ela destruiu as raízes e pulou sobre mim, jogando-me contra a parede, e levantou-me pelo pescoço, prendendo-me na parede.
- OLÁ, PEQUENO. POSSO PERGUNTAR UMA COISA? – disse sorridente.
Sua voz soou pura maldade e com um timbre metálico, como se duas pessoas estivessem falando ao mesmo tempo. Acenei com dificuldades que sim com a cabeça.
- QUERES PODER? PODER PARA NÃO TER MAIS UQE PROTEGER ESTE LOCAL? PARA LIBERTAR SUA MÃE DA MALDIÇÃO QUE LHE FOI RECAÍDA?
Espantei-me com a proposta, porém ela era sedutora demais. Ela me oferecera tudo o que eu mais queria. Acenei que sim, aceitando a proposta.
Uma energia negra me envolveu e, ao sair de mim, havia um espelho diante de mim. Ao ver meu reflexo, percebi que meus cabelos estavam loiros e meus olhos, azuis. O espelho se foi e, atrás dele, estava Thaty.
- Então, gostaste? Se me levares até o cetro, eu te recompensarei de outro jeito – disse ela passando o dedo indicador por entre os seios.
- Está bem. Gostei. Gostei mesmo! – fui até o centro do campo e levantei minha mão, fazendo o cetro aparecer.
- Tão fácil assim? – disse ela surpresa.
- Se não fosse eu, teria que descer até as catacumbas, como provavelmente fez Sedutora, porém há muitos monstros lá e é muito perigoso.
Ela pegou o cetro e o admirou por alguns minutos.
- Vamos para um lugar mais quieto que eu te recompenso!
7) Bela
Não sabia como encontrar um dos caçadores sozinho, porém a sorte estava ao meu lado. Vi aquele que chamavam de Luke e estava em um bar. Parecia que meus instintos me levaram até a minha presa. Ele nunca havia me visto antes. Concentrei-me em omitir minha presença de vampiro, atravessei a rua e entrei no local onde ele estava. O cara usava calça jeans clara com camisa pólo azul-marinho, estava sentado no balcão. Fui até ele e sentei-me a seu lado. Nem precisei puxar assunto, pois ele logo veio me paquerar.
* * * * *
Depois de muito tempo no bar, ele me levou até um motel. Ele foi batendo nas paredes até chegar ao quarto de tão bêbado. Quando entramos, joguei-o logo na cama – se era para fazer, eu iria me divertir primeiro. Arranquei a camisa dele, partindo-a em dois pedaços. O sangue dele pulsava a mil por hora. “Delicioso”, pensei. Peguei algumas algemas que trouxera comigo e prendi suas mãos na cama.
Luke estava louco, tentando me agarrar, mas seria do meu jeito! Abri sua calça e a tirei de uma vez, deixando apenas a roupa de baixo, rosa por sinal. (Ridículo) Levantei-me. Agora era minha vez. Fiquei dançando em cima da cama, enquanto tirava minha roupa bem devagar, até ficar completamente nua. Meu corpo todo estava esplêndido e eu aguentava mais também. Precisava cravar meus dentes nele e sugar seu delicioso sangue.
* * * * *
Já estava quase amanhecendo e eu voltara para casa. Estava com minhas roupas e levava Luke arrastado pelos cabelos. Havia dado meu sangue para ele. Quando anoitecesse novamente, ele seria um de nós, vampiros adoradores de sangue. Tive cuidado na hora de quebrar seu pescoço para não separar a cabeça do resto do corpo. Tinha gostado de me divertir com ele. Iria usá-lo um pouco mais quando virasse vampiro. Até que me cansasse dele, é claro. Sorri maliciosamente.
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