Estava perto do amanhecer. Bela devia estar voltando para casa naquela hora. Bruto e Gentil já haviam voltado e estavam se recuperando. Sedutora havia mandado uma carta dizendo que queria nos encontrar no cemitério. Estava a caminho. Faltava só mais uma quadra quando senti uma dor extrema e repentina em meu ombro. Estava deslocado. Fui pego de surpresa. Quando olhei para o local machucado, vi uma estaca de prata atravessada. Fiquei mais tonto ainda. Por dois motivos: não fazia ideia de como alguém conseguiu acertar-me sem que eu notasse e a prata estava me enfraquecendo.
Arranquei a estaca de meu ombro. A dor foi horrível, chegando a quase me fazer desmaiar, porém tinha que localizar o inimigo. Olhando ao redor, localizei-o. Na verdade, localizei-a – era uma garota, muito bonita, para falar a verdade. Nunca havia encontrado uma mulher com curvas tão perfeitas, com forma de violão. Seu corpo era o paraíso para qualquer homem, seus cabelos eram curtos na altura do pescoço, lisos, parecidos com dois de ouro pendurados em uma pele bronzeada pelo Sol. Seus olhos me intrigaram também: eram de um verde esmeralda espetacular. Ela estava a quilômetros de distância. Não foi à toa que não notei ela me atacar, porém ela fez toda essa distância desaparecer em questão de segundos, ficando na minha frente e dando-me um soco, que me fez voar para dentro da floresta, que estava ao meu lado.
Enquanto eu “voava” de costas, consegui tomar um pouco de equilíbrio. Virei-me e consegui aterrissar. Assim que toquei o chão, lancei-me para frente e comecei a correr. Corri até chegar a uma clareira. De repente, virei-me. Não tinha percebido, porém ela estava me seguindo o tempo todo, mas ela não parecia estar cansada ou ofegante. Era como se não tivesse se esforçado.
- Quem és tu e por que me atacaste?
- Chamo-me Liz.
- O que és? Não és vampira, pois saberia reconhecer um, mas não conheço ninguém como tu.
- Sou uma híbrida: meio vampira, meio humana.
Após ela dizer isso, comecei a rir descontroladamente. Ela olhou-m com um olhar incrédulo.
- Suponho que sejas uma caçadora de vampiros também, porém também sou híbrido. Metade vampiro, metade lobisomem.
Isso a chocou, fazendo baixar a guarda. Ela não esperava por isso. Aproveitei a chance e a soquei no rosto, fazendo-a desmaiar devido à monstruosa força que empreguei. Surpreendi-me que ela ainda estava inteira, porém não tinha tempo. Corri para o cemitério.
* * * * *
Ao chegar ao local, vi Sedutora sentada em uma tumba. Seus braços carregavam um amontoado de panos negros, da mesma cor do vestido que usava estilo vestido de noiva.
Quando me viu, correu em minha direção. Seu rosto emanava alegria. Ao chegar mais perto, notei que aquilo nos seus braços era uma manta que envolvia um bebê.
- Ele é lindo, não é, Piedoso? O nome dele é João. Ele tem seus olhos – disse ela quase tão alegre quanto uma criança quando acaba de ganhar um presente.
- Espera aí! Quando? Como? O quê? – minha voz estava trêmula e assustada.
- No acampamento. Nós transamos, seu estúpido. Você sabe que acontece isso quando não se previne – a voz dela me pareceu, no mínimo, esnobe.
- Como assim? Não foi culpa minha! – com a minha voz calma, prossegui – Porém ele é realmente uma graça. Olha! Ele já tem dentinho! – coloquei meus braços no dela, abraçando meu filho de leve para não machucá-lo e me mantive assim – Mas foi tão rápido!
- É sempre assim. Você ainda é novo. Por isso não sabe, porém a gravidez de uma vampira só dura pouco mais de uma semana. Em comparação com a gestação humana, um dia equivale a um mês.
- Nossa! Que legal! Isso deve poupar muitos problemas. Nem notei a barriga crescer.
- Isso é porque tu és muito distraído, na verdade!
O tom da conversa estava em um carinho extremo, porém, quando o Sol apareceu no céu, algo estranho aconteceu. Minhas mãos estavam pegando fogo, porém não era eu, e sim Sedutora. Ela estava queimando. Virei-me contra o sol, colocando-a em minha sombra, mas não adiantou. Seus gritos eram de uma demonstração de pura dor e terror e o bebê que estava calmo até agora começou a chorar e a queimar também. Olhei no pescoço dela e o cordão de prata estava lá. Em menos de um segundo, só havia cinzas em meus pés. Cinzas de Sedutora e de meu recém-descoberto filho.
Uma risada sinistra tomou o ar. Quando me virei, vi uma cena que me aterrorizou. Era Toke, o líder dos morcegos, e Gloriosa estava enroscada em seus braços. Ambos estavam envolvidos em sombras, que os protegia do Sol.
- O que aconteceu? – exigi respostas.
- Simples – respondeu Toke calmamente – Os cordões só tinham poder graças ao meu dom. Agora que o removi para tentar te matar, todos os vampiros estão vulneráveis ao Sol novamente – ele se gabava de seu poder de maneira aterrorizante.
- Por que sacrificar inocentes?
- Porque isso é uma guerra, criança! – disse sorrindo e sumiu nas sombras.
Naquele momento, entendi o que ele quis dizer. Era uma guerra contra mim. Senti uma mão em meu ombro, o daquela garota, Liz.
Sinto muito por seu filho. Pelo que pude ver, você é inimigo do Toke. Então você não deve ser tão ruim assim.
- Estás tentando me consolar?
- Meu pai era um vampiro e minha mãe, humana. Sei o que é perder alguém que se ame. Minha mãe morreu quando eu nasci.
- Como?
- Como sou meio vampira, cresci rápido demais para que minha mãe suportasse e acabei matando-a para poder nascer.
- Nossa! Estou curioso agora. Que poderes você tem?
- Você disse algo na terceira pessoa! Nossa! Parou de falar como se fosse da Idade Média. Bem, tenho todos os poderes dos vampiros, mas nenhuma fraqueza deles.
- Oh! É quase como eu. Sou capaz de acumular o melhor doas duas raças, vampiros e lobisomens, mas ainda tenho as fraquezas dos dois, como prata, etc.
Ela me olhou admirada. Não havia machucados em seu rosto. Não mais. Conversamos um pouco e nos dirigimos até a minha casa. Decidimos juntar forças e matar o desgraçado do Toke e todo o seu clã maldito.
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