Closer to the Edge
27 Money Power Glory
Notas iniciais
P. o. V Annabeth
Minha memória foi inconscientemente para quando era criança, e imaginava como seria se encontrasse minha mãe, ou até mesmo se ela não estivesse morta. Sonhava com o dia em que poderíamos nos abraçar e ela me poria na cama, contando uma história e me dando um beijo de boa-noite no alto de minha testa.
Nenhuma dessas memórias falsas, porém felizes, pareciam querer se tornar realidade agora.
A mulher não falara nada, estava fixa em mim, consegui ver um resquício de assombro, mas sua postura era total de soberania. Sua expressão declarava que eu era a subordinada, mas seus olhos mostravam até certo afeto.
Isso me fez lembrar Frederick e, de alguma forma, foi assustador ver que havia alguma semelhança entre os dois.
A mulher de cabelos negros ajeitou o colete vermelho, que usava sob uma blusa branca simples presa com um lenço preto à calça da mesma cor; pousou seus olhos em Poseidon, ao qual eu finalmente lembrei que estava ali.
– Aí está seu por que, garota – ele falou, embora eu sentisse que não era só a minha mãe que ele tentava proteger, era um segredo pior que esse.
– Não creio que seja isso – rebati. – O grande Poseidon, com medo de falar algo? Não me parece ser do seu feitio.
Poseidon não se abalara, um sorriso fino brotou nos lábios.
– Se quer mesmo saber – ele se inclinou sobre a mesa – Eu preferiria que a mulher ao lado do meu filho fosse Rachel, até mesmo Hazel, menos você. – eu ia rebater, dizer algo muito inteligente tal como “hein?”, mas ele continuara – Acho que agora vou deixar você e sua mãe a sóis...
– Primeiro me explique o que quer dizer!
– Primeiro saiba do seu passado, criança – Poseidon se levantou – Para querer saber do futuro primeiro precisa saber o que aconteceu antes e eu lhe aconselho que aproveite, — os profundos olhos verdes voaram para a mulher atrás de mim – poucos tem a notória oportunidade de terem a atenção de Atena O’Brien.
Com isso, ele deixara-me a sois com a mulher que, supostamente, deveria ser chamada por mim de mãe.
Atena O’Brien, sempre imaginara como seria seu nome, já que ninguém o pronunciava, mas Atena nunca me passara pela cabeça. Se parar para pensar, era bom saber o nome dela, provavelmente nunca conseguiria ter qualquer momento afetivo entre mãe e filha com aquela mulher.
Ela ficou parada por alguns instantes depois que a porta fora fechada, seu rosto era duro e, agora, não mostrava sequer uma emoção. Ainda continuava bonita, pelo menos seguindo a visão do sonho sempre fora, sem sinais de idade. Não muito tempo depois ela delineou um sorriso presunçoso, sentando-se a minha frente na grande cadeira de madeira, olhando-me como quem olha um saco de lixo ao qual tinha o dever de jogar fora.
Isso não ajudara em nada o que sentia por dentro: um misto de raiva e incompreensão, um misto de ódio e até mesmo de rancor e amargura.
– Não imaginou que eu fosse assim, não é mesmo? – Atena perguntou, o sorriso maldoso aumentara – Desculpe decepcionar você, querida, seu sangue não é tão real como imaginava.
– Você fala como se me conhecesse – digo o mais fria que consigo, minha garganta ainda ardia e não consigo manter minhas mãos paradas, minhas pernas não pareciam firmes e, se eu tivesse em pé, já teria desmoronado – Mas, sim. Realmente não imaginei que você estivesse assim. Para inicio de conversa, imaginei que você estava bem mais magra e há sete palmos de baixo da terra.
Ela riu sem emoção.
– Conhecendo seu pai, deve ter te enchido de mimos. Explica sua audácia, não consegue ouvir um não e quer tudo do seu jeito.
– Se está reclamando da minha criação deveria ter ficado e me criado do jeito que mais lhe agrada. – tentei soar inexpressiva, como ela, mas saiu mais amarga do que gostaria – Além do mais, não chamaria de mimos, estilo de vida estaria mais certo. Frederick dera-me um estilo de vida alto, o que poderia fazer? Dar aos pobres e viver na santidade? Abdicar?
– Mas não é isso que queres? – Atena alfinetou, arqueando uma sobrancelha – Quer mostrar seu potencial, mas sendo rainha não poderia fazê-lo, não do jeito que planeja. Quer mostrar ser mais inteligente do que qualquer um imagina, mesmo não aparentando ter nem um neurônio sequer...
– Pode ate ser, — a interrompi, minhas mãos agora tremiam de raiva, pode me insultar com qualquer ofensa, mas duvidar da minha inteligência é algo muito além ao qual eu possa aguentar calada – mas algo que você obviamente não consegue entender é que para ser rainha precisa tanto de inteligência, tanto de graça, tanto de sabedoria do que qualquer profissão e espero que saiba o suficiente sobre isso para falar com tanta convicção, senhorita O’Brien. – parei um pouco, respirei, notei a expressão de Atena: não havia alguma. Levantei-me da cadeira e continuei:
– Meu sonho nunca fora ser rainha, admito, mas desde que me entendo por gente sei encarar os fatos. Como você acha que sobrevivi até aqui em mundo ao qual não conhecia? Nunca fui vista como uma princesinha fútil fácil de manipular como você imagina, sempre fui encarada com respeito, como futura rainha do Império Inglês e mesmo que a porcaria da minha mãe seja uma pirata sem senso eu continuo sendo a herdeira da coroa britânica, continuo sendo muito mais inteligente do que propõe. E se nem mesmo o parlamento discutira que não sou apita para tal cargo, então nem mesmo uma mulher desprezível como você pode dizer o contrário.
Desde o curto momento em que a vi, Atena sempre demonstrara ser fria. Como se nada nem ninguém pudesse chegar aos seus pés, como se ninguém são o suficiente poderia querer enfrenta-la. Ela se colocava em um pedestal, como se sentisse que pudesse ser uma deusa, igual à deusa que carrega o mesmo nome. Parecia não ser levada pela emoção, sempre para a razão e, pelo sorriso presunçoso, muito provavelmente pensara que eu seria apenas mais uma pedra no sapato ao qual ela poderia descartar em um estalo.
Mas, agora, a imensidão cinza estava brilhando em lágrimas, uma mistura de raiva e impotência por não ter argumentos válidos. Até mesmo ela sabia que tudo o que acabara de constatar era verdade.
Eu consegui quebra-la.
Atena permaneceu calada e sem fazer ou falar nada a respeito. Pareceu correr uma eternidade até ela respirar fundo, levantar-se e erguer a mão, desferindo um tapa em meu rosto que mais doeu no emocional do que no físico.
– Respeite a sua mãe. – sua racionalidade voltara e sua voz era dura e cortante como navalhas, mas, assim que ela pronunciou a última palavra, não pude deixar de rir.
É, sim, rir. Uma risada tão psicótica que mal a reconheci como minha.
– Mãe?! – digo com desprezo, olhando-a nos olhos. Cinza no Cinza. Uma mistura tão amigável como uma tempestade avassaladora em alto mar. Minhas mãos não tremiam mais e minhas pernas recuperaram o sustento. – Você, no máximo, serviu para oferecer um ventre. Um mero portal para que eu pudesse chegar a esse mundo.
Atena não respondeu a ofensa e, ao contrário do que imaginei, não recebi outro tapa. Ela suspirou cansada, e pela primeira vez consegui ver as poucas linhas da idade em volta dos olhos. Ela se sentou novamente na solitária cadeira atrás da mesa e me encarou.
– Acho que merece uma explicação.
– Não quero nada de você, muito menos uma explicação pelo que fez...
Ela levantou a mão, em um gesto para que parasse.
– Poupe palavras, garota, eu sei que sua curiosidade consegue ser maior que seu orgulho. – eu hesitei, hesitei bastante. Mas no fim suspirei e sentei novamente na cadeira a sua frente – a procura é a natureza da sabedoria, senhorita Chase. Como Poseidon falou, é preciso aprender mais sobre o passado, assim, irá entender o presente e prever o futuro.
– Belas palavras, mas por favor não torne essa conversa mais longa do que deveria ser.
– Claro. – Atena suspirou, como se não quisesse relembrar de sua antiga vida, mas estava em uma situação que era obrigada a isso – Tem alguma ideia de quantos anos tinha quando... A deixei?
– Dezoito. – deduzi pela imagem que tive em sonho.
Atena assentiu.
– Saí de casa com quinze, como deve imaginar. Naquele dia, lembro-me que minha mãe me avisara que se saísse pela porta não era necessário voltar e, realmente, nunca mais procurei saber sobre ela ou nem sequer imagino se está viva.
– Ora, veja só! – comentei, minha ironia praticamente ao alcance das mãos – Algo que temos em comum.
Ela sorriu sem emoção – algo que parece fazer muito – e continuou:
– Assim que cheguei à Londres e descobri que iria haver um baile para que o jovem rei Frederick escolhesse uma esposa, a ideia surgiu. Não de ser a futura rainha, — acrescentou rapidamente – mas sim para saber onde ficava as joias da coroa, se possível, e roubá-las ao entardecer. Consegui usurpar um vestido e ir ao tal baile, o problema é que seu pai ficara encantado comigo, mesmo eu dizendo que não estava disponível. Ele foi a primeira pessoa a ser verdadeiramente gentil comigo, mas meu plano não era esse. Quando voltei ao palácio para pegar as joias, Frederick me pegara no flagra. Em vez de chamar os guardas, ele me ofereceu uma proposta: ser rainha ao seu lado e ter riquezas que nem poderia imaginar ou pegar algumas joias, mas tendo em mente que o dinheiro proporcionado por elas acabariam um dia. No dia seguinte, fui coroada como a mais nova rainha. O problema é que eu percebi logo que aquilo não era onde deveria estar. Frederick era a pessoa mais amorosa que conheci, mas o restante da família fazia de tudo para que eu desistisse e fosse embora. O plano era conseguir dinheiro, e se acabasse um dia, bem, eu sei me virar. Mas algo acontecera.
– Que seria? – perguntei, mesmo imaginando o que ela responderia.
– Você. – BINGO! – Você aconteceu.
– E então o plano já era. – Annabeth Mary Chase, rainha da dedução.
– Exato. Antes de você nascer, convenci Frederick a me deixar respirar em uma casa no campo e fiz a parteira espalhar o boato que não sobrevivi ao parto, que fui um milagre você ter conseguindo viver etc, etc... – Atena fez uma pausa e umedeceu os lábios – O novo plano era, depois de três meses, sumir do mapa. O problema era que, assim que a vi, seria impensável deixar você por tanto tempo. Porém a parteira já havia espalhado o boato, acho que alguns ficariam bem apavorados de ver uma morta pelo palácio. Fiquei três anos sem lhe ver até que, um dia, resolvi pegá-la. Esperei o cair da noite e entrei furtivamente para seu quarto e a acordei. Corremos por um longo caminho até chegar à costa, mas não havia outra saída com a Inglaterra inteira bem atrás de nós. Eu tinha duas opções: ou ficar com você e ver-te passar por tudo que uma mãe não quereria para um filho, ou te deixar pensando que morri tendo você e lhe deixar rodeada a riquezas, a escolha era unanime: você não sentiria falta de mim, de qualquer forma.
Você que pensa, mordi a língua para não interrompê-la com tal pensamento.
– Pulei para o mar desejando minha morte, afinal, a única coisa preciosa que eu tinha era minha filha e teria que deixa-la. Infelizmente, não bati nas pedras e ainda sobrevivi alguns dias, sabe-se Deus lá como. Quando meu corpo já pedia reforços eu fui achada, muito embora estivesse desacordada e perto de uma morte iminente. Assim que acordei, estava nas mãos de um verdadeiro deus grego; deve saber do que estou falando, Percy é a imagem do pai naquela época. Depois disso, resolvi ficar aqui, não há preconceitos nesse lugar, principalmente se ninguém sabe do seu passado. Não demorou muito e estava casada com Poseidon e tudo o que me foi prometido foi dado: dinheiro, poder, glória. Um império. E eu sou a rainha. Só faltava você, Annabeth, e minha vida estaria completa.
– Até a segunda ordem, você ainda não tem meu perdão, ou o que quer que seja que você queira de mim. – digo, ainda com perguntas a fazer na cabeça.
Para falar a verdade, nem sabia ao certo se deveria confiar na palavra de Atena, mas, infelizmente, a única versão da história é a dela. Ainda não me convenci, mas por hora, essa é a história ao qual eu vou aceitar.
– Um dia conseguirei? – Atena parecia mais expressiva agora, seu tom era de expectativa. Ela finalmente mostrara que tinha algum sentimento que não seja ambição.
– Será a primeira a saber.
P. o. V Percy
– Acha que elas se mataram?
A sala estava abarrotada de gente, todos da tripulação de navios aos quais os capitães estavam sentados à grande mesa de madeira. Duas escadas rondavam uma cadeira igualmente grande, longe da mesa e sem nenhuma luz por perto de propósito. Em volta do quadrado de madeira sentavam-se oito capitães, com seus respectivos imediatos:
Nico e Bianca DiAngelo estavam a minha frente, com a repulsiva garota olhando-me com luxuria, o que deixava tudo bem mais nojento do que o normal. Nico mantinha uma conversa silenciosa com Thalia Grace, que estava logo atrás de mim, a garota correspondia com um sorriso de vez em quando.
Ártemis mantinha-se calada sentada ao lado de Nico, com a sua imediata, Zoe Doce-Amarga atrás dela. Algumas vezes, o braço direito do capitão é quem fala por ele, mas Zoe é incapaz de fazer tal coisa. Já que, antes de se juntar as caçadoras, foi cruelmente violentada pelo pai muitas vezes e de muitas formas, uma delas é o fato de ter a língua cortada, a única provável cicatriz física daqueles tempos. A garota ainda sofrera por outro homem, só que nesse caso o que saiu machucado foi mais o emocional do que qualquer outra coisa. A Caçada é o porto seguro dela.
Na frente de Ártemis teríamos Ares e Clarisse, aos quais ainda não chegaram por algum motivo. Ares é pai de Clarisse, por mais que alguns não achem, mas, sinceramente, é difícil não ver a semelhança. Certo que Clarisse ficara, digamos, mais feminina ao lado de Chris Rodriguez, mas mesmo assim continuava uma brutamontes irritantes desde sempre. Pentear o cabelo nunca ficara em primeiro lugar na lista de coisas ao qual ela tinha que fazer, creio que isso não mudaria tão cedo.
Ao lado dos faltantes, estava Dakota e Gwen. E, bem, preciso ressaltar que Gwen é a garota e Dakota e o homem da situação. Não há muito que falar deles, só que Gwen é uma pessoa muito amável para estar nessa vida e que Dakota tem um sério problema alcoólico, sua boca ficou permanentemente vermelha como a de um vampiro por conta de tanto vinho bebido. O nome do navio deles era Quinta Coorte, Q.C. para os íntimos.
Na frente da pessoa amável e do vampiro, estava Hefesto. Ele não estaria em primeiro lugar na lista dos mais bonitos do mundo: seu rosto era coberto por cicatrizes e tinha uma barba grande, com falhas em muitos lugares. E, já que desgraça para moribundo é pouco, ainda é aleijado. Pelo menos, é casado com Afrodite, mas isso não ajuda muito quando essa o traí sempre que pode com o irmão dele: Ares. Fofoca velha. Sua tripulação é pequena, e seu imediato é um macaco (nem queira perguntar).
Ao lado de Hefesto, temos Deméter com sua filha Katie. Ela não tem muita influencia nessas reuniões, mas sempre que pode fala que seríamos menos estressados se fossemos vegetarianos. Seria uma pessoa legal, tipo aquelas tias que te dão dinheiro sempre que te encontram, se não fosse o fato de que, se você estiver comendo carne, ela faz questão de falar como é feita e como os animais sofrem por aquilo. Querida, eu não cheguei ao topo da cadeia alimentar para comer folha. Katie é bem mais interessante que ela – entendam como quiser – e tem um caso mal resolvido com Travis Stoll.
Falando nisso, o Stoll estavam bem à frente das duas, com seu irmão Connor. A meu ver, eles seriam gêmeos, mesmo insistindo que não. Tinham o mesmo cabelo caramelo e o mesmo sorriso travesso. A única coisa que não eram parecidos é que um é maior que outro, mas é o fato de que Connor possui um olho de vidro que não é do tamanho certo, por isso o perde sempre, que consigo diferenciá-los. Era difícil acreditar que eles já foram da realeza.
História complicada.
Eles foram jogados de lado, por assim dizer. Quando puderam, eles fugiram, assim que chegaram a Tortugas eles mudaram de nome e começaram uma nova vida. São os melhores saqueadores, e é engraçado que o sobrenome falso deles seja algo parecido com “roubar” em inglês, mas eles nunca entendem essa piada.
– Quem? — perguntei – Annabeth e Atena? Duvido. Digo, espero que Atena não faça nada.
– E que Annabeth não faça uma estupidez – Charlotte comentou, roendo o cordão de ouro. – Mas não, não ouvi nenhuma gritaria ou coisas quebrando.
– E você tem ouvidos biônicos para isso?
Antes que ela pudesse responder, Clarisse La Rue – a garota que me ama, só não admite ainda – entrou pela sala, deixando todos em silêncio e olhando para ela, mas precisamente, o estado que se encontrava: suas roupas estavam rasgadas, com sangue e água escorrendo pelo corpo. Seu olho estava roxo e o rosto estava vermelho; o cabelo, que já não era bom, estava pior. Ela parecia ter levado uma surra, estava destroçada e muitos em sua condição estariam chorando, mas sua expressão era soberba.
Patife orgulhosa.
– O que estão olhando? – ela até tentou soar ameaçadora, mas sua voz saiu esganiçada, como um gemido de dor – Vão caçar o que fazer, ratos do mar!
Clarisse também tentou andar com postura soberana, como se seus passos pudessem ferir ou por medo nos outros ao seu redor, tenho que dizer que não funcionou dessa vez. Ela mancava ligeiramente, fazendo uma careta de dor a cada passo que dava. Deve ter feito esforço também, pois estava mais vermelha quando chegou a cadeira. Ela se sentou sem hesitar e isso me fez imaginar o que deve ter acontecido para deixar Ares tão debilitado para mandar a filha em seu lugar.
– Não que me interesse, mas o que houve com você? – Charlotte perguntou, nem sequer olhando para a garota.
– Se não lhe importa, porque então perguntou?
– Curiosidad... Pelos deuses, garota! – ela arregalou os olhos assim que se virou para Clarisse – O que aconteceu com você?!
– Ingleses.
Não era necessário mencionar mais nada.
– Eles nos pegaram perto da Flórida, — na menção dos ingleses, muitos se calaram para ouvir o depoimento de Clarisse – Eu me salvei com tempo. Quando percebi que não tinha volta, pulei na água. Os outros, arrogantes como são, continuaram. O primeiro a morrer foi Ares – ninguém se importou com o fato de Clarisse não mostrar sequer afeição com Ares, mesmo depois da sua morte – ele achou que poderia acabar com dois barcos inteiros sozinho, bem, não conseguiu. Não me perguntem como consegui chegar aqui, nem mesmo eu sei, só sei que o The Gold está no fundo do mar agora.
Muitos diriam que foi covardia, falta de honra, ter saído assim do navio. Porem ali era um bando de piratas. Ninguém se importa com honra. Ninguém.
Clarisse daria o veredito, algo bem óbvio como “Ares morreu e eu supostamente seria capitã, se tivesse um navio e uma tripulação, mas não tenho. Porém ficarei aqui e se alguém disser algo contra socarei a cara do sujeito na privada.”, algo muito doce como a própria Clarisse. Toda via, outra voz se fez ouvir, e essa calou a todos:
– Então é verdade. Os ingleses finalmente estão contra-atacando.
Todos os olhares voltaram-se para as escadarias, onde Poseidon mantinha a cara de poucos amigos. Ele só aparecia quando era necessário, ou quando gostava de fazer uma entrada triunfal, mas nesse caso é o fato de ele ser necessário.
Poseidon andou até a mesa e varreu o local com o olhar, a cada movimento que ele dava parecia que a sala inteira prendia a respiração. Retirou seu chapéu com uma cerimonia desnecessária e o jogou pela mesa, onde todos os capitães sentados retiravam seus cordões e o colocavam ali dentro. Até mesmo Clarisse fizera, com o cordão de ouro sujo com o sangue de seu falecido pai.
Os oito cordões estavam à mesa e a carnificina começaria em breve.
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