Closed Minds

17 Capítulo 17 — Complicações


Notas iniciais
Hey gente!! Então, estão desejando minha cabeça numa bandeja de prata, sim, claro ou óbvio? auhauhauh. Como eu disse antes, eu tava com sérios problemas envolvendo falta de tempo feat. falta de internet feat. bloqueio criativo. Meu maior problema foi a porcaria do bloqueio criativo. Não consegui escrever quase nada por 5 meses. Então ontem eu tava xingando muito no twitter esse maldito bloqueio quando, do nada, veio a luz. E eu comecei a escrever loucamente e não parei mais. Enfim. Aí vai um capítulo para vocês. MIL desculpas pela demora! Se Deus quiser e a criatividade colaborar, o próximo não vai demorar uma eternidade. Espero que não tenham desistido de mim, porque eu não desisti de vocês e nem dessa história. Prometi que ia terminar, e vou. Detesto deixar coisas incompletas. Então, sem mais delongas, boa leitura! :D Só uma pequena observação. No cap. anterior a gente já viu a Brittany com a Blair. Nesse aqui é o que acontece pouco tempo depois da Brittany ter sido levada pro Hospital, ou seja, cronologicamente, os acontecimentos daqui são anteriores ao do cap. anterior. No próximo que a gente vai ser o "presente/futuro" sei lá dpofkpokfd. Espero que curtam! Vejo vocês lá embaixo :)

Eu não acredito em destino.

Acredito em escolhas.

Acredito que um conjunto de escolhas forma um determinado caminho, e que esse caminho pode ser alterado a qualquer momento, por qualquer motivo. A vida é imprevisível — talvez porque os seres humanos sejam imprevisíveis, ou talvez porque ela é assim mesmo. Talvez ela tenha sido feita para ser assim. Surpreendente.

O problema é que quando fazemos todas as escolhas erradas, é impossível que o caminho em que vamos prosseguir seja fácil ou certo. Ele só trará possivelmente mais dificuldades. Dor. Sofrimento. Angústia. Mas quem sabe por isso mesmo tomar as decisões erradas, vez ou outra, seja uma coisa boa. É só pisando no caminho difícil que saberemos como fazer a transição para o mais fácil. É só sofrendo que aprendemos que tipo de pessoa realmente somos, e a como reagir em determinadas situações.

Errar não é necessariamente uma coisa ruim.

Ruim são as consequências que advém desse erro.

E algumas consequências são irreparáveis. Como a morte.

Mantenha-se focada. Aja naturalmente. Não há nenhuma razão para o plano dar errado. Você sabe o que fazer, então faça. Não pense em mais nada. Só coloque um pé na frente do outro. Isso. Muito bem, Quinn. Agora mais outro. Não levante a cabeça. Não demonstre nenhum sinal de nervosismo. Siga em frente.

Lembre-se do que está em jogo.

Não seja apanhada.

Caminhei de cabeça baixa, os olhos fixos em meu sapato, tentando bloquear qualquer outro som que não fosse o barulho dos meus próprios passos. Eu só precisava agir como uma entregadora, era tudo. Não havia motivos para que me reconhecessem. Eles mal conheciam minha aparência. Kitty era boa com computadores — boa o suficiente para apagar qualquer foto minha que poderia ter existido na Internet. Ela havia feito isso há anos, então, se eles possuíam alguma foto minha, não era atual. E eu mudara muito. Especialmente para essa ocasião.

Marley conseguiu comprar tinta para cabelo em uma farmácia próxima ao esconderijo. O loiro havia sido substituído pelo castanho escuro. Ela também o cortara com uma tesoura praticamente cega que encontrara pela casa, e o resultado não tinha sido um dos melhores, mas era satisfatório. Bom o suficiente para ninguém reparar que o corte era irregular, a não ser que olhasse bem de perto. E se alguém parasse perto o suficiente para observar, então isso significava problemas.

Meu coração parecia prestes a saltar do meu peito, e minhas mãos estavam começando a suar bastante, mas mantive a cabeça abaixada e caminhei entre passadas rápidas e lentas, como se estivesse com pressa e estivesse tentando não correr. Ninguém acharia isso suspeito em uma entregadora. "Muitas entregas", eu diria, se alguém me perguntasse. "Uma delas é longe, e precisa ser feita ainda hoje". Segurei o embrulho com força e cheguei até o balcão, colocando-o sobre ele e abrindo um sorriso sem graça para a secretária. Ela arqueou a sobrancelha e me analisou de cima a baixo, um olhar de desprezo cruzando seu rosto.

— Boa tarde. Huh... Desculpe, nunca estive aqui antes. Eu tenho uma entrega para alguém, e tenho ordens para entregar somente na mão da própria pessoa. Devo ir até o escritório dele, ou...

— Para quem é a entrega? — cortou-me ela, impaciente.

Fingi checar na minha prancheta, e a escutei bufar. Bom sinal. Quanto mais impaciente ela estivesse, menos desconfiada ficaria. Levantei a cabeça e a encarei, fingindo estar sem graça.

— Hum... O nome é Lynn? Ryder Lynn? Não tenho certeza se é esse mesmo. A letra é horrível. Vivo dizendo para o Jorge melhorar na caligrafia, mas...

— Sei, sei. Espere um momento.

Sorri novamente, e ela revirou os olhos e se levantou, afastando-se do balcão e caminhando em direção a um homem parado há poucos metros. Ela o tocou no ombro e ele se virou para ela com um olhar questionador no rosto. A secretária apontou para mim. Ele ergueu a sobrancelha e disse alguma coisa a ela. Ela deu de ombros, e os dois me encararam. Eles desconfiam, pensei desesperada. Minha garganta ficou repentinamente muito seca, e tive vontade de sair correndo. Só que não podia. Se saísse correndo, seria uma confirmação. Controle-se, disse a mim mesma, tomando respirações profundas. Acenei com a cabeça na direção dos dois, tentando parecer descontraída, e me apoiei no balcão, lançando um olhar preocupado para o relógio, como se já estivesse atrasada na minha agenda.

Então os dois começaram a andar em minha direção, e eu ajeitei a postura, tentando parecer uma entregadora séria. A secretária voltou para o balcão e o homem acenou a cabeça para mim em reconhecimento.

— A senhorita Stone aqui me disse que você tem uma encomenda que precisa entregar nas mãos de Ryder Lynn?

— Sim, senhor — confirmei. — Meu chefe deixou bem claro que só podia ser para ele, e mais ninguém. Então se ele não estiver, e tal, eu posso voltar outra hora. É como eu tava dizendo aqui pra... huh... senhorita Stone?... eu tenho outra entrega pra fazer, e tô bem em cima da hora. O senhor saberia me informar se ele está aqui? Ryder Lynn, eu digo.

— Está — concordou o homem, analisando-me. — Você tem alguma identidade que comprove quem você é? Você entende, normas de segurança. Esta é uma instalação do governo.

— É mesmo? — perguntei, tentando soar surpresa. — Não sabia, mas se você tá dizendo. Tenho sim, amigo. Espere só um momento.

Coloquei a mão dentro do bolso da calça e tirei a identificação que Kitty havia feito para mim. Entreguei para ele, e o homem a analisou por alguns segundos antes de me devolver, abrindo um sorriso ínfimo para mim.

— Muito bem, senhorita Agron. Eu lhe acompanho até a sala do senhor Lynn. Não é muito longe daqui, mas você poderia se perder se fosse sozinha, e isso a deixaria mais atrasada, não é?

— Sim, sim — disse, tentando soar aliviada. — Muito obrigada.

— Tudo bem. Siga-me.

Ele saiu andando. Peguei o pacote, coloquei-o debaixo do braço, e o segui. Ele me levou até os elevadores e apertou o botão de subir. Esperamos lado a lado, num silêncio incômodo, e quando a porta do elevador se abriu, ele foi o primeiro a entrar. O homem clicou o botão do sexto andar, e eu senti meu estômago afundar.

Kitty disse que ele estava no quarto. Ele desconfia. Merda. Merda.

Tudo bem, mantenha a calma, Fabray. Fique fria. Não há motivos para desconfiar. Talvez Kitty tenha somente se enganado. Ou talvez Ryder tenha sido movido de andar. Nunca se sabe. Mantenha-se fria. Não se entregue.

Respirei fundo algumas vezes tentando controlar o nervosismo, e quase soltei um suspiro aliviado quando a porta de abriu e saímos em um corredor, e não em uma espécie de sala de tortura (como se isso fosse realmente acontecer). Controle-se, droga. O homem foi na frente, guiando-me, e eu o segui silenciosamente. Ele dobrou duas vezes à esquerda e parou em frente a uma porta de madeira. Ele bateu duas vezes. Esperamos só alguns segundos, e a porta se abriu.

Mas quem estava lá não era Ryder. Era um desconhecido.

Ou ao menos eu não o reconhecia, mas, quando ele olhou para mim, tive a certeza de ver reconhecimento estampado em seus olhos. Entretanto, o rapaz disfarçou bem. Ele lançou um olhar interrogativo para o homem, que explicou que eu tinha uma encomenda para entregar para o senhor Lynn.

— Ah, certo — murmurou o rapaz, lançando um olhar rápido em minha direção. — Lynn, é para você.

Trinta segundos. Foi o tempo que eu contei para Ryder aparecer na porta. Precisei me conter para não parecer tão aliviada. Nenhum de nós tinha notícias dele há semanas. Desde que tudo acontecera, o contato estava cada vez mais difícil. A DILM parecia estar vigiando mais de perto os empregados. Aquela era uma tentativa desesperada de manter contato — mas uma necessária. Nós precisávamos saber como ela estava. Precisávamos saber se ainda estava viva.

— Pois não? — perguntou Ryder, olhando do homem para mim, e de mim de volta para o homem.

— A senhorita aqui disse que tem uma encomenda para você. Que só podia entregar nas suas mãos.

— Ah, sim! — ele exclamou, soando animado. — Sim, eu estava esperando por isso.

— Você só precisa assinar aqui — disse, entregando-lhe a prancheta.

Ele a tomou de minhas mãos, segurando um segundo a mais que o necessário, e seus olhos me lançaram um olhar de aviso. Cuidado, ele disse silenciosamente. Isso é perigoso. Gostaria de lhe dizer que sabia, que conhecia os riscos, que tinha calculado tudo. Mas não podia. Então precisava confiar que ele entendia.

Ele assinou, e lhe entreguei o pacote.

— Bem, obrigado — ele sorriu para mim. — Fiz essa encomenda há séculos. Estava começando a achar que não seria entregue.

— Problemas internos — disse, em tom de desculpa. — Você deve ter visto no jornal. Uma das nossas sedes pegou fogo. Ainda estamos tentando nos reorganizar, então tem sido uma loucura.

— É, ouvi falar. Bem, pelo menos chegou. Obrigado mais uma vez, e um bom dia de trabalho para você.

— Você também.

Então me virei para o homem que tinha me trazido, e ele acenou com a cabeça na direção de Ryder. Começamos a nos afastar, quando, de repente, senti alguém esbarrar em mim, e senti algo sendo colocado dentro do meu bolso. O homem se virou, com cara feia, e o mesmo rapaz que havia aberto a porta sorriu, sem graça.

— Cuidado, Weston.

— Desculpe, desculpe, estou meio desastrado hoje. Você está bem?

Concordei com um aceno de cabeça.

— Certo. Bem, vou indo, tenho uma reunião agora. Desculpe novamente. Até mais, Bill.

E então o rapaz saiu correndo, como se nada tivesse acontecido. O homem — Bill — resmungou alguma coisa sobre jovens e como eles estavam sempre apressados enquanto me guiava de volta para o saguão de entrada. Mantive a cabeça baixa na saída, também. Só fiquei aliviada quando estava segura, dentro do carro.

Coloquei a mão no bolso, e tirei o pedaço de papel que o estranho tinha colocado lá. Abri-o, tremendo, e prendi a respiração quando li o que estava escrito.

Puck já sabe de tudo. Não é mais seguro aqui. Salve seus amigos.

Nossa mãe é o inimigo.

Foi quando eu me lembrei. O desconhecido. Eu já o vira antes, há sete anos, no McKinley High. Ele era o irmão da Rachel. Ele era o James.

Isso não pode ser bom, pensei, encarando o papel preocupada.

Eu esperava que Ryder conseguisse nos encontrar no lugar marcado. Precisávamos de respostas. E, no momento, ele parecia ser o único que podia dá-las.

— Como foi? — perguntou Rachel, assim que me viu cruzar a soleira da porta. — Você demorou. Estávamos preocupados.

— Correu tudo bem, eu acho. Escute, seu irmão me mandou uma mensagem.

Rachel franziu o cenho para mim, uma expressão confusa surgindo em seu rosto. Ela andou até mim e tocou em minha testa, como se medisse minha temperatura. Afastei-a, curiosa.

— O que?

— Só estou preocupada. Você sabe que não tenho irmãos.

— James.

— Bem, é, a não ser ele. Embora James e eu tenhamos tanto contato quanto o Sol e a Lua. Como você poderia ter um recado do meu irmão, Quinn? Espere... Ele foi capturado? — ela indagou, arregalando os olhos.

— Um momento... — disse, erguendo as mãos. — Então você não sabe?

— Não sabe do que?

— Rachel, seu irmão trabalha no Governo. Ele estava com Ryder. E mandou uma mensagem para você.

— Quinn, eu acho que saberia se James trabalhasse no Governo.

— Talvez não. Eu não o reconheci. E quando foi a última vez que você o viu?

— Há bastante tempo — admitiu Rachel. — Shelby fez questão de nos manter separados.

— Provavelmente para não comprometer o disfarce dele. O homem que me acompanhou até a sala do Ryder o chamou de Weston.

— Weston? — perguntou ela, chocada. — Como em Brody Weston?

— Bem, não sei o primeiro nome, mas... Era ele. Era ele, e ele deixou isso para você.

Tirei o bilhete do bolso e mostrei para ela. Rachel soltou um longo suspiro.

— E quando eu achava que não podia piorar...

Estiquei a mão, por instinto, e segurei a dela. Ela levantou a cabeça e me olhou, seus olhos castanhos tão vívidos, tão intensos. Senti vontade de abraçá-la. De beijá-la. De tê-la para mim. Soltei sua mão e me afastei. Ainda não era a hora. Rachel sorriu tristemente para mim.

Talvez ela achasse que nossa hora nunca chegaria.

Eu estava começando a achar a mesma coisa.

— Não temos muito tempo — disse Ryder, olhando por cima do ombro.

O pacote que eu havia levado para ele marcava um local e uma hora para nos encontrarmos sem chamar atenção. Tinha que ser em um ambiente público, com muita gente ao redor, então escolhemos uma cafeteria qualquer que não ficava muito longe da sede da DILM. Por mais arriscado que fosse, era nossa melhor opção. Se escolhêssemos algum lugar muito longe de onde ele trabalha, e alguém o visse, seria mais difícil dar explicações.

Era quase final da tarde, e as ruas estavam extremamente movimentadas com pessoas saindo de seus trabalhos e correndo para casa. A cafeteria em si não estava cheia, mas também não estava vazia, o que era uma coisa boa. Gente o suficiente para duas pessoas não parecerem suspeitas.

— Ela está viva. Eles a tiraram do Hospital assim que ela estava estável o suficiente para ser movida, e a levaram para a ala médica do prédio. Geralmente é usada para tratar os prisioneiros que machucamos em interrogatórios, ou durante os experimentos. Ninguém se importa se eles estiverem quebrados, desde que estejam vivos.

— Então ela está mesmo bem? — soltei um suspiro de alívio. — Isso é ótimo. Alguma chance de resgatá-la?

— Não no momento. Ela ainda está mal, Quinn. Ainda precisa de tempo para se recuperar. Escute — ele me lançou um olhar culpado —, eu sinto muito pelo plano idiota.

— Por que ela não estava usando o colete? Ela deveria estar usando a droga do colete!

Ryder exitou. E eu soube. Soube o que havia de errado com o plano — tudo aconteceu exatamente como deveria ter acontecido. Eles o haviam alterado. Eles haviam feito Rachel atirar em Brittany de propósito. Mas por quê? Ryder deve ter percebido por onde minha linha de raciocínio foi, porque ele se inclinou em minha direção e apertou minha mão com força.

— Era importante que Rachel fosse capturada — ele disse, em tom urgente. — Você precisa acreditar em mim quando digo que jamais imaginei que Brittany acabaria mesmo machucada. Não era para ter sido assim. Uma bala de raspão. Era tudo.

— Rachel sabia disso?

— Não, não podíamos contar. Ela não sabia em quem iria atirar. Esse foi nosso erro. Se ela soubesse que era Brittany, não teria a machucado... Mas ao mesmo tempo, ela não podia saber. Ela não teria coragem de atirar.

— Então vocês precisaram tomar uma decisão, e sacrificaram Brittany — disse friamente, afastando a mão dele de mim. — Kitty vai ficar decepcionada quando descobrir.

— Você não entende, Quinn. É Shelby. Ela vigia cada um de nossos passos. O que poderíamos fazer? Como mudar sem ela descobrir que estávamos combinando com vocês? Aquela mulher não liga a mínima para ninguém. Nem para os próprios filhos. Olhe... — ele olhou ao redor, e se inclinou novamente para mim. — Eu estou cuidando da Brittany. Vou ficar de olho nela. Se surgir alguma oportunidade de resgatá-la, prometo a você que avisarei o mais rápido possível. Mas você precisa confiar em mim por enquanto. Ryan Carter veio me procurar...

— O que? — perguntei, chocada.

— É. Ele queria saber sobre a Rachel. Sobre quem a capturou. E todas as vezes que penso sobre isso — ele murmurou, tenso. — Não sei, acho que estamos dando crédito demais à Shelby. Não acho que isso seja ideia dela. Não acho que ela tenha bolado esse plano para proteger a Rachel.

— O que você quer dizer com isso?

— Não sei — ele deu de ombros e suspirou, frustrado. — Não sei, alguma coisa não se encaixa. Por que Ryan Carter viria até mim pra perguntar sobre Rachel? Qual seria o interesse nela? A não ser que ele quisesse que ela fosse capturada. A não ser que ele quisesse ter a certeza de que foi pela pessoa certa.

— Se o que você está dizendo é verdade — disse, assustada —, então ele sabe muito mais do que imaginávamos.

— Shelby deve ter aberto o bico pra ele sobre toda a relação entre você e Rachel. Só não entendo por que colocá-la com vocês. Será que eles pensam que ela é fiel ao Governo?

— Não, se ele é tão esperto assim, deve saber que não. Existe outro motivo.

— A questão é: qual?

— Alguma coisa que não estamos vendo. Algum detalhe que estamos perdendo. Se ele sabia que Rachel ficaria do nosso lado, então por que colocá-la conosco? Por quê?

— Não sei. Escute. Tem mais. É sobre Noah Puckerman.

— Como ele está?

— Nada bem. Ele descobriu a verdade. Não sei como, mas descobriu. Acho que ele tem andado investigando coisas desde que Rachel foi capturada. Então agora ele sabe. Sobre tudo. E está furioso.

— Com Rachel, por ter mentido?

— No começo — Ryder concordou —, mas depois ele ficou com raiva de Shelby. Talvez seja melhor tirá-lo da jogada. Não confio em um homem que não consegue se controlar. É perigoso. Pra ele, pra nós, pra todo mundo.

— Você só precisa direcionar essa raiva — sugeri. — Lembre a ele de quem é o inimigo. Faça-o ficar do nosso lado. Seja o que for que Shelby tem contra ele, se é que é Shelby mesmo que está comandando o show, então nós podemos fazer alguma coisa a respeito.

— Você pode ter razão — ele disse, pensativo. — Vou tentar. Pode ser que dê certo.

— E James, Weston, seja lá como se chame. Ele é confiável?

— Acho que sim. Não posso ter certeza. Quer dizer, ele é filho da Shelby, está trabalhando no governo infiltrado por ela, mas...

— Mas o que?

— Não sei, Quinn. É só alguma coisa sobre ele.

— Mais mistério, então. Mais perguntas sem respostas.

— Tem mais uma coisa.

— O que? — perguntei, massageando as têmporas. Estava começando a ficar com uma baita dor de cabeça.

Ryder exitou por alguns segundos, e depois disse, num sussurro:

— Eu a encontrei. Sua irmã. Ela está em uma cela. Prisioneira. E sei que é para a mesma cela que vão mandar Brittany quando ela melhorar.

— Ela está mesmo viva, então.

— Está.

— Qual o estado dela?

— Não está machucada. Não sei o motivo. Eles a torturavam no começo, mas ela nunca disse nada. Nem sobre você, nem sobre Rachel. Absolutamente nada. Depois de um tempo a deixaram em paz.

— Deve estar conectado. Tudo isso deve estar conectado. Rachel. Brittany. Blair. Elas poderiam estar mortas, as três, mas Shelby, Ryan Carter, ou quem quer que seja, manteve-as viva. Inteiras. Como se estivessem esperando o momento certo. Como se tivessem algum plano. Droga — resmunguei, irritada. — Detesto não conseguir enxergar. É como se estivéssemos correndo no escuro, sem ter nada para nos guiar. Então ficamos batendo nas paredes, nos móveis, lutando para ver alguma coisa, para nos orientar, mas eles estão sempre um passo a frente.

— Nós vamos dar um jeito — ele me garantiu. — Você vai ver. Nós vamos dar um jeito. Mas por hora, é melhor não tentar nenhum tipo de comunicação comigo. É perigoso demais. Eles podiam ter identificado você.

— Mas não identificaram, e eu precisava de respostas.

— Eu sei. Você as tem. Ou pelo menos o máximo que poderia ter. Se acontecer mais alguma coisa, se tiver alguma brecha, eu mesmo procuro você. Não se arrisque mais, Quinn. Tenho a sensação de que é exatamente isso o que eles querem.

— Tudo bem. Mas se acontecer alguma coisa...

— Eu entro em contato. Prometo. Diga a Kitty que está tudo bem, certo? Que eu estou bem. Diga para aquela cabeça dura não se preocupar comigo, sei me cuidar. Vocês precisam se preocupar consigo mesmos.

— Eu direi — disse-lhe, levantando-me.

Comecei a me mexer para ir embora, mas Ryder segurou meu braço, lançando-me um olhar triste.

— Só mais uma coisa... Sobre Sam.

Senti meu estômago afundar, e meu coração bater mais rápido no peito.

— Ele está vivo?

Ryder me lançou um olhar de pena.

— Nós recuperamos seu corpo. Sinto muito. Ele foi enterrado... Achei que você gostaria de saber.

— Sim — murmurei, com o fio de voz que me restava. — Sim, obrigada.

— Cuide-se — ele disse, quando eu me afastei.

Você também, pensei. Se Ryder estivesse certo, então a situação era pior do que eu imaginava. Estávamos no meio de uma guerra — e, aparentemente, também estávamos em desvantagem.

Shawn me abraçou, e eu o abracei de volta. Fazia tanto tempo que não tínhamos um tempo só para nós dois. Sentia falta dele. Do meu irmão caçula. Do meu bebê. Tudo estava tão difícil ultimamente. Tão complicado. Ele se afastou de mim e analisou meu rosto.

— Então, não foi muito bem, hum?

— Na verdade, foi — disse, bagunçando seus cabelos.

— Alguma coisa importante? — indagou Rachel.

— Muitas. Informações preciosas. Vamos precisar conversar sobre isso depois, mas antes eu preciso vê-la. Eu preciso que ela saiba que Brittany está bem.

— Eles não a machucaram? — perguntou Rachel, parecendo aliviada.

— Não. Ryder tem uma teoria sobre isso. Mas...

— Podemos discutir depois — ela me dispensou com um aceno de mão, e eu sorri. — Vá. Ela está no quarto. Deus sabe o quanto ela precisa de boas notícias. Quem sabe...

Mas ela não completou a frase.

E não foi preciso.

A porta do quarto estava entreaberta, mas bati três vezes antes de entrar. Não que fizesse muita diferença. Na verdade, poucas coisas pareciam fazer nos últimos dias. Tudo estava acontecendo tão depressa. Tanta coisa ao mesmo tempo. Não era surpreendente, realmente, que isso estivesse acontecendo. Eu só nunca imaginei que aconteceria.

A cortina da janela estava aberta, o que raramente acontecia antes, mas agora era necessário. Ela precisava da luz do Sol. Precisava sentir um pouco de calor. Talvez ver novos dias nascendo a trouxessem mais esperança. Ou talvez só a deixassem pior. Era difícil saber com ela naquele estado. Observei-a por alguns segundos. Foi como se meu coração encolhesse no peito com a dor.

Existem diversos tipos de tortura. Não há tortura pior que ver alguém que você ama sofrer, e saber que não há muito que você possa fazer para impedir. E naquele momento, minhas mãos estavam atadas. Não podia fazer nenhum movimento. Não podia arriscar nada. Era desesperador. Eu só esperava que, talvez, uma boa notícia pudesse animá-la.

Lentamente, aproximei-me da cama, fixando meu olhar nela. Parei ao seu lado e abri um pequeno sorriso.

— Oi — murmurei.

Ela não me respondeu. Não esperei que ela o fizesse.

— Eu conversei com Ryder — disse suavemente, tentando não assustá-la. Ela sequer ergueu a cabeça para me encarar. Continuou deitada, olhando para o teto como se ele fosse a única coisa que existia no Universo. Como se nada mais importasse.

O aperto no peito se intensificou. Aquilo era errado. Muito errado. Em todos os nossos anos de amizade, eu nunca a vira daquele jeito. Tão frágil. Tão quebrada. Sentei-me na cama e toquei seu braço, apertando-o de leve.

— Santana? — chamei-a baixinho. — Você está me ouvindo, não está?

Mas seus olhos negros continuavam vazios, sem vida, como se somente seu corpo estivesse ali. Como se a Santana que eu conhecia e amava tivesse desaparecido por completo. O nó na garganta me impediu de falar alguma coisa por alguns segundos. Pigarreei algumas vezes antes de continuar. Apertei seu braço com mais força, e tentei colocar um sorriso no rosto — o que provavelmente saiu como uma careta. Sinta-se a vontade para fazer piada sobre isso, pensei, triste.

— Ela está viva, Santy. Eles a capturaram, mas ela está viva. Estão cuidando dela. Não estão a machucando. Ryder acha... Bem, ele acha que não vão machucá-la. Ela é valiosa demais. Então... Então pode ser que tudo acabe bem. Ele vai me avisar quando tivermos uma oportunidade de resgatá-la. Ele prometeu. E disse que cuidaria dela, também. Você está ouvindo? Ryder vai cuidar dela.

Mas se ela estava ouvindo, conseguiu fingir bastante bem que não estava. Ela continuou parada, imóvel, seus olhos sem vida encarando o teto. E pela primeira vez em sete anos, eu temi por ela. Temi que Santana nunca mais fosse ser a mesma. Temi que, sem Brittany, ela definhasse. Ela se fechasse em sua própria dor até o ponto em que fosse consumida completamente por ela.

Preciso fazer alguma coisa, pensei, desesperada.

Inclinei-me e beijei a testa de Santana.

— Nós a teremos de volta, Santy. Eu prometo a você. Nós a teremos de volta.

Notas finais
É isso, gente. É bem provável que no próximo haja uma passagem de tempo considerável, mas nada exagerado. Eu acho sauhasuhsauas. Enfim. Espero que tenham gostado do cap. Novamente, mil desculpas pela demora. Até o próximo ♥