Closed Minds

18 Capítulo 18 — Sacrifícios


Notas iniciais
Hey gente! Primeiro capítulo de 2015 o/. Eu tinha mencionado cap. passado que talvez houvesse uma passagem de tempo nesse daqui, maaaas mudei de ideia. Vocês talvez amem e odeiem esse capítulo (ou a mim) ao mesmo tempo, então veremos auhauhauhauha Caso alguém ainda esteja lendo, espero que curtam o cap.! Boa leitura :)



— Shawn, eu preciso que você me faça um favor.

— O que?

— Você pode procurar a Kitty por mim? Sei que ela está subindo pelas paredes para ter alguma notícia do irmão, então acho melhor conversar com ela antes que a garota perca completamente a cabeça e faça alguma besteira. É essencial que sejamos cautelosos agora. Mais do que o de costume.

— Okay — Shawn se levantou do sofá e se espreguiçou, sorrindo para a irmã. — Você quer ter essa conversa aqui?

— No meu quarto. Você pode pedir a ela para subir?

Ele concordou com um aceno de cabeça.

— Depois você me faz um sanduíche, certo?

— Tenho cara de ser sua empregada? — Quinn retrucou, arqueando a sobrancelha.

— Não, tem cara de ser minha irmã mais velha — ele riu, e deu um tapinha no ombro dela. — Até mais tarde, maninha. E não se esqueça que gosto do meu com muita maionese.

— Não é saudável! — exclamou Quinn, enquanto ele se afastava. Ela se virou para mim, sorrindo, e eu não pude deixar de sorrir também. Era tão bom vê-la assim, solta. Quase como se fôssemos normais. Como se não tivéssemos todo aquele peso sobre nossas costas. Mas tão rápido quanto veio, o momento acabou. O sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por uma expressão preocupada, e ela indicou a escada com a cabeça. — Preciso conversar com você. Lá em cima.

— No seu quarto? — indaguei, franzindo o cenho. Ela pareceu sem graça por alguns instantes.

— Hum, é. Tudo bem?

Eu não confiava em minha voz, então não disse nada, apenas concordei silenciosamente. Quinn me deu as costas e subiu as escadas. Segui-a para o primeiro andar, e a acompanhei em direção ao seu quarto. Ela deu uma olhada para a porta do de Santana quando passamos por ela, mas não parou. Não deve ter sido nada bom, pensei, preocupada. Quinn abriu a porta do seu quarto para mim e acenou para que eu entrasse. Assim que entrei, ela fechou a porta atrás de mim.

— Como ela está? — perguntei preocupada.

— Parece pior. Todas as vezes que a vejo sinto como se fosse… Não sei. É horrível. Nunca a vi nesse estado antes, nunca. Santana é minha melhor amiga. Ela e Brittany. Uma está nas mãos das pessoas que querem nos machucar, e a outra… — ela balançou a cabeça, parecendo cansada. — Só quero que tudo isso acabe.

— Posso me sentar? — apontei em direção a cama, e ela concordou. Sentei-me na beirada, incomodada. — Sei que o Ryder soltou alguma bomba em você. Conheço esse olhar em seu rosto. É o que você faz quando se sente perdida ou encurralada. E o fato de você estar vindo até mim para falar sobre isso… Algo me diz que não é uma coisa que você quer que os outros saibam. Ou talvez você prefere me contar primeiro, antes que eu descubra de outra forma. O que é?

Ela sorriu.

— Você está mudada.

— Todos nós estamos, Quinn — disse, dando de ombros. — Foram longos sete anos. Nenhum de nós continua sendo a mesma pessoa que fomos durante o colegial. As coisas que aconteceram… Não tem volta. Nenhuma delas. E mesmo que tivesse, algumas marcas deixam cicatrizes, e cicatrizes não desaparecem da noite para o dia. Na verdade, o mais comum é que elas permaneçam conosco para sempre.

— Você tem razão — ela se sentou ao meu lado e colocou a mão no bolso da calça. Quinn pegou um papel, e o entregou para mim. — Recebi isso de Ryder hoje. É uma mensagem. Do seu irmão.

— Hum — disse, pegando o papel de sua mão e lhe lançando um olhar confuso. — Desculpe, você disse irmão? Você sabe que não tenho nenhum.

— James.

James. Ouvir seu nome foi como levar um tapa na cara. O garoto que a Shelby havia adotado. Meu Deus. Quando havia sido a última vez que o vira? Depois de tudo o que aconteceu no armazém — a falsa morte de Blair, Brittany sendo esfaqueada, eu fingindo perder a memória —, Shelby se mudou para Lima com James, e eles passaram a viver perto de mim. Foi complicado, no começo. Meus pais estavam relutantes em relação a ela, e com razão.

Meus pais. Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Eu os vira pela última vez há três anos, num jantar desastroso de Natal. Eles não gostaram da minha aproximação com Shelby; achavam que ela estava me usando (o que era verdade), e fizeram o possível para me manter afastada dela. Fingi estar com raiva deles, saí de casa, e fui morar com ela. Era a melhor opção. O único modo de mantê-los afastados de tudo isso. Diminuir o contato o máximo possível. Manter distância. Eu não ia para casa nos feriados porque não suportava ver a dor em seus olhos. Eles ainda se achavam culpados por eu ter me afastado. Achavam que tinham forçado demais. Que deveriam ter me dado um voto de confiança. Se eles soubessem…

Mas não podiam saber. Nunca. E o jantar de Natal foi só a confirmação disso. Eles não entendiam o quanto o meu trabalho significava para mim, porque não compreendiam o que estava em jogo. Eles foram tão convincentes, tão insistentes. Cheguei mesmo a acreditar que podia voltar para casa que tudo ficaria bem — e então as coisas complicaram, e eu fui trazida à força de volta a realidade. Nunca mais os visitei depois disso. Não confiava em mim mesma perto deles. Acabaria cedendo aos meus desejos de ficar. O que era perigoso, tanto para eles quanto para mim.

Se tudo isso tivesse um fim, eu esperava que eles pudessem me perdoar.

— O que você está dizendo, Quinn? Que meu irmão trabalha para o governo?

— Leia — ela pediu, indicando o bilhete.

Então, eu o li.

Puck já sabe de tudo. Não é mais seguro aqui. Salve seus amigos.

Nossa mãe é o inimigo.

— Quem? — perguntei num sussurro. — Quem?

— Não sei o primeiro nome, mas o segurança que me levou até Ryder o chamou de Weston.

— Weston? — arregalei os olhos, surpresa. — Como em Brody Weston?

— Não sei, mas era ele. Tenho certeza. Está bem diferente da última vez que o vi no McKinley, mas definitivamente é ele.

— Meu Deus — murmurei, chocada. — Ele trabalhou ao meu lado por anos. Como não o reconheci? Ele morou alguns meses com Shelby em Lima, mas então ela disse que o tinha mandado para um internato. Disse que era mais seguro para ele, que não o encontrariam. Lembro de nossa despedida. Ele prometeu que nos veríamos novamente. Nunca mais o vi desde… Quero dizer, eu o vi, certo? Só não sabia que era ele. Meu Deus.

— Você está bem? — ela me olhou, preocupada.

— Como poderia estar? É muito. É apenas muito. Meu irmão, minha mãe… Como você consegue, Quinn? Não vejo meus pais há anos. Sinto tanta falta deles. Sinto tanta falta de uma vida normal. As coisas parecem que não vão melhorar nunca. É uma pedra atrás da outra, e eu estou cansada, tão cansada…

Nem percebi que estava chorando. Quinn esticou a mão e limpou minhas lágrimas, seus olhos verdes fixos nos meus. Eu te amo. Meu Deus, Quinn, eu te amo. Mesmo depois de todo esse tempo. Mesmo depois de tudo o que passamos. Eu ainda te amo.

— Eu também te amo — ela sussurrou.

Eu só podia sentir meu coração despedaçando no peito, e eu estava desabando. Era como estar em queda livre, a sensação de estar caindo, de não ter ninguém para me segurar, de estar completamente perdida. E então os lábios dela tocaram os meus. De leve, a princípio. Tão leve que mal os senti. Eu precisava de mais. Eu queria mais. Eu a queria. Pressionei meus lábios contra os dela com força, e foi como se todo meu corpo estivesse em chamas. Ela me segurou apertado. Não senti mais como se estivesse caindo — senti como se estivesse flutuando. Ela estava me segurando. Eu estava segura.

Meu corpo caiu contra o colchão, e ela estava em cima de mim. Eu só podia sentir seu calor, sua proximidade, sua pele tocando a minha. Seus lábios percorrendo meu pescoço. Suas mãos acariciando meu corpo.

— Quinn — eu sussurrei, numa súplica.

Ela me olhou. Tão verdes, pensei, perdida no seu olhar. Tão confortáveis. Ela sorriu para mim, e meu coração parou de bater por uns instantes. Ela sempre foi tão linda. Estiquei a mão e a passei pelo seu rosto, sentindo-o. Sentindo cada centímetro de sua pele. Certificando-me de que não era um sonho. Ela estava ali. Ela me amava. Ela também me queria.

— Quinn — murmurei novamente, mas ela me calou com um beijo. Mais urgente, mais intenso, como se ela quisesse compensar todos os anos em que ficamos separadas. Como se um só beijo fosse o suficiente para acabar com a distância que havia nos separado.

Mas não era. Trouxe ela para mais perto, seu corpo pressionando o meu, suas mãos subindo minha blusa. Inclinei-me para frente, e ela arrancou a peça de roupa, jogando-a para longe. Seus olhos verdes me fitaram, pedindo permissão, e eu acenei fracamente com a cabeça. E então os lábios dela estavam em meu pescoço, em meu colo, descendo lentamente pelo meu corpo, fazendo-me estremecer todas as vezes que sua pele tocava a minha.

Rápido demais, alertou uma vozinha no fundo de minha mente. A razão me chamando antes que fosse tarde demais. Pare agora, Rachel. Vocês ainda não estão bem. Ela pediu um tempo. Vocês precisam de um tempo. Rápido demais.

Entretanto, meu corpo não sentia como se fosse rápido demais. Parecia certo tê-la tão perto de mim. Parecia certo nossos corpos movimentando-se juntos, no mesmo ritmo. Parecia certo cada toque, cada carícia, cada beijo. Era certo tê-la comigo. Tinha que ser. Porque nada errado poderia ser tão bom; porque nada de ruim poderia acontecer enquanto ela fosse minha — e se eu a segurasse com força o bastante, se a mantivesse perto de mim, então talvez ela nunca me deixasse.

Segurei-a com força, agarrando-me a ela como se ela fosse minha gravidade.

Talvez eu continuasse caindo para sempre. Ou talvez ela fosse o meu chão.



*



Foi um erro, foi um erro, foi um erro.

Não, não foi. Você a ama. Ela te ama. Não pode ter sido um erro.

Mas foi. Foi. Agora você a perdeu, Rachel. Agora é tarde demais.

Ela se levantou da cama e pegou as próprias roupas espalhadas pelo chão. Não disse uma palavra. Apenas observei, procurando memorizar cada curva de seu corpo, cada detalhe de sua aparência, tudo. Sabia que precisava fazer a mesma coisa, mas me sentia paralisada. Eu precisava do seu olhar. Precisava ver em seus olhos que não havia sido um erro. Precisava saber que aquilo não havia nos destruído.

Mas ela não olhou para mim. Terminou de se vestir, e pigarreou. Kitty vai estar aqui logo, ela pensou. Nem sequer disse em voz alta. É melhor você se apressar. Foi como ser atingida no peito, como se alguma coisa afiada estivesse rasgando meu coração. Levantei-me da cama e procurei por minhas roupas.

Olhe para mim, pensei, desesperada. Olhe para mim.

Assim que terminei de me vestir, alguém bateu na porta. A resposta de Quinn foi tão baixa que nem eu mesma escutei. Kitty deve ter escutado, pois entrou, e arqueou a sobrancelha em minha direção, de maneira sugestiva. Ignorei-a. Andei em sua direção e passei por ela. Olhei por cima do ombro antes de sair do quarto e fechar a porta atrás de mim — e pela primeira vez, o olhar de Quinn encontrara o meu.

Não havia arrependimento, ou felicidade, ou amor.

Em seus olhos verdes, tudo o que eu pude ver foi a dor.



*



— Neste exato momento, Quinn e Kitty estão no quarto conversando sobre Ryder — disse, enquanto caminhava em direção a cadeira vazia próxima a cama e me sentava, cruzando as pernas, e me inclinando ligeiramente para frente. — Ela está quase perdendo a cabeça no meio dessa confusão toda, mas se tem uma coisa que realmente a machuca é não poder contar com a melhor amiga.

Eu sabia que Santana estava me escutando. Ela estava encarando o teto, com um olhar perdido estampado no rosto, e Quinn talvez estivesse cega demais em sua preocupação para notar alguma coisa. Mas eu não estava.

— Eu não te procurei nos primeiros dias. Depois do que te contamos… Eu senti que te devia isso, uns dias de paz, sem precisar olhar para mim, sem precisar sentir ódio todas as vezes que visse o meu rosto. Achei que isso ia te permitir sentir a perda da Brittany, o que não aconteceria se você estivesse cheia de raiva, de rancor. Então eu percebi uma coisa agora há pouco, uma coisa que eu não tinha pensado antes, provavelmente porque estava tentando não pensar em nada disso.

Estremeci, e parei de falar por alguns segundos. Fechei os olhos, o peso da culpa se fazendo presente em meu peito, tornando difícil respirar. Pensar em Brittany sempre era doloroso. Saber que eu tinha sido a responsável; que eu a machucara de maneira quase fatal… Não pense nisso. Foque-se no que você veio fazer. Foque-se em Santana. Respirei fundo e abri os olhos. Não fiquei surpresa ao ver que Santana estava me encarando.

— Você transou com ela.

— Sim — confirmei, sustentando seu olhar.

— Pensando em mim enquanto transava com a mulher que diz amar? Não me parece nada romântico — ela retrucou, sua voz carregada de sarcasmo.

— Não pensei em você durante. Pensei depois, quando nos vestimos novamente e ela não conseguiu nem olhar para mim. Eu sabia que estávamos indo rápido demais. Sabia que deveríamos ter parado. Ela ainda não está curada, você sabe. Quinn ainda está muito machucada, só que quando se trata das pessoas que ela ama… Ela pode ser cega, às vezes. Pode não enxergar coisas que estavam bem debaixo dos seus olhos. E ela muitas vezes é imprudente. Quando está dominada pelas emoções, ela age sem pensar.

— Se quer que eu te dê conselhos amorosos, esqueça.

Levantei-me da cadeira e andei até Santana. Abaixei-me até ficar a altura de seus olhos, e a encarei.

— Sei que esteve fingindo todo esse tempo. Quinn não percebeu porque estava se sentindo culpada, porque quis te dar espaço, como todos nós. Ela não percebeu porque estava imersa na própria dor. Foi isso que me fez perceber. Vocês duas sempre foram muito parecidas. As emoções estão sempre em seus olhos. Ninguém tem olhado muito pra eles recentemente, não é? Só pra expressão que você coloca no rosto. Mas eu estou olhando agora.

— E o que você vai fazer sobre isso, Berry? — ela perguntou, lançando-me um olhar de desafio.

— Depende de você — respondi, suavemente. — Posso te ajudar, se quiser. Sei que todo esse tempo você deve ter fingindo sofrer pela Brittany quando, na verdade, estava tramando algum plano estúpido para invadir o governo. Deixe-me dizer que seja o que for que você planejou, não vai dar certo.

— Vá se foder. Você não sabe disso.

— Mas eu sei. Trabalhei lá por anos, se lembra? Conheço as brechas. Posso ajudar você a formar um plano sólido, a ter uma chance real de salvar a Brittany. Só que para isso, eu tenho algumas condições.

— E que condições são essas?

— Primeiro, você vai levantar esse traseiro dessa cama e parar de fingir. Quinn precisa de você agora. Ou, ao menos, precisa saber que você está bem. A segunda coisa é que você tem que deixar todos os detalhes do plano comigo. Quando eu tiver alguma coisa certa para te mostrar, então eu mostrarei. Até lá, não me venha com cobranças. Não vou acelerar nada. Quero entrar e sair inteira.

— O que? — ela indagou, chocada. — O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que nem fodendo vou deixar você fazer isso sozinha, Lopez — respirei fundo, sentindo-me repentinamente muito cansada. — Nunca tive intenção de machucar Brittany, mas o fiz. É minha responsabilidade, também. Além disso, você vai precisar de alguém para proteger seu traseiro e garantir que você não faça nenhuma estupidez.

Santana estreitou os olhos para mim, desconfiada.

— A única estúpida aqui é você. Mais alguma condição, rainha dos elfos?

— Eu preciso de um favor seu.

— O que?

— Um favor, Lopez. Preciso que faça alguma coisa para mim.

— É claro — ela revirou os olhos. — O que você quer?

— Não é aqui. Preciso que você vigie alguém para mim, que colete informações. Tudo isso que está acontecendo… Não sei, sinto que estamos perdendo alguma coisa, e eu preciso saber o que. Só tem um detalhe: Quinn não pode saber de nada.

— Você só pode estar brincando. Como diabos vou deixar ela no escuro? Quinn lê mentes, sua idiota.

— Você não vai estar por perto para ela ler a sua — retruquei. Santana arqueou a sobrancelha, finalmente compreendendo. — Diga que você precisa de um tempo longe de mim, qualquer coisa que quiser inventar. Mostre que está bem, que está se recuperando, que ela vai acreditar em absolutamente tudo o que você disser. Ela quer acreditar.

— É a sua sepultura, Berry. Você sabe disso, não é?

— Pensei que você não fosse me dar conselhos amorosos — disse, abrindo um sorriso sarcástico. Santana me mostrou o dedo do meio.

— Babaca.

— Não posso colocar a vida da Quinn em perigo. Não por causa de uma besteira que eu fiz. Sei muito bem que isso pode significar que ela nunca confie em mim novamente; sei que isso pode estragar as minhas chances de ter ela comigo novamente.

— Então por quê? Por que arriscar?

Pela primeira vez, vi um olhar sincero de curiosidade no rosto de Santana. Sem nenhuma malícia, sem nenhuma raiva ou deboche. Só curiosidade. Olhei para as minhas próprias mãos por alguns instantes. Por que você está fazendo isso?, perguntei-me. Por que você está arriscando o amor de Quinn? A confiança dela? Por que você está brincando com o seu próprio futuro? Por que você está jogando para o alto sua chance de ser feliz?

E então, o rosto de Quinn surgiu em minha mente. A expressão em seu rosto quando ela se deu conta do que tínhamos feito. O jeito que ela se afastou de mim, parecendo tão frágil, tão machucada, como se o menor dos toques pudesse destruí-la. Ela estava lutando para se manter inteira, e tínhamos colocado tudo a perder. As coisas erradas podem parecer certas, às vezes. Isso nem sempre significa que elas são. Olhei por cima do ombro enquanto saía do quarto para saber como ela estava. Foram os olhos que me mostraram a verdade. Os olhos dela nunca foram capazes de mentir. E naquele momento, eles estavam repletos de dor.

— Por causa dela — sussurrei.

Por causa dela. Quinn jamais ficaria feliz só comigo ao seu lado. Ela nunca se sentiria completamente segura, ou completa, ou confiaria em mim da mesma maneira que um dia confiou — ela precisava de mais. Ela precisava de sua família. Ela precisava de Brittany, de Santana, de Kitty, de Marley, de Ryder, e de todos os outros com quem ela tem dividido essa jornada. São apenas eles que podem fazer com que ela se sinta segura. São apenas eles que podem ajudá-la a curar as feridas que foram abertas ao longo dos anos. Eu a amo. Com toda minha alma, com todo o meu coração — mas sou só uma pessoa. E uma só pessoa não é capaz de preencher esse tipo de vazio.

Para que eu possa ser feliz com Quinn, ela precisa ter sua família de volta. E tentar fazer com que ela se reúna com sua família pode ser justamente aquilo que me fará perdê-la de vez. Mas se ela for feliz, mesmo que longe de mim, talvez seja o bastante. Talvez um “eu te amo” seja tudo o que eu possa ter.

Senti uma mão apertar a minha, e levantei os olhos para o rosto de Santana.

— Eu entendo.

Foi tudo o que ela disse. E foi tudo o que precisou dizer.

Notas finais
Até o próximo ♥