Close To You
11 Suppose I never ever let you... kiss me so sweet.
Notas iniciais
Já de madrugada, Mystogan girou a chave da porta para abri-la com o maior cuidado do mundo. Prendeu a respiração e sentiu um leve alívio quando viu que as luzes estavam todas apagadas. Silêncio total. Junto com Wendy Marvell, os dois subiram as escadas na ponta dos pés. No final do corredor do segundo andar, havia um quarto com uma cama de casal grande, com pequenas mesas de cabeceira de cada lado e um armário claro de madeira num canto; Era o quarto das visitas.
— Fique aqui. — sussurrou ele. — Eu vou ver se eles já estão todos dormindo.
— Certo. — disse ela, nervosa, passando a mão pelos cabelos azuis, longos e brilhantes.
Wendy Marvell era uma bonita garota de olhos castanhos e cabelos escuros e azulados. Tinha quinze anos e era uma famosa modelo das revistas de moda do Japão. Por isso, tinha um corpo muitíssimo bem definido e possuía uma postura sempre correta, parecendo que estava sempre desfilando. Usava um vestidinho florido um pouco acima dos joelhos e sapatilhas brancas. Comparando-a assim do que com as glamurosas roupas que usava para tirar fotos nas sessões, estava relativamente simples. Mesmo seguindo tal profissão, era bastante tímida e não gostava muito de falar.
Mystogan primeiramente checou o quarto da mãe, Alice, que dormia como uma pedra com o iPhone no rosto. Ainda assim, era o maior perigo caso fosse descoberto. Mesmo ela sendo tão “nem aí” para a questão de “trazer garotas em casa”, imaginou a gritaria que a mãe faria quando conhecesse sua... hã, namorada?
Em seguida, surpreendeu-se ao ver que no quarto onde dormia com Jellal, ele não estava. Tinha uma suspeita e arriscou-se à descer as escadas novamente. Quando olhou o sofá, não pôde deixar de sorrir para si mesmo. Erza dormia com expressão serena em cima de seu irmão, ambos não moviam um músculo. Formavam um casal tão bonito! Nunca havia contado à Jellal, mas achava que ele e Erza tinham sido feitos um para o outro, e talvez fosse questão de tempo até que os dois se dessem conta disso.
Depois de se certificar de que todos na casa estavam dormindo, retornou ao quartinho onde estava Wendy e trancou a porta.
— Está tudo tranqüilo agora.
A azulada deu um sorriso e se aproximou dele para beijá-lo longamente. Apagaram as luzes e enquanto se beijavam, retiravam as peças de roupa um do outro.
(...)
Quando o sol já nascia, estavam cobertos apenas por um fino lençol branco. A modelo descansava sobre o peito de seu amado e lentamente, abriu os olhos ao perceber que a luz entrava pelo quarto através da pequena janela.
Ainda um pouco tonta devido ao cansaço da madrugada anterior, virou-se delicadamente e alcançou seu celular. Arregalou os olhos ao ver que já eram dez para as nove.
Em uma fração de segundo já estava recolocando suas roupas, nervosa.
— Ahn? — murmurou Mystogan, acordando com a agitação.
— Mystogan, já são quase nove horas! — sussurrou ela, se esforçando ao máximo para não gritar. — Eu preciso ir embora!
— Nha... — gemeu ele, ainda demente. — Bom dia, Wendy.
— Sua família pode já ter acordado! — disse ela, em pânico. Aquilo o fez pular na cama.
— Espera, nove horas? — repetiu, desesperado. Agora, vestia-se também, colocando o jeans do avesso.
Andando de fininho, olharam o quarto de Alice e ficaram até um pouco mais aliviados ao ver que pelo menos, a mãe estava dormindo. Geralmente nos fins de semana, a mulher costumava ficar até tarde da noite trocando mensagens com suas amigas e o pai dos garotos, que quase sempre encontrava-se viajando para outro país à negócios.
Depois, desceram as escadas e Erza e Jellal ainda dormiam tranquilamente, parecendo não terem feito um movimento sequer.
A operação teria sido um completo sucesso se Mystogan não tivesse esbarrado na mesinha de madeira que ficava próxima à porta. Sabia que aquele barulho não acordaria seu irmão, que vivia em sono profundo, mas sim, a ruiva ergueu a cabeça para encará-los.
Como havia acabado de acordar, demorou a entender o que estava se passando ali. Tonta, olhou para o casal que mal respirava. Então, olhou para Jellal e corada, soltou um “kya!” abafado. Por que diabos estava em cima dele? Não conseguia se lembrar de ter adormecido quando estava com ele. Enquanto pensava nessas questões, percebeu que não estava sozinha na sala. Olhou para Mystogan e Wendy novamente. Arregalou os olhos e abriu a boca para falar algo como “mas o que...” mas foi interrompida pelos dois, que faziam “shhh”.
— Por favor. — a azulada fez apenas movimento labial, antes de sair porta afora com ele.
A ruiva semicerrou os olhos por um momento, pois tinha certeza de que conhecia aquela garota de algum lugar.
— Quem era aquela menina? — perguntou Wendy, temendo que por terem sido vistos, todos saberiam o que havia acontecido.
— Ela é... bem, uma amiga de infância. — respondeu Mystogan, tentando tranqüiliza-la. — Está tudo bem, eu sei que ela não vai contar para ninguém.
A modelo olhou ao redor, preocupada em ser reconhecida. Por sorte, aquela rua era pouco movimentada.
— Chelia está na esquina me esperando no táxi. — disse ela, lhe dando um tímido selinho. — Preciso me apressar.
— Ok. — respondeu ele com um sorriso bobo. Voltando para casa, encontrou Erza de pé esperando por ele, com a expressão séria. Enquanto isso, Jellal continuava esparramado no sofá.
— Então aquela é sua namorada? — perguntou a ruiva, dando um riso descontraído. Mesmo que não estivesse chorando por dentro, aquilo havia a deixado um pouco enciumada.
Mystogan deu de ombros e olhou para o chão, envergonhado. — Não sei se esse é o termo correto para a Wendy...
Depois disso, ambos se calaram. O silêncio constrangedor de dez segundos foi quebrado pela ruiva, que mais tarde preferiu ter continuado quieta.
— Se ela dormiu aqui isso significa que... — sussurrou ela, corada. — Vocês... T-Trans...
— É. — respondeu ele, desviando o olhar. — Isso poderia ficar só entre nós?
— A-Ah, claro! — disse Erza, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. — Você tem sorte da tia Alice não ter pego os dois na hora... n-na hora do...
— O que é que vocês estão cochichando aí? — disse Jellal, com a voz rouca. Esfregou os olhos e bagunçou os cabelos azuis.
— N-Nada! — a ruiva usou um tom de voz acima do normal, deixando claro que estava nervosa. Não iria contar nada sobre Wendy para ele, pois achava que se Mystogan quisesse que o irmão soubesse, conversariam mais tarde.
— Bom dia, Jellal. — disse Mystogan, agindo como se realmente nada tivesse acontecido.
— O que tem para o café da manhã? — perguntou o azulado, se espreguiçando.
— Não sei, nenhum de nós tomou café ainda. Vamos para a cozinha juntos. — sugeriu ele, docemente.
Encheram o estômago pela manhã enquanto riam e conversavam sobre diversas coisas. Erza estava sorrindo, mas Jellal sentiu que tinha algo estranho com ela. Talvez fosse só sua imaginação.
A ruiva contou para Mystogan sobre a tarde que haviam passado com Hana, o que rendeu mais algumas risadas.
— Você teve uma desculpa até boa para me deixar na mão. — comentou Jellal, descontraído enquanto passava manteiga no pão. — Transaram muito ou…
— Jellal! — disseram os outros dois em sincronização. Ambos coravam e em seguida, Erza olhou para o chão. — Não seja inconveniente… — murmurou, por um momento, deixando a chateação transparecer em seu olhar.
— Certo, certo! — o azulado colocou as mãos para o alto.
— Mas quem é que transou muito por aqui? — Alice Fernandes praticamente brotou na conversa, fazendo-os dar um pulo na cadeira de susto. —Oh, olá crianças.
Erza não pôde conter o riso. — Bom dia, tia Alice.
(…)
Domingo à tarde, Gajeel levou Levy à uma das sorveterias mais caras de Magnolia, a Fairy Ice. Sentaram-se em uma das mesas do lado de fora e a garçonete lhes trouxe o cardápio.
— O que você vai querer, Levy? — perguntou ele, discretamente reparando em como a baixinha estava bonita do que nunca naquele dia, como a luz do sol a iluminava.
Hm… — a azulada pensou um pouco antes de responder. Decidiram por fim, dividir uma taça grande de sorvete de flocos com calda de chocolate e morangos em volta. Levy só escolheu aquele sorvete por ter morangos. Ah, como amava morangos! Morangos eram sua grande paixão de vida, mas não mais do que Erza Scarlet, a garota mais linda que já vira na vida.
Pensar na ruiva a fez olhar para o chão imediatamente e demonstrar, pelo olhar, seu desânimo. Ah, odiava tanto o fato de amá-la e saber que jamais seria correspondida. Perdeu-se em pensamentos enquanto comia os morangos até que Gajeel a trouxe de volta à realidade.
— Levy? — chamou.
— S-Sim? — respondeu ela, dando um falso sorriso.
— Esse sorriso não me engana. — disse ele, sério. — Você parece triste com alguma coisa.
— Q-Que? Hahaha, isso é só coisa da sua cabeça. — Levy levou mais um morango à boca, tentando fingir que estava completamente bem. Seu melhor amigo continuou a encarando, com os braços cruzados. Era claro que não havia acreditado em suas palavras. Suspirou e largou a colher, resolvendo abrir o jogo com ele.
Sabia que aquilo poderia trazer problemas, pois tinha uma pequena suspeita de que Gajeel nutria sentimentos por ela. Mas acima de tudo, eram melhores amigos desde sempre. Não deveriam esconder coisas um dos outros e se ele realmente estivesse apaixonado por ela, teria que superar cedo ou tarde.
— Bom... — começou, olhando diretamente nos olhos dele. — Há algo... que eu não te contei.
Apenas aquilo acabou o iludindo, e ele pensou que seria uma declaração de amor. Será que depois de tanto tempo de amizade, finalmente seriam namorados?
— Eu... estou completamente apaixonada... — a azulada corou. — P-Pela presidente Erza!
— O quê? — gritou Gajeel, arregalando os olhos. Não conseguia acreditar no que havia acabado de ouvir.
— Já faz um tempo desde que eu comecei a gostar dela... — continuou ela, desviando o olhar. — E há pouco tempo eu a vi... beijando um garoto. Não consegui falar sobre isso com ninguém, e também... eu quase tive uma recaída. E-Eu estava prestes a acender o cigarro e então...
O garoto cerrou os punhos e tirou dinheiro da carteira. Largou na mesa e em seguida levantou, fingindo olhar o celular.
— Minha mãe me mandou uma mensagem pedindo que eu volte pra casa. Tchau. — murmurou, não conseguindo fazer outra coisa naquele momento. Se continuasse ali com ela, sabia que não ia conseguir se segurar e despejar seu amor em cima da pequena.
— Gajeel! — gritou Levy, mas foi ignorada. Enquanto o via dobrar a esquina de cabeça baixa, não conseguiu conter as lágrimas. Havia cometido um erro terrível, não? Correu e segurou no braço dele, mas foi empurrada com força bruta.
Abalada, voltou para seu pequeno apartamento, não muito longe dali. Estava sozinha, já que seu maldito pai não dava notícias havia três dias. Saíra em um jantar com sua secretária e ninguém sabia mais dele desde então. Mas já estava acostumada com isso. Na verdade, a verdadeira festa é quando não havia ninguém em casa.
A pequena azulada riu ironicamente e pegou o isqueiro e a caixa de cigarros. Tinha feito uma promessa com Gajeel de que não fumaria mais, mas não se importava com isso agora. Com o cigarro na boca, ligou o aparelho de som no volume máximo. Certamente o síndico do prédio teria uma baita dor de cabeça com as reclamações, mas quer saber? Foda-se.
Chorava e ria ao mesmo tempo, insana depois de tanta bebida alcóolica. Duas caixas de cigarro estavam acabadas.
— Eu sou uma imbecil... — disse para si mesma, enquanto girava. — E ainda vou ter que voltar para a escola... hoje mesmo... E a culpa é... só minha...
E adormeceu no chão frio, destruída por dentro. Depois de meses e meses de conquistas, Levy McGarden voltara com seus maus hábitos.
(...)
Erza fechou os olhos e sentiu o vento de verão soprar em seu rosto, fazendo seus longos cabelos ruivos esvoaçarem. Relaxava, sentada no banco do parque. Respirando e inspirando profundamente, clareava seus pensamentos. Sobre muitas coisas, mas principalmente sobre Mystogan e Jellal, sobre o amor. Afinal, o que era realmente o amor?
— Erza? — disse Jellal, suavemente. — Eu trouxe suco para nós dois.
A ruiva lentamente abriu os olhos e sorriu. Abriu a garrafinha e devagar, bebeu um gole. Os dois estavam sentados lado a lado, observando o belo cenário, um pouco corados. Aquilo definitivamente parecia um encontro. De um modo discreto, o azulado entrelaçou seus dedos nos dela. Ela apenas virou o rosto para ele e lhe fez uma pergunta que o pegou um tanto desprevenido.
— Jellal, você sabe o que é amor?
— C-Como assim? — Jellal sentiu o rosto esquentar.
— Nada demais. — respondeu Erza, casual. — Eu só estava pensando nisso... antes de você chegar.
— Acho que é algo complicado de se dizer... e não sou bom com palavras. Você sabe.
Depois disso, continuaram a olhar nos olhos um do outro, em silêncio. Lentamente, aproximaram seus rostos para um beijo longo e suave, cheio de paixão.
No fim, palavras não eram necessárias.
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