Close To You
8 Mimimi no final de semana.
Notas iniciais
O beijo só fora interrompido quando os pulmões de ambos pediam desesperadamente por ar. Mesmo com os lábios separados, seus rostos ainda estavam próximos. Erza conseguia sentir seu coração batendo forte e seu rosto estava vermelho por inteiro, assim como o de Jellal.
A ruiva abriu a boca para falar algo, mas a fechou logo em seguida. Um nó parecia ter se formado em sua garganta e ela mal conseguia respirar direito. O azulado, percebendo que estava corado, desviou o olhar por um momento e em seguida se afastou, lhe dando as costas, sem dizer uma palavra.
— E-Espera. — disse Erza, quase num sussurro enquanto segurava o pulso de Jellal.
— Hm? — murmurou, ainda sem olhar para ela.
— P-Por quê você…
— Pra fazer você parar de chorar, só isso. — respondeu ele, tentando falar como normalmente falaria. — Eu quero ir jantar. Será que você pode me soltar, sua idiota?
— Idiota é... é você, s-seu idiota! — disse ela, tirando a mão do pulso dele imediatamente. Um instante depois, pensou em como aquela frase era estúpida e sem sentido. Estava tão confusa que não fez outra coisa a não ser ficar imóvel, olhando para o nada, tentando compreender os acontecimentos. Alguns instantes depois de volta para a realidade, ouviu Jellal a chamar.
— Vai ficar aí até que horas? — gritou ele. — Venha de uma vez!
— N-Não me diga o que fazer! — berrou ela enquanto corria para acompanhá-lo. Quando já estava quase o alcançando, não percebeu que havia uma parte do piso que estava molhado e teve seu momento como patinadora de gelo. O problema é que ela não conseguia frear de jeito nenhum. Jellal conseguiu segurá-la, mas devido a velocidade em que ela vinha, caíram juntos no chão.
E mais uma vez seus rostos ficaram próximos. Céus, como aquilo era vergonhoso!
— Sua idiota! — disse ele, parecendo irritado. — Você podia ter se machucado!
— Foi você quem disse que eu tinha que me apressar! — retrucou ela, vermelha. Mas não de raiva. — E... como eu ia saber q-que... a-ahn…
O modo como Jellal a estava encarando era realmente constrangedor e a fez perder a voz. Ficaram um tempo assim, um olhando nos olhos do outro. Castanho e um profundo castanho esverdeado.
Erza não sabia o que fazer, aquela era uma situação para a qual ela não havia sido preparada, de jeito nenhum! Questionou a si mesma por quê estava tão nervosa, por quê seu coração batia absurdamente forte, por quê não conseguia pensar direito? E por quê sentia tanta vontade de, novamente, beijá-lo? Jellal era o garoto mais irritante e idiota do planeta, mas de algum jeito, conseguiu fazê-la se sentir... estranhamente bem enquanto sofria por ter sido rejeitada.
— Eu não quero jantar. — finalmente disse a ruiva, saindo de cima dele. — Vou para o meu quarto.
— Tá... — respondeu ele, corando ao pensar em como os lábios dela eram doces. Sem nem se ligar de que ainda estava deitado no chão, cobriu o rosto com as mãos e ficou sorrindo para si mesmo como um verdadeiro idiota.
— Jellal? — chamou Mystogan, lhe dando um choque de realidade. — O que você está fazendo aí no chão?
— Ah! — exclamou Jellal, levantando imediatamente. — N-Nada, ué.
O irmão sorriu para ele. — Hum, então, vamos jantar?
— Claro. — respondeu, tentando parecer normal. — Ei, pare de me olhar desse jeito!
— De que jeito, Jellal? — perguntou Mystogan, dando aquela risada que fazia todas as garotas suspirarem.
— Desse jeito estranho, como se eu tivesse feito alguma coisa!
— Mas você acha que fez alguma coisa? — brincou ele. Jellal bufou, fazendo-o rir de novo. Talvez Mystogan tivesse visto o beijo dele com Erza... ou talvez só estivesse fazendo uma brincadeira idiota também. De qualquer forma, decidiu agir como se nada tivesse acontecido.
(...)
Estranhando o sumiço de Erza e não aguentando mais ficar só com Levy, Lucy resolveu enviar um Whatsapp para a amiga.
Onde você está????? Apareça logo porque a Levy já está enchendo meus ouvidos com bobagens, não aguento mais!
Em menos de um minuto, foi respondida.
Não estou com fome, por isso não desci.
A loira entendeu na hora. Mystogan a havia chamado para o quarto por algum motivo, e lá Erza viu sua chance de se confessar e foi rejeitada. Suspirou e respondeu com um "já estou indo aí", pois tinha noventa e nove por cento de certeza de que a ruiva estava chorando, e como uma boa amiga, não podia deixá-la sozinha no quarto!
Deu um jeito de sair de fininho enquanto Levy conversava com Gajeel e disparou em direção ao quarto do hotel. Ao chegar lá, viu Erza deitada na cama de cabeça para baixo, agarrada em um sapinho de pelúcia. Em volta dela, havia uma aura escura.
— Ah, Lucy... é você... — disse, desanimada.
— Erza! — disse Lucy, a fazendo se sentar na cama. — Que depressão é essa?!
Erza começou a chorar desesperadamente e a loira a abraçou, tentando consolá-la. — Eu sei como é isso... Olha, quem não é rejeitada uma vez na vida, não é mesmo?
— N-Não é só por isso... — soluçou ela. — O J-Jellal...
— O que aquele idiota aprontou dessa vez?
— E-Ele... m-me... m-me... — por quê era tão difícil para ela falar que ele a tinha beijado? Após esse pensamento, chorou ainda mais. — E-Ele roubou o meu... meu... primeiro...
— Calma. — disse Lucy, a abraçando mais forte. — Não precisa falar nada agora, tudo bem?
(…)
No fim de semana seguinte, Erza continuava em sua depressão pós-rejeição-e-primeiro-beijo-com-o-Jellal e escolheu permanecer sábado e domingo na escola mesmo. De jeito nenhum poderia ir para casa ver seus pais naquele estado! Primeiro, que eles perceberiam que havia algo errado e não queria ter que contar sobre Mystogan e Jellal para sua mãe, apesar de ela ser super compreensiva e saber dar bons conselhos, mas também não queria contar mentiras. Lucy também ficou na escola, pois não estava com a mínima vontade de ver seu pai.
— Vamos lá, Erza. Faça um esforço! — disse a loira, enquanto sua amiga se escondia completamente debaixo das cobertas. — Vamos no shopping!
— Se você quer ir no shopping, vá sozinha. — respondeu ela, com voz chorosa. De repente, Lucy tirou os cobertores de cima dela. — Ah! A luz! Meu olhos vão queimar!
— Vai queimar minha mão na sua cara! E me dá esse iPod aqui! — berrou Lucy, arrancando o aparelho da mão dela. — Taylor Swift?! Isso é sério, Erza Scarlet?!
— M-Mas... — Erza fungou, secando as lágrimas com a manga de seu moletom com estampa de gatinho, três vezes maior que seu tamanho. Ela estava em um estado deplorável: cabelo sem pentear, olhos inchados de tanto chorar, moletom gigante, calça de pijama xadrez, pantufa do Tigrão e um iPod com uma playlist só com músicas da Taylor Swift.
— Não discuta comigo! — a loira estava determinada a fazer sua melhor amiga sair daquela depressão causada pelos irmãos Fernandes. Erza não podia ficar em cima da cama choramingando para sempre. — Olha aqui, você está vendo esse cartão de débito? Sim, esse cartão. Eu estou louca pra gastar ele todinho, e vou te levar na livraria. Você vai poder comprar todos os livros que quiser!
A ruiva fungou e em seguida, seus olhos começaram a brilhar. — Todos... que eu quiser?
— Isso mesmo. — Lucy sorriu. — Mas isso só será possível se você levantar daí.
— Então vamos lá! — gritou Erza, já correndo porta afora.
— Espera. — disse a loira, lhe lançando um olhar demoníaco. — Eu vou te arrumar primeiro.
— A-Ahn...
(...)
Depois de colocar um pé para dentro da Magnolia Books, nada mais importava para aquelas duas. Aquela livraria era simplesmente mágica. Os melhores livros do mundo que você pode imaginar estavam lá, além de CD's, DVD's e aqueles jogos legais para Nintendo DS, Wii, XBox 360 entre outros. Erza amava tanto aquele lugar que sua mente bloqueou os pensamentos de Jellal e Mystogan. Estava se divertindo, afinal.
— Erza, me ajuda aqui. — disse Lucy, arfando. — Eu não consigo alcançar aquele livro do Zekua Melon...
Zekua Melon. A loira amava os livros desse homem desde pequena, e queria pegar o mais novo lançamento dele, Daybreak, mas que por alguma razão desconhecida estava na prateleira mais alta. Como eram da mesma altura, a ruiva também não conseguiu.
— Mas que droga. — bufou ela. — Será que a gente não devia pedir pra algum atendente da loja ou...
— O livro que vocês querem é esse aqui? — perguntou um garoto loiro, conseguindo pegar o livro com facilidade.
— Ah, sim. — disse Lucy. — Muito obrigada... Ahn... Sting?
O garoto parecia surpreso e sorriu. — Lucy?!
— Meu Deus, eu não acredito que é você! — eles se abraçaram e ficaram falando sobre como fazia tempo que não se viam, que saudade, o que eles estiveram fazendo nesse tempo e blá blá blá, enquanto Erza ficava ali, sem dizer uma palavra. Percebendo que os dois a haviam deixado completamente por fora, ela o apresentou.
— Erza, este é o Sting. Ele era um amigo de escola antes de eu me mudar para Magnolia.
— Muito prazer, Erza-san. — cumprimentou Sting, sorridente e a olhando de um modo estranho com aqueles belos olhos azuis. A ruiva retribuiu. — Eu me mudei pra cá recentemente e vou começar a estudar na Academia Fairy Tail. Por acaso é a mesma escola de vocês?
— Sim! — Lucy estava extremamente acelerada. Estava tão feliz por encontrar um de seus melhores amigos de infância. — Tomara que você fique na mesma classe que a gente! Você sabia que a Erza é a presidente do grêmio estudantil?
— Ser presidente do grêmio estudantil é legal, Erza-san? — ele estava tentando puxar assunto com ela. — Eu sempre tive vontade, mas nunca me candidatei.
— Ah, sim... apesar de todas as responsabilidades, é legal sim.
Na verdade, as únicas coisas que Erza achava legal em ser a presidente era ser respeitada e poder mandar em geral daquela escola. Mas óbvio que não deixava isso tão claro assim.
Sting... talvez ele fosse um cara legal, ou apenas mais uma encrenca.
Fale com o autor