Close To You
9 O novo aluno e um pequeno ataque de ciúme.
Notas iniciais
— Presidente, por favor, apresente o novo aluno para a turma. — pediu a professora Anna, de História, docemente. Ela era uma das professoras mais fofinhas de toda a escola. Baixinha, pequena, o rosto e a voz de um anjo.
— Sim, professora. — disse Erza, levantando-se da cadeira e ficando na frente de todos. — Então, esse é... Calem a boca aí atrás! — berrou ela, se dirigindo mais à Jellal do que qualquer outro que estava fazendo bagunça no fundão. Depois de ouvir um "desculpe, presidente", respirou fundo e voltou a falar. — Pessoal, esse é Sting Eucliffe, nosso novo colega. Eu espero que ele seja bem recebido e... Ahn... Sting, você já pode entrar.
— Certo, digníssima presidente. — respondeu Sting, meio sem jeito. As garotas começaram a dar gritinhoso, inclusive Lisanna, se é que você me entende. Aquilo só o deixou ainda mais tímido, porém retribuiu com um sorriso que fez elas ficarem loucas. Jellal revirou os olhos com o "digníssima presidente", assim como Natsu depois de ver Lucy sorrindo para ele.
— Professora, será que não vamos precisar pegar uma carteira para o Sting? — disse a ruiva.
— Tem um lugar ali, atrás do Jellal-kun. — apontou Anna. — Sting-kun, você pode se sentar lá.
— Que lugar? — perguntou o azulado, inocentemente colocando sua mochila em cima da mesa desocupada.
— Você quer ser engraçadinho assim na sala do diretor? — disse Erza lançando-lhe um olhar assustador.
— Nossa, não se pode nem fazer uma brincadeira hoje em dia. — murmurou ele com um sorriso debochado.
Assim que o loiro se sentou naquele lugar, abriu o caderno e começou a copiar o que a professora estava passando no quadro. Jellal virou para ele e lhe lançou um sorriso falso.
— Olá, Sting. — disse ele, tão dócil. — Bem-vindo ao inferno.
O novato engoliu em seco e riu de nervosismo. — Você é engraçado, Jellal-san. Acho que seremos ótimos amigos.
— Pessoal, agora que Sting-kun já está em seu lugar, vamos prosseguir com a aula. — disse Anna, prendendo os longos cabelos castanhos em um coque casual. — Abram o livro na página...
Duas batidas na porta da sala. A professora suspirou e fez sinal para que entrasse. Era Rogue Cheney, da sala 1-B, assistente da presidente do grêmio estudantil.
— D-Desculpe por interromper a sua aula, p-professora Anna. — disse ele, se encolhendo de timidez. Estava com mais vergonha ainda ao ver que a classe estava toda em silêncio olhando para ele. — E-Eu precisava falar c-com a presidente... E-Entregar esses papéis para ela, s-sabe... B-Bem rápido...
Erza levantou-se e começou a falar com ele normalmente, até perceber que o assistente não estava prestando atenção em nada do que ela falava. Parecia estar olhando para o nada, mas na verdade estava olhando para Sting. Será que ele era um aluno novo? Afinal, nunca o havia visto na escola... E aquele loiro era tão bonitinho. Rogue corou quando percebeu que o garoto o viu e deu um sorrisinho tímido.
— Como eu estava dizendo, Roguezinho... — disse a ruiva, irritada por não estar recebendo atenção. Afinal de contas, ela era autoridade! — Vamos conversar lá fora.
— A-Ah, s-sim... — respondeu ele, a acompanhando. Depois de resolverem os assuntos daqueles papéis, Rogue ficou vermelho e perguntou quem era aquele menino que estava sentado atrás do Jellal.
— Ah, é o Sting. — disse ela, sem se tocar a princípio. — Ele se mudou pra cá recentemente e hoje é o primeiro dia de aula dele aqui, mas...
— E-Ele é bonitinho.
Sim, é isso mesmo o que você está pensando. Rogue gosta de beijar garotos! E com Sting, havia sido o amor à primeira vista. Bom, todo mundo já desconfiava que o assistente de Erza era gay por causa de seu jeitinho um tanto afeminado, mas ninguém tinha a confirmação, só a ruiva mesmo. Afinal, ela era sua maior confidente.
— Rogue...
— V-Você acha que eu tenho chance? — disse ele, mais corado ainda.
— Eu não sei, Rogue. — Erza colocou a mão no ombro dele, tentando animá-lo. — Mas não custa tentar, né? Bem, agora eu vou voltar para a aula... e só mais uma coisa: o seu quarto era o único do primeiro ano sobrando. Quem sabe ele não vai ser seu colega de quarto agora? — disse ela, sorridente.
Rogue sorriu para si mesmo e também voltou para sua sala de aula.
— Agora que a presidente está de volta, vamos continuar com a aula, não é mesmo? — depois disso, o sinal que indicava que o horário de aula havia terminado tocou. A professora Annazinha, como era chamada por muitos alunos, fez biquinho, parecendo uma criança pequena. — Até a próxima aula...
— Jellal-san, você sabe qual é a próxima aula? — perguntou Sting.
O azulado se virou lentamente para encará-lo. — Creio que você já tenha o papel dos horários, logo eu não preciso te dizer, é só olhar. — respondeu, cheio de grosseria. Mesmo sentando na primeira carteira da fila, Erza conseguiu ouvir e começou a encará-lo. Qual era o problema dele? Sting só havia feito uma pergunta sem ter nada demais para responder daquele jeito. Se Jellal achava que ia tratar uma pessoa nova na escola daquela forma, estava muitíssimo errado. A ruiva, como presidente do grêmio estudantil, conversaria com ele depois.
Conversaria com ele depois sim, mesmo sabendo que aquilo ainda não lhe faria bem. Afinal, ainda estava se sentindo estranha pelo acontecimentos da última semana. Mas resolveu que aquilo não podia atrapalhar as coisas em seu cargo de presidente. Então, depois do sinal do fim da última aula tocar, Erza se colocou na frente dele antes que ele fosse embora.
— Precisamos conversar. — disse ela segurando o braço dele, séria. O mundo inteiro já sabia que o "precisamos conversar" dela era sinal que você estava mais do que fodido nessa vida. Sting foi o último a sair da sala, por que aparentemente estava com dificuldade para guardar suas coisas na pequena mochila que tinha. Na verdade, o loiro só queria ver se conseguia pegar alguma coisa da conversa mesmo.
— Tchau, Erza-san e Jellal-san! — disse ele, sorridente.
Erza sorriu e acenou de volta, o que fez Jellal bufar. Depois que Sting já estava fora de vista no corredor, a ruiva começou o sermão.
(...)
Sting Eucliffe foi até o quarto 14 do dormitório masculino, pois era lá que ficaria. Não sabia quem seria seu colega de quarto, mas de qualquer forma, nem bateu na porta e já foi entrando. Então, o mesmo garoto que ouviu falar que era o assistente da presidente Erza. Rogue Cheney.
— Olá. — disse o loiro. — Eu sou o Sting e acho que agora nós somos colegas de quarto.
Rogue corou completamente e começou a gaguejar. — A-Ah, o-oi... Eu s-sou Rogue, m-muito p-prazer...
Sting pensou em como ele era engraçadinho e tímido. Talvez ele fosse uma pessoa legal e os dois poderiam se tornar amigos.
(...)
— O que é que você está pensando? — disse ela, com as mãos nos quadris. — Sting é um aluno novo, por isso tem que se sentir bem recebido. E você o tratou mal a manhã toda!
— Do que você está falando? — debochou, se fingindo de inocente. Aquilo a irritou profundamente, tanto que ela o colocou contra a parede agarrando a blusa dele.
— Não sei qual é o seu problema, mas eu não vou deixar você fazer uma pessoa nova aqui ficar pra baixo. Ele é um menino muito educado e legal, por sinal. Mesmo com você dando todos esses foras, continuou sendo simpático com você. — disse a ruiva entre dentes, ainda sem soltar a blusa.
— Eu não gosto do jeito que ele olha pra você.
— Quê?
A resposta de Jellal foi um beijo, simples assim. Não muito longo, e com muita suavidade. As mãos dele foram parar em sua cintura, e as dela, em seus cabelos azuis. Quando interromperam, não afastaram-se um do outro.
— Eu não acredito que fizemos isso de novo, Jellal. — disse ela, corando e desviando o olhar.
Ele riu. — Eu também não. Mas é bom. — depois de dizer isso, Jellal lhe deu mais um beijo. Mesmo irritada com ele por ter tratado Sting daquela forma e, acima de tudo, porque ele a tinha feito sofrer naqueles últimos dias, não conseguia parar de beijá-lo. Não conseguia dizer um não. Entre umas pausas rápidas para respirar e outras, soltou um "eu te odeio", o que o fez só aumentar a intensidade dos beijos. A ruiva ofegava enquanto ele beijava seu pescoço.
— Eu te odeio... odeio muito... — gemeu ela.
— Eu sei. — sussurrou ele em seu ouvido.
Estavam completamente domados pela vontade ardente de um pelo outro, e não conseguiam parar mais.
Levy havia esquecido seu caderno embaixo da carteira e foi lá para buscá-lo, mas levou um susto ao espiar pela porta e vê-los naquela agarração. Normalmente, se fosse qualquer outra pessoa, interromperia ou tiraria uma foto e mandaria para todo mundo. Mas a pequena só conseguiu sentir dor em seu coração, como se ele tivesse sido quebrado em um milhão de pedaços. As lágrimas rolavam por seu rosto enquanto via aquilo.
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