Close To The Flame

2 Trap of the destiny


Notas iniciais
Uma boa leitura a todos!

Gabriel’s P.O.V

O primeiro sinal da noite invadiu a janela do meu apartamento e eu sorri, eu tinha combinado com um pessoal de ir para um novo barzinho que tinha aberto no fim da rua, e bem, a noite era uma criança.


Segui para o banheiro, tomei um banho, escolhi uma roupa simples e nada chamativa, afinal a noite de Miami era colorida o suficiente, não precisava de mim ajudando a enfeitar aquilo. Coloquei um jeans, uma camiseta preta e tênis, peguei o capacete, as chaves da moto e segui caminho o pessoal já deveria estar me esperando há algum tempo.


Quando cheguei no dito barzinho nem me surpreendi ao ver que não era nada do que eu tinha imaginado e que mais uma vez os imbecis dos meus amigos tinham me arrastado até uma boate.


–Barzinho, não é seu bando de imbecis? – falei sorrindo enquanto me aproximava da mesa que eles ocupavam com uma careta dificuldade, já que o local estava lotado. – por que não me disseram que era uma nova boate?

Você teria vindo?


A pergunta do Steve enquanto eu sentava ao seu lado na cadeira me fez pensar por um segundo. Eu teria vindo se soubesse que era mais uma boate?

–Claro que sim. – falei com um sorriso descansando as chaves da moto em cima da mesa e fazendo um gesto para o garçom que estava próximo se aproximar mais. – desde quando eu perco uma festa?


Eles sorriram, aquilo tinha virado um hábito meu sempre estar em todas as festas e com sinceridade eu nunca me cansava.


–Oi gatinho. – uma garota loira passou me encarando enquanto eu esperava o garçom se aproximar.


–Nossa é impressionante Gabriel! – Ryan falou com um sorriso. – as garotas não conseguem mesmo te ignorar, não é?


Dei de ombros com um sorriso. O garçom se aproximou e eu pedi o de sempre, tequila.

–Vai começar logo com tequila? – Steve estranhou e eu sorri.


–Por que a pergunta? Eu sempre bebo tequila.


–Não, você só bebe tequila quando quer ficar muito doido.


Eu ri alto, e quem disse que eu não queria aquilo hoje?

–Não vai nem querer ficar de pé para sei lá, tentar reencontrar a loira? – Ryan falou e eu sorri alto.


–Não preciso tentar reencontrar ela. – falei passando a mão ao lado das minhas chaves e pegando um pedaço de papel. – ela deixou isso quando passou por aqui.


Virei o papel para os meus amigos que sorriram, Steve o pegou da minha mão.

– 5554697. – ele leu e eu sorri. – Sério cara, como você consegue?


–Não sei, vocês viram eu nem me movi.


Eles sorriram. Eu esperei o garçom se aproximar e comecei a beber minhas tequilas. Naquela noite em especial eu estava com vontade de beber. Motivo? Não sei explicar, apenas uma vontade louca de sair de mim, como se a bebida e quem sabe aquela garota fossem me libertar um pouco daquela sensação estranha.


A encontrei no fim da festa, todos já estavam indo embora quando ela se aproximou de mim.


–Já está indo para casa? – ela me perguntou com um sorriso.


Eu me esforcei para olhá-la dos pés à cabeça. Nossa que mulher.


–Bom era a minha ideia inicial, mas se você tiver alguma outra...


Ela sorriu segurando meu braço e me arrastando boate afora.


Subimos na minha moto e ela foi me dando as coordenadas de sua casa, não era muito longe afinal


–Quer alguma coisa? – ela perguntou quando entramos, atirando a bolsa em cima do sofá, eu sorri encarando-a enquanto ela caminhava na direção da cozinha.


Eu sorri me aproximando e segurando-a por trás, ao redor da cintura.

Pode ser você?


Ela sorriu se livrando de mim e virando para me encarar.


Achei que não ia dizer isso nunca.


Eu a puxei com força e a beijei, menos de um minuto depois nossas roupas estavam espalhadas pela sala, não restava nada entre nós, apenas o atrito dos nossos corpos se movendo na mesma sintonia, eu só podia ter ficado maluco, nem o nome dela eu sabia.


Acordei no dia seguinte atirado no sofá da sala, abri os olhos e a vi deitada ao meu lado, levantei, vesti minhas roupas e saí sem acordá-la. Eu não estava pronto para encará-la no dia seguinte, para mim aquilo tinha sido apenas mais uma aventura sem importância.



Harry’s P.O.V

O que acham da casa? – Robin perguntou fazendo um gesto com as mãos para que todos olhassem – Casa à beira mar, moderna, com uma vista ótima da praia, sossegada... E então?

Todos pareceram deslumbrados, todos menos eu. Droga, eu queria ainda estar em Londres, que casa no mundo seria melhor que a nossa em Londres? Que lugar é melhor que Londres?


– Haz? – escutei o Robin me chamar– HAZ – gritou.


– Oi?


– O que achou da casa? – ele falou com um sorriso colocando a mão em meu ombro.


Ah... – comecei querendo desviar do assunto, não queria magoá-lo, a casa era mesmo ótima, mas a verdade era que eu estava odiando o simples fato de estar ali. – Acabei de me inspirar com o som das gaivotas para escrever uma nova música – falei seguindo na direção do interior da casa – Acho que vai ser bem legal, tenho que correr antes que esqueça tudo.


Haz, do que está falando? – Robin perguntou olhando para a minha mãe que o olhava perplexa.


– Sim, a letra Rob. Se esquecer, depois como vou cantar sem ela? Quer dizer,não dá para fazer só um nananana, não é? – parei olhando para cima– olha, viu só? Você ficou me fazendo perguntas bestas e elas mudaram o ritmo, claro, foram ouvir você e mudaram tudo! – falei indo na direção do quintal.


O que eu estava falando? O que eu estava fazendo? Não sei dizer, a verdade é que no momento minha mente estava tão perturbada com tudo o que eu deixara para trás e com tudo o que acontecera que acho que não estava funcionando muito bem no fim das contas.

Comecei a caminhar em círculos no quintal, tirando os cabelos dos olhos enquanto tentava olhar para cima, o céu de Miami era tão azul, tão limpo, tão diferente do de Londres. Que saudade de casa.


–Harry meu anjo você não parece bem. – minha mãe falou se aproximando de mim, eu parei de tentar encarar o céu e a olhei, seus olhos transmitiam preocupação, me obriguei a forçar um sorriso.


– Não é nada mãe, é só que o ritmo estava mesmo bom e por culpa do Robin, mais tarde vou ter que implorar para as gaivotas tocarem tudo de novo!


Antes que me perguntassem mais bobagens sobre a casa, ou se eu estava confortável em Miami, e bla bla bla, decidi me isolar, ou melhor, subir para o meu quarto, lá com certeza me sentiria melhor entre minhas coisas e... Droga, esqueci as caixas com as minhas coisas lá em baixo.

Ah que merda, a saudade de Londres já está fodendo com a sua cabeça Harry”, pensei ao me deitar na cama, jogar os dois celulares de lado e olhar para o teto, nossa, deixei tudo para trás, minha banda, meus amigos, a casa onde me criei, o Lou, ah o que será que aquela bixa está fazendo há uma hora dessas?... Deixei tudo para trás, tudo mesmo, inclusive ela, a minha Liesel..


O sorriso da garota ecoava por toda a casa

– Você não vai conseguir me pegar – ela desafiou enquanto corria e ria sem parar.

Harry correu atrás dela, ao passar pela janela grande do corredor que se dirigia para o quarto dele na casa dos Styles, os olhos de Harry apreciaram a beleza da garota, seus cabelos longos pretos, seu corpo bem definido com curvas tentadoras, sua pele branca delicada, a forma como ela corria e virava o rosto para olhá-lo era sem dúvida a mais linda imagem que ele já vira, a cada segundo que passava ele se perguntava se algo no mundo podia ser melhor do que aquilo. Aquele com certeza era o melhor momento que Harry tivera na vida, caramba como a amava, como amava tudo nela, os gestos, a voz, a forma de rir, de falar e sem falar nos olhos, aqueles olhos. Os olhos castanhos avermelhados que transmitiam ternura e ao mesmo tempo tentação, os olhos quase vermelhos que ele já tentara encontrar em qualquer outra pessoa, mas nunca conseguira, era como se Liesel fosse a única pessoa na face da Terra a ter olhos com aquela cor. O coração do garoto disparou ao olhar mais uma vez para a cena, queria ficar com aquela imagem gravada na memória para sempre.

Em um movimento, rápido Harry agarrou na cintura da garota, virando-a contra si, caindo os dois na cama, ele em cima dela. E então seus olhos se cruzaram, transmitindo todo o amor que ambos sentiam e o calor do momento.

Eu te amo – ele falou com um tom de voz ardente, como se aquelas palavras exprimissem toda a explosão de sentimentos que o inundavam no momento.

Ela retribuiu erguendo a cabeça de leve, juntando seus lábios com os dele, se unindo em um intenso e apaixonado beijo.

– Harry!


Ao abrir os olhos, pensei que era o rosto da Liesel que iria ver, mas acabei dando de cara com o Robin. Mas que diabos?... Como eu não identificara a diferença de vozes? A Liesel não falava grosso.


Hey cara, sai da minha cama! – gritei pulando da cama de susto.

Mas o quê? – ele perguntou sem entender nada – garoto você está suando...

–Ah foi mal senhor Robin, não sabia que era você – comecei a gaguejar, atropelando as palavras – foi apenas um so.. sonho, só isso...

Senhor Robin? Harry do que está falando? Desde quando me chama assim? –ele perguntou preocupado – cara eu pensei que pra você deixar Londres para trás era difícil, só não imaginava o quanto...


A-Acho que vou falar com as gaivotas – falei pegando meu Iphone e meu Blackberry de cima da cama e encarando-o – vou ver se elas voltam a tocar aquela melodia que você meio que me roubou...


Corri em disparada escada abaixo, mas ainda consegui ouvir a voz do Robin.


Hey, agora mesmo não era senhor Robin? Já está me chamando de ladrão assim sem mais nem menos? Haz a gente precisa conversar, Harold!


Sim, eu estava fora de controle, relembrar os melhores momentos da minha vida me obrigava a me perder em um mundo que já não existia mais. Eu realmente tinha que fugir de tudo aquilo, não tinha? Mas, fugir para onde? Ah sei lá, qualquer lugar, eu não conheço Miami, mas tinha que sair dali antes que o passado voltasse para me assombrar novamente. Quando dei por mim tinha parado em frente a uma bela praia onde não pensei duas vezes e sentei, ali, na areia mesmo. Tirei os óculos escuros que estavam pendurados na camiseta branca e os coloquei no rosto olhando o mar.

Miami, sempre ouvira falar muito das garotas de Miami e bem, acho que estava na hora delas aparecerem, não? Depois daquele bendito sonho ou pesadelo, sei lá, eu bem que merecia relaxar um pouco e olhar para garotas de biquíni ajudaria bastante, vai que alguma delas curte um inglês? Ri do meu próprio pensamento, eu estava ficando doido.

Comecei a passar as mãos pelos cabelos desordenando-os como era acostumado a fazer. As pessoas passavam por mim e de certa forma me encaravam, eu não sabia o que elas estavam pensando, na certa estavam falando entre si “olha lá, deve ser estrangeiro, está de jeans na praia”, mas não me importei que falassem o que quisessem, eu não ligava.

O calor daquela cidade estava começando a me enlouquecer, passei mais uma vez as mãos pelos cabelos agora com um pouco mais de impaciência do que antes, aquele calor estava me deixando maluco, aquilo era o inferno.

Comecei a rir sozinho lembrando das coisas que aconteciam comigo em Londres sempre que fazia aquilo, apenas aquele gesto de mexer nos cabelos era o suficiente para chamar a atenção de qualquer garota ao redor. Olhei para os lados e sorri baixando os olhos de volta para a areia, pelo visto não era só em Londres que isso acontecia.


–Onde você está Lou para ver todas essas garotas me encarando agora? – o Louis sempre me dizia que meu poder de sedução estava nos cabelos, idiota, ele era um idiota, um idiota aparentemente com razão.


Meu Iphone vibrou no bolso e eu o tirei encarando a tela, só podia ser.

– Fala viado!

Eita cachinhos, já está pegando todas por aí? – perguntou em tom malicioso.


O Louis era sempre assim, engraçado, maluco, um irmão para mim. Nós meio que tínhamos uma relação estranha de amizade, até minha mãe dizia que nosso nível de maluquices estava acima da compreensão dela, pois é, eu também achava.


– Não viado, afinal você sabe que só tenho olhos pra você... – respondi, ele riu alto, eu não estava com humor para bancar o idiota naquele momento, mas não tinha como não ter respondido daquela forma -... Para ser sincero, não gosto de Miami. – completei tentando falar sério.


Como? Ah não, agora sim cachinhos você deve ter pirado de vez. Como não gosta de Miami? Cara é Miami.


– Sério cara, to falando sério, eu sinto muita falta de Londres. O clima aqui é muito quente, sinto falta do frio. Tenho também saudades de todos vocês, da minha casa, dos pubs, da banda de tudo... Este não é o meu lugar.


Ah seu boiola, para de reclamar feito uma bichinha Harry e se concentra, cara você só chegou hoje, não pode odiar a cidade tanto assim, você vai ver, vai acabar se apaixonando por uma gata bronzeada e vai esquecer da gente.


– Acha mesmo oh seu baitola? – eu ri alto – isso não é coisa minha.


Eu sei disso cara – dessa vez Louis parecia sério, como se de certa forma me entendesse, mas ainda assim quisesse me animar – todos aqui sentem sua falta.


– Eu sabia que no fundo vocês gostavam de mim e iriam ter saudades– disse tentando animar um pouco a conversa (mais?) – manda um abraço pra todo mundo, pede para me ligarem também aqueles três imbecis, vou desligar agora, tenho algumas coisas para fazer e acho que algumas coisas para explicar ao Robin, a gente se fala depois?


Claro cachinhos, sempre você sabe que eu te amo, não sabe?

–Viado.

Bicha.

–Idiota.

Imbecil.


Nós dois rimos, eu sentia falta daquele tonto.


Louis se despediu e eu desliguei o telefone. A Gemma veio me chamar na praia para ir ajudar com a arrumação da casa. Me levantei encarando-a de má vontade e juntos, caminhamos para a nova casa. Sim, a nova casa, não sei se vou me acostumar a chamar de minha, porque pra mim, eu só tenho uma e ficou em Londres, não só minha casa, mas também meu coração.



Nídia’s P.O.V

O Sol ia desaparecendo e a noite querendo apoderar-se da cidade de Miami. A estrada Florida 869 Sawgrass Expressway parecia estar vazia naquela ocasião, nenhuma alma viva ia conduzindo naquele momento. Era como se a estrada tivesse sido tomada pelo diabo, como se os outros carros não fossem o real motivo do acidente que estava para acontecer, como se o motivo único daquela desgraça, fosse a exclusiva vontade da garota.


O carro prata disparou feito um fantasma pela estrada, Nídia estava agarrada ao volante com toda a sua força, e a principio ia a 120 km/h. Ao olhar fixo para a estrada, a garota começou a recordar os momentos mais infelizes da sua vida, como o fato de seu namorado Alexander Richard Smith ter cortado os próprios pulsos naquele verão, os motivos? Tanto os pais de Nídia como os de Alex eram contra o relacionamento que com o passar do tempo, ia ficando mais sólido.


Aparentemente, os pais de Nídia acreditavam que Alex usava drogas, e os pais do garoto já não aceitavam porque, ouviram dizer por meio de fofocas, que ela dormia com qualquer cara se tivesse dinheiro. Tudo mentira. Alexander não agüentou o aperto de não poder amar nem apresentar oficialmente Nídia como namorada, e naquela horrível tarde de quatro de Julho, suicidou-se. Um completo escândalo, mas ninguém realmente sabia o que Nídia sentira, pois esta, de certa forma, tinha morrido com ele.


O pior veio depois, pois a garota teve que sair da escola obrigatoriamente não só por as discriminações e troça pelo que tinha sucedido, mas também por toda a gente se unir para ela ser expulsa. Todos os alunos da escola a culpavam da morte de Alex, afinal ele, foi sempre o popular da escola. Nídia teve que mudar-se da Ciudad Juarez para a famosa Cidade do México. Lá começou, novamente, uma nova vida, onde ninguém a conhecia. Mas o que a família dela não sabia, era que Nídia estava mudando aos poucos, desde a promessa que fez horas antes do suicídio de seu amado.


– Eu prometo te amar por toda a minha vida.

O garoto de olhos verdes, rosto de anjo e cabelos loiros agarrou a cintura da menina, apertando-a contra si, suas respirações se entrelaçaram, com dificuldade, mas não importava, pois estavam juntos naquela cama escaldante pela alta temperatura do clima e dos seus corpos.

– Nídia, se alguma coisa acontecer comigo... – ele começou, mas a ela colocou seu dedo indicador nos lábios dele.

– Não diga isso Alex, eu nunca vou deixar que algo te aconteça – interrompeu olhando fixamente nos olhos dele – Eu te amo, você é a minha vida, superamos muitos desafios juntos e iremos ultrapassar os que faltam, até que consigamos chegar à meta final. Vamos ganhar esta batalha juntos.

Alex apenas sorriu mexendo nas suaves ondas do cabelo dela, ele a amava de verdade, um sentimento puro, sua vida era ela, não vivia para mais ninguém.

– Eu quero te dar uma coisa. – disse o rapaz com um sorriso.

Nídia ia levantar-se de em cima dele, mas ele a agarrou forte pela cintura com a mão direita, como se por nada do mundo quisesse que a sua amada saísse de tão junto dele, e suavemente, desviou seu braço esquerdo até a primeira gaveta da mesa de cabeceira, apanhando uma caixa pequena de cartão vermelha. A garota o olhou perplexa.

– Abre — convidou expressando um sorriso de ternura

Nídia abriu vagarosamente a caixa, onde tinha embrulhado num pano de seda, dois anéis de ouro branco. O coração dela deu um salto de alegria, ela não acreditara no que acontecera. Aquilo não era possível...

– O-O que é isto Alex?- perguntou admirada, mas ao mesmo tempo feliz– Nós ainda não temos ida...

Antes que terminasse a frase, o garoto selou seus lábios com um beijo intenso, e virando seus corpos, ele colocou-se em cima dela para memorizar aquela imagem. Queria gravar a imagem da sua amada para sempre na sua memória e no seu coração, antes de...

– Nídia, estes não são anéis de casamento, mas sim de compromisso. Agora sim somos namorados oficiais, já falei com toda a gente de lá da escola, só falta te apresentar a eles. Você vai ver como amanhã todo mundo te verá como a minha namorada. Não precisaremos nos esconder de ninguém, ou se nos perguntarem, já não temos que dizer que somos apenas amigos. Agora sim, podemos dizer a verdade: que nos amamos, e que ninguém jamais irá destruir nosso amor, nem depois da morte.

– Não diga isso, não gosto de te ouvir falar dessas coisas bizarras. – disse preocupada, ela sabia que Alex era capaz de fazer qualquer coisa se alguém quisesse separar eles dois — Alex – colocou suas mãos na nuca do rapaz – promete-me, que nunca morrerá por mim, ou que fará alguma coisa se alguém se interpuser entre a gente. Eu vi na terça como falou com teu pai, como se sei lá, quisesse espancá-lo até a morte.

O rapaz apenas baixou a cabeça, como se ela tivesse acertado em cheio em alguma das coisas ela acabara de dizer.

– Promete-me Alex, por favor, faz isso por mim...

Prometo Nídia – respondeu em tom calmo e decidido

Ambos se beijaram novamente e uniram-se novamente num só, desta vez mais profundamente, Alex daria tudo de si naquele momento, entregara-se por completo, para que a sua amada o tivesse, pela última vez.

Nídia já tinha seu rosto todo marcado pelas lágrimas, ela realmente tinha sofrido não só pela morte recente dos seus pais, mas mais com seu único verdadeiro amor, Alex.


A velocidade ia aumentando juntamente com a raiva da garota de 130km/h, 140km/h... Ele prometera que jamais iria fazer algo bizarro, por ela, pelo amor. Por acaso o amor dela não fora o suficiente para ele? Tudo que ultrapassaram foi afinal em vão? Para que depois Alex, acabasse não só com a vida dele, mas também com a vida de Nídia?

A garota ia aos poucos perdendo o controle com os flashbacks em sua mente: os remorsos da morte do seu amor, a partir de 4 de Julho nunca mais se apaixonar por ninguém, o julgamento de toda a escola culpando-a pela morte do namorado, começar tudo de novo numa outra cidade onde não conhecia nada nem ninguém, as mortes dos pais... Ela não aguentara tanta pressão, jamais nos seus anos de razão pensara que algo assim pudesse-lhe acontecer.


Algo bizarro tomou conta do momento, como se Nídia tivesse a sensação que algo ruim ia acontecer, como se a estrada estivesse tentando engoli-la. Nídia não se importava com o que aconteceria, afinal, o que seria pior do que o que já tinha vivido? Se o que viveu foi o inferno, então, não tinha medo da morte.

Quando se deu conta, estava há mais de 180 km/h acelerando gradativamente até os 200km/h. Naquele segundo, ela só pensou em uma coisa.. Na morte.


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Ao atingir os 200, ela pisou firme no freio. O carro, parecendo querer fazer um favor à garota, girou desgovernado na posta. Foram poucos segundos antes de Nídia sentir pedaços de vidros e o impacto do carro capotando. Um caminhão que vinha entrando, na contra mão, parou rapidamente, o motorista não sabia o que fazer, ficou apenas ali, observando a cena e alguns segundos depois do choque ligou para a emergência.


Casualmente, o dono de uma moto preta e vermelha entrou na estrada, quando viu a cena, parou bruscamente. Em um gesto de imprudência e desespero, ele correu até o carro. Aquilo estava mesmo feio: vidros no chão, pedaços do carro na estrada, sangue... Ao abaixar-se para retirar a pessoa que estava lá dentro, notou que era uma garota jovem, ela estava de olhos meio abertos, mas o seu olhar estava perdido, seu rosto úmido... O rapaz não duvidou nenhuma vez: aquilo tinha sido tentativa de suicídio.


Calma, eu vou te tirar daqui.


Delicadamente, retirou a garota pelos ombros. Não demorou muito para que de longe se ouvisse a ambulância vinda para o local.


O rapaz a levantou do chão, agarrando-a com suas mãos fortes, mas ao mesmo tempo suaves pelas pernas e costas, ela era bem leve, pois não incomodou ao rapaz o fato de tê-la em seus braços. A garota parecia ter sido salva no minuto antes de se despedir deste mundo, pois seu corpo estava gelado como a neve, como se por alguma razão ela tivesse que ficar.


O garoto ficou olhando fixamente para o rosto da garota que tinha sangue escorrendo pela boca, e depois deslizando seu olhar pelo seu pescoço, peito e pernas. Tinha a blusa azul escura apertada um pouco rasgada, fazendo-se notar seu sutiã azul escuro com flores cor-de-rosa, e na sua calça jeans escura, tinha um buraco na perna direita com um corte causado por algum vidro do acidente.


O perfume forte e ao mesmo tempo suave da roupa do rapaz despertou momentaneamente a garota, mas mesmo antes de Nídia reconhecer quem fora seu salvador, seu olhar escureceu e ela apagou sem perceber que na verdade estava nos braços do cara que mudaria a sua vida para sempre.

Notas finais
Reviews? :B