Close To The Flame
3 Dangerous lives
Notas iniciais
Aviso que não haverá capítulo até Sábado, não sei se a Lizzy conseguirá postar alguma coisa pois ela estará viajando e só volta para a semana.
Bem é isso,
esperamos ter muitas reviews!
Desejo uma boa leitura a todas! ^^
Narrador
Uma fresta de luz forte o fez acordar, Harry abriu os olhos com dificuldade tirando os cabelos suados do rosto. Maldito calor. Maldita cidade. Maldito sol. Ele não some nunca?
–Fala sério... Ow que droga!
Harry se virou para o outro lado com tal violência para fugir daquela luz incômoda que acabou desabando de cara no chão, não havia percebido que estava na ponta da cama, mas quem perceberia com aquele maldito calor torrando todos os neurônios?
–Puta que pariu! – xingou alto retirando mais uma vez os cabelos desobedientes do rosto, agora eles insistiam em grudar atraídos pelo suor.
Harry se virou e ficou ali, atirado de costas no chão do quarto encarando o teto, aquele quarto por mais que Robin tentasse arrumá-lo de uma forma familiar, não era seu e não importava o quanto tentasse se convencer daquilo, a ideia de morar naquele lugar nunca pareceria algo certo.
Se arrastou até o banheiro e encarou o próprio reflexo no espelho. Não era feio, não mesmo. Tinha traços delicados, olhos azuis quase transparentes, uma boca bem desenhada e cabelos bipolares, um dia estavam perfeitamente cacheados, em outro estavam um pouco lisos. Alguns sinais de nascença, pequenos, mas notáveis tomavam o lado esquerdo do pescoço e do rosto, rosto esse que agora parecia extremamente cansado.
–Ai meu braço. – resmungou enquanto olhava o hematoma vermelho deixado no cotovelo pela queda da cama.
Parou mais um segundo se olhando no espelho antes de ir tomar um banho, o rosto estava vermelho, mas não tinha sido obra da queda, não mesmo, era obra do calor da noite anterior.
Harry se dirigiu até o chuveiro, tomou um banho demorado, lavou os cabelos e depois seguiu até as malas que ainda não estavam desfeitas. Esperança de voltar para casa? Talvez.
Começou a procurar algo para vestir, o pior era que não conseguia encontrar nada que o deixasse a vontade, a maior parte de suas roupas era de inverno.
–Acho que vou ter que sair para fazer compras. – falou para si mesmo enquanto pegava uma calça jeans, uma regata azul clara e os óculos escuros.
Desceu para o café a tempo de ver Gemma e sua mãe trabalhando ao fogão.
–Ih o que deu em você? – a irmã perguntou com um sorriso no rosto. – caiu da cama?
–Mais ou menos isso. – falou lembrando da cena e agora tendo vontade de rir da própria estupidez. – esse maldito calor não me deixa dormir direito.
–Te falei para ligar o ar condicionado que fica na parte inferior da parede antes de ir para cama, não foi? – sua mãe o olhou segurando uma colher entre os dedos.
Harry sorriu batendo com a palma da mão na própria testa, tinha esquecido.
–Você esqueceu, não é? – Gemma falou rindo do irmão que lhe fez uma careta. – sério Haz, deveria tomar remédio sua memória é um lixo.
Ele a encarou e lhe mostrou o dedo do meio em um gesto obsceno.
–Mãe acho que preciso ir fazer compras. – começou ignorando a irmã que lhe retribuía o gesto.
–Já vai começar com isso? Parece uma moça toda hora comprando coisas. – Robin que acabara de aparecer na porta falou com um sorriso.
–Não vivo fazendo compras.
–É os sites de fofocas de Londres que o digam, não é? Não tem uma foto sua nas ruas que não seja com uma sacola em mãos.
Harry sorriu, talvez Robin estivesse certo.
–Mas desta vez preciso mesmo. –ele se defendeu antes que o padrasto falasse mais alguma coisa. – não tenho roupas de calor, quer dizer, quase nenhuma e nesse inferno não posso estar usando jeans, vou morrer desidratado algum dia desses.
–Nossa como é exagerado. – Gemma observou e mais uma vez Harry repetiu o gesto com o dedo do meio, parecia automático, sempre que ela fazia um comentário idiota, o dedo aparecia.
–Ou querem que eu ande pelas ruas de Miami sem roupas?
–Olha ai, essa seria a desculpa perfeita que você estava esperando, já que vivia andando nu de cima para baixo mesmo no frio congelante da Inglaterra. -Anne começou com um sorriso
–Pois é mãe. – ele falou rápido. –se eu sentia calor em Londres, imagina aqui? Estou derretendo.
Desde pequeno Harry sempre tivera a mania de andar nu, não importava quem estava em casa ou onde ele estaria, quando tinha uma oportunidade ele simplesmente tirava a roupa, até em avião ele já tirou, pois é, uma mania ruim na opinião de algumas pessoas, já na de outras...
–Imagino a vontade que está de andar pelas ruas de Miami sem roupas. – Gemma falou com um sorriso. – mas lembre-se que não pode fazer isso, não enquanto a história da sua mudança para cá não tenha esfriado.
–Sei disso. –ele falou sentando a mesa e retirando os cabelos do rosto.
–O TMZ divulgou uma foto sua ontem, sabia? – Robin começou sentando de frente ao garoto que o encarou confuso.
–Não, não sabia. Que foto?
–Olha você mesmo.
Harry retirou o Black Berry do bolso e começou a digitar o endereço do site.
–Nossa o calor daqui deixa até a internet lenta. – reclamou enquanto a página do site abria.
Quando enfim conseguiu ver se deparou com uma foto sua entrando no embarque do aeroporto de Londres, cabeça baixa segurando um dos celulares na mão esquerda e carregando uma bolsa média no ombro direito, passaporte no bolso da calça jeans, tênis branco nos pés e um agasalho de lã da mesma cor.
Harry não se incomodou com a foto, o que realmente o incomodou foi a manchete em letras grandes e vermelhas, os filhos da mãe queriam mesmo chamar a atenção para aquela mentira.
“HARRY STYLES ABANDONA O ONE DIRECTION”
Ele baixou mais a página para ler a matéria inteira.
“Depois de não aceitar a posição de frontmen da banda, Harry Styles(17) parece que definitivamente resolveu seguir seu caminho. Fontes seguras afirmam que o então membro da banda número um no Reino Unido talvez tenha decidido seguir carreira solo.
–Talvez o talento de Harry não caiba na banda. – afirma um dos produtores do programa que revelou o quinteto para o mundo. – ele sempre foi o que mais se destacou, e talvez tenha se sentido sufocado com todas as propostas que vinha recebendo e decidiu que estava na hora de seguir seu caminho sem os companheiros.
Não sabemos exatamente o que aconteceu, mas se isso realmente for verdade, será que Liam, Niall, Zayn e Louis terão condições de seguir sem ele?”
Ele ficou encarando a tela do celular sem conseguir se mover. O que diabos estava havendo? Quem aqueles caras pensavam que eram para noticiar tantas mentiras?
–Bando de filhos de uma...– ele começou largando o celular em cima da mesa e encarando o padrasto que o olhava firme. – cara sério, esse site me odeia, só pode, não tem um dia sequer que não estão inventando coisas sobre mim, acho que o editor do site tem prazer em me ver irritado, só queria saber o que eu fiz pra ele.
–Eu vi isso ontem à noite e recebi várias ligações dos nossos amigos me perguntando se era verdade e se você realmente tinha deixado o 1D. – Gemma começou. – eu disse que não, que você apenas estava de férias e precisou vir para cá para terminar os estudos, já que na Inglaterra era impossível.
–O que será que vão inventar depois que eu desmentir isso tudo? – ele começou ainda irritado.
–Depois da história com a Caroline Flack, não duvido de mais nada. – Anne disparou e o filho a encarou. Aquilo era verdade.
O site TMZ, na época em que Harry ainda fazia parte do programa X Factor com o One Direction, viram ele e a apresentadora do programa, Caroline Flack saírem de um mesmo restaurante na mesma noite e noticiaram que os dois estariam juntos, a notícia caiu como uma bomba em toda a Inglaterra, simplesmente porque na época Harry tinha dezesseis anos e ela trinta e dois, ah e os dois eram comprometidos.
–Tenho que arranjar uma forma de desmentir isso. – ele começou ficando de pé.
–Aonde você vai? Não comeu nada ainda. – Anne reclamou enquanto o filho seguia porta afora colocando os óculos escuros.
–Vou ligar para o Simon, perdi a fome.
Harry seguiu até a praia que fora no dia anterior, pegou um dos celulares e discou o número do produtor, o celular estava desligado.
–Boa hora para não me atender Simon. – falou em tom irônico e descansou o celular ao seu lado, na areia mesmo.
Encarou o mar, não queria estar ali, naquele minuto gostaria de estar na porta da TMZ xingando o redator do site de todos os palavrões que conhecia, mas não podia fazer aquilo, primeiro porque seria um escândalo, segundo porque se ele estava tentando se livrar de uma notícia, invadir a redação de um site só ia transformá-lo em uma notícia maior ainda e terceiro, ele estava bem longe de Londres, o que ajudava bastante.
Passou a mão pelos cabelos na tentativa de tirá-los dos olhos, e começou a olhar ao redor tentando não pensar naquilo, Simon resolveria, diria a verdade para todos os fãs do One Direction que agora deveriam ou estar se descabelando ou planejando mata-lo de todas as formas possíveis.
Enquanto encarava a praia, seu olhar pousou em alguém, por um segundo ele ficou paralisado olhando a cena, aquilo era uma tatuagem? Sim era, uma das tatuagens mais lindas que ele já tinha visto, expressiva, parecia realmente expressar a personalidade da pessoa que a possuía, e diga-se de passagem para ter uma tatuagem como aquela personalidade com certeza era o que não faltava.
Ele ficou simplesmente paralisado encarando a tatuagem, queria ver o rosto da dona, queria saber se era tão interessante quanto o desenho que carregava nas costas, em um gesto gracioso ela se virou, de inicio ele encarou seu rosto com os óculos escuros sem maiores surpresas, afinal não conseguia vê-lo direito, mas no instante seguinte, quando a garota levantou os óculos visivelmente interessada na forma que ele a encarava seu coração deu um salto e sua garganta ficou seca. Não, não podia ser, ele estava delirando, aquele maldito calor enfim tinha conseguido torrar o restante de seus neurônios, não era possível.
Ficou de pé rapidamente ainda encarando a garota. Não, não era ela, não podia ser, não podia ser a Liesel, era impossível, mas era tão igual... Seu coração deu mais um salto quando a garota pareceu confusa, Harry não pôde evitar, simplesmente se virou e seguiu caminho o mais rápido que pôde, olhando para trás para ter certeza de que não estava ficando maluco. Era ela? Não, não podia ser, era impossível.
O medo o fez tremer e quando deu por si estava correndo praia afora na direção de casa.
Lizzy’s P.O.V
Não tive despedida, claro que não tive, todos estavam dormindo quando eu saí e não hesitei nem por um segundo em virar as costas e deixa-los para trás, nada nunca me prendera a lugar nenhum.
Tomei meu acento no avião, abri meu livro e comecei a ler, eu só queria relaxar um pouco, quer dizer, isso se a peste que estava na poltrona atrás de mim parasse de chutar.
Sério, o garoto levantava e sentada de dois em dois segundos, correndo pelo avião feito um desvairado e gritando feito um débil mental. Todos os passageiros pareciam incomodados com aquela peste, mas ninguém reclamou, de vez em quando as pessoas são educadas até demais que chegam a ser idiotas.
–Moça. – falei me virando para encarar a senhora que estava ao lado da criança- demônio. – a senhora poderia pedir para o seu filho parar de chutar minha poltrona e de correr feito um jumento sem mãe por todo o avião, por favor? É que isso incomoda as pessoas que possuem um pouco de sanidade mental, sabe?
Ela apenas me olhou e virou a cara para o outro lado. Ok, ela não tinha me escutado? Me entendido? Ou tinha me ignorado? Ah não, a última opção estava fora de questão, quem ela pensava que era e pior ainda, com quem ele pensava que estava falando? Ou que estava ignorando? Ah, que seja.
–Senhora. – comecei novamente enquanto a criança que parecia possuída pulava de um lado para o outro parecendo um chimpanzé com pulga no... – vou pedir mais uma vez, por favor, pede para seu filho parar com isso.
Mais uma vez ela me ignorou. Ok, todos estão de testemunha que tentei ser educada, é nisso que dá tentar ser gente boa com as pessoas.
–Ok moleque do capeta. – comecei me dirigindo diretamente ao menino que parou de saltitar e me encarou. – se você bater mais uma vez com esses pés na minha poltrona eu arranco os dois, entendeu?
Ele me encarou por um segundo e depois sorriu.
–Você vai para a cadeia.
–É, mas vou andando. – falei rápido.
O menino se encolheu na poltrona enquanto a mãe dele me encarava visivelmente abismada.
–Você não tem o direito de ameaçar meu filho dessa forma.
Eu ri alto.
–E ele pelo que dá para perceber não tinha o direito de ter nascido.
Ela ficou me encarando abismada como se eu tivesse dito algo horrível. Eu disse?
–Você não pode falar assim.
–Não, você não pode andar com esse garoto por aí sem usar uma coleira ou coisa do tipo. – falei novamente, eu já estava irritada mesmo e aquela senhora me olhando como se eu fosse uma louca desvairada e não tivesse razão estava me deixando ainda pior. – se quer levar seu filho para passear certifique-se de que ele não vai agir feito um retardado mental em certos ambientes, porque acho que nesse avião inteiro eu não fui a única pessoa que sentiu vontade de afogar ele no banheiro.
O pessoal aplaudiu quando terminei de falar e a criança encapetada se encolheu mais ainda ficando quieta dessa vez.
Eu não queria ser assim de vez em quando, mas é que não consigo controlar, quando vejo tudo o que estou pensando sai da minha boca sem o mínimo controle, minha mãe sempre diz que eu tenho que aprender a filtrar as coisas que penso e só falar o necessário, mas o problema é que eu acho que meu cérebro não veio com esse filtro, defeito de fabricação talvez? Quem sabe.
Fiz duas conexões em aeroportos diferentes antes de chegar ao meu destino. Quando cheguei no apartamento que ficaria estava cansada, com fome, irritada e com muito, muito calor.
–Caraca. – falei para mim mesma ao atirar as malas ao chão. – e eu pensando que o Brasil que era quente, Deus me livre estou no portão do inferno.
Eu estava hospedada no apartamento de uma tia que atualmente morava na França, pois é, alguns dos meus parentes por parte de mãe até que tinham um dinheirinho sobrando.
Tomei um banho, troquei de roupa e decidi sair para comer alguma coisa, estava morrendo de fome e estômago vazio me deixava ainda mais irritada, eu literalmente me tornava uma ameaça pública quando estava naquela situação.
Pensei em ir na praia em seguida, todos falavam das praias de Miami e já que eu estava lá não custava nada dar um mergulho. Vesti meu biquíni preto por baixo de uma blusa leve branca e um short jeans curto, coloquei meus óculos escuros e segui caminho.
Fui até a cafeteria mais próxima, pedi um café grande, uma torta e alguns bolinhos com cobertura de chocolate que me pareceram bem simpáticos.
–Ah se a Jôsy me visse agora. – lembrei da professora de balé, pois é, com certeza há uma hora dessas ela se aproximaria correndo e tentando me enforcar gritando “NADA DE CARBOIDRATOS, NADA DE DOCES E GORDURAS” . Comecei a rir sozinha da cena na minha cabeça, quando dei por mim todas as pessoas ao redor me olhavam como se eu fosse maluca.
Terminei meu lanche e decidi que iria, mesmo sozinha, dar uma volta pela cidade, eu queria conhecer os lugares.
Caminhei sem rumo por uma calçada larga à beira mar e quando dei por mim parei de frente a um prédio gigante, erguendo os olhos percebi que havia um letreiro enorme informando onde eu estava, eu tinha ido parar exatamente de frente a escola que estudaria.
–Sério? – falei com um sorriso. – essa coisa tem imã ou o que?
Fiquei parada na calçada encarando o prédio, meu coração acelerou e eu sorri. Por que estava nervosa? Porque o simples fato de estar parada de frente a uma das escolas de artes mais importantes do mundo estava me deixando daquela forma? Isso eu não sabia dizer, eu só sabia que algo dentro de mim me dizia que algo muito importante aconteceria comigo quando eu finalmente atravessasse aquelas portas, mas não era hoje, as aulas só começariam na semana seguinte, mas mesmo assim, eu estava nervosa.
Respirei fundo e decidi ir para a praia, dar uma olhada no ambiente e sei lá, tentar não pensar em tudo o que tinha deixado para trás. Mas, o que eu tinha deixado mesmo? E bem, em qual dos lugares que eu já passara?
Sentei na areia de frente para o mar e retirei a blusa olhando um bando de surfistas, nossa, aquela imagem me lembrou as praias do Brasil, só que vamos combinar, olhando ao redor constatei que as mulheres brasileiras chamavam bem mais a atenção. Fato!
Senti o vento quente em meu rosto e mais uma vez deixei que o ar invadisse meus pulmões, eu estava tentando começar uma vida nova e era exatamente isso o que eu faria. Encarei meus pés, nossa, se tinha uma coisa mais do que feia em mim eram meus pés, calejados, deformados, acabados de dançar desde os quatro anos de idade.
Fiquei mais um segundo olhando o mar e uma cena chamou minha atenção, não muito longe de mim, em um canto isolado da praia havia um garoto, ele olhava fixamente na minha direção, eu não sabia se ele estava me olhando por causa dos óculos escuros, ele vestia camiseta regata azul clara, calça jeans e tinha os pés descalços. Assim como os meus, seus cabelos pareciam estar atrapalhando-o também, pois de dois em dois segundos ele os afastava do rosto, e nossa, aquele gesto era simplesmente encantador, a forma que ele tirava os cabelos encaracolados e desordenados do rosto era no mínimo fascinante.
–Certeza que não é daqui. – falei para mim mesma sem desviar o olhar dele, ele era branquinho demais, perfeito demais para pertencer a aquele calor.
Em um movimento rápido ele pareceu me encarar mais fundo, simplesmente pareceu ficar paralisado com os olhos em cima de mim, como se seu olhar tivesse sido atraído por um imã ou algo parecido. No instante em que o fez eu fiquei paralisada, não me movi, estava curiosa demais com a reação dele para me importar em ser discreta. O garoto ficou me olhando durante alguns segundos, quando ergui os óculos escuros para vê-lo melhor ele me encarou com o rosto espantado, era como se ele tivesse visto um fantasma, ok não sou a Gisele Bündchen, mas também não sou, sei lá, o Batoré, ele não precisava ter se assustado comigo daquela forma.
Vi quando ele simplesmente ficou de pé rápido, tropeçando nos próprios pés e seguiu caminho, olhando de vez em quando para trás como se alguma coisa o estivesse perseguindo. Eu fiquei de pé, estava com vontade de correr até ele e perguntar qual era o problema, mas antes que eu o fizesse ele disparou, correndo na direção oposta feito o diabo fugindo da cruz, eu nunca tinha causado esse efeito em ninguém antes.
–Que garoto doido.
Narrador
Seus olhos começaram pestanejar lentamente, sua visão lentamente voltou a foco e ao ver o teto branco com uma luz branca florescente, Nídia se deu conta que falhara na tentativa de suicídio. Sua cabeça estava atordoada, a luz da lâmpada em seu quarto a incomodava, dificilmente a menina conseguiu olhar de lado, pois tudo ao ser redor girava. Quando fechou os olhos, de imediato várias imagens vieram à sua cabeça: Alex, México, Pais, Antiga Escola, Miami, começar do 0... – no desespero ela se agarrou ao lençol da cama — ...lutar, descobrir como continuar com a sua vida, ultrapassar obstáculos, discussões, o carro de presente , alta velocidade, frear de repente, carro capotando, vidros cortando sua pele... A garota abriu olhos, e de imediato pegou um saco que estava próximo e começou a vomitar, aparentemente, sangue.
Uma enfermeira que passava para ver como estava a paciente, ajudou a garota com um sorriso carinhoso, injetando um pouco mais de soro, limpando seus lábios, ajudando-a encostar-se novamente. A jovem parecia estar mais aliviada.
A garota suspirou, e levemente melhor, virou seu rosto para a janela. Estava chovendo sem parar, as gotas de água que corriam vidro abaixo, fizeram lembrar lágrimas que, sem pretender, começavam a brotar dos olhos castanhos cor de avelã de Nídia. Não percebeu que alguém se aproximava até que a pessoa bateu levemente na porta do quarto.
– Entre – convidou sem olhar.
– Vejo que está melhor.
Esse tom de voz era bastante parecido com o que Nídia ouvira antes de apagar por completo, a voz do seu salvador. Num gesto suave, virou sua cabeça na direção de onde ouvira a voz. Suas pupilas automaticamente dilataram-se, ela gostou do que viu: um rapaz alto, moreno, de olhos verdes hipnotizantes, lábios bem delineados, rosto perfeito, no pescoço um colar preto, braços fortes, peito com músculos bem definidos revestido por uma blusa branca apertada e blazer cinza escuro, cinto castanho, calça jeans preta e tênis All Star da mesma cor.
– Quem é você?
– Sou a pessoa que salvou sua vida garota – colocou as duas mãos na cama, abaixando-se um pouco para olhá-la mais de perto.
– E o que quer agora? – ela perguntou sentindo um nervosismo fora do comum, seu corpo estava todo arrepiado só por tê-lo próximo á ela.
– Calma – sussurrou ao ver que a garota estava nervosa– Me diga, porque quis se matar? – perguntou curioso
Nídia se irritou, além de ter fracassado aquele cara ainda queria saber seus motivos? Quem ele pensava que era para perguntar aquilo? Só uma maluca responderia.
– Não vou responder, e agora, se me faz o favor, saia.
– É assim que você trata a pessoa que salvou sua vida?
– E quem disse que eu queria que você me salvasse? – desafiou Nídia, o rapaz recuou um pouco para trás.
– Me diga pelo menos seu nome.
Sem nem ao menos saber, naquele momento ele fez a pergunta que mudaria suas vidas para sempre
– Como? – ela falou confusa – Bem... Se eu disser, você me deixa em paz?
Talvez não.
– Sim – respondeu com um sorriso encantador, mas sincero.
– Nídia. – respondeu olhando novamente para a janela – E agora pode me deixar sozinha? Preciso descansar.
– Não posso – comentou o rapaz
Nídia se virou rapidamente para ele, “Isso é uma piada?”, pensou, “Que caralho estava havendo?” O rapaz parecia estar em uma missão investigativa, saber o nome dela: O.K... mas o motivo dela tentar suicídio: já era ruim... mas o de não deixar ela sozinha já ultrapassava todos os limites.
– Mas quem acha que você é pra me fazer tanta pergunta?! – começou Nídia agressivamente
– Nem comecei a fazer tantas perguntas assim garota! – disse sorrindo e erguendo as mãos em um gesto de rendição.
– Ou você vai embora ou chamo a enfermeira e peço para ela ligar para a polícia dizendo que tem um maníaco no meu quarto!
– Acha mesmo que sou um maníaco? – ele riu alto
“Se vá ferrar!” pensou ela, e apertou sem pensar a campainha, chamando a enfermeira.
– Espera! – ele falou rápido agarrando a mão gelada de Nídia, seus olhares se cruzaram, o coração de Nídia disparou naquele momento. A mão forte daquele homem misterioso que estava queimando, como se dentro dele, ardesse um fogo– me diz apenas seu telefone.
“O que ele queria com ela? Por que tanto interesse?” Era a pergunta pela qual Nídia, ansiosa, queria saber a resposta. Mas tudo tem um preço, e se não arriscava a dar o seu número talvez não saberia a resposta dessa pergunta. Sim, também por outro lado era perigoso dar seu número, afinal ela não o conhecia.
A enfermeira, que chegou a ouvir alguma troca de palavras e gestos, tocou suavemente na porta, olhando para a cena com curiosidade. Realmente aquilo era interessante.
– Me chamou? Sente-se pior?
“Muito bem Nídia, e agora? Que pensa fazer?” pensou a garota, iria arriscar a dar o seu número, ou dizia a verdade do que acontecera à enfermeira e perdia a oportunidade saber ele queria.
– Nada – falou rápido – Fui eu que sem querer toquei na campainha
O rapaz, com um sorriso, desviou o olhar de Nídia para a enfermeira que olhava para eles dois com certa intriga. O relógio tocou as 18h e a enfermeira avisou ao o horário de visitas acabara, e que apenas tinha 1 minuto para se despedir da paciente.
– Podia ter dito a verdade à enfermeira e não disse? – desafiou com um ar encantador mas ao mesmo tempo malicioso, abaixando-se novamente para apreciar a garota mais de perto — Isso me leva a pensar, porquê?
– Talvez porque quero saber o porquê de tanto interesse em saber tanto de mim – retribuiu desafiando, sem olhar, para o rapaz, na tentativa de procurar um papel e uma caneta ou lápis.
Ao acabar de escrever seu número de celular, e tendo o papel na sua mão, olhou diretamente nos olhos do rapaz para decifrar o mistério.
Estes transmitiam-lhe uma certa segurança, e sem pensar mais no assunto entregou.
Com ar vitorioso o rapaz estava disposto a sair da sala, se não fosse a pergunta da garota ao impedi-lo.
– Qual é o seu nome? – perguntou Nídia com curiosidade.
O garoto que estava de costas, se virou para responder .
– Gabriel – respondeu com um sorriso – Gabriel Blanco.
E assim, com o mesmo sorriso, saiu do quarto, deixando –a intrigada, mas com o nome dele em sua cabeça.
“Gabriel”, pensou
Sorriu para si mesma, olhou uma última vez ao seu quarto e deu de ombros.
Ela não iria agüentar estar mais um minuto ali e não, ela não iria esperar que lhe injetassem mais porcarias, nem que enfermeiras e médicos lhe viessem perguntar como ela se sentia. Droga, estava de saco cheio com tanta pergunta, e mais se fosse "Se sente bem?".
Ao avistar sua rouba cerca de uma maca vazia, retirou de seu pulso a fita com seu nome e o fio de soro dando um salto da cama. Vestiu-se rapidamente e saiu daquele inferno rumo à sua casa.
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