Notas iniciais
INTRODUÇÃO
A vida muitas vezes nos prega peças, nos engana e acaba destruindo todos os planos que uma vez fizemos. Mas, por que ela faz isso? Será que quando pensamos que sabemos o que queremos, nós REALMENTE sabemos?
Algumas pessoas acreditam que a vida já está escrita, que todas as decisões que tomaremos e que tudo o que faremos durante todos os nossos dias na Terra nos arrastará para algo que já está predestinado. E você? Acredita em destino?

Narrador

Do outro lado de Miami, num bairro conhecido por ser um dos mais tranquilos da cidade, um grupo de adolescentes se divertia ao máximo e abraçavam a escuridão da noite para esconder seu vandalismo.

Reunidos na garagem de um dos rapazes do grupo, a música alta governava o ambiente, um casal de namorados fumavam o cigarro um do outro, dois rapazes faziam grafite num papel colado à parede fora da garagem. Naquele local, naquela noite havia de tudo, álcool, cigarros, drogas e boa companhia, um momento de total descontração.

– Está gostando da festa Drew? – Chris de estilo dread, o dono da garagem e da casa se aproximou do amigo.

O garoto de cabelos castanhos, olhos verdes, rosto perfeitamente delineado, colar negro em volta do pescoço, camiseta preta, jeans escuro e All star com frases escritas a caneta, se virou para o amigo.

– Já tive melhores – fumou passivamente o cigarro de maconha que tinha em mãos, deixando a fumaça escapar por entre os lábios compassadamente.

– Ei, como vai o negócio de seu pai? – Chris perguntou bebendo um gole de cerveja direto da garrafa.

Drew encarou pensativo a rua antes de responder.

– Não sei, eu não me meto nos assuntos dele e ele não se mete nos meus, isso facilita as coisas.

Chris sorriu desviando o olhar do garoto para a mocinha sentada em cima do capô do carro antigo de tuning negro.

– A Verônica te come com os olhos – Chris riu entre as palavras voltando a beber e se afastando do amigo.

Drew deu uma olhada ao redor, pois é Verônica o comia com os olhos, mas ele não estava com vontade de pensar nisso agora. Se virou encarando os amigos espalhados pela garagem e, em um canto afastado ele notou mais um integrante da turma.

Kevin estava lá, cabelos castanho claros, médios e lisos caídos no rosto, os olhos azuis vagando solitários pelas paredes ao seu redor, um cigarro provavelmente de maconha entre os dedos, calças jeans azul clara surradas, camiseta azul escura com alguns desenhos sem sentido na parte da frente e um chapéu de cowboy na cabeça.

–Zegers! – gritou fazendo um gesto com o dedo do meio na direção do amigo, Kevin apenas o encarou, retribuiu o gesto e afundou o chapéu na cabeça, se acomodando melhor no sofá que ocupava e fechando os olhos.

Drew sorriu largamente encarando novamente a rua deserta, seu olhar estava perdido e seu pensamento estava longe. Uma garota loira o distraiu começando a dançar próximo a ele, Drew sorriu, ele sabia o motivo de estar sendo provocado daquela forma, não se opôs, apenas a agarrou pela cintura puxando-a mais para perto, pois é, a noite prometia.

O alarme da sirene dos carros de polícia fez todos fugirem como cavalos numa corrida, e apenas Drew e Kevin ficaram para esconder o material ilegal. Dois policiais desceram do carro encarando firme os dois garotos na rua.

– Algum problema senhor? – Drew cruzou os braços

– Sim: muita algazarra, muita bebida quer que continue? – o policial observou o local – os vizinhos estão reclamando da música. E vocês dois agora podem nos seguir até a delegacia.

Os dois se encararam, Kevin esboçou um sorriso, Drew sorriu também, boa escolha para ter permanecido, Kevin não era o tipo de cara que se desesperava com pouca coisa, na verdade ele não se desesperava com nada.

– E se não quisermos? – Drew desafiou, enquanto Kevin puxava o cigarro de maconha que tinha no bolso e o acendia ali, na frente do policial.

Os policias pareceram perceber a afronta, pegaram as algemas e se aproximaram dos dois garotos, Drew sorriu, ele não tinha medo daquilo.

– Não se mexa e venha conosco.

– Não me mexer? – Drew se manifestou. – mas, se eu não me mexer, como vou com vocês? Não faz muito sentido.

– Não seja grosseiro, venha conosco agora.

Drew se ajoelhou assim como Kevin ao seu lado, os policiais encararam os dois amigos, enquanto Drew visivelmente gostava de provocar e irritar, Kevin estava quieto.

Os policiais puxaram os dois amigos com firmeza e os colocaram dentro do carro, Drew se sacudia e gritava ofensas enquanto Kevin parecia estranhamente quieto.

– Você gostaria de se tornar famoso? – Drew perguntou ironicamente na direção do policial.

– Do que diabos está falando?

– É que você parece ser um cara legal, senhor... – o garoto olhou a placa com o nome do policial -... Walker.

O polícia deu um suspiro de cansaço.

– Onde quer chegar?

– Tem ideia do que eu fiz? – Drew começou — tem ideia de quem sou?

O policial encarou os garotos através do espelho retrovisor, Drew ainda tinha um sorriso irritante estampado no rosto, enquanto Kevin apenas olhava janela afora.

–Eu sugiro que siga o exemplo do seu amigo ai do lado e fique calado de uma vez por todas.

Drew gostava de irritar, e apesar do policial parecer visivelmente cansado, ele não se cansava.

– Quero ver minha namorada.

– Talvez mais tarde – respondeu o policial sem olhar para Drew.

– Ela está grávida – Drew falou respirando fundo — se me deixarem ver ela, eu confesso tudo, até o que nem vocês sabem!

Sem a mínima paciência o policial acelerou ainda mais o carro, arrancando de forma brusca na direção da delegacia, os dois amigos foram obrigados a dormir lá, e no dia seguinte, Drew e Kevin saíram da sela para a sala de espera onde, Paul, pai de Drew, os aguardava com decepção no olhar. O policial desprendeu as algemas de seus pulsos. E Paul acompanhou Drew e Kevin até ao carro, seguindo direto na direção de sua oficina mecânica, onde naquele instante um carro estava sendo consertado.

–O que vocês dois tem na cabeça? – Paul encarou os dois garotos, Kevin sorriu, deu de ombros e estendeu a mão na direção do Drew, o amigo o cumprimentou e ele sem nada dizer, se virou e saiu sem olhar para trás.

–KEVIN! – Paul chamou, mas o garoto não voltou, Drew encarou o pai.

Por favor, você acha que o Kevin ia ficar aqui para escutar lição de moral sua? Se toca pai, eu sou seu filho e não quero ouvir.

– É assim que me paga todo o esforço para que você vença na vida? Se drogando e se envolvendo com um bando de marginais?

Drew encarou o pai, havia fúria nos olhos verdes.

–Não me diga o que devo ou não fazer, você não me conhece.

–Sou seu pai.

–Então aja como um, ah mas espera, você está ocupado demais cuidando dessa porcaria de oficina. – ele falou irritado. – olha, conversa com um dos seus carros, tenho a leve impressão de que nenhum deles vai te desapontar.

E dando as costas para o pai em um gesto de descaso ele seguiu caminho.


Nídia’s P.O.V

Seu rosto visivelmente assombrado me deixou petrificada, eu não sabia o que fazer ou como agir naquele momento, apenas queria sair dali. E assim o fiz: me virei, abrindo a porta com rapidez e corri. Corri pelo corredor silencioso da escola o mais rápido possível, “Ele é meu professor” pensei enquanto corria desesperadamente “Eu não me importo de me mudar novamente para outra cidade, eu apenas não posso, nem devo, voltar a vê-lo”.

– Ai! – resmunguei esbarrando em alguém, me sentia tonta, tudo à minha volta estava girando.

– Nídia?

– Bianca?! – não podia acreditar no que via – então esta é a escola onde você vai dar aulas?

– É sim, sou professora de Artes Cênicas e você vai ser uma de minhas alunas.

Eu tinha que lhe contar, não importa o comentário eu tinha que desabafar com alguém. Segurei suas mãos e a olhei firme.

– Tenho um problema muito grave, se prepare.

– O que aconteceu? – perguntou começando a ficar preocupada

– O cara que você viu sair hoje mais cedo lá de casa...

– Ah sim – me interrompeu com um sorriso malicioso – um gato devo admitir.

Ela nem sabia o que eu estava para dizer.

– Bianca – disse me aproximando mais dela – esse gato é meu professor. Gabriel é meu professor de Música.

Como esperava: sua expressão se transformou de risonha para atônita, surpreendida, espantada. Nesse momento, um homem de óculos a chamou para dar sua primeira aula. Ela o olhou ainda em choque colocando seus óculos e voltando a me encarar.

– Eu não ouvi nada, eu não a vi – falou nervosa tentando voltar à realidade – Pascual me chamou para minha primeira aula. Depois falamos em casa, ta bom?

Forçou o sorriso pegando a bolsa e seguindo pelo corredor. Sim, assim como eu, aquilo para ela tinha sido uma notícia forte.

Eu apenas voltei a olhar uma última vez para a porta da sala de aula do fundo, caminhando novamente pelo corredor em sentido contrário, desta vez, para sair da escola. Sim, eu iria faltar a todas as aulas, eu não estava nem com vontade, nem com humor para encarar nada naquele momento.

Lizzy’ P.O.V

Minha primeira aula era canto. Agora me diz, por que diabos alguém que está na academia de artes por causa da dança tem que pagar cadeira de canto? Pois é, povo imbecil.

Quando enfim consegui chegar na sala, vi que todos os alunos já estavam lá e que eu provavelmente era a única atrasada.

–Bom dia. – falei sorrindo enquanto a sala em peso me encarava. O que era? Eu era assim tão bonita?

–Bom dia? – uma mulher loira me encarou, provavelmente era a professora, pois era a única de pé, ah quer saber? Quem ligava? Eu não conseguia raciocinar muito bem de manhã mesmo. – eu diria boa tarde senhorita. – ela falou com sarcasmo se referindo ao meu atraso.

Ui uma professora sarcástica? Ninguém avisou pra ela que quando se dizia respeito a sarcasmo eu não era aluna?

–Tarde, professora? – perguntei de má vontade, dando um gole no meu café, tirando os óculos escuros e encarando o relógio que estava na parede acima de alguns espelhos. – bom, são oito e meia, quer dizer, ninguém nunca te ensinou que tarde é só depois do meio dia?

Escutei risos abafados, eu sempre causava esse efeito em meio ao público.

–Bem engraçadinha a senhorita, não é?

Eu odiava quando me diziam aquilo, eu não era engraçada, eu era realmente má, mas as pessoas sempre pensavam que eu estava brincando.

–Você acha? – falei com toda a ironia que pude reunir. – nossa que bom, acho que vou desistir da dança e vou para o circo.

Mais risos abafados.

–Posso me sentar? – perguntei encarando-a, ela me olhou dos pés à cabeça, visivelmente olhando minhas roupas, eu me estressei, só Deus sabe como odeio pessoas que olham as outras dessa forma.

–Um e cinquenta e sete. – falei rápido e ela me encarou confusa.

–Como disse?

–Minha altura é um e cinquenta e sete.

–Por que disse isso?

–A senhora não estava me medindo com os olhos? Achei melhor dizer logo, poupa tempo.

Algumas pessoas na sala sorriram, outras me olharam como se eu fosse louca.

–Posso me sentar? – comecei olhando na direção de uma pequena lousa que havia em um canto, lá estava escrito, professora Ana Conde. – Anaconda? – perguntei rápido, ela me encarou vermelha.

–O que disse?

–Ow desculpe, é que passei o olho muito rápido, é Ana Conde e não Anaconda, desculpe mais uma vez cobra, digo, professora.

Agora as pessoas que abafavam risos já riam alto sem conseguir se conter, ela olhou da turma para mim.

–A senhorita pode se sentar sim, mas na sala do diretor. Vamos, agora mesmo, fora da minha sala.

–Eu nem entrei. – falei e ela pareceu notar que eu ainda estava na porta.

–Mesmo assim, vai sai, fora!

Eu sorri, tinha como ter começado melhor? Claro que não!

Notas finais
Muito obrigada a todas as reviews ♥
Escrito:
Lizzy - Lizzy POV
Nídia - Narrador e Nidia POV
Gostaram desse capítulo?
Bjs!