Close To The Flame

9 Dangerous Relationship


Notas iniciais
Oi! Novo capítulo, esperamos comentários. Obrigado!

Harry’s P.O.V

Pois é, tentei, juro que tentei, mas acabei me atrasando para o primeiro dia de aula, pois é, a história do videoclipe e a frustração de provavelmente não poder estar nele estava deixando minha cabeça a mil .

Subi os degraus a passos apressados, saltando de dois em dois, peguei meu horário, guardei as coisas que não iria usar no armário e segui caminho praticamente correndo pelo corredor vazio.

-Qual será a primeira aula? – falei para mim mesmo, pois é, tenho a mania de falar sozinho.

Abri o horário enquanto ainda caminhava e me dei conta de que era realmente um idiota.

-Canto? – falei parando no meio do corredor e analisando o papel em minha mão. – espera.

Olhei para a sala que estava na minha frente, sala 15. Merda! Eu estava andando para o lado errado.

Corri na direção oposta, isso é o que eu ganho por começar a caminhar feito um retardado sem ter olhado o número da sala antes.

Cheguei na frente da sala 09 e parei olhando o interior por uma pequena janela de vidro na porta branca, todos já estavam lá, uma música lenta era tocada ao piano, provavelmente para aquecer a voz dos alunos e eu estava atrasado... Novidade.

Empurrei a porta com firmeza e para a minha surpresa ninguém me olhou, pois é, estavam ocupados demais aquecendo suas vozes, pelo menos isso.

- Desculpe professora, cheguei atrasado por que... – comecei encarando a mulher loira que estava de pé de frente a turma.

- Mais um aluno atrasado? – ela falou sem me olhar, ainda de olhos fixos na turma que parecia extremamente concentrada. — você tem relógio por acaso? Ou todos os alunos novos precisam de mapa?

Fiquei um segundo encarando-a. Eu tinha sido rude? Porque aos meus ouvidos eu tinha acabado de levar uma patada.

- Já vou avisando que não quero mais atrasos na minha aula. Todos os alunos da Cervantes sabem disso, os novos como sempre só me dão trabalho. – ela continuou.

Espera? O que ela queria? Que os alunos novos sei lá, tivessem uma bola de cristal ou coisa assim? Eu estava pronto para pedir desculpas, mas se era com falta de educação que ela ia me tratar, era assim que eu ia responder.

-Me desculpe professora, acho que a bola de cristal que eu uso para adivinhar esse tipo de coisa ficou na outra roupa. – falei irritado.

Ela ainda não me olhou, pareceu querer me ignorar até o último fio do meu cabelo, e olha que eu tenho cabelo pra caramba.

-Pode tomar seu lugar, senhor...? – ela perguntou ainda me ignorando, eu já estava começando a ficar irritado não apenas com ela, mas com a sala inteira que parecia estar em um universo paralelo ignorando totalmente a minha presença e a falta de educação daquela bruxa.

-Styles. – falei de má vontade cruzando os braços de frente ao peito, ainda estava decidindo se queria entrar ou não depois de tudo o que ela dissera. – Harry Styles.

A professora finalmente se virou para me encarar quando eu disse meu nome, não só ela, mas todos os alunos se viraram pra mim de uma só vez , eles tinham ensaiado?

-Harry Styles?

-Harry Styles do One Direction?

-É ele mesmo?

-Ow meu Deus como ele é lindo.

-Não acredito...

Os burburinhos começaram a tomar a sala de aula enquanto a professora me encarava visivelmente embaraçada.

- Senhor Styles – ela falou em tom delicado, se sentando em cima de sua mesa – perdoe minha indelicadeza, eu não sabia que era você.

Fiquei encarando-a enquanto os burburinhos apenas aumentavam.

- O motivo de meu atraso foi que... – comecei a me justificar novamente.

- Não se desculpe, não há problema algum se quiser chegar um pouco atrasado na minha aula.

-Não há? – duvidei

Uau que rapidez na mudança no humor.

- Sim claro, mas só uns minutinhos – ela falou sorrindo e se dirigindo ao centro da sala — vamos todos continuar com o aquecimento! Meninas, por favor, controlem-se.

Sorri encarando o chão e balançando a cabeça. Sério? Sério que ela ia me tratar melhor do que aos outros só porque eu era sei lá, eu? Me dirigi ainda incrédulo até o meu lugar, passando por um monte de olhares deslumbrados e assustados ao mesmo tempo.

Quando me sentei, vi a professora se aproximar. O que ela queria comigo?

-Estamos trabalhando aquecimento, é a primeira parte da apostila, mas você não precisa aquecer Harry, eu sei que sua voz é maravilhosa – ela falou e sorriu angelicalmente passando a mão no meu rosto.

Eu fiquei encarando-a enquanto ela se virava e voltava a falar com a classe. Que mulher doida. Agora só porque eu tinha uma voz, segundo ela, maravilhosa eu não precisava me aquecer? Que espécie de professora ela era? Era claro que eu precisava de aquecimento, se o Savan me visse cantando sem me mataria. Senti um aperto no coração ao ver todos ao meu redor seguindo os exercícios rigorosamente. Meu, que saudade da época do X fator.

- Não se preocupe Harry – uma voz me despertou e eu encarei quem falava.

Uma garota de cabelos loiros cacheados, olhos azuis e camiseta justa me olhava dos pés à cabeça

- Você não foi o único a se atrasar, alguns segundos antes de você chegar ela expulsou uma garota. – comentou abertamente – sabe por quê? Pela forma irônica de falar e bem, a professora Ana Conde não suporta pessoas mal educadas. – ela terminou e começou a mastigar seu chiclete em tom convencido.

Anaconda? Tava explicado de onde vinha tanto veneno.

- É verdade – uma garota de cabelos negros comentou. – ela foi expulsa, mas a professora teve um jeito diferente de falar com você, com ela foi um pouco mais agressiva.

Mais agressiva do que comigo antes de saber que eu era eu? Puts, o que ela tinha feito? Apontado uma arma pra cara dessa garota?

-Com você ela não falaria da forma que falou com a garota. — dois garotos que estavam brincando de uma forma que me fazia lembrar Zayn e Louis se juntaram à conversa. – porque você tem uma voz maravilhosa. – um deles falou em tom de deboche imitando a professora.

-Para com isso Drew. – a garota loira advertiu, mas ele apenas sorriu.

-E cachinhos nos cabelos. – ele continuou ignorando a advertência da loira e passando a mão nos próprios cabelos, eu o encarei. Era para ser engraçado?

-Não pedi para ser tratado diferente. – falei entredentes.

-Imaginamos que não, você até meio que sei lá, deu uma resposta legal pra ela, mas nada que se compare ao que a garota que foi expulsa falou.

-Lizzy. – o tal de Drew falou rápido. – quantas vezes vou ter que repetir Indhira? O nome dela é Lizzy.

-Que seja.

-E o que ela fez? – perguntei em tom intrigado, o tal de Drew sorriu.

-Deixou a professora com a cara no chão.

-A falta de educação em pessoa. – a garota loira começou novamente.

- Eu teria feito o mesmo que ela. – Drew se defendeu. — ela meio que se revoltou, eu achei muito engraçado quando ela chamou a professora de anaconda, na verdade, acho que todos aqui pensam assim, mas ela teve coragem pra falar. – o tal de Drew começou novamente. – a Lizzy é demais.

Eu olhei de um para o outro, o garoto que estava sentado ao lado do tal de Drew não se manifestava, apenas nos encarava sorrindo de vez em quando. A tal de Indhira pareceu notar que eu o observava.

-Nem se preocupe, o Kevin não fala. – ela falou firme e eu vi o cara que estava com o Drew lhe mostrar o dedo do meio. – mas, nem precisa fazer isso para ser um grosso de carteirinha.

Eu fiquei observando-os durante alguns segundos mais, depois voltei a me concentrar na garota que fora expulsa da sala. Quem era ela?

Gabriel’s P.O.V

Eu estava tonto, como eu ia poder continuar a dar aula com a imagem daquela cena em minha cabeça? Não podia ser verdade, não mesmo.

-Pessoal, eu vou deixar vocês passando as primeiras notas e volto em um segundo, ok? – falei encarando a turma, alguns fizeram gestos positivos com as cabeças, outros pareceram nem me escutar do tanto que estavam concentrados.

Segui sala afora direto para a sala dos professores, eu precisava falar com alguém, precisava pelo menos ter uma noção do problema no qual eu havia me metido.

-Nossa Gabriel, parece que viu um fantasma.

Eu ergui os olhos para constatar que acabara de dar de cara com Enrique, ele sorria na minha direção.

-Desculpe cara. – falei me atirando em uma das poltronas da sala.

-Algum problema?

Milhares. O encarei, Enrique sempre fora um cara honesto, gentil, conselheiro e sem falar que nos conhecíamos há anos.

-Eu estou ferrado. – falei de repente, ele me encarou com o olhar preocupado.

-Do que está falando? O Pascual ou o Gastão fizeram alguma coisa?

-Não, não foram eles dessa vez, fui eu mesmo, sou um imbecil, idiota, burro...

-Calma cara, quer conversar sobre isso? Quem sabe eu posso ajudar. O que houve?

Respirei fundo encarando o Enrique novamente.

-Eu dormi com uma aluna.

-O QUE? – eu sei que o grito não foi de propósito, mas não pude deixar de me surpreender com a reação dele. – desculpe. – ele falou passando a mão pelos cabelos e parecendo voltar a si. – mas, Gabriel como isso aconteceu? Você sabe que isso é uma violação...

-Do código aluno-professor sei disso Enrique. – falei irritado, eu já sabia daquilo.

-Não! Não é só isso, é uma violação do código de ética do nosso país, Gabriel isso é crime.

Enrique me encarou com o olhar perdido.

- Cara como você foi fazer isso? Uma garota menor de idade...

-Eu não sabia. – me defendi. – nos conhecemos fora daqui e ela me disse que tinha vinte e um quando na verdade tem só...

-Dezessete. – Enrique constatou e eu baixei a cabeça visivelmente derrotado. – cara que confusão. Você falou com ela?

-Não. – falei lembrando do que havia acontecido, Nídia simplesmente tinha saído porta afora tão assustada quanto eu. – ela pareceu tão assustada quanto eu quando constatou os fatos. Cara sinceramente não sei o que fazer.

-Acha que ela pode querer te denunciar?

Algo dentro de mim gelou. E se ela fizesse aquilo? Eu estava perdido.

-Não sei.

-Onde você a conheceu?

O acidente, o hospital, o bar, o quarto dela, tudo voltando a minha cabeça feito uma avalanche.

-Longa história.

-Olha Gabriel. – Enrique começou olhando na direção da porta, aparentemente alguém se aproximava. – o que você pode fazer no momento é conversar com ela, esclarecer as coisas e saber quais as intenções dela, sua vida está literalmente nas mãos dessa garota.

-Eu sei.

Fiquei um segundo quieto enquanto a porta abria e o Gastão entrava visivelmente irritado por ela.

-Ah, aqui está você. – ele falou se dirigindo diretamente a mim.

-O que foi? – falei impaciente ficando de pé.

-Sua turma está fazendo uma algazarra na sala e agora posso perceber qual é o motivo, o professor está aqui de papo com o mestre dos magos.

Enrique encarou o inspetor e abriu um largo sorriso, Gastão odiava a simpatia dele, odiava os conselhos dele e a forma que ele era útil a todos ao seu redor.

-Adoro a forma que você faz o dia ficar ainda mais brilhante com sua alegria, Gastão. – Enrique provocou enquanto o inspetor o olhava de cima a baixo com um ódio incomum. – Gabriel, você vem?

Só então reparei que Enrique tinha a porta aberta e me fazia um gesto com a cabeça. Fiquei de pé e o segui, naquele minuto a única coisa que estava na minha cabeça era a Nídia e a forma que ela literalmente me tinha nas mãos.

Notas finais
Harry POV & Gabriel POV - Lizzy