Close To The Flame

10 Looking for Clues


Lizzy’s P.O.V

Fiquei sentada na sala de espera da diretoria balançando os pés e olhando ao redor, a secretária do diretor me olhava de vem em quando e logo em seguida desviava o olhar para encarar alguns papéis em cima de sua mesa.

-É sério, já estou criando raízes aqui. – falei impaciente. – quando ele vai me receber?

-Se eu fosse a senhorita não estaria tão ansiosa para vê-lo. – ela falou sem desviar os olhos dos papéis. — o senhor Pascual é muito rígido e não vai gostar nada de tê-la aqui em seu primeiro dia na academia.

Eu ignorei o comentário, desde quando eu tinha medo de alguém ou de alguma coisa na vida? O tédio estava ficando insuportável e eu comecei a fazer algo que admito, é bem irritante, mas era tudo o que eu tinha para fazer no momento.

-O que é isso? – a secretária enfim me encarou enquanto eu fazia barulhos estranhos com a boca.

-Estou matando o tempo. – falei simplesmente.

-Sério? Pare já com isso é irritante.

Eu parei e a encarei novamente.

-Então acho melhor voltar lá dentro e pedir pra esse senhor da páscoa...

-Pascual! – ela me corrigiu.

-Foi o que acabei de dizer, o que vem da páscoa não é Pascual? Não complica, faz favor.

Ela ficou me olhando paralisada como se eu fosse louca, está bem, talvez eu fosse mesmo.

A porta da sala do diretor enfim se abriu e ela me olhou firme.

-Pode entrar.

Fiquei de pé e segui até lá, quando entrei havia uma cadeira giratória de costas para mim atrás da mesa do diretor e eu conseguia ver o topo da cabeça dele, cabelos arrepiados e castanhos.

-Bom dia. – falei tentando ver algo nítido, mas a única coisa que eu via era o topo irritante da cabeça dele.

-Senhorita Elisabeth Backer presumo. – ele falou em um tom grave, eu fiquei quieta, será que ele era mesmo o que a secretária tinha dito?

-Sim sou eu.

-Sabia que era, a professora Ana Conde me falou de seu comportamento na sala dela.

-Meu comportamento? Alguém já disse para aquela mulher que ela é louca?

-Silêncio! – o tom de voz dele me assustou. – não vou permitir que fale dessa maneira na minha frente.

-Na sua frente? – me estressei, eu queria que ele olhasse pra mim, aquele topo de cabeça estava me deixando irritada. – então olhe para mim.

Ele não se moveu, apenas girou a cadeira de um lado para o outro ainda sem se mostrar, o topo de cabeça girou parecendo um disco em uma vitrola.

Me irritei, ok eu não era a pessoa mais paciente do mundo, mas me diz se aquele topo de cabeça girando de um lado para o outro não irritaria qualquer um? Me aproximei da mesa dele, subi nela ficando de joelhos e acertei um tapa bem seguro no topo de cabeça, de imediato quando pulei no chão o diretor se virou.

-Enlouqueceu garota?

Ah, agora ele estava me olhando.

-Ah, agora podemos conversar já que eu estou te vendo e não só esse disco de vinil que você tem em cima da cabeça.

-Quem a senhorita pensa que é para me tratar dessa forma?

-Ninguém e quer saber, se quiser me expulsar daqui vai ser um alivio para mim, já estou de saco cheio dessa academia.

Ele me encarou, a raiva dando lugar a indignação e a curiosidade.

-Mas, é seu primeiro ano aqui e nem assistiu a primeira aula, como já pode estar cansada?

-Pra você ver o nível de chatice da sua academia.

Vi ele respirar fundo e ficar de pé para me olhar melhor.

-Pelo que posso observar... – ele começou me olhando dos pés à cabeça. – teremos muito trabalho com a senhorita.

-Trabalho algum. – falei rápido jogando os cabelos de lado e encarando-o de perto. – o senhor tem cigarro?

Ele arregalou os olhos me encarando assustado por um segundo, mas depois encarou a mesa e pareceu relaxar.

-Boa tentativa senhorita, boa tentativa. – ele falou sorrindo e voltando a se sentar, só que dessa vez de frente a mim. – sei que não fuma, tenho sua ficha, posso ver por aqui que é uma das bailarinas mais conceituadas e cogitadas do mundo apesar de ter apenas dezessete anos.

Eu fiquei quieta, eu sabia de tudo aquilo.

-E para a nossa academia é um prazer tê-la em nosso corpo de alunos.

-Desenvolve logo. – falei irritada, aquele lenga lenga estava me deixando extremamente irritada. – me diz o que eu tenho que fazer, sei lá, limpar os corredores, lavar os banheiros...

-Na verdade nada disso, vou te dar uma advertência que entrará no seu curriculum.

-Sério? – falei simulando um tom de horror. – ow meu Deus.

-Eu sei, é algo realmente horrível.

Eu comecei a rir, era só eu ou aquele diretor parecia um idiota completo?

-Você leu meu curriculum até o fim? – perguntei e ele me encarou.

-Não precisei.

-Pois é, se tivesse lido veria que a sua não será a primeira advertência que eu recebo na vida, se realmente abrir minha pasta algum dia vai ver do que estou falando. Agora posso ir?

Ele me encarou e me fez um gesto com a mão para que eu saísse. Que cara idiota.

-Ah, e acho bom o senhor começar a usar shampoo para a calvície, a situação no topo da sua cabeça está começando a ficar ruim tipo santo Antônio, sabe?

Ele colocou a mão nos cabelos de imediato, eu saí sorrindo.

-Alice. – pude ouvir a voz dele no telefone quando passei pela mesa de sua secretária. – traga a pasta completa da senhorita Backer.

Eu sorri imaginando a cena. Pascual pegou a pasta e a abriu, na parte de advertências, bem... Ele quase se afogou em tanto papel.

-Garota louca.

Narrador

Harry saiu da sala se sentindo péssimo, não gostava de ser tratado melhor do que os outros só por ser famoso, aquilo o irritava em Londres e o estava irritando em Miami.

-Como podem ver... – ele escutou uma voz familiar e se virou para ver o que estava havendo.

Drew se aproximava, caminhando a passos firmes, o tal de Kevin ao seu lado e mais alguns caras e algumas garotas também, Harry reparou que se vestiam de forma parecida, talvez fossem da mesma turma, ou gangue.

-Aqui à direita temos os armários diários, é neles que colocamos as coisas que não usaremos ou as que não queremos que os professores vejam...

Drew falava como se estivesse guiando aquelas pessoas, Kevin ao seu lado apenas ria dos comentários do amigo assim como os que estavam com eles.

-Temos a sala de dança no fim do corredor. – ele ainda falava e fazia gestos com a mão apontando os lugares, Harry decidiu ignorar, ele já tinha conhecido pessoas como Drew e sinceramente não via a mínima graça nelas.

O inglês se virou para seu próprio armário começando a pegar suas coisas quando escutou algo que o fez parar de imediato.

-E ali, debaixo dos holofotes, temos a coisa mais interessante da Cervantes Academy of Arts até hoje, ele, a estrela mundial Harry Styles!

Harry respirou fundo tentando se controlar, nunca fora uma pessoa violenta, não mesmo, mas também não era de ficar calado, a maioria das confusões que Simon dizia que ele arranjava era exatamente por causa disso, Harry era um tanto quanto mal criado.

Ele resolveu continuar ignorando os risinhos e os comentários, pegou sua bolsa da Jack Wills (sua marca favorita de... tudo), jogou em um dos ombros e deu um passo para trás, no intento de fechar o armário.

-Se quiserem tirar fotos, pegar autógrafos sugiro que façam uma fila. – Drew continuou a provocação. – afinal, o garoto é uma estrela e não está acostumado a pobres mortais como nós.

Harry continuou tentando se conter enquanto colocava seus materiais de volta na bolsa.

-Cuidado também na hora de se aproximar, olhem só o rostinho dele, é tão delicado, pode quebrar.

Está bem aquilo já estava saindo do controle, Harry era acostumado a hostilidades das pessoas que não gostavam da banda, mas hostilidade de alguém que nem ao menos o conhecia? Já era demais.

-Ele parece um daqueles anjinhos de igreja, não é? – Drew continuou ignorando o visível incômodo do garoto e de algumas pessoas ao redor que estavam achando a situação no mínimo ridícula. – olha só como os olhinhos dele são azuis, como a pele é branquinha e os cabelinhos cacheados, tão fofo.

A ironia que Drew colocava em cada palavra estava deixando Harry cada segundo mais irritado.

-Pois é pessoal, o queridinho do mundo da música, agora é o queridinho dos professores também. Vocês precisavam ver só a facilidade com que ele conquistou a professora Ana Conde, só pelo simples fato de falar seu nome... Me diz, ei dos cachinhos, sua vida sempre foi fácil assim?

Ok, aquilo já era demais, quem Drew pensava que era para ficar fazendo aquele tipo de piada? Ele não conhecia Harry, não conhecia sua história, não sabia quantos obstáculos ele tivera que transpor para chegar aonde chegara.

-Lá na terra da rainha caduca eles te tratavam assim também?

Esse último comentário sugou todo o esforço que Harry fazia para se manter calmo. Drew não podia ser tão arrogante e idiota ao ponto de desrespeitar a Rainha, não mesmo. O garoto se virou, encarando Drew no exato momento em que ele passava por suas costas.

-Você se acha engraçado? – Harry falou firme e as pessoas que estavam ao redor pararam para ver a cena.

-Como disse? – Drew o encarou parando de rir de imediato, pela expressão em seu rosto estava claro que ele não esperava uma reação de Harry.

-Eu perguntei se você se acha engraçado falando esse monte de bobagens por aí.

Os olhos verdes se estreitaram encarando os azuis que pareciam estranhamente calmos e controlados, apesar do furacão de raiva que se formava dentro do dono deles.

-Quem você pensa que é cachinhos para falar comigo dessa forma?

Harry riu alto em tom de deboche, era exatamente nesse ponto que ele queria chegar.

-Não, quem VOCÊ pensa que é para falar comigo dessa forma. Primeiro de tudo, você não me conhece, não sabe nada sobre mim, não sabe tudo o que enfrentei para chegar aonde cheguei.

Drew fez menção de se manifestar, mas Harry ergueu a mão impedindo-o apenas com um gesto leve e gracioso.

-Eu ainda não terminei e na terra da rainha caduca como você mesmo disse, quando uma pessoa está falando a outra respeita, isso se chama educação, coisa que eu não sei se você possui.

Os burburinhos ao redor só aumentaram com o comentário do garoto, Drew parecia mais irritado a cada segundo.

-E mais uma coisa. – Harry continuou ignorando o visível ódio no olhar de Drew. – eu não te dei a liberdade para me chamar de cachinhos, só meus amigos me chamam assim, pra você é Harry Styles, isso se puder se dirigir a mim feito um ser humano educado, se não puder, pode esquecer meu nome. Com licença.

Drew ficou paralisado enquanto Harry simplesmente batia a porta do armário com força e seguia corredor afora pendurando a mochila no ombro direito. No fim das contas, o anjinho de igreja não era tão anjinho assim.

Ele não podia ir para casa naquele instante, tinha que falar com o diretor, pois é, Simon pedira para ele deixar as autoridades da academia cientes de que algo poderia acontecer e ele teria que faltar a algumas aulas para voar para Londres se fosse necessário, por isso ele decidiu que falaria logo.

-Ow senhor Styles. – o sorriso que a secretária do diretor abriu ao vê-lo o fez lembrar de imediato a professora de canto e Harry teve que realmente forçar um sorriso.

-Olá. – ele falou e forçou o olhar para ver o nome escrito na mesa dela, aquilo era Alice? – Alice. – ele arriscou, realmente não conseguira ver direito. A secretária sorriu, ele respirou aliviado, ele tinha acertado. – posso falar com o diretor por um minuto?

-Eu bem que queria poder te deixar entrar agora senhor Styles...

-Harry! – ele falou rápido. – por favor, me chame de Harry.

-Ok. – ela falou com mais um sorriso. – o diretor ficaria muito satisfeito em vê-lo Harry, mas no presente momento ele está um pouco ocupado com uma aluna que é meio problemática acho eu.

Harry sorriu ao ver o tom de confidência com que a secretária dissera aquilo.

-Ok, eu posso voltar outro dia.

-Se quiser esperar por ele, apesar de que eu acho que vá demorar um pouquinho.

-Não se preocupe amanhã eu volto antes da aula e falo com ele.

-Ok se prefere assim, até amanhã então.

Harry sorriu acenando para a secretária que retribuiu o gesto, ele mal sabia que se tivesse esperado por mais um minuto teria encontrado a garota que tanto procurava... Lizzy.

Notas finais
Lizzy & Harry POV - Lizzy