Close To The Flame

11 Dreams can Kill


Lizzy’s P.O.V

–Ei vai com calma aí. – foi o que consegui dizer depois de quase ser atirada de costas no chão quando Drew simplesmente passou feito uma bala por mim no corredor da academia. – que bicho te mordeu?

Ele estava visivelmente irritado e aquilo não parecia ser nada bom.

–Eu ainda vou arrancar cacho por cacho dos cabelos daquele imbecil. – ele começou enquanto ainda respirava com dificuldade.

–Drew, faz sentido, por favor. – pedi sem entender nada do que ele dizia.


Ele enfim respirou fundo e me encarou, as pessoas que estavam ao seu redor pareceram um pouco aliviadas quando ele o faz.

–Ah Lizzy, desculpe. – ele falou forçando um sorriso na minha direção. – desculpe mesmo por ter esbarrado em você, na verdade eu estava querendo ir atrás de um idiota.

–Um idiota de cabelos cacheados, suponho. – falei quando ele me encarou.

–Isso mesmo.

–E posso saber o que aconteceu para você querer... Arrancar cacho por cacho dos cabelos dele? – perguntei, essa última parte falei imitando o tom de voz que ele usara mais cedo, Drew sorriu.

–É um imbecil, vem lá do fim do mundo com aquele sotaque inglês de bicha e pensa que é o dono de tudo, mas ele vai ver só.

–Sotaque inglês de bicha? – falei abrindo um largo sorriso. – eu gosto de homens com sotaque inglês, acho charmoso.


Ele olhou de mim para o pessoal que o acompanhava.

–Sério? – ele se manifestou sem acreditar.

–Sim, sempre gostei.


Ele balançou a cabeça em um gesto negativo.

–Ah pessoal desculpe, essa é a Lizzy, Lizzy esses são Chris, Verônica e... Onde está o Kevin?

Chris e Verônica deram de ombros.

–Qual o problema daquele garoto? – Drew falou para si mesmo como se pensasse alto.

–Kevin? – perguntei intrigada.

–Sim, ele é meu melhor amigo, meio calado e na dele, odeio quando ele some de repente e sem dizer nada.

Eu sorri.

–Bom, eu to indo nessa. – falei puxando a bolsa mais para cima do ombro. – a gente se vê amanhã na aula?

–Se você não for expulsa de novo... – ele falou sorrindo, eu ri junto.

–Foi injustiça, você viu. – me defendi, ele riu novamente.

–Sim eu vi que foi. Acredita que depois de você apareceu mais um aluno atrasado? – ele começou e eu o encarei. Sem chance. O que a doida tinha feito com ele?

–E o que a cobra fez com ele?

–Primeiro ela foi bem hostil...

–Imaginei...

–Até saber quem ele era...

–Quem ele era como assim? – perguntei intrigada, tinha alguém sei lá, importante na escola e eu não sabia?

–É sim, você não está sabendo? Temos uma estrela da música caminhando por nossos corredores.

–Não, eu não sabia. – falei estranhando, ninguém tinha me dito nada, quer dizer, eu nem tinha conversado com ninguém ainda. – e quem é?

–DREW! – o grito veio do inicio do corredor, Drew ergueu os olhos para ver quem chamava, uma garota loira parecia visivelmente impaciente.

–Você não conhece, quer dizer, creio que não conheça, o estilo de música que ele e a banda dele fazem não parece ser o seu estilo.

–Se não é meu estilo então provavelmente já passei por ele pelos corredores e não o notei. – falei sorrindo. – a gente se vê amanhã Drew.

–Até mais Lizzy.

Ele se aproximou me dando um beijo delicado no rosto e seguiu caminho.



Nidia’s P.O.V

Caminhei sem destino pelas avenidas de Miami, parando no ponto do ônibus, passando pela praia para contemplar o pôr do sol... Falam que a brisa do oceano faz com que a gente se sinta tranquila, aliviada, mas comigo não parece funcionar neste momento. Não consigo parar de pensar no Gabriel.

Peguei algumas pedras no chão e comecei a atirar na água com raiva, droga porque o homem com quem passei a noite mais linda da minha vida tinha que ser meu professor? Por que o destino nos pregou esta peça?

– Por quê?! Por que entrou na minha vida?! – gritei para o nada, eu só queria desabafar.


Me sentei no banco mais próximo fechando os olhos e colocando as mãos na cabeça: tantas perguntas sem resposta, tantos acontecimentos que desejaria apagar de minha mente, o que aconteceu hoje, o rosto do Gabriel surpreso e suas palavras, tantos pensamentos me envolvendo por completo...


– Garota – ouvi me chamarem – Garota...

Abri lentamente os olhos, um garoto com cabelos longos visivelmente preocupado me ajudou a levantar do banco.

– Se sente bem?

“Se me sinto bem...”, me virei sem pensar duas vezes e disparei correndo até minha casa. Não queria encontrar ninguém, não queria parar em lugar nenhum, apenas queria chegar em casa para ficar com a minha irmã.


Quando cheguei, fechei a porta num movimento rápido me encostando nela. Apenas pensava em minha segurança, como se eu estivesse fugindo de alguém... De quem ou de quê estaria realmente fugindo?

Minha irmã apareceu saindo do quarto.

– Até que enfim chegou! – exclamou levantando as mãos em um gesto de agradecimento – Onde estava mocinha? Não a vi desde que saiu da escola... Nossa Nídia você está suando – ela falou se aproximando – Se sente bem?

– S-Sim– gaguejei – Vou para meu quarto, preciso pensar, preciso ficar sozinha.

– E o jantar?

– Não estou com fome, desculpe – respondi .


Minha irmã me olhou sem compreender, baixei minha cabeça me dirigindo até o quarto e trancando a minha porta. O que eu faria? Como agiria de agora em diante?

Me atirei na cama, virando a cabeça para o lado. “Gabriel” foi a primeira coisa que me veio á mente, segurei o lençol. Lembrei da noite de ontem, ainda tinha seu perfume. Esperei que ele abrisse aquela porta e voltasse para mim, mas o sono logo chegou, se apoderando de mim.



Bianca estava sentada me olhando com um sorriso

“Coincidências, você acredita nelas Nídia?”

Bianca eu acho que não deveríamos ter vindo a este País...

Do nada, Alex apareceu a seu lado, seu rosto mostrava tristeza.

“Morri por você Nídia, por nosso amor, e agora me paga dormindo com seu professor? Por quê? Acho que não merecia isso de você”

Alex eu tenho que seguir minha vida, eu... Eu não queria que você...

Os dois desapareceram e ficou tudo escuro. Uma garota de cabelos castanhos longos, com uma máscara tapando seu rosto se aproximou de mim.

“O que você fez é crime Nídia, e agora? Seu professor Gabriel vai pagar as conseqüências por sua culpa, porque você o deixou entrar em sua casa. Você só estraga a vida das pessoas, como fez com Alex, outro garoto que se matou por você!”

Quem é você? Por que está me dizendo essas coisas?! – gritei retirando sua máscara com raiva

“Sou você Nídia, e agora? Quem será sua próxima vítima?”

Uma brisa fresca tocou meus cabelos, e quando me virei encarei uma porta. A abri, aparentemente estava num castelo. Era todo branco, notei que a iluminação do espaço vinha de vidraças com anjos iluminados pelo sol, em minha frente estava um altar rodeado com flores brancas e no chão havia pétalas vermelhas .

Quando dei por mim, eu tinha um vestido de noiva rosa pálido, meu cabelo solto, usava brincos longos, e em minhas mãos tinha uma rosa.


O que estava havendo?

Ouvi passos e segui até lá. Notei uma pessoa caminhando para frente e para trás na sacada, o sol estava mais radiante do que nunca, adentrando entre os arcos da sacada.


– Gabriel... – pronunciei estática ao notar que era ele


Tinha seu olhar perdido com a paisagem, se virou me encarando fixamente, usava um smoking preto com gola forrada de cetim, suas calças negras com o mesmo tecido. Sua gravata borboleta com a cor combinando com restantes peças e faixa de cetim na cintura. Estava, realmente de quebrar o coração a qualquer mulher.

– Vai se casar? – perguntei


Demorou cerca de um minuto para responder, apenas me olhava com um sorriso, seus olhos verdes brilhavam e retirou suas mãos dos bolsos agarrando levemente em meus braços. Beijou-me apaixonadamente por segundos. Aquele fora um beijo diferente, como se fosse o último.


– Que pergunta é essa? Claro que vamos nos casar Nídia – falou sorrindo, fiquei gelada, eu não podia casar, eu nunca... – Não se lembra? Um aluno nos descobriu e nós vamos casar antes que a polícia venha me prender.

– Como? A polícia vem atrás de você? – falei abraçando-o com toda a força, o apertando contra mim, ele retribuiu – Por que não fugimos? Ou eu finjo sair de sua vida? Não sei, saio do País... qualquer coisa, eu faço qualquer coisa pra salvar sua vida!


Como eu poderia estar falando daquela forma? Eu não estou apaixonada por ele! Eu apenas o conheço há algumas horas, pirei de vez?!

Ele me encarou como se tivesse tido uma ideia daquelas deslumbrantes.

Sabe, eu no fundo sabia que isto entre nós dois iria terminar mal Nídia – falou me encarando direto, colocando suas mãos em meu rosto – Isto jamais deveria ter começado e tem que terminar de alguma maneira – continuou me encostando à sacada – E eu tenho a solução para nossos problemas. Desculpe Nídia, mas é o melhor, para ambos.

Eu não o compreendia, seu tom de voz parecia de despedida, mas seu rosto parecia tão seguro, era como se enquanto eu estivesse a seu lado, nada de mau me aconteceria. Ou não?

Ele me deu um beijo lento, as sirenes do carro da polícia se ouviam cada vez mais próximas, meu coração estava batendo tão rápido pelo receio de Gabriel ser preso que não me importei com nada mais, apenas com ele.


Num movimento, senti suas mãos me empurrarem para trás, me fazendo cair no vazio. A cena se passava em câmara lenta, como era possível? Um sorriso enorme surgiu em seu rosto, estava feliz?! Estava contente de eu estar há um segundo de perder a vida?!

Dei um grito pesado e longo, duas lágrimas brotaram de meus olhos sem minha intenção, estava cada vez mais longe dele, até que senti a respiração me faltar e uma forte dor me invadindo completamente.

Abri os olhos, respirando com toda minha força. Estava transpirando, meu coração bombeava o máximo possível, comecei a olhar de um lado para o outro, me acalmei observando que afinal estava em meu quarto.


– Um sonho...

Me levantei, e no ato minhas pernas tremeram. Caminhei vagarosamente até a geladeira, pegando um suco. Me sentei na mesa bebendo lentamente, era essa a solução que ele tivera? Me matar?

A cozinha se iluminou quando minha irmã acendeu a luz, se assustou com a minha presença.

– Ai minha nossa!! – disse entre suspiros colocando sua mão no peito – Puxa Nídia o que faz aqui no escuro?

– Vim pra matar a sede – respondi meio trêmula, outra vez a palavra “matar” – Tive um sonho macabro.

– Fale! – falou se apressando a beber a água e sentando a meu lado.

– Sonhei que estava num castelo, e estava vestida de noiva. Gabriel também estava lá vestido de noivo, íamos casar – expliquei relembrando a cena, Bianca me ouvia atenta – A polícia vinha atrás dele, e eu dei uma sugestão para outra solução sem ser a de casar. E ele...

– E ele? – perguntou entusiasmada – Me conte logo!

–... Ele – continuei a olhando fixamente – me empurrou lá de cima.

– Como?! – ela se levantou empurrando a cadeira – Ele te matou?

Em resposta, sacudi de modo afirmativo a cabeça.


– E acha que isso pode acontecer? – perguntou preocupada.

– Não! – sacudi de imediato a cabeça – De modo algum... – falei pensativa a encarando, Gabriel seria capaz de me matar para se livrar de mim?!Ele não seria capaz disso...

– Seu sonho foi mesmo bizarro, eu lhe aconselho que mantenham apenas conversas aluna-professor, isso é claro... – me olhou fixo -... se é que você já não se apaixonou por ele.

A insinuação da minha irmã me fez pensar. Espera... Me fez pensar mesmo? Eu tinha a resposta clara em minha mente, por que então eu estava pensando?


– Claro que não irmã – me levantei a abraçando forte– Amanhã resolvo isso, por hoje, apenas quero deitar, se é que consigo.


Fomos até nossos quartos e nos deitamos. Amanhã iria ser um dia complicado, disso eu tinha a certeza.

Notas finais
Escrito por:
Pov Lizzy - Lizzy
Pov Nídia - Nídia
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.