Classic Constant

2 Agora ou nunca: A última chance


Notas iniciais
Aproveitem o capítulo, e vou logo avisando: Tudo no reino parece estar indo além do esperado. Novos mistérios são questionados com doses de aventura, suspense e um pouquinho de humor! Boa leitura.

AGORA OU NUNCA: A ÚLTIMA CHANCE

"Então me faz um favor e avise-a que há muito mais em jogo do que foi revelado. Muito mais do que ela pode imaginar. E você sabe bem do que eu estou falando."

– Está feito, senhor. Mais alguma coisa? – Pergunta o escriba.

– Não, reserve esta carta até o momento certo. – Ordena François.

– E qual seria o momento certo?

– Você saberá.

O escriba, então, guarda a carta em um baú e leva com ele para fora daquele cômodo. Simultaneamente, François se encontrava sentado no trono de frente para as enormes portas de uma parte do castelo – o assento era similar ao altar de uma igreja, e o local também. Dois trompistas — um de cada lado da porta e de frente para o pai de Claire — pegaram as suas trompas, ergueram-nas e tocaram-nas. Era sinal de que alguém precisava falar com o rei. Ele concedeu a permissão, então, cada trompista puxou uma das enormes duas portas e abriram-nas. A entrada de um camponês causou espanto — acompanhado dos guardas por precaução — pela aparência miserável. Ele caminhou todo o longo percurso da porta até o altar, onde se ajoelhou e curvou-se.

– Rei...

– Levante-se, meu bom rapaz, você me parece um homem de honra.

– Eu venho com muita humildade pedir para que olhe para a minha família, nós estamos precisando de dinheiro para pelo menos comprar os instrumentos necessários para trabalhar.

– Promete que vai trabalhar? – o rei se levanta e caminha de um lado para o outro com as mãos cruzadas em torno de sua cintura – De quanto vale a sua palavra, rapaz? Sabe o que significa dignidade, fidelidade e humildade?

– Claro, senhor, é claro que eu sei!

– Seria capaz de me explicar?

– Não, senhor. – Responde pensativo.

E então o rei riu de leve, mantendo olhos nos olhos com o camponês. Ele levantou a mão e estalou os dedos. De uma forma quase automática Billy apareceu. Billy era mordomo do rei desde pouco antes do falecimento de Betânia, ela confiava muito nele, e com François não podia ser diferente. Era fiel, um empregado de deveras.

– O que desejas, senhor? – Billy questiona suavemente.

– Mande alguém acompanhar esse rapaz até sua casa, ordene também para que entreguem instrumentos de produção para ele. Se o dinheiro é necessário para comprar ferramentas de trabalho, que a dignidade do rapaz se manifeste em cima das melhores ferramentas possíveis, um presente do rei. Não por desconfiança quanto ao desvio da verba, mas por acreditar que apoiar-se em uma possibilidade podendo substitui-la por uma certeza é como reconsiderar um malefício podendo garantir um benefício. Lembre-se sempre disso. – Discursa o rei com muita sabedoria.

– Obrigado, meu rei! Muitíssimo obrigado!

Com isso o rei retorna ao seu trono, enquanto Billy vai concluir as suas obrigações levando o garoto com ele, e os guardas também. Até que mais um convidado entra, esse era especial, era Vladimir, provável rei substituto caso Claire não escolhesse alguém dentro do período estabelecido pelo Senado.

– Vladimir, que honra recebê-lo! – O rei afirma admirado.

– Meu querido rei, vim conhecer a pretendente.

Enquanto isso, duas empregadas olhavam de fininho por uma brecha da porta ao lado do trono, e cochichavam baixinho.

– Dona Maria, aquele é o Vladimir?

– Sim, moça! Ele é lindo demais!

– Com certeza! Esses olhos azuis, cabelo moreno e liso, nossa... Se a princesa não quiser casar com ele, eu que caso!

– Ih, olha para você, dona, tira a verruga do nariz primeiro e vamos trabalhar que ganhamos mais!

– Eu sou um show de beleza, querida! A verruga dá um charme, os machinhos amam.

O Bobo da Corte Henri aparece e as assusta.

– BU!

– Ai, ai, ai. Não faz isso com as velhas! – Diz uma empregada.

– Estão fofocando de quem, safadinhas? Eu disse safadinhas, que rima com fofoquinhas, entenderam? – Perguntou Henri.

– Aquele é o Vladimir, ele veio conhecer a princesa!

– Espera, eu disse espera! Ele está aqui para conhecer a princesa? Mas já?!

Enquanto Henri se assustava, uma voz com bastante eco se sobressaiu no local.

– Lisa! Chame a minha filha agora, por favor! – François gritou bem alto.

Lisa que estava por perto ouviu e foi atrás de Claire, enquanto Henri olhou rapidamente para as empregadas e não podendo explicar muito, implorou para que elas segurassem Lisa o maior tempo possível. Enquanto elas distraíam Lisa, ele saiu correndo e saltitando rapidamente.

Em um povoado dentro do reino, mas fora do castelo, portanto, estava Claire com um rapaz.

– Oi. – Claire fala sensualmente e beija o homem.

– Olá, princesa. Nunca mais tive a graça de vê-la, ou melhor, de me enrolar contigo. Tanto tempo que nem sei se temos intimidade mais, preciso me curvar?

– Bobo! Você sabe que com você eu fujo desse mundo de princesa, então nem começa. Estava muito ocupada com esses lances, não tive tempo para vir mais, os soldados do meu pai estão bastante atentos.

– E os porteiros?

– Consegui despistá-los.

– É por isso que eu te amo tanto.

– Ama? – Ela sorri envergonhada – Vamos com calma.

– Vamos sim.

Eles começam a se beijar e a tirar a roupa vagarosamente.

– Ninguém sabe de nós, certo? – Pergunta o rapaz.

– Sobre isso... Tenho que te falar algo.

Inesperadamente Henri aparece ofegante nessa parte do povoado, e vê Claire.

– Claire! É o seu pai, Vladimir está lá e seu pai mandou chama-la! Eles vão notar que você não está no castelo. E oi, rapazinho, você anda causando problemas.

– Quem é esse, Claire? – O homem pergunta.

– Longa história, depois explico, ele apenas me ajuda. Depois falo contigo, preciso ir! – Exclama às pressas.

– Espera! Você já pode saber o meu nome?

– Não, não diz! Tchau!

Ela o beijou rapidamente, recompôs as roupas, recolheu os acessórios e retirou-se velozmente com Henri de volta para o castelo, enquanto o rapaz a olhava frustrado. Ele apenas se sentou no chão e abaixou a cabeça.

Durante a correria de volta, François ordenou mais uma vez, fazendo com que Lisa ignorasse as empregadas e se direcionasse ao quarto da princesa. Já próximo ao castelo, Claire parou de correr e olhou diretamente para Henri.

– Por que você parou, hein? Por que você parou, hein? Por quê? – Henri questiona apressado.

– Eu esqueci o meu diadema.

– Deixa para lá!

– Você não entende? Não dá! Meu pai mandou aquelas empregadas hoje mais cedo no meu quarto para me prepararem especialmente para um compromisso, o diadema era característico, ele vai notar! Não sabia que esse seria o compromisso.

– Não entendi.

– Ah, não precisa – ela se estressa – Eu não posso mentir para o meu pai dizendo que perdi ou coisa do tipo, preciso pegar o diadema e retornar ao castelo. Continue indo e me dê cobertura lá. Retorne ao castelo antes que sobre para você!

– Sim, princesa.

Henri continuou seguindo em frente, diferente de Claire que retornou o mais rápido possível. Diante de toda esta situação, o problema se intensificou quando Lisa chegou ao quarto de Claire e não a encontrou. O espanto se alastrou. Com pressa, ela saiu pelo castelo perguntando a todos sobre a mesma. A chegada de Henri no edifício foi barrada justamente por Lisa, que não perdeu tempo indo diretamente confrontá-lo.

– Onde ela está?! – Lisa pergunta enfurecida.

– Como? – Henri questiona inseguro.

– Eu disse “Onde ela está?”!

Num sopro de ingenuidade, Henri sacou uma arma d’água e a molhou.

– Você sabe que isso só piora as coisas, não é? – A assistente ironiza.

– Eu sei que não sei de nada.

– Não sejamos hipócritas, eu trabalho com o rei desde o início do seu reinado... Ele não vai ficar feliz ao saber que a princesa não está no castelo. François é um rapaz gracioso, e vocês — que dizem se importar – o retribui dessa forma. É patético. Então me faz um favor e avise-a que há muito mais em jogo do que foi revelado. Muito mais do que ela pode imaginar. E você sabe bem do que eu estou falando.

Lisa, furiosa, deu as costas e foi ao banheiro se arrumar, afinal, ela não poderia aparecer desajeitada para o rei. O desconforto de François fora notório, afinal, ele estava com visita em seu castelo, o que pensariam de seu reinado se os seus convidados tivessem que esperar tanto? Claire chegou ao povoado revirando tudo, ela estava em uma casinha revestida por madeira e abandonada, cheia de caixotes e feno. Procurou, procurou e nada de encontrar.

– O que representa, exatamente, estas pedras? – O rapaz aparece mostrando o diadema.

– Meu diadema! – seus olhos se abrilhantaram — História para outra hora, mas é uma simbologia de família que representa “momentos especiais”. Estou encrencada agora, me entregue isto!

Ela correu em sua direção, mas ele desviou o objeto para trás das costas. Aos poucos o homem se aproximou da mesma, colocou o diadema nela e a beijou suavemente. Ela, agradecida, deu as costas bastante pensativa. Pouco antes de ir embora, ele a puxou pelos braços dizendo:

– Fica. Fica comigo.

Ela olhou fixamente nos olhos dele como jamais fizera e se deixou levar por mais um beijo apaixonado.

François começara a tossir bastante, retraindo a atenção de Vladimir instantaneamente.

– Você está bem? – Vladimir interroga.

– Sim, estou! Desculpe-me a demora, já estou ficando incomodado.

– Não, senhor, não se preocupe! Eu entendo perfeitamente, isso não vai causar má impressão para mim, preciso conhecê-la primeiro.

– Obrigado.

– Senhor, eu não pude deixar de notar que havia pedras celestiais no baú que o seu escriba oficial levou. Eu sei bem o que significa esta simbologia. O que há naquele baú? A que momento ele faz referência? – Billy, o mordomo, questiona indignado.

Ele tossiu mais ainda, levantou-se do trono impaciente e muito nervoso, até Lisa aparecer afirmando que Claire não estava no castelo. Ele dirigiu o olhar a Lisa, e em seguida a Billy sem falar uma palavra sequer. Todos estavam estáticos esperando alguma reação do rei, mas tudo o que ele fez foi virar a cabeça com dificuldade e sussurrar outro pedido de desculpas a Vladimir — Alguns segundos de silêncio tomaram conta do altar, até que então, o rei respirou fundo e respondeu ao mordomo friamente:

– A este momento.

François tocou a mão no coração, ajoelhou-se lentamente e caiu desacordado.

Notas finais
Gostaram? Seria muito legal ver uma crítica de vocês! Não se esqueçam de marcar como lido e, quem sabe, de favoritar, acompanhar e/ou recomendar a história. Vocês não perdem por esperar pelo próximo episódio, ele vem daquele jeito! Acompanhem essa jornada que ela só tende a se desenvolver. Muito obrigado, de verdade. Até a próxima.