Notas iniciais
Deliciem-se com um capítulo recheado de suspense, aventura, humor e drama em uma das suas melhores dosagens! Fiz daquele jeito para vocês, confiram! Boa leitura.

DESAPARECIDA

"Ele procurava, à espreita, uma pequena brecha para poder encontrar a princesa. A situação era pior do que se imaginava, e ele estava sozinho nessa. "

O rebuliço da população fora do castelo se manifestava cada vez mais. Os passos barulhentos de funcionários assustados, nervosos e ofegantes propuseram uma enorme confusão que se camuflava nas camadas do silêncio através da perspectiva de François.

A emergência era alarmante, e ele não sentia nada, estava completamente desacordado. Trompas, gritos, passos, muito calor humano e até mesmo choros, esses eram os ruídos expressados diante da situação, e lá estava o rei, sobreposto a uma maca conduzida por dois curandeiros seguidos por dezenas de amigos e servos nervosos; entretanto, ainda assim insistiam em questionar: Afinal, onde estava a princesa? Ou melhor, onde estava a sua querida filha?

Os curandeiros chegaram ao quarto de François, onde os guardas impediram a entrada de qualquer outra pessoa. Lá dentro estava unicamente mais uma equipe capacitada, então, as portas se fecharam por privacidade de atendimento. Billy manteve o controle e fez todos voltarem ao devido lugar, garantindo que estariam informados sobre qualquer coisa. Se o sino soasse, o pior havia acontecido. Do lado de fora do quarto, em frente às portas, estavam Henri e Lisa. Lisa é uma assistente com a mesma função de Billy, porém um pouco mais secundária, também tinha um bom histórico ao lado do rei, aparentava ter em torno de 40 anos de idade, cabelos crespos e pele morena. Costumava ser muito responsável, portanto, era a profissional perfeita, mas tornava-a um pouco irritante. Neste momento Henri segurava as suas mãos, Lisa lacrimejava muito, enquanto Henri continuava fazendo piadas e chatices mesmo fora de hora – como um bom bobo da corte -, isso não significa que ele não estava sofrendo, ele estava! Só não podia transparecer. Vladimir chegou ao corredor que estavam.

– Más notícias? – Questionou.

– Nem boas, nem ruins – Lisa responde cabisbaixa.

– Más notícias são como boas notícias, só que más. – Henri comenta.

Vladimir olha torto para ele nesse momento, mas Lisa faz pouco caso.

– Eu vou atrás da princesa.

– Não, bobo da corte. Eu vou! Apenas me diz a direção – afirma Vladimir.

Henri engoliu seco, nunca foi do tipo esperto, mas a sua amizade com Claire não o permitia fazer besteira. Ele gaguejou, gaguejou, até que Lisa – que estava com a cabeça encostada em seu ombro — se desapoiou dele.

– Você sabe de algo. Eu não sou idiota. – Lisa acusa.

– Eu sei que ela não está no castelo como todos aqui também sabem. – Henri pensa rápido.

– Ela já deve estar com ele! – Vladimir pensa alto.

– Oi? Como? Não, não está com ninguém. Você sabe de algo? – O Bobo da Corte pergunta assustado.

– Sei. Ela está com ele, não está? Estão no quarto? Melhor você me despreocupar e dizer logo.

– Não, não estão no quarto. Estão em um povoado fora do castelo, meio abandonado.

Lisa avista Billy acenando para ela e pede licença para se retirar.

– Como? Foram cuidar do rei em um povoado abandonado?

Por um segundo Henri se dá conta da besteira que fez, ele entendeu errado a pergunta do provável futuro marido de Claire, ele se referia a ela estar com o seu pai, e não com um amante. Bem, a reação do Bobo não se mascarou, Vladimir olhou torto para ele e entendeu tudo, em seguida deu-lhe as costas indo atrás do único povoado abandonado que ele conhecia – e era o correto. Ele saiu do castelo, montou em seu musculoso cavalo negro e foi atrás da princesa. Henri deitou no chão e contorceu-se de rir pelo erro que cometeu. Billy e Lisa não poupavam esforços, foram ao Senado para pedir que ele tomasse conta do reino por mais tempo ainda, principalmente com essas confusões da princesa e com a impossibilidade do rei. Chegando ao povoado, Vladimir encontrou o rapaz misterioso totalmente revoltado e derrubando tudo.

– O que houve, rapaz? – Pergunta Vladimir de forma nobre.

– Estou tendo um dia daqueles! Bom e ruim. Revi alguém que não via há muito tempo, e ela me largou aqui rapidamente. Estou tão, tão, tão estressado que quero destruir tudo – Ele gesticula chutando caixotes, até que para e completa sarcasticamente – Tão estressado que desabafei com um estranho.

– Não se preocupe. – Vladimir usou a sua inteligência mais uma vez – O que houve com a garota?

– Ela veio buscar um diadema, pedi para que ela ficasse, beije-a e então ela virou as costas dizendo que devia honrar os compromissos... Voltou correndo.

– Como ela era?

O rapaz respira fundo, e com menos estresse, relembra o sigilo da relação e percebe pelas vestimentas, pela dicção e pela curiosidade do cavaleiro que ele estava querendo saber dela mesma.

– Não lembro. Olha, preciso ir. Foi bom te conhecer, tchau! – Ele o cumprimenta e vai embora sem permitir que Vladimir responda-o.

Vladimir, o cavaleiro, faz a volta e prossegue atrás de Claire. No caminho encontra um diadema no chão, lembrando-se do que o rapaz disse, ele imaginou que fosse o dela, então guardou em uma das bolsas laterais presas ao cavalo e seguiu em frente até encontrar um camponês qualquer, a quem ofereceu comida em troca de levar uma mensagem para Henri, o garoto concordou, portanto, dirigiu-se ao castelo conforme o cavaleiro ia seguindo rastros deixados na areia do local, que levava-o a uma direção oposta – Vladimir era mestre em rastreamento e localização, era um cavaleiro bem renomado.

No castelo, o garoto foi impedido pelos guardas de prosseguir com a justificativa de “Atividades monárquicas temporariamente inativas”, logo, um informante concluiu a ordem chamando Henri e avisando que o diadema da princesa havia sido perdido pelo caminho.

– Não! Não pode ser! – Henri pensa alto – Ela só retornou para pegar o diadema, ela não deixaria pelo caminho assim à toa. Tem algum motivo em especial, deve ser algum aviso dela – como já dito, o laço afetivo de Henri para com a princesa tornava-o uma pessoa bem mais esperta. Ele ficou bem pensativo, até que se espantou, parecia ter entendido! – Eu não posso falar com ninguém, senão saberão dos encontros dela. Muito menos a Vladimir que precisa ter uma boa impressão da mesma como o rei desejava, mas eu sei o que aconteceu, e preciso fazer algo com isso. Ela foi raptada! – O humorista refletiu.

O Bobo da Corte correu saltitando, pegou uma machadinha, mesmo sem experiência nenhuma de uso, e foi atrás do amante da princesa. Ele talvez soubesse de algo, e diferente do tratamento com Vladimir, o rapaz misterioso sabe que Henri a ajuda com isso, então ele o contaria detalhadamente. Lisa e Billy retornaram ao castelo com boas notícias, eles conseguiram um semestre inteiro de domínio provisório parlamentar até a monarquia se restabelecer. Eles se esbarraram com Henri, e Lisa o proibiu de sair do castelo, mesmo ele insistindo.

– Alguma notícia? – Billy interroga.

– Ouviu algum tum-tum do sino? Acho que não. Então deve estar tudo bem.

Todos os três retornaram até o quarto, porém, Henri procurava, à espreita, uma pequena brecha para poder encontrar Claire. A situação era pior do que se imaginava, e ele estava sozinho nessa.

Vladimir, montado em seu cavalo, já no fim da tarde, observou o castelo bem longe de onde ele se encontrava. Ele estava em cima de uma montanha onde os rastros havia o levado. Armado apenas com uma espada e uma adaga no pé, ele ouviu gritos de um timbre feminino e cavalgou em direção ao som. Antes de chegar ao topo, ele freou por conta de outro ruído que chamou muita atenção, mas esse era bem distante. Era o som de um sino simplesmente soando.

Notas finais
Então, o que acharam à respeito? Deixem os comentários abaixo e aguardo vocês na próxima semana: O capítulo promete, e o entretenimento de vocês é por minha conta! Obrigado e até a próxima! OBS: À mercê total de críticas. No próximo capítulo: Os moradores de Classic Constant se encontram em colapso após novas revelações, enquanto isso, a circunstância não os poupa de tomar decisões drásticas e cautelosas.