Clarity
20 Marks and Scars
Notas iniciais
“You got a piece of me
And honestly
My life would suck without you”
–My Life Would Suck Without You, Kelly Clarkson.
Natalie subiu e pegou toda a maquiagem que conseguia, enquanto, eu não sei por que, Sinead estava procurando jeitos de “cobrir marcas indesejadas” na internet.
–Sid, não acho que a Capricho possa ajudar.
–Que? Eu não sou boa com maquiagem! E mais, você que fez isso, então eu estou tentando cobrir sua besteira. Reclama não.
Eu olho para o meu corpo e não consigo evitar rir. Como isso aconteceu? Nenhum membro do meu pobre corpinho conseguiu escapar. Isso parece um maldito Cinquenta Tons de Cinza, pelo amor de Deus.
–Pronto cunhadinha tudo que eu tenho e se encaixa no seu tom de pele... Branquelo. – Nat veio descendo as escadas com caixas na mão e apoiou tudo na mesa da cozinha. – Espero que esteja preparada porque a gente vai ter que cobrir você todinha. Mas agora, desabafa o que aconteceu?
–Depois que você e Dan... – levei um chute – bem, depois do baile, eu e Ian fomos pro Burger King. Eu pedi coisas de gente normal, mas assistir a ele tentar comer fast food foi a coisa mais engraçada do mundo! Mas enfim, nós viemos para cá e eu coloquei a camisola que eu estava guardando...
–Ai Deus, eu acho que a gente já sabe que isso acaba com você grávida...
–Juliet! Meu Deus hein... Mas voltando, aconteceu. Foi muito bom, e foi muito especial, mas não me sinto confortável contando o resto.
–Nem eu. Principalmente porque ele contém Ian deixando marcas que não saem com cinco camadas de base e duas de corretivo... – disse Natalie.
–Bem, mas foi isso, eu não achei que fosse ficar tão ruim assim. Mas se eu colocar um cachecol, talvez com um top de manga comprida e um cintura alta, cubra um pouco.
–Boa sorte, mas inda bem que você não vai usar biquíni hoje. As marcas de mão na sua bunda não saem tão cedo!
–Natalie! Faça me o favor...
–Só estou dizendo a verdade, cunhada.
Depois de uns vinte minutos e uns vinte potes de base, tudo estava mais ou menos coberto. Me olhei no espelho do lavabo e me conformei com o fato de que não passava daquilo. Voltei para sala na hora em que os meninos começaram a descer. Puxei meu cobertor e enrolei.
–Tudo isso é frio? Meu deus...
–Pois é Dan, tá muito frio. Falando nisso, vou subir e me vestir. Já volto.
Subi as escadas correndo e fui até o meu quarto correndo, esbarrando em Ian no caminho que não parava de sorrir ao olhar para mim. Revirei os olhos e corri até o closet para colocar uma roupa.
Quando tirei o cobertor reparei que estava mesmo um pouco frio, então coloquei uma legging preta e um top de manga comprida. Fiz uma trança com meu cabelo que nos últimos dias, graças a Deus, estava se comportando.
Coloquei um perfume que havia comprado fazia pouco tempo e mudei de brinco. Coloquei um sneaker e desci para tomar café junto com os outros. Peguei minha xícara preferida e coloquei no micro ondas com um pouco de leite.
–O que é isso no seu pescoço Amy? Você bateu em algum lugar? – Jonah. Tinha que ser ele, porque não?
–Ah sim — vi que as meninas não conseguiam parar de rir e Ian me olhava assustado. Eu sorri e disse: — Pois é, eu e as meninas inventamos de jogar verdade ou Desafio com vodca. Não terminou muito bem...
Todos na mesa riram e eu consegui ver Ian relaxando. Olhei para ele e fiz com a boca: precisamos conversar. Ele balançou a cabeça e foi até o quarto extra, enquanto eu pegava meu leite e uns biscoitos.
Entrei no quarto e fechei a porta com a mão que segurava os biscoitos. Apoiei meu café da manhã na mesa de cabeceira e me virei para encarar meu noivo.
–Você tem que aprender a se controlar, menino.
–Tá, tá, mas você gostou se bem me lembro... – dei um tapinha nele.
–Não importa. Você sabe quantos dólares em maquiagem eu devo à sua irmãzinha agora? Pois é, a gente teve que cobrir tudo. Tá vendo isso? – desci meu short, mostrando a marca de mão dele. Ian só riu. Riu muito. – Não tem graça, vai demorar anos pra sair!
Ele me puxou para perto, me beijou e sussurrou em meu ouvido:
–Até lá eu faço outra...
–AI meu deus, você perdeu toda noção, seu tarado! Eu vou embora daqui isso sim.
Quando me virei para puxar a porta, Ian puxou meu braço e me trouxe de volta para dentro do quarto.
–Nada disso. A gente pode tomar café aqui. Vem, fica comigo.
Revirei os olhos e sentei ao lado dele na cama, com meu leite e meus biscoitos. Ian começou a fazer cafuné em mim e eu tive um calafrio. (N/A: é tive um calafrio? Não faço ideia haha).
–Para com isso...
–Que foi você não gosta?
–Ah, eu adoro. Mas assim eu vou dormir.
Ele riu, beijou o topo da minha cabeça e continuou o cafuné. Só por precaução deixei minha caneca com leite quente na mesinha de novo e cheguei mais perto dele. Eu senti meus olhos ameaçarem fechar um pouco depois disso.
–Ian?
–Sim?
–Eu te amo.
–Também te amo, linda.
***
Acordei com o sol batendo na minha cara. Não estava mais no quarto extra, e sim no meu quarto, enrolada num cobertor. Olhei para o lado e vi um bilhetinho. Puxei o papel, e nele estava escrito:
“Fui até o centro te comprar uma surpresa. As meninas vieram comigo, mas os outros estão aí. Espero que consiga fazer algo com esses loucos.
Te amo, já volto
Ian.”
Levantei e olhei no relógio. Cinco horas da tarde. Não fico muito surpresa, com o pouquinho de sono que tive durante a noite. Acordo morrendo de fome e desço as escadas onde encontro os meninos jogando FIFA 15. Bola E videogame? Onde mais eles estariam?
–A bela adormecida levantou... – disse Dan, sem tirar os olhos do jogo.
Fui até a cozinha e fiz uma pipoca, já que eles deviam estar com fome também. Peguei um suco na geladeira e voltei para a sala, me jogando no meio deles, forçando todos a mudarem de lugar.
–Me dá esse controle.
–Amy, você nem sabe jogar...
–Aposta quanto?
–10 pratas no Dan! – gritou Jonah.
–20 na Amy! – Bariel.
–Tudo bem. Que a sorte esteja sempre ao meu favor.
Depois de quinze minutos o juiz virtual apita e eu pulo do sofá.
–TE HUMILEI! TE HUMILHEI! VAI LÁ PROCURAR SUA MASCULINIDADE! VÊ SE ACHA SEU ORGULHO TAMBÉM!
–Falei que ela ia ganhar! – Bariel me dá um hi-five justo quando Ian cruza a porta com um...
Fale com o autor