Claraboia

4 Capítulo 3 - Centro Esportivo


Notas iniciais
Comentários me deixam tão felizes *-* Muuuito obrigada. Prometo que a parte chata já vai acabar e reompensá-los com boas cenas.Eeee... Frank o/

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Capítulo 3:

Centro Esportivo

Braço, perna, perna, respira. Braço, perna, perna, respira.

Há tempos fazia essa contagem mental automaticamente. Podia pensar em até duas coisas ao mesmo tempo que continuaria a contagem. Em 5 anos de natação isso nunca havia atrapalhado. Era como se a água o guiasse de acordo com seus pensamentos. Era como andar em um terreno reto. Era quase um lar.

Seus dedos tocaram a borda da piscina.

-1 minuto e 3 segundos. Acho que dá pra ganhar. – disse o garoto na beira da piscina.

Frank ergueu os óculos e sorriu.

-Uma medalha já temos. – Estendeu a mão molhada e o garoto puxou. Ou melhor, tentou dar um apoio. – Muito fraco, Mikey.

Mikey ainda tentou mais um pouco, mas teve que desistir quando Frank quase o puxou para baixo com seu peso. Riu enquanto nadava até a escada.

-O certo é que os corredores sejam magros. – disse Mikey.

-Magros, não fracos. – Fora da piscina, tirou a toca e sacudiu o cabelo para aliviam a pressão na cabeça. O ar frio da primavera o embrulhou com nenhum aconchego. Se sacudiu e Mikey fez uma careta. – O que foi?

-Pega isso. – Ele jogou uma toalha direto no rosto de Frank. – Você sem camisa acaba com a minha pouca moral.

Olhado para baixo, vislumbrou seu orgulho: um corpo de um verdadeiro nadador. Tudo em cima e em forma. E branco como osso, segundo Mikey.

-Ôoo! Que dó do pequeno Mikey! – Correu e conseguiu agarrar Mikey antes que ele soubesse o que fazer e o prendeu numa chave no pescoço.

-Frank! Desgraçado, você tá todo molhado! Me sooolta!

Aproximou o rosto da orelha do amigo.

-Pense em quantas meninas gostariam de estar no seu lugar.

-Mas eu não sou uma menina! Me solta, caralho! Vai procurar um rabo de saia para agarrar!

Frank gargalhou e o soltou. Mikey olhava-se como se estivesse coberto de esterco.

-Que droga...

-Relaxa que água não mancha, garanto. – Enrolou a toalha na cintura e deu uma pirueta. – Pronto? Nada de bumbum-gracinha para você.

O comentário foi recebido por uma careta.

-Que seja. Vamo logo embora que eu tô com fome.

-Sem pré-eliminares, querido?

-CALA A BOCA, FRANK!

Foram até o vestiário e Frank tomou seu banho, ainda rindo quando Mikey se lembrava de que estava molhado.

Pelo nervosismo ante a competição do dia seguinte, os demais nadadores do pólo preferiram ir para casa mais cedo. Logo, o vestiário era o cenário perfeito para um filme de terror. Mais uma ferramenta para Frank atormentar o pobre Mikey.

-Você não disse que iria faltar um dia desses para levar o convite para seu irmão? – perguntou quando já estavam do lado de fora do colégio. Empurrava sua bicicleta, seguindo o passo de Mikey. Tinham o costume de ir até onde pudessem ir juntos. Só depois a bicicleta se tornava útil.

-Eu ia no fim de semana.

Frank esperou uma resposta mais completa. Ela não veio.

-E não foi por quê...

Mikey suspirou como se dissesse ‘Pra que tanta pergunta?’

-Sexta um amigo dele deu uma passada lá em casa procurando por ele. Ele já estava indo para NY mesmo, então eu pedi para ele entregar.

-E é confiável?

-Eles são amigos desde a High School.

-Nós também. – Sorriu, mostrando seus 32 dentes.

-Ele não finge de Samara no vestiário para assustar o Gerard. E nós nunca estudamos juntos.

-Larga de bichice. Confessa que foi engraçado.

-Pra você.

Irritar o melhor amigo. O segundo melhor esporte do mundo.

-Mas e aí? Seus únicos convidados virão?

-O Gerard confirmou ontem que eles vêm. Mas, sei lá... Ele não parece animado.

-Talvez seja algum problema pessoal.

Mikey suspirou. Reparou ele segurar as alças da mochila com mais força. Não disse nada.

-A faculdade também deve estar pesando na carga horária. – O tom com que Mikey falava sugeria dúvida e esperança. Mas nada disso se refletia no rosto pálido de nerd. – Ele disse que não tinha nada para fazer e poderia vir. Acho que ele só não quer falar.

“Mentira”.

Em três anos de convivência, reparou em muitas manias de Mikey. Quando estava com fome, ele costumava morder os nódulos dos dedos. Quando não gostava de alguma coisa, sua voz se elevava. E quando mentia ou escondia alguma coisa, baixava a cabeça e deixava os óculos escorregarem até a ponta do nariz. Exatamente como naquele momento.

Ficaram em silêncio por um tempo que não pôde calcular, cortado apenas pelo som das rodas da bicicleta. Por fim, suspirando, disse:

-Quando quiser contar, eu vou ouvir.

Mikey não disse nada. Olhou-o pelo canto do olho erguer os óculos de volta ao lugar. No rosto, um toque de gratidão.

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Talvez estivesse precisando de óculos. Tudo bem. Mas eles não podiam colaborar um pouco e parar de correm tão juntos?

Com tanta gente gritando à sua volta e tantos enfeites sendo sacudidos, havia perdido Mikey na segunda volta. Mikey também não ajudou quando decidiu vestir o uniforme do Centro Esportivo como outros cinco competidores. Quando finalmente achava que o havia encontrado, percebia se tratar de outra pessoa.

-CADÊ O MIKEY? – perguntou aos gritos para ser ouvido.

-NA FRENTEEEEEE!!! – Gritaram Gabriel e August ai mesmo tempo, em comemoração.

-ONDE? – Voltou a procurar Mikey.

-TEM OUTRA FRENTE, POR ACASO?

O viu liderando a poucos metros do grupo que anteriormente liderava. A cabeleira escura sacudindo ao vento era bem mais visível agora.

-MIKEEEY! – começou a gritar.

O arranque final, ou sprint. Mikey disparando na frente. Outro aluno estava na sua cola, quase o ultrapassando. Frank estava disputando as cabeçadas com Gabriel uma boa visualização.

5 metros, 4 metros, 3 metros, 2 metros, 1 metro...

-WOW! – gritou, levando as mãos à cabeça. Gabriel comemorava ao seu lado e não conseguia mais ouvir a voz de August. Deveria ter ficado rouco. Ambos quase pulavam da arquibancada.

-ELE GANHOOOOU! – Gabriel gritou, sacudindo os braços histericamente. – FATUREI 300, CARA!

Riu com vontade. Como apostador nato, Gabriel apostara em todas as modalidades do Festival Esportivo. Frank também iria comemorar essa vitória mais tarde, já que August sempre conseguia convencer Gabriel em gastar tudo em festas.

Esperaram todas aquelas formalidades. O pobre Mikey parecia não saber se respirava, bebia água ou comemorava. O resultado foi uma mistura. Ou seja, Mikey foi escoltado até o pódio enquanto tossia engasgado, sacudindo os braços quando conseguia.

Ele recebeu a medalha de ouro (latão pintado de dourado e com um adesivo de 10 centavos) e... acenou timidamente? Gabriel gargalhou. Frank teve que rir. Apesar de vencedor, Mikey conseguia humildade na mais encantadora das situações.

Alguém cutucou seu ombro. Virou-se para um garoto pouco mais velho que ele e com muito mais espinhas. Usava uma camiseta de pano pobre com grandes letras garrafão preta, escrito 'COORDENAÇÃO'. O cara em si não tinha uma expressão amigável.

-Natação. Reunidos. Agora. – disse e deu as costas, mostrando um 'COMO POSSO AJUDAR?', até sumir na multidão.

É. Os coordenadores eram muito metidos.

-Vamo lá rapidão chamar o Mikey. – disse para os dois que também olhavam com cara feia para onde o coordenador fora.

-E deixar a madame ali de TPM? – disse Gabriel. – Nem morto. Vai na frente que a gente chama o nosso medalha de ouro.

Frank riu. Deu um último aceno e saiu da arquibancada.

'Piscinas no subterrâneo' são o mesmo que 'escadas'. A reforma para as tais rampas nunca saiu do papel. Em outra ocasião, sem a porcaria dos carinhas de branco lhe olhando como um detento bagunceiro, teria pegado o atalho 'corrimão'. Animaria uma tentativa ao elevador, sempre lotado. Mas dessa vez, pela quantidade de pessoas circulando por ali, teve de se contentar com o modo antigo mesmo.

Não muito longe do galpão das piscinas, no grande corredor branco com gesso no teto – particularmente bonito e em decorado – havia um... garoto? Homem? Bem, havia um ser parado diante de um mapa do Centro Esportivo, vestindo um sobretudo negro semi-encharcado e com os cabelos negros revoltos. Era de conhecimento geral daqueles que frequentavam o centro de que aquele mapas pareciam estar em grego. Símbolos e informações que não serviam para absolutamente nada e que duvidava que os próprios coordenadores soubessem interpretá-lo.

O corredor estava vazio, exceto pelos dois e por um casal vindo calmamente de mãos dadas na direção oposta de Frank. Nenhum coordenador. E pela cara do sujeito e pelo jeito como ele coçava a nuca, estava perdido. E como um bom adolescente da High School, Frank... passou direto.

Infelizmente, não passou despercebido.

-Ei! – “Ah, não...” – Pode me ajudar?

Para que a coordenação servia mesmo? Fazer cara feia? E por que não havia um ao lado do maldito mapa para fingir conseguir traduzir os hieróglifos?

Mas, nããão! Não havia nenhum bendito ali.

Para encarar o sujeito nos olhos, teve levantar o rosto. E encontrou-se sem jeito olhando para os olhos verdes de um inegável drogado.

-Sabe onde é a corrida de 1600m? – ele perguntou.

Não ia arranjar problemas com o cara que parecia ter tomado um pouco mais que o de costume. Principalmente quando não era ele quem deveria estar passando por aquilo.

-Bem, posso te contar onde foi. – respondeu com todo o controle que conseguiu, agindo o mais normalmente possível.

O sujeito fez uma careta.

-Droga.

Engoliu seco sem querer. Começou a calcular suas chances contra um cara maior que ele. Em tamanho já havia perdido. Não podia dizer nada quanto à musculatura, já que o sobretudo... tampava tudo.

-Ficou seguindo essas coisas? – Ergueu o polegar para o mapa. O outro assentiu. – Normal. Ninguém entende e quem tenta se perde. – Deu de ombros. – Pode subir essa escada e...

-Sabe quem ganhou?

Frank se calou. Levou alguns segundos para processar a pergunta.

-Hã... Só conheço o cara da medalha de ouro. Michael Way.

Viu um lampejo de raiva no rosto do cara. Não pôde deixar de sentir um arrepio na espinha. Limpou a garganta.

-Bem, suba aquela escada ali, vire a segunda direita, suba outra escada e peça por mais informações para uns caras com blusa branca escrito 'COORDENAÇÃO'. Desculpe, mas eu tenho que me preparar para minha competição.

E voltou a fazer o que nunca deriva ter deixado de fazer: seguir em frente.

Notas finais
Pequeno de novo LOL Mas achei que o primeiro contato deveria ser assim, casual. Mas eles vão se encontraaaar *-*Até semana que vem o/