Civil War
7 Vôo
Notas iniciais
—Para onde estamos indo? –
—Ao paraíso. – sussurrei conduzindo-o até o hangar dos Vingadores. – Mas antes eu vou ter que te girar. –
—O que? Por acaso vamos brincar de cabra-cega? – ironizou. Nós paramos.
—Não questione, apenas faça. – disse começando a girá-lo em torno dele mesmo.
Não podia arriscar do Tyler descobrir para onde estávamos indo. Do jeito que ele é esperto e tinha um senso de direção melhor que o meu, era bem capaz de adivinhar que estávamos a caminho do hangar e estragar toda minha surpresa antes do tempo.
Quando notei que ele já estava um pouco desorientado, eu parei.
—Tudo ok? –
—Estou me segurando para não arrancar essa venda dos meus olhos. – sorri, voltando a conduzi-lo na direção certa.
—Estamos quase chegando. – falei entrando no hangar.
Certo, Melinda. Agora é só enrolar o suficiente até que a gente não esteja mais aqui.
—Tem uma rampa, ok? Cuidado. –
Tyler subiu a rampa do Quinjet sem problemas. Quando vi suas mãos tateando o espaço eu as segurei.
—Protegendo sua surpresa? – indagou irônico.
—Com certeza. – encaminhei ele até a poltrona do co-piloto, ajudando-o a sentar-se na mesma.
—Melinda, onde estamos? –
—Relaxe. Daqui a pouco você vai saber. – segurei seus ombros. – Me prometa que não irá tirar a venda até que eu peça. –
—Eu prometo. Agora se você vier com suas pegadinhas para cima de mim eu... – o calei com um beijo. – Isso é trapaça. – sorri.
—Estamos quase lá. –
Virei-me na direção da mesa de controle do Quinjet, colocando minha mão sobre o painel.
—Ativação por voz necessária. – revirei os olhos. Eu odiava isso.
—Pirralha. – falei entredentes.
—Bem vinda, Pirralha. –
—Eu ainda mato o Tony. – resmunguei me sentando na poltrona e fechando a porta do jato.
—O que foi isso? – Tyler questionou com um leve franzir de sobrancelhas.
—É um andar novo. – respondi digitando o destino da nossa viagem no painel.
—Os giros que você me deu foram bastante para me fazer perder o senso de direção, mas eu não me lembro de ter entrado em um elevador ou subir alguma escada. – sorri.
—Apenas relaxe, amor. – dito isso, eu coloquei o Quinjet para voar.
—Melinda! Me diz que não estamos no jato. – sua voz estava trêmula, o que me causou uma risada. – Me diz que isso é apenas um simulador de vôo, por favor. –
Assim que nos afastamos da base dos Vingadores eu coloquei no piloto automático, encarando Tyler que já estava sem a venda.
—Eu vou te matar. – ele vociferou me fuzilando com o olhar. – Era essa a sua surpresa? Sério? Você quer me matar por acaso? – ele colocava o cinto de segurança atrapalhadamente.
—Essa é apenas uma parte da surpresa. E não, não quero te matar. Ainda. – observei suas mãos apertarem a poltrona com força.
—Melinda, volta. Coloque essa banheira voadora no chão o mais rápido possível. – balancei a cabeça.
—Não, porque se eu fizer isso estarei abrindo mão da sua surpresa de aniversário. Eu nunca faria isso. – levantei, indo até ele. – Você só precisa ficar calmo. –
—Calmo? Como você quer que eu fique calmo estando em um jato sendo que tenho medo de altura? –
Sentei em seu colo, o beijando. Um beijo lento e demorado, com as minhas mãos fazendo carinho tanto no seu cabelo como em seu rosto.
Senti as mãos de Tyler segurarem minha cintura com delicadeza, sentindo que ele estava se entregando ao momento. Aquilo era bom. Significava que ele estava desviando o seu foco.
—Você devia ter me consultado antes. – falou entre um dos beijos.
—Você receberá uma ótima recompensa por essa falta de educação da minha parte. – murmurei beijando seu pescoço.
—Tem que ser uma puta de uma recompensa, porque... – o interrompi me afastando dele e retirando minha blusa. – Vamos transar no Quinjet? –
Tyler arqueou a sobrancelha. Nos seus lábios tinha um sorriso maroto. Joguei minha camisa em cima da poltrona do piloto.
—Depende de você. Essa recompensa está a sua altura? – movimentei meu quadril sobre o colo dele, depositando um beijo em seus lábios. Tyler segurou minha cintura com força.
—Você sabe que sempre estará acima de tudo. – ele sussurrou. – Sempre. –
E então me beijou. Com avidez e um desejo explícito em seus movimentos.
Minhas mãos procuravam pelos botões da camisa dele ao mesmo tempo que sentia seus lábios descerem para meu pescoço.
Mordi o lábio inferior, descendo minhas mãos para o cinto de segurança da cadeira.
Hora de livrar você dessas amarras, bebê.
—Não. – ele segurou meus pulsos. – Não é querendo desmerecer seu trabalho de heroína e tudo mais, só que eu me sinto mais seguro com o cinto de segurança. – arqueei a sobrancelha.
—Como é? –
—Já basta ter que passar sabe-se lá quanto tempo nessa banheira voadora, ok? Eu não vou tirar o cinto. – ele falou com convicção. Soltei uma risada.
—Acha mesmo que eu vou transar com você usando esse cinto de segurança? – indaguei com um sorriso divertido. – Amor, se é para transar com você preso nessa cadeira eu prefiro te prender com outra coisa, certo? – me soltei, tentando abrir o cinto de segurança. Novamente eles segurou meus pulsos.
—Não adianta, Melinda. – ele balançou a cabeça. – Não vou tirar o cinto. Desculpa. – semicerrei os olhos.
—Você não confia em mim? –
—É claro que confio em você. – Tyler respondeu sem hesitar.
—Ah. Então você não confia nos meus poderes. – pressionei meus lábios.
—Eu confio nos seus poderes sim, ok? Mas... – soltei uma risada.
—No momento que você fala "mas" em qualquer frase, já está discordando do que disse anteriormente. – sai de cima dele, me sentando na cadeira do piloto com os braços cruzados. – Estava bom demais para ser verdade. – resmunguei com a cara fechada.
—Não acredito que você vai ficar com raiva de mim por causa disso. –
—"Isso" se chama falta de confiança nos meus poderes. – virei o rosto para encará-lo. – O que você acha que vai acontecer, hein? Que você vai tirar esse maldito cinto de segurança e algum tempo depois o Quinjet vai começar a dar indícios que vai cair e eu não vou ser capaz de proteger você? Desculpa se eu fico com raiva de você por pensar isso, mas não é algo que dê para ignorar. – voltei a encarar o painel do jato.
—Eu não acredito que você está pensando isso, Melinda. Depois de tudo que a gente passou e você acha que eu não confio nos seus poderes? – perguntou incrédulo.
—Você age como se não confiasse neles e quer que eu pense o que? –
Tyler não falou mais nada. A única coisa que ouvi foi ele respirando fundo e um ruído de algo abrindo.
De soslaio pude ver ele levantando da cadeira e indo para o interior do Quinjet.
—"Ah, agora eu vou tirar o cinto de segurança e andar normalmente pelo jato para mostrar que eu confio sim nos poderes da Melinda."— falei com sarcasmo. Soltei uma risada, balançando a cabeça.
Foi quando eu ouvi o barulho de como se fosse a porta do Quinjet abrindo e o som do vento lá fora adentrando o dito cujo.
Virei-me rapidamente na direção de Tyler a tempo de vê-lo de frente para mim próximo a beirada do jato. Ele abriu os braços e então jogou o corpo para trás, sumindo do meu campo de visão.
Meus olhos se arregalaram ao mesmo tempo que eu senti meu coração parar de bater.
Levantei, apressada e com o medo estampado no olhar, e corri até a porta do Quinjet, procurando por um Tyler suicida céu a fora.
Ao encontrá-lo, eu apenas pulei e voei até ele. A gravidade puxava ele para baixo em uma velocidade absurda, fazendo-me voar mais rápido ao encontro dele.
Ergui a mão na direção dele e, usando a energia que o corpo dele produzia, o fiz parar no ar. O olhar de Tyler encontrou o meu.
Eu só conseguia ver pânico e tranquilidade estampado em seus olhos. E olha que eu nem sabia que essa combinação era possível.
Quando eu cheguei até ele, eu senti meu coação voltando a bater aos poucos. Tyler sorriu.
O desgraçado filho da puta ainda teve a audácia de sorrir.
Com a cara fechada, eu apenas abracei ele com força e voei de volta para o Quinjet.
Nenhuma palavra. Nem da minha parte, nem da dele.
Já de volta ao Quinjet, eu o deixei no meio do jato e virei-me na direção da porta. Apertei o botão para fechar a porta com certa força e espero não ter quebrado o mesmo.
Cerrei os punhos, respirando fundo.
—Amor? –
—Mas que porra você tem na cabeça? – gritei, virando-me na direção dele.
—Melinda... – o interrompi:
—Você só pode ter merda na cabeça, não é? Puta que pariu. – balancei a cabeça. – O que foi que deu em você para simplesmente pular do Quinjet? Justo você que tem medo de altura e nem queria tirar a porcaria daquele cinto de segurança para a gente transar. – o encarei. Ele ficou calado. – Me responde, Tyler! Que merda deu na sua cabeça? –
—Você. – respondeu sem pestanejar. Seus olhos arregalaram. – Não estou te chamado de merda, ok? Não pense isso. Estou apenas dizendo que só deu você quando eu pulei. – deu de ombros.
—Está dizendo que fui eu quem te fez pular do Quinjet? – perguntei incrédula.
—Sim, você e essa sua paranóia de que eu não confiava em seus poderes. – Tyler revirou os olhos. Abri a boca inconformada.
Eu não estava acreditando no que acabei de ouvir.
—Como é? – perguntei pausadamente.
—Eu retiro o que disse, eu retiro o que disse! – gesticulou com as mãos. – Mentira. Não retiro, não. – arqueei a sobrancelha. – Eu pulei do Quinjet por sua causa e das suas paranóias. Ponto final. – ele cruzou os braços, convicto da sua explicação.
Fechei os olhos com força, respirando fundo. Ao abri-los, só vi minha mão acertando o rosto de Tyler em cheio. O rosto dele pendeu para o lado tamanha era a força que eu tinha usado.
E olha que eu nem usei toda minha força.
—Por que diabos você me bateu? – sua pergunta saiu com certas pausas.
Soltei uma risada carregada de escárnio.
—Por que eu bati em você? – outra risada escapou da minha garganta. – Que tal pelo motivo de você ter pulado da porra desse Quinjet sem estar nem com o caralho do paraquedas? É um motivo plausível pelo tapa que eu te dei? –
Tyler continuou me encarando com a mão no rosto. Ele não disse nada.
Talvez estivesse pensando na estupidez que tinha feito.
Acontece que eu não estava mais aguentando encará-lo. A adrenalina estava começando a passar e o medo de perdê-lo retornava com tudo.
Fiquei de costas para ele indo até o canto do jato e encostando minha cabeça na parede do mesmo. Eu tentava inutilmente regular minha respiração, mas estava difícil.
—Melinda? – balancei a cabeça, sentindo as lágrimas se formarem. – Hey. – senti sua mão segurar a minha.
Tyler me afastou da parede do jato, fazendo-me ficar de frente para ele. No entanto, continuei com a cabeça baixa e os olhos fechados segurando as lágrimas.
—Amor, olha para mim. – ele sussurrou erguendo minha cabeça. Abri os olhos.
—Você disse que só deu eu na sua cabeça quando você pulou, mas é mentira. – murmurei. – Se você tivesse realmente pensado em mim, não teria pulado daquela forma, Tyler. E se eu não tivesse pulado e voado até você a tempo suficiente para te salvar? Você agora não passaria de uma amoeba. –
—É claro que você conseguiria me salvar, Melinda. Afinal, você é forte, esperta e, principalmente, a Valente. A Vingadora mais forte. – ele segurou meu rosto entre suas mãos. Nos seus lábios, um sorriso orgulhoso.
—Mas e se eu não conseguisse, hein? O que você acha que teria acontecido? Mano... – ele me interrompeu:
—Acontece que você conseguiu. E agora é você quem está duvidando dos seus poderes. – uma lágrima escorreu. Ele a enxugou. – Eu fiz aquilo para te mostrar que eu confio cegamente em seus poderes. Certo. Parando para pensar agora foi uma forma bem estúpida de mostrar isso, mas eu fiz e você me salvou. –
—Não ouvi você pedindo desculpas. – falei séria. – Além de quase me matar do coração, todo aquele vento bagunçou meu cabelo. Você jogou o trabalho da Wanda no lixo. –
—Primeiro, você não iria morrer do coração; segundo, você estava linda e agora está mais linda ainda com esse cabelo. – ele sorriu. – E terceiro, me desculpa. Sim, foi uma atitude muito, muito estúpida, porém eu não gosto quando você começa com essas suas paranóias de que eu não confio em você ou nos seus poderes. Melinda, você é a pessoa que eu mais confio nessa vida. Então não tem motivos para você achar que eu não confio em ti, ok? Eu realmente não estava me sentindo confortável nesse Quinjet e continuo não me sentindo confortável, e você sabe exatamente porquê. Contudo, se era para provar que eu confiava em seus poderes, eu retirava aquele maldito cinto de novo e pularia dessa banheira voadora que está a sabe-se lá quantos metros do chão de novo. Tudo isso por você. – o encarei séria. – Ok, eu pensaria em outra forma de mostrar que confiava nos seus poderes sem pular do Quinjet. –
Olhando nos olhos dele a cada palavra que saia de seus lábios, eu sabia que Tyler estava sendo totalmente sincero. Lógico que ainda sinto vontade de bater nele por quase me matar do coração, mas eu entendia um porcento do motivo dele.
Eu o abracei forte.
—Eu sei, sei do seu medo por altura e sei também que eu devia ter te consultado antes de te enfiar nessa banheira voadora. Só que eu queria fazer algo especial para você e queria que fosse surpresa como todos os anos. –
—Eu já tenho algo especial na minha vida. – ergui a cabeça para olhá-lo. – Você.— sorriu acariciando meu rosto. – E todo dia você me proporciona uma surpresa diferente. Seja um sentimento novo ou uma péssima piada. Já falei e repito, Melinda: tendo você, eu tenho tudo. – sorri, beijando-o.
Suas mãos abraçaram a minha cintura enquanto as minhas circundavam seu pescoço, acariciando o mesmo.
—Meu rosto ainda está ardendo. – ele murmurou entre o beijo.
—Não vou pedir desculpa por ter te dado um tapa. – rebati, voltando a beijá-lo. – Se serve de consolo, eu ia te dar um soco. Porém, pensei com mais clareza e não achei justo você passar seu aniversário com um olho roxo ou nariz quebrado. – sorri, mordendo o lábio inferior dele e puxando para mim.
—Mas e esse tapa? – Tyler se afastou. Sua sobrancelha estava arqueada.
—Você sabe que eu não usei nem um terço da minha real força, não sabe? – perguntei só para tirar a dúvida.
—Claro que sei. Quando a gente treinava juntos já aconteceu de você me bater com sua quase total força, lembra? – abri um sorriso. Bons tempos. – Acontece que ainda sim dói. –
—Relaxa. No máximo, fica vermelho e a marca dos meus dedos no seu rosto. – sorri depositando um selinho nos seus lábios e passando por ele, me sentando na cadeira do piloto após tirar minha camisa que estava sobre a mesma.
Deus me livre amassar ela e passar o resto do dia aperriada porque não trouxe um ferro de passar.
—Passar o meu aniversário com um olho roxo é ruim, mas com a marca dos seus dedos no meu rosto não? – de soslaio vi ele sentar na cadeira do co-piloto. Deixei minha camisa esticada no encosto da cadeira.
—Existe maquiagem sabia? – soltei uma risada, encarando-o. – Estou brincando, Tyler. Não vai ficar a marca dos meus dedos. Como eu disse: não usei minha real força. O máximo que fica é um pouco vermelho e isso se resolve com maquiagem e beijinhos. – levantei, me sentando novamente no colo dele e distribuindo beijos pelo rosto dele.
—As vezes eu tenho medo de quando você é carinhosa. – comentou rindo.
—Por quê? – perguntei ainda beijando o rosto dele.
—Porque você é um pouco bruta. Só um pouquinho. – soltei uma risada ao sentir a ironia no "só um pouquinho".
—Você prefere que eu seja bruta ou carinhosa? – o olhei nos olhos.
—Os dois. – arqueei a sobrancelha. – Eu ouvi uma vez que uma relação precisa ser balanceada. – deu de ombros. – Mas então, vamos continuar com esse papo furado ou vamos para a parte que realmente interessa? –
—Quem tá falando em vez de beijar é você, não eu. – dei de ombros.
—Não seja por isso. – Tyler murmurou exibindo um sorriso antes de segurar minha nuca com firmeza e puxar meu rosto, me dando um beijo caloroso.
***
Tinha algumas longas horas que Tyler e eu estávamos voando no Quinjet. Quase seis horas de viagem, para ser mais exata.
E não, nós não passamos todas essas horas transando. Lógico que transamos mais de uma vez, afinal, nem ele e nem eu somos de ferro, mas acontece que nós lanchamos, brincamos e conversamos sobre assuntos diversos. Como a missão que os Vingadores estavam trabalhando, por exemplo, e o treinamento dele na S.H.I.E.L.D.
Sim, o Tyler estava prestes a se tornar um Agente da S.H.I.E.L.D. Eu simplesmente amei quando ele me contou sobre esse seu desejo e desde então eu faço de tudo para ajudá-lo.
Falei com o Coulson que conversou com o Tyler sobre como a S.H.I.E.L.D. funcionava e que o treinamento para se tornar um Agente era bastante pesado. E o meu amigo não desistiu, porque ele não é homem de desistir, né?
Antes mesmo do treinamento em si começar, Tyler pediu tanto minha ajuda como da Amy para começar com o básico. E até agora tudo ia muito bem.
E adivinha quem estava treinando o preparo físico dele? Quem? Quem? Quem? Euzinha, lógico. Até porque, quem mais ensinaria meu bebê a se defender e atacar tão bem além de mim? Ninguém, né?
—Eu levei uma surra da Daisy no último treino. – Tyler comentou rindo. – Nunca mais desafio aquela garota em qualquer coisa. –
—Já está lutando com a Daisy? – ele assentiu. – Então eu já posso marcar um treino seu com o Steve e a Nat. O que acha? – Tyler arregalou os olhos.
—Você quer me ver morto, é isso? – soltei uma risada. – Eu costumo assistir seus treinos com os outros Vingadores, principalmente com o Capitão e a Viúva. E sinceramente? Doido é quem desafia aqueles dois em uma luta. –
—Mas, Ty, você não pode ficar com esse pensamento na cabeça. – sorri. – A Melinda de um ano atrás só não entrou em pânico quando a Viúva Negra chamou ela para uma luta porque não queria demonstrar que estava com medo de apanhar feio. –
—E essa Melinda conseguiu imobilizar a Viúva Negra na primeira luta e sem ter muito conhecimento em combate. – ele completou me encarando. – Não se preocupe, eu vou enfrentar o Steve e a Nat um dia. Só não será agora. – soltou uma risada. – Apenas deixe eu me preparar mais um pouco. Ficar melhor. – rolei na cama improvisada que a gente fez de cobertores no chão do Quinjet e fiquei sobre Tyler.
—Você já é melhor. – sorri, o beijando.
—Pirralha, seu destino se aproxima. –
—Argh! – revirei os olhos. – Sempre vou odiar o Tony por isso. – me sentei arrumando meu cabelo. – Sua surpresa se aproxima. – sorri, olhando Tyler sobre o ombro. Ele ainda estava deitado.
—Dica? –
—Sem dicas. – peguei a venda e fiquei com uma perna de cada lado do quadril dele. – Agora deixe-me vendar você e podemos ir para o destino principal. –
—Posso me sentar na minha cadeira? – ele se sentou, deixando nossos corpos colados.
—Eu coloco você lá. – disse prendendo a venda atrás da cabeça de Tyler.
Ele inclinou a cabeça e me beijou. Só que ele errou um pouco o local.
—Esse é meu queixo. – informei rindo.
—Me mostra sua boca, então. – sussurrou.
—Minha boca está bem aqui. – segurei o rosto dele entre minhas mãos, pressionando meus lábios nos dele.
O beijo era sôfrego com direito as suas mãos segurando minhas costas com firmeza enquanto meu corpo se movimentava sobre o quadril dele.
Então Tyler parou.
—Eu tenho a leve impressão que não vai dar tempo para uma rapidinha, então sugiro que você pare de fazer o que estava fazendo. Certo? – soltei uma risada, dando um selinho nele.
—Certo. – concordei, levantando e ajudando ele a ficar de pé. – Por aqui, senhor Pierce. – ajudei ele a chegar até a cadeira dele. – Quer que coloque o cinto? –
—Não... não precisa. – sorri, saindo de cima dele.
Me sentei na minha cadeira e tirei do piloto automático.
—Você já assumiu o controle? –
—Já sim. – murmurei perdendo o olhar na imensidão do local onde estávamos. – Certo, Ty, pode tirar a venda. –
—Quando eu abrir os olhos não vai ter o nome de uma boate na minha frente, vai? – soltei uma risada.
—Iríamos viajar durante horas só para eu te trazer para uma boate? –
—É porque não seria uma boate qualquer. Também seria uma boate para stripper. – sorri.
—Isso é interessante. Talvez a gente visite uma nesses dias. O que acha? –
—Reclamar eu não iria. – o olhei de soslaio, vendo que o mesmo sorria. – Posso mesmo tirar a venda? –
—Já devia ter tirado. –
Tyler então levou as mãos até atrás da cabeça, desatando o nó e retirando a venda. No primeiro momento, ele ficou calado, os olhos arregalados e a boca aberta em sinal de surpresa e incredulidade.
—Ah, meu Deus. Isso... isso é... – ele tentou falar algo.
—Sim. – concordei rindo.
—Aqui é... aqui é... –
—Sim. – o olhei. – Gostou? –
—Se eu gostei? Melinda! Estamos em Paris! – sorri. – Você é maluca. Completamente maluca. –
—Obrigada. Agora vamos pousar e curtir seu aniversário. – virei o Quinjet para a direita, desviando a visão da Torre Eiffel.
—E onde vamos pousar? Tem que ser um local que não chame muita atenção para o Quinjet, não é? –
—E é aí que o Ryan entra. – respondi. – Eu estava procurando um local seguro e discreto para pousar o Quinjet e bem na hora Ryan me ligou. Eu comentei com ele sobre sua surpresa e então ele me sugeriu os terraços das Empresas Buchanan para pousar. E aqui estamos nós. – avistei o grande letreiro da Empresa Buchanan e sorri, direcionando o jato para a mesma.
—Um lugar discreto, né? O Ryan e o pai dele não sabem não se exibir, não é mesmo? – soltei uma risada. – Então quer dizer que o Buchanan sabia sobre minha surpresa? – assenti. – Quem sabia tanto? –
—Wanda, Steve, Tony, Ryan, Sexta-Feira e Michelle. Contei para minha mãe antes que ela achasse que eu fui atrás de outro robô assassino, sabe? – Tyler riu.
Pousei o Quinjet, encarando Tyler.
—Por que Paris? – indagou.
—Ué, você sempre me disse que queria visitar Paris um dia. Então qual a melhor oportunidade para se visitar a Cidade Luz em pleno seu aniversário e com a garota que você gosta? –
—Não estou vendo a garota que eu gosto. – sorriu.
—É claro que não. Até porque você está muito ocupado amando ela. – levantei, pegando minha bolsa. – Vamos, bebê? –
—Qual é a programação? – abri a porta do Quinjet deixando Tyler passar na frente.
—O aniversariante é você. – peguei os sobretudos, saindo do Quinjet. – Pega. A média por aqui é de 14°C. – entreguei o casaco a ele.
Observei a porta do Quinjet se fechando enquanto Tyler e e eu vestiamos os sobretudos. Olhei Tyler de cima a baixo. Ele ficou ainda mais lindo.
—Então – o olhei nos olhos. –, qual a programação? –
—Louvre, Arco do Triunfo, Pigalle... – soltei uma risada.
—Você quer visitar Pigalle? –
—Lógico. É um distrito turístico com vários sex shops, teatros e shows para adultos. – Tyler respondeu exibindo um sorriso enorme. – É lá que está lolocalizado o Moulin Rouge. –
—O cabaré mundialmente famoso de Paris. – completei rindo. – Tudo bem. É o seu aniversário, então seus pedidos são ordens. – cruzei os braços. – E a Torre Eiffel? –
—Temos bilhetes para a Torre Eiffel? – arqueou a sobrancelha.
—Depende. Você quer ir à Torre Eiffel? O andar mais baixo está a 57 metros de altura e é o andar mais sem graça, digamos assim. – expliquei.
—Bom, para quem pulou do Quinjet em movimento sem um paraquedas. – Tyler soltou uma risada. O encarei, mostrando que isso não tinha a menor graça. – Vou parar de fazer piadas com isso. Juro. –
—Hum. – resmunguei. – E então? –
—Eu quero muito visitar a Torre Eiffel, mesmo com meu medo de altura girando para mim não ir. – ele sorriu, fazendo-me sorrir também.
—Sem medo, ok? A Torre é segura e se não for, eu vou estar com você. – me aproximei dele, passando meu braço pelo dele. – Agora vamos logo. Comprei os bilhetes para subirmos as 06:30 PM. –
—Espera. Você já está com os bilhetes? – assenti, começando a caminhar até o elevador do prédio. – Melinda, você estava considerando meu não? –
—Sim. – entramos na cabine e eu tirei o cartão de acesso do elevador da bolsa. – Caso você não quisesse ir, eu daria os bilhetes para as duas primeiras pessoas que passassem na minha frente. – dei de ombros, colocando o cartão de acesso e apertando o botão do térreo, retirando o cartão logo em seguida e guardando de volta na bolsa. – O que? – indaguei vendo que Tyler me encarava.
—Como diabos você tem o cartão de acesso do elevador desse prédio? –
—Ryan me enviou pelos correios. – expliquei. – Achou que a gente desceria do terraço voando? – soltei uma risada.
—Sim. – o encarei.
—Você queria? –
—Considerando que estamos falando de você, achei que desceríamos voando. – ele deu de ombros.
—Ok. A gente desce da Torre Eiffel voando. – as portas do elevador abriram. Sai na frente. Tyler ficou parado. – O que foi? –
—Não está falando sério, está? – sorri.
—Não sei. Estou? – fiz um gesto com a cabeça. – Vamos logo. –
Tyler saiu do elevador, parando do meu lado e segurando minha mão. Começamos a andar pelo enorme hall de entrada do prédio e logo passamos pela recepção.
—Bonne nuit, René. (Boa Noite, René.) – sorri.
—Mademoiselle Melinda! Comment s'est passé le voyage? (Senhorita Melinda! Como foi a viagem?) – o concierge cumprimentou animado.
—Long, mais assez productif. Nous venons de rentrer dans la matinée, d'accord? (Longa, mas bastante produtiva. Nós voltamos apenas pela manhã, tudo bem?) –
—D'accord. Une belle sortie pour vous et votre petit ami. (Tudo bem. Um ótimo passeio para você e seu namorado.) – o francês sorriu.
—Merci. – retribui o sorriso, acenando e caminhando até as portas giratórias.
—Desde quando você fala Francês? – Tyler questionou com a sobrancelha arqueada.
—Nat está me ensinando. Assim como Russo e outras línguas. – respondi soltando a mão dele e passando pela porta giratória. Tyler veio logo atrás.
—Por que você não me contou? – ele entrelaçou nossas mãos novamente.
—Você não perguntou, ué. – soltei uma risada, começando a caminhar pelas ruas bem iluminadas de Paris. – Agora vamos começar a comemorar seu aniversário. –
—Achei que tínhamos começado a comemorar desde quando estávamos no Quinjet. – Tyler sorriu.
—Aquilo ali foi só o início, amor. –
—Estou sentindo que esse será um dos melhores aniversários da minha vida. – ele murmurou, sorrindo.
Fale com o autor