Civil War
8 Paris
Notas iniciais
Paris ficava ainda mais linda vista de cima da Torre Eiffel. Todas aquelas luzes, as pessoas parecendo formigas em baixo de nós... tudo era perfeito.
Teria sido mais perfeito ainda se o Tyler não estivesse com medo de chegar até a beira da Torre. No entanto, eu levei em conta que ele já tinha feito bastante esforço ao subir na Torre e parei de perturbá-lo com essa ideia.
Nós íamos jantar na Torre Eiffel, como qualquer turista faria. Porém, após vermos os preços das comidas Tyler e eu quase caímos para trás. Aquilo era um verdadeiro assalto!
No fim, decimos comer longe daquela Torre oportunista e enchemos o bucho com uns croissant, café e pãozinhos franceses. Tudo uma delícia tanto no gosto como no preço.
Depois de comer, nós fomos ao Louvre e depois ao Arco do Triunfo, um ótimo lugar para tirar fotos. Nesse último, alguns fãs chegaram e pediram para tirar foto comigo.
No início, eu fiquei com um pé atrás porque era o aniversário do Tyler e não queria que ele sentisse que o deixei de lado. Só que aí as fãs mesmo chamaram Tyler para tirar foto com a gente. Elas disseram algo relacionado que o namorado da Valente era bonito demais para ficar de fora.
E então, antes de irem embora, elas soltam a pérola:
—Estamos torcendo para que vocês fiquem juntos. – e foram embora.
—"Estamos torcendo para que vocês fiquem juntos"? O que isso quer dizer? – franzi as sobrancelhas.
—Eu acho que você sabe muito bem o que isso quer dizer. – Tyler riu, abraçando minha cintura.
—Se você se refere a palavra casamento pode ir tirando o cavalinho da chuva. "Estamos torcendo para que vocês fiquem juntos." – resmunguei. – Essa foi ótima. –
—Para onde vamos agora? –
—Para onde você quer ir? – o olhei.
—Pigalle. – ele sorriu. – Finalmente a diversão. –
—Como assim "finalmente a diversão"? Você não estava se divertindo? – arqueei a sobrancelha. – Fomos a Torre Eiffel e ao Louvre. E lá no Louvre foi bastante divertido. – sorri.
—Fala de quando fomos expulsos do Louvre? – foi a vez dele de arquear a sobrancelha.
—Nós não fomos expulsos. Apenas fomos convidados gentilmente para nos retirarmos. – expliquei segurando a risada.
—Ou seja, expulsos. – começamos a caminhar.
—Não tenho culpa se algumas pinturas são engraçadas e dão vontade de rir. Digo, pessoas pagariam milhões só por um quadro com rabiscos! –
—Acontece que sua risada importunou os outros visitantes e por esse motivo nós fomos expulsos. –
—Convidados gentilmente para nos retirarmos. – corrigi rindo. – Eu não tenho culpa se aquelas pessoas não têm senso de humor. – dei de ombros.
—O seu senso de humor nos impediu de ver a Monalisa. – Tyler sorriu.
—E qual a graça de ver aquele quadro? – revirei os olhos. – Vamos logo para Pigalle. –
—Espera. Entra nessa loja. – Tyler pediu mudando nosso caminho.
—O que? – indaguei confusa.
—Você precisa de um disfarce. – ele falou entrando na loja e me levando junto.
—De um disfarce? Do que você está falando? – franzi as sobrancelhas.
—Melinda, você é uma Vingadora. – ele parou na minha frente.
—Sou. – confirmei, também parando.
—E tem fãs crianças. – continuou.
—Tenho. – assenti.
—E nós vamos para um distrito turístico para adultos. Com sex shops e várias outras coisas impróprias para crianças. – ele arqueou as sobrancelhas sugestivo.
—Sim, nós vamos. – então entendi o porquê do disfarce. – Ah. –
—Vamos. – ele riu, indo para o interior da loja.
—Não acredito que crianças vão me impedir de entrar em um sex shop como eu mesma. – resmunguei.
—Vai ser divertido, Melinda. – Tyler soltou uma risada me entregando um vestido e uma peruca preta.
—Uma peruca? Sério? – arqueei a sobrancelha.
—Eu sempre quis ver você morena, de cabelo curto e com franjinha. – ele respondeu sorrindo.
—Você está me disfarçando ou satisfazendo um fetiche antigo? – indaguei.
—Um pouco de cada. – soltei uma risada.
—Procura uma mochila para guardar minha roupa. Gosto muito dela e não vou jogar fora porque algumas criancinhas não podem ver a heroína delas entrando em um sex shop. – falei olhando para o atendente da loja. – Oi. Aqui tem banheiro ou provador? Sei lá. Qualquer lugar que dê para me trocar. –
—Final do corredor. – o atendente respondeu. – Você não é... a Valente? –ele sorriu.
—Sou, sim. – respondi exibindo um sorriso.
—Você poderia gravar um vídeo para a minha filha? Ela é uma grande fã sua. – ele soltou uma risada sem graça. – Só se não for um incômodo. –
—Imagina. – fiz um gesto de dispensa. – Onde está o celular? –
O atendente retirou o celular do bolso, colocando na câmera e me entregando o aparelho.
—Certo. – murmurei. – Qual o nome dela? – indaguei encarando o homem.
—Luna, tem 12 anos. –
—Puberdade chegando, hein. – murmurei, colocando o celular para gravar. – Hey, Luna! – abri um enorme sorriso. – Aqui quem fala é a Melinda. – bati na testa. – Que cabeça a minha. Você deve saber muito bem quem eu sou. – soltei uma risada. – Então, eu estava passando por Paris né e resolvi fazer umas comprinhas na loja do seu pai. Aí ele me disse que você era uma grande fã da Valente e me pediu para gravar esse vídeo para você. E a verdade é que eu não faço a mínima ideia do que falar, porque eu sou nova nesse ramo de ter fãs e... – respirei fundo. – Seja feliz, pequena. Faça aquilo que te dá prazer, felicidade, satisfação... e não aquilo que agrada os outros, mas não agrada você. Nunca, em hipótese alguma, deixe alguém te dizer que você é insuficiente. Porque isso jamais será verdade. E se eu posso te dizer mais uma coisinha é: antes de você tentar ser suficiente para alguém, seja suficiente para você mesma. Você, Luna, tem que vir sempre em primeiro lugar. – sorri, vendo o pai da garotinha sorrir também. – E eu não sei mais o que falar, então boa sorte na sua vida e sei que a adolescência está chegando, mas não perca seu lado criança, certo? Essa é a maior riqueza que podemos ter. Beijinhos, bebê! – parei de gravar, salvando o vídeo e encarando Tyler e o atendente. – Então? –
—Você foi ótima. – Ty respondeu sorrindo.
—Aposto que a Luna irá desmaiar assim que ver você no vídeo. – o pai da menina pegou o celular de volta. – Mas ela também irá amar o vídeo. Obrigado. – sorriu agradecido.
—Dispõe. Bom, eu vou... me trocar. Final do corredor, né? –
—Sim. – ele concordou. Assenti, passando por Tyler e encarando-o de cima a baixo.
—Trata de procurar um disfarce pra você também, bebê. – falei caminhando pelo corredor e entrando no banheiro.
Tinha um espelho grande que dava para eu me arrumar sem problemas.
Tirei o sobretudo, deixando-o sobre a pia. Fiz o mesmo com minha camisa e a saia.
O vestido que Tyler escolheu era preto, de mangas curtas, saia rodada e o comprimento acima dos joelhos. O vesti, me olhando no espelho.
—É, até que não ficou ruim. – murmurei. Peguei a peruca, a encarando. – Não acredito que o Tyler vai me fazer usar isso. – suspirei, arrumando meu cabelo para colocar a peruca.
Ao colocá-la, me olhei novamente no espelho, endireitando a mesma.
—Talvez eu devesse pintar o cabelo de preto. – murmurei me observando já com a peruca.
O comprimento ficava acima dos ombros e ela tinha uma franjinha cobrindo minha testa.
Escutei algumas batidas na porta, me despertando.
—Amor, já está pronta? –
—Estou saindo. Você arranjou uma bolsa maior, não arranjou? – perguntei dobrando minha saia e camisa. – Pintar o cabelo de preto. Onde já se viu, Melinda? – resmunguei baixinho.
—Arranjei. Estou doido para te ver morena. – sorri pegando o sobretudo.
Me olhei no espelho uma última vez e abri a porta, dando de cara com Tyler.
—Caralho. – ele soltou me olhando de cima a baixo. – Seria demais eu pedir para você pintar o cabelo de preto? –
—Seria. – respondi. – Cadê a bolsa? –
—Aqui. – ele me entregou uma mochila pequena. – Eu coloquei sua bolsa aí dentro. –
—Que bolsa? –
—Sua bolsa, Melinda. A que você trouxe de New York, a de tiracolo. – franzi as sobrancelhas.
—Ah. – soltei, lembrando de qual bolsa ele estava falando. – Estou te esperando. Seja rápido. –
—Claro. – ele entrou no banheiro, fechando a porta.
Suspirei, abrindo a mochila e guardando minha roupa. Caminhei até o balcão, deixando a mochila e meu sobretudo sobre o mesmo.
—Você fica muito bem morena. – o atendente falou, atraindo meu olhar.
—Obrigada. – sorri. –Ahm, olha, eu vou perguntar só por perguntar. – arqueei a sobrancelha. – Vocês não vão assaltar um banco, vão? – meu sorriso aumentou.
—E o Tyler dizendo que ninguém desconfiaria. – balancei a cabeça negativamente. – Agora eu vou ter que dar um jeito em você. – tombei a cabeça para o lado, encarando o homem séria.
—Eu até acreditaria se você não fosse uma Vingadora. – arqueei a sobrancelha.
—Nem todos os mocinhos são tão bons assim. Digo, qualquer pessoa é facilmente corrompida. – dei de ombros. – Não vamos assaltar banco nenhum. Acontece que eu tenho muitos fãs, sabe? E tem uns que pedem para tirar foto, dar autógrafo ou apenas para conversar mesmo. Eu não estou falando de você, longe disso. – esclareci, vendo o homem assentir. – É o aniversário do Tyler e, por mais que ele não fale nada, eu sei que ele não gosta disso, dessa interrupção. Entende? – menti.
—Claro, entendo sim. –
—E eu não queria ter que falar para esses fãs não me importunarem. Isso não é nada legal. – suspirei. – Por esse motivo, decidimos nos disfarçar. É até divertido. – sorri.
Ouvi a porta do banheiro abrindo, atraindo minha atenção. Revirei os olhos ao ver o "disfarce" de Tyler.
—Está zombando com a minha cara, não é? – cruzei os braços.
—O que? – bufei indo para o interior da loja, procurando alguma coisa para ele.
—Você me faz usar uma peruca e um vestido diferente enquanto você apenas troca a camisa? – indaguei o encarando.
—Sabia que era para trocar os sapatos também. – ele brincou.
—Tyler. – o repreendi.
—Eu não sou um Vingador. Não preciso de um disfarce que me deixe irreconhecível. – deu de ombros.
—Você pode não ser um Vingador, mas ainda é meu melhor amigo e peguete. – me aproximei dele com um cachecol preto. – Algumas pessoas shippam nós dois juntos, significa que te seguem no Twitter e outras redes sociais, sabem sobre você. Inclusive todo mundo já sabe que estamos viajando para comemorar seu aniversário. – arrumei o cachecol no pescoço dele.
—Você quer que eu use uma peruca também? Eu uso. – arqueei a sobrancelha. – Um cachecol não vai adiantar, Melinda. –
—Eu sei. – resmunguei pegando uma touca preta e colocando na cabeça dele. – É só não manter contato visual muito tempo com as pessoas, andar de cabeça baixa, essas coisas. – expliquei, olhando-o para ver como estava. – Ah, foda-se. Coloca isso. – entreguei um par de óculos a Tyler.
—Óculos? Sério? – ele arqueou a sobrancelha. Revirei os olhos.
—Cala a boca. – cruzei os braços.
Tyler virou na direção de um espelho e colocou o óculos no rosto. Arrumou a touca e virou-se na minha direção.
—Então? –
—Ainda parece você, mas a minha opinião não vale muito já que vivo contigo durante anos. – dei de ombros. – Você diria que ele parece com o cara que entrou aqui alguns minutos atrás? – perguntei ao atendente.
—Eu diria que são parecidos. – o homem respondeu. – Mas dá para enganar, sim. –
—Menos mal. Então, quanto deu todas essas coisas? – caminhei até o balcão, pegando minha carteira.
—Melinda, deixa que eu pago. – Tyler apareceu do meu lado já vestido com o sobretudo dele.
—Não. Eu pago. – ele segurou minha mão.
—A ideia foi minha. Eu pago. – revirei os olhos.
—É seu aniversário, besta. Não vou deixar você pagar nada. – soltei minha mão, pegando o cartão de crédito. – Quanto deu? –
—Melinda... – o atendente interrompeu Tyler:
—Nada. De graça para vocês. –
—O que? –Tyler e eu questionamos juntos. – Tudo isso de graça? – o homem assentiu. – Desculpe. Não podemos aceitar. – falei sorrindo.
—Presente de aniversário. – ele retrucou exibindo um sorriso. – E não se recusa presentes. –
—Mas, senhor... – Tyler tentou falar alguma coisa.
—Sem mas. Se acalmem, está tudo bem. Eu não irei falir por conta disso. – o atendente soltou uma risada. – Agora vão curtir a viagem de vocês. –
Olhei para Tyler que também me encarava.
—Presente não se recusa. Ele está certo. – guardei o cartão de crédito na minha carteira, guardando a mesma na mochila. – Eu agradeço, senhor... credo. Você dá esses mimos para gente e nem sabemos seu nome. – peguei meu sobretudo, o vestindo.
—Jean. – sorri.
—Obrigada, Jean. – agradeci –Voltem mais vezes. – Jean falou acenando.
—Vou voltar no meu aniversário para ganhar presentes também. Ai! – resmunguei quando senti Tyler me beliscar. – Eu estava brincando. Dê um abraço na Luna por mim, sim? – sorri, acenando. – Você carrega a mochila. – disse para Tyler antes de sair da loja.
—Muito obrigado, Jean. Até a próxima. – o garoto se despediu do atendente e logo apareceu do meu lado. – Então, Melinda. Pigalle? –
—Não adianta estarmos disfarçados e continuarmos com os mesmos nomes. Enquanto estiver com essa peruca, eu me chamo Diana. – passei meu braço pelo dele.
—Tudo bem, Diana. Eu me chamo Dylan. – abri um sorriso.
—Então, sim, Dylan. Pigalle. – confirmei, fazendo-o rir e logos nós dois voltamos a caminhar pelas ruas de Paris.
***
—Isso aqui é o paraíso. – murmurei deixando meus olhos se encherem com a visão do distrito de Pigalle.
Era exatamente como o Google tinha mostrado quando fiz as pesquisas sobre esse local.
Inúmeras casas de shows para adultos, sex shops e várias outras coisas do gênero.
—Amor, onde você quer ir? – encarei Tyler que sorria.
—Sexodrome. – indicou com a cabeça. – Lembra que o Google disse que era o sex shop mais famoso de Paris? – assenti, rindo.
—Lembro também que lá tem salas privadas. Será que vamos poder contratar uma amiguinha para a gente? – perguntei exibindo um sorriso maroto.
—Espero que essa amiguinha tenha bastante disposição para aguentar toda essa sua energia. – ele brincou.
Começamos a caminhar em direção ao Sexodrome e ao entrarmos no sex shop, meus olhos se arregalaram em total incredulidade.
Lá era um lugar bem movimentado, mas não foi isso que me impressionou. Foram a quantidade de objetos que tinham aqui.
—Tyler do céu. – murmurei. – Olha só esse tanto de coisas! – soltei uma risada.
—Acho que nem se passarmos uma semana aqui conseguiremos experimentar todos. – ele falou olhando ao redor.
—Mas eu quero experimentar todos. Você não? –
—Vamos morar aqui? – Tyler riu. – São inúmeros... –
—Brinquedos! Eu sei, por isso que é tão divertido. – falei eufórica. – Ty, tem coisas aqui que eu nem sei o nome e olha que estamos apenas na entrada da loja! – ele soltou uma risada. – Sem contar o tanto de gente gostosa que trabalha aqui. – falei olhando os atendentes do sex shop.
Tinha uma variação de homens e mulheres, todos com um uniforme parecido. As mulheres usavam saias que eu sabia que tinha apenas um palmo de comprimento, sutiãs extremamente sexys e incrivelmente lindos, meia calça rendada, salto alto e outros aparatos. Tudo na cor vermelha e preta.
Já os homens estavam de cuecas, também preta ou vermelha, um colete social e gravata borboleta. Estavam quase os coelhinhos da PlayBoy.
—Será que eu posso fazer um teste drive com todos os funcionários para saber quem transa melhor? – mordi o lábio inferior.
—Pergunta a mulher que está vindo em nossa direção. – indicou com a cabeça para algo atrás de mim.
Me virei, dando de cara com uma mulher loira e completamente gostosa. Ela usava a mesma roupa que as demais e uma maquiagem extravagante demais para o meu gosto.
Meu gaydar não chegava nem a dar indícios de que iria apitar. Resisti ao impulso de revirar os olhos. Hétero.
—Boa noite. – ela abriu um enorme sorriso. – Eu me chamo Beatrice. –
—Diana e Dylan. – falei também sorrindo.
—Namorados? – sorri de lado.
—Sim. – respondi, sentindo o olhar de Tyler em mim. – Nós estávamos querendo mudar a rotina e um amigo nos recomendou esse lugar. Um lugar adorável, devo acrescentar. – a mulher agradeceu. – E enquanto nós observávamos, alguns dos funcionários indo com os clientes para um lugar mais afastado. Como isso funciona? – questionei encarando a mulher.
—Vocês podem escolher qualquer funcionário e levar para uma sala privada. Paga pelo serviço do funcionário e o uso da sala privada. –
—Agora eu entendi porque esse lugar é esse luxo todo. – Tyler sussurrou no meu ouvido.
—Se eu quiser dois funcionários. –
—Você paga pelos dois. – ela respondeu rápido. – Se escolher três, paga pelos três e assim por diante. – revirei os olhos.
—Credo. Aqui não tem nem a promoção "transando com dois, você tem a terceira transa de graça". –
—Normalmente as pessoas não aguentam transar duas vezes seguidas aqui. – ela deu de ombros. – Os funcionários daqui são bem fogosos e os clientes não aguentam todo o fogo. – sorri. Isso estava começando a me animar.
—Ah, a Diana aguenta mais de três vezes facilmente. Acredite em mim. Você se surpreenderia com a quantidade de energia que ela tem na cama. – Tyler comentou sorrindo. Joguei um sorriso arrogante para Beatrice que arqueou a sobrancelha.
—E você, Dylan? Aguenta tanto quanto ela ou não? – a mulher perguntou a Tyler de um jeito sexy.
—Acho que a Diana pode responder essa pergunta, não é, amor? – ele me encarou, fazendo-me abrir um sorriso.
—É claro que posso responder essa pergunta, mas não a você. Não gostei de você. – encarei a mulher que abriu a boca indignada. – Então quer dizer que a gente pode escolher qualquer um, né? – pressionei os lábios, olhando todos os funcionários presentes. – O aniversário é seu, amor. Escolhe. – sorri, olhando para Tyler.
—Qualquer uma? – sorriu.
—Qualquer uma. – concordei, vendo-o observar cada uma das funcionárias.
Segui cada olhar dele, utilizando meu famoso gaydar porque eu também queria me divertir com essas princesinhas.
No entanto, se o Tyler acabasse por escolher uma que não curtisse a minha fruta, eu escolhia outra para mim e pronto.
—Utiliza seu gaydar naquela ali. – ele pediu. Segui seu olhar que estava em uma mulher que descia uma escada.
Ela era incrivelmente linda, se brincar a mais linda entre todas as mulheres que eu já vi aqui em Paris.
O cabelo era preto quase azul escuro, seu uniforme era um pouco diferente das demais. A saia era de couro preto, um pouco mais comprida que um palmo com certeza, o sutiã era de renda na cor azul petróleo, a meia calça era 3/8 preta e de renda e nos pés um salto alto também preto. A maquiagem era escura, mas nada extravagante como da Beatrice.
—Caralho. – murmurei.
—Linda, não é? – Tyler sussurrou.
—Linda é pouco. Aquela mulher é perfeita, Ty. – respondi sorrindo. – Sabe o melhor? Gaydar apita com força. –
—Lésbica? –
—Bi. – esclareci. – Na lata. Você está começando a aprender, olha. – o encarei. Virei-me na direção da mulher que nos encarava impaciente. – Qual o nome daquela ali? – apontei. A mulher soltou uma risada.
—Acho bom escolherem outra. Aquela ali só transa com quem ela quiser. – Beatrice cruzou os braços.
—Achei que todos aqui só transassem com quem quisesse. – cruzei os braços também. – Diz logo o nome dela. –
—Ela é a dona do Sexodrome. – respondeu. – Por isso é ela quem escolhe os clientes e não os clientes que escolhem ela. –
—É, bebê, mas nós não somos qualquer cliente. – sorri. – Chama ela aqui. – Beatrice respirou fundo.
—Lana! – ela falou um pouco mais alto. – Depois não digam que eu não avisei. – e se afastou.
—Que ela não tenha uma família que foi morta em Sokovia e tenha um dispositivo que inibe meus poderes instalado nesse prédio. – murmurei vendo a mulher se aproximar.
—Boa noite. Em que posso ajudá-los? – Lana sorriu. E, Deus, que sorriso.
—Boa noite. Então, meu namorado e eu estamos querendo inovar no nosso relacionamento, sabe? Um amigo nos recomendou esse lugar e nós já amamos sem antes nem experimentarmos os prazeres que esse lugar tem. Se bem que eu acho que tive um orgasmo só de olhar para você e... –
—Diana! – Tyler me repreendeu.
—O que? Eu estou sendo sincera! Você sabe que essa mulher é maravilhosa então eu vou enaltecer a beleza dela sim. –
—Enalteça a beleza dela, mas não dessa forma. – revirei os olhos.
—Tudo bem, papai. – resmunguei. Voltei a encarar Lana, notando que ela segurava uma risada. – Acontece que a tal Beatrice veio nos atender, né, e nos explicou mais ou menos como funciona aqui. Ela disse que podíamos escolher qualquer funcionário e quando escolhemos você ela veio com um papo de que era melhor nós escolhermos outra porque você não transava com qualquer um. A propósito, eu vou já deixar minha reclamação em relação a ela. – de soslaio vi Tyler balançando a cabeça. – Assim que ela se aproximou eu já não fui com a cara dela e depois que ela abriu a boca, eu fui menos ainda com a cara dela. Achei que para esse tipo de emprego, as pessoas deveriam ser mais simpáticas e... –
—Diana! – Tyler me repreendeu novamente. – Pelo amor de Deus, cala a boca e deixa a Lana falar. –
—Eu estou fazendo minha reclamação como cliente, ora essa. – o encarei. – Quando entramos aqui eu não vi uma caixinha de "deixe sua reclamação aqui". Se essa caixinha não existe eu vou fazer minha reclamação a dona do estabelecimento. –
Uma risada preencheu meus ouvidos, atraindo minha atenção e de Tyler. Lana ria de algo, provavelmente de mim e Tyler.
—Vocês são engraçados. Já vi que o relacionamento de vocês é bem divertido. –
—Você não imagina o quanto. – Tyler respondeu.
—A Beatrice não é um exemplo de simpatia com as clientes. – Lana explicou dando ênfase ao "as clientes". – Ela é mais simpática com os homens. –
—Bem que eu tinha notado. – resmunguei revirando os olhos.
—Mas a Beatrice estava certa quando disse que eu não transava com qualquer um. – Lana cruzou os braços.
—Ah, é? – arqueei a sobrancelha.
—Sim. Eu prefiro clientes que falem demais, mas sem ser chato. Ou que comecem a discutir, saudavelmente, claro, na frente da dona do Sexodrome. – ela sorriu. – Eu também prefiro clientes que usam óculos. – ela olhou para Tyler, mordendo o lábio inferior.
—Acho que você irá se decepcionar ao saber que isso está só de enfeite. – ele falou retribuindo o sorriso.
—Ah, estão disfarçados. – ela matou a charada rapidamente, me deixando levemente surpresa. – Então são pessoas importantes e há alguém lá fora não pode nem sonhar que estão aqui. – deduziu.
—Ela é importante. Eu não. – Tyler respondeu fazendo bater no braço dele.
—Deixa de ser idiota. Se você não fosse importante, não estaria disfarçado. – encarei Lana. – Eu disse a Beatrice que nós não éramos qualquer cliente. –
—Estou ainda mais curiosa para saber a real identidade de vocês. Já sabem qual tema de quarto vão querer? – ela questionou indo até o balcão.
—Tema de quarto? Não me diga que as salas privadas... –
—São todas com temas diversos. – um enorme sorriso tomou conta dos meus lábios.
—Tyler, esse lugar só melhora. – falei seguindo Lana. Ele veio logo atrás. – Quais são os temas? –
—De tudo que você imaginar. – ela me entregou um tablet com fotos dos quartos. – Esportes, profissões, Galáxia, cultura geek... – conforme ela ia citando os temas, eu ia passando as fotos.
—Na cultura geek tem o quarto tema Star Wars? – Tyler questionou.
—Temos. – Lana confirmou. Soltei uma risada.
—Nesse com certeza tem as camisinhas neon onde podemos brincar com verdadeiros sabres de luz. – comentei, fazendo Lana sorrir.
—Nesse nós temos até a fantasia do Darth Vader. – ela esclareceu.
—Mentira. – Tyler e eu falamos impressionados.
—A mais pura verdade. – ela sorriu. – Temos também o quarto tema super heróis. –
—Ah, não. – murmurei após passar a foto e ver a decoração do quarto. – Eu quero, eu quero, eu quero! – falei eufórica, virando-me na direção de Tyler. – Por favor, vamos pegar esse. Por favor, eu nunca te pedi nada. – implorei sorrindo.
—Amor, não. Definitivamente não. – desmanchei meu sorriso.
—Por que não? – indaguei chateada. – São heróis. E olha, são os Vingadores. Até a Valente está presente na decoração. – mostrei a foto para ele.
—E é justamente por esse motivo que eu não quero esse quarto. Você sabe que eu amo cada Vingador, mas eu não quero estar transando com você e quando olhar para o lado dar de cara com o Gavião Arqueiro. – soltei uma risada.
—Seria engraçado, bem engraçado. Imagina quando o Clint desse as caras? Como você iria olhar para ele? – perguntei rindo.
—Então vocês conhecem os Vingadores. – Lana murmurou, nos encarando com os olhos semicerrados. – Quem são vocês? –
—Ela está quase matando a charada. – sorri passando a foto para o lado. – Para tudo! Achei o quarto perfeito! – falei afobada virando o tablet na direção do Tyler.
—Ah, meu pai. – ele murmurou sabendo o que viria a seguir. – Coitado de mim. –
—Relaxa, amor. Prometo ser carinhosa. – acariciei o rosto dele.
—Não estou falando apenas de você. A Lana não tem cara de que é submissa, tem? – encarei a dona do sex shop.
—Então você escolheu o quarto com o tema bdsm. – ela falou sorrindo. – E não, eu nunca sou dominada. – Lana disse de um jeito sexy.
—É, amor, acho que você terá que lidar com duas domme. – olhei para Tyler.
—Coitado de mim. – ele repetiu, mas nos seus lábios tinha um sorriso sacana.
—Vamos. – entreguei o tablet a Lana. – Você também não irá escapar de mim, bebê. – joguei uma piscadela para ela.
—Terá que me convencer a me submeter a você. – sorri, começando a caminhar em direção aos quartos. – E, Diana, os quartos ficam para o outro lado. – girei nos calcanhares.
—Eu sabia. Estava apenas te testando para saber se você é uma ótima dona para esse estabelecimento. – parei ao lado dela. – Gostaria de ir na frente? –
Lana soltou uma risada, sentando no balcão e passando as pernas para detrás do mesmo, pegando um cartão que estava preso em um grande painel na parede junto com outros cartões.
—Primeiro, você tem que pegar a chave do quarto. – ela balançou o cartão.
—Eu achei que como dona daqui, você tinha a chave que abre todas as portas. – dei de ombros.
—E eu tenho, apenas deixo bem guardada. – Lana saiu de trás do balcão, caminhando para o interior do Sexodrome.
Ela parou em frente ao elevador e logo entramos no mesmo. As paredes do elevador tinham frases que dava para usar na transa, causando-me uma risada.
—Ótima decoração. – elogiei. Lana agradeceu.
As portas se abriram em um andar com as paredes na cor preta e as luzes eram vermelhas.
—Os quartos desse andar são todos tema bdsm? – Tyler perguntou olhando ao redor.
—Sim. A divisão dos quartos ficam com a semelhança dos temas. Como bdsm é algo que agrada uma grande quantidade de pessoas, decidimos deixar mais quartos com esse tema. – Lana respondeu parando em frente ao quarto e abrindo a porta com o cartão. – Esse é o meu preferido. – disse sobre o ombro, encarando Tyler e eu com um olhar sedutor.
Lana deu espaço para passarmos.
—Dylan? – indiquei para Tyler ir na frente.
—Está querendo me mimar antes de me torturar, amor? Como você costuma fazer quando tem seus brinquedinhos por perto? – ele passou por mim, beijando o canto da minha boca. – Amo quando você faz isso. – sussurrou mordendo meu lábio e puxando para si.
—Espero não ficar sobrando aqui. – Lana comentou atraindo a atenção de Tyler.
—Tem Tyler de sobra e acredito que vocês duas vão aprender a dividir direitinho. – ele falou sorrindo.
—Então Dylan é seu nome de disfarce e Tyler o verdadeiro? – ela arqueou a sobrancelha.
—Você capta as coisas rápido. – ele soltou uma risada, entrando no quarto. – No entanto, a melhor revelação de identidade vai ser a dela. Você ficará surpresa. –
Lana me encarou, os olhos semicerrados e o cenho levemente franzido. E então ela suspirou.
—Não quero matar a charada antes do tempo. Todo esse suspense dá um gostinho a mais do que está por vir nessa noite. – ela sorriu, indicando o quarto com a cabeça. – Você primeiro, Diana.— o nome Diana saiu dos seus lábios em um tom sarcástico isso só me fez abrir um sorriso debochado e entrar no quarto.
Meus olhos arregalaram e meu queixo foi ao chão ao ver o interior do quarto.
De frente para a porta tinha uma parede feita de vidro que mostrava uma lista vista do Quartier Pigalle. Em frente a parede de vidro tinha uma banheira de hidromassagem quadrada na cor preta (e que me deu vontade de colocar uma igualzinha no meu quarto).
Na parede esquerda, uma cama de casal enorme com lençóis de seda e cobertores em tons pastéis. Haviam correntes presas nos pés e cabeceira da cama. No teto, um espelho grande que dava para ver a cama e ao redor dela.
Ao lado da cama, um sofá oval vermelho com algumas almofadas e um encosto que dava para ter outra utilização além de encostar o tronco. Em frente ao sofá, uma mesinha de centro de mármore preto com algemas e outros objetos pequenos. Do outro lado da cama, um frigobar médio no estilo retrô.
E então meu olhar caiu sobre a parede a minha direita e aquilo me levou a loucura.
Qualquer coisa que você pudesse imaginar relacionado a esse quarto, tinha ali.
Chicotes, correntes, algemas, mordaças, vendas, mesas para prender o parceiro. Até uma gaiola pequena tinha!
—Caralho. Esse lugar é o paraíso! – falei pulando até meus mais novos brinquedinhos. – Olha só! Tem até um balanço erótico. Mano do céu! Bebê, eu vou colocar você nele. – olhei para Lana, que já estava sentada no sofá ao lado de Tyler. – Vou colocar vocês dois nele. – falei firme.
—Já disse que é muito difícil eu ser domada. – Lana falou passando o indicador pelo rosto de Tyler. – Terá que me convencer a me submeter a você. – ela me olhou, sorrindo.
—Consigo ser bem persuasiva quando quero, amor. Não me provoque. – cruzei os braços. – E as pessoas fazem tudo que eu quero. – devolvi o sorriso.
—Talvez nem todas. – ela piscou para mim.
Lana passou a perna por cima de Tyler, sentando no colo dele e segurando o rosto do mesmo com firmeza.
—O que acha de começarmos a nos divertir, hein, Tyler? – a morena sussurrou, aproximando o rosto dela do dele.
—Não pretende deixar a Diana de lado, pretende? – ele falou baixinho, mas graças a minha audição apurada eu consegui ouvir.
Vi Tyler inclinar a cabeça para beijá-la, mas Lana ergueu um dedo, parando-o.
—Você só me beija quando eu quiser que você me beije. – ele sorriu, assentindo. – E respondendo a sua pergunta: eu não irei deixá-la de lado. Ela parece ser um ótimo brinquedo também. – arqueei a sobrancelha.
Então ela está achando que vai me domar também?
—Eu apenas vou cuidar de você enquanto ela se diverte com algumas fantasias. – Lana completou.
—Fantasias? Que fantasias? Espera. Tem fantasias aqui? Onde? – perguntei olhando para os lados.
—No banheiro tem um closet pequeno com algumas fantasias. A porta atrás de você, Diana. – Lana respondeu e eu não perdi tempo antes de correr até a porta e entrar no banheiro. – Ela parece uma criança em um parque de diversões. – ouvi Lana comentar em um tom divertido.
—Um parque de diversões para adultos. – Tyler brincou. – Amo ver ela feliz desse jeito. –
—Namoram há muito tempo? – esqueci o quanto eu estava impressionada com o banheiro daquele quarto e foquei na resposta de Tyler.
—Três anos. – soltei uma risada baixa.
—Devia ter colocado mais uns aninhos. – falei voltando a prestar atenção no banheiro.
Eu até teria prestado mais atenção na decoração do banheiro se o closet que estava do meu lado esquerdo não tivesse chamado a minha total atenção.
Caminhei até ele, abrindo as duas portas e deixando mais um palavrão escapar da minha boca.
—Puta merda. – murmurei olhando todas as roupas e acessórios que aquele closet abrigava. – Lana! – gritei.
—Pois não? – a porta do banheiro foi aberta. Ela ainda usava a sua roupa. – O Tyler disse que não irá tirar nada sem antes você revelar quem é. Estou começando a achar que você é alguma estrela do pop muito famosa que não pode se meter em polêmicas como estar em um sex shop. – soltei uma risada. – O que queria? –
—Uma playlist apropriada para a ocasião. – ela sorriu.
—Eu tenho uma perfeita. – ela fechou a porta. – Não demora ou eu vou entrar aí com um chicote. – ouvi ela gritar.
—Eu não iria reclamar. – murmurei tirando meu sobretudo.
Uma música que eu não fazia ideia de qual era começou a tocar. Ela era boa para transar, ou seja: a playlist perfeita.
Desci o zíper do vestido e encarei as roupas no closet.
Não queria peças de roupa demais. Queria algo sexy e que fosse fácil de tirar. Isso me fez descartar uns macacões e calças de couro.
Descartei também algumas cintas que pareciam espartilhos. Eu odiava usar essas coisas apertadas.
Parei perto das saias de couro, mordendo o lábio.
—É, vai isso mesmo. – murmurei pegando uma saia que tinha uma fenda na lateral.
Quando fui vesti-la, soltei outro palavrão.
—Lingerie branca com uma saia de couro preta. Ótima combinação, Melinda. – resmunguei.
De soslaio, eu notei algumas gavetas que não tinha visto antes. As abri, me deparando com várias lingeries.
—Será que são novas? – indaguei.
—As lingeries são novas! – Lana gritou, como se tivesse lido meus pensamentos. – As clientes levam as que usam para casa, até porque roupa íntima não é reutilizável. –
—Ainda bem que vocês trabalham com qualidade e higiene. – murmurei tirando minha lingerie e escolhendo uma preta com bege rendada.
A vesti, vestindo a saia logo em seguida. Ela ficou um pouco acima da metade da minha coxa e a fenda era na perna direita.
Me olhei no espelho.
Eu amava roupa de couro. Amava como ela valorizava as minhas curvas e todas as outras coisas.
Arrumei meus seios no sutiã, ajustando as alças e enquanto o fazia, encarei meus pés. Eu ainda estava com a minha bota marrom.
Fiz uma careta olhando a sessão de sapatos.
Procurei por um salto preto com a minha numeração e o calcei. Peguei uma gargantilha com o pingente de alguma coisa na sessão de acessórios e a coloquei no pescoço.
Me olhei no espelho novamente.
Eu poderia me arrumar mais.
—Não. Não vou deixar a Lana se divertir com o Tyler sozinha. – falei arrumando minha roupa e deixando sobre um pequeno sofá que tinha no banheiro.
Vesti meu sobretudo, enfiando as mãos no bolso enquanto caçava meu batom vermelho.
Quando o achei, virei-me na direção do espelho que tinha sobre a pia e passei o batom vermelho. Pressionei os lábios, endireitando a peruca e guardando o batom de volta no bolso do sobretudo.
—Será que a Lana me vende essa roupa? – falei antes de me virar em direção a porta e abri-la, saindo do banheiro.
Tyler estava deitado no sofá, Lana estava em pé de frente para ele. Ela estava com a perna esquerda apoiada no tórax de Tyler enquanto falava alguma coisa.
O que ela falava perdeu a importância no exato momento em que eu sai do banheiro.
—Deus tenha pena de mim, porque vocês não estão tendo. – Tyler falou sorrindo.
—Sua revelação de identidade terá um showzinho? – Lana retirou a perna de cima de Tyler, cruzando os braços e me encarando.
—Claro que terá um showzinho. Qual seria a graça se não tivesse? – caminhei até os objetos presos na parede e peguei um chicote médio de couro e com tiras.
—Isso vai ser divertido. – Tyler murmurou sorrindo, sentando no sofá. – Eu só peço uma dancinha sexy, amor. –
—Você só tem um único desejo pela noite. É assim que quer gastá-lo? – perguntei girando o chicote.
—Pode apostar que sim. – ele sorriu, encostando o tronco no encosto do sofá.
—Vai ficar em pé mesmo, bebê? – encarei Lana.
—Terá motivos para eu cair para trás? – dei de ombros.
—Talvez sim, talvez não. Nunca se sabe. – balancei meu corpo, encarando o chicote nas minhas mãos.
Quando ergui meu olhar, Lana estava se sentando ao lado de Tyler. As pernas cruzadas, um olhar sério com uma pitada de divertimento.
—Surpreenda-me. –
A música que estava tocando acabou, dando início a outra.
Painting Greys, de Emmit Fenn, começou a tocar, fazendo-me balançar meu corpo conforme a batida ainda lenta e suave tocava.
Após a segunda estrofe, quando a batida tomou outro ritmo eu realmente comecei a dançar. Movimentando meus braços e quadril a cada batida, passando minhas mãos pelo corpo sensualmente e descendo até o chão, subindo logo em seguida.
Eu utilizava o chicote que estava nas minhas mãos em alguns movimentos e eu estava pedindo para que meu lado desastrada não despertasse e me fizesse tropeçar nos meus próprios pés ou me enrolar com esse chicote. Tyler começaria a rir e logo eu estaria rindo também.
Sensualmente, caminhei até o sofá, desabotoando alguns botões do sobretudo, deixando o sutiã a mostra.
Fiquei de joelhos no espaço que tinha entre Lana e Tyler, acariciei o rosto dos dois, inclinando o meu na direção do de Lana.
Rocei meus lábios nos delas, passando o chicote pelo pescoço dela e de Tyler, recuando sem beijar aquela boquinha gostosa.
Segurando as pontas do chicote, eu puxei ele para mim, trazendo os rostos de Tyler e Lana para perto dos meus seios.
Eu ainda estava de joelhos no sofá, isso me deixava mais alta que eles. Os encarei com um olhar de superioridade, e sem soltar o chicote, eu me curvei sobre Tyler, mordendo o lábio dele e puxando para mim.
Me afastei lentamente, soltando uma ponta do chicote. Levantei do sofá e dei as costas para os dois, me afastando mais um pouco. Desaboteei o resto dos botões e, quando eu passei da mesinha de centro, eu deslizei o sobretudo pelos meus braços, enquanto eu descia mais uma vez até o chão e subia.
Joguei o sobretudo na parte do sofá que Tyler e Lana não estavam, virando-me na direção deles novamente.
—Aquilo é uma tatuagem? – ouvi Lana murmurar.
Ih, porra, esqueci da tatuagem. Se ela ver, vai matar a charada.
Movimentando menos os braços, eu continuei dançando por um tempo e então estava na hora de tirar aquela peruca da minha cabeça. Troço para coçar.
Quando a batida do refrão acabou eu segurei a peruca pela franja e então a puxei para trás, balançando meu cabelo para arrumá-lo.
—Puta merda. – Lana resmungou inclinando o corpo para frente. – Você é a Valente! Mas como? Digo... – Tyler soltou uma risada, atraindo a atenção dela. – E você é o Tyler, melhor amigo e peguete. Meu Deus. Como eu não me toquei? Eu vi os tweets de que você estava aqui em Paris, mas nunca imaginei que fosse aparecer no meu sex shop. – foi a minha vez de soltar uma risada.
—Eu queria vir de cara limpa, mas o Tyler disse que eu tinha fãs crianças e que eles não poderiam nem imaginar que eu frequentava esse tipo de estabelecimento. – encarei a peruca na minha mão. – Eu achei que não tinha nada a ver, levando em conta que as crianças nem sabem o que é um sex shop. –
—Para meus filhos não teria problema nenhum em saber que a heroína deles visita um sex shop. – Lana sorriu.
—Você tem filhos? – Tyler e eu perguntamos incrédulo.
—Tenho. Paul, de 16 anos, e Christian, de 12 anos. São irmãos, eu os adotei. – ela respondeu.
—Gente. Eu posso perguntar quantos anos você tem ou isso seria indelicado da minha parte? – Tyler indagou. Eu também estava curiosa sobre isso.
—34. –
—Você achou a fonte da juventude? Eu não daria mais que 27 para ela. – Lana sorriu.
—Eu estou me contendo para não pular de alegria porque você está aqui. – ela me encarou.
—Está se contendo por que? – soltei uma risada. – Todo mundo pode surtar ao ver um Vingador na sua frente. Eu surtei. – dei de ombros, deixando a peruca em cima da mesinha.
—Eu posso te abraçar? – Lana soltou uma risada. Ela estava com vergonha? Que fofa.
—Claro que pode. Podemos ficar abraçadas enquanto fodemos. – sorri.
—Dois minutos de fofura, Melinda. Era pedir muito? – Tyler falou, balançando a cabeça.
—Já que você tocou nesse assunto, A respeito de eu não ser submissa a você. – Lana atraiu minha atenção. – Esquece. Eu sou toda sua. – arqueei a sobrancelha.
—Eu vou fazer você implorar para eu te domar. – segurei seu rosto com firmeza.
—Gosta de desafios. – sorri.
—Gosto. No entanto, vamos voltar ao foco principal que é o Tyler. Afinal, ele é o aniversariante. – encarei o garoto sentado ao lado de Lana.
—Já sabe o que vai fazer com ele? – ela questionou.
—Você não? – retruquei, puxando Tyler pelo sobretudo, fazendo-o levantar. – Nós vamos nos divertir, como nos velhos tempos. – dei alguns tapinhas no rosto de Tyler.
—Eu disse que seria submissa a você e não que eu abriria mão de domar o Tyler. – Lana puxou ele para si. Arqueei a sobrancelha.
—Não está me desafiando, está? – sorri com desdém.
—O melhor aniversário de todos. – Tyler comentou sorrindo.
***
Acordei com a leve sensação de estar sendo observada. Ao abrir os olhos, minha suspeita foi confirmada.
Lana me encarava minuciosamente.
Ao olhar para ela, as lembranças da noite anterior preencheram minha cabeça. Involuntariamente um sorriso estampou meu rosto.
Depois do pequeno impasse para saber quem ia assumir o controle de Tyler, Lana e eu resolvemos dividir as rédeas e assim todo mundo saia ganhando.
Assumimos o controle juntas, houve vezes que ela comandou e eu observei, eu comandei e ela observou, umas duas vezes eu domei ela e Tyler, eu deixei ela me domar (afinal eu não sou de ferro e aquela mulher é espetacular).
Concordamos de deixar o Tyler domar nós duas, até porque ele merecia.
E depois dele fazer isso três vezes, nós finalmente aquietamos o facho e dormimos. Tyler no meio, Lana de um lado e eu do outro. Ambas com a cabeça encostada no peito de Tyler e ele nos abraçando.
Eu poderia repetir essa noite pelo resto da minha vida.
—Não está planejando me matar como a outra Lana, está? – indaguei baixinho para não acordar Tyler.
—O que? – ela franziu as sobrancelhas.
—Nada não. Longa história. – suspirei.
—Sei que o Sexodrome é um sex shop muito conhecido, mas... – ela soltou um suspiro. – Nunca achei que um dia transaria com uma Vingadora. –
—Um dia você acabaria transando com um Vingador. Ou você transa comigo ou com o Homem de Ferro. – pressionei os lábios. – O Tony agora é comprometido, deixou essa vida de transar com uma pessoa diferente a cada noite de lado. Então você terá que se contentar comigo. – sorri.
—Reclamar eu não irei. – ela sorriu de volta.
—Vocês já acordaram? – a voz rouca e sonolenta de Tyler preencheu o quarto. Ele depositou um beijo na minha testa e na de Lana.
—Melinda, dá ele para mim. – ela pediu, fazendo-me arquear a sobrancelha. – Ele é muito fofo. –
—Nunca. Posso até dividir de vez em quando, mas dar o Tyler não. – respondi. Ela soltou uma risada. – Estava dizendo para a Lana que, com toda certeza do mundo, eu vou voltar aqui sempre. – apoiei meu queixo sobre o peito de Tyler.
—Desde que me traga junto, pode voltar aqui quantas vezes quiser. – ele deu de ombros.
—As portas do Sexodrome estarão sempre abertas para vocês. – Lana falou fazendo um pensamento surgir na minha cabeça e logo sair pelos meus lábios:
—E não serão só as portas que estarão abertas. – joguei uma piscadela para ela, me sentando na cama.
—Agora vem a melhor parte. – ouvi Tyler murmurar e então eu me espreguicei, esticando meus braços ao máximo e sentindo alguns ossos estalarem.
—Que visão. Que costas. – Lana sussurrou. Um sorriso brotou em meus lábios.
—Eu não sei vocês, mas aquela hidro ali está me convidando para um banho bem quentinho. – falei, levantando e caminhando até a banheira de hidromassagem.
A água estava borbulhando, criando espumas. Subi a pequena escada e entrei, sentindo a água quente abraçar meu corpo.
—Vocês não vem? – chamei, encarando os dois que ainda estavam deitados.
Lana veio primeiro, Tyler logo depois.
—Como são seus filhos, Lana? – perguntei relaxando.
—Não são uns anjos, mas também não são uns capetas. – respondeu fechando os olhos. – Eles são bem comprensivos, sabe? Em relação ao meu trabalho e outros assuntos também. –
—Ícone de mulher e mãe. Está explicado porque eu gostei tanto de você. – ela sorriu.
—Eu os adotei há 6 anos, quando o Paul tentou me assaltar para comprar comida para o Christian. Os dois moravam nas ruas, mas isso nunca os separou. –
—Eu gostei mais ainda dela. – Tyler me encarou. Eu sorri.
—Desde então eles tem um lar, uma família, amor, carinho. – Lana suspirou. – Eu amo meus filhos. –
—Eu não tenho vocação para ser mãe. – dei de ombros.
—Eu também dizia isso, Melinda. – ela me encarou, sorrindo. – E agora veja como estou. –
—Maravilhosa como sempre esteve, aposto. – sorri. – Eu realmente não nasci para ser mãe. –
—Nuca se quer cogitou a possibilidade? –
—Eu uso três métodos contraceptivos, então não. Acho que se eu ficasse grávida, surtaria. –
Fiz uma careta só de me imaginar com uma barriga enorme. Balancei a cabeça, afastando a imagem da minha cabeça.
—Eu nunca fui o tipo de criança que sonhava em casar, ter filhos. Eu queria conhecer o mundo, adquirir infinitos conhecimentos, viver uma aventura diferente a cada dia. Não ficar presa a um pensamento retrógrado e machista. – finalizei encarando Lana que sorria.
—E hoje você é uma Vingadora. – ela falou, arrancando-me um sorriso. – E você, Tyler? Já passou por essa linda cabecinha em casar e ter filhos? – Lana virou o rosto na direção dele.
—Não passou só na cabeça de cima como na de baixo também. –
—Melinda! – Tyler me repreendeu. Soltei uma risada.
—Desculpa. – pedi ainda rindo.
—Já sim, Lana, mas não eu não penso em nisso como se fosse tudo, entende? Se eu casar, ótimo, se não – Tyler me encarou. – Ainda terei a Melinda. Não acho que ela desistiria de mim quando eu estiver careca, com uma barriga de cerveja e comendo asas de frango em frente de uma TV. – ele arqueou a sobrancelha. – Desistiria? –
—Desistir de você careca seria desistir de uma vida de asas de frango e cerveja em frente a uma TV assistindo o jogo de futebol toda quarta e domingo. – dei de ombros. Ele riu.
—E filhos? Você pretende ter algum? – Lana indagou, fazendo Tyler balançar a cabeça.
—Não sei. Quando penso nisso não me vejo sendo um bom pai. –
—Não sei se sou eu que tenho um pensamento retrógrado, como a Melinda disse, ou vocês que tem pensamentos muito modernos. Todos têm capacidade para serem bons pais. – Lana falou fazendo-me lembrar de algo que vi no Twitter uma vez.
—Sabe, Lana, um dia desses eu vi um tweet de uma menina que dizia que nenhuma mulher nasce para ser mãe, que isso é fruto de uma construção social. Nós apenas nascemos biologica e fisiologicamente capazes gerar e apenas isso. – disse, lembrando de cada palavra que a garota tinha dito. – E eu acho que o mesmo vale para os homens. Se pararmos para pensar, ela não está errado. Isso tudo é fruto de uma construção social e só. –
—No entanto, você pode aprender a ser pai e mãe. Todos podem aprender. – ela contrapôs.
—Sim, mas isso é algo que vai de cada um. Algumas pessoas nem sempre conseguem se sair bem fazendo alguma coisa, mesmo tendo ensimentos. – expliquei.
—Devo pegar uma pipoca? – Tyler questionou em tom de brincadeira.
—Pipoca eu não sei, mas se você quiser pegar uma bebida no frigobar para a gente, estamos aceitando. – Lana pediu, sorrindo.
—É pra já, Mademoiselle. –
***
Após guardar minha roupa na mochila, eu procurei a peruca pelo quarto.
Lembro de que em algum momento das inúmeras vezes que transamos, Tyler tinha pedido para eu colocar a peruca e agora eu não me recordo onde eu a coloquei.
—O que está procurando? – Lana perguntou vestindo seu sutiã.
—Peruca. – respondi procurando em meios as cobertas da cama. – A Valente ainda precisa sair de um sex shop sem ser vista. – abri o frigobar, procurando pela bendita.
—E você está procurando pela peruca no frigobar? –
—Nunca se sabe, né? – fechei a porta do mesmo, bufando. – Se eu não encontrá-la vou sair daqui como? Com um lençol na cabeça que nem um turbante? – Lana riu.
—Sua peruca está no banheiro. – Tyler respondeu saindo do mesmo. Ele estava apenas com uma toalha presa na cintura. – Você tem que definir o que é prioridade, Melinda. Você está procurando pela peruca pelada. Pretende sair daqui só com a peruca na cabeça? –
—Seria uma cena bem cômica. – caminhei até o banheiro, encontrando a bendita peruca sobre o pequeno sofá que tinha lá.
A peguei, parando em frente ao espelho sobre a pia e arrumando meu cabelo para colocar a peruca. Quando eu voltei a ser morena — que isso permaneça sendo apenas uma fantasia -, vesti outra lingerie que peguei no closet daqui e coloquei o sobretudo por cima, abotando os botões.
Calcei meu sapato e me olhei no espelho, fazendo uma make rápida com a maquiagem de Lana.
Ao sair do banheiro, encontrei Tyler e Lana sentados na cama conversando.
Ele ainda não tinha vestido a camisa, deixando as marcas da noite anterior bem visíveis. Lana também tinha marcas.
Caminhei até eles, me agachando na frente deles e erguendo o rosto para encará-los.
—Estão doendo? –
—Um pouco, mas é uma dor boa e eu já estou acostumada. Não se preocupe, Melinda. – Lana respondeu, sorrindo.
—Eu queria um jeito de eternizar essas marcas pelo resto da minha vida. Afinal, elas trazem ótimas lembranças. – Tyler respondeu, fazendo-me rir um pouco.
—Faço das palavras dele, as minhas. – disse Lana.
—Talvez eu devesse ter diminuído na força. – falei observando as marcas mais escuras nos corpos dos dois.
—A gente não se arrepende de nada, apenas lembre disso. – Lana segurou minha mão.
—Eu também não. – falei dando de ombros. – Eu apenas estou tentando imaginar a dor ou incômodo que vocês estão sentindo. Vocês sabem, não dói em mim como dói em vocês. –
—Sim, sabemos. E estávamos falando justamente por isso. Suas marcas vão sumir em menos da metade do tempo que elas levariam para sumir em uma pessoa normal. Não é justo. – soltei uma risada.
—Se eu pudesse, doava meu fator de cura avançado para vocês. No entanto, isso não é algo possível. – levantei. – Vamos, Tyler? Meus planos não envolvem passar seu aniversário apenas em Paris. – peguei a mochila, abrindo o bolso pequeno e tirando meu cordão e pulseira.
—E para onde vocês vão depois daqui? – Lana indagou e notei Tyler me encarou, ele também estava curioso.
—Ainda não decidi. Talvez Itália, não sei. – respondi colocando o colar que Coulson me deu no pescoço. – Mas antes tenho que comer alguma coisa. Estou morrendo de fome. – coloquei a pulseira que Tyler me deu no pulso, encarando os dois.
—Se você tivesse com o colar e a pulseira, eu teria matado a charada rapidamente. – Lana disse cruzando os braços.
—Eu falei. – Tyler se gabou, vestindo a camisa.
—Ok, andar por aí com um colar com o nome Valente nele não é muito recomendável quando você está disfarçada. – bufei. – Eu me esqueci que estava com isso, ok? – cruzei os braços.
No meio do caminho para Pigalle, Tyler tinha notado que eu ainda usava o cordão e a pulseira. Segundo ele, isso iria entregar nossos disfarces. E o Tyler estava certo.
—Vamos? – ele perguntou, colocando o gorro e o óculos. – Também estou morrendo de fome. –
—Eu até daria o café da manhã, mas não temos isso aqui. – Lana levantou da cama.
—Eu sei. A refeição daqui são os funcionários e isso não enche barriga. – falei fazendo Tyler revirar os olhos. – E para pagar pelo serviço, amor? Como que faz? –
—É só ir no balcão que tem no salão. – respondeu saindo do quarto.
Esperei Tyler vestir o sobretudo dele e saímos do quarto após eu colocar a mochila nas costas.
Ao chegarmos no balcão, me preparei para a facada. Quero nem ver a conta que deu.
—Aqui está o valor. – Lana virou a tela do computador na minha direção e na de Tyler.
—Só isso? Achei que a facada seria maior. – comentei vagamente confusa.
—Só isso? Melinda, deu mais de 2.500 dólares. – Tyler murmurou, fazendo-me soltar uma risada.
—Realmente o valor é maior, no entanto, nós temos um aniversariante que utilizou os nossos serviços. – Lana respondeu encarando Tyler.
—Então teve promoção? – ele arqueou a sobrancelha. Lana assentiu.
—Aqui tem a promoção de aniversariante? Não brinca. – falei rindo. – Se prepare para ver nossa cara novamente no meu aniversário, Lana. –
—Mal posso esperar. – ela sorriu.
Peguei minha carteira na mochila, tirando o cartão de crédito. Antes que eu entregasse a Lana, Tyler segurou a minha mão.
—Você vai pagar? –
—Lógico. Você quer sair correndo sem pagar? – ri, puxando meu braço. Ele não soltou.
—Não foi isso que eu quis dizer. – arqueei a sobrancelha, esperando ele prosseguir. – Era para eu pagar. –
—Você é surdo? Não ouviu que é aniversariante? Aniversariantes não pagam. – puxei meu braço com mais força, me soltando.
—Acontece que você está pagando tudo. Os bilhetes para a Torre Eiffel, nosso café, os doces na rua, agora o sex shop. Você não me deixou pagar nem a minha água. – revirei os olhos.
—Se eu organizei a surpresa, é para eu arcar com as despesas. – entreguei o cartão a Lana, que tinha um sorriso divertido no rosto. Claro que ela estava se divertindo com essa briguinha besta. – E eu tenho um cartão de crédito, ok? Dá para pagar tudo isso e muito mais. –
—Eu conheço seus cartões de créditos e nenhum deles se parecem com aquele. – apontou para o dito cujo. Então ele semicerrou os olhos na minha direção. – Você não roubou esse cartão, roubou? – revirei os olhos.
—Não, seu idiota. Eu não roubei ele de ninguém. Foi um presente. – Tyler arqueou a sobrancelha.
—Quem foi o louco que te deu um cartão de crédito de presente? – ele queria rir, eu sentia isso.
—O Tony, ué. – dei de ombros. – E não foi um presente para mim. –
—Esse cartão é do Tony Stark? – Lana questionou incrédula.
—O cartão é do Tony? – Tyler repetiu a pergunta.
—Sim. – respondi, digitando a senha do cartão quando Lana virou a maquininha na minha direção. – Foi presente dele para você, não para mim. – expliquei.
Lembrando das palavras do Tony, eu repeti:
—"Eu não sei o que dar de presente para o Tyler, considerando que ele tem um gosto duvidoso já que se envolve com você. Quando eu descobri sua linda e fofa surpresa para o aniversário dele, achei que o presente perfeito. É um cartão de crédito com limite, porque eu nunca daria um ilimitado para vocês dois, isso é óbvio. Enfim, assim os dois pombinhos poderão aproveitar surpresinha que você planejou, Pirralha, comprando o melhor de Paris." Palavras do Tony. –
—Eu realmente consegui ouvir o Tony dizendo isso. – Tyler falou.
—Acabei de saber porque as pessoas dizem que vocês são parecidos. – disse Lana, me entregando o cartão de volta. – Vamos mesmo nos ver outra vez? –
—Claro que vamos. Agora que a Melinda sabe onde fica o paraíso, ela estará sempre aqui. – Tyler respondeu.
—Você não vai começar a chorar, vai, Lana? – brinquei.
—Só se for por não ter uma transa como tivemos por um bom tempo. – ela saiu de trás do balcão, me abraçando. – Muito obrigada por ser essa pessoa que procura ter tudo que você quer e obrigado a Beatrice a me chamar. Não consigo imaginar você fazendo o fez comigo com outras garotas daqui. – nos separamos.
Tanto ela como eu tínhamos enormes sorrisos no rosto.
—Agradeça por você ser muito gostosa e ter chamado a atenção do Dylan aqui. – indiquei Tyler com a cabeça.
—Muito obrigada, Dylan.— ela riu, abraçando Tyler. – E feliz aniversário. –
—Obrigado, Lana. – eles se afastaram.
—Agora vamos nos despedir direito, né? – os dois me encararam.
Inclinei meu rosto na direção de Lana, a beijando. Me afastei, empurrando ela na direção de Tyler e logo os dois também se beijaram.
Entrei no meio deles, os beijando, transformando o beijo normal em um beijo triplo.
Minhas mãos desceram pelo corpo de Tyler e Lana, apertando a bunda de ambos.
—Eu definitivamente vou retornar aqui. – murmurei após o beijo.
—Se não retornarem eu mesma buscarei vocês. – Lana falou, cruzando os braços.
—Vamos vir tão rápido que você nem sentirá nossa falta. – Tyler disse colocando as mãos nos bolsos do sobretudo.
—Eu espero. – ela sorriu.
—Au revoir, Mademoiselle Lana.— acenei.
—Au revoir, Melinda. Tyler.— ela fez uma pequena reverência, arrancando-nos uma risada.
—Adiós.— Tyler acenou. – O máximo que sei falar de outra língua além do inglês é o espanhol. – explicou fazendo Lana rir.
—Sin problemas.— ela falou em espanhol.
—Vamos, Ty. – acenamos uma última vez para Lana e saímos do Sexodrome. – Eu queria poder levar a Lana para New York e transar com vocês dois todas as noites. –
—Relaxa. Daqui para amanhã você encontra outra pessoa para substituir ela. – ele tirou a mochila das minhas costas, colocando nas dele. Um perfeito cavalheiro.
—Não dá para substituir uma mulher como a Lana. – dei de ombros.
Após alguns minutos caminhando, nos afastamos o suficiente de Pigalle para nos livrarmos dos disfarces.
Tirei a peruca, balançando meu cabelo e o arrumando. Tyler tirou o gorro e o óculos, guardando na mochila. Já eu peguei a peruca e joguei na primeira lata de lixo que encontrei.
—Melinda. – me repreendeu.
—Eu não ia guardar aquilo de recordação, Tyler. – parei de caminhar, o encarando. – Se você tem mais uma fantasia comigo morena, eu compro outra peruca. – fiquei de frente para ele, abraçando sua cintura. – Vamos tomar café? – ele beijou minha têmpora.
—Vamos. –
Fale com o autor