Civil War

9 "Te amo em 100 idiomas diferente"


Notas iniciais
Hey, bebês! Como vocês estão? Vejam só quem retornou do mundo dos mortos. Euzinha! Foi uma longa demora, eu sei. Mas acontece que eu tinha virado pó junto com a metade da população do universo e agora que Ultimato está entre nós eu pude retornar e assim trazer um capítulo para vocês. Sem mais delongas, boa leitura.

—Para onde vamos agora? — Tyler indagou levando a xícara até seus lábios, bebendo o líquido que continha nela.

—Me diga você. — falei, encostando o tronco no encosto da cadeira. — Para onde você quer ir? —

Tyler e eu estávamos em uma das inúmeras docerias de Paris, experimentando alguns doces que ainda não tínhamos sequer ouvido falar. E olha, eles fizeram sucesso nos nossos pedidos de doces para a viagem.

—Como assim? Seus planos de viagem iam até Paris? — ele arqueou a sobrancelha.

—Não, eu planejei além de Paris. — dei de ombros. — Pensei em irmos para a Itália depois daqui. No entanto, resolvi deixar essa decisão em suas mãos. —

—Decisão? Quer que eu escolha o próximo destino da nossa viagem? —

—Exatamente isso. — sorri, comendo um croissant. — Para onde você quer ir, Tyler? Quer ir para Itália? Vamos para Itália. Amsterdã? Vamos para Amsterdã. Inglaterra? Canadá? Que tal o... —

—Brasil. — falou sorrindo.

—O que? —

—Vamos para o Brasil. —

—Está falando sério? — observei ele balançar a cabeça positivamente. — Por quê? —

—Porque quero conhecer esse país. Você fala muito bem dele. Da cultura, da culinária, da língua, das pessoas. Quero conhecer o país que conquistou o coração de Melinda Hunters. — Tyler respondeu sem tirar o sorriso do rosto.

—São quase 10 horas de Paris até o Brasil. —

—Prometo que não pulo do Quinjet enquanto a gente tiver voando. — soltei uma risada.

—Se você pulasse de novo eu te salvaria só para te matar. — o encarei. — Então... vamos para o Brasil? — sorri.

—Vamos para o Brasil. — ele retribuiu o sorriso.

—A conta, por favor. — pedi a garçonete que assentiu.

Após ela trazer a conta e a mesma ser paga, Tyler e eu levantamos e saímos da doceria após eu colocar a mochila nas costas.

—Você vai amar o Brasil. — falei empolgada. — Eu vou te mostrar os melhores lugares de lá. Temos dois dias então acho que dá tempo de visitar alguns bons lugares. Ok, vamos perder umas 10 horas só viajando, mas ainda vamos ter bastante tempo. Fora que, caso queiramos mudar de estado com apenas 30 minutos de visitação, com o Quinjet será só questão de minutos para sairmos da Bahia para a Amazônia, por exemplo. Aliás, você tem interesse em algum estado em particular? Eu devia te apresentar o Cristo Redentor. Aquilo é uma das Sete Maravilhas do Mundo e é lindo de se ver. No entanto, se quiser ver o Cristo Redentor isso ficará por último porque ainda tem o Pão de Açúcar. Podíamos ver a Escadaria Selarón, visitar algumas praias do nordeste. Uh, quem sabe podíamos ir até para Fernando de Noronha! — Tyler soltou uma risada extremamente gostosa de se ouvir. — O que foi? Por que você está rindo? E por que está me olhando com essa cara de bobo? — parei de caminhar, ele parou na minha frente.

—Porque eu amo quando você fala pelos cotovelos sobre algo que você gosta. — ele sorriu. — Seus olhos brilham, sua voz fica mais animada, você gesticula eufórica e fala rápido, mas de um jeito que dá para compreender. — sorri, sentindo suas mãos segurando meu rosto. — Amo isso em você. —

Senti ele depositar um beijo em minha testa, me abraçando logo em seguida.

—E eu vou adorar andar naqueles trecos que leva até o Pão de Açúcar. — sussurrou.

—Bondes. — respondi rindo. — Bondinhos. Enfim, vamos. Temos que ir até o Quinjet e viajar o mais rápido possível, para não perdemos tempo. — me afastei de Tyler, segurando sua mão e começando a caminhar. No entanto, ele nem saiu do lugar. — O que foi? —

—Quando estávamos na doceria você não disse que queria comprar perfume? — arqueou a sobrancelha.

—Eu disse? Ah, eu disse. Ok, vamos. Tem uma perfumaria aqui na esquina. — segurei sua mão novamente, começando a caminhar em direção à perfumaria, entrando na loja logo em seguida.

Havia duas atendentes, ambas com roupas sociais escuras. Uma estava ocupada atendendo um cliente, então Tyler e eu não hesitamos em ir até a que estava sem ninguém para atender.

—Bonjour. — sorri.

—B-bonjour. — a atendente deu uma leve gaguejada.

—Ela sabe que você é a Valente. — Tyler sussurrou no meu ouvido.

—Eu estou querendo comprar alguns perfumes, mas não tenho nenhuma preferência ainda. Poderia me ajudar? — a mulher me encarou por alguns segundos, mas logo agiu com profissionalismo.

—Claro. Estou aqui para lhes ajudar no que vocês precisarem. — sorriu. — Posso mostrar alguns dos nossos melhores perfumes. O que acham? —

—Uma ótima ideia. Tyler, vai com ela que eu vou olhar esses daqui. — apontei para as prateleiras a minha esquerda.

Tyler assentiu, se afastando de mim. Antes que a atendente saisse, segurei seu braço levemente.

—Qual seu nome? — sussurrei.

—Alisson. —

—Ótimo, Alisson. Não acho que o Tyler vá me dizer qual perfume ele mais gostou, porque, segundo ele, eu estou gastando demais com ele e blablabla. Então você poderia ficar de olho nos perfumes que ele mais gostou e deixar separado para quando eu for comprar? — pedi.

—Claro, Valente. Digo, Melinda. Desculpe. — sorri.

—Pode me chamar de Valente se você quiser. Eu gosto. — Alisson sorriu envergonhada, assentiu e se afastou.

Suspirei, encarando todos aqueles frascos de perfumes nas prateleiras que se estendia por toda a parede.

—Ok. Talvez isso demore um pouco. — murmurei pegando um frasco com cuidado e borrifando no meu pulso.

***

Tyler e eu saímos da perfumaria alguns bons minutos depois com umas quatro sacolas cheias de perfumes.

Escolhi dois para mim, Alisson me disse que Tyler tinha gostado de dois e eu não hesitei em comprá-los — mesmo com ele reclamando. E então, eu vi que tinha um perfume que estava em promoção e que de quebra ele ainda era muito cheiroso.

Resultado: comprei vários frascos para dar de presente para os Vingadores, meus amigos, meus pais, Coulson — alguns agentes — e para os irmãos de Tyler que estavam na cidade. Eu ainda mandei entregar três frascos desse perfume no Sexodrome. Um era para a Lana e os outros dois para os filhos dela.

Sim, eu estava bancando o Papai Noel fora de época. Ou aquelas tias rica que sai para viajar e volta com presentinhos para todos da família.

—Alguém já te disse que você gasta de mais? —

—Você. — dei de ombros. — E o dinheiro é do Tony, então podemos gastar até estourar o limite. — o segurança da empresa Buchanan abriu as portas para Tyler e eu. — Obrigada. —

—Qual é o limite do cartão? —

—Ele não me disse. Segundo o Tony, seria divertido ver a minha cara de tacho quando o limite estourasse. — dei de ombros, parando na recepção. — Bonjour, René. — sorri.

Bonjour, Mademoiselle. Comment s'est passée ta nuit à Paris? (Bom dia, senhorita. Como foi sua noite em Paris?) — ele perguntou gentilmente.

Je pense que l'utilisation du mot parfait est une exagération, mais que puis-je faire? C'était parfait. Ici, c'est pour vous. (Acho que usar a palavra perfeita é exagero, mas o que eu posso fazer? Foi perfeita. Aqui, isso é para você.) — tirei um perfume da sacola, entregando o mesmo a ele.

—Oh, merci. — ele sorriu. — O senhor Buchanan deixou isso para o senhor Pierce e desejou feliz aniversário. — René falou em inglês, entregando um envelope para Tyler.

—Obrigado, René. — Tyler sorriu, pegando o envelope. — Achei que ele só falasse francês. — sussurrou para mim.

—Ele fala algumas línguas. Eu falo em francês com ele porque acho divertido. — dei de ombros. — Foi um prazer rever você, René, mas Tyler e eu temos que ir agora. —

—O prazer foi todo meu. Tenha um ótimo aniversário, senhor Pierce. — sorriu.

—Estou tendo, René. Obrigado. —

—Bon revoar. — acenei indo em direção ao elevador. — O que você acha que é? —

—Não é um carro e muito menos uma moto. Afinal, eu não sou Melinda Hunters. — soltei uma risada, entrando no elevador e apertando o botão do térreo após usar o cartão do mesmo.

Deixei as sacolas que estavam comigo no chão e peguei as que estavam com o Tyler, deixando apenas o presente dele em suas mãos.

—Abre. — Tyler abriu o envelope. — Então? O que é? —

—Um cupom dizendo que eu tenho uma encomenda numa loja geek. — respondeu franzindo o cenho. Peguei o cupom da mão dele.

—Tyler do céu. Isso é um cupom da melhor loja geek de New York! Ele te dá direito a vários itens. E o melhor: é que é você quem escolhe os itens! — falei eufórica. — Ah, Ryan desgraçado. Isso ele não me dá, né? — resmunguei.

—Você está reclamando? O Ryan te deu um carro e uma moto. — ele pegou o cupom das minhas mãos, guardando de volta no envelope.

—Eu amo meus bebês, você sabe. — falei observando-o pegar as sacolas de perfumes que estavam no chão do elevador. — Mas eu também amo coisas relacionadas ao mundo geek. — as portas do elevador abriram já no terraço. Tyler e eu saímos em direção ao Quinjet.

—Relaxa. Até parece que eu não vou ter que dividir meu cupom com você mesmo. — abri a porta do jato, entrando e deixando as sacolas em um canto onde os perfumes dentro delas não quebrassem caso o Quinjet balançasse demais.

—Não, Ty. É o seu presente. — me sentei na poltrona do piloto. — Por mais que eu queira muito, você não deve dividir comigo. —

—Vou fingir que estou acreditando nesse seu papinho, Melinda. — ele sentou-se na poltrona ao lado, colocando o cinto. Sorri.

—Brasil? — o encarei, vendo que o mesmo sorria.

—Brasil. — confirmou.

E então eu levantei vôo.

—Dez horas no meu inferno particular. — ouvi ele murmurar.

—Posso reduzir o tempo de vôo. — falei digitando o nosso destino.

—Vai abrir um portal daqui de Paris para o Brasil? — ele soltou uma risada.

—Pensei em dar mais energia para o Quinjet, mas abrir um portal é uma ótima ideia também. — dei de ombros.

—Dar mais energia ao Quinjet? Que nem você faz com os carros? — arqueou a sobrancelha.

—Exatamente. Você não pode negar que funciona. — ergui minha mão na direção do painel de controle do jato.

—E você já fez isso no Quinjet? — sorri.

—Para tudo se tem uma primeira vez. —

E me concentrando na energia que seria transferida, eu apenas fechei os olhos por alguns segundos e logo senti meu corpo sendo empurrado para trás.

O Quinjet já era rápido por si só, no entanto, com uma ajudinha ele consegue ir mais rápido ainda.

—Viu? Deu certo. — falei, virando o rosto para encarar Tyler que tinha os olhos levemente arregalados e seus dedos da mão estavam branco de tanta força que ele segurava a poltrona.

—Eu acho que vou vomitar. —

—Está dizendo isso da boca para fora, né? — apertei o botão do piloto automático, soltando o cinto de segurança logo em seguida.

—Melinda? — o encarei. — Nunca mais faça isso. — soltei uma risada, assentindo.

—Fechado. — levantei indo até as sacolas de perfumes e me sentando nas poltronas dos passageiros. — Vem cá. Tenho algo para te dar. —

Observei Tyler soltar o cinto de segurança e vir caminhando na minha direção segurando-se nas coisas. Quando ele sentou do meu lado, retirei dois embrulhos da sacola, entregando a ele.

—Feliz aniversário. — sorri.

—Acho que teve um engano. Para mim é apenas esse. — ele ergueu o embrulho verde. — Esse é para você. — me entregou o azul.

—Como é? —

—Eu sabia que mesmo eu não escolhendo nenhum para comprar, você compraria algum perfume para mim. Então eu disse que tinha gostado de dois para que a Alisson levasse os dois perfumes para você. — explicou sorrindo. — Um era para mim e o outro para você. A-rá! Por essa você não esperava, não é, Valente? — soltei uma risada.

—Não, eu não esperava. — peguei o embrulho azul. — Agora eu tenho três perfumes e você um. Isso está errado já que o aniversariante é você. — abri o pacote, borrifando um pouco do perfume no meu pulso. — Minha nossa! Como ele é bem perfumado. —

—E não é doce. — sorriu.

—E não é doce. — repeti. — Agora temos que decidir uma coisa mais importante. Para que parte do Brasil nós vamos? —

—Me responda você. Você, Melinda, será minha guia turística. — pressionei os lábios.

—Bom, como vamos chegar lá já pela tarde, devemos ir em uma loja e comprar roupas apropriadas para se usar no Brasil. Na mochila que preparei para a gente só tem roupas de frio, porque eu achei que iríamos apenas para locais frios e o Brasil é um país de clima tropical então nada de sobretudo por lá. — falei enumerando as coisas nos dedos. — Assim que trocarmos de roupa, podemos ir logo fazer um check-in em um hotel e logo depois saímos para jantar. O que acha? — encarei Tyler.

—Acho um ótimo plano. — respondeu. — Mas nós vamos para qual estado? —

***

Bahia foi onde nós pousamos.

Difícil mesmo foi encontrar um lugar para pousar o Quinjet. No entanto, depois de meia hora rodando no céu atrás de um lugar deserto e seguro para pousar eu simplesmente me irritei e pousei no aeroporto.

Acessei o canal de comunicação que os pilotos de avião usavam e pedi permissão para pousar.

De início eles queriam me negar, mas depois que falei que eu era uma Vingadora e que se precisasse pagaria com o cartão de crédito exclusivo de Tony Stark, eles aceitaram.

Eu não paguei por nada, mas tive que fazer uma pequena "reunião" com alguns fãs que me pararam para tirar foto e me abraçar.

Eu sempre quis saber o porquê dos artistas falarem que os fãs brasileiros são os melhores. Descobri parte do motivo quando assumi que eu era a garota ruiva que tinha lutado ao lado dos Vingadores em Sokovia e fãs e mais fãs apareceram do mundo todo nas minhas redes sociais. E hoje eu descobri a outra parte do motivo.

Brasileiros são pessoas bastante calorosas e receptivas. Assim que pisei no aeroporto, eles não pensaram duas vezes antes de correrem e se aproximarem de mim e Tyler.

Eles não nos derrubaram nem nada do tipo, mas queriam abraços, autógrafos e fotos. E lógico que eu dei tudo isso a eles. Ainda bati um papo com eles em português, isso só fez eles ficarem mais eufóricos ainda.

Tyler ficou confuso com a conversa, mas não tirava o sorriso do rosto. Alguns fãs arriscaram algumas frases com ele e desejaram feliz aniversário em inglês.

E eu filmei tudo, é óbvio. Vai para o meu twitter lindo e belo.

Eu já amava o Brasil, depois de hoje, comecei a amar ainda mais.

—Acho que entendi o porquê de você amar o Brasil. Os brasileiros, eles são... —

—Únicos. — completei sorrindo. — E você ainda não viu nada, Ty. — segurei sua mão, passando seu braço sobre meus ombros. — Vamos fazer umas comprinhas, check-in no hotel e matar essa fome de leão. —

—Até de noite é quente desse jeito, Melinda? — soltei uma risada.

—Bem vindo ao país tropical. — as portas automáticas do aeroporto abriram e logo eu avistei inúmeros táxis parados.

Tyler e eu entramos no primeiro que tinha na imensa fila e logo estávamos a caminho do shopping.

—É a primeira vez de vocês aqui? — o taxista questionou em inglês.

—Finalmente alguém que fala inglês fluente. — Tyler murmurou. — A minha sim. A Melinda já veio para cá algumas vezes. —

—Gostou do Brasil então? — ele me encarou pelo retrovisor.

—Gostar é pouco. — respondi. — No entanto, conhecer o Brasil como a palma da minha mão eu ainda não conheço. O senhor poderia nos recomendar um bom hotel e restaurante? —

—Só se você me der um autógrafo, Valente. — o motorista riu.

—É só me dar papel e caneta. —

Ao parar no semáforo, o taxista me deu um bloco de notas e uma caneta, dando partida assim que o sinal ficou verde.

—Planejam ficar quantos dias aqui? —

—Apenas essa noite. Tenho apenas dois dias para mostrar as melhores partes do Brasil ao Tyler. — respondi entregando o bloco de notas e a caneta a ele, já com um autógrafo meu.

—Vocês deveriam ir ao Hotel Bahiamar. — sugeriu. — Lá é um ótimo hotel. Os quartos e suítes são simples, mas confortáveis e contêm um serviço de quarto maravilhoso. No Bahiamar também tem piscina externa, vista para o mar, restaurante, sauna. E se vocês quiserem ir até a praia, tem uma descida que leva vocês até lá, a caminhada não é muito longa. —

—O Bahiamar me parece uma ótima opção de hotel. — falei. — O que acha? — olhei para Tyler.

—Vamos dar um pulinho na praia? Se a gente for, por mim tudo bem. — sorri.

—Ficaremos no Bahiamar. —

—E ele fica próximo de pontos importantes da capital, como o Salvador Shopping. A propósito, meu nome é Alexander. —

—Junte o primeiro nome dele com o seu sobrenome e Hail Hydra. — sussurrei para Tyler. — É um prazer, Alexander. Enfim, não sei quanto tempo vamos passar no shopping. —

—Se depender de você, a noite toda. — dei uma cotovelada nas costelas de Tyler. — Ai. —

—Não falo isso apenas pelo meu gosto de fazer compras, mas também pelos Valente stans que tem no shopping. — expliquei. — Eu não sou mal educada ao ponto de mandar eles plantarem batatas enquanto eu me divirto pelo antro capitalista que é esse shopping. Até porque eu amo essa recepção deles. — falei. — Mesmo assim, farei o possível para que essa recepção brasileira não seja muito longa porque tem um aniversariante que também requer a minha atenção e ao sair de New York eu prometi que minha total atenção seria dele. — olhei rapidamente para Tyler. — No entanto, é como eu disse: não sou mal educada ao ponto de mandar eles se afastarem de mim. Vou tirar foto com os fãs que me pararem? Sim. Darei autógrafos? Sim. Conversarei com eles? Sim. E por esse motivo, Tyler, não me deixe falar pelos cotovelos com eles como eu estou fazendo agora. Quando comecei a falar eu só queria dizer que o Alexander não precisa esperar a gente no estacionamento e agora eu nem sei mais se ainda estou falando sobre ele nos esperar no táxi. — Alexander e Tyler riram.

—Adoro clientes que falam demais, deixam o clima mais amigável. E levando em consideração que os clientes é uma Vingadora e o namorado dela, eu adoro mais ainda. — falou sorrindo. — Bem que isso poderia ocorrer mais vezes, não iria reclamar. —

—Gostei de você. Sempre que eu puder vou vir aqui nas minhas férias, não se preocupe.— falei sorrindo.

—Não sabia que heróis tiravam férias. — brincou. — Voltando ao foco principal que era eu não esperar vocês enquanto fazem compras, eu digo que irei esperá-los. — ele entrou no estacionamento do shopping.

—Tem certeza? A Melinda tem razão quando disse que o tempo das compras demorará mais que o habitual. — Tyler reforçou.

—Sem problemas. E nem deixarei o taxímetro rodando. — Tyler me encarou. Apenas ergui os ombros.

—Todos brasileiros são generosos desse jeito? — indagou.

—Nem todos. — Alexander e eu respondemos.

O táxi parou em uma vaga próxima a um elevador que dava para as lojas do shopping.

—Então, Alexander, eu já vim para o Brasil outras vezes, mas não para a Bahia. Quer dizer, eu já vim para a Bahia, porém não para o shopping. — falei me inclinando e ficando entre o banco do motorista e passageiro.

—Eu adoraria ser o guia de vocês pelo shopping. — ele completou meu raciocínio com um enorme sorriso.

—Isso! — sorri, erguendo a palma da minha mão para ele bater. — A gente vai te pagar um sorvete, Alex, como pagamento. — esclareci, saindo do táxi.

—O que vocês querem comprar? — questionou eufórico.

—Roupas. — respondi. — Prioridade são roupas apropriadas para usarmos aqui no Brasil. Não estamos nem um pouco acostumados com esse clima tropical e você não sabe o quanto eu agradeço pelo seu táxi ter ar condicionado. — entramos no elevador. Alexander apertou um botão de algum dos andares do shopping.

—Posso indicar algumas lojas, mas acredito que vocês logo vão escolher por conta própria. — falou nos olhando sobre o ombro.

—Preparada? — Tyler sussurrou. — Acho que aqui terá mais fãs do no aeroporto. —

—Eu dou conta. — sussurrei de volta. — Gosto de socializar com as pessoas, você sabe. — dei de ombros. Ao encará-lo, algo passou pela minha cabeça. — E você? Está preparado para ter sua vida mais registrada que o normal? Seremos quase a Madona e o Michael Jackson. — ele riu.

—Ótima comparação. —

As portas do elevador abriram, revelando um corredor que dava para outro corredor que continha inúmeras lojas e incontáveis clientes.

—Desde que eu esteja com você, estarei bem. — Tyler falou. Segurei sua mão.

—Então vamos lá. —

***

Depois de quase duas horas e meia no shopping, Tyler e eu conseguimos fazer nossas compras. A maior parte do tempo foi para atender a alguns fãs.

Os seguranças do shopping tiveram que intervir algumas vezes por conta do aglomerado de pessoas em frente a uma loja, por exemplo. No entanto, tudo ocorreu bem.

Compramos roupas mais leves e frescas, trajes de banho, alguns sapatos e acessórios e umas lembrancinhas da Bahia. Também compramos uns presentes para o Alexander, afinal ele merecia.

Experimentamos uma coisa chamada açaí, que ele nos apresentou, e gostamos. Açaí chegava a ser quase melhor que sorvete. Quase.

Entramos no táxi e logo estávamos a caminho do Hotel Bahiamar. A conversa com o Alexander continuou até o hotel e logo depois nos despedimos dele.

Talvez a gente ainda pegasse esse mesmo táxi enquanto perambulávamos pela Bahia ou talvez não. Eu agradeceria muito se tivéssemos a sorte de pegar o mesmo táxi com Alexander de novo.

Ao entrarmos no hotel não teve nenhum fã vindo falar comigo. Lógico que algumas pessoas apontaram e cochicharam sobre Tyler e eu, mas nenhum veio bater papo.

Não que eu estivesse reclamando, claro.

Eu gostava de conversar e tirar fotos com eles, mas não quero que o Tyler ache que de alguma forma isso atrapalhará a surpresa dele.

O Tyler é mais importante, todos sabem disso.

Os quartos eram como Alexander disse: simples, mas aconchegantes.

Escolhemos uma suíte com vista para o mar, até porque Tyler merecia isso. As paredes e os móveis tinham tons claros, alternando entre o branco e o bege. Uma cama de casal, tv tela plana com assinatura, uma porta de vidro de correr que dava para uma varada e, então, a vista do mar.

As sacolas com as compras foram deixadas no chão ao lado da porta por um dos funcionários do hotel e então Tyler e eu estávamos sozinhos.

—Não eram notas de dólar que você entregou a ele. — Tyler comentou me encarando.

—Eram as notas daqui. — expliquei. — Eu vou te dar algumas notas para caso você queira comprar alguma coisa para mim aqui pelas ruas da Bahia. —

—Achei que o aniversariante fosse eu. — ele cruzou os braços, erguendo a sobrancelha.

—E só por conta disso eu não mereço uns mimos? — fiz biquinho.

—Vem cá que eu te mimo. — ele segurou minha mão, puxando-me até ele.

Tyler sentou-se na beira da cama, levando-me junto com ele. Sentei no seu colo, uma perna em cada de lado.

Segurei seu rosto entre minhas mãos e pressionei meus lábios sobre os dele, beijando-o devagar, sem pressa.

Suas mãos que estavam na minha cintura foram caçando os botões do sobretudo que eu tinha feito de vestido. Fiz o mesmo com ele, desabotoando sua camisa na mesma velocidade dos nossos beijos.

Tirei a camisa de Tyler, deixando-a no chão do quarto junto com meu sobretudo. Empurrei Tyler, fazendo com que o mesmo se deitasse.

Desci meus lábios pelo pescoço dele, distribuindo pequenos beijos e algumas mordidas. E então lembrei de algo.

—O que foi? — indagou, fazendo-me erguer a cabeça para encará-lo. — Você franziu as sobrancelhas e fechou os olhos com um pouco de força. O que você esqueceu? — suspirei.

—Uma reserva daqui uma hora e meia no restaurante Amado. — descansei minha cabeça em seu ombro.

—Reseva em um restaurante? Quando foi que você teve tempo para fazer uma reserva? — questionou acariciando meu cabelo.

—Pedi para o Alexander reservar uma mesa para gente em um dos melhores restaurantes daqui da Bahia enquanto fazíamos nossas compras. — o olhei. — Vamos jantar em um restaurante perfeito para um jantar romântico. —

—O nome Amado nem dá nenhuma dica de como é o restaurante, não é? — ergueu a sobrancelha, rindo. — Achei que você quisesse ser mimada. —

—Você ainda pode me mimar. — sentei no seu colo, deixando minhas mãos sobre o peito dele. — Na nossa suíte temporária. —

—A suíte que você exigiu que tivesse uma banheira? — arqueou a sobrancelha.

—Claro que sim. Eu já tinha planos para ela. — movimentei meu quadril sobre o dele, sorrindo. Tyler segurou minha cintura com firmeza.

—E eu vou gostar desses seus planos? — ele sentou novamente na cama, abraçando minhas costas.

—Me diga você. — sussurrei, beijando-o.

—Acho que vou gostar sim. — sussurrou entre o beijo.

***

Tyler optou por deixar eu me arrumar no quarto enquanto ele se arrumava no banheiro. Um perfeito gentleman, claro.

Eu tinha derramado as roupas das sacolas sobre a cama, tentando escolher o que eu usaria. Decidi usar um vestido longo na cor nude e rasteiras.

O vestido não chegava a ser colado no meu corpo, mas também não era muito solto, suas alças eram finas e tinha um decote V na parte dos seios. Calcei as rasteirinhas preta e peguei minha necesserie, passando apenas um pouco de pó, rímel e um batom claro.

Resolvi deixar meu cabelo preso em um coque frouxo. Coloquei meu colar, minha pulseira, argolas tamanho médio e meus anéis. Peguei um casaco preto de tecido fino e o vesti, ele era grande o suficiente para cobrir meu quadril. E então eu estava pronta.

—Amor, já estou pronta. — falei, guardando as roupas de volta nas sacolas.

—Já estou saindo. Dois minutos. — Tyler respondeu do banheiro.

Peguei meu celular para checar as mensagens. Caminhei até a varanda vendo que tinha várias notificações do twitter e algumas mensagens.

Tirei uma foto da vista e mandei para Adam que tinha perguntado onde estávamos. Digitei o nome do lugar e entrei no grupo dos Vingadores.

A única nova mensagem era do Tony relembrando que amanhã ele iria fazer a palestra sobre a Fundação Setembro no MIT. Se ele lembrou a gente pelo grupo significava que o mesmo não estava no Complexo.

Tirei uma foto minha junto com a vista, mandando para eles logo em seguida.

"E mais uma vez Melinda Hunters vem para o Brasil." — digitei junto com a foto.

Entrei na conversa da Wanda, mandando uma mensagem perguntando se havia alguma pista nova sobre a missão.

—A vista daqui é linda, só perde para você. — Tyler sussurrou no meu ouvido, me abraçando por trás. Sorri, aconchegando minha cabeça no peito dele.

—Está cheiroso. — murmurei.

—Devo isso a uma mulher teimosa que fez a atendente da perfumaria ficar atenta nos perfumes que eu gostava da loja. — soltei uma risada, desbloqueando o celular e colocando na câmera.

—Diga: "Melinda Hunters é o amor da minha vida e todo mundo sabe disso". — falei, posicionando a câmera na nossa direção.

Tyler virou o rosto na minha direção, me encarando. Ergui meu olhar para olhá-lo nos olhos.

—Melinda Hunters é o amor da minha vida e vou falar isso para ela até o meu último suspiro. — sorri, tirando a foto. — Ficou boa. — falou, olhando a foto.

—Claro que ficou boa. Eu estou nela, lembra? — bloqueei o celular. Tyler me soltou do abraço. — Vamos? Vou pedir um táxi. —

—A culinária baiana é boa? —

—Sem spoilers, Tyler. — falei pedindo o táxi e voltando para dentro do quarto. — Estamos indo para um ótimo restaurante na Bahia. Sua curiosidade pode esperar. — peguei minha bolsa lateral, guardando meu celular nela e pendurando a mesma no meu ombro.

—Você pesquisou sobre o lugar ou está confiando nos conselhos do Alexander? — abriu a porta do quarto, deixando eu passar primeiro.

—Um pouco dos dois. — caminhamos até o elevador. — Ah, e eu vou te apresentar o acarajé. — chamei o elevador.

—Acara quem? — franziu as sobrancelhas.

—Acarajé. É uma comida típica daqui. Eu não cheguei a amar esse prato ao ponto de idolatrá-lo, mas eu gostei. — dei de ombros, entrando no elevador assim que o mesmo chegou. — Nem todo mundo gosta. — Tyler apertou o botão do térreo.

—Tudo bem. Vamos provar esse tal de acarajé. — suspirou. — Do que é feito? — sorri.

—Na hora você vai saber. —

—Ok. — murmurou.

Virei-na direção do espelho que tinha nas paredes do elavador, arrumando algumas mechas de cabelo. E então notei Tyler tirando uma foto minha.

—Sem aviso prévio? Sério? — o encarei.

—Olha quem fala. Sua galeria está cheia de fotos minhas distraído. — sorri.

—Vai ser por uma boa causa. Quando estivermos no nosso casamento farei um vídeo com todas as nossas fotos para passar durante a festa. — o abracei pela cintura.

—Me iludindo, Melinda. Que coisa feia. — ele soltou uma risada.

As portas do elevador abriram. Passei meu braço pelo de Tyler e saímos do elevador.

Passamos pelo hall do hotel e saímos do mesmo, o táxi havia chegado bem na hora.

—Boa noite. — Tyler e eu cumprimentamos juntos.

—B-boa n-noite. — o taxista respondeu levando-me a franzir as sobrancelhas.

—Ele deu essa gaguejada porque você é a Valente ou porque não sabe falar inglês? — Tyler questionou.

—Acho que não sabe inglês. — respondi. — Você fala inglês, moço? — indaguei em português.

—Sinto muito, mas não. — respondeu aliviado. Talvez por saber que eu sabia falar português.

—Sem problemas. — tranquilizei. — Eu nunca entendi o porquê de quando vocês, brasileiros, vão para o EUA ser uma exigência para que saibam falar inglês enquanto para nós, estadunidenses, não é uma exigência saber falar português quando viemos para o Brasil. Ou falar russo quando vamos para a Rússia. —

—Mas na Rússia o inglês é uma língua bastante usada, não? — contrapôs.

—Sim, mas... ah, você me entendeu. — falei causando uma leve risada no motorista.

—Não precisa manter a conversa, senhorita. — franzi as sobrancelhas. — O seu amigo. Não deixe ele de lado durante a corrida apenas porque eu não aprendi nada nas aulas de inglês. — encarei Tyler.

—Ele está preocupado com o fato de você ficar fora da conversa já que não sabe falar português. — falei para o garoto ao meu lado.

—Sabe que eu não ligo para isso. — respondeu. — Estou mais preocupado com o fato de você não ter dito o local para onde vamos até agora. — bati na minha testa.

—Oh, cabeça, hein. — resmunguei. — Moço, nós vamos para o restaurante Amado. O Tyler me lembrou agora que eu não tido dito o local. Desculpa. — falei sorrindo.

—Sem problemas. — falou, virando em uma esquina.

***

A chegada no restaurante Amado foi tranquila, algumas pessoas vieram tirar fotos comigo e com o Tyler, mas não houve um aglomerado de pessoas como teve no shopping.

O garçom nos levou até nossa mesa e falou o quão felizes e, nervosos, a equipe do restaurante estavam quando souberam que a Valente reservou uma mesa para jantar com o namorado.

Pedimos a sugestão do chef durante todo o jantar. Entradas, pratos principais, sobremesas, vinho. E nenhuma delas decepcionaram.

Agora Tyler e eu estávamos caminhando pelas ruas, comentando sobre o jantar e outros assuntos.

Tínhamos encontrando uma roda de capoeira algumas quadras do restaurante, ficamos ali alguns minutos observando. Depois voltamos a caminhar, parando algumas vezes para admirar outras coisas como um grupo tocando instrumentos de percussão. Paramos também em alguns carrinhos de comidas, experimentando alguns pesticos.

Ele tinha comido acarajé e acabou não gostando, mas para não fazer desfeita comeu todo o acarajé. Já eu comi dois, afinal aquilo era muito bom.

Agora nós estávamos dividindo um bauru enquanto caminhávamos. Eu tinha explicado para ele que aquilo era quase um x-tudo, só com apenas hambúrguer, ovo e salada.

—Os brasileiros chamam isso de podrão. — falei, dando uma mordida no meu bauru.

—Achei que a mulher tivesse dito a palavra bauru. — falou confuso.

—Sim, é bauru. — concordei. — Mas os brasileiros também chamam de podrão. —

—Podrão? — assenti.

—É. Eles usam isso para definir qualquer comida de rua. Sinceramente, eu acho essas comidas de rua melhores que as de muito restaurante por aí. — bebi um gole do refri. — Não estou falando do Amado, já vou logo esclarecendo. — Tyler riu, pegando o bauru das minhas mãos e dando uma mordida.

—Acho que vou parar nesse bauru, por enquanto. Comi demais, Melinda. — soltei uma risada.

—Pois ainda cabe bastante comida no meu estômago. — mordi o sanduíche.

—Claro que cabe. Você tem que sempre repôr suas energias. — ele segurou a latinha de refrigerante para que eu pudesse beber. — Para onde vamos agora? —

—Podemos ir para a praia. O que acha? — o olhei. — Estamos perto do hotel e pelo que o Alexander disse, tem uma descida que dá para a praia. Ainda está em perfeito estado para alguns minutos de caminhada? —

—Estou treinando para me tornar um agente da SHIELD, Melinda. Resistência faz parte do treinamento. — sorriu.

—Desculpa, agente Pierce. — ergui as mãos.

Terminei de comer o bauru e tomar o refrigerante alguns minutos antes de chegarmos na orla da praia.

A praia não era muito movimentada a noite. A única coisa que dava para ouvir era uma música que estava tocando em algum lugar não muito longe daqui e o som das ondas.

Quando descemos para a areia, tirei minhas sandálias e amarrei uma na outra, pendurando no meu pescoço. Tyler fez o mesmo com seus sapatos.

—Vou fazer um jogo com você. — ele falou atraindo minha atenção.

—Que jogo? —

—Perguntas e respostas. — ergui a sobrancelha.

—Você já sabe tudo sobre mim, Ty. — falei rindo.

—Sim, mas eu gosto que você me conte algumas coisas. — o olhei, vendo que sorria.

—O que você quer que eu te conte? —

—Uma comida favorita aqui do Brasil? — pressionei os lábios.

—Churrasco e feijoada. — respondi. — Vou te apresentar os dois amanhã. — sorri.

—Uma bebida? —

—Do Brasil? — assentiu. — Caipirinha. Você sabe. —

—Um lugar? —

—Bahia. —

—Uma cultura? —

—Nordestina. —

—Sotaque? —

—Carioca, nordestino e gaúcho. —

—Uma palavra? —

—Uma palavra brasileira? — pensei. — Bagulho. — sorri.

—Que? — indagou confuso.

—Sabe quando você não lembra o nome de alguma coisa? — assentiu. — É tipo para substituir o nome dessa coisa. "Ah, pega esse bagulho aí para mim". Tipo isso. —

—Ok. Um palavrão? —

—Caralho. Aqui eles usam caralho para quase tudo. — soltei uma risada. — É quase como advérbio de intensidade. Dá para usar em qualquer situação. —

—Você daria uma ótima brasileira, sabe disso, não sabe? —

—Mas é claro. — sorri, olhando para a imensidão do mar. — Agora é minha vez de brincar com você. — tirei a minha bolsa do ombro, deixando ela na areia. — Se chama: quem chegar na água por último paga o almoço amanhã. — joguei minhas sandálias no chão tirando meu casaco.

Tyler jogou seus sapatos na areia, desabotoando sua camisa no exato momento em que abri o zíper do vestido.

Ele estava tirando sua calça quando eu consegui me livrar do vestido, ficando só de lingerie.

—Não vale usar sua super velocidade, Melinda. Isso seria trapaça. — sorri.

—Esqueceu com quem está falando? — pisquei para ele, começando a correr quando ele tinha tirado a calça e ficou apenas de cueca.

—O fato de você ter poderes não significa que eu ainda não posso ganhar. — quando me dei conta do que ele estava falando, Tyler já tinha me pegado no colo e corria comigo na direção oposta da água.

—E depois você vem falar de trapaça comigo? — questionei tentando me soltar dele, o empurrando. Isso só fez com que eu caísse no chão, já Tyler apenas se desequilibrou um pouco, mas não caiu.

Em vez de me ajudar ou qualquer outra coisa do tipo, o espertalhão correu na direção da água.

—Tyler volta aqui! Seu trapaceiro de uma figa. — gritei levantando e correndo na direção dele.

—Eu nem sei o que você falou depois da palavra trapaceiro. — gritou de volta, entrando na água e mergulhando. — E você perdeu! — continuei correndo, quando me aproximei dele, pulei em cima dele, empurrando sua cabeça para debaixo da água.

—Você mesmo disse que trapaça não valia. — falei quando o puxei para cima de volta.

—Quando você está apostando com alguém que tem poderes, isso já é uma trapaça. — falou um pouco ofegante.

—Ava. — joguei água na cara dele.

Tyler mergulhou, nadando até mim e emergindo alguns centímetros perto de mim.

—Sua lingerie é bege. — sussurrou me abraçando. — Significa que quando molha ela fica transparente. E você sabia disso. —

—Ops. — murmurei passando meus braços ao redor do pescoço dele. — Talvez a diabinha tenha aparecido no meu ombro enquanto eu escolhia uma lingerie. Só talvez. —

—Então terei que deixar você de castigo por ter seguido os conselhos da diabinha. — Tyler mordeu meu lábio, puxando para si.

Trouxe o seu rosto para mais perto do meu, admirando seus olhos azuis antes de beijá-lo. As ondas batiam forte contra a gente, fazendo nós dois nos afastarmos. Até que fiz surgir um escudo entre nós dois e as ondas, e parece que funcionou.

Os lábios de Tyler saíram dos meus para distribuir beijos pelo meu rosto e pescoço.

—Desculpa. — sussurrei, atraindo a atenção dele.

—Pelo que? —

—Pela minha atenção não ser totalmente sua durante esses dias. — Tyler sorriu, acariciando meu rosto.

—Achei que eu já tinha dito que não ligo para isso, Melinda. Eu até gosto de ver você conversando com alguns dos seus fãs. —

—Alguns fãs? — arqueei a sobrancelha. — Eu sei que você gosta e na maioria das vezes não se importa de ser deixado de lado alguns minutos, mas é a sua surpresa de aniversário, Tyler. —

—E são seus fãs, Melinda. Olha, você não é nenhuma estrela do pop que precisa dos fãs para ganhar dinheiro ou coisa do tipo, mas é uma super heroína. E você sabe, melhor do que ninguém, que nem todo mundo gosta de pessoas com poderes. — Tyler entrelaçou nossos dedos. — Se algo de ruim acontecer, o que sempre acontece, algumas pessoas não pensarão duas vezes antes de colocar a culpa nos Vingadores. É para isso que os fãs de heróis servem, para apoiar vocês contra essas pessoas. Eles não irão passar pano para vocês caso tenham feito algo de errado, mas ainda irão apoiar vocês. — arqueei a sobrancelha. — Bom, pelo menos eu irei sempre apoiar vocês. Você principalmente. — sorriu.

—Obrigada. — sorri. — Mas quando a gente for para o Rio amanhã, vamos usar chapéu e óculos escuro. Não é necessariamente um disfarce, mas apenas uma forma de você não ser deixado de lado no seu último dia de surpresa. Fechado? —

—Fechado. Agora podemos sair da água? Estou começando a ficar com frio. — dei uma risada, desfazendo o escudo.

—Claro. — concordei, segurando a respiração e dando um último mergulho. Tyler fez o mesmo antes que uma onda batesse nas costas dele.

Saímos da água caminhando até nossas coisas na areia. Tyler pegou meu casaco, vestindo em mim. Ele vestiu sua calça e estirou sua camisa na areia, para que pudéssemos sentar.

Observei ele esfregar seus braços, tentando se aquecer. Sorri, me sentando mais perto dele.

—Me abraça. — falei.

—Que? — me encarou.

—Me abraça. — repeti. Tyler passou seu braço ao redor do meu corpo.

—Você está quente. — constatou confuso. — O que é esquisito considerando que acabamos de sair da água. —

—Energia térmica. — respondi. — Eu aprendi a manipular minha energia. Aumentar para quando estiver frio demais, diminuir quando estiver quente demais. Essas coisas. —

—Consegue manipular a energia térmica do ambiente? —

—Ainda não tentei fazer isso. — respondi.

—É quase como abraçar o Baymax. — Tyler falou me abraçando com mais forca. — Um Baymax mais baixo e mais magro, é verdade. — soltei uma risada.

—A Nat quem está me ajudando com essas novas habilidades. — descansei minha cabeça em seu ombro.

—Você ainda está desenvolvendo novas habilidades? — assenti. — Tem algum truque na manga agora? —

—Sempre tenho. —

Tyler me soltou do abraço. Posicionei minhas mãos a alguns centímetros de distância uma da outra, me concentrando.

—O que você vai fazer? — perguntou.

—Shhh. — encarei minhas mãos, mantendo a concentração.
E então um raio apareceu entre elas.

—Wow. Isso foi... —

—Foi. — concordei sorrindo.

Mais raios apareceram entre minhas mãos, uns sumiam apenas para dar lugar para outros.

—Energia elétrica. — expliquei. — Eu tenho treinado essa habilidade carregando meu celular, ligando a tv apenas encostando no cabo. —

—Pode fazer vários raios atingir um determinado local? Que nem o Thor faz? — movimentei minha mão fazendo os raios acompanharem o movimento.

—Nunca tentei. Fazer isso requer um gasto maior de energia, então eu não faço com tanta frequência. — respondi, levantando. — No entanto, eu andei treinando uma coisa. —

—O que? —

Olhei o redor, procurando um lugar no qual eu tivesse certeza que não teria ninguém por perto.

—Está vendo aquela pedra ali? — indiquei com a cabeça. Tyler assentiu.

Me preparei, fazendo mais raios aparecerem e então ergui as mãos na direção da pedra, acertando ela com os raios.

—Vingadora mais forte. Nunca duvidei. — ele aplaudiu. — Você é uma caixinha de surpresas, Melinda. —

—Você também tem seus mistérios, Tyler. — cruzei os braços. — Vamos? Preciso de um banho e um lugar confortável para dormir. —

—Queria ver o sol nascer, mas não acho que irei aguentar. — arqueei a sobrancelha, vendo ele levantar.

—Achei que resistência fazia parte do seu treinamento, agente. — ele me entregou meu vestido.

—E faz, mas uso apenas quando estou em missão. — balancei a cabeça, rindo.

Vesti o vestido e Tyler me ajudou a fechar o zíper. Ele vestiu sua camisa, abotoando apenas alguns botões.

Deixamos para calçar os sapatos apenas quando estivéssemos bem longe de toda essa areia. E então, novamente estávamos caminhando pelas ruas da Bahia.

—Amanhã você paga o almoço. Não se esqueça. — falou me abraçando de lado.

—Da sua trapaça? Não vou esquecer nunca. — ele sorriu.

—Como acha que está as manchetes de notícias? Você, uma Vingadora, curtindo o aniversário do "namorado" em Paris e no Brasil. —

—Cômicas. — deduzi. — São boas para dar risadas, tanto com a manchete como com a matéria. — dei de ombros. — De qualquer forma, eu não ligo. E você, namorado? —

—Eu namoro uma Vingadora então por que dar importância para essas fofocas? — Tyler entrou na brincadeira.

Após alguns minutos chegamos no hotel. A trajetória até nosso quarto foi silenciosa, mas um silêncio confortável.

O serviço de quarto levou nossas roupas sujas para lavar e disse que estariam de volta pela manhã. Então Tyler e eu fomos tomar banho juntos.

Tyler lavou meus cabelos e eu lavei os dele enquanto conversávamos sobre assuntos aleatórios e dávamos risadas juntos.

Saímos do banheiro depois de uma hora, eu acho. Tyler com sua calça moletom e eu com o próprio moletom.

—Amor, pega meu celular na bolsa e vê se chegou mensagem da Wanda. — pedi enxugando meu cabelo com a toalha.

—É sobre a missão? — assenti, pegando a escova e começando a desembaraçar meu cabelo. — Ela disse que não tem nenhuma novidade. —

—Manda uma mensagem para ela dizendo que se aparecer qualquer pista é para me falar. — observei Tyler digitando a mensagem.

—Acha que eles não avisariam você se tivesse uma pista sobre a missão? — questionou deixando meu celular de lado.

—Eles não vão. Quando eu falei que ia fazer a sua surpresa e disse também para eles me avisarem se surgisse alguma pista sobre o cara que estávamos procurando mesmo se eu estivesse com você. — Tyler me chamou para sentar do seu lado. — Steve e Nat disseram que não iriam fazer isso a não ser que fosse extremamente necessário, que não deixariam o tal do Rumlow atrapalhar meus planos com você. — continuei.

—Então você pediu a Wanda para te manter informada sobre qualquer nova informação sobre a missão? — deduziu, pegando a escova da minha mão e penteando meu cabelo.

—Sim. —

—Acha que ela vai dizer? —

—Se eu chegar em New York e descobrir que teve informação nova e a Wanda não me contou, eu mato ela. Simples. — dei de ombros.

—E se a Natasha proibir ela? Sabe como é. A Wanda tem os poderes que tem, mas a Nat é de botar medo em qualquer um. —

—A Wanda tem outros meios de se comunicar comigo. Mesmo que a Nat proíba ela, a Bruxinha ainda pode me avisar sobre a missão. — suspirei. — Mesmo que eu não goste desse outro meio de comunicação. —

—Fala dela usar os poderes para entrar na sua cabeça? — assenti. — Ela consegue? Digo, é outro país, outro continente. A Wanda não é o Professor Xavier, Melinda. —

—Nah, ela é muito mais poderosa. Todo mundo sabe. — fiz um gesto de dispensa com a mão. Tyler riu. — Brilha linda flor Teu poder venceu. — murmurei baixinho.

Traz de volta já O que uma vez foi meu. — Tyler me acompanhou, fazendo-me sorrir.

Cura o que se feriu. Salva o que se perdeu. — continuei, brincando com uma mecha do meu cabelo.

Traz de volta já, o que uma vez foi meu. O que uma vez foi meu. — Tyler finalizou, terminando de pentear meu cabelo. — Pronto, minha flor. — sorri, virando-me na direção dele.

—Obrigada. Agora fecha os olhos e abre a mão. — mandei tirando a escova de suas mãos.

—Que? O correto não seria abre a boca e fecha os olhos? — ele arqueou a sobrancelha.

—Não, seu espertalhão. Vai, faz o que eu mandei. — o encarei.

—Sim, senhora. — falou fechando os olhos e estendendo a mão.

—Não é para abrir os olhos. — passei minha mão em frente do rosto dele.

—E alguma vez eu já abri os olhos quando você mandou fechá-los? —

—Já. No seu aniversário de 8 anos. — respondi caminhando até a mochila e abrindo o bolso lateral, pegando o presente de Tyler.

—Ah, ali foi quando éramos crianças. Quando você era criança era menos assustadora do que é agora. — sorri, me sentando ao lado dele. — E eu não preciso estar com os olhos abertos para saber que você está sorrindo. —

—Claro que não precisa. — segurei a mão de Tyler que estava estirada e a minha mão que estava com o presente eu coloquei sobre a palma da mão dele. — Esse é provavelmente o presente mais careta e meloso que Melinda Hunters já deu a alguém. A cada ano que passa era para a tarefa de encontrar um presente para você ficar mais fácil, mas na real, com o passar dos anos, isso só fica cada vez mais difícil. — suspirei. — No entanto, aqui estou eu vencendo mais um desafio sobre o que dar de presente para Tyler Pierce. — abri a minha mão, deixando o presente na dele e fechando a mão do mesmo sobre o presente. — Pode abrir os olhos. — murmurei baixinho.

Tyler fez o que eu pedi e abriu os olhos, mas seu olhar não foi diretamente para o presente na sua mão, e sim, procurou pelo meu olhar.

—Você sabe que ter você do meu lado durante não só meu aniversário, mas como toda minha vida, continua sendo o melhor presente que eu poderia receber, não sabe? — sorri.

—Sei sim. Agora para de estragar o momento transformando o seu momento no meu momento e olha o que eu te dei. — me ajeitei na cama, trazendo minhas pernas para cima da mesma.

—Você que manda. — murmurou abrindo a sua mão. — É um colar? — indagou segurando o mesmo pelo cordão e erguendo para perto do rosto. — Espera. Esse é aquele colar que diz... —

—Eu te amo em 100 idiomas diferentes. — o interrompi, sorrindo. — Feliz aniversário, amor. —

—Eu quem ia te dar um colar desses, Melinda. Eu te falei. — cruzei os braços.

—Parece que alguém passou na sua frente. — sorri convencida. — Vem cá. Deixa eu te mostrar como funciona. —

Levantei indo desligar a luz do quarto, deixando apenas a luminosidade da rua iluminando o quarto. Sentei no colo de Tyler, pegando meu celular que estava sobre a cama do lado dele e ligando a lanterna.

—Você coloca a laterna do celular na parte de trás do colar e... tchanran!

As paredes e o teto do quarto foram preenchidos pelos inúmeros "eu te amo" refletidos em 100 idiomas diferentes, me encantando novamente com a beleza daquilo.

Ok, eu tinha aberto esse colar umas cinco vezes desde que eu comprei, mas não deixava de me encantar toda vez que eu via.

—Deixa eu fechar as cortinas. Fica mais bonito ainda quando está tudo escuro. — falei, fazendo menção de levantar, mas Tyler não deixou.

—Não precisa. — disse baixinho. O sorriso tomando conta dos lábios. — Obrigado, amor. Você torna minha vida mais feliz a cada pequena ação sua. — segurou meu rosto entre suas mãos. Sorri. — E grandes ações também, porque pegar um Quinjet e me levar para Paris e Brasil não é uma ação pequena. —

—Eu amo você, Tyler. — sussurrei, também segurando seu rosto entre as minhas mãos. — Te amo em 100 idiomas diferente. —

—E eu amo você, Melinda. A cada dia que passa eu amo você mais e mais. — sussurrou, inclinando o rosto na minha direção e beijando meus lábios.

Notas finais
Hey! Então? Gostaram? Não gostaram? Comentem! Peço desculpas pelo atraso e queria poder dizer que isso não irá mais se repetir, no entanto eu acho que vai se repetir sim, principalmente agora que estou sem internet. Enfim, o capítulo foi esse, a missão em Lagos está mais perto do que longe, assim como o Tratado de Sokovia e desunião dos Vingadores. Bjinhos de luz e até a próxima. Bon revoar!