Circulo de Fogo - E.N.D
6 Ser gélido.
Notas iniciais
Circulo de fogo
"Você quer brincar na neve?"
– Derek?
Ouço a voz de Stiles me chamando.
– Derek, acorda!
Abro meus olhos lentamente e vejo o rosto de Stiles, diferente das ultimas semanas, pela primeira vez eu o vi sorrindo, ele estava sentado na cama próximo dos meus joelhos e encostado na cabeceira da cama.
Aquele sorriso era realmente muito bonito, pensando bem, dificilmente eu via, mas quando acontecia, eu me sentia estranhamente bem.
– Derek? Esta me ouvindo? — Pergunta Stiles. — Estou dizendo que vamos sair hoje.
– Sim, sim, vamos. — Respondo tirando da minha mente meus devaneios.
Eu achava que seria complicado acordar hoje, talvez Stiles agisse estranho comigo por termos dormido junto ou por eu saber do medo dele ou qualquer coisa, eu esperava qualquer coisa, estava disposto a aguentar tudo, mas não, fui acordado com um sorriso e um convite para sair, quem consegue acordar feliz?
Vejo ele se levantar e abrir as janelas, o sol radiante brilhava no céu, nem parecia que tinha caído um dilúvio na noite passada, Stiles encosta na janela e dá um suspiro sorridente, vejo o curativo nas costas dele, colados ao seu corpo que me peguei admirando novamente, não estavam vermelhos, então ele não tinha sangrado de madrugada.
– Stiles. — Chamo.
– Sim?
– Sabia que você tem uma bela bunda? — Perguntei brincando.
Observo ele corar vertiginosamente ao se dar conta que estava só de calção inclinado na janela.
– Pare de olhar para minha bunda. — Brada enquanto corre para vestir uma calça. — Vamos, levante logo dai! Não temos o dia todo.
Depois de ser praticamente expulso da cama, fui ao banheiro fazer minha higiene, logo, já estava descendo as escadas em direção a cozinha onde Stiles preparava estranhamente alegre nosso café, típicos ovos com bacon, meu estômago roncou quando senti o cheiro.
– Stiles, porque essa alegria toda? — pergunto tentando não ser direto.
– Alegria toda? Como assim?
– Eu não via você sorrir em nenhum momento desde que cheguei, mas agora, você está diferente.
– Bom. — vejo ele desfazer o sorriso e suspirar. — Eu sou assim Derek, mas quando você estava por perto eu me proibia de sorrir.
– Se proibia de sorri? Que loucura. — respondo.
– É, eu não queria em nenhum momento demonstrar quando ou com o que eu estava feliz.
– E agora não vai mais? — Indago.
– Eu não preciso mais. — Responde. — Mas não pense que eu vou pegar leve com você por conta disso.
– Eu não quero que você pegue leve comigo.
Durante alguns segundos ficamos em silêncio, aquele momento que eu temia havia chegado, tínhamos que falar novamente sobre o passado.
–Olha Derek. — começa Stiles. — Eu vou tentar fazer isso dar certo ok? Esse nosso lance.
– Nosso lance? — pergunto arqueando a sobrancelha.
– Nosso lance. — Diz Stiles estalando os dedos. — Essa coisa de confiança e somente a verdade.
– Há. Sim. — Respondo aliviado e ao mesmo tempo decepcionado.
– Eu vou me esforçar também, eu vou te proteger de agora em diante.
– Não Derek, não estou falando disso, olha, se eu disser que te perdoei, eu estaria mentindo, mas eu te dei essa chance, a chance de me mostrar o contrário de você.
– O contrário de mim?
– Sim, eu percebi, você está se tornando gentil e um cara mais preocupado, eu estava com medo de...
– Medo de? — o incentivei a continuar.
– Medo de querer manter você por perto. — Responde envergonhado. — Medo de assumir que eu precisava de sua ajuda, eu estava me fazendo de forte.
– Mas você se tornou forte Stiles, você aguentou muita coisa, e eu realmente fiquei surpreso.
– Então vamos tentar fazer isso dar certo, tudo bem?
– Com certeza. — Respondo sorrindo.
– Há! Outra coisa Derek, eu não quero que você me proteja, quero que fique do meu lado.
– Lutamos lado a lado então. — Afirmo.
– Lado a lado. — concorda.
Tomamos nosso café, pusemos algumas roupas quentes, estava no fim do inverno, logo seria a primavera, mas ainda fazia frio, Stiles queria ir ao parque, eu não fiz nenhuma objeção, até que vejo ele pegando a mochila e pondo uma arma dentro dela.
– Ei, ei, pra que está levando isso? — pergunto.
– Nunca podemos sair sem proteção Derek. — Responde.
– Mas uma arma? Olha o tamanho disso. — Falo apontando para a arma.
Stiles para por alguns instantes olhando para a pistola calibre 50 em suas mãos.
– É, talvez ela seja um exagero. — Diz pegando outra. — Esta serve?
Vejo ele me mostrando uma Bereta.
– Bem melhor que uma Eagle. — Respondo.
– Você vai levar algo? -Pergunta Stiles.
– Não sei, você acha que eu preciso?
– Sim, como você nunca foi pra longe, é bom que andemos preparados. — Responde.
Observo a mesa e as armas disponíveis nela, olho uma Katana de prata curta, pequena, era perfeita.
– Uma lâmina?
– Bom, não foi você que disse que eu deveria praticar com lâminas? Essa parece ser uma boa.
– Sim, é uma boa ideia. — Responde Stiles sorrindo.
Guardei minha nova arma no bolso do meu sobretudo e Stiles pôs a Bereta dentro da bolsa, trancamos o apartamento e saímos em direção a estação de metrô de Shibuya.
Cerca de vinte minutos até o parque do centro da cidade, o Yoyogi, eu fiquei maravilhado com tudo o que via, e pelo brilho nos olhos de Stiles, ele também ficou. Mesmo as arvores estando secas, elas eram lindas, enfeitadas e repletas de formas, tamanhos, deveria existir uma infinidade delas.
Era bom finalmente está saindo com ele, a companhia dele era muito agradável, e pra mim isso era coisa ruim, ele ter me perdoado era uma coisa, mas se relacionar? Estava totalmente fora de questão.
– Essa é a primeira vez que eu saio com alguém desde que cheguei aqui. — Diz Stiles.
– Sério? Você não fez nenhum amigo? Nada do tipo?
– Não. — Responde em meio a um suspiro. — Eu até tentei, mas eu sentia que estava traindo Scott, Lydia... Malia.
Aquela pausa antes de falar o nome dela me fez notar que ele ainda tinha algo por ela, e ele não ter falado meu nome também me doeu um pouco.
– Traindo? — Digo tentando ser evasivo.
– É! Pode soar meio infantil mais, acho que nunca vou fazer outros amigos.
– Você sente falta deles? — pergunto enquanto cortamos o parque.
– Sim, tem horas que a minha vontade é pegar o próximo vôo para os Estados Unidos.
– Eu iria adorar que você fizesse isso. — Respondo.
– Mas, vontade dá e passa. — Diz com um tom seco. — Não posso ir até cumprir meu propósito.
– Seu misterioso propósito.
– Derek. — Diz com um tom mais pesado.
– Eu sei. — respondo. — Nada de perguntas.
– E você? Sente falta deles?
– De Scott talvez, foi o único que tive alguma ligação.
– Nem de seu tio Peter? — Indaga.
– Não. — Respondo.
Em poucos minutos, aquele sol sumiu dos céus, e novamente a chuva começou a cair, e dessa vez estávamos no meio do parque, sem ter onde se abrigar, corremos alguns segundos até uma arvore próxima, que como não tinha folhas, não servia de quase nada.
Cinco minutos e já estávamos ensopados. Observo Stiles começar a tremer de frio, seus lábios estavam levemente roxos e sua pele ficava pálida a cada minuto.
Eu não fazia idéia se eu deveria oferecer alguma ajuda pra ele, tinha medo de sua reação, o que houve na noite anterior foi uma situação, essa era totalmente diferente.
– Stiles você...
– Não precisa Derek. — Responde me antecipando. — Estou bem.
– Stiles vo...
– Você não precisa fazer isso toda vez Derek.
– E você não precisa recusar toda vez Stiles. — Rebato fazendo cara de frustração.
– Eu posso aguentar ok? Já aguentei coisa pior e também vai ser bom para meu treinamento.
– Tudo bem, tudo bem, mas se eu perceber que você está realmente com frio eu vou intervir, ok?
– Certo. — Responde virando o rosto e cruzando os braços.
Cinco, dez, quinze, vinte minutos se passaram e Stiles estava firme, e ouvia seus batimentos, estavam acelerados e seu corpo não parava de tremer.
– Stiles. — Chamo.
– Estou bem Derek. — Responde.
– Não é isso! Bom, não exatamente. — digo confuso. — Já que você quer treinar, que tal corrermos um pouco na chuva?
– Correr na chuva? — Interpela.
Vejo Stiles analisar a proposta por alguns instantes.
– Tudo bem. Vamos. — Diz Stiles se adiantando e correndo na minha frente.
Me ponho em correr na sua direção, e claro, rapidamente o alcanço.
– Você está devagar Stiles. — Brinco.
– Tenta correr carregado de coisas, com uma arma e sem poderes. — Responde com um sorriso sarcástico.
Não demorou, nossos corpos começaram a esquentar, Stiles não tremia mais, pelo menos não tanto, pouco a pouco fomos aumentando a velocidade, não nos damos conta, mas já estávamos nos limites do parque, totalmente cercado pela floresta de arvores secas, o tapete de neve branca cobria tudo na nossa visão, até que Stiles decide parar.
– Vamos dar um tempo. — Pede curvando o corpo e apoiando as mãos nos joelho.
– Já? Achei que era mais rigoroso com você mesmo. — Falo desafiando.
Vejo Stiles me dar um olhar mortal.
– Você quer brincar lobo?
Nesse momento, rápido como uma bala, Stiles pula em minha direção e em um golpe de ChoyLayFut, mal vejo seu rastro, já estou no chão com uma arma apontada para minha cabeça.
– Morto. — Diz Stiles com um olhar satisfeito.
– Você é bom. — Admito. — Mas ainda é lento.
Seguro seu pulso e giro nossos corpos no chão, dessa vez, fico por cima dele com minhas garras no seu pescoço.
– Quem está morto agora? — Brinco.
– Você. — Responde com um sorriso no canto do rosto.
Sinto a pressão em minha cintura, no meio do movimento, eu não sei como e nem quando ele conseguiu sacar seu canivete e pressionar contra meu...
– Morto e Castrado. — Continua Stiles fazendo pressão com seu canivete na minha virilha. — Nunca sou pego de surpresa.
– Impressionante. — Respondo admirado.
– Você ainda não viu nada. — continua.
– É? Então me mostre! — Sussurro curvando meu corpo sobre o dele e pegando ambas as mãos e pressionando contra o chão.
Por alguns segundos, ficamos em silêncio, encarando um ao outro, observei bem de perto os seus olhos castanhos profundo, e ele, me olhando nos olhos também, sua pele branca e pálida de frio, lábios bem desenhados e levemente roxos, seu cabelo ensopado colado na testa, sua respiração ofegante, aquilo era muito tentador para mim.
Vou aproximando lentamente nossos rostos, bem devagar, para ter certeza que estou dando a ele a chance de desviar, eu iria beijá-lo ali mesmo.
Ele continuava petrificado, não movia um dedo, um músculo que fosse, apenas continuava a encarar meus olhos, como se me desafiasse a fazer aquilo, um olhar que me dizia claramente: Se você fizer isso, vai ter que aguentar as consequências.
Faltava pouco, ou muito, não sei ao certo, até ouvir um som de apito, que pra minha audição de lobo era quase insuportável.
–Argh. — Resmungo com as mãos nos ouvidos.
Me jogo para a lateral, aquele som estava quase explodindo minha cabeça, Stiles então rapidamente se levanta e avalia a situação.
Um guarda do parque estava próximo de nós, e com um apito nas mãos, no apito dele tinha um símbolo que eu conheci bem, era o mesmo que tinha na porta de Stiles, um que me impedia de entrar, um selo anti-lobo.
Rapidamente Stiles vai em direção ao guarda que para de apitar, eu não consegui traduzir bem o que eles disseram, meus ouvidos queriam explodir, tudo o que entendi foi o guarda dizer que aquela aérea era restrita e não tínhamos permissão de estar ali.
Enquanto Stiles conversava com ele, eu me recuperava do choque, me ponho de pé e vou na direção deles.
Stiles inventa uma desculpa de que éramos turistas e tínhamos nos perdido no parque por conta da chuva, não foi muito convincente mas foi o suficiente para o guarda nos liberar apenas com uma advertência.
– Meu ouvido ainda está doendo, que merda! — Brado.
– Ele estava com um apito que tinha um selo anti-lobo. — Explica Stiles.
– É, eu percebi, mas como ele sabia?
– Ele não sabia. — Responde Stiles. — Você deu azar de topar com um guarda que tinha um amuleto anti-lobo.
Rimos um pouco da situação, e tentei ao máximo evitar falar sobre o que eu estava para fazer a alguns minutos atrás.
O velho e desastrado Stiles decidiu aparecer naquela hora, em questão de segundos, ouço apenas a queda e um estalo, Stiles tropeçou numa Raiz coberta pela neve e luxou o tornozelo, ótimo, agora eu teria que carregá-lo.
Mesmo ele se opondo, o peguei pelas pernas e apoiei em minhas costas, como dois macaquinhos, ele demorou um pouco, mas no fim, cedeu e se apoiou de forma adequada em mim.
Não percebi que tínhamos corrido tanto, talvez uns cinco quilômetros mata a dentro, boa parte do nosso retorno foi em silêncio, eu carregava Stiles nas costas e ele as vezes resmungava algo, ainda chovia, mas ter o corpo dele contato com o meu foi o suficiente para nos aquecer, e eu senti que ele estava confortável, apoiou a lateral do rosto em meu ombro e fechou os olhos.
– Você ainda continua desastrado. — Brinco para quebrar o gelo.
– Foi um descuido meu. — Resmungou baixo.
– Pra quem não era pego de surpresa nunca, isso foi incrível. — falo em meio a uma gargalhada.
– Pare, ou eu te mato. — Disse em protesto. — Não posso andar, mas ainda sei matar.
– Me matar agora seria bem trágico. — Respondo.
Quase uma hora andando até finalmente chegarmos aos portões do parque, eram duas horas da tarde, senti o estomago de Stiles roncar, e o meu também estava.
Mesmo tendo alguns olhares curiosos do porque tinha um homem carregando outro em uma avenida movimentada no centro de Shibuya, continuamos andando, e Stiles também não parecia muito disposto a dar satisfações, só foi preciso quando um Koban nos parou para saber o motivo.
Depois de alguns minutos conversando com o policial, ele nos libera, mas alguns minutos andando e finalmente paramos em um restaurante, um dia frio pedia um delicioso Ramen com frango ichiraku, eu estava começando a me adaptar a culinária local.
Sento Stiles devagar em uma cadeira próximo a janela, vejo suas expressões de dor até achar uma posição na cadeira, faço nosso pedido e me sento a sua frente.
– E nosso primeiro passeio está sendo assim. — digo sorrindo com um pouco de sarcasmo.
– É, primeiro a chuva, quase fomos presos e eu torci o pé, não podia ficar melhor. — Responde com uma cara entediada.
– Ei, melhora essa cara. — digo. — Eu que te carreguei esse tempo todo não estou reclamando.
– Não pedi pra você fazer isso. — Responde de forma ríspida.
– É, não pediu. — Falo abaixando o tom.
– Me desculpe Derek, eu deveria está te agradecendo e não te chutando.
– Tudo bem, eu até gosto mais desse seu jeito mais ignorante. — Respondo.
– Meu jeito ignorante? — Pergunta Stiles arqueando a sobrancelha.
– É, me faz pensar que você agora é um homem adulto e independente.
Observo um sorriso nascer no canto de seu rosto. A moça chega com nossos pedidos, um Ramen bem quente para ajudar nesse frio mortal, parecia fácil, se Stiles não estivesse tremulo e praticamente derramando toda a sopa.
Estendo minha mão para ele.
– O que? — pergunta olhando para minha mão.
Não respondo nada, apenas inclino a cabeça.
– Ha não, qual é Derek, eu estou bem.
– É só o que você sabe dizer? Que está bem mesmo quando não está?
– E só o que você sabe fazer é sentir dor por mim?
Continuo em silêncio, torno a curvar a cabeça na direção de minha mão.
Com isso ele devagar estende a mão e segura na minha, logo sua dor estava vindo pra mim, vi em seus olhos que ele estava relaxando, e agora, ele podia comer sem ficar tremendo.
Depois de terminar o almoço tínhamos planos de ir ao centro tecnológico, mas com Stiles machucado não dava, então decidi levá-lo pra casa, mas uma vez o coloquei em minha costas e caminho até um ponto de taxi, não seria muito bom pegar o metrô com ele assim, e em poucos minutos, já estávamos em casa.
Subimos pelo elevador até nosso andar, entramos no apartamento, levo ele até o quarto para trocar nossas roupas molhadas.
Me troquei no banheiro enquanto ele trocava de roupa no quarto, algum tempo depois estávamos na sala, escolhendo algum filme para passar o restante da tarde e da noite assistindo, pego algumas cobertas no guarda roupa branco e levo para ele, enquanto ele põe o filme eu vou a cozinha preparar um pouco de chocolate quente e uma compressa para seu tornozelo que estava um pouco inchado, também peguei alguns analgésicos e pipoca.
– Godzilla? — Pergunto.
– Sim. — Responde empolgado.
– Mas não é aquele filme que tem um monstro que destrói o Japão e etc...?
– Sim, esse mesmo. — Responde. — Algum problema?
– Não, não, apenas achei engraçados pelo fato de estarmos no Japão. — Digo me aproximando com as coisas.
Me sento ao seu lado no chão encostado ao sofá, dou o chocolate e estendo sua perna para por a compressa.
– Então senta e veja o Japão ser destruído. — Responde animado. — Deixe isso ai, estou melhor.
Aceno com a cabeça e me embrulho com as cobertas ao lado dele, o primeiro filme foi interessante, depois ele quis assistir um filme de terror, "A morte do demônio" era bem a cara dele, agora que era um caçador e por último nos assistimos uma comédia romântica, eu já estava com sono na metade do segundo filme, mas Stiles não me deixava dormir, me acordava a cada cinco minutos, pra pegar mais pipoca ou fazer mais chocolate, acho que ele estava me usando como mordomo só porque não podia andar.
Depois de algumas horas Stiles pegou no sono, sua cabeça estava apoiada em meu ombro, já era madrugada, olhei a forma como ele parecia tão relaxado, me levantei, peguei-o no colo com muito cuidado para que não acordasse e levei de volta para a sua cama, o deixei confortável e fiquei observando por alguns instantes, me senti tentado a deitar com ele novamente, mas tudo o que fiz foi depositar um beijo em sua testa e voltar para o sofá, me enrolei com os lençóis que tinham o cheiro dele e em instantes, peguei no sono.
Pareceu se passar apenas alguns segundos.
Acordei com a batida da porta, provavelmente era Stiles saindo de casa indo para o trabalho, o cheiro de café tomou conta das minhas narinas, me levanto um pouco desengonçado, dou uma boa espreguiçada antes de ir ao banheiro, vou a cozinha e tenho uma pequena surpresa.
Uma bandeja com panquecas, mel, leite e café, e um pequeno bilhete: "Bom dia", escrito a mão em letras japonesas. Meu coração acelera um pouco, Stiles só fazia café para mim quando estava de folga, quando podíamos acordar tarde e geralmente tomávamos juntos.
Me sento a mesa, observo novamente o café da manhã, dou um largo sorriso, saboreio a delícia a minha frente, Stiles sabia mesmo fazer maravilhas, mas ainda assim ele me deixava confuso.
Primeiro nós brigávamos, depois nos dávamos bem, depois dormíamos juntos e passamos a sua folga juntos, mas ai brigamos de novo e ele decide fazer meu café, eu realmente não entendia nada daquilo.
“Será que eu devo falar pra ele como me sinto?” — penso comigo. — “Ou como eu acho que me sinto.”
Eu realmente não sabia como agir ou não agir perto de Stiles, às vezes eu sabia exatamente o que fazer, ou achava que sabia, eu nem mesmo sabia o que estava sentindo, acho que eu ia enlouquecer.
Antes que eu tivesse uma crise de existência, decido sair para fazer exercícios, sinto que meu corpo não estava mais tão forte, algumas horas de academia seria muito bom, então estava decidido, peguei algumas coisa e pus numa mochila, vesti algumas roupas de academia e fui em direção a porta.
“- Não é bom sair sem proteção.” — ouço a voz de Stiles na minha cabeça.
Suspiro com a mão na maçaneta da porta, mas voltei para o quarto e peguei minha lâmina curta, guardei no bolso do casaco e saio para uma academia que fica a quinze minutos de casa.
Então todo o dia Stiles saia para o trabalho e eu passava o dia fora malhando e treinando com as laminas, eu até estava ficando bom nisso, em poucos dias eu já estava sentindo meu corpo bem melhor, mais forte, atraente, sim, eu me achava atraente.
Graças a essa rotina, eu chegava cansado em casa todos os dias, e quando Stiles chegava, eu já estava dormindo, não antes de fazer algo para ele comer quando voltava tarde do trabalho, ele fazia meu café e eu fazia sua janta, e a única forma que nos comunicávamos era pelos bilhetes que deixávamos um para o outro, quando ele saia eu estava dormindo, quando ele chegava eu já estava na cama também, ficamos assim por uma semana.
No começo parecia ser fácil, mas depois de alguns dias, eu já não aguentava mais a ausência dele, então decidi não treinar naquela sexta feira à noite e fui ao seu trabalho esperar que ele saísse.
Pelos vidros eu o vejo ainda dentro do prédio enorme, ele se despede de alguns funcionários e passa pelas portas giratórias, da alguns passos para fora antes dos nossos olhares se cruzarem.
– Pensei que nunca mais viria. — Ouço Stiles dizer.
– Você sempre reclama quando eu faço isso. — Respondo.
– É, mas eu já estava me acostumando. — Responde um pouco envergonhado.
– Então tudo bem, estarei aqui todas as noites nos próximos dias. — Afirmo.
– Não é pra tanto Derek. — Responde.
Depois de alguns passos em silêncio decido tentar algo com ele. Passo meu braço pelo seu e apoio no cotovelo, e Stiles não faz nenhuma resistência, pelo contrario, continuamos caminhando de braços dados, como se nada estivesse acontecendo.
– Fiz nosso jantar. — Inicio a conversa.
– Sério? Você vai acabar me deixando mal acostumado.
– Não que isso seja tão ruim. — Respondo.
– Talvez não seja. — Diz. — Mas então, o que você fez?
– Você vai descobrir. — Respondo. — Me conta, como está seu trabalho?
– Está tudo maravilhosamente entediante. — Responde dando um sorriso. — Fico o dia todo num escritório sem fazer absolutamente nada.
– Então porque você trabalha lá? Porque não sai?
– O emprego é ótimo, quer dizer, eu ganho bem e é perto da minha casa, eu consigo pagar o aluguel e viver bem.
– Sei, mas eu estou morando com você então tenho obrigação de te ajudar com as despesas. — Afirmo.
– Não precisa Derek, eu...
– Já decidi se vou ficar aqui contigo e vamos lutar lado a lado. — continuo. — Então nada mais obvio que dividirmos também.
– Então o que você aconselha? Que aluguemos um apartamento maior?
– Um apartamento maior? Pra que? — Pergunto.
– Você vai querer dormir no sofá pra sempre?
Aquela pergunta me fez perceber o que eu estava fazendo, planos, de ficar aqui com ele, acho que eu não estava convencendo Stiles a voltar para Beacon, ele que estava me convencendo a ficar, que droga.
– Não, não precisamos de um apartamento maior. — Respondo. — O sofá é bem confortável.
“Ou podíamos dividir sua cama” — Pensei comigo mesmo.
Dou um sorriso frouxo. No caminho para casa ficamos conversando sobre seu trabalho e contei pra ele que andei praticando com as lâminas.
– Isso é ótimo. — Diz. — Então, que tal na minha folga domingo, tirarmos o dia para praticar, você e eu?
– Seria ótimo. — Respondo.
Assim caminhamos devagar até a estação de metrô e depois para casa.
Nossa noite se resumiu em comer meu jantar improvisado de bolo de carne com strogonoff que tentei fazer vendo um programa de culinária, tomamos um bom vinho e conversamos sobre o passado, mas não a parte ruim dele, mas sobre as boas lembranças que tivemos, sobre como nos conhecemos e quando sobrevivemos a uma alcatéia rival, quando o kanima nos atacou e sobre todas as vezes que ficamos juntos.
Rimos por algum tempo, viramos a garrafa e novamente levei Stiles que estava um pouco embriagado para o quarto, tiro suas roupas e o deito na cama, e fiz o que sempre gostei de fazer, observá-lo dormir, inocente e vulnerável.
– Boa noite princesa Elsa– Sussurro.
Eu realmente estava encantado, a cada dia que passava, ele não me ensinava apenas a ser alguém diferente, ele estava me ensinado dia-a-dia, a gostar dele, a me apaixonar.
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