Notas iniciais
Aproveitem o capitulo. ^^

Circulo de fogo

"Derek, estamos quase na Primavera"

Sinto meu corpo sendo balançado.

– Vamos Derek, levanta. — Ouço Stiles.

Abro os olhos e vejo o relógio, são 3:48 da manhã, pra que diabos Stiles estava me chamando.

– O que foi Stiles? — Resmungo.

–Temos trabalho a fazer. — Responde.

Rapidamente me ponho de pé ao perceber do que ele estava falando.

– Os monges ligaram, tem alguns cães no nosso perímetro. — Diz enquanto ajusta o silenciador da arma.

– Desde quando nos temos um perímetro? — Indago enquanto visto minha roupa.

– Desde que eu estou dizendo que temos um, vamos, se apresse.

Alguns minutos e já estávamos vestidos, calças e camisas pretas, coturnos e jaqueta preta, Stiles tinha preso em suas costas um apoio onde ele guardava a sua arma e outra presa na perna, e do outro lado, duas espadas curtas, pra mim, a minha espada Kurikara que ficou na bainha ajustada na jaqueta.

– Então, como vamos fazer pra chegar lá? — Indago. — Não tem metrô há essa hora e se formos andando, vamos demorar muito.

Não sei por que, mas sempre que Stiles dava aquele sorriso, ele me surpreendia. Descemos alguns lances de escada até o estacionamento, nos fundos dele tem algo coberto com uma lona negra, e quando Stiles se aproxima e puxa a lona, e eu estava impressionado de novo.

– É nisso que vamos. — Responde Stiles desligando o alarme de sua Honda 1200 VFR.

– Você tem uma nave dessas na sua garagem?! — Pergunto surpreso.

– É, ela só pode ser usada para o trabalho.

Subo em sua garupa e rápido como um raio, cortamos o distrito em direção as redondezas do Yoyogi, o que me deixou intrigado era que os sinais de trânsito sempre estavam abertos quando passávamos.

– Stiles, porque os sinais sempre abrem quando nos aproximamos? — Pergunto.

– Sistema de frequência, essa moto vem com um dispositivo que altera os sinais, para evitar atrasos.

– Ah sim — Respondo.

Ou Stiles queria me dá um susto ou ele era louco, ir a 180Km em uma avenida mesmo que deserta era pedir para morrer, qualquer pedra no caminho poderia derrubar nossa moto.

Eu não parava de me enganar sobre Stiles, ele era muito habilidoso, o que normalmente demorava quase quarenta minutos para chegar, chegamos a menos de dez.

Stiles estaciona a moto e descemos, pulamos os portões do local e adentramos na floresta seca e fria.

Assim que sentimos o fedor de carne podre, Stiles saca sua arma, e no instinto, desembainho a espada e imediatamente me sinto mais forte, meus sentidos se aguçaram e agora o fedor era muito pior.

– Porque fede tanto? — Pergunto a Stiles.

– São os cães, eles estão aqui. — Responde.

– Cães? Mas tipo, cães mesmo ou era apenas uma forma de chamar eles?

– São realmente cães, Derek — Responde Stiles. — Cães possuídos.

Stiles para de andar, me aproximo devagar dele, ele aponta para um local aonde tem mesmo cães, de varias raças, seria normal se eles não estivessem todos podres.

– São cadáveres! — sussurro.

– Sim, diferente de alguns espíritos que só podem possuir coisas vivas, alguns só podem possuir coisas mortas — Responde Stiles.

– Até humanos? — pergunto.

– Principalmente humanos. — afirma. Mas aqui no Japão por conta da grande população, quase todos os cadáveres humanos são cremados, por isso só restam animais para essas coisas.

– Entendo, então o que vamos fazer? — pergunto.

– Vamos matar todos. — Responde.

Rapidamente Stiles se aproxima dos cães em disparos certeiros entre os olhos dos cães, logo eles se espalharam e os outros apareceram.

Saco minha espada e avanço, apesar do treinamento, eu nunca tinha cortado muitas coisas, ou a espada era muito boa, ou a carne deles era muito fraca, a espada cortava seus corpos como manteiga.

Stiles e eu ficamos de costas um para o outro, mas sem se afastar, os que vinham pela frente eram abatidos por suas balas silenciosas, e por trás, pela minha lamina prateada.

– Stiles, eles são muitos! — Grito enquanto giro a espada no ar.

– Eu sei — Grita. — Temos que ir para um lugar mais alto.

Observo o local, tem uma cabana onde normalmente ficam as lanchonetes a poucos metros à frente.

– Ali. — Digo apontando para o lugar.

– Serve! Mas como vamos chegar lá? Eles estão no caminho.

– Deixa comigo — Respondo.

Concentro-me um pouco ao abrir os olhos, vi meu reflexo novamente na espada, eles estavam azuis e minha pele estava transformada, agarro Stiles pela cintura, dou um pequeno impulso e salto sobre os cães, parando direto no teto.

– Wow! Isso foi demais Derek! — Diz Stiles. — Agora temos campo de visão para abater todos.

– Pra você talvez — Digo.

– Eu te dou cobertura — Diz afirmando com a cabeça.

Nesse momento eu salto de volta para o meio dos cães, agora muito mais rápido e forte por causa da transformação, cada golpe de espada era um cão partido ao meio, e os que eu não conseguia ver, eram abatidos pelas balas certeiras de Stiles.

Enquanto Stiles recarregava suas armas, um deles me pegou de surpresa e mordeu meu braço por cima da jaqueta, que imediatamente começou a soltar fumaça.

– Derek! Tire agora, não deixe eles tocarem em você! — Grita Stiles. — Eles apodrecem tudo o que tocam!

– E só agora você me diz isso? — Retruco.

Jogo minha jaqueta no chão agora se desfazendo, eles não paravam de chegar, e agora, aves também se juntaram ao ataque.

– Nós não vamos dar conta Stiles. — Grito. — Eles são muitos!

– Não me subestime, lobo — Diz Stiles com seu velho sorriso sarcástico.

Nesse momento ele guarda as armas e saca duas espadas curtas, pula ao meu lado e começa seu massacre, eu até que me achava bom, mas perto de Stiles eu era um lixo, com duas espadas ele abatia cães e aves com uma velocidade incrível.

– Você não me disse que não tinha pratica com espadas? — Grito.

– E não tenho, mas com elas eu sou mais rápido — Responde. — Vou ter que chamar ajuda.

– Ajuda? De quem? — Indago.

– Dos outros caçadores!

Stiles então pega novamente sua arma e põe outra bala, aponta para cima e dispara, como um sinalizador.

Não demorou nem um minuto para que outro cara aparecesse com uma semi automática nas mãos, ele usava uma máscara branca e roupas negras como as nossas.

Ele era muito bom também, junto com Stiles eliminaram quase todos os animais, os poucos que ficaram fugiram, os cadáveres começaram a borbulhar e soltar fumaça negra.

– Os espíritos estão saindo dos cadáveres. — Diz o Mascarado.

– Agora vem a parte ruim desse trabalho. — Diz Stiles fazendo careta.

– E qual é? — pergunto.

– Limpeza. — Respondem ambos em uni som.

O mascarado se aproxima de Stiles e para em sua frente.

– Há quanto tempo Stiles. — Diz o mascarado.

– Há quanto tempo. — Responde Stiles. — Como está? Yuke-San.

Eles se aproxima em dão um abraço que em minha opinião, durou tempo demais.

– Vocês sem conhecem? — Pergunto. — Stiles me disse que não tinha feito amigos aqui.

– Não somos amigos — Responde o mascarado. — Somos mais que isso.

"Somos mais que isso", aquelas palavras explodiram na minha cabeça.

– Mais que amigos?

– Sim. — Responde Stiles. — Ele é meu mestre.

Logo Yuke retira sua máscara, cabelos longos e negros amarrados em um rabo de cavalo, pele quase da cor de leite, olhos negros como a escuridão e seus traços orientais bem marcantes, lábios finos e muito corados, olhos puxados e sobrancelhas arqueadas.

Aquele desgraçado era lindo.

Ele olha para mim por alguns instantes.

– Esse é o lobo? — pergunta apontando a arma para mim.

– Sim, ele se chama Derek. — Diz Stiles.

– Ei ei, espera ai, como assim seu mestre, como ele sabe de mim e porque ele tem o nome do ancião? — Pergunto me aproximando deles.

Rapidamente Yuke se aproxima de mim com a sua arma em punho, mas Stiles intervém entre nós.

– Derek. — Chama Stiles. — Suas garras.

Observo minhas mãos, elas ainda estavam com as garras expostas, tento relaxar um pouco e desfazer a transformação.

– Derek, foi ele que me ensinou tudo o que eu sei. — começa Stiles. — Ele sabe sobre você porque eu contei e ele é neto do mestre Yuke.

– Ele te ensinou tudo isso em pouco mais de um mês? — Pergunto.

– Ele é muito bom. — Responde Stiles.

– Muito bom não, eu sou o melhor. — Diz Yuke. — Eu e Stiles passamos muito tempo... Juntos.

Aquela pausa antes de falar a palavra juntos me fez imaginar um milhão de coisas, era possível que eu estivesse com ciúmes dele? Talvez sim, mas aquele cara me irritava, meus instintos me diziam para não confiar nele.

Stiles deve ter percebido a tensão no ar, rapidamente se afastou de nós.

– Temos muito trabalho. — Disse Stiles para nós dois. — Temos que tirar todos esses animais mortos daqui.

– Vamos ver se serve pelo menos para isso lobo. — Disse Yuke em tom de afronta.

Sinto raiva percorrer meu corpo, eu estava me controlando para não avançar na garganta dele.

– Derek pare. — Diz Stiles se aproximando de mim e encostando-se a meu ouvido. -- Ele pode cortar nossas cabeças em menos de um segundo, então é melhor guardar as garras antes que ele faça isso pra você.

Eu senti o coração de Stiles muito acelerado, ele estava nervoso, mas não com o seu "amigo".

– Ele está me provocando. — sussurrei.

– Eu sei! — resmunga Stiles. — Mas eu não quero que você morra, e não importa se você é meu amigo, ele te mataria sem pensar duas vezes.

Pelo menos Stiles se preocupava comigo, e foi esse pensamento que mantive em minha cabeça para ignorar as afrontas de Yuke. Não demoramos muito e todos os cadáveres já estavam em uma pilha no centro do parque.

– O que faremos com todos eles? — Pergunto.

– Apenas observe, lobo. — Responde Yuke.

Ele e Stiles tiraram papeis das mãos e arremessaram na pilha que quase imediatamente começou a queimar, e muito mais rápido, em poucos minutos, não havia nem mesmo marcas de queimado no chão, tudo tinha virado cinzas rapidamente.

– Terminamos por aqui. — Responde Yuke. — Tenho que voltar para meu perímetro, se precisar de mim Stiles, — disse me olhando nos olhos. — Sabe onde e como me encontrar.

Com isso, tão rápido quando chegou, ele foi embora, em poucos segundos, até o seu cheiro grotesco tinha desaparecido.

Stiles se senta no chão aliviado, me olha e acena com as mãos para que eu me junte a ele.

– Esse cara me dá nos nervos. — Digo.

– Ele tem uma tolerância quase inexistente com qualquer ser sobrenatural. — Diz Stiles . — Pensei que ele ia te matar.

– Então porque você o chamou? — Indago.

– Eu não o chamei, eu pedi ajuda, e ele estava por perto.

– O que ele é?

– Ele é simplesmente o mais promissor dos caçadores, extremamente rápido, poderoso, habilidoso e acima de tudo, fiel à doutrina.

– Eu queria arrancar aquele sorriso da cara dele. — Digo frustrado.

– Você não conseguiria dar nem um passo antes dele arrancar sua cabeça. — Diz Stiles — E nem mesmo nós dois somos sequer ameaça para ele.

Sinto meu coração pegar fogo, primeiro o bonitão do Yuke chega e me humilha, depois descubro que ele e Stiles passaram muito tempo "Juntos" e agora eu não sou páreo para ele, eu estava me consumindo de frustração e ciúmes.

Mas imediatamente relaxo quando Stiles encosta sua cabeça em meu ombro, sentir o corpo dele próximo a mim me fazia esquecer qualquer coisa, o sol ainda não tinha nascido, mas já estava quase clareando, tínhamos que ir pra casa.

Levanto-me e puxo Stiles para se levantar também, um pouco forte demais, e um pouco de proposito, seu corpo encosta no meu e lhe dou um abraço.

– Obrigado por se preocupar comigo. — Agradeço.

– Não queria a sua cabeça rolando por ai. — Responde dando uma risada. — Vamos.

Voltamos para a moto e rapidamente chegamos em casa, cumprimos nosso trabalho quase sem percas, só a minha jaqueta que virou apenas borracha queimada, subimos, tomamos banho e voltamos para a cama, Stiles para a dele e eu, bem, não queria dormir na minha.

Fui até seu quarto e me deitei ao seu lado.

– O que está fazendo Derek? — Pergunta Stiles.

– Apenas quero dormir aqui com você hoje. — Respondo.

Ouço Stiles suspirar.

– Bom dia Derek.

– Bom dia Stiles.

Depois de nossa pequena aventura na madrugada, voltamos para a mesma rotina, Stiles ia para o trabalho e eu ia malhar e treinar, todas as noites eu ia busca-lo no trabalho como havia prometido e jantávamos juntos, mas ele dormia em sua cama e eu na minha, tentava resistir à tentação de ir para o quarto dele todas as noites.

Nossa outra parte do tempo era praticando com as espadas, Stiles era um grande mentiroso ou muito modesto, ele era incrível com as lâminas, e em boa parte do tempo, me dava uma surra.

– Você esta melhorando Derek. — Diz Stiles. — Mas ainda consigo prever com clareza os seus ataques.

– Como? — Pergunto quase exausto e segurando a espada Kurikara.

– Você dá um ou dois passos para trás antes de atacar. — Responde.

– Então que tal sem elas? – Brado, largando a espada e avançando em Stiles.

– Vamos ver do que é capaz lobo.

Pulo em sua direção e agarro sua cintura, ele rapidamente bate com o cotovelo na minha coluna, fazendo minha força desaparecer, ainda assim puxo suas pernas fazendo com que caia na grama e me apresso em ficar por cima, ele bate em meus cotovelos e tira meu equilíbrio, gira nossos corpos e fica por cima, ficamos nessa troca por alguns minutos, até que eu decido fazer uma estupides.

Uso minha força para empurrar seu corpo para frente, e assim que ele perde o equilíbrio, acerto um soco certeiro em seu rosto e outro na costela.

Ele da alguns passos para trás e põe a mão no nariz, abaixa e observa o sangue em seus dedos, me olha com uma cara seca.

– Você está morto. — Fala.

Imediatamente ele se aproxima, levanto minha guarda, mas ele dá um chute certeiro em minha perna, tirando minha base, outro chute em minha costela com tanta força que sinto-a quebrar, e quando curvo meu corpo para frente, ele pula, gira o corpo no ar e me acerta com um soco extremamente potente no rosto, me fazendo cair no chão zonzo.

Minha visão embaça e cuspo uma bola de sangue, viro meu corpo ainda no chão sentindo a cura fazer efeito em minhas costelas, vejo Stiles com uma expressão totalmente diferente, sério, imponente e impiedoso.

Ele se aproxima mais uma vez, sinto que ele vai me dá outra pancada, preparo meu corpo para o impacto, mas tudo o que sinto é suas mãos tocarem meu rosto.

– Chega por hoje. — Diz me olhando nos olhos.

– Acho melhor. — Respondo.

Ele me ergue e vamos andando para o interior do apartamento, vamos até o quarto onde Stiles começa a tirar a roupa.

Olho de canto de rosto o seu corpo, a marca nas costas e peito agora bem cicatrizados, sua tatuagem, as curvas de seu corpo agora malhado e coberto de suor e alguns hematomas.

Tento conter a excitação ao ver ele totalmente nu na minha frente.

– Não era você que tinha vergonha de me ver pelado? — Pergunto tentando desconversar.

– Tinha. — Responde.

– E agora não tem mais?

– Não. — Responde.

Então começo a tirar minha roupa também, camisa suja de sangue, bermuda e por fim a cueca cinza.

– Porque está tirando a roupa? — Pergunta.

– Vou tomar banho. — Respondo.

– É, mas eu vou primeiro, e não vamos tomar banho juntos. — Diz de forma ríspida.

– Então se apresse. — Falo enquanto me enrolo com uma toalha.

Stiles então passa por mim e vai em direção ao banheiro, o cheiro do seu corpo misturado a suor é como um doce para mim, quando ele entra e fecha a porta, sinto a excitação entre minhas pernas.

– O que diabos eu estou pensando? — Resmungo.

Alguns minutos depois, quando ele finalmente saiu, fito mais uma vez sua forma, agora limpa e molhada, corpo liso e marcado com cicatrizes.

Entro no banheiro, seu perfume estava por todas as partes, deixo a água correr por meu corpo para tentar controlar a vontade que eu estava sentindo, em vão, me entrego a imaginação de ter o corpo de Stiles ao meu em um orgasmo forte, eu não transava há muito tempo e nem mesmo satisfazia a mim mesmo, mas com Stiles por perto, eu tinha essa vontade com muita frequência.

– Derek? — ouço Stiles bater na porta do banheiro. — Você está bem?

– Sim Stiles. – Respondo. — Já estou saindo.

– Não demore, nosso almoço vai esfriar assim.

– Sem problema! Desço em cinco minutos. — Respondo.

Rapidamente me sequei e vesti uma roupa que Stiles deixou pra mim em cima da cama, desço as escadas em direção à cozinha, dessa vez, ele tinha preparado o almoço, eu adorava o tempero dele, e ele, e tudo o que ele fazia, parecia uma fera necessitada de carne, de carne humana.

Como eu iria contar que estava gostando dele? Ele me pediu pra sempre ser sincero, mas nesse caso a sinceridade podia custar minha vida, nossa amizade, e a essa altura das coisas, me afastar dele era a ultima coisa que eu queria.

Em alguns dias a neve já tinha desaparecido, as plantas começaram a ficar verdes, e as flores de Sakura estavam ficando radiantes, em pouco tempo, todas as ruas da cidade de Shibuya estariam coloridas.

O que gostar de Stiles estava fazendo comigo? Ele me tornou vaidoso, cuidadoso, sempre cuidava da minha aparência e de como eu me vestia, até aprender a cozinhar, gostar dele estava me mudando, mais do que eu achava ser possível, graças a ele, eu passei a enxergar mais beleza no mundo, nas cores e nas formas das coisas, parecia que eu e ele tínhamos trocado de papel.

No fundo, eu estava gostando de ser assim porque Stiles gostava, quer dizer, eu acho que gostava, mas aos poucos, ele permitia que eu fizesse essas coisas, era mais do que obvio que eu gostava dele, e demonstrava isso claramente, então porque ele não reagia, não correspondia e nem diz não, era confuso e isso me deixava louco.

Na semana seguinte tivemos outra missão juntos, mas nada perigoso, apenas ficamos observando um grupo de espíritos marinhos que viajava pelo canal de esgoto da cidade, quase inofensivos, quase, qualquer sinal de avanço, nós matávamos todos. Outra vez tínhamos que cuidar de um espirito dos mortos que tinham possuído um cadáver humano, raro acontecer, mas não impossível, provavelmente algum mendigo morreu e os espíritos foram rápidos e pegaram ele.

Mas algo estranho aconteceu, quando nos aproximamos dele, ele pronunciou algumas palavras, mas Espíritos daquele tipo não falavam, ele pronunciou poucas palavras antes de eu partir sua cabeça ao meio: nós tentamos te avisar, lobo.

Quase imediato eu me lembrei daquele sonho que tive no avião há dois meses, a aeromoça louca que machucou meu pulso e depois explodiu.

– O que foi isso Derek? Você sabe do que ele estava falando?

– Não Stiles. — Minto.- Não faço ideia.

Eu estava tão confuso com isso, o que aquele espirito tentou me avisar? O que ele queria dizer? Tirei isso da minha mente e voltei para casa com Stiles.

Em casa, enquanto Stiles estava no banho eu me pego parado em frente ao calendário, dia 10 de Outubro, eu estava no Japão há setenta dias, mas parecia que eu estive aqui a vida toda e outrora pareciam apenas alguns dias.

Olho em meu celular algumas fotos que tirei com Stiles no nosso ultimo passeio, sobre algumas árvores de Ipê de diversas cores, procurei o numero de Scott e mandei para ele algumas fotos, bastou segundo para ele me ligar.

– Como vai Scott?

– Quem é você e o que fez com o Derek Hale? — Diz Scott pelo telefone.

– Como assim Scott?

– Você me mandou uma foto, com Stiles e sorrindo. — Resmunga. — Pensei que seria fácil pra você trazer ele.

– Eu também pensei que seria, mas Stiles é mais complicado do que eu imaginava.

– Derek, você esta ai há dois meses. Eu sinto a falta de vocês.

– Como estão os outros? — Pergunto.

– Lydia está em Londres com Jackson e Malia está com Peter, ela descobriu que ele é pai dela.

– Wow, sério?! E o que ela fez?

– Tentou matar ele, claro. — Fala Scott rindo. — Minha mãe, eu e Kira passamos as ferias em Washington a pouco tempo.

– Como está o pai dele, de Stiles?

– Derek, o que está acontecendo com você? — Indaga. — Querendo saber dos outros, e se preocupando com o pai dele.

– Estou tentando me tornar uma pessoa melhor Scott. — Respondo. — Mande essas fotos de Stiles para ele, já esta na hora dele ter notícias do filho.

– Tudo bem. — Responde Scott. — Mandem noticias com mais frequência tá! Eu sinto a falta de vocês.

– Nós também sentimos muito a sua falta Scott. — Respondo.- Ainda não podemos voltar, mas eu espero que seja logo.

Desligo o telefone e ouço os passos de Stiles nas escadas.

– Com quem estava falando? — Pergunta Stiles.

– Com Scott. — Respondo. — Ele mandou noticias e disse que estava com saudades.

– Eu também estou com saudades dele. — Responde.

– Seu pai mandou notícias também — Digo.

– Você falou com meu pai? — Pergunta Stiles com semblante baixo.

– Não, mas ele disse que sente sua falta.

Sinto seu corpo reagir, e apresso em chegar perto dele e abraça-lo, encosto sua cabeça em meu peito.

– Não segure. — Falo.

Sinto as lagrimas dele molharem meu peito, e o choro logo se tornar violento.

– Eu sinto muito a falta dele. — Gagueja Stiles. — Muito mesmo.

– Eu sei, se lembre que isso é para o seu bem, certo?

Ele acena com a cabeça, respira fundo algumas vezes antes de enxugar as lágrimas.

– Obrigado por ficar, Derek.

– Obrigado por me deixar ficar, Stiles — Respondo.

Enquanto ele está em meus braços, eu penso em milhares de coisas, e no fim, tive uma certeza, eu precisava falar pra ele como eu me sentia, eu não aguentava mais vê-lo todos os dias e não poder ficar com ele da forma que eu queria.

Ser apenas seu amigo já não me bastava mais.

Notas finais
Espero vocês nos comentários HEHEHE' Recomendem, favoritem, cometem e indiquem a fic