Circulo de Fogo - E.N.D

5 Quebrando o gelo


Notas iniciais
Bom meus amados leitores, gostaria de dizer que que está sendo incrível pra mim escrever essa Fic com uma inversão de personalidades e que apesar de ser difícil, estou gostando do rumo que ela está tomando. Bom, queria dizer também que estou tentando equilibrar a fic, entre as lutas e os romances, para quebrar um pouco dos clichês e não me perder nos personagens focando só em algo, como por exemplo, o romance ou o lemon, bom, espero que estejam gostando.

Circulo de fogo

"Trovões."

Duas semanas se passaram desde nosso incidente, tudo o que temos feito é viver, por incrível que pareça, tivemos duas semanas normais, Stiles tinha razão, mesmo vendo algumas criaturas perambulando pela cidade, eles não podiam fazer mal a população, a maioria das casas e prédios eram protegidos, e as pessoas costumavam usar proteção apenas por tradição, que no fim das contas, funcionava e eles nem percebiam.

Voltei ao hotel apenas para buscar minhas malas, paguei por uma semana, não fiquei nem uma hora, não tinha em mente que seria quase morto em pouco mais de três horas aqui.

Passo boa parte do dia sozinho, Stiles tem o trabalho no Banco e algumas vezes ficava até mais tarde lá, o que me deixa um pouco preocupado, e mesmo ouvindo ele reclamar quando eu decido sair de madrugada para esperá-lo na porta do trabalho, faço isso pra me acalmar, mesmo sabendo que ele pode muito bem se virar sozinho.

Eu achei que por estar perto dele agora os meus poderes voltariam, mas não foi bem assim, eles oscilavam, horas funcionavam, horas eu me sentia totalmente humano, tentava aproveitar o tempo sozinho estudando sobre o misticismo Japonês, aquela coisa era realmente um Oni, aprendi que eles podem tomar muitas formas e tamanhos, e alguns podem sim possuir corpos humanos, prata era muito eficiente, omamoris, selos e orações especificas também.

Depois de três semanas entre ser humano e ser lobisomem, Stiles decidiu que já estava na hora de eu aprender algumas coisas, ele disse que não queria ter que se preocupar em me defender sempre que houver um ataque.

– Pra onde esta me levando? — Pergunto a Stiles enquanto descemos as escadas do apartamento.

– Quero te mostrar uma coisa. — Respondeu. — Vai ajudar no treinamento.

Chegamos a uma porta de aço nos fundos do porão do prédio, Stiles tira uma chave do pescoço e destranca a porta, entramos numa sala escura, quando ele acende a luz, arregalo meus olhos.

– Um arsenal? — Olho indignado e surpreso. — Você tem um arsenal de armas no porão?

– Sim, ou você acha que eu sou dependente apenas de uma pistola? — Brincou dando um sorriso sarcástico.

Observo o lugar, pistolas de diversos calibres, 9mm, DesertEagle, Beretas, TMP semi automáticas, além de armas, tinham também kunais, shurikens, adagas, uma infinidade de prata e inscrições mágicas.

– Se você tinha tantas armas e poder, porque você primeiro correu e só quando eu estava quase morto você voltou e acabou com o Oni? — Pergunto arqueando a sobrancelha.

– Eu nunca entro em uma briga desnecessária, se eu posso me abrigar, faço isso. — justificou dando se ombro. — Sempre é perigoso enfrentar monstros.

– Entendo.

– E sobre deixar você morrer, bom, eu não sabia que você estava sem seu poder, então não pode me culpar por não saber.

– Calminha, não estou te culpando por nada. — Respondo levantando as mãos em sinal de rendição.

– Bom, você pode escolher qualquer arma. — Afirma Stiles.

– Nunca fui bom com armas, sempre lutei usando as mãos.

– Então você quer uma lâmina? — Pergunta. — Aqui, as laminas são consideradas uma extensão do próprio corpo.

– Extensão do corpo? — Pergunto.

– Sim, como uma parte de si mesmo.

– Como as minhas garras. — falo mostrando-as para Stiles.

– Exatamente. — afirma. — Tenho algo aqui que talvez você goste.

Stiles então abre algumas gavetas e portas menores dentro no porão.

– Achei. — Diz sorrindo. — Essa vai ser ótima pra você.

Stiles vem com um pano nas mãos, desenrola lentamente e deixa a mostra uma Katana ainda embainhada, mas era possível sentir que ela exalava poder.

– Você quer que eu use uma espada? — Indago.

– Sim — responde. — Essa não é uma espada qualquer, é a Kurikara, é muito poderosa.

– Então porque você não a usa? — pergunto.

– Eu sou péssimo com espadas, e essa é grande e um pouco pesada. — Responde. — Eu não sei equilibrá-la, nas mãos de um leigo, ela não passa de um brinquedo.

Pego na espada e imediatamente sinto uma força enorme vindo dela, desembainhei a espada e deixei a mostra a sua lamina prateada.

– Ela é muito bonita. — Digo.

– Sim, ela é. — concorda. — Mas ainda prefiro armas.

– Derek? — Diz Stiles chamando minha atenção.

– O que foi?

– Seus olhos. — diz apontando para mim.

Giro a espada e vejo meu rosto em seu reflexo, meus olhos agora estavam azuis, e há muito tempo eu não conseguia fazer isso.

– Como? — Pergunto ainda confuso.

– Talvez seja a espada, ou apenas seu poder voltando.

– A espada? — Interpelo.

Stiles toma-a de minhas mãos e a embainha novamente, enrola novamente no pano e guarda, arruma suas armas e me leva de volta para as escadas.

– Vamos subir, na janta eu te conto a historia dela.

– Tudo bem — Respondo. — Stiles, como estão suas feridas?

– Estão melhorando. — Responde pondo a mão no ombro. — Logo estarei totalmente melhor.

Me sinto ruim por dentro, eu causei aquelas feridas nele e aquilo me deixava envergonhado.

Stiles me conta que segundo as lendas xintoístas, a espada Kurikara pertenceu a Tsukuyomi, o deus da lua, e depois que ele foi derrotado, ela foi roubada pelo rei do inferno, mas nenhum conseguiu usá-la devido o poder que ela tinha, o poder da própria lua, por isso ele achava que meus olhos mudaram de cor por tocar nela, lobisomens são criaturas sensíveis a lua, mas isso era apenas uma possibilidade.

– Como ela veio parar nas suas mãos? — pergunto.

– Fui até o inferno e a peguei. — Respondeu.

– O que?! — Pergunto espantado.

– Estou brincando Derek, os antigos caçadores recuperaram ela há alguma séculos. — Responde rindo da minha cara. — Mas como eu disse, isso são apenas lendas.

– Ultimamente eu tenho acreditado muito nessas coisas. — Respondo.

– Não deveria, as histórias mudam muito com o tempo, exageram e inventam. — Diz Stiles. — Não acredite em tudo o que escuta.

Subimos as escadas até o apartamento dele, o sofá branco agora era a minha cama improvisada, minhas coisas estavam no quarto de Stiles, ele insistiu que eu deixasse lá, acho que ele não gostava de ver as coisas espalhadas.

– Stiles, eu sei que você pediu pra eu não perguntar nada sobre seu propósito. — inicio a conversa. — Mas quando você vai voltar comigo para Beacon Hills? Scott não para de me ligar querendo saber isso.

– Eu vou continuar sem responder suas perguntas Derek. — Diz Stiles. — Mas se quer tanto que eu volte com você, então me convença.

Aquilo era bom, acho que depois de quase um mês, eu finalmente estava dobrando Stiles, antes ele era curto e grosso, não viria comigo, mas agora, ele quer que eu o convença, era um bom sinal.

– Vou tomar um banho, aconselho que tome um também.

– Quer que eu tome um com você? — pergunto brincando.

– Não... Quer dizer, não é disso que estou falando. — Responde todo embaraçado e corando.

Dou risadas do seu jeito ainda tímido, esse era o Stiles que eu conhecia, aquele que ficava envergonhado com facilidade e que eu sempre dava bons tapas.

Vou até o seu quarto para pegar algumas roupas, ouço o som da água caindo e dos passos de Stiles dentro do banheiro, mas também senti o cheiro de sangue, meu olfato não me deixava enganar.

– Stiles? — Chamo batendo na porta do banheiro. — Você está bem?

– Sim. — Responde. — Não entre.

– Eu não vou entra ai. — Digo. — Mas seus ferimentos estão sangrando, estou sentindo o cheiro do seu sangue.

– Então pare de me cheirar. — Responde com grosseria na voz.

Ele não estava bem, ouvi seus batimentos, estavam acelerados, ele estava mentindo, ele não estava bem, mas eu não podia avançar o sinal com Stiles, agora que eu corria o risco de levar uma facada só por tocar nele.

Depois de algum tempo ele finalmente sai, enrolado com uma toalha na cintura e com as cicatrizes a mostra, evito encarar ele e entro no banheiro para meu banho, o cheiro do sangue dele estava em todos os lugares, e aquilo estava quase me enlouquecendo, eu não conseguiria tomar banho ali.

Saio do banheiro e vejo Stiles já vestido, uma calça de algodão cinza e uma camisa branca, mas algo me chama atenção, uma linha vermelha nas suas costas, sua camisa estava suja de sangue, provavelmente um ponto tinha rompido e ele não viu.

– Stiles. — chamo me aproximando rapidamente. — Você está sangrando.

– Se afaste de mim. — Diz enquanto da alguns passos para esquivar de mim. — Eu estou bem.

– Não você não está! — Grito.

Nesse momento minha mão encosta em seu braço, e quase imediatamente, dor sobe pelas minhas veias, por um segundo vejo Stiles aliviar, mas rapidamente afasta minha mão de si.

– Você está sentindo dor! — Brado.

– Eu aguento! Isso não é nada! — murmurar abraçando o próprio corpo claramente sentindo muita dor.

– Me deixe te ajudar Stiles, por favor.

– Não! Eu quero que você se afas...

Interrompo sua fala e rapidamente o abraço, sinto a sua dor entrar em mim com muita força.

– Pare Derek. — Sussurra.

– Eu vou te ajudar Stiles, deixe-me te ajudar.

– Eu não posso. — diz em meio a soluços. — Eu não quero sua ajuda.

Sinto lágrimas escorrerem meu peito, Stiles agora estava chorando.

– Eu sei o quanto tem sido forte Stiles, eu sei o quanto você mudou. — sussurro. — Mas você não precisa mais ficar sozinho.

– Eu não posso confiar em você Derek, eu não posso.

Sinto seu coração bater contra meu peito com muita velocidade, ele estava nervoso, com medo, com muitas coisas na cabeça.

– Por quê?

– Foi você que fez isso comigo Derek, por isso eu não quero, por isso eu não posso. — fala Stiles agora soluçando.

Aperto um pouco mais o abraço, continuo tirando sua dor, mas agora, eu estava sentindo mais que ela, suas emoções estavam dentro de mim também, e aquela sensação era insuportável.

– Stiles. — Digo com os olhos cheios d'água. — Me deixe concertar isso, me de uma chance de mudar também.

Agora as lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto, toda aquela dor, todo aquele sofrimento que eu causei, eu não podia mais conviver com aquilo.

– Me deixe tentar. – sussurro. — Por favor.

O silêncio se deposita entre nós, tudo o que eu ouvia era a respiração de Stiles ficando mais calma, mas ainda assim chorava, ele encosta a cabeça no meu peito e respira fundo.

– Você quer mesmo mudar Derek?

– Sim. — Respondo. — Me dê essa chance, eu não estou mentindo.

– Eu sei que não está. — Responde ainda com a cabeça encostada em meu peito. — Eu estou escutando a verdade dentro de você, seu coração.

Será que finalmente ele estava me mostrando seus sentimentos?A verdade, sendo sincero, eu ouvia seu coração, ele estava me dando uma chance de mudar, e eu não podia desperdiçá-la, dou um sorriso suspirado, meu rosto já estava completamente molhado, aperto um pouco mais o abraço.

– Obrigado Stiles.

Lentamente ele levanta os braços e corresponde o abraço, passando os dois braços por minha cintura e apertando, forte, ele encosta a testa em meu peito e eu apoio meu queixo no topo de sua cabeça.

Os minutos pareciam se arrastar, mão sei dizer quanto tempo exatamente nos ficamos daquele jeito.

– Preciso de sua ajuda. — Stiles sussurra baixinho.

Dou um sorriso leve, sinto meu corpo aliviar toda a tensão que estava dentro de mim nas ultimas três semanas, acho que agora, as coisas seriam mais fáceis pra mim e para Stiles, agora finalmente poderíamos ser amigos de verdade.

– Deixe-me dar uma olhada nisso. — Falo afrouxando o abraço.

Levo ele para a cama e o sento de costas para mim, pego uma cadeira e ponho próximo da cama, lentamente vou tirando sua camiseta branca agora manchada de vermelho, aos poucos, ouço alguns gemidos de Stiles, vou tirando sua dor devagar, até remover a camisa e deixar a mostra a ferida que estava em carne viva.

– Nossa. — Digo espantado.

– Está muito feio?

– Bastante. — respondo. — Vou ter que desinfetar e fazer curativos decentes.

– Tudo bem. — responde. — Eu não sei fazer curativos nas costas.

– Eu poderia ter ajudado antes, mas antes tarde do que nunca. — Digo brincando um pouco.

Vou até o banheiro e pego alguns panos limpos, álcool e gazes, volto para onde Stiles estava e começo a limpar o local.

– Stiles, isso vai doer um pouco, mas tenho que limpar essa ferida.

Vejo ele acenar com a cabeça. Quando encosto o pano com álcool em sua pele, vejo os seus músculos enrijecerem, então me apresso em terminar a limpeza, e passo a gaze para fechar a ferida, enrolo com um outro pano e pronto, finalmente um curativo decente.

Ficamos alguns minutos parados, sem falar nada, apenas sentindo a presença um do outro, passo meu braço pela sua cintura, tombo a cabeça perto da curva de seu pescoço e fecho meus olhos, sinto apenas a sua mão sobre a minha.

– Amanhã é meu dia de folga. — diz Stiles quebrando o silêncio. — Está afim de fazer um passeio?

Dou um sorriso um pouco envergonhado.

– Claro, seria ótimo. — Respondo.

Depois de mais alguns segundos de silêncio, ouço novamente a voz dele.

– Derek, eu... Quero ser sincero com você.

– Não quero nada alem da sua verdade Stiles — Respondo.

– Essas últimas semanas eu não quis me aproximar de você, não quis deixá-lo ficar, não quis, mas também não fui capaz de mandá-lo embora. — Explica. — Você sabe o porquê.

– Entendo, mas o que fez você mudar de ideia?

– Você. — Responde. — Por mais que eu te tratasse mal e te afastasse, você insistia em ficar por perto, mesmo sendo incapaz de me proteger, você quis ficar por perto.

– E isso era algo ruim? — Indago.

– Sim, quer dizer, não. — Responde confuso. — É que eu achava que tudo isso era uma máscara sua apenas pra tentar me levar para Beacon, eu achava que no fundo, você ainda queria acabar comigo.

– Você não estava de tudo errado Stiles. — Digo. — No começo sim, a única coisa que eu queria era te levar apenas para recuperar meus poderes.

– E você me fala isso assim? Tão direto.

– Apenas a verdade a partir de agora não é? De toda forma, eu fui percebendo como as coisas estavam diferentes, e você me ensinou uma lição.

– Te ensinei?

– Sim — Digo enquanto levanto e me sento a sua frente. — Você me ensinou que o verdadeiro poder não vem da força, ou do ódio, e sim daqui. — Digo encostando o dedo em seu coração.

Observo ele dar um suspiro satisfeito.

– Seu desprezo por mim me fez entender. — continuo. — Senti na pele o meu próprio veneno.

Stiles fecha seus olhos e respira fundo, levanta a mão com a palma aberta e cobre meu rosto.

– O que está fazendo Stiles? — Brinco.

– Preciso descansar agora. — fala.

– Tudo bem. — Respondo soltando minha mão do seu peitoral.

– Boa noite Derek.

– Boa noite Stiles.

Saio do seu quarto e vou em direção a cozinha, observo pela janela e vejo que está chovendo forte lá fora, raios começam a iluminar o céu e o som dos trovões faziam o local inteiro estremecer.

– Meu peito está queimando. — digo pra mim mesmo. — O que é essa sensação de queimação?

Tomo alguns goles d'água e observo que meu peito ainda está manchado de sangue, e eu não tinha tomado um banho, era uma droga, eu não tinha coragem de entrar no quarto de Stiles de novo, não naquela noite, então decido fazer algo estúpido.

Tiro minhas roupas e fico só com um calção preto, pulo a janela do apartamento, a chuva estava mortalmente fria, mas meu coração estava incrivelmente aquecido, dou alguns passos na rua completamente deserta pensando no que tinha acabado de acontecer comigo e Stiles, meus poderes estavam à flor da pele, eu sentia cada coisa ao meu redor, minha visão agora estavam extremamente aguçada, minhas garras expostas, olho para cima e sinto a chuva lavar meu corpo, e dou um rugido para o alto ao mesmo tempo em que um relâmpago ilumina os céus.

Era quase certo, era por isso que meus poderes variavam, agora que eu estava me resolvendo com Stiles, agora que tudo estava dando certo, eu podia sentir, meu poder estava voltando, olho nas janelas dos carros o meu próprio reflexo, eu estava transformado, finalmente tinha me transformado.

– Obrigado Stiles. — Grito. — Muito Obrigado.

Me dou conta da estupidez que estava fazendo, quase nu num país onde tirar a roupa em publico é crime, me transformando em um lugar que era repleto de monges caçadores, eu era realmente estúpido.

Fecho meus olhos mais uma vez, começo a me acalmar, o frio agora se fazia presente, então rapidamente subi as escadas de incêndio até o nosso andar, voltei pela janela da sala, me sequei com uma toalha e vesti uma roupa leve, a chuva ficava mais intensa a cada segundo, e a cada feixe de luz, um tremor mais forte que outro abalava todo o local.

Me jogo na minha cama improvisada no sofá, provavelmente eu não iria dormir aquela noite, minha mente estava a mil, tanta coisa tinha ocorrido de uma só vez, até que algo chama minha atenção, ouço passos lentos no corredor.

– Derek? — A voz de Stiles confirma minha sensação. — Pode me ouvir?

– Sim Stiles, precisa de algo? — Pergunto vendo-o encostado com as mãos na parede.

– Si... Sim — Responde um pouco envergonhado.

– Não precisa mais ficar nervoso perto de mim Stiles. — respondo ao sentir seu coração acelerar.

– Eu... Hã... Então, você pode ficar comigo essa noite?

A pergunta dele me pegou de supetão.

– Eu, não gosto de trovões. — Continua.

Olho surpreso para ele, capaz de lutar contra demônios, mas ainda tinha medo de trovões, não resisto e dou uma pequena risada.

– Deixa pra lá. — fala um pouco irritado.

Talvez ele tenha achado que eu estava rindo dele, Stiles vira as costas e volta a andar pelo corredor em direção ao quarto.

Rapidamente me ponho de pé e vou em sua direção.

– Espera. — Falo tocando em sua mão. — Eu vou com você.

Ouço ele dar um suspiro aliviado.

Andamos até seu quarto, deitei ele na cama, andei até a janela e observei o tempo piorando, fechei as cortinas de seda escura, tornando o quarto completamente escuro.

Ando até a cama de madeira clara e me deito ao seu lado, fecho meus olhos.

A cada trovão eu observava que Stiles estremecia, seu coração batia com muita força.

– Pode se encostar em mim se quiser. — Digo ainda com os olhos fechados.

Alguns minutos depois, sinto o braço de Stiles subir lentamente em meu peitoral, então ele encostar a cabeça em meu ombro próximo ao pescoço, e a cada trovão, eu sentia o corpo dele encolher em si mesmo, ele realmente tinha medo.

– Fique calmo, não precisa ter medo. — Sussurro. — Estou aqui, tudo bem?

Puxo seu corpo para mais perto do meu, passo meu braço por seu pescoço e deixo que ele se aninhe ao meu corpo, em pouco tempo, ele já estava ressonando baixo.

Agora, mesmo com os relâmpagos, ele nem mesmo se mexia, estava quente e confortável, era estranho pra mim ter outro homem em meus braços, mas tinha que admitir, a sensação era boa, então me deixei curtir o momento, mesmo que amanhã de manhã, ele tentasse me matar de novo.

Os minutos foram se passando, logo eram horas, a chuva continuava intensa e tempestade não fazia nenhuma menção de diminuir, Stiles em meus braços, bem aquecido, não parecia real, há dois meses eu quase o matei, há três semanas ele quase me matou, e agora estávamos dormindo juntos, é realmente, o destino gosta de brincar com as pessoas.

Provavelmente amanhã de manhã, quando ele acordar, talvez se arrependa de ter pedido para que eu dormisse com ele, afinal, aconteceu muito rápido, droga, não era possível que eu estivesse gostando disso.

Olhei para Stiles dormindo, estava sem camisa, apenas com um calção branco, fino e pequeno, deixando suas curvas bem acentuadas.

“Merda!” — pensei. — “Que droga eu estou fazendo.”

Me dou conta que estava arrastando meus dedos pelas costas de Stiles, da cintura até a bochecha, Stiles tinha engordado, ganhado músculos e por pior que parecesse, aquela tatuagem o deixava... Sexy.

Dou risada de mim mesmo, por dentro, eu só poderia está ficando louco, eu estava gostando dele, Stiles com certeza tentaria me matar se soubesse disso.

Os primeiros raios de sol começaram a entrar pela densa cortina e iluminando pouco a pouco o quarto, o som da chuva havia parado, era possível até mesmo ouvir o canto dos pássaros do lado de fora, foi quando fui finalmente nocauteado pelo sono.

Notas finais
Bom, a maior parte das informações culturais dessa fic são baseadas na mitologia real dos xintoístas, procuro dá para vocês o máximo de informações verídicas possível. Enfim, comentem, indiquem, recomendem, favoritem.. espero vocês nos próximos caps. Beijões.