Circulo de Fogo - E.N.D
35 Nova caçada
Notas iniciais
E.N.D — Capitulo: 4
– Bom dia meu amor. — Ouço Stiles sussurrar no meu ouvido.
– Bom dia. — Respondo sem abrir os olhos.
Respiro fundo ainda com sono, sinto o corpo de Stiles no meu, seus dedos em meu peito e seu rosto na curva de meu pescoço. Eu me sentia ótimo, a luz entrava pela janela do nosso quarto, mas pra mim pouco importava que horas deveriam ser, tudo o que eu queria era Stiles comigo, me abraçando, me beijando, e eu tinha, nada mais importava.
– Derek, você lembra-se do nosso primeiro beijo?
Dou uma risada leve ao sentir a nostalgia de me lembrar.
– Faz tanto tempo Stiles. — Respondi. — E é claro que me lembro como se fosse ontem, afinal, você me bateu muito quando eu disse que te amava, depois você surtou e só depois me beijou.
– Era tudo tão simples para nós, não era?
– Sim, era tudo muito perfeito. — Respondo. — Mas sabe, ainda é, e ter você comigo é tudo o que quero.
– O quanto você me ama, Derek? — Pergunta deslizando seus dedos em meu rosto.
– O quanto é possível amar alguém Stiles? — Pergunto olhando-o nos olhos.
Stiles sorri e me beija.
– Vamos superar tudo isso juntos. — Diz. — Vamos voltar para Beacon, vamos nos casar e ter um filho.
Minha imaginação viaja a cada palavra que Stiles diz, me imagino com ele daqui a alguns anos, em algum lugar do mundo com uma criança. Imediatamente me lembro de Thommy, nosso quase filho temporário.
– Um filho? — Digo. — Ele se chamará Thomas, e será lindo como você e forte como eu.
– Thomas? — Diz Stiles analisando o nome. — É perfeito, ele se chamará Thomas e será muito amado.
– Ele será. — Confirmo. — Ele será...
Stiles olha para mim com um rosto sério.
– Você precisa acordar Derek. — Diz. — Você precisa me salvar, eu não vou durar muito tempo.
Tudo a minha volta vai clareando, vejo Stiles desaparecendo de meus braços e um som extremamente alto toma conta da minha cabeça.
Abro os olhos devagar, sinto meus braços e pernas amarrados com correntes, a minha frente Ramon está suspenso em outra corrente, também amarrado, com sangue escorrendo de sua cabeça, ele parece está inconsciente, e no chão está Inácio, sem nenhuma reação, um corte enorme em seu peito, ele ainda estava vivo, eu ouvia as batidas do seu coração, mas elas ficavam cada segundo mais fracas.
– Onde estão os outros? — Pergunto a mim mesmo.
Eu não conseguia senti-los, Kylie, Scott, Stiles, Ícaro ou Caio, eu não conseguia.
Tento me equilibrar sem ser notado, eu ouvia a respiração de dois homens do lado de fora da pequena e escura sala.
"- Eu não vou durar muito tempo." — Ouço novamente a voz de Stiles em minha cabeça, então eu tinha que fazer algo imediatamente.
Meu corpo ainda se recuperava da radiação, eu não estava com toda a minha força, na verdade eu não conseguia manter uma transformação por muito tempo, mas eu deveria, eu tinha que conseguir.
Fecho meus olhos e me concentro, tento concentrar o máximo de força em meus pulsos, sinto meu corpo lutando contra a radiação dentro de mim, mas eu precisava canalizar esse poder para outra coisa.
Vou ganhando força à medida que meu corpo se enche de força, as correntes já começavam dilatarem-se, meus olhos estavam vermelhos e meu poder de Alfa estava voltando, logo rompi as correntes que me prendiam.
Me arrasto até Inácio no chão, quando viro seu corpo me espanto com o tamanho do buraco em seu peitoral, era impossível que ele ai da estivesse vivo com um corte daquele tamanho. Sua dor logo começa a entrar em meu corpo, ele estava aliviando, mas eu estava quase me contorcendo, improviso algo para por em seu corte e tento ver se Ramon estava acordado, o solto das amarras, e ele cai ao chão ainda inconsciente.
Ramon começa a dar sinal de que vai acordar logo, isso me deixa aliviado, mas a situação de Inácio me preocupava muito.
– Eles levaram! — Diz Ramon recobrando a consciência. — Eles levaram a arma!
– Como assim levaram? — Pergunto. — Inácio não havia escondido ela?
– É exatamente! — Diz. — Ele escondeu a arma dentro do próprio corpo, e eles abriram esse buraco nele e levaram a arma.
Sinto um arrepio imaginado.
– Dentro do próprio corpo? Mas o que é essa arma?!
– É um pergaminho. — Responde. — Esse pergaminho tem um portal nele.
– Um portal? Mas pra onde leva esse portal?
– Não é para onde leva, esse portal esconde um livro, e esse livro é a verdadeira arma.
– Que livro é esse? — Indago.
– A chave menor de Salomão! Um livro muito antigo capaz de...
– Invocar os 72 demônios. — Completo.
Ramon me olha por alguns instantes.
– Como sabe disso?
– Conheço a lenda. — Respondo. — Ele ensina a invocar os 72 que vagam sobre a terra e todas as suas legiões, tem todos os selos e ensinamentos.
– Exatamente! — Diz Ramon. — Mas Inácio pôs um bloqueio no pergaminho portal, eles não vão conseguir pegar o livro agora, mas o selo pode ser quebrado, um invocador poderoso pode quebrar o selo.
– Yuke? — Pergunto. — Acha que eles estão trabalhando com Yuke?
– Como você explica os policiais possuídos?
Parando pra pensar, fazia todo sentido, Yuke é um invocador e dos melhores, e se ele estava com o pergaminho, então tínhamos que recuperá-lo antes que ele conseguisse quebrar o selo.
– O que me preocupa agora é Inácio. — Diz Ramon. — Ele não vai sobreviver, estou sem meus amuletos para curá-lo, não posso fazer muito.
– Você talvez não, mas eu sim.
– O que quer dizer? — Indaga Ramon.
Olho no fundo de seus olhos negros.
– Você não pode! Você não sabe se...
– Se ele vai querer isso? Se vai sobreviver?! — Digo. — Olhe para ele Ramon! Você acha que ele vai sobrevive se eu não fizer algo?
Ramon fica em silencio e acena com a cabeça em concordância.
– Faça.
Aproximo meu rosto de Inácio, eu si to sua respiração fraca e a cada instante a sua pulsação ficando fraca, não hesito, exponho minhas presas e mordo o pulso de Inácio que imediatamente se contorce, como eu era um alfa, somente eu poderia transformá-lo, somente eu poderia salvá-lo, se ele gostaria ou não disso, me preocuparia com isso em outra hora.
– O que faremos agora? — Pergunta Ramon.
– Temos que da um jeito de sair daqui. — Digo. — Não deve demorar para Inácio começar a curar, geralmente é o primeiro fator da transformação.
– Sem armas, como faremos para nos livrar dos possuídos? No norte não temos problemas com possessões, eu não sei muito sobre.
– Fique tranquilo. — Digo. — Nós, da Ordem do Japão somos especialistas em exorcismos.
– Então você tem um plano?
– Tenho, e vou precisar da sua ajuda. Pegue essas correntes e use como arma, eu posso abatê-los com minha força, vou fazer alguns selos para exorcizar os policiais.
– Fazer selos? Com o que? — Indaga Ramon.
Passo meus dedos no chão e ele logo entende.
– Sangue.
O sangue de Inácio estava por toda a parte, rapidamente começo a desenhar selos no corpo de Inácio e no de Ramon para evitar que eles fossem possuídos, e na palma de minhas mãos, dois outros.
– Está pronto?
Ramon afirma com a cabeça enquanto enrola as correntes nos punhos.
Rapidamente vou ate a porte e em um chute eu a parto ao meio, logo os dois guardas entram e se da inicio a uma luta.
Os dois correm em minha direção, ergo um pelo pescoço, mas o outro consegue me atingir nas pernas, empurro um para Ramon que imediatamente o golpeia com a corrente, fazendo o possuído recuar alguns passos, pego uma corrente e enrolo no pescoço de um deles, Ramon faz o mesmo e logo ambos estavam presos.
Me aproximo deles e abro a palma das mãos, expondo o selo de sangue, assim que toco em suas testas, os dois se contorcem, seus olhos vão voltando ao normal a medida que invoco antigas orações xintoístas, no fim, ambos caem apagados no chão.
Estávamos aliviados por hora, mas o grito de Inácio atrás de nós rapidamente nos deixou preocupados de novo.
A ferida no seu peito parecia está se fechando, mas ele sentia muita dor, mas do que deveria sentir.
– Ele está se transformando. Digo.
– Ele vai nos atacar? — Pergunta Ramon.
– Provavelmente, mas ele é meu beta agora, não pode me ferir.
– Você não! Mas eu? Sim!
– Fique calmo! Ele está sobre meu controle. — Digo. — Vamos tirá-lo daqui, nos preocupamos com isso depois, temos que achar os outros imediatamente.
Apoiamos Inácio pelos ombros e saímos porta a fora, Ramon pegou as duas pistolas que estavam com os policiais e guardou, eu a todo momento tentava sentir o cheiro dos outros, mas totalmente em vão.
Enquanto atravessávamos corredores vazio em busca dos outros, nos damos conta de que estamos em uma instalação militar, isso não era muito animador.
Inácio tenta sussurrar palavras, mas tudo o que consegue fazer é gemer, mas eu entendia o que ele estava dizendo, ele estava com sede. Sede de sangue. Não como um vampiro ou coisa do tipo, quando nos transformamos a primeira vez, temos uma necessidade insaciável de violência, morte, sangue, nossos instintos animais ficam muito fortes.
Continuamos por alguns corredores até sermos surpreendidos por quatro homens com uniformes militares, mas seus olhos totalmente escuros, era claro que eles estavam possuídos também.
– Eu dou conta. — Sussurra Inácio. — Me deixa fazer isso, eu preciso fazer isso.
Olho para Ramon que rapidamente solta Inácio.
– Se alimente. — Digo pra Inácio.
Assim que solto o garoto, ele dispara para os militares, ignorando as balas que vinham em sua direção, ele rapidamente arrancou a garganta deles, sua fúria quase incontrolável, mesmo depois de ter matado os homens, ele ainda continuava a atacá-los, e continuou até que se deu por satisfeito.
Inácio se ergue completamente banhado em sangue, olha ao redor e vira para mim.
– Você me transformou nisso? Você me tornou um monstro?
– Eu não tive escolha Inácio. — Digo. — Era isso ou te deixar morrer.
– Me deixasse morrer então.
– Não seja egoísta, eu não podia, e também você é o único que sabe como controlar o livro, então eu não tinha escolha.
O silencio se fez presente por alguns instantes, Inácio parecia pensar no que estava acontecendo, ele me lembrou um pouco Scott quando foi transformado, ele ficou perdido, e agora como Inácio era meu beta, era meu dever ensiná-lo a controlar o poder.
Inácio da alguns passos para frente e quebra o silêncio.
– O que acontecerá comigo agora?
– Você se tornará um lobo, assim como eu, será mais forte, poderá se curar, seus reflexos vão melhorar, vou te ensinar tudo, esse será meu dever com você.
– Onde está o Caio? Onde estão os outros? — Pergunta Inácio.
– Estamos procurando por eles. — Responde Ramon. — Não sabemos o que aconteceu com eles.
– Vamos à sala principal. — Diz Inácio.
– Por quê?
Ele aponta para as câmeras no corredor.
– Se eles estiverem no prédio saberemos, tem câmeras em todos os locais. — Diz. — Será mais fácil encontrá-los assim.
– Você é mesmo um gênio Inácio! — Digo. — Então vamos!
Cortemos pelos corredores seguindo a direção das placas no caminho, o salão principal ficava um andar a cima, e quando nos deparávamos com soldados, à fúria de Inácio os destruía por completo.
Inácio agora era uma maquina de matar, e ele estava muito furioso.
– Quando eu achar aqueles desgraçados que tiraram o pergaminho de mim, vou arrancar a cabeça deles!
Assim, continuamos a correr, rápidos e sem parar, tínhamos que achar os outros, eu precisava achar Stiles, algo dentro de mim gritava por ele e sabia que ele não estava bem, eu tinha que salva-lo antes que fosse tarde demais.
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