Notas iniciais
Apenas aproveitem :*

Circulo de fogo.

"Stiles, quando você se tornou tão forte?"

Vá embora Derek. — Murmurou Stiles.

– Não até levar você comigo Stiles. — respondi.

– Eu não vou com você, não vou com ninguém. — sussurrou Stiles ainda um pouco trêmulo.

Levá-lo seria fácil, bastava uma pancada e ele desmaiaria, é, seria fácil.

Dou alguns passos em sua direção, vejo ele dar alguns passos para trás, na tentativa de se afastar de mim, mas suas pernas ainda tremiam.

– Não se aproxime de mim Derek. — Gritou — Eu não quero você perto de mim, nunca mais!

– Qual é Stiles, você não é o tipo de cara que guarda mágoas assim. — Digo tentando ser evasivo. — Eu sei como você é.

– Não Derek, eu não sou mais o mesmo. – Gritou novamente. — Você quer entender a minha magoa? Então olhe para isso!

Senti meu corpo congelar mais do que era possível, Stiles começou a tirar a própria roupa, seu sobretudo vermelho, cachecol preto, começou a desabotoar sua camisa social branca, quando ele tirou ela, eu entendi, eu não tinha a menor idéia do que tinha sofrido, quanta dor ele tinha sentido, e por um instante eu senti arrependimento.

– Eu não tinha idéia Stiles. — Respondo um pouco confuso.

– É claro que não Derek, eu não sou um lobo, não posso me curar como você, não posso e não pude conter a dor, e esse foi o resultado.

A pequena cicatriz no pescoço de Stiles agora se estendia por todo o se pescoço, descendo pelo peito próximo ao coração e parando perto da cintura e tomando uma parte do seu ombro e braço, boa parte dela ainda estava curando, e tinha alguns pontos e esparadrapos.

– Você não tem ideia da dor que eu senti Derek, não tem ideia! — Gritou agora com lágrimas nos olhos.

– Eu sinto muito Stiles. — Digo tentando me aproximar.

– Não chegue perto de mim! — Bradou novamente. — Você não sente nada, porque não se importa! Não sei o que deu em você pra ter vindo aqui e nem como descobriu onde eu estava, mas eu sei que você não mudou em nada!

Stiles talvez estivesse certo, mas vendo aquilo, eu poderia ter noção do que ele sentiu, e agora, além de arrependimento, eu estava sentindo vontade de tirar sua dor, mesmo com minhas habilidades enfraquecidas.

Eu queria me aproximar, tocá-lo, entretanto, eu sabia que ele não permitiria, tudo o que eu pude dizer foi:

– Stiles, eu sinto muito, me perdoe, por favor.

– Porque esta fazendo isso? — Perguntou Stiles.

Respiro fundo, abaixo a cabeça, eu não acreditava que estava fazendo aquilo, estava me sentindo um enorme idiota ridículo, e principalmente, fraco.

– Precisamos de você Stiles — Respondo. — Essa é a verdade.

O silencio se depositou entre nós, a neve deixava tudo irritantemente branco, as arvores secas de cerejeira, era possível até mesmo ouvir o assobio do vento, ate que eu olhei novamente para Stiles ainda despido, seus lábios já estava roxos e seu maxilar não parava de bater. Então eu corro em sua direção.

– Você vai acabar morrendo de frio Stiles! — Falo me aproximando rapidamente dele.

Em menos de dois segundos meus braços já estão em volta dele, eu não podia deixá-lo morrer, Scott jamais me perdoaria e eu não teria meus poderes de volta.

Sinto os braços de Stiles se erguendo, quase correspondendo o meu, por um segundo eu achei que ele havia cedido, e se deixado para mim.

Eu estava errado.

– Você não me convenceu Derek. — Sussurra Stiles com seus lábios gelados encostado ao meu ouvido.

– O qu... — não pude terminar a frase.

Sinto meu corpo agora doer, muito, uma queimação subia pelo meu abdômen.

– O que você fez? — pergunto em meio a uma tosse.

Me afasto dele a passos lentos, olho para as suas mãos, elas estavam sujas de sangue, sujas com o meu sangue, Stiles ainda mantinha uma feição seria.

– Eu disse para você não me tocar Derek. — Responde Stiles.

Olho agora para minha barriga, um canivete prateado estava em mim, quase que totalmente enterrado em minha carne, removo-o rapidamente, mas a dor não parava de crescer.

– Wolfsbane? — Olho assustado para Stiles

– Um tipo raro, não vai matá-lo — Responde Stiles. — Apenas vai mantê-lo longe de mim.

Caio no chão agora cuspindo fluido negro, Stiles não sabia, mas eu iria morrer sim, estava sem minhas habilidades, eu não conseguia me curar, principalmente de um ferimento feito com veneno para lobos.

Eu imaginava que aquilo não poderia ficar pior, eu estava redondamente enganado, as luzes locais começaram a piscar e enfraquecer, o vento parou, a neve não caia mais, as árvores pareciam lamentar e a escuridão se tornou densa.

– Droga! — Bradou Stiles. — Justo agora?

Vejo Stiles vestir rapidamente sua roupa, e virar o rosto para várias direções, como quem já sabia o que iria acontecer.

– O que está fazendo ai no chão Derek, se levante e vá embora.

– Não posso — Respondo tentando me levantar.

O chão agora onde eu estava tinha uma pequena poça de sangue, vi por um instante Stiles olhar confuso para mim.

– Porque você não esta curando? — Pergunta.

– Não posso, minhas habilidades estão enfraquecidas — Explico em meio a um gemido.

– Não é problema meu. — Diz Stiles dando de ombro. — Não vou ficar aqui, logo ele chegará, é melhor procurar um abrigo. — aconselhou.

Começo a ouvir alguns estalos, a rede elétrica agora estava oscilando e algumas lâmpadas dos postes estavam estourando.

Stiles pega sua mochila do chão e começa a andar com pressa pelas casas próximas, ele observa a soleira de cada portão, como quem procurava por algo.

– Achei. — Ouço Stiles dizer.

A densa escuridão agora tomava forma, era algo grande e muito barulhento.

– Corra Derek! — Gritou Stiles.

– Não posso, meu corpo não responde.

Vejo Stiles simplesmente virar o rosto e sair andando em direção a um templo. Ele realmente iria me deixar ali? Para lutar com algo que eu não sabia o que era e enfraquecido?

Um aperto no coração me trouxe a realidade, aquilo era exatamente o que eu tinha feito a ele, eu o tinha abandonado no meio da briga, ele estava ferido, muito mais do que eu estava agora, eu simplesmente o deixei, e agora ele estava fazendo que eu experimentasse do meu próprio veneno.

– O que temos aqui? — Ouço uma voz roca ao mesmo tempo em que ouço os passos de Stiles, infelizmente, se afastando.

Mas o que ele poderia fazer? Um humano lutando contra algo sobrenatural? Ele não era um caçador, não era como a Alison, não era treinado, ele estava certo, certo em correr pela própria vida.

A coisa agora tomou uma forma completa, me lembrava muito um Oni, eu sabia que os Onis eram criaturas japonesas, eu também sabia como matá-los, prata, coisa que eu não tinha. A criatura era enorme, quase três metros, forma humanóide, mas seu rosto era vermelho e tinha cifres saindo de sua testa, ele carregava um enorme "Kanabo", deferente dos Onis que tinha enfrentado em Beacon Hills que usavam espadas, esse usava um porrete cravejado com pontas de ferro e usava um robe negro.

– O que um lobo faz perambulando por meus domínios? — Pergunta a criatura.

Me levantei devagar, ofegante e sentindo meu sangue escorrer pelo ferimento, não estava me curando, estava envenenado e sem poder me transformar, eu certamente morreria aqui.

Olhei para o chão e vi o canivete de Stiles.

“Prata?” — pensei comigo.

O Canivete dele era feito de prata, mas o que eu podia fazer com uma simples faca? Mesmo tendo ela em minhas mãos, eu não parava de tremer, o frio finalmente tinha começado a estancar o sangramento, mas o wolfsbane ainda doía, agora em todo o meu corpo.

– Acha que pode ser alguma ameaça para mim? — Pergunta a criatura agora rindo.

Ele se aproxima com uma velocidade incrível, mas tenho tempo de me mexer, ele me pega pelo pescoço e me ergue.

– Um lobo indefeso contra um dragão — Brada a criatura.

Ele me arremessa por metros, rolo pelo chão sentindo o sangramento começar mais uma vez, era realmente meu fim.

Todavia, eu estava errado mais uma vez.

Vejo a criatura dando um passo para trás ao mesmo tempo que escuto passos em minha direção, minha visão agora estava turva, eu sabia que iria perder a consciência logo.

– Se levante Derek! — Ouço a voz de Stiles, que agora estava em minha frente.

– Fuja — tentei dizer.

– Cale-se — respondeu enquanto pegava o canivete de prata do chão.

– Um humano? — pergunta a criatura. — Vou possuir seu corpo e fazê-lo matar seu amigo.

Eu não sabia se Onis podiam possuir corpos humanos, mas Stiles já tinha sido possuído por um espírito Japonês, um Nogitsune, mas porque Stiles sorria enquanto o espírito falava com ele?

– Pode tentar. — Diz desafiando a criatura.

Nesse instante, o Oni se tornou uma grande fumaça negra que rapidamente cercou Stiles e o tornou escuro, como as sombras.

– Isso não funciona comigo. – Stiles anunciou.

Nesse momento, a sombra sai do corpo dele, e toma forma novamente, no entanto, não era mais uma criatura enorme feroz, ele tomou a forma de um homem.

– Porque eu não posso ter seu corpo, humano? — Indaga a criatura com olhar feroz.

– Eu já fui possuído uma vez, nunca acontecera de novo — Afirma Stiles.

Porque Stiles estava sendo tão forte? Como ele conseguia enfrentar sem fraquejar uma criatura ancestral mesmo sendo humano? Desde quando ele foi forte? Essa pergunta não saia de minha mente.

– Chega de papo, está na hora de acabar com isso. — Anuncia.

Imediatamente Stiles joga seu canivete na direção do Oni, tão rápido quanto uma bala a lamina perfura o braço da criatura, que dá passos para trás.

– Prata? — Interpela a criatura.

Enquanto o Oni bradava, Stiles correu em minha direção, pegou um de meus braços e me levantou dando um suspiro de dor, rapidamente passou meu braço por seu pescoço se pôs em correr em direção ao templo próximo.

– Mais rápido Derek.

– Estou dando meu melhor Stiles. — Respondo. — Mas o que você está fazendo?

– Salvando sua medíocre vida. — responde.

– Por quê?

– Isso não é hora Derek, apenas se concentre em correr.

O Oni tirou de seu corpo a lamina de prata e se pôs em correr ferozmente em nossa direção.

– Irei devorar suas almas! — Pronuncia.

– Estamos quase lá Derek.

– Quase aonde? — Questiono.

– Quase dentro da barreira.

Assim que passamos pelos muros do templo, escuto uma forte pancada, me viro e vejo a criatura parada do outro lado, batendo contra algo invisível, que o impedia de entrar. Stiles lentamente me deixa encostado em um pilar na escada do local que parecia ser um típico templo Xintoísta, feito de madeira escura e tetos de telha avermelhada, algumas tochas, arvores e um pequeno jardim com plantas locais.

Stiles logo se levanta e vai em direção a criatura, ficando entre ele e a barreira.

– O que está fazendo? — Pergunto ofegante. — Fique aqui, não se aproxime dele.

– Eu não sou mais o velho Stiles, Derek.

Nesse momento, Stiles tira novamente sua roupa, deixando a mostra a sua cicatriz, mas dessa vez era diferente, em suas costas não tinham apenas as marcas, tinha uma tatuagem grande, algumas inscrições em Kanjin Japônes, me dou conta que é a mesma inscrição que tem nos muros do templo.

Stiles então pega sua mochila do chão e tira algo de dentro dela.

– Uma arma? — Olho espantado.

– Sim — Responde. — Mas não uma arma qualquer.

O brilho prateado dela logo me fez entender, uma arma de prata e balas de prata.

– Infelizmente eu não posso atirar com ela dentro da barreira — Explica Stiles.

Com isso ele sai da barreira e fica exposto a criatura, que mais uma vez se torna uma fumaça negra e começa a tomar outra forma, algo muito maior, talvez a verdadeira forma daquele demônio, muito grande, muitos cifres, pele vermelha como sangue e olhos que brilhavam como fogo.

– Ousa me desafiar, humano?

Vejo Stiles olhar sem medo para o Oni, ele tomba a cabeça para um lado, e lança um olhar desafiador para o monstro.

– Eu não tenho medo de você, não mais — Diz Stiles.

Com isso, ele põe a mão em um dos bolsos e tira um pequeno papel, com algumas coisas escritas em japonês, algo como uma oração.

– Um Omamori? Acha que um simples omanori vai me assustar? — Murmura a criatura.

– Vamos ver se aguenta isso então — Diz Stiles.

Eu nunca vi Stiles assim, imponente, corajoso, ele tinha agora o que eu havia perdido, poder.

Stiles levanta a arma na direção da criatura, enrola o papel no cano de sua DesertEagle, assim que a criatura levanta seu porrete, Stiles atira, certeiro e eficiente entre os olhos do monstro, que se dissolve em fumaça negra novamente, mas dessa vez, se afastando, sumindo da vista, deixando apenas seus rastros.

Era incrível, eu nunca imaginária isso, estava impressionado, e admito, com muita inveja e raiva, eu estava me sentindo inútil e fraco perto dele.

– Stiles — Chamo sua atenção.

– Sim? — Responde.

– Por quê?

– Se eu te deixasse para morrer, estaria agindo igual a você, e eu me odiaria, da mesma forma que eu te odeio, por isso eu não te deixaria morrer no fim das contas.

A neve voltou a cair com intensidade, o frio estava tomando conta mais uma vez, quando Stiles virou para mim, havia sangue escorrendo pelo seu peito, me dou conta que alguns pontos da suas feridas tinham rompido, provavelmente quando ele me carregou para o templo.

Minha visão estava escurecendo mais e mais, Stiles também estava mal, se aproximou e ficou de joelhos próximo ao portão.

Pouco antes de perder totalmente a consciência, vejo apenas sombras e vultos em torno de mim e de Stiles, nos carregando, erguendo nossos corpos para dentro do templo, as últimas palavras que escuto são a dos monges.

– Eles estão muito mal, porém vivos.

Notas finais
Comentários, onde vocês estão?