Circulo de Fogo - E.N.D
32 Instinto
Notas iniciais
E.N.D — Capitulo 1
– Eu sabia que você voltaria — Sussurrou Stiles no meu ouvido. — Sabia que voltaria para mim.
Não era possível conter a sensação de felicidade e alívio quando vi uma aeronave de patrulha da Ordem sobrevoando as redondezas na fronteira com a África do Sul, Stiles, Kylie, Ícaro e Ramon procuravam no deserto por mim quando me acharam numa cidadezinha.
Nosso reencontro foi indescritível, Stiles disparou em minha direção, largando armas e mochila que carregava nas costas, o seu cheiro inundou minha mente em êxtase, queria ficar o resto da vida ali, abraçado a ele.
Depois do longo reencontro, gesticulei para os outros, mas meus olhos se fixaram em Kylie, ele olhava espantado o cadáver preso ao meu cavalo.
E eu devia uma explicação para ele.
– É ele? — Pergunta Kylie com tom sério.
– Sim.
– Ele te disse o por quê?
– Sim — Respondo. — Ele pediu para que eu explicasse tudo a você, eu trouxe o corpo dele para que tivesse um funeral digno.
Kylie acena com a cabeça em concordância.
Voltamos para a aeronave em direção a capital africana Bloemfontein, Ícaro ainda se mantinha muito calado, eu deveria ter uma conversa com ele também, Ramon me explicou que quando soube do incidente com Escorpião Rei, de Ícaro ter usado o cajado e a explosão, ele imediatamente saiu da Rússia e veio para a África a fim de nos ajudar. O Cajado já estava seguro na nossa central, assim que estava seguro, ele iniciaram um busca exaustiva a mim durante dias.
Expliquei para eles todo o ocorrido durante os dias que apaguei, o xamã que cuidou de mim e a ajuda que me deram para que pudesse voltar.
Pedi espaço a todos e chamei Kylie e Ícaro para uma conversa em particular e expliquei para eles tudo o que Ethan havia me dito.
– Ele fez isso tudo por mim? — Indaga Kylie enquanto soluçava de choro.
– Ele não deveria ter feito isso por mim — Diz Ícaro. — Eu não pedi pra ser salvo, eu não pedi pra ter outra chance!
– Ele estava ciente de tudo isso — Digo. — Ele fez por amor, vocês não podem julgá-lo por isso e tinha Aiden também. Você Kylie melhor que ninguém sabia o que Ethan estava sentindo.
– Ele sentia falta do irmão a todo o momento. — Afirma Kylie — Centenas de vezes eu o achava chorando, ou falando sozinho sobre Aiden.
– Então você sabe que ele está feliz agora. — Digo. — Ele fez isso por amor, e também para alcançar o que ele queria há muito tempo.
– Paz? — Pergunta Ícaro.
– Sim. — Respondo. — O que temos que fazer agora é enterrá-lo como um digno e seguir em frente, nos tornarmos mais fortes e vencer essa guerra! Por ele e por todos os outros que morreram!
Imediatamente me lembro de Thommy, meu jovem caçador favorito que eu também não pude proteger.
– Façam os preparativos para o funeral dele. — Peço. — Ainda temos muito para fazer! Ethan não gostaria que ficássemos remoendo, ele me disse para seguir em frente, Kylie, todos nós.
Saio em direção à porta.
– O que vai fazer agora?- Pergunta Ícaro.
– Eu não sei — Respondo. — Apenas não quero parar pra pensar em nada por algum tempo.
Subo as escadas do convés inferior em direção aos quartos, vou em direção ao banheiro, tiro completamente minha roupa e paro em frente ao espelho.
Minha visão melhorava, mas não estava totalmente boa, enxergava borrões, mas via as queimaduras por todo meu corpo, manchas brancas nos meus olhos, provavelmente o que ainda causava minha parcial cegueira, cortes por todos os lugares, hematomas, poeira, eu ainda estava sujo por todo o tempo que passei andando no deserto.
Ouço passos no quarto e logo em seguida Stiles entra no banheiro.
Me apresso em cobrir meu corpo com uma toalha.
– O que está fazendo aqui?- Pergunto a Stiles.
– Eu vim ver como você estava. — Diz se aproximando e parando ao meu lado.
Stiles olha no fundo de meus olhos.
– Para Stiles — Retruco segurando suas mãos. — Não quero que me veja assim.
– Assim como? — Indaga. — Cheio de cicatrizes e marcas? Não foi assim que você me achou quando foi ao Japão?
–Mas é que...
– Chega Derek. — Retruca. — Não me interessa o quão ferido você esteja, eu te amo e nada disso vai mudar, já passamos por muitas coisas juntos, não se esqueça disso.
Solto seus braços e ele puxa a toalha ao chão, me observa fixamente por alguns instantes e desliza seus dedos pela minha pele grossa.
Ele passa seus braços por meu tórax e me abraça.
– Nada disso vai mudar o que sinto Derek. — Afirma. — Nada disso.
Sinto meus olhos se encherem d'água, respiro fundo e abraço Stiles, fecho meus olhos e apoio minha cabeça na curva de seu pescoço.
– Obrigado. — Digo.
Tomamos um longo banho juntos, como sempre costumávamos fazer, mas agora, parecia que era mais importante pra mim, porque esse era um dos poucos momentos que tínhamos juntos.
Stiles me disse que quando chegaram a Bloemfontein, eles usaram magia pra quebrar o bastão em três partes e por uma em cada sede na África, que eram três: Bloemfontein, Cidade do Cabo e Pretória.
– Amanhã estaremos partindo de novo. — Diz Stiles. — Temos uma viagem de nove horas sobre o oceano.
– Vamos para o Brasil não é?
– Sim. — Afirma. — A ultima arma está lá e provavelmente será nossa missão mais difícil.
– Por que? — Indago.
– A rebelião lá foi extremamente violenta, pouquíssimos da resistência sobraram, e pra piorar, o governo de lá é aliado dos contra-revolucionários.
Suspiro forte e apoio minha cabeça no ombro de Stiles.
– O quão ruim é isso? — Pergunto.
– Muito Derek, porque além de se preocupar com os caçadores e demônios, temos que lidar com a polícia do país inteiro, nossos rostos e nomes devem estar espalhados por todo o País.
– Desse que saímos do Japão somos caçados, os contra devem ter emitido ordens de caça para nós — Digo.
– Exatamente — Diz Stiles. — Temos que encontrar Inácio e ajudá-lo a esconder a ultima arma.
– Inácio? O nome do líder não era Diego?
– Sim, Inácio Diego — Responde Stiles. — Ele atende pelos dois nomes.
– Que idiotice — Digo. — Então, você tem ideia do que seja a arma que está no Brasil?
– Não, infelizmente somente Inácio sabe. — Responde.
Ouvimos o som de sirenes ecoar por toda o prédio, nós sabíamos o que esse som significava, algo errado havia acontecido e Ícaro estava nos chamando.
Rapidamente saímos do banho, nos vestimos e disparamos para a sala central aonde todos já esperavam por nós.
– Aconteceu algo? — Pergunto.
– Sim — Reponde Ramon. — Temos péssimas notícias.
Ícaro estava com uma feição muito preocupada.
– Temos que terminar essa missão o mais rápido possível! — Grita Ícaro. — Vamos partir para o Brasil imediatamente, não podemos perder nenhum segundo a mais!
– O que aconteceu? — Pergunta Stiles.
– Acabamos de receber a noticia de que três lideres caíram. — Diz Ramon. — Minzi, Mazha e Sebastian estão mortos.
– Estamos perdendo! — Brada Ícaro. — Austrália, Índia e Canadá, fomos aniquilados! Os contra tomaram o controle nessas regiões.
Eu sentia a força da indignação de Ícaro, ele provavelmente era o mais influente dos líderes e ele mais que qualquer um, sentia o peso da responsabilidade.
– Quero um esquadrão inteiro se preparando agora! — Diz Ícaro pelo telefone. — Prepare os outros dirigíveis, quero três navios de guerra com armas e suprimentos preparados o mais rápido possível, vamos levar reforços para Diego!
O monitor atrás de Ícaro acende e um rosto machucado aparece na tela, ele se parecia com Ícaro, branco, olhos escuros e levemente puxados, lábios bem desenhados, cabelo levemente louro, ele e Ícaro poderiam até mesmo serem irmãos.
Os cortes no rosto e supercílio aberto deixando um fio de sangue escorrer pelo rosto até os lábios vermelhos, um olho levemente roxo e aspecto cansado, ele deveria ter passado por muita coisa.
– Diego! — Diz Ícaro. — Você conseguiu nos contatar!
– Foi difícil — Responde Diego. — Quase não consegui sair da instalação em São Paulo, a cidade esta uma anarquia total.
– Você está com a arma? — Pergunta Kylie.
– Sim, ela está comigo, estou tentando fazer o máximo para mantê-la segura, vocês não fazem ideia do caos que está aqui!
– Espere apenas mais algumas horas, logo estaremos chegando ai, nos de apenas algumas horas!
– Vou segurar o máximo que eu puder — Afirma Diego. — Estou mandando minha localização, por favor, venham logo.
A tela logo fica escura, Inácio encerra a transmissão.
– Vocês já sabem o que devem fazer! — Ordena Kylie. — Preparem tudo! Sairemos imediatamente!
Logo começa uma grande correria em toda a fundação, caçadores armados e carregados de suprimentos iam em direção ao Navio de guerra como Ícaro havia ordenado.
Logo o monitor acende com coordenadas, provavelmente as que Diego havia mandado, o nosso próximo destino era o litoral, iríamos para Natal, no Rio Grande do Norte.
**************
O Grande mar azul se estendia além dos limites da visão, voávamos a 7G, e nesse ritmo, chegaríamos a Natal em pouco mais de quatro horas.
Chegaríamos bem antes dos navios ou dos dirigíveis, eles demorariam no mínimo 24h para alcançar a costa Brasileira, isso significaria que teríamos que sobreviver com Diego pelas próximas horas ate a chegada de reforços e termos contingente suficiente para escoltar com segurança ao local de interceptação, iríamos tirar a arma do país e levá-la para o Canadá, os poucos sobreviventes da Tropa Nova Canadense prepararam um templo subterrâneo que eles mesmos construíram.
As horas logo se passaram, Stiles e Kylie ajudavam a organizar os mapas da cidade enquanto Ícaro formulava um plano de resgate, não sabíamos onde exatamente Diego estava, apenas sabíamos a cidade.
Logo no horizonte era possível observar um forte, e pelo mapa que tínhamos, tinha o nome de Forte dos Reis Magos, esperaríamos até que Diego mandasse um novo sinal de localização e iríamos buscá-lo.
Pousamos nossa aeronave próxima do forte, estávamos atentos, pelo que sabíamos, esse país não estava sobre controle.
Andamos alguns instantes pela praia, ela era linda, uma vasta trilha de areia negra se estendia por quilômetros, o cheiro de maresia e o céu azul e a luz do sol forte, certamente aquele era um lugar perfeito para férias.
Esperamos apenas por poucos minutos até o sinal chegar, mas não era um sinal de localização, e sim uma mensagem que dizia: “Esperem meu contato.”
– Esperar o contato? O que diabos Diego acha que estamos fazendo?! — Retruca Ícaro. — Ele acha que isso é uma brincadeira?!
– Não, ele acha que vocês são apenas muito idiotas. — Diz um garoto se aproximando.
Rapidamente levantamos armas para ele.
– Quem é você? — Pergunta Kylie.
– Me chamo Caio. — Responde. — Sou o contato de Inácio, vou levá-los até ele.
Rapidamente abaixamos nossas armas.
– Inácio disse que vocês eram idiotas e que eu deveria vir buscá-los — Diz Caio. — E pelo que parece, ele tinha toda razão.
– O que quer dizer com isso? — Pergunto.
– Olha como vocês estão vestidos! Isso aqui não é o Japão ou a Austrália! Não é nada comum usar esse tipo de roupa! Vocês são o que? A SWAT?
– Nossas roupas? — Indaga Stiles.
– É! Troquem essas roupas, escondam suas armas e tatuagens, será muito mais fácil nos enturmar e passar despercebidos aos olhos dos policiais — Continua Caio. — Tem cartazes com o rosto de vocês em muitos lugares, todos aqui estão sendo caçados, então tomem muito cuidado.
Caio tira do bolso um lenço de papel e joga para Ícaro.
– Seu nariz — Diz Caio. — Esta sangrando.
Ícaro leva os dedos ao rosto e sente o sangue.
–Mas o que...
– É o ar daqui. — Diz Caio. — Muito úmido, você não é acostumado, mas logo vai se adaptar.
Rapidamente voltamos à nave e trocamos de roupa, de forma muito inteligente Caio trouxe uma mochila com muitas roupas, logo deveríamos estar prontos para entrar na cidade.
– Onde Inácio está? — Pergunta Kylie. — Aonde iremos?
– Nós vamos para minha casa. — Diz Caio. — Quando eu tirei Inácio de São Paulo ele não tinha para onde ir, então ficamos juntos nessa.
– Você é um caçador ou algo do tipo? — Pergunto.
– Não, somos amigos, estudamos juntos há alguns anos e quando Inácio me contou toda essa historia de guerra, caça, demônios e deuses, eu achei que ele estivesse louco.
– E o que te fez mudar de Ideia? — Pergunto.
– Quando eu fui a são Paulo eu vi com meus próprios olhos, lá está um caos total, vocês não fazem ideia, e a maioria da população não sabe, o governo está controlando todos os veículos de informação, a mídia está ocultando tudo, a internet esta sendo controlada, isso aqui meus amigos, não é nada comparado com o resto do mundo.
Em pouco mais de meia hora já estávamos prontos, a noite estava caindo e Caio nos aconselhou a esperar a noite, é mais fácil conseguir fugir em caso de perseguição, ele trouxe um carro para nos levar, e iríamos apenas nós seis.
Caio pegou o volante e dirigiu cidade adentro, passamos por toda a via costeira, vimos o cartão postal mais famoso da cidade, o morro do careca, paramos próximo a universidade Federal para comer algo, e logo estávamos próximo ao prédio de Caio.
Entramos pelos fundos, evitando ser vistos pelas câmeras de segurança do prédio, subimos até a cobertura, dava pra ver toda a cidade, as pessoas lá em baixo não tinham ideia do que estava rolando, levavam suas vidas normais sem saberem que tudo poderia mudar de um segundo para outro.
– Então vocês estão ai? — Diz Inácio aparecendo na porta. — Estão preparados para o Inferno?
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