Cinzas de Prata

26 Capítulo 25 – O Sentimento Amargo da Culpa


Notas iniciais
Olá gente! No capítulo passado, Walker uniu forças com o campeão Lance e com o líder Pryce para invadir uma base da equipe Rocket que estava instalada em Mahogany. Passaram por alguns problemas e batalhas, mas enfim cumpriram o seu ojetivo. Os Rockets não vão mais incomodar, por enquanto... Agora vamos ver como Ashley está lidando com a perda de um de seus companheiros... Boa leitura!

O sol estava se pondo. Em uma residência situada na cidade de Cianwood, uma senhora de cabelos negros preparava um cozido em um caldeirão. Próximos a mesa, havia vários Pokémon esperando pela refeição. Todos eles eram da tipagem lutador. Entre eles, estavam um Primeape chamado Inosuke e um Poliwrath chamado Pimple.

O líder de ginásio Chuck entra na cozinha. Ele vai em direção a mulher e lhe dá um beijo na bochecha. Depois ele senta na mesa. Ele estava com um semblante sério e meio desanimado.

— O que houve? – perguntou a mulher, que é esposa de Chuck.

— Ophelia, saiu a sentença da liga hoje! – respondeu o líder – multa de quinhentos mil PG e suspensão de aceitar desafios durante sete dias.

— Minha nossa! – disse a mulher estarrecida.

— Pois é! Nisso a Liga Pokémon é bem rígida! Tudo para deixa as batalhas de ginásio mais seguras possíveis para os Pokémon. Se ocorrer uma morte do Pokémon do desafiante, é esse o preço que o líder deve pagar!

Os Pokémon estavam ouvindo a conversa.

— Vixe! Nos ferramos feio! E isso é tudo culpa sua Inosuke! – disse Pimple.

— O que houve, vai acontecer algo com o Chuck só porque eu matei aquele inseto? – pergunta o Primeape.

— É que se um Pokémon do desafiante morre, o líder não poderá receber desafiantes por um tempo! Além disso, terá que pagar uma multa pesadíssima.

— E aonde ele acha essa tal de “multa”? Ele é forte pra carregar um negócio desses, não é? – pergunta Inosuke sem entender o que significa multa.

— Não seu cabeça de bagre! Isso quer dizer que ele vai ter que pagar um monte de dinheiro! – explica o sapo.

— E daí!

— Isso significa que não vai chegar comida pra nós! – alerta Pimple.

— Aí não! Sem comida?! Nós? – Inosuke começa a se desesperar.

— Não é pra tanto! – ameniza Chuck – eu tenho dinheiro reserva, não vou deixar faltar comida pra vocês... se bem que vão ter que comer um pouco menos...

— Como assim! – o Primeape temia em ter suas refeições reduzidas.

— Não precisa fazer escândalo! – diz Chuck firmemente – só vamos precisar economizar. Reduzir por um tempo as guloseimas. Você está ficando gordinho por causa dos doces! – ele bate na barriga de Inosuke – mas isso é pra nós aprendermos a medir nossas forças para que tragédias como essa não se repitam. Eu fui um dos que aprovaram essa regra da Liga. Isso é o justo, fazer o que, não é?

Ele vai até a janela da sala que dá vista para uma praia de Cianwood. Ele observa de longe que há uma garota sentada, com um semblante bem triste.

— O preço que vamos pagar não é nada comparado o que essa garota sofreu! – suspira o líder.

Depois que ele, sua esposa e seus Pokémon comeram, ele foi até a praia para ver como a garota estava. Passaram sete dias desde aquela fatídica batalha. E desde então ele só tem visto a garota pelo centro Pokémon e andando pela praia. Às vezes, ele vê que seus olhos estavam vermelhos, provavelmente por ter chorado muito. Ele se pergunta quanto tempo ela ficará desse jeito.

Ashley continuava sentada em uma rocha. Apenas olhando fixamente para a praia. Aquela batalha. André sendo soterrado pelas pedras. Aquele sangue saindo pelos escombros. E a notícia da morte dele. Tudo isso fica divagando a mente dela. Novamente acabou deixando aquilo acontecer. Por que deixou o André continuar essa batalha mesmo sabendo que ele não venceria? Por que não foi mais enérgica e o tirou da batalha? Se tivesse feito isso, ele ainda estaria com ela.

Essa tristeza também contaminou seus Pokémon, que também estavam preocupados com a treinadora. Os cinco estavam há alguns metros observando a garota. Faz vários dias que ela não quer saber de treinar e nem ao menos se alimenta direito. Ela apenas cuida das refeições deles e depois passa o dia inteiro ou deitada nos bancos do Centro Pokémon ou sentada naquela pedra.

Francisca não estava mais aguentando ver sua treinadora assim. Ela resolveu desabafar:

— Gente! Não aguento mais ver a Ashley assim! Nunca ficou tanto tempo assim tão triste!

— Acho que a morte de André a pegou de jeito! – suspira Rochelle.

— Enquanto isso estamos a uma semana fazendo vários nadas! – reclama Caninana.

— Mas acho que não podemos fazer nada até ela se sentir melhor! – afirma Shion.

Rouge não falava nada. Ela também foi muito abalada com a morte de seu amigo. Eles haviam brigado. Ela achava intransigente o jeito que a borboleta a tratava, sempre se metendo em sua vida. Mas no fundo, ela sabia que ele só fazia isso para protegê-la. Era óbvio que ele não queria que a Rouge se metesse em encrencas por causa do Raver. Era isso que ele podia fazer. Mesmo assim, ela ficou com raiva dele. E deixou que ele lutasse sozinho naquele ginásio só pra provar que não era fraco. Se ela tivesse o ajudado e falado que ele era forte e legal, então ele não teria teimado em continuar aquela luta...

— Rouge, você também sente falta do André, não é? – Rochelle coloca uma mão em suas costas, com o intuito de consolar a morcego.

A venenosa se vira com os olhos cheios de lágrima – foi minha culpa ele ter morrido – disse com a voz chorosa – se eu não tivesse brigado com ele... se tivesse chamado ele... se tivesse ajudado ele...

— Deve ser difícil pra você! – Rochelle envolve sua amiga em seus braços e Rouge fica soluçando para desabafar a tristeza que há em si.

Chuck vai se aproximando mansamente. Ele queria ajudar de alguma forma, porém não tem a mínima ideia de como fazer. Ele percebe o clima pesado que está em volta da garota e de seus Pokémon. Ele ficou um tempo em pé, só observando eles de longe.

Francisca toma a iniciativa e se aproxima da garota.

— Ei Ashley, tudo bem com você?

— Eu estou bem... – diz a garota com uma voz distante — só quero ficar um pouco sozinha!

— Mas faz sete dias que você diz isso! – aponta Francisca – você só fica aí fazendo nada! Sei que tá cuidando da gente, mas não te vejo mais feliz. Você não viaja mais e não treina. Isso tá nos deixando preocupados.

— Me desculpe... – a garota tentava se explicar – é que... é que... não estou com o menor ânimo de fazer as coisas!

— Não quer mais treinar, é isso? – Francisca temia que a Ashley queira desistir.

— Não sei... as vezes eu penso nisso! – responde a garota – será que vale a pena eu continuar essa jornada só para ver vocês morrendo. Não quero passar por isso de novo! – seus olhos se enchem de lágrimas – não quero isso mais! – ela coloca as mãos nos olhos e começa a soluçar.

Francisca se aproxima da garota e se aconchega perto dela. Ela fica emitindo seu aroma para tentar acalmar sua treinadora. A Meganium não queria que a garota desistisse de sua jornada. Porém, tudo que pode fazer agora é consolá-la. E compreende o sentimento dela em não querer mais que um companheiro morra.

Chuck assistiu a cena comovido, seus Pokémon Inosuke e Pimple vieram atrás dele para saber o que o líder está observando.

— Ei senhor Chuck, a Dona Ophelia quer saber se o senhor vai querer mais! – avisa o Primeape.

— Essa garota está vários dias nessa tristeza por causa da perda do seu companheiro! – fala o homem inconformado.

— Oxi! Ainda tá nisso? – diz o lutador coçando o nariz.

— E isso é tudo culpa sua! – com a indignação vindo à tona, Chuck dá um cascudo em Inosuke.

— AAAAAAIIIII! – gritou o Primeape com dor.

A pancada chamou a atenção da treinadora e de sua Meganium.

— Er... olá... só estávamos passando por aqui! – disse o líder tentando disfarçar – estamos no nosso exercício noturno.

— Er... tudo bem então! – vendo que não está sozinha na praia, Ashley resolve voltar para o Centro Pokémon.

— Ei senhorita! – chamou Chuck – eu gostaria de dizer que nós sentimos muito pelo que aconteceu com seu Butterfree! – Ele se agacha e fica com a cabeça rente ao chão – eu sinto muitíssimo mesmo!

Ele manda seus Pokémon se abaixarem também, em um pedido sincero de desculpas. Realmente não dá para culpar o Chuck, que só estava fazendo seu papel. Entretanto, se tivesse contido um pouco aquele Primeape, não teria ocorrido aquela tragédia com o André.

— Seu nome é Ashley não é? Se quiser pode passar em casa para comer um ensopado! – convida Chuck – tem para os seus Pokémon também.

Ele sai e a garota ainda pensa um pouco em aceitar o convite. Um alimento gratuito para seus Pokémon seria uma boa. Então ela resolve seguir o líder aceitar o convite.

Logo, os Pokémon de Ashley estavam comendo com gosto a comida que Ophelia deu para eles. Mas a garota mal toca na comida. Esse fato chamou a atenção da mulher:

— Minha querida! Você precisa comer para se manter forte e saudável! Não me diga que não gostou do meu ensopado?

— Não, sua comida está boa... – fala a garota mansamente – é que eu não estou com muita fome!

— Ai, ai! Esses jovens! Espero que você não tenha comido muita porcaria! – repreende Ophelia – e pelo visto, você não é a única que está deixando comida no prato.

Ashley logo repara que Rouge também não está comendo sua comida. Ela vai até a morcego para ver o que está acontecendo:

— Rouge, o que houve? Não gostou da comida?

— Não quero comer! – diz a Crobat com voz chorosa – ver aquele homem lá me fez lembrar o que aconteceu com o André!

— Sei que é triste! – a garota se aproxima e abraça a Rouge, acariciando a cabeça – mas ele não queria que isso acontecesse... ele até está se preocupando com a gente!

— Sei... só que acho que foi culpa minha que o André se foi!

— Por que? – Ashley se surpreende com a declaração da morcego.

— É que eu fui má com ele! Briguei com ele só porque ele falou do Raver para você! – diz a Crobat chorando – e é o André que tava certo afinal. Eu fiquei encontrando com ele escondido, fui eu que fiz errado!

Ao ver Rouge inconsolável, tudo que Ashley pôde fazer é abraçá-la e deixa-la chorando até ela se acalmar. Nisso a garota aproveitou para chorar também, colocar para fora toda a tristeza que estava sentindo.

Depois de alguns minutos, elas finalmente terminaram de comer.

Após a refeição, Chuck chamou a garota para uma conversa séria:

— Querida! Eu realmente sinto muito pelo que aconteceu com seu Pokémon. Todos nós temos a parcela de responsabilidade. Eu fui punido pela Liga Pokémon. E você está sofrendo até agora. Vejo que você anda deprimida desde então. O que você pretende agora?

— Eu não sei, sinceramente! – responde Ashley.

— Bom, não sugiro voltar em sua jornada até ter certeza que esteja apta para isso! – aconselhou o líder – eu percebi que você não está bem e que necessita de ajuda. Eu sugiro que vá para Olivine e fale com Jasmine. Ela entende mais dessas coisas do que eu. Sei que ela vai dar orientação certa para isso!

— Acho que é isso que devo fazer nesse momento! – afirma a garota.

— E acho que isso será útil para você! – ele dá um disquete para a treinadora – é o HM Voar. Ensinando esse movimento para um Pokémon voador, você pode chegar rápido em Olivine. Vá pra lá amanhã.

— Obrigada, senhor Chuck! – agradece a garota pegando o HM – e também agradeço à sua esposa pela janta!

Depois da conversa, a garota foi para o Centro Pokémon para descansar. Por algum motivo, se sentiu um pouco mais leve.

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Algumas horas antes, na cidade de Olivine, Jasmine finalmente tinha retornado a aceitar os desafios de ginásio. Mas essa batalha estava sendo dura para ela. Seus Magnemites haviam sido derrotados por um Typhlosion. Seu treinador era um garoto carrancudo de cabelos ruivos. Era o Silvestre.

— Como esperado! Você é fraca! Por isso estava fugindo das batalhas! – ele falava com desdém.

— Você não entende que eu estava realizando os meus deveres – Jasmine não se abala com os insultos dele – sem falar que eu não uso toda minha força para enfrentar os desafiantes. Mas acho que você não vai poder lidar com a Stella! – ela libera sua Steelix.

— Então esse moleque voltou para nos atazanar! – a terrestre reconhece o treinador que despachou há um tempo atrás – pode deixar que eu dou um jeito nele!

Silvestre recolheu o Cinder, que agora estava em sua forma final – vamos ver como esse daí vai se sair! – ele colocar uma Staryu para batalhar.

— Um aquático?! Mas ainda está na primeira forma! Tem certeza disso? – pergunta a líder.

— Isso é pra mostrar o quão você é fraca! Use o Surfar! – comanda o garoto.

Uma enorme onda surge por traz da estrela, que acaba indo em direção à Steelix, que não pôde fazer nada para desviar ou contra-atacar. O volume de água a atingiu e a deixou bastante debilitada.

— Stella não pode mais batalhar! – anuncia o juiz – vitória do desafiante.

Ambos recolhem os Pokémon e Silvestre pega a insígnia meio que com desdém.

— Sua Staryu foi muito bem! – diz a líder, o felicitando – deveria parabeniza-la!

— Ele não fez mais que a sua obrigação! – falou o ruivo virando seu rosto e saindo rapidamente do recinto – se todos os líderes forem fracos como você, nem vale a pena treinar com eles!

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Na manhã do dia seguinte, Ashley estava na praia de Cianwood ensinado a Rouge a usar o Voar. A sua tristeza deu uma aliviada. Mas mesmo assim, sente a necessidade de conversar com alguém sobre isso.

— Agora, como você vai me carregar com isso? – questiona a treinadora.

— Acho que já sei como! – Rouge se coloca na frente da garota pedindo para que ela suba em seu lombo. Ela o fez, colocando suas pernas entre os seus dois pares de asas, e a Crobat começou a subir. A garota via a cidade e o mar do alto e parecia tudo pequeno. Ficou maravilhada com a visão. Se Rochelle estivesse no lugar dela, com certeza iria surtar. Ashley também ficou com um pouco de medo. Aos poucos, Rouge foi aumentando a velocidade, e juntas, seguiram voo para a cidade de Olivine.

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GLOSSÁRIO

Voar — Fly

Notas finais
Pronto gente, esse é o capítulo do chororô! Mas aos poucos a Ashley vai se recuperando juntamente com seus amigos. E o Silvestre vai ficando com o time cada vez mais forte... o próximo confronto dele contra a nossa protagonista promete... Agradeço a leitura e estou no aguardo dos comentários! Até mais! ^^