Cinzas de Prata
27 Capítulo 26 - Momento de Reflexão
Notas iniciais
É bem mais rápido ir voando do que nadando. Demorou vinte minutos para que Ashley e Rogue chegassem de Cianwood à Olivine. Assim que a garota colocou seus pés na praia, ela recolheu a morcega, que precisava de um bom descanso devido à cansativa viagem. Então a garota andou pela cidade, com o destino para o Ginásio, pois queria conversar com Jasmine.
Ela foi passando pelos grandes portões da entrada do ginásio. O seu interior é bem simples comparado aos outros ginásios. Havia um salão com a arena coberta de pedregulhos. Havia grandes colunas de aço em cada canto do salão. O lugar era iluminado por uma fraca luz de led, dando a impressão de estar em uma gruta. No centro da arena, estava Jasmine, que estava polindo sua enorme Steelix.
— Olá Ashley! – cumprimenta a líder, enxugando com a mão a sua testa que estava molhada de suor.
— Olá Jasmine! Er... vejo que está ocupada, não é?
— E está mesmo! – falou a enorme serpente metálica Stella – estamos no meio do meu tratamento de beleza!
— Isso mesmo! Então vamos fazer o seguinte: meio-dia, vá ao Olivine Café que conversaremos melhor, pode ser? – propôs a líder.
— Certo! Obrigada Jasmine! – a treinadora deixou o local para que Jasmine termine seus afazeres tranquilamente.
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Como combinado, às doze horas, a garota chega ao Olivine Café. É um restaurante renomado dessa cidade, com grande variedade de pratos feitos e de fast food. Jasmine também chega na hora:
— Olá Ashely, vamos entrar?
A garota acompanha a líder, as duas sentam em uma mesa e Jasmine pega no cardápio. Um garçom chega para atendê-las:
— Boa Tarde! O que desejam?
— Eu quero o de sempre, uma porção grande de arroz com algas dulse! – Jasmine faz o seu pedido – Ashely, vai querer o quê?
— Eu não sei... – a garota folheia o cardápio, indecisa no que vai comer – isso que você vai comer é bom?
— É uma delícia, e bem nutritivo! Quer experimentar essa?
— Sim!
— Então, vai uma porção média do arroz com dulse! – diz a líder concluindo o pedido – e não se preocupe Ashley, que essa refeição vai ser por minha conta!
— Não precisa Jasmine!
— Que isso! Eu ainda não agradeci o suficiente pelo favor que me fez! Pode comer à vontade hoje!
Enquanto esperam pelos pratos, Ashley finalmente resolve abrir o jogo para Jasmine:
— É que eu preciso de ajuda...
— Pode falar! – a líder está atenta.
— É que na verdade... eu não estou me sentindo muito bem... um dos meus Pokémon morreu durante a luta contra o Chuck. E desde então, não estou com ânimo em continuar com a jornada.
— Céus! Que pena! – disse Jasmine com a mão na boca apreensiva.
— Chuck me disse que você pode me orientar com isso!
— Ah sim! É que atualmente faço parte de um programa para amparar treinadores e Pokémon que possam está passando por problemas psicológicos.
— É mesmo? Você tá dando orientações psicológicas? – pergunta a garota intrigada.
— Não exatamente! Eu estou só estagiando! Não sei se sabe, mas eu estou estudando psicologia. Muitos treinadores e Pokémon estão passando por problemas mentais. Os humanos podem apresentar sinais de depressão por conta de diversos fatores, como derrotas constantes e perda de Pokémon. E ainda tem a ação de criminosos que aumenta ainda mais a insegurança deles.
— É isso mesmo Jasmine! Em minha jornada anterior, eu tinha perdido alguns dos meus companheiros. Mas o acontecimento mais catastrófico foi quando eu perdi todos os Pokémon que estavam comigo por conta do ataque de Mewtwo. Esse fato até ficou meio conhecido pela mídia.
— Sim, eu me lembro desse evento! Então foi você que foi a vítima desse misterioso Pokémon, não é?
— Sim! Foi tão doloroso... e foi só depois de três anos que retomei para a jornada. Porém, tive muitos problemas novamente. Fui capturada pelos Rockets, tem um rapaz meio bandidinho que vez ou outra me causa problemas. E quatro Pokémon já perderam suas vidas por minha causa, contando com o meu Butterfree André que faleceu recentemente, enquanto lutávamos contra o Chuck!
Jasmine ouvia atentamente a história de Ashley. Ela resolveu fazer alguns questionamentos:
— E seus Pokémon, como eles estão?
— O pessoal? – Ashley ficou pensativa – até que tenho um bom relacionamento com eles – mas percebo que Rogue está meio tristinha por causa da morte do André!
— E teve algum episódio adverso com algum de seus Pokémon?
— Teve uma vez que Francisca fugiu meio que revoltada! – a garota se recordava da briga que tivera com a sua então Bayleef – ela estava zangada por conta da morte do meu Rattata Alfred, e também acabei recrutando a Raticate que tinha matado ele.
— Vixe! Acolhendo um Pokémon que assassino de um companheiro seu? É a primeira vez que escuto isso! – disse Jasmine surpresa.
— É que ela tinha me pedido para entrar no time! Não é como se ela tivesse culpa! Os Raticate são meio que territoriais e ela tinha que atacar o invasor. E ela está disposta me compensar pelo que fez.
— Entendo! Eu estou te perguntando essas coisas porque os Pokémon também podem ter problemas psicológicos durante a jornada. Diversos fatores podem aumentar o estresse deles como a perda de um companheiro, derrotas, possíveis maus-tratos de treinadores. A saúde mental do Pokémon é muito importante e só agora que a sociedade está atenta a isso! – explica Jasmine.
— Entendo. Então como faço para fazer esse tratamento? – perguntou Ashley curiosa.
— Se quiser, marco uma consulta com a psicóloga que me orienta! – propõe Jasmine – enquanto isso, sugiro que você tire alguns dias para descansar. E depois da consulta, tente me desafiar para uma batalha. Se você se sentir segura com isso, pode ser que esteja apta a retomar a jornada.
A refeição finalmente chega, as duas se servem. Ashely vai comendo o arroz misturado com uma alga escura. Realmente a refeição estava deliciosa. Jasmine, com uma porção maior que a dela, acaba terminando a refeição primeiro.
“Vixe! Ela come demais! E ainda se mantém magrinha desse jeito! É um desafio às leis da física.” A treinadora repara como a líder come.
— Hum... nada como uma refeição dessas para nos animar! – disse Jasmine sorrindo – garçom, agora eu quero uma porção de batata frita!
— E ainda tem fome para mais! – Ashley se surpreende pelo apetite da líder.
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Passaram-se seis dias. Ashley estava em sua casa em New Bark. Ela estava no jardim realizando um pequeno treinamento com o seu Vulpix Miles. A raposa já é capaz de usar o Lança-chamas, ele consegue criar uma enorme labareda com sua boca.
— Cuidado para não queimar nada e nem ninguém aí do quintal minha filha! – avisava Dalila, que passava por perto.
— Eu cuidei de tudo para que não ocorra um acidente! – respondeu a treinadora.
— Te disseram para descansar, mas está aí treinado o seu Vulpix!
— Só estou gastando as energias dele! Você mesmo me dizia que ele é muito levado! – disse a garota olhando intensamente para a raposa.
— Sou um santo moça! Eu só não fico muito confortável em ficar preso nesse quintal! – disse Miles de uma forma meiga.
— Você é tão fofinho! Nem parece que é uma criatura endiabrada que é! – ironizou Dalila – mas mudando de assunto, sua consulta é amanhã, não é?
— Sim mãe! Eu e meus Pokémon seremos consultados por uma psicóloga em Olivine!
A criadora se sentou na escada da entrada da casa e convidou que sua filha fizesse o mesmo.
— Não importa a decisão que tomar Ashley, eu sempre vou te apoiar no caminho que escolher! – diz Dalila com um sorriso receptivo – eu sei que você ama os Pokémon. Sei que tem tudo para ser uma grande treinadora. Mas se quiser parar, saiba que esta casa sempre estará aberta para você. Eu vou te manter sempre no que puder com o meu trabalho. E quem sabe... você possa aprender o meu ofício também.
— Eu entendo mãe! – Ashley vai escutando-a.
— Agora, se quiser permanecer na sua jornada, você sabe, nada de ficar enfrentando criminosos e pessoas malvadas. E não pede aos seus Pokémon mais do que eles podem fazer. Soube que pode usar o Voar, não é mesmo? Evite usar muito isso para se transportar! Use preferencialmente para lugares que já conhece. Se a Rouge se cansar em pleno Voo, você sabe o que pode acontecer com vocês, não sabe?
— Sim... queda livre!
— E eu não quero que nada de ruim aconteça com você querida! – Dalila abraça sua filha – eu desejo está com minha menina, sempre cuidando dela. Mas sei que os filhos, mais cedo ou mais tarde, sempre deixam o ninho. Mas saiba querida, não importa a escolha que irá fazer, eu sempre vou te apoiar!
— Obrigada mãe! – Ashley aproveita o abraço dela. Da sua progenitora. Da sua primeira amiga. Daquela que sempre irá apoiá-la, não importa o problema.
Com o coração mais leve, Ashley aproveita o resto do dia para ficar à toa no quintal e ver o sol se por. No dia seguinte, é provável que terá que confrontar os seus problemas.
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Na cidade de Olivine, Ashley chegou a um prédio que ficava próximo ao centro Pokémon. Era o Instituto de Saúde Mental de Jotho, conhecido apenas por ISMJ. Havia um grande letreiro azul com essa sigla acima da porta principal. É nesse lugar onde Jasmine está estagiando. A garota entra na recepção e vai ao balcão falar com a recepcionista do lugar.
— Senhorita Ashley, não é? – pergunta a secretária – logo você vai ser chamada para a consulta!
A garota se senta em uma das cadeiras. Ela observa que há outros treinadores aguardando no lugar. Estavam inquietos e apreensivos. Observando isso, ela começa a ficar meio ansiosa também. Que tipo de consulta poderia ser?
Não demorou muito para que a garota fosse chamada. A recepcionista acompanhou Ashley. Andaram pelo corredor até uma porta. Passando por ela, a garota ficou surpresa: estavam em uma redoma de vidro e havia uma exuberante vegetação onde havia vários Pokémon andando pelo ambiente. Também haviam vários cuidadores com jaleco branco que estavam tomando conta dos Pokémon. Ashley reconheceu um deles, era a Jasmine.
— Olá Ashley, que bom que você veio! – acenou a líder, que estava fazendo o seu estágio.
— Então você fica tomando conta desses Pokémon? – pergunta Ashley.
Uma mulher de pele alva e cabelos ruivos se aproxima delas. Ela usa óculos e seus cabelos estavam em tranças que tinha as pontas presas ao começo das mesmas. Estava usando um comprido jaleco branco por cima de um vestido rosa bebê.
— Ashley, essa é uma das psicólogas encarregadas desse centro! – Jasmine apresenta a mulher para a treinadora – A Doutora Joyce!
— Bom dia! Então você é a Ashley, não é? – a doutora tinha uma voz bem doce e tranquila – Jasmine me falou de você! Prazer em te conhecer!
— Igualmente! – cumprimentou a garota.
— Então eu peço que você solte os seus Pokémon, que eu e os estagiários vamos analisa-los! – pede a psicóloga – enquanto isso você vai ao consultório e fale com a minha irmã Jenice, que é uma médica psiquiatra!
Ashley libera seus Pokémon de suas pokebolas. Saíram Francisca, Rochelle, Rougue, Caninana, Nazaré e Shion.
— Pessoal, a Doutora quer conversar com vocês! – a garota explica enquanto apresenta a psicóloga a eles – por favor, se comportem.
Ashley percebe que Francisca ainda olha feio para a Raticate.
— Então, Ashley, seus Pokémon estarão em boas mãos! – fala a Doutora Joyce – você pode ir ao consultório falar com a minha irmã!
A garota se dirige ao consultório que se situa no fim da redoma. Ela entrou e foi recebida por uma mulher idêntica à Joyce. Ficou surpresa ao ver que ela só se diferenciava da irmã por causa do vestido que usava, que era da cor azul-marinho.
— Você já deve ter se encontrado com a minha irmã gêmea, não é? – disse a mulher com a voz um pouco mais grave do que a de Joyce – realmente as pessoas ficam intrigadas conosco por causa de sermos tão parecidas fisicamente.
— Então é a senhora que vai me consultar? – pergunta a garota meio nervosa.
— Exatamente! Como pôde perceber, eu cuido dos treinadores, enquanto minha irmã é encarregada com os Pokémon! – explica Dra. Jenice – vejo que está um pouco ansiosa, mas pode relaxar que só vai ser uma conversa tranquila!
— Tudo bem...
— Então, vamos iniciar a consulta! O que está te afligindo?
Logo, Ashley vai contando sua história como treinadora. Ela vai se recordando de diversos momentos importantes de sua antiga e de sua atual jornada. Tem fatos que ela não relatou por, ora não ter se lembrado, ora por não querer compartilhar com a psiquiatra no momento, como o confronto na cidade de Veridian, por exemplo. Mas o trauma de ter sua equipe dizimada na primeira jornada e as perdas que teve durante a segunda, além do fato de ter sido capturada pelos Rockets, foi relatado para a médica.
Depois de meia hora de diálogo, Jenice resolve dar seu parecer:
— Pelo visto, você uma boa relação com seus Pokémon. Realmente você os vê como companheiros! Por isso, é um grande sofrimento quando você presencia uma perda! Bom, o que posso te orientar é que, primeiramente, em hipótese alguma, se envolva com uma organização criminosa ou com alguém com más intensões.
— Isso o pessoal não cansa de me aconselhar! – suspira Ashley.
— E é um conselho que deve ser seguido! – retifica a psiquiatra – segundo, mais cuidado com os seus Pokémon, se eles são seus companheiros, eles devem ser sempre ouvidos e não os forcem em lutas que sejam muito perigosas ou que eles não tenham vontade de lutar.
— Eu sei disso! Mas teve um que quis continuar lutando mesmo sabendo que seria perigoso continuar! – explica a garota.
— Nesse caso, você deve valer de sua autoridade como treinadora! Você devia ter recolhido em sua pokebola. Depois disso, você deve conversar com ele para saber de suas aflições.
— Certo... – respondeu a garota cabisbaixa.
— Pois é, o diálogo é a chave do processo. Os Pokémon sempre têm o instinto de travar batalhas entre si. Esse ímpeto de lutar pode variar entre espécies, e até mesmo entre indivíduos. Então, você deve fazer o possível para conhecer cada um de seus companheiros e saber quais estão realmente aptos para batalhar. E se realmente sente que não pode continuar com a jornada, você pode encerra-la e partir para outras atividades. Existem os concursos, por exemplo, que é um método bem mais pacífico de treinadores e Pokémon competirem.
— Entendo doutora – disse a garota – mas eu ainda quero prosseguir com a jornada, tenho alguém com quem quero me encontrar...
— Não sei se esse objetivo é tão importante ao ponto de você não lagar mão de sua jornada. Porém, se não tiver se sentindo bem, recomendo que pare imediatamente! Para o seu bem e de seus Pokémon! Pode ser assim? – propõe Jenice.
— Tudo bem! – disse a garota.
— Ótimo! Também vou te receitar uns remédios! – disse enquanto fazia a bula – você está com início de depressão! Mas se seguir esse tratamento e evitar se estressar, vai ficar tudo bem! Entretanto, se não seguir as orientações, seu quadro pode piorar!
Com os avisos da médica, a garota pega a receita e sai do consultório.
— Venha no mês que vêm! Nós vamos acompanhar o seu quadro, ok?
— Ok!
— Então até mais! – despedia a psiquiatra.
— Até mais! – acena Ashley.
Ela vai para a redoma onde seus Pokémon estavam andando tranquilamente acompanhados de Joyce, Jasmine e outros cuidadores. Ela estranha que a psicóloga de vestido rosa estava com o rosto e cabelos úmidos.
— Como foi a consulta com minha irmã? – pergunta Joyce.
— Foi tudo bem! – responde a garota – você consultou meus Pokémon?
— Sim! Devo dizer que, no geral, eles estavam bem! Pelo menos percebo que eles não têm qualquer adversidade com você!
Jasmine resolve cochichar no ouvido de Ashley:
— Ei Ashley! A Doutora Joyce pode detectar se um Pokémon pode ter sofrido maus-tratos do seu treinador!
— Mas vejo que a Meganium tem animosidade com a Raticate! Foi relatado que foi a Raticate que tinha matado um de seus companheiros, não é? – disse Joyce enquanto consultava as anotações.
— Exatamente! – confirma Ashley.
— Devo dizer, foi nobre se sua parte acolher um Pokémon selvagem mesmo que ele tenha matado um dos seus. Porém isso deve ser bem acordado com os seus outros companheiros. Não é fácil aceitar alguém que tenha tirado a vida de um dos seus, não é?
— Entendo...
— E a Crobat está um pouco triste por conta da perda de seu companheiro! Tente fazer o possível para confortá-la. Converse para saber o que é melhor para ela!
— Certo doutora! – Ashley escutava as orientações da psicóloga.
Joyce vai relatando suas análises dos Pokémon para Ashley, que escutava tudo atentamente.
— Então, concluindo nossa consulta, não encontrei mais nenhum problema com seu Pokémon além daqueles que relatei. Mas teve um deles que me surpreendeu... a Gyarados Caninana. Sua espécie sempre foi conhecida por sua agressividade, mas a sua tem uma personalidade brincalhona e amigável! Isso mostra que você é capaz de estimular bons comportamentos em seus Pokémon! Porém... – Joyce se mostra meio encabulada — peça para ela não fazer certas coisas sem permissão dos outros... senão vocês podem ter problemas!
Nisso Ashley vê que Caninana está próxima da Jasmine. E a Gyarados dá uma lambida no rosto da líder de ginásio, arrancando risos da mesma.
— Caninana! – a treinadora repreende a Pokémon aquática – que coisa feia!
— Qualé? – disse a Gyarados debochada – não sabe que gosto de mulher bonita?
— Mas não pode ficar lambendo os outros sem permissão! Foi você que lambeu a doutora, não é? – disse a garota constrangida e abaixa a cabeça para se desculpar – perdoe-me pela atitude da Caninana!
— Tudo bem! Então, minha irmã disse que é para vir no mês que vem, não é? Estaremos lhe aguardando!
— Certo, Doutora Joyce! E obrigada por tudo!
Então, Ashley recolhe os Pokémon e se retira do Instituto. Ela é seguida por Jasmine que vem logo atrás.
— E aí, gostou da consulta? – perguntou a líder.
— Até que foi bom! Se bem que em alguns momentos, eu senti que elas estavam esfregando certas verdades constrangedoras em minha cara! – disse a garota meio constrangida.
— Bem, esse é o trabalho delas! – disse Jasmine – mas é bem mais importante do que pensa! E elas são especialistas em detectar e tratar os Pokémon que sofreram maus-tratos. E não são poucos, viu?
— Mas é bom saber que esse lugar deve ser um porto seguro para eles! – fala Ashley – acho que os Pokémon de Silvestre vão precisar de dar uma passadinha nesse lugar.
— Ei, você está falando de um rapaz meio baixinho e ruivo que é meio agressivo? – deduz Jasmine – Stella me relatou que ele andou fazendo escândalo próximo ao ginásio ao ponto de ela ter batido nele (ela não devia ter feito isso) – disse meio constrangida – acabei lutando contra ele, mas percebo que ele é ríspido com os Pokémon.
— Talvez seja ele mesmo! – responde a treinadora.
— Pois pode deixar que vou dar um jeito de encontrá-lo e conduzi-lo para um acompanhamento no ISMJ – fala Jasmine determinada.
— Não sei se ele vai aceitar isso...
— Pois agora, o que pretende fazer?
— Acho que vou fazer como me falou! Primeiro vou te desafiar! Dependendo do resultado, vou ver o que vou fazer de minha vida!
— Certo! Então venha ao meu ginásio amanhã as oito horas que aceitarei seu desafio! – confirma Jasmine – pense bem no que vai fazer!
— Pode deixar! Então até amanhã! – a garota se despede da líder e vai para o Centro Pokémon.
— Tchau! Até amanhã! – Jasmine também se despede.
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À noite, deitada em seu colchão, Ashley não conseguia dormir. Ela pensava se realmente valia a pena em continuar a jornada. Francisca estava deitada ao lado dela e aparentemente ainda estava acordada.
— Ei Francisca! – chamou a garota sussurrando.
— Oi Ashley! – responde a Meganium bocejando.
— Ei Francisca, quero que me responda uma coisa, que você acha de pararmos com essa jornada?
— Bem, eu não queria parar... – disse Francisca meio ressabiada – mas também não quero que você continue sem querer! Talvez umas férias de vez enquanto não seja tão ruim.
— Você tem razão! Hehe! – disse Ashley dando um leve riso – na verdade, nem me interessa o título de campeã ou essas coisas. A única coisa que quero é reunir essas insígnias! – Ashley pega seu case e analisa as cinco insígnias que obteve até agora – preciso de dezesseis! É com essa quantidade é que posso chegar à Montanha de Prata.
— E ver esse tal de Red, não é?
— Sim, só quero saber por que ele me salvou e depois sumiu sem deixar vestígios. Será que Mewtwo o prejudicou tanto assim. Ele está escondendo algo. Essas coisas ficam constantemente atormentando minha mente!
— Então você tem um objetivo, não é?
— Mais ou menos isso!
— Nós também temos objetivos! Quero ser uma Pokémon forte e andar pelo mundo! E talvez... ter um companheiro legal!
— Ei... será que o Shion não pode ser esse companheiro? – pergunta Ashley de modo confidente – você parece gostar dele.
— Er... o Shion? – Francisca fica vermelha – que isso? Por que disso? Sei lá! Ele parece ser tão inocente!
— É só um palpite! – pela reação da Meganium, Ashley percebe que realmente há algum interesse dela com o elétrico.
— Sim, mas os outros têm objetivos também... – diz Francisca se recompondo – Rochelle quer encontrar o seu namorado. Ou ex, né? Nunca se sabe! E Caninana quer ser uma poderosa Gyarados. Acho que com isso, todos podemos trabalhar juntos para atingir os nossos objetivos!
— Certo Francisca! – disse a garota amigável – creio que será bom estarmos todos juntos para realizar nossas metas! A única coisa que eu quero é que isso não arrisque a vida de mais ninguém.
Ela vai acariciando delicadamente a cabeça da Meganium, que vai cochilando com o toque da garota. Logo, ambas pegam no sono e dormem tranquilamente.
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GLOSSÁRIO
Lança-Chamas — Flamethrower
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