Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
47 Capítulo 47: Cinzas da Guerra - Parte 2
Notas iniciais
Capítulo 47: Cinzas da Guerra – Parte 2
— Konohamaru: Acordem! – Bradou já do lado das garotas. Tinha o corpo trêmulo e seus olhos vagavam temerosos e trêmulos para a direção do corpo que havia sido desconstruído. – É o chakra do Naruto-nii-chan. Posso sentir com o Modo Sennin. – Respirou fundo e fechou os olhos. – Posso dizer duas coisas: Esta é a técnica Limbo que o Shikamaru nos falou. – Abriu os olhos e focou seriamente para as duas garotas. Ambas lhe olhavam com os olhos cheios de lágrimas, mas sérias. – E a outra é que estamos ferrados!
Konohamaru sentiu o ataque vir em sua direção. Empurrou, com força extrema, Ino e Tenten para os lados opostos. Ino voou e se arrastou de lado por cerca de dez metros, até parar e, gemendo de dores, levantar com dificuldade. Com Tenten foi da mesma forma, mas a garota de cabelos chocolate bateu em uma árvore e torceu o ombro. O ninja de Konoha desviou do golpe que viria no tórax, se abaixando. Passou a cabeça por baixo do braço do Limbo e curvou-se para a frente, trazendo o joelho e acertando a barriga da sombra de Naruto.
O Limbo curvou-se perante o golpe. Konohamaru vibrou em seu interno, notando que apenas havia conseguido acertar o Limbo pelo fato de seu corpo estar recheado de chakra na natureza. Era o único ponto fraco, afinal, diante dos poderes do Rikudou Sennin.
— Ino, Tenten! – Gritou Konohamaru – Sigam adiante. Concluam o plano! – O Limbo voltou a atacar Konohamaru, enquanto as garotas seguiam sem olhar para trás. Porém, antes que pudessem sentir, notaram a presença de outro Limbo. E era tarde demais.
— Ino! – Tenten gritou esganiçado, vendo a amiga ser cortada na altura das coxas, não podendo mais manter-se de pé. – Não!— O grito ecoou pela floresta. O Limbo se abaixou diante de Ino, que olhava com os olhos esbugalhados e lacrimejados. As duas garotas não podiam vê-lo, mas a situação em que a garota loira estava deixava clara a situação de extremo perigo.
O corte começou devagar no pescoço da garota, mas parou de um instante para o outro, antes de representar algum perigo. Ino, que havia fechado os olhos, os abriu hesitante. Tenten olhava trêmula e atordoada, enquanto Konohamaru caiu de costas para o chão, ofegante e com uma sensação quase prazerosa de tão aliviada.
— Acabou. – Falou Konohamaru com a voz embargada e quase chorando. – Os Limbos sumiram! – Falou enquanto se levantava. As garotas olharam para ele e sorriram, festejando internamente como se aquilo fosse uma nova vida.
— Certo, certo! – Ino começou a tratar seus cortes nas pernas, para depois cuidar do ombro de Tenten – Vou terminar aqui e continuaremos a missão. De agora em diante tudo será bem mais fácil.
Alguns minutos se passaram enquanto os três se recuperavam do baque físico e emocional. Não trocaram palavras, pois caso demonstrassem seus pensamentos, cairiam perante a dor da perda dos amigos. Mas eram shinobis, afinal. Sim, haviam perdido grandes amigos de infância. Mas a missão ainda estava de pé. Quem seriam eles se caíssem perante suas dores enquanto a população do mundo shinobi sofria dores iguais ou piores diante das circunstâncias ali prostradas pelo Imperador?
Ino, a líder da missão, agora que Shino não mais respondia, tentou se comunicar com a base de inteligência localizada em Kumo. Como não houve sucesso, não soube o que imaginar do resultado das batalhas por lá. Bem, se o Limbo de Naruto havia sumido, então haviam, no mínimo, selado os poderes dele. Mas isso não explicava a falta de comunicação. Situação por situação, o provável era que a Aliança tivesse vencido. Deveria ter acontecido algum imprevisto com a central.
— Pois bem, continuemos a missão. – Ino comunicou. Os três arrumaram suas vestes e puseram novamente as capas negras que usavam quando chegaram na vila. Voltaram para a direção do prédio Kage de Kiri.
Como esperado, não havia sequer um habitante nas ruas. Isso era compreensível, levando em consideração o nível da batalha que houve longe, mas que claramente havia ressonado por ali. Os tremores, sons de impacto, provavelmente tinham chegado até ali e assustado os habitantes. Mas aquilo não era o foco da missão estabelecida para a equipe.
Os três ninjas seguiram, em alta velocidade, para o escritório onde Hanabi deveria estar com as crianças e Mabui. Não foi difícil chegar até lá, visto que o prédio era bem ao centro e bem chamativo. Fora que não havia segurança alguma. Pularam com brusquidão a grande janela de vidro que daria no escritório do Imperador. Podia-se saber qual seria esta apenas pelo fato de possuir quase toda a parede.
— Ino – Chamou Konohamaru e a loira entendeu o recado. Fechou os olhos e levou os dois dedos indicadores às têmporas. Se concentrou por alguns segundos e logo escaneou todo o prédio em busca de atividades cerebrais. Uma habilidade sensorial treinada nos últimos anos pela ninja.
— Seis presenças no térreo e uma no subterrâneo. A última parece que... – Ino franziu o cenho e pareceu sentir um gosto amargo. – Parece uma mistura de ser humano com algum outro bicho... As sinapses não estão agindo corretamente. Nunca vi algo assim...
— Não tem problema. Vamos encontrar os seis e sumir daqui logo! – Tenten falou agoniada. – Não sabemos se estamos seguros, apesar de tudo.
Os três correram rapidamente, com Ino indicando por onde deveriam ir para encontrar os seis. Chegaram em frente a uma porta simples e Konohamaru entrou no Modo Sennin. Mas não atacou. Era apenas para se precaver caso o plano original não desse certo. Olhou para o lado e afirmou para Ino com um menear de cabeça. Aquele sinal indicava a confirmação das presenças lá dentro. O ninja havia sentido a presença Hyuuga logo acima da porta, escorada ao teto. Era uma armadilha. A outra presença adulta, de Mabui, estava logo à direta da porta, e também iria atacar ao mínimo movimento da porta, constatou o ninja, pela movimentação de chakra no corpo. As quatro presenças, das crianças, estavam mais ao fundo, numa espécie de alçapão.
— Escute, Hanabi e Mabui. – Ino falou apenas na mente delas. As duas garotas se olharam e rangeram os dentes. – Não estamos aqui para entrar em confronto. Já perdemos muito com isso. Estamos aqui para seguir as ordens do Hokage-sama, de Shikamaru e de Jiraya-sama. As ordens são: Invadir Kirigakure no Sato e levar Hyuuga Hanabi, Shiina Mabui, Uzumaki Yumi, Uzumaki Yui, Uzumaki Ushio e Uzumaki Nike em segurança para a ilha que Naruto criou, mais ao Sul do País da Água. – A Yamanaka parou de falar e adentrou nas mentes das garotas que estavam dentro do quarto. Sorriu com o que percebeu.
Hanabi olhou para Mabui e esta tinha os olhos arregalados.
— Prove! – Hanabi falou. A garota, no fundo, já imaginava o que havia acontecido. Havia visto, com o Byakugan, a luta contra Meishu e também o pequeno confronto contra os Limbos de Naruto. Ela sabia, também, que o rapaz jamais teria desfeito seu jutsu de defesa de propósito. Ele era capaz de dar a vida pela segurança dos filhos. Naruto havia perdido a batalha, isso ela já sabia. Mas não havia sofrido tanto na sua vida para fraquejar naquele momento. Ela deveria ser forte pelos pequenos que estavam escondidos ali. E ela sabia, ainda mais, que não conseguiria vencer o combate com um usuário de Modo Sennin. Estava em um beco sem saída.
— A guerra já está perdida para o Imperador, e você sabe. Se quiséssemos fazer mal a algum de vocês, nós já teríamos feito. Não seríamos capazes de fazer mal a crianças, Hanabi, você nos conhece, afinal. – Ino falou firme. Olhou para Konohamaru e o mesmo assentiu.
— Prove! – Repetiu. – Acha mesmo que eu iria confiar nossas vidas a – A voz falhou assim que sentiu a kunai em sua garganta, com um braço que atravessava a parede por trás de si.
— Está aqui a sua prova! – A voz masculina disse. – Se eu quisesse, você já estaria morta. – Completou.
Hanabi engoliu a seco e, com a folga que teve da kunai em seu pescoço, pulou ao chão. Ino, Tenten e Konohamaru entraram no local logo depois, mas ainda com poses defensivas.
— É verdade? – Mabui falou desta vez. Estava trêmula. – Naruto perdeu a batalha?
— Não sabemos ainda. – Tenten suspirou. – Perdemos a comunicação com a central. Estamos no mesmo barco, uma vez que Naruto desativou seu jutsu de defesa e nós não conseguimos nos comunicar com nossos aliados. Mas, de toda forma, temos ordens de leva-los a salvo para a ilha. Se por acaso a Aliança tiver ganhado, vocês estarão seguros por lá, uma vez que os filhos de Naruto serão caçados por quem desejar vingança. Caso ele tiver ganhado, vocês não perdem nada. – Continuou a chocolate.
Mabui sentou em uma das cadeiras e começou um choro silencioso. A possibilidade de Naruto ter perdido a guerra e ela nunca mais poder ver o filho a deixava a ponto da loucura.
Já Hanabi, por mais que tivesse os mesmos pensamentos que a mulher de cabelos brancos, pensava mais na segurança do que tinha em mãos: as crianças. Ela sabia muito bem o peso que tinha nas costas naquele momento. Mesmo que Naruto, Mei, Tsunade, Hinata e Madoka estivessem – havia a possibilidade disso – mortos, ela deveria cuidar daquelas pequenas miniaturas dele. Respirou fundo e olhou nos olhos de Ino, como se pudesse arrancar de lá as mais profundas intenções da loira.
— Não temos opções. – Falou a Hyuuga, mas logo arregalou os olhos e ofegou. – Como vocês sabem da ilha que Naruto construiu? – Levantou a kunai em modo de ataque.
— Acalme-se! Já falei que estamos aqui para ajudar. Em breve nos reuniremos com Jiraya-sama e com o Hokage-sama. Iremos explicar tudo. Isso caso nós tenhamos vencido a guerra. Se Naruto tiver ganho, ele mesmo explicará. – Tenten falou com tranquilidade.
Nisso um estrondo foi ouvido ao fundo da sala. De lá saíram Yumi, Yui e Ushio, com o Mangekyou ativado e cada um com um Rasengan.
— Oba-san (Oba-san = Tia, diferente de Obaa-san = Avó), vamos protege-la! – Gritou Yumi, com os cabelos loiros levitando devido ao jutsu que segurava.
Hanabi engoliu a seco e Konohamaru engasgou com a própria saliva ao ver aquelas pequenas crianças com tremendos poderes.
— Parem! – Hanabi falou firme. As crianças pararam a corrida e olharam com revolta.
— Não deixaremos que machuquem a Oba-san! – Desta vez foi Nike, mas ao invés do Mangekyou, a garota sustentava o Byakugan no Fan. Podia-se perceber a evolução do doujutsu pelas veias grossas escondidas por baixo da blusa da menina. Pareciam ir até a altura dos seios ainda não evoluídos. Aquilo assustou aos três ninjas de Konoha.
— Parem! – Hanabi repetiu. – Eles não estão aqui para nos fazer mal. – Os pequeninos olhavam para Hanabi e viram o olhar sério, assim como a postura mais relaxada da garota. Desfizeram o Rasengan e os doujutsus.
— Oh, que coisa fofa! – Ino correu em direção à Ushio e abraçou o pequeno garoto, espremendo-o entre os seios. O menino, vermelho, abraçou-a de volta, esfregando o rosto nos seios da garota. – É igualzinho o Naruto quando éramos crianças. Que fofo! – Os outros olhavam o pequeno tirando casquinhas de Ino na cara de pau.
— Onii-chan! – Nike agarrou os cabelos loiros do garoto e puxou-o. O garoto caiu no chão com um sorriso bobo e um filete de sangue saindo do nariz. Hanabi bateu a mão na testa, envergonhada pelo comportamento do menino.
— Desculpem por isso. – Murmurou, olhando furiosamente para o menino.
— Devemos ir logo. – Konohamaru interviu, lembrando a todos dos problemas que poderiam vir ater. – Nos meus cálculos nós demoraremos mais ou menos cincos horas para chegar. Devemos carregar as crianças para não perder tempo.
— Eu quero ir com a loira gostosa! – Ushio falou com a mão levantada para cima, recebendo um cascudo da pequena Nike. A mais nova morria de ciúmes do garotinho.
Ino sorriu para o menino e o colocou nas costas. O garoto cruzou os braços pelo pescoço dela e pousou as mãos levemente sobre os seios, mas sem apalpá-los de verdade. A bela mão boba, pensou o menino. Tenten pegou Nike, enquanto Konohamaru pegava Yumi e Hanabi pegava Yui.
A Hyuuga não tinha saída. Devia confiar nos ninjas de Konoha.
Ao saírem pela porta, deram de cara com a presença que Ino havia notado quando chegaram.
Um homem alto, cuja magreza deixava exposto todos os ossos do corpo, estava de pé diante deles. O homem possuía os cabelos negros na altura do pescoço, os olhos perolados fundos e opacos, vibrantes de loucura. Estava vestido apenas em algo parecido com uma saia de saco de fibra. E fedia como um cadáver.
— Ha-Hanabi... – Ele murmurou com a voz grossa, exibindo os dentes podres e sujos.
Naruto havia prendido Hiashi em uma barreira de chakra no andar inferior. De tempos em tempos soltava algumas dezenas de ratos e colocava alguns baldes de água para ele. E ali ele se virava para se manter vivo. Era uma situação precária e humilhante para ele, e Hanabi por muito tempo não soube que isso acontecia. E quando soube, passou a não se importar. Naruto a havia levado ali, juntamente com o pequeno Ushio, por própria exigência da garota, que implorava para saber como seu pai estava indo. Naqueles tempos Naruto ainda cuidava dignamente de Hiashi, dando-lhe bons alimentos e uma boa assistência. Porém a visão da filha mais nova mudou drasticamente quando ele avançou em cima de seu pequeno filho, num ataque de fúria, para dar fim ao que chamou de “pequeno demônio”.
Naquele dia, logo após o susto, Naruto conversou com Hanabi e explicou, mais uma vez, que Hiashi nunca foi o homem que ela pensou que fosse. E ela entendeu aquilo. Hiashi nunca havia sido um pai para ela. Ele servia apenas como modelo a ser seguido para ser forte e respeitada. Foi fácil para ela escolher entre o pai ou o pequeno e inocente filho.
— Desculpe, Naruto, terei que dar um fim em sua vingança. – A garota fechou os olhos e suspirou. – Adeus, Hiashi. – Acertou um golpe no meio do peito do homem, fazendo-o cair num baque surdo diante de todos. Ino, Tenten, Konohamaru e Mabui ficaram surpresos ao vê-la matar o pai com tamanha frieza. Mas não se pronunciaram. Já as crianças nem se importaram, tendo em vista que nem mesmo conheciam o homem
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— Como assim? – A respiração ficou forte, mal conseguindo puxar o ar. Os lábios começaram a tremer novamente. – Como assim? – Desta vez foi mais alto, desesperado. – Você não iria ressuscitar ele, e assim ele salvar você, Madoka-chan, Shizune e Karin pelo Rinne Tensei? – Hinata segurava fortemente os ombros de Tsunade, como se o que a loira tivesse acabado de falar fosse a coisa mais ridícula do mundo. – Você vai fazer isso, não é? – Tsunade começou a chorar, tendo sua barreira de força rompida pelo olhar devastado de Hinata. – Não é? – Perguntou novamente, já imaginando a resposta. Levou uma mão à boca e caiu novamente ao chão, sem forças.
— Eu sinto muito, Hina-chan. O jutsu é repelido toda vez que tento executar. – Respirou fundo. – Não há como trazê-lo de volta à vida.
Hinata já não tinha mais forças. Ajoelhou-se ao chão e chorou. Tsunade fungava, ainda tentando controlar sua dor. Mas estava difícil.
— Espera! Quer dizer que ele está morto... Definitivamente? – Perguntou Shikamaru. Agora até mesmo ele perdia a lucidez. – E um Edo Tensei? Não é possível?
Fazer um Edo Tensei em Naruto ou Madoka poderia resolver. O Edo Tensei invocado poderia ressuscitar o outro e esse outro, já vivo, poderia ressuscitar os outros. Poderia vir a ser uma solução.
— O Jutsu de Reencarnação da Alma e o Edo Tensei tem a mesma base. Não vai resolver – Tsunade falou, enquanto apertava uma das mãos no peito. Lembrou-se de Dan naquele momento. O desespero que sentiu quando falhou em salvá-lo não era nada comparado com a inutilidade que sentia agora.
— Edo Tensei no Jutsu. – Jiraya falou logo após de executar os selos. Assim como aconteceu quando Tsunade tentou reviver Naruto, o jutsu foi repelido com uma descarga elétrica. – Que diabos! – Falou numa mistura de fúria e desespero. – Como funciona esse maldito jutsu? – Perguntou para Tsunade.
— Assim como o Jutsu de Reencarnação da Alma, o Edo Tensei liga o chakra do usuário com um fio de vida que o DNA do falecido ainda possui com a alma. Karin citou, quando salvou Hinata, que era como se alguém puxasse esse fio do outro lado. Eu não entendo direito, mas é como se tivesse uma outra alma puxando a alma que tentamos trazer. Ao menos é isso que parece. O problema é que ao tentar reencarnar a alma ou invoca-la por Edo Tensei, não conseguimos mais achar a ligação do corpo com a alma. É como se a alma dele também tivesse morrido. – Ela falou com a voz embargada, mas concentrada.
Shikamaru pensou por um instante.
— Pode tentar com a Uchiha também? – Perguntou o Nara.
Jiraya se aproximou de Tsunade e olhou nos olhos cor de mel da garota. A dor, tristeza, repúdio e nojo ainda estavam lá. E ele sabia muito bem que os dois últimos eram direcionados a ele. Ela lhe entregou o pergaminho e ele invocou o corpo de Madoka.
Com uma enorme cautela, juntou o corpo e a cabeça da garota, sentindo um aperto no peito. Querendo ou não, aquele pequeno ser havia feito muito mais por Naruto do que ele mesmo.
— Edo Tensei no Jutsu. – Tentou a técnica na garota. O resultado foi o mesmo que em Naruto. – Se a análise de Karin for verdadeira e alguém estava tentando separar a alma do corpo de Hinata, conseguiram fazer isso com Naruto e Madoka. – O Sannin falou triste. Antes que ele pudesse se afundar em pensamentos profundos que lhe machucariam no mais interior de seu coração, resolveu prosseguir com o planejado. – Meu plano era conseguir drenar o poder de Naruto e conseguir prendê-lo de alguma forma, para depois leva-lo para ilha que ele construiu no País da Água. – Tsunade o olhou, surpresa que ele soubesse daquilo. – O plano falou miseravelmente, mas ainda precisamos fugir para lá. – Ele selou novamente o corpo de Madoka. Aproximou-se do corpo de Naruto e quando iria tocar no rapaz, uma mão suave bateu levemente em seu ombro.
— Eu irei leva-lo. – Hinata murmurou. Jiraya apenas e levantou e começou a andar na direção que tomariam. Abaixou-se perto de Mei e olhou para o rosto da filha, que estava completamente irreconhecível. Haviam manchas roxas, estava inchado e descia sangue de um corte sobre o cílio esquerdo e do canto da boca. O Sannin virou o pescoço e olhou para Tsunade.
— Não irei curá-la. – Ela falou friamente. Jiraya sentiu a mão fraca de Mei apertar sua camisa, pedindo para que ele ficasse quieto. – Agradeça por ela estar grávida, pois do contrário estaria morta. – Sentenciou a loira. Jiraya olhou para a filha e pediu desculpas apenas com sua expressão tristonha. Tomou-a nos braços e começou a correr na direção do País da Água. Logo atrás dele veio Shikamaru, carregando Kakashi desmaiado.
Tsunade se aproximou de Minato e o garoto deu um passo para trás. A mulher sentiu pena daquela pequena criança. Percebia-se, ao olhar nos trêmulos orbes azuis, o medo, a tristeza, e um mundo inteiro de confusão. Aquele menino havia sido arrancado dos braços da mãe e torturado em treinamentos intensos. De um dia para o outro virara o pilar de uma guerra e viu o próprio pai morrer diante de si mesmo. Apesar da criança não o ter conhecido antes, sabia mais ou menos como ele era pelas histórias que sua mãe lhe contava. Ao vê-lo, obtendo uma imagem que poderia julgar sua ao crescer, o garoto deflorou seu amor pela imagem paterna. Tsunade, naquele momento, sentiu uma ira gigantesca por Mei e Jiraya.
— Acalme-se! – Falou Tsunade em tom doce. – Não iremos lhe fazer mal. Vamos leva-lo em segurança para onde o seu pai está, tudo bem? – Aproximou-se o suficiente para tocar o ombro do menino e agachou-se diante dele. O olhar dele ainda era receoso e começava a marejar. – Você tem três irmãs e um irmão, sabia? – Viu o olhar do garoto tomar foco nos seus e sentiu-se melhor com isso. – Venha comigo e lhes apresentarei a eles, certo? Sua mãe também está lá. – Pronto! O garoto ofegou e olhou decidido para Tsunade. A mulher colocou-o nas costas e olhou para onde Hinata estava. A cena lhe partiu o coração.
Hinata chorava silenciosamente. Tsunade pôde ver as lágrimas descendo pela bochecha suja do sangue de Naruto. A jovem Uzumaki tremia, procurando forças para colocar o homem de mais de cem quilos em cima de seu pequeno corpo. A cabeça de Naruto pendia sobre o ombro da mulher, e o peito dele deixava o sangue descer pelas costas dela, molhando a malha ninja e escorrendo pelas pernas tremulas. Mas ela não desistiu. Começou a correr com o homem nas costas e passou por ela, que não conseguiu fazer mais que olhar aquilo.
A viagem pelo mar durou quatro horas até chegarem no local que Naruto havia construído no meio das águas. Ele imaginava que um dia seus confrontos poderiam oferecer perigo à sua família, e simplesmente parou no meio do mar e criou uma ilha usando Doton. Espalhou uma floresta com Mokuton, água doce com Suiton e levou inúmeras raças de animais tanto de criação como selvagens para o local. Era um “mundo” somente seu ali. E por volta de todo o lugar, uma poderosa barreira que a tornava invisível. Apenas suas esposas e ele conheciam a combinação de selos e o lugar de entrada.
Tsunade colocou o pequeno Minato nas costas e executou os selos, tocando levemente sobre a água do mar. A cortina de chakra azulado se quebrou como vidro e eles puderam admirar a bela e gigantesca ilha criada pelo Nidaime Rikudou. Correram para o centro e logo chegaram na grande casa construída. Ela possuía os moldes de uma casa de veraneio, tendo dois andares e totalmente feita de Madeira. Tudo estava escuro, tendo em vista que chegaram em torno de dez horas da noite.
A viagem fora a mais desgastante da vida de todos ali presentes. Kakashi havia acordado com uma hora de corrida e vinha correndo mais atrás de todos. Hinata ofegava, ainda com Naruto em suas costas, mas não havia dito uma palavra sequer. Chegaram na fachada do lugar e a porta se abriu com força, aparecendo Hanabi e Mabui totalmente atordoadas pela interrupção do sono.
— Oh, por Kami! Eu estava tão preocupada! – A garota Hyuuga falou, já começando a chorar. Viu logo de cara Tsunade, que trazia o pequeno Minato dormindo. Mabui logo tomou a frente e pegou o filho dos braços, chorando de alívio ao tê-lo para si. Tsunade olhou a cena e não pôde deixar de sentir felicidade ao ver uma mãe segurar o filho nos braços depois de toda aquela situação.
Logo após apareceram Tenten, Konohamaru e Ino, indo conversar com Kakashi e Shikamaru, mais afastados. Jiraya pôs Mei ao chão e a mulher ficou sentada, totalmente perdida em seus pensamentos. Nem mesmo ousou levantar os olhos para ver ninguém durante toda a viagem. Sentia-se um pedaço de lixo por ter participado daquele plano. O resultado era o corpo do seu marido ali, nas costas de uma de suas esposas.
— Onde está Naruto? – Perguntou Mabui. Hanabi agora prestou mais atenção e também não viu o rapaz. Não puderem nem mesmo sentir a presença dele. Ao escutarem a pergunta da mulher, Tsunade trincou os dentes e olhou para Hinata, que havia parado mais afastada um pouco. Jiraya caminhou para onde a equipe de Konoha estava, deixando Mei caída ao chão.
Hinata saiu da sombra onde havia sentado com Naruto em seu colo. As duas mulheres, Hanabi e Mabui, puderam então ver o corpo flácido do rapaz.
— Não pode ser... – Hanabi choramingou ao notar o que havia acontecido. Mabui também levou um choque. Mas de todas ali, era a que sentiu menos o baque. Primeiramente porque não havia mais o laço de convívio diário com o loiro, mesmo que ainda gostasse dele. E depois porquê a felicidade de ter seu filho em segurança espantava um pouco da tristeza da perda.
— Como podem ver, nós não tivemos um bom resultado. – Tsunade falou com um gosto amargo na boca. Pegou o pergaminho de selamento e invocou os copos de Madoka, Karin e Shizune, deixando Hanabi ainda mais horrorizada e desesperada. – Nós passaremos por um período complicado, Hana-chan.
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— Vocês entendem a situação que estamos? – Shikamaru perguntou logo após expor todos os detalhes do que havia presenciado. Ino, Tenten e, principalmente Konohamaru, choravam pela perda do amigo. Lembravam-se de quando o pirralho loiro gritava para os quatro ventos que seria Hokage. Logo após dos tempos em que o mesmo derrotou Pain, esfregando na cara de todos que havia se tornado o ninja mais forte de Konoha. E então o baque de decepção que sofreram quando ele foi acusado dos mais absurdos crimes, há cerca de sete anos atrás. Uma mentira deslavada criada por Hiashi, e que havia sido levada a sério com a ajuda do Daymio do país do Fogo. Agora os ninjas sabiam que era mentira, mas ficaram em dúvida naquele tempo.
E apesar de tudo que Naruto havia feito, eles assumiam a total culpa por tudo, tendo em vista que tudo foi criado por uma injustiça do o maior herói do mundo shinobi. Naruto era o fruto da corrupção dentro do sistema de Konoha, e jamais haviam deixado de considera-lo como amigo. E por isso doía tanto.
— Teremos que pedir abrigo aqui até a poeira sentar. Não sabemos o que vai acontecer no sistema político da Aliança agora que o resultado da guerra é desconhecido. Provavelmente Sasuke vai assumir o poder que Naruto visava, e com isso acontecendo, todos nós seremos cassados. – O Nara continuou. – Podemos nos oferecer como equipe de segurança em troca de abrigo. Mas prestem atenção agora! – Ele chamou a atenção dos que ainda choravam. Kakashi e Jiraya apenas olhavam para o nada, mas estavam atentos. – Temos que ter em mente que apesar de estarmos buscando uma melhora para Naruto e para o mundo shinobi, somos os culpados, indiretamente, pela morte dele. Somos shinobis e vamos segurar a barra! Mas nada de revolta caso elas nos chutem daqui. Elas têm toda a razão e nós entenderemos caso sejamos rejeitados. Vamos nos explicar, mostrar nossos sentimentos sinceros e torcer para que não sejamos enxotados da ilha.
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Duas horas manhã. A casa no meio da ilha estava totalmente silenciosa, com exceção da respiração ofegante devido ao choro constante. As crianças já estavam dormindo quando chegaram, para a felicidade das mães que teriam que explicar a ausência do pai quando as mesmas perguntassem. Tsunade, Mabui e Hanabi já estavam dormindo. A loira havia chorado no quarto onde as crianças dormiam, velando o sono dos pequenos que lhe faziam lembrar a época em que conheceu Naruto. Hanabi dormiu no sofá, onde havia deitado logo após chegarem. Ela havia se deitado lá devido a fraqueza que sentiu ao absorver as perdas daquela guerra. Chorou e ficou ali até que dormisse. Já Mabui havia ficado com seu filho em um quarto separado. Sentia-se culpada pelo acontecido, pois o motivo de terem saído com tamanha pressa de Kiri foi o fato de seu filho ter sido mantido por lá. Mas de qualquer forma seu coração estava aquecido com o calor do corpo de seu querido filho. As outras não podiam julgar a certa tranquilidade que ela sentia, afinal era do filho de Naruto que estavam falando. Elas não seriam egoístas ao ponto de tratar o garoto como culpado. Ao contrário, fariam de tudo para que o menino se sentisse bem ao lado dos irmãos, uma vez que não poderia sair da ilha selada.
O grupo de Konoha havia montado duas pequenas barracas do lado de fora. Não haviam tido a cara de pau de entrar na casa, e muito menos de pedir um teto para a noite. E seria negado com uma grande veemência caso o tivessem feito. Tsunade e Hinata haviam combinado para conversar melhor pela manhã, para então resolver como fariam para sobreviver a partir dali.
Mas Hinata... Era ela que estava diante da mesa improvisada que sustentava os corpos de seus queridos companheiros e amados, numa sala do primeiro andar, que servia como depósito de madeira para as lareiras. Os corpos de Shizune, Karin, Madoka e Naruto estavam deitados na mesma mesa grande, cobertos com um pano.
Naquele momento apenas o corpo de Naruto era exposto. E era para ele que Hinata olhava, de pé, ao lado da mesa. Os olhos doíam e os nervos estavam duros, mas mesmo assim ela não conseguia sair dali e deixar de olhá-lo.
No fundo de seu coração ainda havia a esperança de que ele levantaria dali e iria sorrir para ela, dizendo que Shinju o havia salvado. Mas tão rápido quanto esse pensamento veio, sumiu com a massacrante realidade, fazendo-a contorcer o rosto em dor.
— Own, Hina-chan! Hoje é meu aniversário e não custa nada me dar ramen no café da manhã. Não seja má! – Ele choramingou ao lado dela, enquanto desciam para a cozinha. Hinata havia levantado às seis horas manhã para preparar tudo para a festa que eles fariam apenas para eles mesmo. Não que não tivesse uma festa em nome do Imperador, pois havia. Mas ali seria apenas para o Naruto.
— Naruto-kun, ontem você usou o mesmo argumento para conseguir comer ramen de manhã, de tarde e de noite. Como foi mesmo? “Ah, Hina-chan, amanhã é meu aniversário e não custa nada me dar ramen no café da manhã”. – Ela disse tentando imitar a voz mais grossa dele, e ambos sorriram.
Ela apertou os pulsos na extremidade da mesa e curvou os joelhos, enquanto a lembrança vinha com força e destruía sua mente e coração. As lágrimas começaram a sair novamente, mesmo que com menos intensidade que antes. Ninguém conseguiria chorar tanto por tanto tempo, afinal. Mas a dor era maior que antes.
— Papai! – Ushio gritou antes de entrar na sala onde Naruto estava com Hinata. A garota havia ido até lá para levar relatórios sobre o funcionamento dos órgãos públicos da vila. E quem sabe conseguir tirar uma casquinha do esposo. – Papai! – Gritou novamente, agora chutando a porta da sala com força, fazendo-a estrondar contra a parede. Naruto deu um pulo de susto e Hinata soltou os papeis no chão.
— O que foi dessa vez? – Perguntou Hinata, com seu jeito dócil.
— Olha só! – Jogou um pequeno garotinho dentro da sala. O menino possuía uns quatro anos e vestia roupas humildes. Possuía cabelos azuis curtos e espetados para cima. Os olhos eram de um vermelho intenso. O menino tremia de medo. Logo atrás veio uma Yumi furiosa.
— Papai, perdoe o baka do meu nii-chan. – A menina olhou furiosa para o irmão e agarrou a gola da camisa do pequeno garoto que havia sido jogado na sala, puxando-o para fora.
— Espera! O que diabos está havendo aqui? – Perguntou confuso.
— Naruto-kun, não xingue na frente das crianças. – A voz doce de Hinata o repreendeu.
— Desculpe! Podem me explicar que espécie de cabaré querem montar aqui?
— Naruto-kun! – Hinata se irritou. – Não use essas expressões na frente deles!
— Se acalme, Hina-chan. Eu ainda não ensinei pro Ushio o que é cabaré, não é, filho? – Piscou para o menino, que avermelhou e gaguejou ao responder negativamente.
— B-bem. – O garoto loiro retomou a postura. – Yumi estava conversando com esse menino aqui. Ela estava toda vermelha e gaguejando. Acredita nisso, pai? – Olhou indignado para o pai, que se levantou da cadeira no mesmo momento.
— Mas o quê? – Olhou furioso para o garotinho, que tremeu de medo diante da presença do Imperador. – Quais as suas intenções com minha filha? Planeja se casar com ela? – Naruto riu, irritado. – Ainda nem conversou comigo e já quer conversar com ela?
— Naruto-kun, não seja tão ciumento. Eles têm apenas quatro anos, como ele poderia pensar em casar com Yumi-chan? – Hinata olhou indignada para o marido, vendo a fúria estampada na cara dele.
— Não confie nele, Hinata, esses jovens de hoje em dia não são os mesmos de antes... – Ele olhou sério para Hinata, como se ensinasse uma lição importante. – Hoje estão aqui, brincando no parquinho, e amanhã estão ali, nos dando netos. Mas não comigo! – Riu novamente, olhando sério para o menino que estava a ponto de se urinar. – Espere até que ela faça dezoito anos e depois venha falar comigo, garoto. Não se aproxime dela, nem de Yui ou Nike! Quando vir uma garota de cabelos loiros, afaste-se imediatamente. E espalhe o recado para todos os garotos da vila. – O menino afirmou e saiu correndo, não sem antes tropeçar nas próprias pernas.
— Viu? Seu imbecil! – A pequena Yumi falou para o irmão e saiu da sala.
— Bom trabalho, Ushio! Depois eu te compro uma revista nova. – Naruto piscou o olho para o filho, que avermelhou novamente. O menino saiu saltitante pela porta e Hinata olhou para Naruto com os olhos cerrados.
— Que revista?
— Ah... Uma revista aí... – Desconversou. Mas Hinata podia notar a palidez e o sorriso fraco de Naruto. – Uma revista aí de... ninjutsu! Qual o problema em comprar revistas de ninjutsu? – Perguntou fingindo indignação.
— Não tem problema em comprar revista de ninjutsu. Isso se ele soubesse ler! – Agarrou a gola da camisa de Naruto e olhou furiosamente nos olhos azuis.
— É revista prática, sabe? Aqueles tutoriais com imagem numeradas com A, B, C... Sinceramente, Hinata, você me decepciona. Que espécie de mãe não compra tutoriais em imagens para os filhos? – Ela soltou o rapaz, olhando abismada para o cinismo. – Vou ter que contratar uma pessoa para ficar ensinado isso para os nossos filhos? – Olhou sério para Hinata. – Parece que sim! Você está muito ocupada, eu também. Eu contrato uma empregada e fico apenas supervisionando o treinamento. Isso seria interessante... Sabe aquela professora de cabelos lilases? Ela seria perfeita... – E ele continuou falando sobre a professora de cabelos lilases como se a habilidade especial dela fosse ensinar e não possuir um belo par de seios e uma bunda enorme. Porém, naquele momento, Hinata não ficou com raiva. Ao contrário, pois aquelas atitudes infantis apenas lembravam que o antigo Naruto ainda estava ali. E ela sorriu para ele, que estranhou.
— O que foi? – Perguntou desconfiado. Havia começado a falar pelos cotovelos para que Hinata esquecesse do assunto das revistas.
— Eu te amo, Naruto-kun. – Ela curvou-se para ele e beijou os lábios do rapaz. Era macio e quente, trazendo uma euforia para seu pequeno coração.
— Eu também te amo, Hime. – Ele a fez sentar-se no colo dele, sem segundas intenções. E ficaram ali um bom tempo, apenas curtindo a sensação de paz e conforto que ambos davam um ao outro.
— Tão diferente de agora... – Ela falou com a voz embargada, enquanto tocava os lábios secos e frios do rapaz. Curvou-se e beijou levemente os lábios do loiro. E aquilo apenas aumentou a dor milhares de vezes. Não havia mais o calor, não era mais macio. E não trazia a euforia e felicidade de sempre. Não era... vivo. – Eu não consigo... – Ela falou olhando para ele, enquanto as lágrimas pingavam no rosto pálido. – Eu não consigo. – Tornou a falar.
Não conseguia imaginar uma vida sem aquele garoto ao seu lado. Passou a vida toda amando aquela pessoa, venerando a forma como ele se comportava diante de seus problemas. O seguiu durante seus treinamentos, observou os momentos em que ele desmaiava devido ao esforço. Cuidou dele em segredo, quando ninguém mais se importava com ele.
E, naquele momento, as lembranças das palavras que havia direcionado a ele na última noite que dormiram juntos.
— Hinata: Eu lutarei por você nesta guerra. – Parou na porta e encostou-se na mesma quando aberta. Olhou novamente para Naruto e sentiu uma imensa vontade de se jogar novamente nos braços dele, mas teria que manter sua decisão. Ele deveria saber o valor dela e agora iria aprender. Sabia que sua decisão seria mudada em pouco tempo, mas teria que ter forças ao menos por enquanto. – Quando voltarmos eu irei pegar Yumi e Yui e me mudarei para a mansão da Mei-chan. – O coração se mastigava e parecia torcer em seu peito, juntamente com seu estômago, pois a vontade de vomitar chegou juntamente com o desgosto das palavras que proferiu e iria proferir. Virou as costas para Naruto e o mesmo pôde apenas ver as costas nuas e os longos cabelos azulados descerem até o bumbum da garota. – Naruto-kun... Eu espero que você aprenda a valorizar o que é realmente importante para você antes que algo venha a tirá-lo de sua posse... – Disse com a voz embargada e retirou-se para outro quarto da mansão. Naruto petrificou. Por que aquelas palavras pareciam uma despedida?
Apenas Kami poderia saber como aquela lembrança ferroava seu coração a cada sílaba que lembrava ter dito a ele. A última frase martelava em sua mente, mostrando a ela o veneno que ela continha, e que agora corria em suas próprias veias.
Sentia como se seu peito fosse se rachar a qualquer momento.
As lembranças continuavam a vir com força, lembrando-a dos momentos românticos e felizes que havia passado com ele. Não poderia simplesmente terminar assim, de uma maneira tão... Injusta.
Sentia a saudade bater na porta do coração, fazendo-o sangrar. E era apenas o primeiro dia.
↨ 5 Anos Depois
— Elemento Poeira: Shuriken Espiral – Gritou e lançou o poderoso jutsu na direção da sua oponente. A mulher correu para a direita e o jutsu passou direto, explodindo brutalmente ao longe e fazendo as ondas baterem forte contra a ilha.
— Elemento Gelo: Petrificação. – A água ao redor congelou, fazendo com que o jovem pulasse e segurasse um Rasengan para baixo, usando-o como turbina para levitar. – Elemento Cristal: Espada Sagrada. – De baixo de onde o jovem estava, surgiu uma enorme espada de cristal que subiu rapidamente na direção dele. Quando o jutsu alcançou o rapaz, o mesmo sumiu em fumaça.
— Acabou, Hinata-sensei. – Minato falou, segurando uma kunai contra a garganta da mulher de cabelos longos. – Ganhei de novo. – Abriu um sorriso alegre. O garoto agora possuía seus doze anos e tinha aparência idêntica à de Naruto na sua idade. O cabelo era cortado do mesmo tamanho de propósito, para que pudessem ter a imagem do menino igual a de antes.
— Parabéns, Minato-kun. – Passou a mão na cabeça do garoto, fazendo-o sorrir ainda mais. – Vamos indo. Temos que nos juntar aos outros e celebrar o aniversário do seu pai. – O sorriso sumiu, dando ao garoto um ar de tristeza.
E assim ambos saíram do meio do mar, onde treinavam, e encaminharam-se de volta para a ilha. Alguns minutos depois de corrida e já estavam chegando na casa.
— Surpresa! – Gritou Yumi ao lançar-se na frente dos dois, fazendo-os parar bruscamente. – Andem logo, estão atrasados!
A menina possuía os longos cabelos loiros jogados como cascatas nas costas, indo até a altura da cintura. Trajava uma yukata azul celeste com estampas de pequenos peixes coloridos. Os olhinhos azuis brilhavam em expectativa. Ela, Yui e Ushio possuíam agora dez anos de idade, contra doze de Minato e nove de Nike.
Minato e Hinata correram rapidamente e se arrumavam para a pequena cerimonia que fariam naquele dia. Minutos depois saíram juntos e se direcionaram para a maior árvore que havia na ilha: uma enorme cerejeira que ostentava todas as folhas naquela época do ano.
De longe puderam observar os cabelos de Yui, divididos em duas marias-chiquinhas. A menina vestia uma yukata de cor alaranjada com estampas de flores coloridas. Ao seu lado estava Nike, com os cabelos curtos na altura do pescoço. Ushio vestia uma calça preta e uma camisa branca com o símbolo do clã Uzumaki, enquanto Minato vinha vestindo um kimono branco. Enfim... Todos os presentes estavam bem vestidos e elegantes ao seu modo.
Debaixo da grande árvore estavam Hinata, Tsunade, Mabui, Mei, junto de seu pequeno filho, Kenichi, que surpreendeu a todos quando nasceu, para variar, uma cópia total de Naruto, Minato, Yumi, Yui, Nike, Ushio, Ino, Tenten, Kakashi, Konohamaru, Shikamaru e Jiraya.
Era dez de outubro, aniversário de Naruto. Estavam em frente ao túmulo do rapaz, que havia sido enterrado ao lado de Madoka. Horando seus sacrifícios, Karin e Shizune também haviam sido enterradas ali. Todo ano, naquela data, se juntavam ali para prestar as homenagens a seus falecidos. Mas era somente naquele momento que deixavam a tristeza lhes invadir, pois logo após o dia era repleto de diversão e diversas comidas.
Havia sido decidido, quanto aos ninjas de Konoha, que ficassem ali com eles, prestando serviços de vigilância e também treinando as crianças. Mas nunca, jamais haviam sido autorizados a entrar na casa que Naruto havia construído. Nunca foram capazes de estabelecer uma boa relação durante todos aqueles anos, mas se falavam normalmente.
Mei apenas conseguiu se estabelecer na casa pelo fato de ter um filho de Naruto. Não podiam simplesmente expulsá-la de lá quando ela possuía um fruto deixado pelo rapaz. Mas trocava poucas palavras com Tsunade e era totalmente ignorada por Hinata. Com o pequeno Kenichi não havia problema algum. O menino brincava com seus irmãos e tinha a atenção dócil de Hinata e Tsunade. Mabui havia ficado pelo mesmo motivo: proteger seu filho.
Havia sido difícil contar para as crianças que seu pai havia morrido. Hinata, Mabui e Tsunade discutiram isso por quase uma semana, argumentando que Naruto havia apenas se ausentado por aquele tempo. Mas no fim acabaram decidindo contar a verdade. E só Kami sabia como haviam sofrido ao verem as pequenas crianças chorando e sofrendo por meses, sentindo a falta do alegre e participativo pai.
Mas haviam superado. Eram filhos de Uzumaki Naruto, afinal.
Haviam herdado o poder absurdo que Naruto possuía. Minato, que era mais velho, era capaz de derrotar Hinata com certa facilidade, apesar de ter apenas doze anos. O plano era que quando o mais novo fizesse seus dezoito anos, buscassem a justiça pelo pai. Não era vingança, claro. Não sujariam o nome do pai como tamanha vergonha. Era apenas justiça para o mundo que Uchiha Sasuke havia criado.
↨
Demorou apenas um ano e meio para Sasuke conseguir todo o poder político do mundo shinobi. Havia feito todos de refém em troca da entrega de poderes dos líderes políticos. Os poucos que resistiram foram esmagados como moscas.
Todos os shinobis possuíam selos em seus corpos, o que deixava o Uchiha livre para rastreá-los e matá-los com facilidade caso abandonassem suas obrigações.
Com a concentração de poder e dinheiro, o mundo passou a possuir uma deficiência gigantesca na distribuição de renda, o que acabava por causar gigantesca pobreza na maior parte do planeta. Pequenas vilas não mais existiam devido a fraca rotação monetária, e até mesmo os centos de cidade eram pobres e imundos. A violência havia aumento em alta velocidade devido à fome e falta de auxílio por parte do governo. Mas o Uchiha não se preocupava nada com isso.
Seu plano ia de vento em popa, afinal.
Sakura já havia lhe dado três filhos: Uchiha Kotaro, Uchiha Miya e Uchiha Junko. Kotaro tinha pouco mais de quatro anos, pois Sakura já estava no segundo mês de gravidez na época da guerra. O garotinho tinha os cabelos lisos que batiam na altura do pescoço. Possuía um traço físico muito parecido com o de Itachi. Miya, a garotinha, tinha três anos e andava sempre brilhando tamanho o cuidado que Sakura e Sasuke tinham com ela. A menininha tinha os cabelos rebeldes, muito parecidos com os de Sasuke, mas estes caíam longos pelas costas. Junko era praticamente uma cópia de Sasuke. Os cabelos iguais e a mesma pose imponente, mas irritava-se com muita facilidade, igual a mãe. Como todo Uchiha, os cabelos eram tão negros quanto os olhos.
Era o recomeço do clã Uchiha, e isso deixava Sasuke deveras orgulhoso.
Quanto as medidas políticas adotadas pelo governante, uma delas era de monopólio e não divisão de comandos. Havia um pequeno líder nas maiores vilas shinobis: Konoha, Kiri, Kumo, Ame, Suna e Iwa. Tais representantes eram totalmente subordinados ao governo central, ditado por Sasuke.
A intensão do Uchiha era de concentrar todo o poder e riqueza apenas na região do país do Fogo, fazendo com que todo o povo migrasse para aquela região e ficasse sob seus olhos. Seria mais fácil monitorar e comandar se todos estivessem na mesma região. Com essas medidas, Sasuke propositalmente instalou a violência e pobreza em todo o mundo, forçando milhares a migrarem para onde era mais seguro e havia mais rotação de dinheiro.
Durante três anos mandou investigar a localização dos fugitivos daquele final de guerra, mas não havia resultado algum nas buscas. E ele pouco se preocupava com isso. O único que possuía do poder do Rikudou era Naruto, e este estava morto. Não havia mais ameaça alguma ao seu governo, uma vez que Madara e Orochimaru também haviam sido mortos por ele no final da guerra. Qual não foi a surpresa ao encontra-los totalmente quebrados e derrotados, sem forças nem mesmo para conversar? Liquidou facilmente com eles e selou os corpos com o próprio Sharingan. Nada de pegadinhas de voltar à vida novamente.
Poderia, finalmente, instalar um mundo shinobi onde se concentraria em ser a massificação do ódio e depois acabaria com esse ódio, mesmo que ele mesmo o fosse. Resultado: um mundo livre do ruim que lhe abalava. Um plano suicida e meio louco, o próprio Sasuke reconhecia, mas resolveria. E se não o fizesse, seu legado, seus filhos, o fariam.
↨
— Não seja imbecil! – Um homem de cabelos loiros espetados e olhos tremendamente azuis dizia para a mulher de cabelos longos e vermelhos, que possuía olhos também azuis, porém em uma tonalidade mais escura e opaca. – Irá seguir esse emocional idiota e sacrificar todo o nosso propósito?
— Você que é imbecil! – A mulher retrucou. – Usa apenas a razão e esquece a injustiça que causa. Nós somos diferentes, você sabe, e não pode simplesmente ignorar o que falo apenas por não achar correto. Somos superiores, é verdade, mas ao mesmo tempo não somos melhores. Consegue entender? Somos a base, o início, e por isso devemos tomar atitudes corretas para que a humanidade não cresça de maneira torta. Me diga qual é o seu propósito em estabelecer uma guerra entre seus seguidores e os meus?
— Ora, é muito simples! – O homem falava como se a opinião da mulher não tivesse qualidade, e não havia se importado com nada que ela havia dito. – Razão sempre será melhor que emoção, e não posso deixar o mundo pensar da maneira errada. Vamos ver quem conseguirá vencer a guerra, razão ou emoção. Essa é a prova de quem é melhor, não acha? – Perguntou como se fosse o óbvio.
— Você é muito ignorante para quem se acha superior a toda humanidade. Acha mesmo que o simples fato de um vencer na guerra o torna melhor? Você me decepciona e decepciona a Ameno.
— Nós somos Ameno! Nós dois juntos somos a existência perfeita e suprema do universo, Ameno-sama. Aqueles lá embaixo são apenas insetos! Abandone esse seu sentimento materno para com eles e entenda que eles farão o que desejamos, seguindo nossos conceitos.
— Você está ficando louco! – A mulher estava irada para com aquele raciocínio. – Eles são nossa criação, nossos espelhos. Devemos guia-los para a paz do forte com o fraco, e não a aniquilação de um dos dois. O amor é melhor, querido, e não a força. Não podemos julgar um melhor por ser mais forte, e sim pela capacidade de amar aos outros.
— Sim... Eu acho que estou ficando louco. – O homem sorriu ferino, tomando a decisão que há tempos pensava em sua mente. – Pois bem! Faremos uma aposta, então... – A mulher o olhou curiosa. – Veremos qual clã ganhará: os seus seguidores ou os meus, o clã Otsutsuki ou o Namikaze. Quem perder terá que se submeter aos conceitos do vencedor e obedecer quaisquer as ordens.
A mulher sabia o quão irracional aquilo era, mas não era capaz de convencer seu amado do contrário.
— Pois bem! Eu concordo!
O jovem abriu os olhos de uma só vez. Sentia o corpo entrar em combustão e o peito arfar com a respiração intensamente acelerada.
Os olhos começaram a doer de uma forma indescritível, fazendo-o gritar em desespero e levar as mãos com brutalidade em direção aos mesmos. Numa atitude totalmente irracional cedida ao desespero, arrancou os próprios olhos.
Assustou-se ao conseguir ver os dois orbes azuis em suas mãos. Não havia acabado de arrancá-los?
E a dor continuava lá.
— Ameno-sama! – Uma voz feminina soou assustada. O homem, apesar da dor que lhe fazia desejar a morte, conseguiu perceber a aproximação da pequena pessoa. Esta lhe tomou nos braços e passou a mão com cuidado sobre seus olhos, aliviando-o da dor.
O homem permaneceu com os olhos fechados por alguns instantes, recuperando-se da dor extrema que havia sentido durante aquele tempo. Abriu os olhos devagar e assustou-se com o que viu.
— Shinju!? – De um pulo e caiu novamente na cama onde dormia antes. Analisou o local e pensou estar louco.
Um enorme quarto totalmente branco, com uma cama cor de ouro e lençóis no mesmo tom. Não havia mais nada ali, a não ser o pequeno corpo feminino de cabelos longos quase brancos de tão loiros. Era Shinju.
— O que está havendo aqui? – Perguntou desnorteado. Não se lembrava de como havia ido parar ali. – Fechou os olhos e suspirou, sentindo a respiração ainda descompassada. Olhou novamente para o quarto e desta vez notou, atrás de Shinju, seu pai e sua mãe. Minato e Kushina. – Mas o quê?
O problema era que Minato e Kushina estavam tão surpresos quanto ele, e olhavam atordoados aquela situação. Naruto conseguiu notar que os olhos de Minato e Kushina não sofriam mais o efeito do Edo Tensei. Quando abriu a boca para perguntar alguma coisa, outra pessoa abriu a porta do quarto, entrando imponente com um kimono tão branco que brilhava. O homem, que possuía os cabelos loiros e olhos azuis iguais aos de Minato e Naruto, parou em frente ao jovem loiro. Tal homem possuía também os bigodes felinos iguais ao de Naruto. Era como se fosse uma imagem sua no espelho, com exceção da imponência e... Uma cauda? Sim, uma cauda peluda em tom vermelho com uma listra negra. Tal cauda descia do cóccix e pousava levemente ao chão, sendo pouco maior que as pernas do indivíduo.
— Estou aqui para tirar suas dúvidas, meu descendente, Ameno-sama. – O homem falou com a voz polida e elegante. – Curve-se perante a existência suprema do universo, Izanagi.
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