Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi

48 Capítulo 48: As Mudanças de um Shinobi - Parte 1


Notas iniciais
YO! Caramba! Eu botei quente, mas finalmente consegui postar tanto aqui em Cinzas como em "Em Contraste" nesse fim de semana/feriadão KKKKKKK O capítulo ficou menor que o normal, mas acho que ficou legal ^^ Finalmente algumas explicações sobre a fonte do poder do Naruto. Espero que gostem e boa leitura

Capítulo 48: As Mudanças de um Shinobi – Parte 1

O que está havendo aqui? – Perguntou desnorteado. Não se lembrava de como havia ido parar ali. – Fechou os olhos e suspirou, sentindo a respiração ainda descompassada. Olhou novamente para o quarto e desta vez notou, atrás de Shinju, seu pai e sua mãe. Minato e Kushina. – Mas o quê?

O problema era que Minato e Kushina estavam tão surpresos quanto ele, e olhavam atordoados aquela situação. Naruto conseguiu notar que os olhos de Minato e Kushina não sofriam mais o efeito do Edo Tensei. Quando abriu a boca para perguntar alguma coisa, outra pessoa abriu a porta do quarto, entrando imponente com um kimono tão branco que brilhava. O homem, que possuía os cabelos loiros e olhos azuis iguais aos de Minato e Naruto, parou em frente ao jovem loiro. Tal homem possuía também os bigodes felinos iguais ao de Naruto. Era como se fosse uma imagem sua no espelho, com exceção da imponência e... Uma cauda? Sim, uma cauda peluda em tom vermelho com uma listra negra. Tal cauda descia do cóccix e pousava levemente ao chão, sendo pouco maior que as pernas do indivíduo.

– Estou aqui para tirar suas dúvidas, meu descendente, Ameno-sama. – O homem falou com a voz polida e elegante. – Curve-se perante a existência suprema do universo, Izanagi.

Naruto sentiu-se tonto e tombou na cama. Suas vistas ficaram turvas e chiadas, forçando-o a fechar os olhos e ofegar em agonia. Mas o que diabos ele fazia naquele lugar desconhecido na presença de Shinju, seu pai e sua mãe. Seu pai e sua mãe, sua mente gritou. E ainda mais... Izanagi!?

– Só posso estar alucinando... – Murmurou alto o suficiente para todos escutarem.

– Temo que não, meu senhor. – O homem denominado Izanagi falou calmamente, com um sorriso de canto. Minato e Kushina tinham as mãos dadas, assustados o suficiente para sentirem o coração batendo rápido. O que, naquela situação, os assustava ainda mais. Os corações não deviam estar batendo sob o efeito do Edo Tensei. – Posso começar do início, se assim preferir. – Naruto, ainda com os olhos fechados, sentiu que o homem sentava na cama. Shinju limpava seu suor da testa com um pano úmido. – Para começar... Você morreu. – Naruto abriu os olhos, confuso. Mas no momento que ia questionar aquela loucura, sua memória lhe trouxe a dor do golpe que levou.

– Sasuke... – Murmurou. Trincou os dentes em fúria, esquecendo toda a confusão que sentia anteriormente. – O que aconteceu naquela guerra? – Ele olhou para Shinju, que o encarou com seus olhos cor de mel cintilantes.

– Nós dois morremos, Ameno-sama. Em condições normais, eu não morreria junto com o senhor, porém fomos mortos por alguém que possuía a fechadura para o seu poder. – Naruto ficou um pouco confuso, mas levou a “fechadura” como significando o poder do Rikudou.

– Permita-me continuar, Ameno-sama. – Izanagi tomou a palavra novamente. Viu o olhar perdido de Naruto e suspirou com calma. – Shinju teve que alterar algumas informações sobre o início de tudo. Ela não lhe contou a verdade quando foi selada em você. Os nove bijuus também não o fizeram. – Naruto olhou irritado para a bijuu, que recuou as mãos dele, triste. – Mas não se preocupe, ela fez por ordem minha. Meus propósitos não seriam alcançados caso o senhor soubesse de toda a verdade. Continuando: antes de qualquer coisa existir, havia o senhor, Ameno-sama. A única existência de todo o universo, a força suprema que regia sua vontade para o que quisesse realizar. Mas mesmo sendo tão poderoso e possuindo tal honra, não era onipresente, onipotente ou onisciente. Os poderes absurdos que o senhor possuiu não eram suficientes para criar o que tanto almejava: Amenonuhoko, a terra, e Amenoukihashi, a ponte entre o céu e a terra. Não seria possível criar ambos sendo apenas uma existência, onde a razão e emoção, o Yin Yang, se misturavam. Com isso o senhor foi obrigado a se dividir em duas existências, Izanagi, a razão, e Izanami, a emoção. – Naruto estava mais perdido que nunca. Escutava com atenção, claro, mas as informações eram absurdamente surreais. Como assim Izanagi, Izanami? Deuses? Ele, uma existência superior a Izanagi e Izanami? Lembrou então de quando conheceu Shinju, onde a bijuu falou que havia sido criada pelos deuses para que pudesse monitorar a paz na terra, mas também disse que havia perdido contato com tais deuses e o mundo ficou de pernas para o ar pela falta da presença deles. Naruto montou o quebra-cabeças em sua mente e alinhou as informações, mesmo surreais, ao conhecimento que possuía antes. – Criamos então tudo existe no universo: a terra, o céu, o submundo, mares, ilhas, florestas, astros... os animais. Porém, os humanos, com o tempo, dividiram-se em dois grupos, onde cada um honrava a mim ou Izanami. Embora no começo cada povo apenas tivesse a religião aplicada entre a priorização da razão ou emoção, com o tempo ficou doentio e logo as guerras vieram. Depois de séculos de guerras infundadas pelo simples fato de confiarem mais em um que no outro deus, resolvemos intervir com a criação de Shinju como a árvore sagrada, o símbolo da paz. Criamos o mito de que aquela árvore jamais poderia ter seu fruto consumido, do contrário algo muito ruim poderia acontecer. A ideia era afrontá-los com o medo de um consumir o fruto primeiro que o outro, e assim força-los a um acordo de paz. – Ele fechou os olhos e suspirou por alguns segundos. – Mas eu fui traído por Izanami, que influenciou seus seguidores a comerem o fruto, e assim o fizeram. Com o poder que foi adquirido através do chakra, seus seguidores aniquilaram os meus e deram início ao ciclo de ódio que disseminou pelo mundo até os dias de hoje. – Ele olhou para Naruto e viu o jovem pensar sozinho, para logo após franzir o cenho em irritação.

– Porquê Shinju perdeu o contato com os deuses? Por que não ajudaram a controlar a situação que vocês mesmos criaram? Sabe quantas pessoas sofreram por isso? – Apertou os pulsos, irado. Sempre havia se questionado sobre o porquê de os deuses não olharem para o povo, permitindo tamanhas batalhas e injustiças com os inocentes.

– A razão de não termos mais nos comunicado com Shinju ou com a humanidade foi o simples fato de estarmos enfrentando uma guerra entre o céu e o submundo. – Ao ver o olhar pasmo do garoto, resolveu continuar em detalhes. – Devido a traição de Izanami, tivemos uma batalha entre nós dois, onde a superei e a mandei para o submundo junto de alguns deuses que a seguiam. Ela foi trancafiada lá dentro e desde então insiste em tentar sair, causando a guerra que enfrentamos a mais de setecentos anos. As forças do submundo vêm nos vencendo nas últimas batalhas, e não posso deixa-la vencer.

– Certo! – Naruto se levantou da cama e caminhou até uma janela que havia no quarto. Abriu e permitiu que um vento nem frio nem quente entrasse pelo quarto. Admirou a belíssima paisagem do lugar, notando que a espécie de palácio que estavam era no topo de uma montanha não muito alta, e que havia uma cidade aos moldes antigos bem abaixo. Aquilo também lhe gerou uma confusão, mas resolveu deixar por último. – Antes de continuar, eu gostaria de entender como eu posso ser um Deus, ainda mais esse Ameno de que vocês dois falam. – Ele olhou para seus pais os viu pálidos. – E o que meus pais fazem aqui? – Apontou para o loiro que tinha as mãos dadas com a ruiva.

– Quando Izanami influenciou seu povo a consumir o fruto de Shinju, eu enviei para os meus seguidores um pouco do meu poder, a razão. Não era nada físico, mas apenas noções de inteligência baseada na razão. Apesar de minhas tentativas, foi tarde demais e eles acabaram sendo destruídos. Felizmente uma criança conseguiu escapar do massacre e foi acolhida por uma camponesa dos seguidores de Izanami, às escondidas dos líderes. – Ele olhou para Minato e Kushina, sorrindo calmo e virou-se novamente para Naruto. – Os seguidores de Izanami eram chamados de Clã Otsutsuki, e os meus, Izanagi, eram os Namikaze. – Naruto e Minato ficaram tão surpresos que precisaram ser ajudados por Kushina e Shinju, do contrário iriam ao chão. Antes que eles se recuperassem totalmente, Izanagi continuou. – A criança que herdou a razão passou a “chave” para seu primogênito, geração por geração, até que seu pai nasceu, possuindo tal nível de intelectualidade. Isso explica o porquê dele conseguir ser tão poderoso sendo que não é descendente do Rikudou. Todos nós aqui sabemos que seu pai não possui grandes reservas de chakra, força ou vitalidade, mas, em contraste, é recheado de inteligência e raciocínio rápido. – Naruto começo novamente a pensar, lembrando-se da conversa que teve com Jiraya.

– Naruto... Você não estranha o fato de eu ter cabelos brancos? – Jiraya perguntou.

– Bom... O que isso tem demais? – Perguntou ao não entender o ponto crucial.

– Bem... acho que você não se tocou da complexidade. Escute: Pelo meu conhecimento, Senjus e Uchihas descendiam diretamente do Rikudou. Ambos os clãs possuem características mais fortes que predominam em sua linhagem, como por exemplo: Qualquer shinobi comum que tiver relação com um Uchiha, o filho dos dois sempre terá as características Uchiha. Sempre! O filho, sendo homem ou mulher, sempre herdará os cabelos e olhos negros, herdando também o Sharingan. Com os Senjus é um pouco diferente, pois apenas os cabelos e olhos mudam de cor dependendo da linhagem paterna ou materna, mas as características físicas como vitalidade e chakra permanecem. Assim como os Uzumakis, no meu conhecimento, eram parentes dos Senjus, os Hyuugas eram parentes dos Uchihas. Também podemos observar que todas as características dos Hyuugas são passadas para seus filhos, assim como os Uchiha. – Jiraya falava seriamente, olhando para Naruto, que concluiu o pensamento.

– Naruto: Então... Os Uzumakis... Espera! – Formalizou uma linha de raciocínio, mas logo percebeu seu erro. – Eu tenho cabelos loiros e você brancos. Devemos ser como os Senjus, podendo ter nossos cabelos alterados e nossas características físicas mantidas pela linhagem.

– Jiraya: Isso não é possível! Eu possuo cabelo assim por ter linhagem Uzumaki e Senju. Meu nome foi posto como Uzumaki pelo fato do meu pai ter sido Uzumaki, prevalecendo seu sobrenome. O seu caso é totalmente diferente. Até agora, em todos os livros, histórias ou mesmo que eu tenha visto, você foi o único Uzumaki além de mim a ter cabelos não ruivos. No meu caso tudo se resolve por eu também ser Senju, porém você é uma cópia exata de Minato, que nem sequer possuía família no ramo shinobi. Ele, e apenas ele, veio para Konoha ainda bebê depois de ser abandonado por seus pais no País do Urso. Ele não possuía nenhuma Kekkei Genkai ou herança de sua família shinobi. Ele foi um aluno empenhado e inteligente que conseguiu todo o seu poder com esforço. Porém nada disso explica que sua aparência não tenha sido a de um Uzumaki. Seus cabelos são loiros e exatamente como os dele, rebeldes. Seu físico é igual ao dele, seus olhos são iguais aos dele. Resumindo: Por que você não nasceu com características Uzumaki e sim com as Namikaze? – Concluiu sua análise para seu pupilo, deixando o rapaz afundado em pensamentos.

– Maldito ero-sennin! O velho bem que havia me questionado que havia algo estranho no fato de eu ter herdado características físicas do meu pai, que possuía o gene completamente recessivo. – Naruto pôs uma mão no queixo e continuou a pensar nas coisas estranhas, nas pistas confusas que havia tido em sua jornada. A forma como seu Susano’o se manifestava, onde ele imaginava que fosse sua imagem, o jutsu que Madoka havia desenvolvido, o Amenoukihashi, e, principalmente, o fato de seu corpo possuir tanto poder a ponto de não suportar. Um corpo humano jamais suportaria o verdadeiro poder de um Deus. Izanagi continuou:

– Namikaze Minato possuía a “chave” e Uzumaki Kushina a “fechadura”. Você, Ameno-sama, nasceu como Uzumaki Naruto, mas possuindo a chave e a fechadura para obter todo o poder que um dia teve. Shinju já me falou tudo sobre você como humano. Suas heranças genéticas podem explicar o fato de você ter ficado tão forte em tão pouco tempo. Sua facilidade para dominar o Modo Sennin, seu sistema secundário de chakra ter inflado de tal maneira que seu corpo não conseguia suportar o imensurável poder que continha. – Ele virou as costas e andou um pouco enquanto falava. – Apesar de ter a chave e a fechadura, você só foi capaz de começar a revelar todo o poder quando obteve dentro de si Shinju, que completou tudo o que era necessário para que pudesse finalmente acordar todo seu poder. Por esse motivo você revelou um doujutsu diferente do que o planejado: o Yin Yang, Izanagi e Izanami, razão e emoção, ao invés do Rinnegan. Mas apesar de tudo isso, ainda faltava uma coisa...

Izanagi virou-se novamente para Naruto, sob o olhar totalmente perdido de Minato e Kushina. Ambos os pais do garoto estavam atordoados com tamanhas revelações. Mas era inegável que a explicação para tudo tapava os buracos de informações que nunca haviam tido resposta. A própria Kushina havia pensado no quão estranho era seu filho ter nascido tão parecido com Minato.

– O que ainda faltava? – Naruto perguntou. Estava a ponto de sufocar com tudo aquilo.

– Você era apenas um mortal, Ameno-sama. O que faltava era você morrer. – A naturalidade as palavras era tanta que Naruto chegou a se irritar. – Você deveria morrer para tornar-se imortal; tornar-se o Deus que você realmente é. – Izanagi voltou a dar as costas, mas parou ao chegar na porta do quarto. – Perdão por encher sua cabeça com tanta coisa, Ameno-sama, mas é necessário que entenda e sane todas as suas dúvidas. Peço que descanse mais um pouco e converse com Shinju para que acabe com qualquer dúvida restante. Por favor, venha me encontrar ao anoitecer. Como eu disse antes, estamos no meio de uma guerra. – Izanagi curvou-se levemente e se retirou do quarto.

Naruto levou uma mão ao olho direito e puxou o orbe, como havia feito antes. Não sentiu dor, e fechando o olho esquerdo, pôde enxergar o olho direito, apenas com seu olho direito aberto. O olho que havia arrancado desmanchou em poeira ao mesmo tempo que se regenerava no lugar correto.

– E eles? – Naruto perguntou para Shinju. A bijuu olhou para os pais do rapaz, que estavam conversando entre si, notavelmente nervosos.

– Eles também são Deuses agora. Porém da terceira geração, assim como os outros, com exceção de Izanagi e Izanami. O senhor é o primeiro, possuindo o poder conjunto de Izanagi e Izanami, mais poderoso que ambos. Izanagi e Izanami, por terem recebido metade do seu poder, são de segunda geração e os demais são de terceira. – Shinju puxou Naruto para a cama, fazendo-o deitar novamente. – A dor que sentiu nos olhos era devido a prisão do Kamui, onde Minato-sama e Kushina-sama estavam encarcerados. Como Deus, você não possui chakra ou jutsu algum, pois essas são características humanas. Quando o senhor morreu e se transformou em Deus, vindo para o céu, trouxe seus pais presos no Kamui, e como ambos possuem genes dos deuses, também se transformaram e adquiriram a imortalidade. Não havendo mais Kamui, era como se ambos estivessem presos dentro dos seus olhos e por isso a dor.

– Eu ainda estou perdido... – Disse mais para si mesmo, levantando novamente.

– Filho! – Kushina finalmente saiu de torpor, correndo para o filho. Naruto virou-se para ela bem a tempo de recebe-la num abraço. A ruiva jogou-se por cima do rapaz, fazendo-o dar uma passada para trás ao evitar que caíssem. – Estou tão feliz de vê-lo bem. – Ela chorava. Naruto retribuiu o abraço, apertando a mulher contra si. Sentiu os olhos arderem pelas lágrimas, lembrando dos ataques que havia levado dos pais durante a guerra. No momento havia perdido totalmente o controle de sua fúria, mas agora, lúcido, sabia que Orochimaru havia tomado o controle do Edo Tensei e forçado aquela ação.

– Parece que houve uma mudança radical... – O loiro mais velho falou ao chegar perto da janela por onde Naruto tinha olhado. Os pais de Naruto estavam em suas vestes clássicas, enquanto Shinju usava uma yukata totalmente branca, com o obi em cor dourada. Os cabelos quase brancos de tão loiros eram jogados soltos pelas costas femininas da bijuu. Não havia adereço algum na garota, e ela arrumava a cama enquanto Naruto se soltava do abraço da mãe, sendo cumprimentado com um aperto de mão pelo pai. – Meus parabéns, filho. Tenho certeza que ninguém imaginava que você se tornaria tão forte, e menos ainda que era o Deus supremo. – Minato sorriu. – Eu ainda estou voando com isso... – Os quatro sorriram.

– Perdão por interromper o momento, mas preciso que Ameno-sama esteja pronto em meia hora. – Minato e Kushina assentiram e olharam orgulhosos para Naruto. – Peguem o corredor à direita e entrem na primeira porta à esquerda. É o quarto que foi separado para o casal. Já que são Deuses agora, e ainda mais por serem as linhagens de Ameno-sama, serão bem-vindos a residirem no palácio dos Deuses.

Naruto viu Kushina saltitar e o pai sorrir para a esposa, pedindo para que a mulher fingisse ser mais adulta.

– Certo, Shinju! Qual foi o desfecho da guerra? – Perguntou sério. Estava apenas esperando se livrar da presença dos pais para conseguir as informações que ainda faltavam. Shinju baixou a cabeça e Naruto pôde ver o olhar triste. – O que houve? – Ainda estava sério.

– Lamento, Ameno-sama. – Ela disse com a voz embargada. Apesar de estar com Naruto para cumprir seu dever, os laços que criou com o seu mestre e esposas era verdadeiro. A bijuu havia aprendido a amar o seu mestre e também as esposas, assim como os filhos. – Hinata e Madoka morreram. – Ela foi direta, e antes que pudesse amenizar a situação, viu Naruto ofegar e se apoiar na parede do quarto. – Mas... – Apenas aquelas palavras fizeram o rapaz acordar novamente e olhar para Shinju com os olhos trêmulos. – Uzumaki Karin e Shizune se sacrificaram e ressuscitaram Hinata com o Técnica de Reencarnação da Alma – O loiro se sentiu melhor ao saber daquilo, mas o desespero ainda batia à porta de seu coração.

– E Madoka? – O desespero era notável em sua voz, e Shinju se aproximou, abraçando o rapaz. Naruto pareceu notar a resposta devido aquela atitude.

– Eu sinto muito! – Ela começou a chorar, e ambos se abraçaram. – Eu sinto muito...

– Quem foi que as matou? – As lágrimas pararam de descer, e Shinju se assustou ao ver o olhar quase insano com que Naruto lhe encarava.

– Uchiha Sasuke. – Ela murmurou e Naruto a apertou ainda mais no abraço. Amaldiçoou o já maldito Uchiha e xingou todos os nomes que sabia.

– Se eu sou o Deus supremo, devo ter acesso ao mundo humano, certo? E se Madoka morreu, há a possiblidade de eu conseguir recuperar a alma dela? – A pergunta era como uma válvula de escape para toda a fúria que sentia naquele momento.

– Há apenas um portal para o mundo dos humanos, e nem mesmo o senhor conseguirá arrumar outra forma de atravessar o Amenoukihashi (Ponte entre o céu e a terra). – O loiro se afastou de Shinju e se aproximou da cama, sentando e olhando para ela. – As almas das pessoas mortas vão direto para o submundo, onde passam por um processo de purificação e depois são mandadas para cá. Após chegarem aqui, vivem por tempo indeterminado e depois são mandadas novamente para o mundo humano. Por isso existe, em casos raros, a reencarnação. – Naruto escutou em silêncio.

– Então basta que vençamos a guerra para que eu possa ir ao mundo humano, correto? – Shinju afirmou. Naruto se levantou e caminhou para a outra porta do quarto, que dava acesso ao banheiro. O loiro estava vestido apenas em um kimono folgado, e fez questão de retirá-lo diante de Shinju. A bijuu avermelhou e virou-se de costas. – A propósito... Quanto tempo fiquei desacordado?

– Cinco anos.... – Ela falou com a voz trêmula. Naruto esbugalhou os olhos e virou para a bijuu.

– Cinco anos!? Como assim cinco anos? – Shinju sentiu a aura irritadiça do seu mestre e virou-se para responde-lo. Praticamente pulou ao vê-lo nu e próximo a ela. Afastou-se dele e virou-se de costas novamente.

Naruto passou as mãos pelos cabelos, pensando em como haviam ficado as esposas e os filhos. Segurou o impulso de socar a parede.

– A percepção de tempo aqui é diferente do que o tempo humano. Por sermos imortais, o tempo aqui corre mais depressa do que para os humanos. Os cinco anos que o senhor passou aqui são os mesmos cinco anos do mundo humano, mas aqui nossa percepção é mais rápida.

– Maldito Uchiha! Você vai sentir a fúria do seu Deus. – Naruto sorriu com o canto dos lábios, imaginando em quantos pedaços partiria o maldito que havia lhe tirado a vida e machucado suas esposas e filhos, que com certeza haviam sofrido com sua ausência.

Shinju e Kushina vestiam yukatas totalmente brancas e obis (N/A: O laço/faixa usada para amarrar) na cor dourado, assim como Shinju usou anteriormente. Naruto e Minato vestiam kimonos também brancos e obis dourados. Quando foram se vestir, os três, pai, mãe e filho, estranharam as vestimentas nas mesmas cores, porém Shinju afirmou que era necessário para a reunião que teriam em instantes.

Shinju os guiava pelos corredores brilhantes do palácio. As paredes possuíam cor prateada, brilhando os reflexos embaçados das pessoas que caminhavam. O piso era em um tom vermelho quase laranja, exibindo um contraste que doía nos olhos de Naruto e deixava Kushina maravilhada. Shinju chegou ao pé de uma grande porta dupla de madeira envernizada, abrindo lentamente. A medida que aquela porta se abria, Naruto ficava mais sério e focado, enquanto Minato e Kushina se mantinham tensos. O loiro mais novo já havia entendido sua importância, e se o próprio Izanagi o tratava com tanto respeito, então ele era mesmo quem diziam ser. Iria procurar manter um tom de imponência para adquirir o respeito que ainda faltava no meio daqueles Deuses.

– Eu vos apresento nosso Deus supremo, Ameno-sama. – Shinju falou após abrir a porta e dar passagem para Naruto, que entrou na sala com o queixo erguido e olhar num misto de seriedade e imponência. – Também vos apresento Minato-sama e Kushina-sama, descendentes dos primeiros clãs, Otsutsuki e Namikaze. – Os quatro presentes na sala se levantaram e se curvaram em respeito de Naruto.

A sala era no topo da fortaleza e aberta nos outros três lados, à exceção do lado onde se encontrava a porta de acesso. Era ampla e no mesmo tom do corredor. Havia uma grande mesa, com cerca de trinta cadeiras de cada lado. Naruto se aproximou da maior cadeira, na cabeceira da mesa, e se sentou com elegância. Olhou para Minato e Kushina e ambos se encaminharam e se puseram sentados à mesa também. Shinju permaneceu em pé ao lado de Naruto, para lhe prestar qualquer assistência que fosse necessária.

– É uma honra estar em sua presença, Ameno-sama. – Falou um homem alto e musculoso, vestido no uniforme padrão da reunião. O homem possuía a pele em um tom branco, tendo os cabelos azuis escuros, arrepiados e curtos. Possuía os olhos no mesmo tom azul dos cabelos. – Eu sou Susano’o, Encarnação do Mar.

– O mesmo para mim, Ameno-sama. – O outro homem falou. Esse possuía uma estatura baixa e um corpo aparentemente frágil. Era magro e possuía a pele bronzeada. Seus cabelos eram em tom vermelho escarlate e desciam compridos pelas costas. Os olhos eram no mesmo tom vermelho dos cabelos. – Eu sou Amaterasu, Encarnação do Sol.

– Muito prazer, Ameno-sama. Fico lisonjeada por poder servi-lo em seus propósitos. – A única mulher, além de Kushina, tinha a pele muito pálida, sustentando as bochechas um pouco vermelhas. Os cabelos eram longos, indo até o meio das panturrilhas, cor de pérola, assim como os olhos. Tinha estatura mediana e um corpo esbelto por baixo da yukata. O rosto, com exceção dos cabelos e sobrancelhas, que também possuíam a cor perolada, era muito parecido com o de Hinata, e apenas olhar para aquela garota lhe fazia ficar mais tranquilo. Provavelmente os Hyuuga haviam herdado parte dela em sua linhagem. – Eu sou Tsukuyomi, Encarnação da Lua.

– Apesar de termos falado há pouco, gostaria de repetir que também estou honrado em estar na presença de quem nos proporcionou a existência de tudo, Ameno-sama. – Era Izanagi. – Peço perdão por mal esperar que pudesse descansar. Mas o assunto é urgente. – Ele ficou sério e olhou nos olhos de Naruto. – Nossos servos tem provas de que Izanami fará uma nova investida, e com base em nossas forças, não será possível aguardarmos para defender. Ao invés disso, eu pretendo surpreendê-la usando a sua força, senhor, além de Minato-sama, Kushina-sama e Shinju.

– Eu gostaria que pudesse me proporcionar algo em torno de quinze dias para que eu pudesse me acostumar com qualquer poder que tenha adquirido. – Naruto recostou sobre a cadeira. – Eu ouvi que o chakra é característica humana e ainda não tenho noção de como fazer para expressar meu poder. Não há a possibilidade de usarmos nossa força vital como expressão de poder?

– Não, senhor. – Izanagi tentou conter o sorriso, mas Naruto notou algo estranho no olhar e na forma como o deus se portou naquele instante. Mas foi por apenas alguns pouco segundos. Izanagi se recuperou e olhou firme para Naruto. – Perdoe-me por qualquer coisa, mas... Não usamos algo tão inferior à nossa classe, como chakra, ou qualquer outra base para expressão de poder. Somos Deuses, imortais perante mortais e dificilmente mortais perante outros imortais, perante outros Deuses. Não há a necessidade de nos apoiarmos em algo e de lá tirar poder; nós apenas usamos.

– Então como será? – Naruto reprimiu sua fúria ao ter escutado o menosprezo na fala de Izanagi. Ao que parecia, o tal deus havia esquecido que Naruto ainda se sentia como um humano. E mesmo que assim não fosse, saberia entender o valor da vida humana, ao contrário do seu descendente.

– Nós faremos um ataque surpresa em vinte dias, usando apenas nossos punhos e habilidades especiais de cada um. Amaterasu pode controlar o fogo e calor, enquanto Susano’o pode reforçar o próprio corpo, cobrindo-o com uma armadura do elemento que desejar, e Tsukuyomi pode controlar a gravidade. Isso são apenas as habilidades exclusivas, mas ainda tem muito mais. – Ele olhou para os outros cinco deuses, incluindo Minato e Kushina, e voltou ao olhar para Naruto. – O senhor poderá fazer o que quiser durante a batalha. Não há limites para o poder que possui.

– Há lago errado, Shinju! – Já de volta ao quarto, Naruto começou a conversa com Shinju. A bijuu ficara incumbida de prestar qualquer assistência ao seu mestre. Ela segurou a pontada de insatisfação ao ouvir aquilo.

– Como assim, Ameno-sama? – Perguntou fingindo inocência.

– Izanagi esconde alguma coisa, tenho certeza! – Ele parecia irritado, andando de um lado para o outro. – Eu já fui subestimado muitas vezes na vida, Shinju. Sei muito bem identificar quando estão o fazendo novamente. Ele esconde algo muito importante. Sinto como se... Como se eu ele estivesse me usando para algo. Apesar do respeito e de eu não ter dúvidas quando a essa história, pois, como Deus supremo daqui, possuo instintos e inteligência suficiente para saber algo assim, eu sinto que há algo a mais...

Shinju apertou os pulsos, sem deixar que Naruto percebesse. Conteve o nervosismo que sentiu e olhou para seu mestre com um sorriso doce. Ele jamais poderia descobrir os planos de Izanagi. Ele teria que suportar uma última traição.

– O senhor só deve estar estressado, Ameno-sama. – Ela pousou as mãos macias nos ombros nus de Naruto, apertando levemente e ouvindo um quase rugir do homem. – Seus músculos estão tensos; prepararei um ótimo banho quente.

– Acho que pode ser estresse mesmo... Obrigado, Shinju. – Ele sorriu sem jeito.

– Não há de quê. – Virou-se e entrou no banheiro. “Mal vejo a hora de Izanami-sama colocar as mãos em você, seu loiro maldito!” Shinju completou em pensamento, tendo a imagem do loiro de olhos azuis em sua mente e um sorriso ferino nos lábios.

Notas finais
Eaí? KKKK Sacanagem com o Naruto, né? KKKKKKKKKK Eu plantei umas duas bombas nesse capítulo e tenho certeza que vocês vão cair nas duas KKKKKKKKK Só observo os reviews KKKKK Críticas? Elogios? Sugestões? Até o próximo capítulo ^^