Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
50 Capítulo 50: A Batalha Por Ameno - Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 50: A Guerra Por Ameno – Parte 1
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Quando deu o primeiro passo dentro do quarto, depois de entrar pela janela, percebeu os olhos vermelhos intensos que lhe miravam. Seu estômago revirou e ela se sentiu tonta.
– Onde estava, Sakura? – A voz gélida, raramente usada para si, penetrou seus ouvidos. Ela sentiu o estômago embrulhar. – Onde estava, Sakura? – Não era mais uma pergunta.
Sakura sentiu-se petrificar. Vestia uma capa escura, que, independentemente do ponto de vista, servia para esconder sua identidade, sem contar que já se passava da meia noite. Não precisava ser um gênio para saber o que Sasuke estava pensando.
– Não é o que está pensando, Sasuke! – Ela tremia levemente, nervosa. Encarou os olhos vermelhos do marido, percebendo estar sendo intensamente avaliada.
Sasuke estreitou os olhos e se aproximou dela, buscando mais detalhes. Os Mangekyou Sharingan vibravam e circulavam furiosamente. O Uchiha constatou não ter detalhes ou marcas de um possível toque. O cheiro dela também não estava estranho. Sakura poderia ter feito qualquer coisa, menos lutar ou ter tido contato íntimo com outra pessoa. Sasuke sentiu um peso enorme sair de seu peito. Suspirou fundo e sentou-se novamente na cadeira onde estava, desativando o Sharingan.
– Tudo bem. – Ele falou, mais calmo. Sakura soltou um enorme suspiro e desabou por cima das pernas, sentando-se sobre elas. Levantou os olhos verdes e observou os olhos negros lhe encarando, aguardando uma explicação.
– Eu... – Ela começou, tendo ainda mais a atenção de Sasuke – fui visitar um santuário que fiz para o Naruto.
Ela fechou os olhos, temendo a reação dele. Esperou por alguns segundos, percebendo que Sasuke não havia se manifestado. Abriu os olhos e viu seu marido ainda sentado, mas com os olhos levemente arregalados, faiscando em fúria. Sasuke a havia proibido até de mencionar sobre o amigo de infância, mas ela, teimosamente, fez um santuário para o amigo. De verdade. E havia sido feito pouco tempo após o final da guerra, e ela o visitou em segredo durante todo esse tempo. Não havendo outra saída, resolveu entregar essa verdade a Sasuke, em troca da outra. Era bem óbvio que ele iria se irritar com isso, mas era bem melhor que saber que ela conspirava contra ele.
– Arrume as coisas das crianças. – Ele se levantou. A voz estava firme e com uma fúria contida. – Iremos atrás dos Uzumaki pela manhã. Levarei vocês junto. É mais seguro comigo do que aqui.
Ele saiu do quarto, deixando Sakura assustada.
Ele não deveria ter decidido isso tão cedo.
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Seis e meia da manhã. Shinju olhou o sol ainda frio e suspirou.
Era o dia da batalha. Iriam iniciar a marcha às dez da manhã, com previsão de chegar ao submundo durante a noite. Não haveria descanso durante o trajeto e não acampariam antes de atacar. Chegariam durante a noite, e naquele momento mesmo atacariam. O prórpio Izanagi havia sugerido isso. Iriam pegar o exército de Izanami de guarda baixa.
Ela tocou o trinco da porta e empurrou com calma, mesmo estando nervosa. Pôs a cabeça para dentro do quarto e notou o corpo adormecido por cima da cama.
Naruto ainda dormia profundamente. O braço jogado para fora da cama, enquanto, de bruços, a cabeça descansava para o mesmo lado em que o braço estava caído. As pernas estavam jogadas para o outro lado, pegando a cama em diagonal. Os lençóis cobriam apenas uma pequena parte das costas dele. Era uma cena engraçada, e Shinju não pôde evitar de sorrir com aquilo.
Caminhou vagarosamente e engatinhou por sobre a cama, escalando o corpo atlético do seu mestre, para deitar sobre ele. Espremeu os seios nas costas dele, grudando seu pequeno corpo feminino ao corpo forte masculino, corando e suspirando com o calor que lhe preenchia. Molhou os lábios e lambeu levemente a relha de Naruto, notando um sorriso trêmulo aparecer no rosto adormecido. Mordeu levemente o lugar, segurando-se para não gritar de sustou quando ele se virou com rapidez, ficando deitado com ela por cima de si. Os olhos azuis ainda escondidos, mas o sorriso descarado em seu rosto entregava a Shinju o quanto ele já estava aceso.
– Madoka... – Ele meio que gemeu, rouco, tirando o encanto do momento para Shinju. Não que ela fosse parar, claro. Haviam sido ordens expressas de Izanagi. “Seduza-o”, ele havia dito. “Acenda-o”, ela lembrava das palavras dele, o que lhe excitava mais do que ousava admitir. “Faça-o pegar fogo a ponto de não notar nossos planos. Deixe-o atordoado com sua pureza e faça a troca de espadas”.
– Shinju! – Ela o corrigiu de maneira doce e sedutora. Ele abriu os olhos, mostrando os orbes azuis elétricos de surpresa e excitação. Sentia o corpo vibrar de desejo, e nem mesmo teve tempo de pensar no que estava acontecendo. Em um momento acordava com os toques sedutores e ninfomaníacos que conhecia por ser de Madoka, no outro, via Shinju com uma camisa branca quase transparente, exibindo os seios mediados de bicos rosados. Lindos...
Antes que pudesse terminar seus pensamentos; se colocar no lugar, Shinju o beijou com força e selvageria. Ela queria excitá-lo muito, ele pensou. Os movimentos desconexos dos lábios dela lhe entregavam a falta de experiência que ele sabia que ela tinha, e isso o excitava ainda mais.
Porém, mesmo completamente cheio de tesão, Naruto lembrou-se de um erro similar que havia cometido antigamente. O erro que derrubou todos os seus planos. Segurou suavemente os ombros de Shinju, forçando-se ao máximo para ir contra seus instintos de possuí-la ali mesmo. Seus olhos azuis encararam os de Shinju, vendo o desejo, a forma como ela já havia se entregado àquilo. Levou suas grandes mãos às pequenas dela, encarando-a, ainda, com carinho. Shinju ofegou e seus olhos lacrimejaram.
– Interrompo algo? – Os dois olharam, assustados, Tsuki sair do banheiro da suíte. O corpo nu, sem qualquer receio, exibindo os seios grandes e firmes, a cintura afinada e quadris largos. Era, literalmente, uma Deusa. Os cabelos prateados e longos caíam espalhados pelos ombros e grudados pelo corpo; molhados. Naruto engasgou e começou a tossir.
Shinju ficou pasma. Sua excitação desapareceu em segundos e seu torpor foi substituído por uma ira e decepção gigantescas para com Naruto. Os olhos de mel voltaram para ele, que não conseguia responder a nada. Assustou-se novamente quando Tsuki sentou-se sobre as pernas de Naruto.
– Podemos continuar, se quiser. Não me importo de Shinju-chan participar. – A voz sedutora quase levou Naruto à loucura, dita ao seu pé do ouvido. Apesar disso, Shinju foi capaz de ouvir. Tsuki levou uma das mãos para dentro do calção que Ameno usava, sorrindo abertamente.
– Sempre duro, não é, querido? – Foi o basta para Shinju. Ela se levantou da cama e caminhou rapidamente para a porta, parando e olhando novamente para Naruto, deixando expressa toda sua ira e decepção.
– Shinju! – Naruto gritou, esganado. Mas foi tarde, ela já havia ido embora.
Ele tentou aterrissar daquela onda de excitação. Não trairia Hinata e suas outras esposas novamente. Voltaria para elas, inteiro. Porém, mesmo em um momento tão inconveniente, Naruto lembrou-se de que, para elas, ele estava morto. Aquilo o assustou deveras.
E se Hinata e Tsunade tivessem arrumado outra pessoa? Um medo tolo, ele rapidamente cortou.
– Bem... Eu já vou indo. – A voz de Tsuki o tirou de seus pensamentos. Ela já estava vestida em um robe, e olhava divertidamente para ele. – Já cumpri a minha parte. – Sorriu cínica e se retirou também, antes que ele pudesse raciocinar algo.
– Mas o quê...? – Ele falou para si mesmo, após dez minutos paralisado, sem entender nada daquela situação. Levantou e começou a se organizar para a batalha que viria em breve.
Depois de apenas meia hora Naruto já estava totalmente pronto. Os cabelos ainda pingavam levemente a água do banho recente. Vestia apenas uma camisa um pouco justa e um short curto, antes do joelho, para que não lhe impedisse de se movimentar à sua vontade. Olhou para a enorme janela e viu os milhares de soldados que desmontavam o acampamento que estava diante do palácio. Virou as costas e encarou a armadura que Izanagi havia lhe entregado anteriormente.
– Hina, Tsu e Maa... Estou chegando. – Fechou os olhos tristes e demorou alguns segundos em concentração, para logo abrir os orbes azuis decididos; ferozes.
Havia algo em torno de trinta e dois mil soldados humanos diante do palácio. Poucos se comparado ao começo, Izanagi admitia, mas foi o que restou depois de tantos séculos de batalhas incansáveis. O problema era que o exércio de Izanami deveria possuir algo em torno de setenta mil soldados, contando com criaturas. Isso se devia ao fato da herança de Ameno que ela possuía: Emoção. Sempre que estavam próximos a serem massacrados por Izanagi, Izanami dava um jeito de invocar a ira de seus soldados. O fato é que os planos de Izanagi raramente funcionaram como ele queria. Quase sempre Shinigami conseguia interromper suas vontades.
Izanagi sorriu ao lembrar disso. Aquele moleque não era muito inteligente. Longe disso. Tinha uma aparência jovial e era um completo atrapalhado. Uma entidade que só poderia ser morta pelo próprio Ameno, já que o mesmo havia lhe atribuído a função sobre a restauração das almas que eram mortas na terra. Shinigami era o único Deus que havia sido criado antes de Izanagi e Izanami. No entando, não possuía atividade política naquele mundo. Era sempre a mesma coisa: Shinigami tomava a dianteira e batalhava ferozmente contra os principais soldados e Deuses de Izanagi, atrapalhando completamente. As derrotas de Izanagi também sofriam influência da sua falta de poder físico, enquanto Izanami era o pilar e sempre estava presente nas primeiras filas da batalha, incentivando e motivando seu povo.
Mas não hoje, pensou Izanagi. Hoje o grande Ameno estava do seu lado, com toda sua magnitude de poder e presença.
Os soldados ergueram suas armas diante da presença de Izanagi, quando o mesmo se apresentou sobre um pequeno palco. Os urros e gritos dos soldados praticamente tremeram o chão.
– Hoje, soldados – começou Izanagi -, poremos fim nas loucuras de Izanami. Já sofremos bastante ao longo dessas centenas de anos. Perdemos amigos, família, amantes, filhos, pais. Perdemos honra, orgulho, perdemos partes de nossos corpos e almas. Mas uma coisa, soldados, nós não perdemos: nossa coragem! – Izanagi gritou, sendo acompanhando pelos gritos eufóricos dos soldados. – Estamos indo para a última batalha antes de recolocarmos nossos lares em ordem, antes de podermos criar nossos filhos na tranquilidade de uma vida pacífica. Vamos tomar de volta toda a felicidade e paz que Izanami nos tomou! – Mais uma vez Izanagi foi ovacionado pelo exército. Após alguns momentos de euforia, ele tomou novamente a fala. – E diante deste momento, quero apresentar-lhes nosso mais novo soldado de elite. – Izanagi sorriu com o canto dos lábios. Claro que poucos iriam identificar que o imponente Ameno era quem estava ali. A informação sobre o renascimento do Deus Supremo não havia sido espalhada, estando cientes apenas quem desempenhava funções dentro do castelo. Seria a motivação que lhes faltava.
Naruto tomou a frente, subindo no pequeno palco. Os burburindos logo começaram. Podia-se ouvir vários questionamentos, sussurros. Os olhos azuis pesquisaram ao longe, podendo ver, além dos humanos, criaturas diferentes. Gigantes, animais como os de invocações dos shinobis na terra, e outros. Naruto vestia uma armadura platinada, com um emblema do Yin e Yang sobre o coração, cercando toda a região daquele lado do peito. As bordas do emblema eram feitas de algo como rajadas de fogo vindas do sol, expulsando pontas agitadas douradas para todos os lados. Do outro lado do peito, deitando em diagonal, estava encravada uma lua que abraçava o sol do Yin e Yang. O emblema da lua ia da altura do ombro até a altura do umbigo, do lado esquerdo de Naruto, possuindo bordas negras, uma vez que a lua possuía a mesma cor platinada. No mais, fora os adornos que acompanhavam os músculos do peito e abdômem, havia listas cravadas por sobre as cotelas, até a borda da parte de cima da armadura, em vertical. A parte de trás sustentava uma capa dividida entre as cores branco e preto. Ela iniciava, da parte de cima para baixo, na cor branca. Porém, pouco antes da metade, a cor branca se concentrava lentamente para o meio, dos dois lados, permitindo a predominância da cor negra. A imagem se assemelhava a um tipo de seta reta que apontava para baixo. A capa descia até a altura dos calcanhares de Ameno. A parte de baixo era similar a uma saia, e isso havia trazido grande revolta de Naruto. Porém, apesar de revoltado em ter que usar aquilo, teve que concordar quando Izanagi falou que aquilo lhe daria mais flexibilidade ao lutar. Ela era também de cor platinada e tinha um desenho similar a pequenas espadas com a ponta para baixo, que começavam de uma largura e terminavam mais abertas e com as pontas curvadas para o lado direito, causando um efeito visual similar ao de um redemoinho. Nos pés havia botas que iam até perto do joelho, seguindo o padrão das peças superiores. As luvas tapavam os dedos por completo, porém flexíveis, ligando-se com uma proteção do antebraço e braço, até os ombros. Assim como na parte que cobria as costelas, havia encravado listras que se aproximavam conforme desciam do ombro até as mãos. Os cabelos loiros espetados eram farfalhados pelo vento que soprava, uma vez que não havia proteção alguma na cabeça.
Naruto ponderou um pouco sobre como deveria iniciar sua fala. Queria muito explicar toda a situação e deixar seus homens cientes da realidade da situação em que ele se encontrava. Mas isso não teria um bom efeito como inspiração para batalhas. Naruto havia aprendido muito sobre isso enquanto Imperador. Os soldados tinham algo como uma necessidade de estarem submissos de forma firme e dura. Não de uma maneira humilhante ou que isso lhes tirasse a honra de qualquer forma, mas porque assim conseguiriam saber que estavam com um governante confiante e que não hesitaria caso fosse necessário tomar uma atitude drástica a qualquer momento. Enfim... Naruto decidiu que iria ser firme como gostava de ser.
Sua voz se elevou e calou os burburindos.
– Eu sou vosso imperador e líder. Sou dono da existencia e possuo os fios da vida em minhas mãos. – Fechou os olhos e inspirou, os abrindo e falando de maneira fria. – Eu sou Ameno.
Primeiro houve apenas o silêncio. Não se sabia o que os soldados poderiam estar pensando. Segundos após houveram vaias e brados de apoio.
– É Ameno-sama! – Gritou um soldado. – Há uma estátua dedicada a ele no campo de treinamento 8.2!
– É, imbecil! Izanagi-sama também igual àquela estátua, mas não é Ameno! – Gritou um dos que riam da pronuncia de Naruto.
– Lamento tal cena, senhor, mas é difícil de acreditarmos em algo assim. – Um outro, mais afastados dos outros dois, gritou. Naruto o encarou. O homem tinha uma estatura baixa, mas aparentava ser bem inteligente. – Se Izanagi-sama nos apresentou esse homem, eu acredito em suas palavras. Que seja bem vindo de volta, Ameno-sama! – O homem se ajoelhou, mesmo que Naruto não pudesse vê-lo devido aos outros muitos que o cercavam.
– Me dói a honra ter que descer a ponto de provar quem sou. Lembrem-se que acabo de ficar chateado com alguns de vocês, e que é a mim que todos aqui devem temer. – Naruto levantou uma das mãos até a altura do peito, com o braço erguido de maneira reta para a frente. Baixou o braço com a mão espalmada para baixo, fazendo com que a terra próxima tremesse e todos os homens sentissem a pressão da gravidade sobre os ombros, alguns caindo ao chão e outros permanecendo de joelhos. Até mesmo Izanagi e os outros Deseus sentiram o peso. – Que fique de pé o homem que não crê em mim! – E, claro, não havia quem conseguisse se levantar com todo aquele poder os cercando.
Naruto não estava satisfeito, mas aquela demonstração de poder poderia dar aos soldados o medo necessário para impor sua vontade. Pelo menos até que o mesmo fosse substituído por respeito.
Shinju observou a tudo por detrás de Naruto, próxima aos outros Deuses. Apesar de olhar e ouvir tudo que aconteceu ao redor, pouco se importou. Estava transtornada com os acontecimentos de mais cedo. Não sabia muito bem identificar o que lhe atormentava. Pensou que poderia ter sido por estar prestes a empalar mais uma vez o rapaz que já havia sofrido tanto durante sua vida. Negou a si mesma que fosse isso. Ela deveria cumprir a ordem de Izanagi, e levou isso em consideração durante seus momentos de pavor pouco após falhar drasticamente nesta tarefa. Havia ficado tão decepcionada e inconformadamente irritada, que nem mesmo lembrou de trocar as duas espadas. Apertou os pulsos e xingou-se. Sentiu o tremor próximo de si e logo após a gigantesca pressão atmosférica sobre seus ombros, lufando um pouco de ar pela surpresa. Viu os ombros largos de Naruto e negou a si mesma que pudesse haver outro motivo para estar tão deprimida, a não ser ter falhado em sua missão.
Observou Naruto dar as costas aos soldados e entrar novamente no palácio, sendo seguido pelos outros Deuses. Izanagi tomou novamente a palavra e tentou acalmar seus servos, uma vez que estavam claramente nervosos e surpresos pela revelação da volta do Deus Supremo. Izanagi despachou seus soldados para que fossem terminar os preparativos da partida e voltou sua atenção à ela.
– Se acalme, doce Shinju. – Ele se aproximou, pegando suavemente nos cabelos loiros dela. – Você foi inútil desta vez, mas Tsuki cumpriu a missão que imaginei que você não poderia dar conta. Bem... Ela tomou a frente, me desobedecendo ao ir antes de você, porém a perdoarei. Ela estava tão radiante de feclidade que não pude puní-la por isso. – Ele se afastou, mas completou. – Fique esperta, Shinju-chan. Não quero nenhum inútil por perto de mim.
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– Minato, eu não quero isso! – Ela choramingou mais uma vez. Minato suspirou, chateado e quase se irritando com sua esposa. – Devolva meu filho! – Ela vociferou para ele, que sorriu amarelo e encolheu os ombros.
– E-eu não tenho culpa de nada, Kushina! – Ele se defendeu. Por Kami..., começou a pensar, mas interrompeu assim que refletiu. Se Kami é o Naruto, e eu estou prestes a apanhar de Kushina por causa dele, então posso realmente afirmar “Por Kami”! E riu descontroladamente, desafiando o perigo.
Uma veia pulsou na testa da mulher, fazendo-a esbofetear o marido com força. Minato segurou-se com força por sobre o cavalo, enquanto os soldados mais próximos gargalhavam da cena. Naruto, que puxava aquele pelotão, sorriu amarelo para os pais.
– Moleque! – Kushina começaria a berrar com o filho, mas foi interrompida por Minato.
– Kushi, meu amor, entenda de uma vez: nosso filho agora é adulto e já passou por seus problemas. Não podemos mais protegê-lo como protegemos uma vez. Apenas... confie nele. Além do mais, ele é agora um Deus.
Kushina viu os brilhos nos olhos de Minato e olhou para os ombros largos do filho. Minato tinha razão, aquele garoto havia crescido demais. A armadura junto a capa lhe davam um ar tão superior e brilhoso que Kushina por pouco não começou a chorar novamente.
– Parar! – Gritou um batedor que aguardava mais à frente, do alto de uma colina. Ele se aproximou de Izanagi, observou Minato. Conversaram por pouco tempo e logo Izanagi se direcionou às colunas do exército.
– A entrada para o submundo está logo atrás da colina. Organizem-se para o ataque. Organizem-se para vitória, e organizem-se para a paz!
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– Iza-chan! – Uma voz infatil e preguiçosa lhe chamou a atenção. – Eles estão bem perto. Tem certeza que não enviaremos o exército agora?
A mulher se levantou da cadeira, olhando pela janela do mais alto quarto do castelo. Estava quase anoitecendo, o que daria uma vantajem colossal para Tsuki. Apesar disso, um sorriso encantador brotou nos lábios da mulher. Ela rodou rapidamente para a direção do homem cuja voz havia saído há pouco tempo, enquanto seus longos cabelos ruivos espalhavam-se pelo ar.
– Claro que não, Nigami-chan! – Ela correu e jogou-se em sua cama, dando gritinhos alegres, ao mesmo tempo que o homem gargalhava abertamente. – Envie setenta por cento do exército para os portões principais e mantenha-os abertos. Esperaremos aqui.
– Estou indo! – Ele levantou´-se rápido, indo para a janela. Porém, antes que pudesse pular, sentiu as mãos delicadas da mulher na parte detrás de sua camisa, puxando-o. – O-o quê? – Perguntou desconfiado.
– Desta vez me obedeça, certo? – Ela fechou os olhos, sorrindo mais uma vez. Mas ele não se engava mais. E mentiu mais uma vez.
– Claro que sim! Quem pensa que eu sou? – E jogou-se da janela.
Antes que pudesse tocar o chão, transformou-se em fumaça negra, percorrendo rapidamente as instalações, até achar a concentração dos soldados, onde a maioria encontrava-se dormindo. Procurou por Kagutsuchi, encontrando-o bebendo e vadiando com algumas mulheres.
– Que lindo, não é, senhor General? – Brincou, pegando uma taça de bebida amarga.
– Não é? – Riu grossamente. Kagutsuchi possuía a pele avermelhada e quente, como se estivesse com uma febre de quarenta e cinco graus a todo momento. Era grande e vestia uma armadura estilo oriental.
– Eles chegaram... – Shinigami falou e virou a caneca de cerveja na boca. Kagutsuchi o olhou sério e depois sorriu de maneira divertida.
– Homens! – Berrou a toda altura. Alguns levantaram, outros se mecheram. Porém a maioria ficou imóvel assim como antes. Ele suspirou pesadamente e passou uma mão pelo pescoço. Olhou para Shinigami, que deu de ombros. Respirou fundo e suspirou vagarosamente, expulsando um ar absurdamente quente. Ar esse que se espalhou por todo o acampamento, fazendo os soldados acordarem com o calor e receberem a mensagem que este mesmo que enviava. Era hora da batalha.
– Certo, certo. Já estou indo. – Shinigami avisou, levantando de cima da mesa e estralando o pescoço.
– Da mesma forma de sempre? – Shinigami confirmou, sorrindo. – Izanami-sama com certeza fará com que Ameno lhe mate desta vez! – Gargalhou alto, sendo acompanhado pelo outro, que já se afastava com rapidez.
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O exército já se espalhava ao redor do castelo do submundo. Ao contrário do que o nome lhe impunhava, o local era bem recebido pela natureza. Várias árvores cercavam por ali, e podia-se ver os animais correndo em debandada para todos os lados, fazendo uso de seus instintos e fugindo do perigo que em pouco tempo rondaria. O enorme castelo possuía quatro torres, uma em cada direção. Fora isso era apenas como uma enorme casa. Os gigantescos portões de pedra eram sustentados por toras imensas que metal sólido e brilhante, possuindo um grande poder de defesa. Suas paredes eram de rocha bruta, tendo sido pouco acabadas.
Naruto se assustou de maneira contida quando os trombones do exército do submundo começaram a troar nas direçoes, ao mesmo tempo que os enormes portões se abriam e a massa do exército inimigo se extraía de lá.
– Izanagi, o que está havendo? – Naruto perguntou.
– Não se preocupe, Ameno-sama, eu meio que esperava por isso. Prepare-se para a batalha. A qualquer momento Shinigami virá para nos atrapalhar. Porém hoje contamos com sua imensa força para enterrá-lo de uma vez! – Izanagi falou e se afastou para junto dos comandantes do exército. Naruto desceu e desamarrou a bainha e espada do cavalo.
– Deixe-me ajudá-lo, Ameno-sama. – Naruto virou-se e se deparou com Shinju. Ela estava um pouco vermelha e tremia levemente. A garota tomou a enorme espada das mãos do seu mestre, e, enquanto o mesmo segurava o peso da espada, ela amarrou em sua cintura a bainha. – Desculpe-me por hoje de manhã. Eu estava tão nervosa com a chegada da batalha que tomei decisões constrangedoras para mim e para o senhor.
– Não se preocupe. Admito que também estive nervoso com tudo isso. – Ele procurou olhar nos olhos da garota, porém ela não permitiu, mantendo seu olhar para baixo. Naruto pegou suavemente em seu queixo, levantando seu olhar e podendo encarar aqueles olhos cor de mel. – Tudo vai acabar em breve. Tenha fé em mim! – E abriu o enorme sorriso que tanto lhe era característico. Shinju não pôde evitar se sentir mais segura e bem mais confortável com aquilo.
– Sim! – Confirmou mais animada.
– Oh! Que fofo! – A voz divertida os fez separar. Naruto virou-se bruscamente, enquanto Shinju se afastou atordoada. – Perdoem-me, eu não queria atrapalhar. Na verdade, eu já olhava há algum tempo. Fiquei ansioso na espera do beijo. – O jovem de cabelos negros na altura do pescoço falou divertido, enquanto se levantava da posição confortável que tinha em cima de uma árvore próxima. Naruto se perguntou como não havia percebido a presença dele.
– Você deve ser Shinigami...
– E você é Ameno-sama, sem dúvida! Bem diferente, claro, mas... – Ele balançou a cabeça, dispersando suas palavras e pensamentos.
O jovem garoto de cabelos negros avançou velozmente contra Naruto, forçando-o a puxar a espada e defender-se no mais puro impulso e instinto. O impacto do golpe fez com que as árvores mais próximas simplesmente fossem cortadas perfeitamente na altura do impacto entre Shikami e a pequena adaga que Shinigami usava. Shinju também foi ao chão, rolando por alguns metros e caindo de pé, já longe dos dois. Rapidamente a movimentação dos soldados se aproximou, porém o exército inimigo também já estava próximo.
E tudo virou uma enorme bagunça.
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– Filho da puta! – Gritou Izanami, furiosa. – Aquele desgraçado! Vou matá-lo! – Continuou a gritar estrondosamente.
– Izanami-sama, não conseguirá matá-lo. Apenas Ameno-sama o pode fazer. – Uma inocente alma comentou ao fundo. A voz fina e amável penetrou aos ouvidos da comandante como se fossem milhares de lâminas minúsculas.
Os olhos cor azul nublado viraram-se para a pequena mulher que havia comentado, fazendo-a tremer e se ajoelhar.
Izanami andou rapidamente até próximo de seu trono, no centro do palácio. Pegou numa espécie de cabo que havia no suporte do braço direito. Concentrou energia ali e simplesmente puxou sua espada de dentro do trono. Era uma espada não muito longa, estilo katana, sendo fina e curvada levemente para cima. O cabo possuía a cor negra com detalhes vermelhos, enquanto a lâmina reluzia um brilho azulado claro. Seu nome era Zankou.
– Certo... Vamos terminar logo com isso. Depois dou um jeito em Shinigami. – E simplesmente desapareceu do lugar, aparecendo no meio da guerra.
Tudo estava a maior bagunça. Os dois exércitos haviam se dispersado e lutavam sem qualquer tipo de sincronia ou plano elaborado. Ela controlou a vontade de gargalhar. Com toda certeza Izanagi estaria arrancando seus próprios cabelos. Ele era um exímio perfeccionista, enquanto ela não ligava nem um pouco para bagunças ou badernas. Para ela aquele tipo de guerra era bem mais vantajosa.
Estreitou os olhos e procurou pelos adversários mais fortes do lado inimigo. Seria injusto matar os que não podiam sequer ferí-la. Além do mais, pular na guerra e matar inúmeros soldados não era de seu feitio. Ela sempre preferiu acabar a guerra antes da batalha. Devido a isso já haviam tido inúmeros confrontos e nunca havia ficado claro quem era o vencedor.
Izanami ofegou e, ainda de costas, dobrou um dos joelhos e sentiu o vento de uma lâmina passar por onde antes estava seu pescoço. Impusiou-se para trás e ergueu sua katana para bloquear um novo ataque. A onda de choque os fez afundar no chão, trincando a região próxima.
– Linda como sempre, mamãe...
– Tsuki, querida... Não precisamos fazer isso mais uma vez. – Izanami olhou adiante, vendo Izanagi atento à batalha que ocorria entre as duas Deusas. Lógico que ele jamais desceria para travar lutas. Não era bom nisso. Era um exímio estrategista, sabia lutar sem as armas, com armadilhas e manipulando as coisas. Mas não poderia lutar contra outros Deuses frente a frente.
– Não precisa ficar repetindo isso a cada confronto. Também me dói ter de enfrentá-la. Mas temos ideais diferentes. – Tsuki recuou a Espada do Luar. Encarou os olhos azuis nublados de sua mãe e respirou fundo.
– “Vamos terminar logo com isso” – Tsuki repetiu as palavras ditas há pouco por sua mãe, como se soubesse o que ela estava a pensar naquele momento.
Ambas sorriam uma para a outra. E novamente as espadas se chocaram fortemente.
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Shinigami era muito forte, Naruto descubriu, incrédulo. Aquele jovem garoto o estava pressionando de uma maneira assustadora. Já havia levado golpes leves na coxa e nos braços. Felizmente todos eles já haviam sido restaurados. Aquela pequena adaga conseguia defender os golpes aplicados com toda a força de Naruto e a potência da poderosa Espada Deusa, Shikami.
– O que há, Ameno-sama? – Naruto irritou-se mais com o sorrisinho daquele moleque do que com a própria pergunta. – Parece que estou lhe dando dificuldades? – Naruto assustou-se com aquele som ao pé de seu ouvido. Tentou desviar para o lado, mas, atordoado, tropeçou e caiu, sentindo-se ainda mais humilhado.
Shinigami gargalhou ainda mais. O jovem usava uma camisa de couro amarronzada, uma calça negra e um sobretudo também negro. Este era de tecido grosso, possuindo alguns bolsos fora e uma pequena tira balançando para todos os lados. Tira essa que poderia ser usada para enlaçar o sobretudo na hora de fechá-lo. A adaga possuía nada mais que vinte centímetros. Era de cor vermelho enverrujada, e tinha um cabo de mámore branco. Shinigami tinha uma estatua de um adolescente, pele branca, olhos divertidos de cor verde claro e lábios finos. Era irritante para Naruto apenas olhá-lo.
Ameno se levantou e arrancou sua capa com ira, jogando-a no chão já desfigurado. Respirou fundo e sentiu vontade de jogar a armadura inteira no chão também. Aquilo o deixava desconfortável em demasia. Porém, evitando agir por impulso, achou melhor deixá-la ali. Não corria risco de morrer para Shinigami, mas sabia que ele o atrasaria o máximo que pudesse e poderia carregar a guerra com isso.
Ergueu Shikami diante de si e urrou, liberando todo seu poder de uma vez apenas. Shikami tremeu em suas mãos, como se quisesse transmitir a seu mestre que não conseguiria manter toda aquela energia em si. Mas Naruto pouco se importou. Avançou contra Shinigami, usando Shikami com apenas uma mão. Ficaria mais vulnerável, mas conseguiria ser mais rápido e se sentiria mais confortável. Shinigami defendeu com a adaga, empurrando a espada para o outro lado, avançando contra a guarda aberta de Naruto. A adaga cravou na mão aberta de Naruto, imbolizando-a. Shinigami soltou a adaga e tentou acertar um soco em Naruto, porém Ameno já estava preparado. Naruto puxou a adaga de sua mão e tentou perfurar as costelas de seu adversário, que desviou rapidamente, permitindo que a adaga penetrasse por suas axilas, arranhando levemente o coração.
Naruto largou a adaga e se afastou, vendo Shinigami cuspir sangue no chão, ainda rindo.
– Ah... – Shinigami levantou-se com dificuldade, gargalhando e tossindo sangue. – Parece que estou em desvantagem agora...
Naruto avançou novamente. Não poderia dar uma oportunidade de contra-ataque a Shinigami. Ele era uma adversário perigoso demais. Empunhou Shikami firmemente com as duas mão para acertar um golpe fatal. Ao chegar perto de Shinigami, que o olhava como quem já havia desistido, percebeu que era uma armadilha. Não havia como parar, então continuou com seu golpe. Quando Shikami estava a centímetros do pescoço de seu adversário, Naruto sentiu-se lento e com dores em todo o corpo, como se o estivesse forçando a fazer algo que não podia, fisicamente, fazer. Shinigami moveu-se rapidamente, chocando a adaga contra a espada de Naruto, fazendo-a evaporar em pó. Shinigami soltou a adaga e abaixou-se velozmente, aparando-a com a outra mão e pulando para cima, rasgando o peito de Naruto, do umbigo ao ombro direito, desfazendo a armadura por todo o lugar onde havia feito o corte.
Ameno caiu ao chão, praticamente derrotado. Sua regeneração inicou-se imediatamente, mas não daria tempo, uma vez que Shinigami já caía por cima. Naruto pensou rápido e resolveu se arriscar ao tudo ou nada. Bateu sua mão esquerda fortemente ao chão.
O peso da gravidade multiplicou-se, puxando Shinigami velozmente para o chão e atrapalhando totalmente seu ataque. Naruto ergueu o braço direito e perfurou o peito de seu adversário, acabando com a luta.
– Bem melhor... – Sussurrou, lembrando-se de como era bom lutar sem espadas. Preferia sentir a carne desfiando-se com as prórprias mãos. Shinigami caiu, imóvel, do seu lado. Os olhos verdes perdiam o brilho enquanto o garoto se aprofundava na escuridão da morte.
Naruto sentiu uma presença próxima a si, mas não pôde defender-se a tempo. Foi jogado com força para dentro da parte da floresta que ainda não havia sido palco de batalhas. A escuridão não o permitia enxergar a tudo, mas pôde perceber um esguio corpo coberto por uma capa negra, e olhos vermelhos e brilhosos lhe avaliando.
O desconhecido retirou a capa e jogou-a longe, mostrando-se totalmente à Naruto, que ficou boquiaberto e sem reação.
– Você... Como... – Ele não conseguia formular as perguntas que era necessárias. Nem mesmo conseguia controlar a vontade de avançar contra aquela pessoa e enchê-la de beijos e abraços.
– Não fale nada... – A pessoa se aproximou e imprensou Naruto na árvore em que ele havia batido ao chegar ali. Retirou a armadura dele com urgência, rasgando a camisa que havia por baixo e colocando-se na ponta dos pés para sussurrar em seu ouvido. – Apenas transe loucamente comigo, Ameno-sama. Já se fazem cinco anos, querido. Estou louca de saudades. – Madoka o prendeu completamente em seu charme. O barulho da batalha não atrapalharia sua sede naquele momento.
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