Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi

46 Capítulo 46: Cinzas da Guerra - Parte 1


Notas iniciais
YO! A pergunta que não quer calar: Naruto, Madoka e Hinata realmente morreram? SIM. Definitivamente? Bem... Morrer é morrer, né? KKKKKK Eu fiquei bem decepcionado com a receptividade do último capítulo. Perdi uns 20 favoritos e vários acompanhantes. Sei que foi bem impactante, mas não foi a primeira vez que fiz isso nessa fanfic. Preparem os hearts e os olhos, e principalmente, tenham calma e uma boa interpretação da leitura. Já perceberam que eu gosto de jogar com vocês, não é? KKKKKK Quero me desculpar por estar devendo a resposta de vários reviews. Eu leio todos e fico me mordendo para responder. Quando tenho tempo sempre respondo uns e outros enquanto escrevo, mas é complicado. Prometo que responderei a todos que estou devendo :D Sem mais, divirtam-se!

Capítulo 46: Cinzas da Guerra – Parte 1

↨ Alguns dias antes da guerra. País da Terra.

Ela esperava ansiosa na cabana. Ele havia prometido lhe encontrar ali, e faltava apenas uma hora para o horário marcado. Vestiu sua melhor roupa íntima, e trajava sua roupa mais bela: uma yukata vermelha com estampados floridos amarelados e azulados. Os cabelos eram presos em um coque no alto da cabeça, amarrados em algo que parecia um hashi.

Havia feito, também, vários pratos de comida e sobremesas. Havia comprado bebidas exóticas e feito um preparo total para algumas horas de amor e palavras bonitas.

Karin estava no dia mais feliz de sua vida, com a maior beleza que um dia sonhou possuir. Tudo para ele. Tudo para Uchiha Sasuke, que havia prometido ser somente dela dali em diante. E não havia razão para duvidar dele, já que o rapaz havia mudado tanto perante ela. Era carinhoso, era atencioso. Era gentil. Era, literalmente, um amor de homem.

Sentiu o chakra penetrar a densidade da mata, onde ficava escondida a pequena, mas confortável cabana. Sorriu corada, imaginando a felicidade que sentiria em sua vida dali em diante. Havia sacrificado a tudo que conhecia por ele. Havia participado, mesmo que indiretamente, de uma armadilha para Uzumaki Naruto. Sim, ela, nesta altura de sua vida, já sabia de sua descendência, e, portanto, que era a única parente de sangue puro do rapaz. Sabia, também, que o Uzumaki era inocente de tudo que lhe acusavam. Ao menos antes de ser preso. Mas nada disso tinha significância alguma, quando colocado em balança com Uchiha Sasuke. Ela faria tudo de novo para ficar com ele.

– Você está linda. – A voz entrou em seus ouvidos, deixando-a atordoada. Não era a voz que esperava escutar. Não era a presença que esperava. Era uma voz feminina. Era a voz de Haruno Sakura. Não houve tempo para reação, pois o soco chocou-se brutalmente contra o rosto da garota de óculos. Karin estava ansiosa, e por isso, esperava de olhos fechados na janela, sentindo o vento gostoso no rosto. Foi o um alvo fácil para a rosada. Karin voou por dentro da cabana, atravessando-a por completo.

A cabana ficou completamente destruída. Karin caiu no meio da floresta, e levantou com dificuldade devido a força do golpe inesperado. Olhou adiante e viu seu ninho de amor desabar, deixando apenas a poeira subir perante as árvores do lugar. Ficou possessa.

– Que diabos está havendo aqui? – Perguntou a atordoada Karin. Via Sakura vir novamente em seu encontro. E não era para conversar. – Selamento: Prisão da Besta. – Segurou um pulso com uma mão e exibiu a palma aberta na direção de Sakura. A Haruno parou bruscamente, enquanto tinha o corpo preenchido por escrituras criptografadas. Karin sorriu, mas por pouco. As escrituras rapidamente sumiram do corpo de Sakura, deixando Karin totalmente abismada. – Mas que... – Sentiu os braços serem puxados para trás, sendo imobilizada. Não havia sentido essa presença que lhe prendia desde que havia entrado na área de seu sensor. Arfou, imaginando ser devaneio seu. Mas não estava errada. Era o mesmo cheiro afinal.

Sakura aproveitou-se que Karin era imobilizada e socou brutalmente a Uzumaki no estômago. Karin vomitou muito sangue ao chão, já nocauteada. Receber um soco desta forma, de Sakura, que possuía um dos mais poderosos socos do mundo shinobi, era fim de batalha. Talvez não tivesse morrido ainda por ter o corpo forte, herança Uzumaki, e também por ser ninja médica.

A Haruno chutou o corpo mole de Karin para o lado, deixando-a de barriga para cima. Os óculos da garota haviam trincado uma das lentes e quebrado uma perna. Mas mesmo assim Sakura os pôs de volta nos olhos de Karin. Assim que a garota conseguiu reabilitar sua visão, pôde vê-lo. Já havia entendido tudo. Ele havia camuflado Sakura, entrou na área em que ela poderia rastrear e então camuflou a si mesmo também. Fora ele também que havia livrado Sakura do selamento que lançou, assim como havia, para seu desespero maior, a prendido para que Sakura terminasse logo com aquilo.

– Porquê, Sasuke-kun? – Falou com dificuldade, com sangue escorrendo pelos cantos da boca. Sasuke arqueou as sobrancelhas e olhou para Sakura, como se jamais tivesse visto Karin. Ele a estava rejeitando, pensou Karin, enquanto sentia seu coração em frangalhos. Havia dado tudo a ele, e ele a desprezava agora.

– Porquê o quê? – Perguntou com um sorriso ferino.

– Por isso! – Sakura jogou uma carta no rosto de Karin.

Era uma mensagem de Karin, marcando um encontro e se insinuando para Sasuke. Havia o horário e o local, tal qual o que planejava fazer com o Uchiha.

– Como ousa dar em cima do meu marido com tamanha cada de pau? – Perguntou Sakura incrédula. Estava furiosa também, e chutou duas vezes as costelas de Karin, fazendo a garota cuspir mais sangue ao lado.

– Chega, Sakura. Ela já entendeu. – Ele segurou o pulso da agora Uchiha, beijando a testa com carinho. – Vá indo, eu vou apenas convencê-la a não nos procurar mais. – Olhou sério para Sakura, que atendeu o pedido quase ordem e começou a correr para a direção de onde haveria a guerra. – Então, Karin? Como se sente?

– Você é um verme! – Ela arrancou forças para dizer. O olhar era ferino, mas o rosto contraia-se em dor, tanto física quanto emocional. Estava devastada. Foi usada, foi traída, e agora estava sendo humilhada de uma maneira que jamais imaginou.

Sasuke apenas sorriu com o canto dos lábios. Puxou sua espada das costas e guiou a ponta para a traqueia da Uzumaki, cortando não muito fundo, mas de maneira fatal. Viu a mulher começar a agonizar, engasgando com o próprio sangue.

– Não quero vê-la morrer, Karin, agradeça por isso. – Deu as costas e correu na mesma direção que Sakura havia ido, deixando-a para morrer.

Karin agonizou por cerca de três minutos, para finalmente aquietar-se. Mas, mesmo Sasuke possuindo uma inteligência tremenda, havia esquecido que Karin era uma ótima ninja médica. Havia evoluído também, e conseguiu concentrar toda sua força no sangramento do pescoço, conseguindo curá-lo o suficiente para não morrer. Girou para o lado e vomitou o sangue acumulado na garganta, tossindo forte.

– Não ficará assim, Sasuke-kun. – Sussurrou para si mesma, levantando-se com dificuldade e tomando a direção de Konoha. Sua sobrevivência estava descartada. Morreria, com toda certeza, mas garantiria, antes disso, que os planos de Sasuke fossem totalmente destruídos, assim como ele fez com seu coração.

Havia a estrada principal que daria no País do Fogo, mas Karin também sabia da estrada secundária, usada por traficantes e sujeitos de má índole, que a usavam para cometer seus crimes. Ali seria mais seguro, nesta época de guerra, para ela seguir. Não poderia topar com qualquer ninja de Konoha, afinal, ela também era uma Nukenin. Teria que falar com alguém que pudesse lhe garantir que a informação seria bem usada.

Uma dia e meio depois, sem pausas, chegou à fronteira do País do Fogo. Por medida de segurança, havia desviado levemente para o lado da estrada, andando mais ou meio do mato. Sentiu a tontura pela falta de forças. Era Uzumaki, mas não era Deus. Juntou o restante de suas forças e desviou para a estrada principal. Como última esperança, torcia para alguém encontra-la ali. Naquela altura, não se importava quem fosse, teria que passar a informação antes que morresse.

Outra garota vinha em sua maior velocidade, da direção contrária. Rumando de Konoha para Kumo. Era necessário dar uma pequena volta, deixando a viagem mais longa. Mas, assim como Karin, evitava a estrada principal. Estava fugindo, afinal. Como a boa ninja médica que era, logo notou a circulação irregular de chakra logo à frente. Não pôde suprimir o pequeno grito de surpresa ao ver ali, em sua frente, Uzumaki Karin, à beira da morte.

Shizune aproximou-se do corpo da mulher e verificou os batimentos pela jugular, notando que apesar de fraca, ainda estava viva. Shizune não era burra. Sabia que se Karin estava ali, da forma que estava, com certeza estava tentando chegar em Konoha. E seja lá qual fosse o motivo, deveria ser importante. Puxou um pergaminho de seu colete e amarrou no pulso de Karin, amarrando a outra ponta no seu próprio. Ergueu o corpo da outra garota e colocou em suas costas.

Concentrou chakra no pergaminho, transferindo do seu pulso para o pulso de Karin. Aquilo era parecido com um soro aplicado, porém muito mais efetivo. Com certeza seria melhor fazer o tratamento essencial, aplicando o chakra diretamente com as mãos. Mas Shizune não arriscaria perder mais tempo. Sentia que o motivo de ter encontrado Karin ali era essencial para alguma coisa importante.

No terceiro dia de corrida rumando Kumo, já dentro do País do Trovão, Karin acordou. Abriu os olhos com dificuldade, sentindo uma dor de cabeça descomunal. Fechou os olhos com força, tentando dispersar os latejos no corpo. Mas sentiu o vento bater no rosto. Abriu os olhos novamente e avaliou a situação. Estava sendo carregada por uma shinobi de Konoha. Olhou a região e reconheceu a tudo rapidamente. Tentou forçar sua descida, mas estava fraca demais. A shinobi parou e tirou Karin com um certo cuidado, depositando-a ao pé de uma árvore.

– Não temos tempo – Começou Karin. – Tenho notícias urgentes para passar.

– Então estamos no mesmo barco. – Shizune sorriu, apesar da situação. – Sou Shizune. Apesar da minha cara amigável, não sou idiota. Desembuche! – Exigiu. Karin olhou firme em seus olhos e viu que a ninja falava muito sério. E contou tudo. Conforme as palavras saíam de sua boca, os olhos de Shizune abriam mais, surpresa e desesperada.

– Espera! – Interrompeu Shizune. – Uchiha Sasuke planeja tomar o controle? – Perguntou abismada. Karin apenas afirmou. – Preciso chegar urgentemente. Faltam apenas quatro horas até Kumo.

– Me leve junto! – Foi um pedido misturado com exigência. – Quero fazer o que puder para impedir que isso aconteça.

– Mas você – Foi interrompida.

– Não me importo em morrer. Já estou morta por dentro. Quero apenas leva-lo junto! – Shizune viu o brilho nos olhos de Karin. Ela estava decidida. Que assim fosse. Shizune, em outras situações, como dever de médica, faria de tudo para que ela preservasse sua vida. Mas não tinha tempo para isso.

Shizune carregou Karin o tempo restante até Kumo. Logo já podiam sentir os chakras e os estrondos das batalhas que entornavam a região. Karin, já bem melhor, pôde descer quando seu sensor captou as presenças mais importantes para as duas.

– Uzumaki Naruto está um pouco mais afastados dos focos de batalha. Parece conversar com outro chakra Uzumaki e mais uma pessoa. Há um chakra Hyuuga há seiscentos metros da região, também batalhando. O chakra Uchiha está na direção oposta, há quinhentos metros. A Hokage está há cento e cinquenta metros de onde Uzumaki Naruto está. – Falou Karin com os olhos fechados. Conseguia perceber toda a movimentação de todas as batalhas da região, o que facilitou, e muito, o trabalho de Shizune. – Vamos para onde a Hokage está. Me siga! – Começou a correr na direção em que Tsunade estava, mas parou bruscamente ao notar o chakra de Sasuke e Sakura, rumando a batalha da Hyuuga.

– O que foi? – Perguntou Shizune, estranhando a expressão de Karin.

– Siga quinhentos metros à nossa frente e encontrará a Hokage. Eu irei para onde a Hyuuga está. – Olhou nos olhos de Shizune e a médica assentiu.

Ambas tomaram os rumos contrários. Karin executou alguns selos enquanto corria e tocou levemente o ombro, escondendo sua presença totalmente. Nem mesmo Sasuke conseguiria percebê-la. Chegou onde acontecia a batalha entre Hinata e Sakura, no momento. Escondeu-se atrás de algumas árvores, sabendo, também, que Sasuke estava do outro lado da batalha, quieto. A Uzumaki presenciou a tudo. Viu Hinata estar superior à Sakura, para sua satisfação. Viu quando o jogo mudou, e depois, mudou novamente. A batalha estava ganha para a Hyuuga, embora também estivesse em risco de morte. Não faria mal, esperaria Sasuke e Sakura saírem dali e iria salvá-la.

E então Sasuke deu o golpe final em Hinata, salvando Sakura. Trincou os dentes ao notar o chakra da Hyuuga cada vez mais fraco, morrendo. Quando Sasuke e Sakura sumiram de suas vistas, pulou diante da mulher, mas já era tarde. Hinata já havia morrido.

Karin se sentou ao chão, pensando profundamente em suas opções. Estava aos cacos, tanto fisicamente quando emocionalmente. Não poderia ter evitado a morte da mulher à sua frente, pois caso aparecesse na batalha, morreria também por Sakura ou Sasuke. Olhou para o rosto de Hinata, vendo os olhos perolados opacos, abertos. A maior parte dos longos cabelos estava empapada pelo sangue que vazava da cabeça. Respirou fundo, tomando sua decisão.

Hinata era muito mais forte do que Karin, e a ruiva tinha consciência disso. Sua vida não valia nada naquele momento. Já deveria até mesmo ter morrido, caso não tivesse encontrado Shizune, por pura ocasião do destino, ou até mesmo por Kami-sama. Iria dar sua vida para Hinata. Ela valeria muito mais naquela guerra. Com Hinata viva as chances para Naruto vencer a guerra seriam muito maiores, e Karin não se importava em morrer, desde que Sasuke também morresse. Fechou os olhos de Hinata e deitou o corpo de uma maneira regular, executando selos e sussurrando:

– Jutsu Proibido: Reencarnação da Alma. – Karin concentrou o chakra em suas mãos e apertou sobre o peito de Hinata, executando o jutsu.

O funcionamento era bem simples, mas bastante complexo. Karin, como usuária do jutsu, usaria sua própria vitalidade como uma linha de vida, que se amarraria à linha de vida de Hinata, puxando-a, assim, de volta para o corpo da garota. Porém algo deu muito errado, e Karin desesperou-se. A ideia que teve, no momento, era que alguém, do outro lado, estava puxando a linha de Hinata. Alguém não queria que Hinata voltasse à vida. Era um cabo de guerra e, caso perdesse, Karin também morreria.

– Merda! – Vociferou.

Tsunade observava o desenrolar daquela conversa. Naquele momento Naruto conversava com Kushina. Sentia, mesmo de longe e escondida, o chakra de Naruto oscilar e seu corpo ficar rígido. Sorriu meigamente ao notar o quão feliz, mesmo estando nervoso, ele se sentia. Havia lutado há pouco com alguns ninjas, apenas dez, e os corpos jaziam colocados de maneira organizada e honrosa pouco abaixo de uma grande árvore. Sentiu uma nova presença no local e esta era inconfundível.

– Tsunade: Shizune. – Murmurou, sentindo saudades e uma enorme vontade de abraça-la.

Shizune saltou dos galhos de uma árvore e caiu a poucos metros de Tsunade. A ninja médica tinha olheiras e os olhos marejados. Suas vestes eram as mesmas de sempre, com exceção do colete Jounnin, mas notava-se que não estava em batalha. E se estivesse, acabara de desistir dela.

– Shizune: Tsunade-sama... Eu senti tanto a sua falta! – Aproximou-se em velocidade e, vendo os braços da mestra abertos, pulou e sentiu o calor do abraço. Havia sofrido tanto quando soube da morte de Tsunade. Todo aquele peso nas costas, toda aquela solidão. Um buraco no peito que aumentava cada vez que tinha que entrar em casa e lembrar de sua querida mestra bebendo ou dormindo largada em qualquer lugar. – Eu senti tantas saudades!

Ao descobrir que Tsunade estava viva, Shizune encontrou novamente gás para a vida. Infelizmente não havia como sair de Konoha. Apesar de ainda sustentar uma importante função no hospital, as vigilâncias em todos os lugares estavam intensas. Sair de Konoha e tomar o rumo de Kiri naquele momento seria impossível. O fato de Tsunade também não tê-la procurado lhe perfurava o peito. Mas aquilo não importava. O que importava era que poderia brigar com ela novamente, seja por beber demais ou por não trabalhar. Esperou, paciente e euforicamente, por todo aquele tempo e fugiu logo após o exército ninja se retirar de Konoha rumo à batalha. Teria de vê-la novamente.

– Shizune: Mestra... Eu sei de algo. – Limpou as lágrimas dos olhos. – E é bom você escutar tudo com muita atenção. – Neste momento o chakra de Naruto explodiu com violência, fazendo Tsunade e Shizune caírem por cima uma da outra. – Parece que cheguei tarde.

Ambas sentiram a fúria do chakra de Naruto, mas Tsunade não se preocupou muito com isso. Sabia que Naruto estava apenas liberando todo o seu poder. Agora que a guerra iria começar para ele. Ficou mais preocupada com o que Shizune estava contando naquele momento. Sua expressão de incredulidade e sua palidez eram pouco para o que acabara de ouvir. Precisava fazer algo urgente.

– Karin seguiu para onde Hinata está? – Aquilo não fazia sentido. Se Karin estava em busca de vingança, a lógica seria vir em busca de Naruto, que faria questão de liquidar com Sasuke no momento que soubesse da existência dele pelos arredores. A menos que... – Droga! Vamos logo! Sasuke provavelmente atacará Hinata.

E praticamente voaram para a direção onde Hinata se encontrava. Depois de quinze minutos puderam perceber a clareira da floresta, que indicava a batalha que havia tido ali, momentos antes. Avaliaram o local e logo viram Karin ajoelhada ao corpo de Hinata. Tsunade sentiu um aperto no peito ao notar que não havia chakra vindo de Hinata, e que Karin executava um jutsu médico complexo demais.

– O que está havendo? – Perguntou Tsunade ao lado de Karin, já avaliando o corpo de Hinata. Estava morta, realmente. A Senju forçou-se a não ceder à dor naquele momento, pois seja lá o que Karin estivesse fazendo, era uma tentativa de salvá-la. E Tsunade rapidamente entendeu do que se tratava. Não questionou. Seu egoísmo naquele momento não dava valor à vida de Karin perante a de Hinata. Apenas seria profundamente grata pelo que a garota estava fazendo.

Mas logo notou que havia algo errado. A expressão de Karin não era das melhores, apesar do que ela estava fazendo.

– Há complicações – Começou Karin, com os olhos fechados. – É como se alguém estivesse puxando o fio de vida do outro lado. Estou perdendo o cabo de guerra e morreremos nós duas. – Falou com a voz calma, tentando manter a concentração no jutsu. Não havia como parar a execução, sabia Tsunade. O fio de vida, após executar o jutsu, era um só até que fosse finalizado. Se algo, ou alguém, do outro lado, estivesse realmente puxando a vida de Hinata, puxaria também a de Karin, pois estavam “amarradas”.

Antes que Tsunade pudesse fazer algo, Shizune concentrou chakra nas mãos e pôs sobre as de Karin, participando do jutsu também. Tsunade ofegou ao notar o que sua quase sobrinha acabara de fazer.

– Você está louca? – Falou num fio de voz. Sentia os olhos marejarem e o peito doer, vendo o sacrifício de Shizune.

Porém a garota apenas sorriu, com os olhos fechados.

– Não se preocupe. Estou feliz por fazer isso. Eu sinto que é a única forma de me redimir por tudo que fiz. Por ter ficado contra Naruto naquele tempo. Por ter ignorado o que meu coração dizia e ter seguido a razão. Sinto que eu poderia ter mudado muita coisa se tivesse confiado nele e no amor que ele sentia pela senhora, Tsunade-sama. Além do mais, sei que Hinata possui filhos, e a única coisa que eu tinha na vida era sua confiança. Coisa que já não possuo. – Shizune falava com a voz mansa, com lágrimas descendo devagar pela face.

– Escute com atenção, Tsunade, e mantenha a calma. – Karin interrompeu o drama da Senju. Tsunade recuperou a respiração e tomou a atenção para Karin. – Sasuke acabou de matar a Uchiha. – Tsunade sentiu o ar faltar, levando uma mão à boca e sentindo o corpo tremer. – Ele irá agora para onde Naruto está. Ele pretende agir pelas costas tanto de vocês quanto da aliança. Ele quer pegar o que sobrar de forças de quem vencer a guerra e dominar a tudo. – Karin pausou, ainda concentrada no jutsu. – Se você conseguir salvar Naruto, ele pode trazer a Uchiha de volta à vida. – Tsunade sentiu a ideia clarear sua mente. A dor havia ido embora parcialmente, pois nem tudo estava perdido. – Quero que me prometa uma coisa apenas: Garanta a morte de Uchiha Sasuke. Estou dando minha vida para salvar a da Hyuuga, mas em troca quero que matem Sasuke. – A voz de Karin continuava suave, e Tsunade não podia fazer mais do que honrar o sacrifício das duas mulheres.

– Tsunade-sama. – Shizune chamou. – Eu estou feliz por vê-la novamente e por estar sendo útil agora. Me perdoe por todos os problemas que causei.

– Conseguimos! – Karin abriu os olhos e olhou para Shizune e Tsunade, enquanto tirava as mãos do peito de Hinata.

Shizune abraçou Tsunade fortemente, enquanto a Hokage dizia obrigado a ela e a Karin. Notou Hinata abrir os olhos vagarosamente, ao mesmo tempo que sentia Shizune amolecer em seus braços. Escutou o baque de Karin caindo, e fechou os olhos com força, apertando ainda mais o corpo de Shizune em seus braços.

– O... quê... – Hinata balbuciou ainda atordoada. Levou a mão até a cabeça, onde havia o ferimento de antes. Estava curado. Não havia mais ferimento algum em seu corpo. Sentia apenas uma tontura leve. Olhou para os lados e percebeu o corpo de Karin caído, sem vida. Escutou, então, o choro baixo de Tsunade. Foi só então que percebeu a presença da Senju, segurando o corpo mole de Shizune, que não emitia chakra algum. – O que está acontecendo aqui?

– Eu explico depois. – Tsunade falou, recuperando suas forças. Tinha que ir correndo onde Naruto estava. – Precisamos agir rapidamente. – Tirou do bolso um pergaminho e selou os dois corpos. Teria que dar as honrarias que mereciam. – Uchiha Sasuke está indo matar Naruto. Temos que impedir. – Hinata então se lembrou de tudo, e seu raciocínio se uniu à cena que havia presenciado quando acordou. Meio que entendeu o que havia acontecido ali. – Preciso que seja forte, Hinata. – Falou séria e a Hyuuga afirmou com a cabeça. – Maa-chan está morta. – Antes que Hinata pudesse expressar qualquer reação, continuou. – Vamos recolher o corpo dela e depois Naruto pode trazê-la de volta com o Rinne Tensei. – Hinata pareceu se acalmar mais. Porém a dor da perda ainda martelava no peito.

Desviaram para onde Tsunade tinha usado o bunshin para salvar Madoka. Não demorou muito para chegarem ao local e verem a total destruição do lugar. Buracos gigantescos e árvores para todos os lados. Tsunade logo chegou onde o corpo de Madoka estava, vendo a situação.

– Maldito Uchiha! – Bravejou em ódio. Selou o corpo de Madoka e depois foi até onde estava a cabeça da garota. A loira virou o rosto para o lado, não querendo aquela imagem em suas lembranças. Hinata estava mais afastada, claramente mais abalada do que a Senju.

Hinata usou um jutsu de Suiton para limpar o sangue que havia em seus cabelos, para então olhar decidida para Tsunade. Ambas acenaram afirmativamente com a cabeça e partiram para o prédio Kage de Kumo. A presença de Naruto vinha de lá.

Correram em velocidade para o centro de Kumo, pulando pelas batalhas e desviando de alguns golpes que nada tinha a ver consigo. Hinata tinha a mente nublada pelo que havia acontecido há pouco tempo, mas o medo de algo acontecer a Naruto lhe impedia de sentir pena de Tsunade, Shizune ou Karin. Só havia, em sua cabeça, preocupação para com Naruto.

Tsunade olhava Hinata correndo mais à sua frente, mais agoniada e desesperada que a si mesma. Sentia o coração pesado por Shizune e até mesmo por Karin, mas não podia pensar nos mortos agora. Seria mais importante impedir que alguém mais morresse, além de Madoka.

Tsunade sentiu a movimentação de chakra lá dentro, com Naruto variando de lugares, desviando e revidando golpes. Sentiu o chakra de Naruto desaparecer por total, e seu peito apertou, juntamente com as lágrimas que ameaçavam sair de seus olhos.

– Não se preocupe. – Hinata a tranquilizou. Tsunade olhou para a olhos perolados e a viu com o Byakugan ativado. – Selaram o chakra dele, mas pelo que vejo ele logo se soltará. – Já estavam perto. Mais cinquenta metros e entrariam no prédio.

Ouviram a explosão de chakra. Hinata, com o Byakugan, soube que o que estava acontecendo, e Tsunade avaliou apenas pela movimentação de chakra, imaginando corretamente o que havia acontecido.

Hinata ia na frente, e ao instante que trocava as passadas, parou bruscamente ao movimentar a perna direita para a frente, caindo de joelhos e deslizando com as mãos, como se estivesse sobre gelo. Tsunade assustou-se com a cena, mas percebeu, mais uma vez, o chakra de Naruto sumir.

Hinata olhava abismada, como se acabasse de presenciar a coisa mais assustadora do mundo. Os olhos trêmulos, arregalados, e o Byakugan desativava lentamente. Tão lentamente que era torturante Tsunade apenas olhar.

– O que houve? – Perguntou hesitante a Senju. Seu coração começava a disparar.

Hinata levou as mãos à boca, entrando em colapso. Tremia compulsivamente, ao passo que os olhos começavam a nublar de lágrimas.

– N-naruto-kun... – Tsunade mal pôde ouvir a voz embargada. – Está morto.

Tsunade sentiu as forças sumirem nas pernas. Foi como se um raio a tivesse atingido. Sentiu uma ânsia e o estômago se contrair.

Viu Hinata se levantar com uma grande dificuldade, quase tropeçando. A olhos perolados já estava a dois metros da entrada, e andou devagar, para logo se apoiar na entrada que havia sido destruída pelo próprio Naruto. Se negava a aceitar que aquilo estivesse acontecendo. Mal conseguia pensar direito tamanha a aceleração no coração e a fraqueza que sentia. Viu o corpo de Naruto sendo apoiado pelas pernas de Mei, que lhe acariciava os cabelos e chorava. Foi o fim. Seu chakra explodiu com violência. Era tudo culpa daquela traidora desgraçada.

Mas antes que pudesse cometer alguma loucura, como pretendia, sentiu o corpo adormecer.

– Sinto muito, Hina. – Foi Tsunade que interviu. Tocou levemente na nuca da garota e a desmaiou. Não era seguro perder o controle agora. Já havia perdido demais. E, além do mais, Tsunade era mais sensata. A loira lembrou que em casa tinham crianças que esperavam que seus pais voltassem. E, por mais que lhe doesse, sabia que Naruto jamais desejaria que seus filhos crescessem sem os pais, coisa que aconteceria caso as duas não recuassem.

Pegou Hinata e apoiou em suas costas, escondendo sua presença e avaliando a situação. Comprimiu toda sua dor devastadora e escondeu sua presença, avaliando o que ainda poderia ser feito.

A tática de Sasuke era por demasiada simples: Espreitar toda a guerra e atacar quando ambos os lados estivessem vulneráveis. Como em um jogo de xadrez, começaria pelos pilares, as peças mais importantes. Sem correr riscos de ser ferido ou cansar, pôs Sakura para lutar contra Hinata, tendo em vista que a Hyuuga estava um pouco cansada e com um ferimento entre as costelas. Foi surpreendido pelo poder que a garota possuía. Sabia que Sakura era quase invencível diante de shinobis que poderiam até mesmo ser mais fortes que ela. Por um motivo também simples: Para vencê-la seria necessário um único golpe que a deixasse fora de combate, já que ela curava os golpes quase que instantaneamente. De toda forma, apesar de Sakura ter perdido, reconheceu que ela havia lutado bem. Menos Hinata no jogo.

Com a Uchiha foi ainda mais fácil. Ela estava tão debilitada emocionalmente que nem mesmo notou quando eles chegaram no local. Um golpe foi o suficiente para tirá-la do jogo também. Menos Madoka no jogo. Quanto a Tsunade, Sasuke resolveu aliviar para Sakura, pois sabia do carinho que a garota tinha por sua mestra. Combinou com Sakura de não matá-la, mas seria necessário selar os poderes dela. E isso se topassem com ela, já que Sakura não gostaria de vê-la em toda aquela situação. Sasuke não se importava com isso. Tirando Naruto, todos no mundo shinobi eram insignificantes.

E então chegou a vez de Naruto. Para a própria surpresa de Sasuke, foi tão fácil quanto Madoka.

Assim como Naruto, Orochimaru e Madara, Sasuke possuía os dois lados da moeda. O chakra do Rikudou Sennin. Os quatro se tornavam existências superiores diante dos outros, tendo em vista que os poderes eram semelhantes ao de um Deus. Podiam esconder suas presenças dentre os quatro. E se os quatro não conseguiam notar, muito menos os outros shinobis comuns.

Esperou, calmamente, que Naruto ficasse vulnerável para seu ataque. Viu quando o loiro foi selado pelos jutsus de Karin e pensou em atacar naquele momento. Mas ficou quieto, esperando o que poderia se desenrolar, já que Killer Bee poderia liquidar com ele e poupá-lo do trabalho. Ficou surpreso pelo fato do ex-jinchuuriki poupá-lo. Viu a rapidez que com que Naruto fugiu dos selamentos e matou a Kira A, e, por fim, o seu momento chegar. Assim como as informações que havia conseguido, percebeu o corpo de Naruto entrar em colapso, finalmente. Era a hora. Usou seu Mangekyou Sharingan para tele portar para detrás do loiro, fincando sua mão certeira e arrancando o coração do rapaz.

– Sasuke: Xeque Mate.... – Sussurrou em seu ouvido, enquanto puxava a mão que transpassava seu peito, apertando seu coração fora do corpo. – Eu venci. – Puxou a mão com o coração do loiro e o corpo de Naruto desabou imóvel.

Segurou o órgão em sua mão, apertando e sentindo o sangue em sua pele. Escutou o choro da Mizukage, mas seu torpor de realização não permitiu que ele agisse rapidamente. Finalmente estava livre de seu maior inimigo, do único que poderia impedi-lo de mudar o mundo da maneira que quisesse.

Cuidado, Sasuke-kun! – Sakura berrou de cima do prédio, onde estavam momentos antes, observando. Estava tão concentrado no seu orgasmo de realização, que não notou a movimentação atrás de si.

– Técnica da Imitação da Sombra – Shikamaru executou os selos e prendeu Sakura, deixando-a totalmente imobilizada. Tocou a mão esquerda no pulso direito e puxou a ponta que ligava o jutsu, prendendo-o no chão. Seria como ter amarrado Sakura no jutsu, como uma corrente. Desta maneira ele poderia deixa-la presa e se movimentar livremente. Ao mesmo que que Shikamaru fez isso, o outro se movimentou.

– Técnica Proibida: Selamento Caixão do Deserto – Fechadura Nível Cinco. – Gaara concentrou chakra e movimentou a areia de sua cabaça na direção de Sasuke. Foi tão rápido que o Uchiha nem teve tempo de raciocinar. A areia tomou a forma de um caixão, cobrindo Sasuke e se fechando com cinco selamentos em forma de ferrolho. – Usem a saída que combinamos! Rápido! – Falou furioso.

Jiraya bateu a mão no chão e um compartimento subterrâneo se abriu, por onde Kakashi, agarrado ao pequeno Minato, que parecia estar dormindo acordado, e Shikamaru pularam. O Sannin olhou para Mei e viu a garota absorta de tudo que estava acontecendo. Ela estava abraçada ao corpo de Naruto, sussurrando e chorando ao ouvido do rapaz. Aquela cena o deixou machucou como nunca. Mas não era o momento de pensar naquilo.

Abriu a boca para gritar com ela, enquanto mantinha o compartimento aberto. Mas não foi necessário.

Tsunade passou rapidamente, com Hinata nas costas. Chutou com força as costas de Mei, fazendo com que a garota se arrastasse e caísse no buraco, junto com o corpo de Naruto. Correu para o local e encarou Jiraya com toda a fúria e desprezo que conseguiu juntar em toda sua vida. O Sannin sentiu mais uma vez a dor da escolha errada.

– Gaara! – Gritou Jiraya.

– Vá! Eu o manterei preso o máximo que conseguir. – Vendo que Jiraya ainda o esperava, irritou-se – Ande logo, droga! – Gritou em plenos pulmões. O Sannin não esperou mais. Pulou e o compartimento se fechou.

Gaara conseguiu segurar Sasuke por apenas três minutos, e então a areia explodiu, fazendo Gaara voar até bater em uma das colunas do prédio. O Sabaku levantou depressa, mas já estava preso pelo Mangekyou. Com a distância que Shikamaru já havia tomado, o jutsu das sombras também havia sido desfeito, deixando Sakura solta.

– Se acalme, Kazekage! – Sasuke mirava os olhos de Gaara, controlando, pelo Sharingan, os movimentos do Sabaku. – Não quero matá-lo. Sorte sua que sejam necessários alguns procedimentos políticos para que eu assuma o controle de Suna.

– Nem louco eu entregaria o poder a você. Além do mais, nem possuo tal poder. É função do Daymio entregar ou não o poder a alguém. – Gaara sorriu com o canto dos lábios. Podia até morrer, mas não entregaria o poder político para Sasuke.

– Acho que você não entendeu, Sabaku. Eu não estou pedindo. Além do mais, não há nenhum Daymio do país do Vento. Não mais. – Sasuke olhou seriamente para Gaara, e viu a irritação nos olhos do ruivo.

Sakura vinha até Sasuke, arrastando o corpo desmaiado de Killer Bee. Jogou o corpo pesado aos pés de Sasuke, e desferiu quatro golpes fortes nos membros do homem, quebrando os dois braços e as duas pernas. Killer Bee acordou aos berros, gritando de dor. Sakura pousou levemente a mão sob o peito do homem e anestesiou sua dor.

– Será assim: Vocês dois me passarão o poder necessário para que eu comande o País do Vento e o País do Relâmpago. – Antes que um dos dois pudesse falar algo, continuou. – Essa guerra já terminou. Naruto acabou com dois terços das tropas e o restante está completamente esgotado. Vocês sabem que eu sou tão poderoso quando ele, e tem duas opções: Me entregam o poder e poupam a vida dos soldados restantes, junto com a população, uma vez que noventa por cento de todos os shinobis estão aqui, restando poucos para proteger as vilas. Ou então se negam, eu mato ambos e depois os shinobis restantes e tomo o poder de qualquer forma. – Encarou Gaara e Killer Bee, e viu a resposta nos olhos deles. – Perfeito! Um bom diálogo sempre resolve os problemas. – Soltou Gaara e tirou-o sob o comando do Sharingan. – Você não é burro, Kazekage. Sabe que não tem alternativa. Sakura, cure Killer Bee. – Sasuke finalmente notou algo que estava fazendo falta ali. – Onde está a Tsuchikage? – Perguntou a Gaara, que o seguia para a frente do prédio.

– Decidimos que não seria necessária a intervenção dela no que haveria aqui dentro. Ela está junto das tropas, lá fora. – Respondeu friamente. Havia notado todo o poder de Sasuke. Lutar ali seria loucura. Não por ter sua vida em jogo, afinal sua honra valia mais que isso. Mas a mesma honra não poderia ser colocada na frente das vidas que ainda restavam no exército.

No momento em que Naruto foi golpeado, todas as invocações e os Seis caminhos foram dispersos, juntamente com seu Susano’o. Os shinobis da aliança ergueram suas armas em sinal de comemoração, já que aquilo indicava que o invocador havia sido abatido. Todas as tropas se reuniram e tomaram a direção do Prédio de Kumo, local indicado para o pronunciamento pós-guerra.

E ali, para a destruição da honra de Gaara e Killer Bee, foram obrigados a passar a liderança da Aliança para Uchiha Sasuke. E era apenas o começo do manicômio que o mundo viria a se tornar.

O compartimento aberto por Jiraya era como um portal. Havia sido criado por uma adaptação de Invocação Automática, somente para aquela finalidade. Serviria como última saída caso não conseguissem vencer Naruto. Infelizmente, não só apenas haviam perdido para Naruto, como para Sasuke, que havia vencido a todos. Uma infelicidade gigantesca para todos.

A saída era há quatrocentos quilômetros de Kumo, já no país das Ondas. Caíram todos jogados ao chão da floresta, que já via o sol se por.

Com o impacto, Hinata finalmente ameaçava acordar, para o desespero de Tsunade. A loira, ao ver o corpo de Naruto, não se importou com mais nada e pulou sobre ele, avaliando o estado. O buraco no peito era bem visível, assim como a falta do órgão. Daquela forma nem poderia fazer a única coisa que estava a seu alcance.

Como bom gênio que era, Shikamaru se aproximou com cuidado e ergueu a mão para ela, exibindo o que faltava para que pudesse realizar o jutsu: o coração de Naruto.

Ela olhou para Shikamaru e pegou, com as mãos trêmulas, o órgão do rapaz. Colocou no peito do garoto e usou seus conhecimentos para emendar o órgão ao sistema orgânico do rapaz.

Naquela altura, o silêncio imperava.

Jiraya não imaginou que um dia poderia sentir tanto remorso. Havia feito todo aquele plano pensando apenas em prender Naruto. Não com a finalidade de fazê-lo sofrer. Mas para ver se tirando todo aquele poder das mãos dele, pudesse trazer lucidez aos pensamentos do rapaz. Queria fazê-lo voltar a razão. E agora, via o corpo morto do garoto estendido ao chão. Sentia lágrima nos olhos, mesmo sendo um cadáver. Socou o chão com força, soluçando em meio a choro.

Kakashi estava absorto. Era como se tudo aquilo fosse um pesadelo. Olhava, com os olhos trêmulos e úmidos, para a cena à sua frente. Tsunade praticamente tendo um ataque nervoso, aos pés de seu aluno morto. Morto. A ficha parecia não cair. O ninja copiador levou as mãos à cabeça e apertou fortemente, como se pudesse comprimir os pensamentos e compacta-los para mantê-los longe de seu próprio entendimento. Puxou as pernas e abraçou os joelhos. Voltou ao tempo em que perdeu Obito, e seu coração sangrou. Lembrou-se dos discursos que Obito jogava aos seus ouvidos quase que diariamente, em Konoha e depois lembrou-se de como Naruto era parecido com ele, com aquele espírito sonhador e abestalhado. Pela primeira vez, em anos, Kakashi retirou a máscara e deixou-a abaixo do queixo. Sua respiração se tornava mais pesada, e não sentia o ar entrar pelas narinas. Escorregou pelo tronco da árvore e, ofegando, caiu para o lado, ficando com a visão turva e perdendo os sentidos.

Em seu último raciocínio antes de apagar, Kakashi rogou à Kami que não lhe deixasse acordar mais uma vez, para que não pudesse sentir toda a culpa que seu coração carregava nas costas. A culpa de ter participado do plano que, embora visasse a melhora de Naruto, lhe trouxe a morte.

Shikamaru evitava pensar muito no que via. Até porque, caso o fizesse, nenhum ali seria capaz de usar a lógica. Cabia a ele, naquele momento, ser o dono da razão.

– O que fará, Tsunade-sama? – Perguntou se aproximando. Tsunade acabara de conectar o coração de Naruto de volta ao corpo.

– T-Tentarei fazer a última coisa que posso. – Ela falou com a voz embargada. Seu corpo inteiro tremia, e Shikamaru tinha certeza que ela não conseguiria sequer concentrar chakra para alguma coisa, mas resolveu não dizer nada.

O gênio de Konoha olhou para o céu e constatou que a noite chegava. Ele sabia muito bem onde estavam, e começou a pensar no que deveriam fazer. Para Shikamaru, naquele momento, era impossível que Gaara vencesse Sasuke. Ele sabia que mesmo nos tempos da quarta guerra, o Uchiha já era superior ao Sabaku. Ainda mais naquela situação, onde apareceu em instantes e destruiu os planos tanto de Naruto quanto o deles.

Podia imaginar o que Sasuke visava, mas não conseguia chegar a uma conclusão concreta. Tinha certeza apenas de uma coisa: Sasuke iria tomar o controle das nações no lugar de Naruto e, olhando para todos os que estavam ali, principalmente em Minato, soube que jamais estariam seguros se voltassem para Konoha ou Kiri.

– O que está acontecendo aqui? – Todos, com exceção de Tsunade, voltaram sua atenção para voz infantil que emitiu aquele miado. Era o pequeno Minato.

O garoto estava em pé, atrás de Tsunade. O pequeno tinha as pernas bambas. Os olhos azuis brilhavam pelas lágrimas. Antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, ou presenciar mais alguma cena, Mei aproximou-se.

– Olá, Minato-kun. – Podia-se perceber a voz rouca e chorosa. Shikamaru olhou a cena e sentiu pena por Mei. Ele sabia, por olhar nos olhos dela, mesmo antes da batalha, que ela gostava de Naruto. E entendia o lado dela em ter delatado seus planos e habilidades. Afinal, ele também gostava de Naruto. Ele também sentia remorso por tudo que aconteceu com Naruto na cadeia, mesmo o loiro sendo inocente. Ele era um ninja de Konoha. Um amigo.

Antes que Mei conseguisse abraçar o garoto, voou longe com um golpe nas costas.

– Não ouse tocá-lo. – Era Hinata. Os cabelos negro-azulados espalhavam-se com a movimentação de chakra, enquanto os olhos vermelhos e inchados vibravam em fúria. A garota arrancou os trapos da blusa negra que usava, ficando apenas com a malha ninja até pouco antes do umbigo.

– Escute, Hina-chan, eu... – Mei caiu de costas para o chão, e ergueu os cotovelos para se levantar. Mas não foi possível. Hinata já estava em cima dela, esmurrando a garota sem pena. Socos furiosos direcionados em toda extensão do rosto da bela Mizukage foram aplicados.

Ninguém, nem mesmo Jiraya, ousou se intrometer. Todos sentiam a dor. Todos estavam perdidos. E aquilo era justo.

– Não – Soco. – Fale – Soco. – Nada! – O rosto de Mei já estava irreconhecível, enquanto as mãos de Hinata pingavam o sangue. A Hyuuga agora socava com mais pausas e mais fraco, cansada e ofegante. – Sentiu um toque suave em sua mão, a que iria novamente descer até o rosto da Mizukage.

– Já chega, Hina. Ela está grávida. – Tsunade disse séria. Mei tossiu e virou o rosto para o lado, deixando o sangue escorrer para o chão. Hinata se levantou com a ajuda de Tsunade e ambas se abraçaram, caindo de joelhos, ainda juntas.

– Isso não é justo, Tsu-chan! – Hinata falou em meio aos prantos. – Eu sinto se... Como se tivessem esfolado meu peito. Eu quero tanto matá-la! – Apesar da grave ameaça, a voz de Hinata era sôfrega.

– Hinata. – Tsunade falou com cautela. – Você precisa ser forte. Eu estou sofrendo também. Perdemos nosso grande amor e também Madoka-chan. – Falar aquilo lhe doía como o fogo em sua língua. – Mas lembre-se que temos nossas crianças em casa. Temos que voltar por eles. Lembre-se que o maior sofrimento de Naruto-kun foi ter crescido sozinho, sem pai e sem mãe. Não podemos deixá-los da mesma forma, afinal, eles ainda têm a nós. – A Senju disse aquilo enquanto passava a mãos pelos cabelos da garota. Mas Hinata afastou-se bruscamente.

– Como assim? – A respiração ficou forte, mal conseguindo puxar o ar. Os lábios começaram a tremer novamente. – Como assim? – Desta vez foi mais alto, desesperado. – Você não iria ressuscitar ele, e assim ele salvar você, Madoka-chan, Shizune e Karin pelo Rinne Tensei? – Hinata segurava fortemente os ombros de Tsunade, como se o que a loira tivesse acabado de falar fosse a coisa mais ridícula do mundo. – Você vai fazer isso, não é? – Tsunade começou a chorar, tendo sua barreira de força rompida pelo olhar devastado de Hinata. – Não é? – Perguntou novamente, já imaginando a resposta. Levou uma mão à boca e caiu novamente ao chão, sem forças.

– Eu sinto muito, Hina-chan. O jutsu é repelido toda vez que tento executar. – Respirou fundo. – Não há como trazê-lo de volta à vida.

Notas finais
É isso, galera. Eu imagino a fic terminando no capítulo 52 ou, no máximo, 55. Talvez eu lance um ou dois especiais. Mas é por aí... Dúvidas, críticas, elogios?