Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
42 Capítulo 42: 5ª Grande Guerra - Parte 2
Notas iniciais
Capítulo 42: 5ª Grande Guerra — Parte 2
– Kushina: Filho... – Sussurrou. A roupa clássica encharcada na altura dos seios indicava que chorava há muito tempo. Os olhos de Naruto ficaram trêmulos e a boca entreabriu. Ele deu, inconscientemente, um passo para trás. – Me desculpe! Eu não deveria tê-lo deixado sozinho naquele ninho de cobras. – A facada no peito do Uzumaki foi certeira. Naruto focou a imagem de sua mãe com os braços abertos, chorando, e com um sorriso contrastando em seus lábios. – Venha! Permita-me o papel de mãe ao menos uma vez.
E, pela segunda vez naquela guerra, seu coração foi dilacerado.
Os olhos estavam arregalados e a boca entreaberta. Sentiu os joelhos fraquejarem e quase foi ao chão novamente, como quando notou a traição de seus shinobis e de Mei. Kushina estava a poucos metros à sua frente. Tinha os braços abertos e um sorriso doce nos lábios, o que contrastava com os olhos chorosos e claramente tristonhos. Havia sonhado tanto, principalmente na infância, no momento em que sua mãe lhe abriria os braços pronta para lhe fornecer carinho. Mas jamais imaginou que pudesse vê-la naquele momento, ainda mais que com certeza desaprovava suas atitudes. Ela era demasiadamente justa para aprovar toda aquela matança.
Suspirou e se surpreendeu quando percebeu que havia prendido o ar sem nem mesmo perceber. Sabia que Shikamaru exploraria os Edo Tensei. Mas nunca, jamais, havia cogitado a hipótese de que ele ousasse invocar sua mãe. Sabia que na guerra tudo valia, mas contou com a honra que sabia que Konoha possuía. Achou que jamais chegariam tão baixo. Apertou os pulsos e sentiu os olhos arderem.
– Kushina: Filho... – Sussurrou ao ver o garoto ficar aparentemente irritado.
– Naruto: Cale-se! – Tinha a cabeça baixa, não permitindo Kushina olhar em seu rosto. A voz havia saído firme, quase como um urro. Notou o chakra de Kushina desestabilizar ainda mais. Levantou o rosto e congelou mais uma vez. A ruiva tinha agora os lábios travados, lutando para que não se separassem e lhe fizesse chorar ainda mais forte. Os braços antes abertos para acolhe-lo agora abraçavam a si mesma. Por Kami! Como aquilo o machucava no fundo da alma. – Também veio para me trair? – O gosto amargo ficou em sua boca após o coração falhar uma batida. Aquela pergunta havia saído automática. Ele não sabia se resistiria a uma traição por parte de sua mãe. Quando Jiraya o fez, deixou um enorme buraco em seu peito. Mas mãe é mãe. Simplesmente. Apenas imaginar que sua mãe pudesse estar ali contra ele e a favor de Konoha o deixava furiosamente destruído.
– Kushina: Jamais! – Quase gritou, aproximando-se dois passos. Estava agora a pouco menos de três metros do filho. Podia agora enxergar o olho azul igual de Minato. O coração de mãe lhe permitia ver tudo que muitas pessoas não poderiam ver em seu filho: um abismo de tristeza, amargura, ódio, amor sem limites, coragem, receio e medo, muito medo. Jamais imaginaria que pudesse encontrar tanto medo em olhos tão ferozes. – Eu sou a sua mãe, Uzumaki Naruto! É impossível alguém amá-lo mais do que eu. – Um sorriso doce novamente se formou. Naruto por um momento ponderou abraça-la, mas, infelizmente, a cota de confianças havia batido aquele dia.
– Naruto: O que faz no campo de guerra então? Se não está do meu lado, está do lado do inimigo. Sei também que se estivesse sob controle já teria me atado... Ou não? – Arqueou uma sobrancelha. O sorriso de Kushina morreu mais uma vez.
– Kushina: Já é a segunda vez que você recusa a confiar em mim, moleque! – Uma veia dilatou na testa e ela mostrou o pulso fechado para ele, irritada. Naruto se surpreendeu por aquela atitude, mas quase sorriu por isso. Era a Pimenta Sanguinária, no final das contas. E ainda por cima uma Uzumaki de sangue puro. A mulher baixou o braço ao lado do corpo e abriu mais um sorriso. Esse agora era triste e amargurado. – Eu sei de tudo, filho. Eu queria poder fazer tudo outra vez. Não queria deixa-lo sofrer tanto... – Abraçou o corpo grande do filho e Naruto mais uma vez se surpreendeu por não ter notado a aproximação. Estava tão ocupado analisando os olhos azuis nublados de sua mãe, juntamente com seu lindo rosto, que nem ao menos notou a aproximação dela diante de si. Só então notou também que os ataques dos shinobis haviam cessado.
O calor que vinha daquele abraço, mesmo que o corpo de sua mãe fosse um cadáver, era surpreendente. Com receio e tremendo, levou suas mãos e a envolveu em um abraço também. Não conseguia resistir. Força alguma o tiraria o trauma que a falta de uma mãe lhe fez na vida inteira. Se ela tivesse presente tudo seria diferente. Teria carinho e amor na infância, não seria odiado enquanto não havia se destacado como herói. Poderia ter tido tudo que uma criança normal teria, ou até mais, pois sua mãe de normal não tinha nada. Poderia ter tido seu filho com Hinata, o que lhe foi ceifado sem nem mesmo saber da existência.
– Minato: Naruto. – Chamou a voz familiar de seu pai. O loiro apertou o abraço e respirou fundo. Seu pai também estar ali significava que Shikamaru sabia muito bem onde estava investindo. Odiava a inteligência do estrategista, principalmente por estar dando certo. Apertou a mandíbula ao perceber o quão frágil estava parecendo. Soltou o abraço de sua mãe e a olhou nos olhos. Ela levou a mão para as bochechas dele e as apertou como quando se faz carinho em um bebê. Sorriu meigamente para ele e o soltou. Naruto ficou mais surpreso e feliz do que irritado ou constrangido. Levou as duas grandes mãos onde sua mãe havia apertado e fechou os olhos ao notar o quão bom era o toque dela. Abriu os olhos novamente e viu que sua mãe tinha os olhos marejados novamente. O quanto aquela mulher já havia chorado? Talvez se ela tivesse os pontos fracos de uma existência viva, poderia já estar doente.
Virou-se então para Minato. O loiro mais velho tinha a mesma expressão de sempre: calma e acolhedora, mas seu olhar era firme. Ao contrário de sua mãe, ele não parecia que iria lhe fazer carinho ou ser meigo.
– Minato: Você não é mais criança, Naruto. Serei direto. – O olhar intenso para si o deixava intimidado. Sabia que era cem vezes mais forte que Minato, mas não conseguia sequer pensar em mata-lo, selá-lo ou ataca-lo. Era seu pai. Sua vida tinha vindo por ele. Que espécie de filho que tanto preza a família, a base de tudo, enfrentaria os próprios pais em uma batalha? Bem... Isso poderia depender. Sabia que eles estavam livres do controles pelo Edo Tensei. Mas até quando? Shikamaru já havia extrapolado as leis naturais quando os ressuscitou. Para fazê-lo lutar contra a vontade e também contra o próprio filho não faltava muito. – Sabemos de tudo. Sabemos de tudo que você passou, tudo que perdeu, tudo que sofreu. Sentimos tanto quanto você Naruto. Não é justo para nós, pais, com a responsabilidade que tivemos sobre Konoha, onde demos nossas vidas, descobrirmos as crueldades que fizeram ou deixaram que fizessem contra você. Isso fere a você fisicamente, emocionalmente e também sua honra. Mas nos destroça emocionalmente e nossa honra se esvai. Eu fui o Hokage, Kushina minha esposa, e nós dois demos nossas vidas pela vila. Não somente por você. Se tivéssemos que salvar apenas você, acredite, éramos hoje uma família completa e provavelmente também éramos felizes. Mas, filho, nada é como se imagina. O mundo não é flores e pássaros cantando em um jardim no quintal de casa. O mundo é cruel, ele pisa em você se permitir. Todos nós sofremos e passamos por dificuldades. Alguns muito mais do que o necessário, como você. – Os olhos ainda lhe encaravam, mas agora estava claro que Minato sentia vontade de chorar e também de abraçar seu filho, por mais que resistisse a isso no momento. – Naruto, meu filho, você realmente acha justo que todos paguem os pecados de alguns?
Aquela pergunta já havia sido feita por várias pessoas, mas jamais fez Naruto se sentir tão culpado. Seu pai havia sido direto, como dois homens deveriam ser em uma conversa, mas aquilo machucava. O poder de Minato, como pai e mentor, era enorme. Baixou a cabeça por um momento. Mas levantou-a decidido.
– Naruto: Não se trata de pagar pecados. Não estou em busca de vingança... Não como prioridade. Ela virá como um bônus. – Sorriu com o canto dos lábios, olhando para o chão. Levantou novamente os olhos. – O mundo está podre, pai. Eu não quero que seja assim. Eu não quero que meus filhos, seus netos, vivam em um mundo onde corram perigo a todo momento. Eu estava em Konoha, mais feliz do que nunca. Traçava planos para o futuro onde eu seria Hokage e traria a paz ao mundo por meio de tratados e trocas equivalentes. Fui traído, machucaram as mulheres que amo, não só fisicamente. Você por acaso imaginou como seria se Konoha capturasse, espancasse e fizesse essa mulher, minha mãe, sua esposa, abortar a mim, seu filho? – Minato sentiu toda a dor vinda das palavras. Já havia imaginado aquilo, mas a dor vinda das palavras de Naruto elevava e muito o grau de complexidade dos sentimentos. Seria a pior dor do mundo, sabia Minato. Imaginar a bela e amada Kushina sendo espancada e forçada a um aborto o deixaria destruído. Mas como um estalo tudo encaixou-se na cabeça de Minato. Não era vingança realmente. Não era por ele ter sofrido, não era por Konoha ser podre. Era simplesmente por seu filho perdido e a moça Hyuuga. Era pela família, pelo futuro, por paz e por quem ainda viria ao mundo. Encarou o rosto de Naruto. Em um olho o Rinnegan se fazia imponente, enquanto no outro o azul marinho se destacava para ele. Mas pôde, assim como Kushina, ver além disso. Pôde ver o verdadeiro e gentil Naruto lá no fundo.
– Minato: Por que se força a isso? – Tocou a ferida mais profunda que havia em Naruto. O loiro abriu os olhos em surpresa e recuou um passo. Kushina tocou o braço dele com carinho e ele virou-se para ela.
– Kushina: Já disse que estamos aqui por você, filho, não por Konoha ou mundo shinobi. Já priorizamos isso e olha só onde fomos parar. – Olhou nos olhos dele e lhe sorriu docemente. – Você sabe muito bem o amor que os pais têm pelos filhos. Não nos julgue errado, por favor. – Naruto sabia muito bem de que amor eles lhe falavam. Aquele amor louco, incondicional, que o faria dar a vida por um minuto a mais de vida de qualquer de seus filhos. Aquele amor que lhe forçava a apanhar de Hinata em troca de um sorriso de Ushio. O amor que quase lhe sussurrava para bater em pequenos meninos que tentavam fazer amizade com Yumi, Yui e Nike. Aquele doce amor que lhe faria experimentar o inferno para que seus filhos pudessem ter paz. Sim, sabia muito bem de que amor Minato e Kushina se referiam. O amor gostoso de poder abraçar suas crianças e saber que um dia iria poder olhá-los e ver o tanto que haviam crescido e se tornado bons seres humanos. E era justamente isso que o fazia ir em frente. Era pelo futuro e pela paz. Mataria tantos quanto fosse necessário para que seus filhos sequer precisassem imaginar o quanto ele já havia sofrido até seus poucos vinte e cinco anos.
Pensou em responder alguma coisa, mas ao levantar os olhos viu algo que o marcou a alma como brasa quente em papel. Kushina lhe direcionou suas correntes queimando em fogo com dois gumes nas duas pontas, focando lhe perfurar. Naruto, por puro reflexo, esquivou-se, permitindo que as mesmas passassem por um palmo acima de seus ombros. Olhou para sua mãe e a viu tão surpresa quanto ele. Ela iria falar algo, ele viu o desespero dela, mas tudo foi rápido demais. Em um momento olhava para sua mãe, e no outro, via Minato a centímetros de si com um Rasengan em mãos.
E, pela terceira vez naquela guerra, seu coração foi dilacerado.
Esperava tudo, tudo, exatamente qualquer coisa que pudesse existir em todo o universo. Mas não ser atacado por seus pais. E aquilo o machucou tanto quanto saber que havia perdido seu filho. Milhões de vezes mais do que quando viu Mei tomar o rumo do inimigo, o traindo. Ver ali, seu motivo de existência, literalmente, lhe atacando, era como estar morrendo afogado em pleno ar. Não houve reação devido ao abalo emocional. O Rasengan de Minato foi em cheio em seu peito. O impacto o arrastou por vários metros, mas manteve-se de pé mesmo depois do poderoso jutsu o atingir daquela forma. Fumaça saía de seu peito. A roupa havia cedido em uma circunferência, e podia-se ver sangue molhando o que havia restado.
– Kushina: Naruto... Não fomos nós... Por favor, não fomos nós... – Gritava para o filho em desespero. Disparou rapidamente em direção ao mesmo, mas parou ao sentir tamanha intensão assassina. Naruto levantou os olhos, e Kushina preferiu milhões de vezes não tê-lo olhado naquele momento.
– Naruto: Já chega! – Gritou. As lágrimas desciam como pelo rosto e a boca tremia em tristeza, mágoa e fúria. – Shinju! – Vociferou. – Acabou a brincadeira. Vamos mostra-los o que acontece quando se brinca com sentimentos que não deveriam existir. Vamos mostra-los o que acontece quando se invoca o verdadeiro ódio e mágoa. – A voz trovejou a todos. Minato e Kushina estavam estáticos. Jamais iriam atacar seu filho, mas foram forçados pela técnica a fazê-lo. Minato sabia que Shisui jamais faria isso. Mas não havia outra alternativa. Quem mais poderia fazê-lo? Viu e ouviu seu filho diante de si e sentiu-se algo menos que lixo, uma bactéria talvez.
Shinju também havia visto tudo aquilo e podia, mais do que ninguém, entender o que Naruto passava. Aquele momento havia lhe machucado de maneira equivalente a quando descobriu que seu primogênito não mais o seria. Doeu mais do que qualquer outra coisa ver seus pais lhe direcionarem ataques em um momento onde havia, miseravelmente, baixado a guarda. Havia falhado, sabia. Mas aquele momento era dele. Ele poderia sentir luto por seu antigo eu, não poderia? Poderia sonhar com o momento onde teria diante de si seus pais lhe proferindo boas mensagens de confiança e paz, não poderia? Poderia, uma vez na vida, desfrutar de uma bronca, lições e conselhos dos pais, não poderia? Não. Infelizmente não poderia. E pagariam caro por isso. A bijuu suprema concentrou seu chakra de dentro do corpo de Naruto e deu início à técnica.
– Shinju: Técnica de Selamento Suprema: Liberar! – Shinju era um ser supremo, assim como Naruto. Possuía o chakra em sua forma mais pura, natural, não necessitando jamais de fazer selos para execução de jutsu qualquer, exceto aquele. O jutsu de selamento feito apenas para aquela finalidade: Selar o poder do Mangekyou Sharingan de Naruto. O poder exclusivo que vinha do possuidor de um Mangekyou Sharingan sempre era algo a ver com a personalidade do dono. O Kamui, de Obito, lhe fornecia a habilidade de ir para outra dimensão, de transpassar objetos, paredes e tudo que possui forma. Algo ideal, ironicamente, para que ele pudesse fugir da pedra que esmagou parte de seu corpo. O Kotoamatsukami, de Shisui, lhe permitia prender o alvo em um Genjutsu ultra poderoso que cravava na mente da pessoa alvo um ideal, um acontecimento, qualquer coisa conveniente para o usuário. Isso porque ele era conhecido como o mestre dos Genjutsus em Konoha.
Naruto sempre foi espontâneo, sempre possuidor de um chakra monstruoso, ultrapassando o normal até mesmo para um Uzumaki. Nunca foi um shinobi de muitos jutsus ou técnicas complexas. Não que não tivesse capacidade para isso, pois sim, tinha grandes capacidades. Mas o calor da batalha era mais agradável em uma luta de corpo, com socos, chutes e cotoveladas. E, claro, ao menos uma vez em sua existência, os Deuses poderiam lhe presentear algo de bom: Uma habilidade que não era um jutsu, sendo passiva, sem precisar de selos e que estaria em uso a partir do momento em que o Mangekyou Sharingan fosse ativo. Sua habilidade exclusiva consistia em multiplicar todo seu chakra em algo em torno de cinco vezes.
Em uma luta contra Madoka, no treinamento com o Rinnegan, Naruto despertou sua habilidade. Por sorte estavam a uma enorme distância de Kiri para que pudessem usar os poderes à vontade, pois caso contrário, teria posto abaixo toda a vila. O poder vindo de seu chakra foi capaz de fazer desmaiar Madoka, Hinata, Tsunade e até mesmo Shinju, novamente. Apenas ele pôde ver toda a destruição que a simples presença do seu chakra causava. A terra tremia, as árvores caíam e o chão abaixo de seus pés trincava. A única solução para poder usar o Mangekyou sem que causasse toda aquela destruição foi Shinju, a própria bijuu suprema, criar um selamento bom o suficiente para prender um chakra equivalente a sete Juubis imperfeitos, ou cinco Shinjus somadas.
A complexa execução de selos foi completada e Shinju ofegou. Algo parecido com um parafuso de dez centímetros saiu do olho de Naruto, o que sustentava o Mangekyou. O tal objeto caiu ao chão e tudo tremeu com o impacto de sua queda. Segundos após o colossal chakra foi sentido em todo aquele país. Os shinobis que estavam mais próximos caíram ao chão, como se a gravidade multiplicasse seu poder. O Edo Tensei de Minato e Kushina ameaçava ser desfeito. A terra tremia, o chão voltava aos minúsculos farelos enquanto as árvores perdiam as folhas para o vendaval que se criava. E ali, em pé, com um olho cinzento e outro vermelho em ódio e mágoa, podia-se ver um homem cuja imagem podia ser associada com a própria existência. Aquele era o poder do Nidaime Rikudou Sennin, um quase Deus.
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Tsunade estava escondida na mata enquanto Naruto tratava de eliminar quem passasse uma certa distância dali. Não havia sequer a possibilidade de que alguém viesse lhe atacar. Mas estava bem concentrada a tudo, e graças a isso pôde notar o momento em que o chakra de Hinata caiu drasticamente, e logo após, Madoka também. Havia sido mais rápido do que sequer ousou imaginar.
– Tsunade: Kage Bunshin no Jutsu. – Fez o único selo e dois bunshins foram criados. Tomaram as direções opostas e sumiram na mata. – Tomem cuidado agora. – Sussurrou ao vento.
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Podia ver de longe, em meio as árvores, Neji segurando carinhosamente Hinata em seu colo. Os Hyuugas faziam escolta para ele, enquanto andavam apressados de volta para Kumo. Pôde avaliar que Hinata tinha os tenketsus da região ao redor do coração todos fechados. Teria que se aproximar e fazer um exame para ter mais detalhes. Mas isso não seria necessário. Apenas iria curá-la não importando o que fosse.
Não fez questão de esconder sua presença e pulou diante de todos. Os shinobis se surpreenderam ao ver a Godaime Hokage diante deles, mas sabiam que ela era inimiga. Se colocaram na posição de luta Hyuuga e ativaram o Byakugan. Puseram-se à frente de Neji, que segurava Hinata.
– Hyuuga: Recue, Tsunade! – A Senju notou o tom esnobe e irritado que lhe foi usado. Aquilo foi uma surpresa para todos ali. Haviam seguido à risca as ordens de Shikamaru, e o Nara afirmou que não teriam empecilhos após derrubarem Hinata. Tsunade não sairia de perto de Naruto e Madoka estava acuada do outro lado. Naruto estava ocupado demais para sair em socorro de ambos. Mas, no limite de tudo, ele também cogitou a possibilidade dela socorrer uma delas e deixar Naruto sozinho. Afinal, não poderia perder um de seus pilares naquela guerra.
O Hyuuga ativou o doujutsu e percebeu, tarde demais, que ali era um Bunshin. O Bunshin de Tsunade socou o chão com um enorme poder, e logo criou-se várias crateras e blocos de terra começavam a se deslocar, desequilibrando a todos. Neji percebeu a corrida veloz de Tsunade para si e preparou-se para se defender com um Kaiten. Sabia que ela estava ali por Hinata, e não deixaria que a levasse. Seria impossível parar e curá-la ali, e muito menos sair com ela nas costas. Fez o Kaiten para repelir a aproximação do Bunshin, mas surpreendeu-se ao sentir seu jutsu ser parado por um soco da Godaime. O potente soco bateu com força na esfera de chakra e Neji parou bruscamente. Desequilibrou-se por um momento e esse foi seu erro.
Tsunade sorriu ao vê-lo bambear para um lado e pulou sobre ele. Neji preparou um Juuken com uma mão e a acertou em cheio no meio dos seios. O Bunshin foi desfeito e o Hyuuga sorriu de canto, porém o sorriso morreu ao ver a tão característica fumaça tomar a coloração esverdeada e penetrar rapidamente as narinas de Hinata junto com o ar. Sentiu o chakra da garota se revigorar e soltou-a no chão antes dela o fazer por conta.
Hinata levantou-se calmamente e limpou o sangue da boca. Passou uma das mãos pelos cabelos desgrenhados e, como eram extremamente lisos, tomaram a forma bela de sempre. Ela encarou Neji profundamente e o Hyuuga percebeu o quanto ela estava magoada, triste e irritada. Não poderia culpa-la. Foi necessário trair a confiança dela e desacordá-la para que ela pudesse ficar segura durante aquela tremenda guerra. Mas não contava que ela fosse olhá-lo com tamanho desprezo antes de sua missão ser concluída. Tudo bem que ela o odiasse e se sentisse traída, mas que o fizesse depois de tudo estar resolvido, já fora de perigo.
– Hinata: Então é essa a sensação de ser traído pela família e por quem amamos. Agora consigo entender bem melhor o Naruto-kun. – A Hyuuga olhava para baixo, tristonha. Tinha os olhos marejados e os fechou com força antes de levantar um olhar forte e imponente contra Neji. Os três Hyuugas a cercaram. – É bom que tenham reforços... – O Byakugan no Fan foi ativado e os três Hyuugas explodiram no mesmo instante. – Do contrário, essa luta já está terminada. – O sangue dos shinobis molhou o chão e respingou sobre Neji e ela. O Hyuuga da Bouke já havia visto por Shisui do que ela seria capaz. Mas ver a tão dócil e meiga Hinata matar três shinobis como se fossem nada era tristemente surpreendente.
– Neji: Não se preocupe, nós temos bons reforços. – O restante dos vinte e nove Hyuugas chegaram e, mesmo já esperando, foi impossível não se surpreender com as outras presenças.
– Hiruzen: É uma pena que isto esteja acontecendo, Hinata-chan. Eu realmente sinto muito por tudo. Mas não posso permitir que toda Konoha pague pelos pecados de alguns. – Falava com um grande pesar. Hinata não poderia culpa-lo por tentar defender sua amada vila. Afinal, o velho Sandaime Hokage sempre foi um homem justo e amável.
– Konan: Você nem parece mais a garotinha que enfrentou Nagato para salvar o Naruto. Parabéns por ter crescido, garota. Só estou lutando contra você para que depois possa lutar contra Naruto. Não tenho interesse nesta guerra. Mas eu e Nagato demos nossas vidas por ele, e quero saber se valeu realmente a pena. – Falou seriamente. Não havia motivos para ela mentir e Hinata preparou-se para a batalha.
– Hiruzen: Kuchiyose no Jutsu. – Espalmou o chão e logo o grande bastão surgiu nas mãos do Sandaime Hokage. Konan direcionou-se para a direita de Hinata e Neji ainda a escarava. As veias do Byakugan logo se dilataram pelo rosto do Hyuuga e ele pôs-se na posição de luta característica do seu clã.
Hinata notou o movimento dos Hyuugas, que lhe direcionaram Hakke Kuushou (Palma Aérea), a perseguindo enquanto corria em lateral e logo após pulou e apoiou os pés em uma árvore e rapidamente pegou impulso e mirou o Byakugan em Neji. Usou a função de dispersar chakra para desfazer a técnica do Edo Tensei e acabar com a luta, porém o Hyuuga utilizou o Byakugan para cancelar a técnica também. Hinata apenas confirmou o que já imaginava. Hyuugas eram peritos em controle de chakra, e com o Byakugan, poderiam manter o controle do próprio chakra e cancelar Genjutsus. Serviria também para manter a forma do jutsu de reencarnação.
Teria que acabar primeiro com os Hyuugas restantes. Isso seria bem fácil. Correu e se pôs no centro de todos eles, de propósito. Todos a cercaram e ela sorriu com o canto dos lábios.
– Hinata: Elemento Cristal: Parede de Cristal de Jade, Quarta Formação. – Uma barreira de cristal na cor roxa prendeu a todos dentro, com Hinata bem ao centro. Os Hyuugas, desesperados, atingiram rapidamente as paredes com os Juukens, mas a mesma nem mesmo arranhava.
– Konan: Elemento Vento: Vendaval de Guilhotinas. – Soprou várias rajadas de vento que direcionaram o mesmo ponto da barreira, mas novamente nem mesmo um arranhão. A Akatsuki ficou impressionada com aquela resistência. Aquele era seu jutsu de extrema ofensiva mais forte.
– Hinata: Elemento Gelo: 8 Trigramas Ofensivo, Grande Defesa Rotativa. – Neji praticamente cuspiu ao ouvir a mortal combinação e logo também olhar aquele belo e poderoso jutsu. Hinata começou a girar e em sua volta formou-se o tão famoso jutsu de defesa absoluta dos Hyuugas, porém com o elemento Gelo, mais mortal que jamais poderia imaginar. A grande esfera de defesa cresceu de forma absurda até pressionar todos os ângulos da barreira, que finalmente explodiu com tamanha pressão.
Hinata parou de girar e manteve seu Byakugan ativo e aguardando movimentação dos três Edo Tensei que se recuperavam. Não haviam mais Hyuugas vivos. Apenas ela, já que Neji já estava morto. Sorriu ao notar que havia concluído a vingança que Naruto iniciou em Konoha, mas junto da lembrança positiva, também veio a negativa e seu peito pareceu pesar a respiração.
– Neji: Devo realmente parabeniza-la, Hinata-sama. Isso foi uma das coisas mais impressionantes que já vi. – Neji foi o primeiro a aparecer.
– Hiruzen: Passei toda a minha vida tendo a certeza de que não poderiam ser inseridos elementos nos jutsus Hyuuga. Você sabe que não sou seu verdadeiro inimigo, criança. Poderia nos explicar isso? – Hinata não tinha raiva do Sandaime. Tinha total certeza de que se ele estivesse vivo, aquela palhaçada em Konoha teria durado pouco tempo e teria tido um final feliz para todos.
– Hinata: Realmente Hyuugas não podem adicionar elementos em jutsus do clã. Mas eu não sou uma Hyuuga. – Viu o olhar confuso de Neji. – Eu sou Uzumaki Hinata! O clã Hyuuga foi extinto. – Aquela frase dita tão tranquila e imponente fez Neji perder sua paciência tão característica. Apenas agora o peso da extinção de seu clã pareceu pesar em seus ombros.
– Neji: Campo de Batalha de 8 Trigramas, 361 Pontos. – Correu rapidamente em direção à Hinata, que desviou tranquilamente dos primeiros golpes. Dançou majestosamente para os lados enquanto Neji dava seus golpes no vácuo. Sentiu o ataque vindo nas costas e pulou em lateral, vendo passar por onde estava uma grande quantia de origamis em formado de kunais repletos de chakra.
– Hiruzen: Elemento Fogo: Nuvem de Cinza. – Estufou o peito e cuspiu uma gigantesca cortina de cinzas que cobriu toda a área. Assim que terminou de expelir as cinzas, mordeu o vento com os dentes, causando uma faísca que fez toda a nuvem de cinzas explodir em chamas. Atirou o bastão Enma um pouco à direita de Hinata e percebeu a mesma desviar levemente para a esquerda. – Elemento Fogo: Parede de Fogo. – Formou uma gigantesca parede de fogo à esquerda de Hinata. A morena parou antes que as chamas lhe atingissem e, vendo Enma vir a seu encontro, correu para a frente, indo diretamente em Konan.
– Konan: Elemento Vento: Rajada de Vento. – Soprou uma onda de vento cortante em direção à Hinata. A olhos perolados abriu bem seu Byakugan no Fan enquanto corria velozmente, vendo a corrente de ar se dispersar. Era o fim para Konan. O poderoso Juuken bateu fortemente no peito da garota de cabelo azulado. – Surpresa! – Sussurrou para Hinata, que arregalou os olhos. O corpo de Konan se transformou em milhares de tarjas explosivas e Hinata afastou-se rapidamente ao mesmo tempo que seu Byakugan trabalhava arduamente, assim como no jutsu do Sandaime, para extinguir as ondas de fogo mais próximas a ela.
– Neji: Elemento Vento: Espada de Vento. – Hinata percebeu a movimentação de Neji pelas costas, mas jamais imaginou que ele possuísse uma técnica de algum elemento. Hyuugas eram proibidos treinar técnicas que não fossem as do clã. Não houve tempo para defesa. Era forte, mas ainda muito ingênua em batalhas. Estava a mais de sete metros de Neji, mas a espada de vento invisível a olhos nus, mas bem detalha pelos olhos de Hinata, foi certeira e lhe cortou profundamente na vertical, da altura dos seios até quase o quadril, entre as costelas. Hinata pulou para longe e gemeu com a dor. Levou uma mão ao enorme, mas nem tão mortal ferimento. Crispou os lábios. Não deveria ter dado chance alguma para aquela batalha.
Concentrou mais chakra nos olhos e correu na direção de Hiruzen, que estava um pouco mais longe.
– Hinata: Elemento Água: Tempestade Isoladora. – Um pequeno buraco se abriu no chão, e dele a água começou a jorrar e inundou todo o lugar rapidamente. A água jorrou alto e o local ficou submerso até a metade da panturrilha. – Elemento Cristal: Chuva de Agulhas de Jade. – Várias minúsculas e mortais agulhas começaram a sair da água e Neji usou seu Kaiten para se defender. Hiruzen pulou para o alto e Konan ativou suas asas de papel e as fez de escudo, no ar. – Elemento Vento: Grande Tornado. – A grande quantia de vento circulou Hiruzen e Konan, os fazendo rodar juntamente com a circulação do tornado. Era forte demais para ser resistido. – Elemento Gelo: Espelhos de Cristais. – A água que estava no chão sobrevoou e fundiu-se com o gigantesco tornado, o tornando sólido, congelando Hiruzen e Konan, mas insuficiente para segurar os poderosos shinobis. – Elemento Cristal: Prisão de Cristal. – O tornado começou a girar, mesmo congelado, tomando a forma de um diamante roxeado. O diamante de cristal com mais ou menos três metros de altura perfurou o chão com sua ponta. – Elemento Cristal: Técnica do Selamento Celestial. – Saíram do chão várias estacas de cristal que perfuraram o diamante, juntamente com os corpos do shinobis presos. Hinata e Neji puderam ver o Edo Tensei se dispersar até tomar a forma de shinobis desconhecidos e mortos. – Podemos nos concentrar agora, Neji-nii-san. – Falou docemente para o primo.
Neji estava sem reação. Hinata havia feito um majestoso combo de jutsus em poucos segundos, sem chance de defesas para o próprio Sandaime Hokage e uma shinobi de extrema qualidade. Era um absurdo tamanho poder. Olhou seriamente para sua prima e respirou fundo. Aquela batalha já estava perdida. Viu o sangue descer pela lateral do corpo da garota e pôde ao menos pensar que ela teria que recuar para se tratar depois de derrota-lo.
– Neji: Vamos acabar com isso. – Falou seco e frio, mas no fundo sentia muito por ter acabado com a honra que tinha perante sua prima. A amava no final das contas. Jamais imaginou que ela pudesse acordar e ter que realmente batalhar com ele.
Neji partiu para cima de Hinata. Concentrou chakra do Byakugan e viu a morena se preparar para a defesa. Porém o Hyuuga foi massacrado por algo que caiu velozmente do céu. Uma gigantesca cratera se formou e Hinata teve que pular para não ficar na área de choque. Focou o Byakugan no fundo, há oitenta metros da superfície, e sentiu o sangue ferver em ódio e surpresa. A pessoa pulou para fora da cratera e Hinata olhou novamente para dentro, vendo o corpo do shinobi morto em migalhas, sem sinal algum de Neji ou sua alma.
– Temos contas a acertar, Uzumaki Hinata. – A voz grave e meio distorcida surpreendeu ainda mais a olhos perolados, mas não foi capaz de esconder o deboche ao falar seu nome. Hinata colocou-se em posição de batalha e viu sua oponente fazer o mesmo. O corpo da mulher começou a criar manchas negras por todo ele e logo o chakra triplicou de tamanho. Não sabia o que aquela garota havia feito, mas estava extremamente poderosa. A luta seria acirrada.
– Hinata: Temos muitas coisas a acertar, Uchiha Sakura. – Falou com um sorriso no canto dos lábios, devolvendo todo o sarcasmo ao citar o desprezível nome Uchiha.
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