Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
43 Capítulo 43: 5ª Grande Guerra - Parte 3
Notas iniciais
Capítulo 43: 5ª Grande Guerra — Parte 3
↨ Império Akatsuki, Vila Oculta da Névoa
A equipe especial de Konoha andava tranquilamente, mas com todos os sentidos aguçados, o que os permitiria captar até mesmo uma simples mudança na velocidade do vento. Infelizmente nem mesmo assim estavam conseguindo localizar o tão temível dragão dentro da vila.
– Ino: Qual é a desse dragão idiota? – Já impaciente, a jovem kunoichi estava a ponto de arrancar os cabelos. Todos estavam nervosos e com medo, mesmo que jamais admitissem, de enfrentar a enorme criatura mitológica. Nem mesmo a presença de Hashirama lhes tirava o frio na barriga da ansiedade. – Está com tanto medo que nem mesmo ousa aparecer em nossa frente. – Pôs as mãos na cintura e gargalhou alto, chamando a atenção das poucas pessoas que andavam normalmente no local. O sorriso foi morrendo conforme a imponente presença se aproximava do grupo.
Meishu havia notado a presença dos invasores no exato momento em que entraram na vila. Porém, frio como sempre foi, caminhou vagarosamente e tranquilamente de encontro a eles. O grupo de Konoha viu o homem alto e magro, de cabelos longos e negros como a noite, caírem lisos pelas costas. Possuía uma imagem nobre, mas ao mesmo tempo rude, de feições arcaicas e quadradas. As mãos vinham dentro das mangas do longo sobretudo que mais lhe parecia um vestido. Os ninjas de Konoha rapidamente se puseram em posição de batalha, porém sem chamar a atenção de quem trafegava por ali. Meishu aproximou-se como uma pessoa normal. De fato ninguém ali conhecia sua aparência, mas o chakra era perceptível a todos, de fato assustador como haviam imaginado.
– Meishu: Seguindo o protocolo, peço para que se retirem. Não são bem vindos em nossa vila. – A voz firme, baixa e elegante se fez audível a todos.
– Konohamaru: Lamento recusar seu elegante convite. Mas temos assuntos a tratar pessoalmente com você. – Tomou a frente de Ino e Shino, que antes estavam em liderança do grupo. Sentiu o olhar firme da criatura sobre si e por um momento esqueceu de respirar. Os olhos negros, tão ou mais que os de Uchiha Sasuke, lhe intimidaram de verdade.
– Meishu: Por favor, me sigam. – Virou as costas e tomou uma caminhada tranquila e leve, não se preocupando em olhar para trás. Os ninjas de Konoha se entreolharam e Kiba sentiu a testa latejar em uma veia dilatada.
– Kiba: Oe, maldito! Quem pensa que é pra sair mandando nos outros? – Apesar da gigantesca vontade de berrar em plenos pulmões e liquidar com o dragão, o Inuzuka não estava louco, ainda, e em um último latejo de sua consciência e treinamento recém adquirido, resolveu deixar apenas um pouco de sua frustação e nervosismo extravasar. O dragão virou-se vagarosamente e olhou para Kiba da mesma forma que o fez com Konohamaru antes. O Inuzuka engoliu a seco.
– Meishu: Sua falta de elegância por pouco não me causa repulsa, verme insignificante. – A voz era tão tranquila e gélida que poderia ser usada para falar sobre o tempo. – Creio que não estejam pretendendo lutar dentro da vila, do contrário já teriam entrado com força ofensiva. – Virou-se novamente como se nada tivesse acontecido e retomou a caminhada. O grupo agora o seguiu tranquilamente.
– Ino: Seu imbecil! – O som opaco do cascudo na parte de trás da cabeça foi ouvido, e logo após veio o choramingo de Kiba. – Deixa de ser burro, pulguento! – Bravejou a loira trêmula. De medo ou raiva.
A caminhava se deu por longos quarenta minutos. O dragão caminhava tão lentamente que até mesmo algumas velhinhas haviam lhe ultrapassado com suas bengalas e sacolas leves com compras. Isso estava deixando alguns do mais eufóricos shinobis estressados. Finalmente, após tanto caminharem, se encontravam a uma boa distância da vila. Poderiam, agora, iniciar o combate. Lee, Gai e Konohamaru tomaram uma distância por trás dos outros do grupo. Ino, Shino, Tenten e Sai ficaram a uma meia distância e na frente havia Kiba, Chouji e Hashirama, que nada havia falado até aquele momento.
Meishu virou-se de frente para eles e respirou fundo. Seus ossos começaram a quebrar e tomar forma até que sua imponente aparência de dragão se fizesse presente diante deles. Apesar da já estarem mentalmente preparados, foi impossível não ter uma sensação de medo crescente em seus peitos. O dragão, do mesmo tamanho que possuía Kurama, bateu suas asas lindamente e a pequena floresta por perto abriu espaço para uma clareira.
– Hashirama: Será mais difícil do que enfrentar a Kyuubi. Esse ser é dotado de razão e não age impulsivamente como ela. Fiquem espertos! – Falou já iniciando selos. O dragão havia destruído a floresta para impedir que o Hokage a usasse contra ele, já sabendo das habilidades do Elemento Madeira. Não faria mal, pois possuía agora o chakra ilimitado e poderia muito bem criar uma floresta maior ainda. – Elemento Madeira: Gênesis da Floresta. – As grandes raízes começaram a brotar e desestabilizaram o solo, enquanto várias árvores cresciam rapidamente por todo o local. Meishu logo levantou voo. Sabia das habilidades de selamento de chakra do primeiro Hokage e não poderia, jamais, cair em alguma delas. Possuía as mesmas fraquezas que um bijuu, e para Hashirama seria fácil selá-lo.
– Ino: Certo! Ponham os selos nos antebraços, barriga e coxas. – Falou na mente de todos, que rapidamente executaram o ordenado conforte o plano. Apenas Konohamaru se manteve quieto, enquanto até mesmo Hashirama a obedeceu. Porém os selos dele eram bem diferentes, possuindo uma função totalmente contrária ao dos outros. – Shodai-sama, por favor, pode iniciar. – Hashirama afastou-se do grupo e sentou em posição de meditação. Rapidamente seus olhos tomaram a forma Sennin e ele concentrou seu chakra nos selos em seu corpo. Logo todos brilharam na forma vermelha em seu corpo, para logo após os dos outros shinobis brilharem na forma azul.
Meishu logo percebeu do que se tratava, mas já era tarde. O dragão apontou as asas para cima, não mais sustentando-se no ar e pousando brutalmente no chão, que tremeu e cedeu em alguns locais. Guiou rapidamente uma das patas para frente, cavando com as unhas onde deveriam estar os shinobis. Uma grande cortina de poeira subiu aos céus e no local apenas ficaram as grandes valas causadas pelo ataque. Nem sinal dos ninjas.
– Lee/Gai: Arte Eremita: Oitavo Portão — Portão da Morte: Abrir. – O chakra exalado pelos dois exímios usuários de taijutsu expandiu e destruiu tudo que havia próximo a eles. As veias dilataram e seus olhos abriram mão de exibir suas íris e pupilas, sendo tomados apenas por um branco. O corpo ficou rígido e tomou a coloração vermelha. Meishu sabia que agora tudo ficaria complicado. E ficou.
– Konohamaru: Elemento Fogo: Shuriken Espiral (RasenShuriken). – Meishu virou-se rapidamente para onde o jovem estava. Assustou-se de início ao ver a aparência do garoto. Tinha o corpo mais forte e sua pele havia sido coberta por pelos negros. Os pés, maiores, pareciam agora palmas de mãos. Os olhos totalmente negros e uma cauda relativamente grande completavam sua aparência primata. Era o modo Sennin dos macacos. O ataque viera em uma velocidade surreal. Duas gigantescas shurikens banhadas em fogo atingiram o dragão na altura do peito e explodiram estrondosamente contra ele. Meishu cairia se não possuísse asas, as quais usou para recuperar o equilíbrio e tentou novamente voar. Tentou.
– Tenten: Arte Eremita: Poeira Estelar. – Em cima de Meishu, que tentava levantar voo, surgiu um gigantesco selo criptografado. Tomava toda a área de combate e possuía a cor lilás. – Posso não ter tão útil como os outros, mas mereço meu brilho também. – Falou a si mesma com um sorriso no canto dos lábios. Haviam dois enormes pergaminhos brancos enrolados nos braços de Tenten, técnica aprimorada, lhe sendo mais útil e confortável de usar do que os rolos em mãos. Os pergaminhos brilharam enquanto a garota tinha as palmas abertas na direção do selo. As veias dilataram e se romperam dentro dos braços da garota, que ajoelhou-se perante a dor do esforço, mas sem interromper a técnica.
Acima de Meishu, que tinha as asas abertas para iniciar seu voo, bilhares de minúsculas, mas afiadíssimas lâminas deformes, caíram do céu em suas asas. O dragão percebeu que aquilo, ao perfurar vários locais de suas asas, iria acabar por destruí-las. Puxou suas asas novamente e mais uma vez caiu ao chão, trazendo um novo terremoto com seu peso. Percebeu as presenças espalhadas ao seu redor e repletas de chakra da natureza. Aquilo seria complicado. Abriu a boca e concentrou chakra para uma bijuu dama que transformaria aquele lugar em um deserto. Mirou no extremo da floresta, onde se encontrava a fonte de todo aquele trabalho: Hashirama. O Hokage concentrava o chakra Sennin e repassava a todos, exceto Konohamaru, que possuía seu próprio Modo Sennin. Atirou a bijuu dama como se fosse um laser, movendo a cabeça na direção dos outros e destruindo tudo rapidamente.
– Sai: Arte Eremita: Reflexo. – O “laser” bateu contra um gigantesco espelho de tinta e voltou para Meishu, que desviou rapidamente para o lado. O grande feixe de energia passou por todos e sumiu no céu, indo para sabe-se lá onde.
– Meishu: Vieram aqui bem preparados. – Falou como sempre, porém a voz saia milhões de vezes mais impactante e bruta. – Isso, apesar de me deixar curioso em várias hipóteses, me deixa transtornado em apenas duas: Quem traiu Naruto-sama, e o que farão com os filhos dele. – A voz ecoou por todo o local, já que o dragão não se dirigiu a ninguém de maneira direta.
– Shino: Renda-se e lhe diremos tudo que quiser saber. – A voz sem sentimentos e repleta de controle chegou aos ouvidos do dragão, que virou-se para o lado, podendo agora ver o shinobi em pé com as mãos direcionadas ao chão.
Meishu era um exímio rastreador de chakra. Mas isso quando o chakra era humano normal. Todos os shinobis ali presentes agora tinham chakra Senjutsu que Hashirama os enviava, e assim suas técnicas também. Como fazer para diferenciar o chakra vindo do solo, das árvores e das plantas com o que vinha dos ninjas ou de suas técnicas? Exato! Não havia como. Ele notava o chakra, mas não sabia a quem pertencia ou com qual finalidade serviria. O dragão riscou o “dente” que havia na curva de suas asas ao chão, abrindo uma gigantesca fenda no lugar, que começou a jorrar minúsculos insetos que cavavam em sua direção. Meishu concentrou chakra nas duas patas e explodiu o chão onde pisava, destroçando todos os insetos que lhe sugariam o chakra velozmente.
– Lee: Girafa do Amanhecer. – Em uma ultra velocidade, quase imperceptível até mesmo para Meishu, o jovem usuário de taijutsu chutou brutalmente o peito do dragão. Meishu urrou com a pancada e de longe foi possível ouvir o estrondo das pernas de Lee. O impacto gerou uma onda de vento que fez o chão afundar e os outros guerreiros perderem o equilíbrio.
Rock Lee caiu ao chão já fora de combate e respirando com dificuldade. Daquela forma ele não demoraria muito a morrer. Meishu havia caído do outro lado. O dragão levantou-se devagar e criando expectativas nos outros guerreiros que observavam a tudo estáticos e atentos. O peito de Meishu havia afundado e podia-se perceber a respiração contida e lenta. Não havia morrido, claro, mas aquilo havia atingido a ele com extrema potência.
O dragão ergueu as asas e as bateu com força, rugindo o vento ao redor e dando um pulo para o meio da floresta. Caiu exatamente à frente de Hashirama, que concentrado, não pôde evitar o golpe que o destruiria por completo, não fosse Gai. Os dentes afiados que haviam na parte de cima das asas de Meishu chicotearam o vento, que assobiou com a velocidade, estrondando nos braços do sensei sobrancelhudo. Os braços de Gai foram reduzidos à geleia. Mas nem mesmo assim ele recuou.
– Gai: Elefante do Anoitecer. – Criou-se uma movimentação intensa no ar, criando uma zona de vácuo ao redor dos pés do usuário de taijutsu. O primeiro chute foi defendido por Meishu, mas em troca de uma de suas patas. Pode-se ouvir novamente o urrar do dragão, tão alto quanto o som dos músculos de Gai ao chicotearem em seu próprio corpo. Os ninjas de Konoha estavam bestificados. O dragão ficou atordoado pelo impacto e logo recebeu o segundo chute da sequência de cinco. Este veio em sua cabeça, fazendo-o se curvar por sobre o corpo e cavar uma gigantesca cratera com sua grande cabeça. Não houve tempo para reação, pois o terceiro veio pela lateral. Cavou pela asa esquerda de Meishu, atravessando-a, e parando contra as costelas do dragão, quebrando três. Meishu foi jogado cem metros pelo chão, deixando uma gigantesca cortina de poeira e um enorme buraco ao chão.
O dragão levantou em um pulo e sentiu uma dor que jamais havia sentido antes. Tinha uma asa perfurada, três costelas quebradas, um ferimento onde o golpe havia pegado ao quebrar as costelas. Não bastasse isso, também havia um afundamento nos nossos torácicos, graças ao golpe de Rock Lee, o que lhe impedia de respirar de maneira adequada, e consequentemente, deixando-o mais fraco a cada segundo. O dragão era poderoso, muito poderoso. Em circunstancias normais jamais poderia ser derrotado por ninjas comuns. Porém além daqueles ninjas não serem comuns, estavam recheados de chakra Sennin, o que neutralizava, de certa forma, o mesmo chakra Sennin que possuía. Felizmente isso valia para os dois lados. Mas, infelizmente, Meishu era apenas um, e esse um era demasiadamente grande e fácil de ser acertado.
A criatura pisou forte no chão, com as patas traseiras, e forçou uma movimentação intensa de chakra. Iria perder a batalha, sabia, mas levaria tantos quanto pudesse. Já havia sentido o truque que seu mestre havia colocado como defesa secundária. E essa seria impenetrável. Sentiu até vontade de sorrir ao pensar no que aqueles miseráveis enfrentariam a seguir, depois de derrota-lo. isso tirou uma imensidão de peso das costas de Meishu, pois se Naruto havia “vindo” para ajuda-lo, significava que ele sabia que haviam descoberto os segredos por trás das habilidades do dragão, e que Senjutsu era uma arma mortal contra ele.
Meishu não conseguia ver a figura absurdamente veloz de Gai, mas via o ar cortar por onde o shinobi passava. O chakra concentrado em suas patas vagou pelo subterrâneo e logo perfurou o solo em vários pontos, criando uma espécie de rede em toda a região. Vários tentáculos de chakra corriam como raízes para todos os lados, cruzando entre si como uma espécie de teia de aranha. Gai avançou velozmente por três “asteriscos” formados pela teia e Meishu, pela terceira vez em toda sua existência, deixou escapar um sorriso. O prazer de saber que estava cumprindo seu dever mesmo em circunstâncias tão adversas lhe enchia o peito de satisfação. Meishu notou uma movimentação atrás de si e sentiu vontade de aumentar seu sorriso, mas se conteve.
– Chouji: Arte Eremita: Técnica de Expansão. – O Akimichi gritou bravamente e seu corpo cresceu estrondosamente, ficando quase duas vezes maior que Meishu. Esse era o maior problema de estarem possuindo chakra Sennin. Além de o chakra anular o de Meishu, aumentava a força de suas habilidades. Chouji aproveitou o momento em que Meishu estava apenas concentrado em Gai, que vinha em alta velocidade, e agarrou-o pelas costas, abraçando suas asas e forçando o dragão a estufar o peito para o ninja que vinha velozmente em sua direção.
Gai certou em cheio o peito de Meishu, transpassando-o, enquanto um urro bestial ecoou por todo o lugar. Chouji foi acertado no peito, desmaiando no exato momento em que Gai lhe tocou. Meishu caiu por cima de Chouji, desacordado. Infelizmente, para Gai e todos seus colegas, o total de cinco golpes da técnica não podia ser interrompido. Sem o controle do próprio corpo, naquele momento, Gai aplicou o outro golpe na cabeça de Meishu, explodindo em chakra e perfurando o ombro de Chouji, que gritou agonizando com sangue saindo de sua boca. O Akimichi recolheu a seu tamanho normal e Gai desfaleceu para o lado.
– Ino: Acabou? – Falou surpresa, levantando-se de onde estava soterrada. – Acabou! – Gritou feliz e dando um pequeno salto de alegria.
– Hashirama: Não! – Berrou o Hokage de longe, ainda no meio da floresta. Podia sentir o chakra Sennin sobrevivendo na teia ainda formada.
– Konohamaru: Pulem! Agora! – Gritou também o ninja, ainda com seu modo Sennin ativo. Assim como Hashirama, também podia perceber o chakra vivo. Mas o aviso fora dado tarde demais.
Os três “asteriscos” antes transpassados por Gai piscaram em velocidade gradativa e explodiram fortemente, assustando a todos. A explosão atingiu em cheio Sai, que voou ao longe já desacordado e à beira da morte. Mas o ataque não parou por aí, e Hashirama, já um pouco tarde, notou.
A teia formada em todo o local regrediu em velocidade absurda, juntando-se em um único ponto no centro da região. Ela recuou e cortou tudo em seu caminho, como uma lâmina de vácuo veloz e afiada. Todos os ninjas ficaram parados, menos Ino, Konohamaru e Tenten, que não podiam ser vistos por estarem mais próximos ao Hokage, sendo protegidos pelo escudo fortemente recheado de chakra Sennin criado pelo elemento Madeira do Senju.
Kiba olhou para todos, estático. Girou novamente seus olhos para Gai, Sai Lee e Chouji. Os quatro shinobis suspiraram e, bem devagar, começaram a sangrar por algumas linhas que lhes surgiram pelo corpo. As linhas pareciam ter sido feitas por uma faca bem afiada. Kiba não conseguia se mover ou ter alguma reação, mas pôde sentir o desespero ao ver o corpo de seus amigos se partirem em minúsculos pedaços de pouco em pouco. Foram triturados vagarosamente e no fim havia apenas um monte de carne majestosamente cortada, pronta para o consumo, repleta do sangue que cobria o chão ao redor.
Neste momento o escudo de Hashirama se partiu ao meio, deixando Ino, Konohamaru, Tenten e o próprio Hashirama contemplarem a cena que lhes instigavam o vômito. Coração, mente e estômago sentiam contrações dolorosamente fortes vendo seus amigos daquela forma. Ino dirigiu-se para perto de Kiba, que não movia nem mesmo os olhos.
– Ino: M-mas.. – Tocou levemente o ombro de Kiba e soltou um grito agudo de horror ao vê-lo desmoronar por sobre si, tão mutilado quanto os outros que já jaziam mortos ao chão. Caiu de bunda na leve grama e sentiu o sangue quente do colega cair por cima de si, junto com pequenos pedaços do corpo do ninja, que desmontava-se lentamente diante de seus olhos. Hashirama encarou a tudo com um enorme pesar no peito, não tão triste e destruído quanto aquelas garotas e aquele menino. Não havia laços com aqueles ninjas, não os conhecia bem como seus amigos que entravam em pânico diante de suas vistas.
Onde o chakra havia se concentrado, no final da técnica, formava-se, vagarosamente, o corpo de Meishu. A cabeça perfurada e todos os seus ferimentos não haviam o matado, mas estava horrivelmente destruído e sua respiração podia ser escutada como uma ventania grave. Konohamaru correu velozmente em sua direção, tomado pela fúria, visando o golpe final no dragão.
– Konohamaru: Maldito! – Gritou com a voz distorcida pelo choro. Olhou para o dragão e viu um sorriso com todos os dentes brancos e finos expostos naquela horrível face monstruosa.
– Meishu: Ingênua... – Suspirou, com a respiração fraca. – ...Criança. – Fechou os olhos e desmaiou, já sentindo o chakra da natureza lhe curar. Konohamaru continuou em sua corrida e finalmente alcançou a cabeça de Meishu, concentrando chakra nas mãos e formando uma poderosa Shuriken Espiral de Fogo, mas novamente foi impedido.
Um tronco de Madeira lhe envolveu por inteiro e Hashirama chutou fortemente o tronco, jogando-o a uma enorme distância. Ino e Tenten viram, surpresas, o Hokage ser partido em quatro. Um corte diagonal do pescoço ao ombro, outro lhe cortando na altura na barriga, o terceiro lhe cortando a coxa direita passando pelo umbigo e, por fim, o último partindo do pé do Hokage até a altura da cintura, cortando a perna ao meio.
O Hokage simplesmente havia sido partido por nada. Não havia nada ali. Não havia chakra, não havia jutsu, não havia absolutamente nada. O corpo de Hashirama caiu ao chão e lentamente ia voltando a forma do shinobi usado para invocar o jutsu de reencarnação. Seja lá o que tivesse acontecido, tinha desativado o jutsu do Hokage.
– Konohamaru: Acordem! – Bradou já do lado das garotas. Tinha o corpo trêmulo e seus olhos vagavam temerosos e trêmulos para a direção do corpo que havia sido desconstruído. – É o chakra do Naruto-nii-chan. Posso sentir com o Modo Sennin. – Respirou fundo e fechou os olhos. – Posso dizer duas coisas: Esta é a técnica Limbo que o Shikamaru nos falou. – Abriu os olhos e focou seriamente para as duas garotas. Ambas lhe olhavam com os olhos cheios de lágrimas, mas sérias. – E a outra é que estamos ferrados!
↨ Campo de Batalha em Kumogakure.
Tsunade observava da floresta uma cena que lhe apertava o coração. Shisui chorava silenciosamente com Madoka nos braços. Estava ajoelhado e apertava a garota contra o peito. Itachi estava a poucos metros de distância, não se importando, porém bastante atento a qualquer movimento. Sabia das habilidades do Uchiha, assim como também sabia que ele havia notado sua presença há instantes atrás. O Uchiha já havia notado se tratar de um Bunshin e por isso provavelmente esperava que ela não percebesse que ele apenas aguardava uma investida. Haviam subestimado a ela, mesmo que fosse um Bunshin.
– Itachi: Vamos indo, Shisui. Poderá mimá-la mais quando estiverem seguros e eu estiver novamente onde deveria estar: no meu túmulo. – A voz foi fria, mas o gênio Uchiha deixava totalmente exposta a amargura de estar novamente participando de uma guerra. Shisui pareceu sair de uma espécie de transe e pôs-se de pé. Passou um braço pelas costas de Madoka, abraçando também os braços da garota, na altura dos ombros. O outro braço passou por baixo das pernas, na altura do joelho. Agarrou-a do modo ocidental e começou a andar lentamente, sendo acompanhado por Itachi.
Tsunade suspirou. Se Itachi já sabia que ela estava por perto, de nada adiantaria tentar uma emboscada. Iria de frente e tentaria surpreender ao menos Shisui, que parecia bem abatido e desatento. Correu silenciosamente pela floresta, os acompanhando. Ao chegar mais perto dos Uchihas, pulou para fora e finalmente Shisui a notou. A surpresa estava estampada nos olhos negros que logo ficaram vermelhos. Tsunade não deu tempo para um ataque contra si.
Disparou rapidamente contra Shisui, que vinha à frente. O Uchiha pulou para trás com Madoka no colo e Itachi colocou-se de frente. Ele se manteve sério e puxou uma kunai.
– Itachi: Diga ao Naruto que sinto muito por tudo que ele passou, sinceramente, porém não posso permitir que ele destrua Konoha. Espero que ao menos me entenda. – Falou sinceramente o Uchiha. Ele sabia que ao destruir o Bunshin, as memórias iriam para a dona e ela com certeza transmitiria seus sentimentos ao Uzumaki. Tsunade surpreendeu a Itachi quando chegou próxima a ele. Ela cravou os pés no chão de uma maneira tão forte que praticamente criou raízes no chão, deixando um rastro de arado para trás. Ela pegou o impulso da força que havia colocado para parar e pulou por sobre Itachi. Shisui atava logo atrás. Também havia percebido que era apenas um Bunshin. Seu pensamento era de que deviam acabar com ela o mais rápido possível, pois era claramente uma distração para que perdessem tempo. Não havia lógica apenas um Bunshin vencer os dois, mesmo que a verdadeira fosse tão forte quanto eles.
Itachi pulou de encontro para Tsunade, que apenas o ignorou. A loira encarou os olhos de Shisui já bem próxima a ele. Quando chegou a três metros de distância seu corpo foi parado bruscamente. Itachi havia enfiado uma kunai em sua traqueia. O Uchiha puxou a arma e rasgou o corpo da mulher até perto do umbigo, destruindo o Bunshin. A fumaça começou a se dissipar, porém Shisui percebeu tarde demais as verdadeiras intensões da Godaime. O chakra verde entrou pelas narinas de Madoka, e o chakra da garota explodiu.
– Madoka: Elemento Fogo: Aniquilação. – Ainda nos braços de Shisui, a garota tocou os dedos indicadores e uma faísca saiu velozmente e chocou-se contra o peito de Shisui. Houve uma explosão que destruiu completamente o local que estavam, criando uma cratera e queimando as folhas e tronco das árvores próximas. A Uchiha se protegeu com o Rinnegan e já estava a uma boa distância de onde Itachi se recuperava com o Edo Tensei e Shisui ofegava em meio ao próprio sangue, já completamente fora de combate. – Elemento Lava: Erupção. – Abaixo de Shisui, já semimorto, um enorme gêiser de lava jorrou e liquidou completamente com o Uchiha.
– Itachi: Amaterasu. – O fogo eterno tocou as roupas de Madoka, e a Uchiha apenas focou seu Rinnegan no local e rapidamente dissipou a todas. Itachi pôde ver claramente o rosto vermelho e os olhos cheios de lágrimas da garota, porém o sorriso dela era afoito e divertido, como se tudo não passasse de uma brincadeira. Ela, definitivamente, estava louca.
Itachi concentrou chakra em seus olhos e invocou seu Susano’o. O gigante de armadura puxou a espada e, deixando Madoka atordoada, quebrou-a ao meio. Um brilho forte tomou o local e rapidamente tudo voltou ao normal.
– Itachi: Jutsu de Reencarnação. – Fez os selos e um corpo morto próximo a si começou a tomar forma rapidamente. Em segundos havia um homem ruivo com imponentes Rinnegans confusos. Madoka não esperou.
– Madoka: Invocação do Meteoro. – Itachi arregalou os olhos e Nagato, ainda perdido, apenas olhava a tudo aquilo, não demorando a perceber que era uma guerra. Apesar disso, não conseguia entender mais nada.
O gigantesco meteoro veio em horizontal, arrastando e esmagando a tudo que havia pela região nordeste da batalha. Árvores, ninjas, chão... Tudo era engolido e apenas ficava a cratera abismática no caminho.
– Itachi: Ajude-nos, Nagato! – Falou sério, porém Nagato, ainda perdido e abismado, não conseguiu assimilar a informação. Itachi sabia ser inútil lançar qualquer Genjutsu com informações em um usuário de Rinnegan, já que o doujutsu do Eremita ignoraria o chakra lançando na mente de seu alvo. Só havia uma alternativa. – Não há tempo, Shisui, ande logo com isso.
Shisui pulou novamente ao centro nos shinobis, chamando a atenção de Madoka. A jovem Uchiha apenas queria destruir a tudo, completamente transtornada e abalada emocionalmente pelas atitudes de Shisui. Mal havia notado que quase tinha matado o Uchiha. Porém, agora notava o que estava acontecendo e como Shisui havia escapado: Izanagi. Shisui havia sacrificado um Mangekyou em troca de voltar brevemente no tempo e escapar dos ataques de Madoka.
– Shisui: Kotoamatsukami. – Falou alto e mirou os olhos de Nagato. Contra o Kotoamatsukami, o Genjutsu supremo, não havia como o Rinnegan rebater. A ordem fora passada a Nagato e o mesmo deveria lhes ajudar com tudo que podia. Teriam que parar aquela Uchiha psicopata.
– Nagato: Destruidor Celestial da Terra. – O sol foi coberto pelo Jutsu. Rapidamente tudo por perto começou a ser sugado. O poderoso meteoro diminuiu sua velocidade e lentamente subiu enquanto se degradava. Madoka sorriu com o canto dos lábios.
– Madoka: Como lidarão com o segundo? – Perguntou correndo em velocidade. – Com o terceiro, quarto e quinto? – Quase gargalhou e Shisui engasgou ao ver o céu coberto pelos poderosos meteoros. – Elemento Ferro: Floresta de Ferro. – Começaram a criar várias raízes de ferro do chão, criando uma floresta de árvores de ferro. Shisui, Itachi e Nagato desviaram rapidamente de onde as árvores nasciam. – Elemento Lava: Tsunami de Lava. – Madoka espalmou as mãos e direcionou-as para frente. Novamente os três ficaram bestificados. Uma gigantesca onda de Lava vinha furiosamente em suas direções, cobrindo a todos a ponto de não poderem mais ver o sol ou os meteoros. – Susano’o. – Sussurrou. A gigantesca armadura, evoluída ao máximo, era praticamente surreal. Exibia a imponente imagem de uma guerreira esbelta, coberta por uma Yukata tradicional totalmente branca, como se fosse um sobretudo. Os cabelos ruivos esvoaçantes brilhavam tamanha imponência. Seu rosto era tapado por uma máscara simples com o símbolo do Yin e Yang. Em sua mão direita jazia a lança sagrada Ponta do Céu, totalmente dourada e com o gume tão branco quanto sua Yukata. Para terminar a surpresa, o Susano’o afastou-se de Madoka e dirigiu-se em velocidade em direção a Nagato.
– Nagato: Jutsu de Invocação: Estátua Demoníaca do Caminho Exterior (Gedo Mazou). – E estátua de madeira saiu da terra bem a tempo de travar o ataque poderoso do Susano’o de Madoka. O impacto afastou a todos do local da batalha de titãs, e Madoka rapidamente estava em cima de seus adversários.
– Madoka: Atração Divina. – Itachi sentiu-se ser puxado brutalmente em direção à Madoka. – Elemento Fogo: Grande Dragão de Fogo. – O poderoso jutsu em formato de dragão atingiu em cheio o corpo de Shisui, mas ainda assim ele continuou indo na direção de Madoka. Seu corpo estava praticamente destruído e o Edo Tensei trabalhava em sua regeneração. – Elemento Gravidade: Polo Central. – O corpo de Itachi tornou-se um pequeno centro de gravidade, fazendo seus braços, pescoço, cabeça e pernas quebrarem brutalmente para a direção de sua barriga, forçando-o a se tornar uma “bola”. – Elemento Lava: Bola de Lava. – Cuspiu uma gigantesca bola de lava por sobre Itachi, cobrindo-o totalmente e jogando-o no chão. Nagato e Shisui observavam atônitos.
– Nagato: Por Kami-sama, alguém amarre essa psicopata! – Shisui sentiu uma enorme vontade de sorrir ao escutar o apelo do poderoso Nagato, mas a situação estava séria demais para isso. – Essa mulher é uma louca! – Desta vez não foi possível segurar e o ninja permitiu-se uma pequena gargalhada, que logo foi cessada.
– Shisui: Ideias? – Perguntou ainda com um sorriso no canto dos lábios.
– Nagato: Fora sermos derrotados? – Perguntou sério. – Nos rendermos. – Shisui por um segundo pensou ter visto um sorriso. – Destruidor Celestial da Terra. – Repetiu a técnica duas vezes e reforçou o jutsu lançado anteriormente, puxando mais três dos meteoros para si. Infelizmente não fora possível absorver o último e o mesmo já caía por terra, porém um pouco distante deles. Por mais que o jutsu de Nagato não o tivesse sugado, havia alterado levemente a direção que o mesmo tomara. O chão tremeu quando o impacto se fez.
– Madoka: Louca? Louca? – Perguntou a garota, incrédula. Havia acabado de selar Itachi com seu Rinnegan. Infelizmente Nagato e Shisui nada puderam fazer. – Vocês não sabem pelo que estou passando! Estou desesperada! – As lágrimas sôfregas começavam a cair e Shisui sentiu o peito apertar.
– Shisui: Desculpe por antes, Madoka-chan. Eu... Eu... Não quis machuca-la de verdade. Eu apenas quero seu bem. – Falou com carinho e com a cabeça baixa. Sentia por tanto por Madoka estar sofrendo por tudo aquilo.
– Madoka: Não me importo com suas atitudes, baka! – Falou tristonha e limpando algumas poucas lágrimas. – Não posso cobrar a promessa do Naruto-kun! – Caiu de joelhos, chorando. – Meu dia inteiro de sexo... – Lamentou, choramingando baixinho. Shisui corou e Nagato arregalou os olhos.
A verdade era que Madoka estava profundamente magoada com Shisui, e realmente tentou mata-lo naquele momento de raiva. Mas agora... Itachi e Nagato poderiam ser detidos e selado facilmente por ela, mas e aí qual seria a desculpa para não vencer Shisui? Ele já havia demonstrado hostilidade total para Naruto e ela. Como resolveria aquilo? Mas por outro lado sua mente martelava e ela sofria ao lembrar que havia perdido a chance de ter Naruto por inteiro durante todo um dia. Por Kami! Não iram comer, dormir... Seriam vinte e quatro horas de sexo brutal e masoquista com seu amado Naruto-gostoso-kun. Um filete de saliva escorria no canto de sua boca quando a garota levantou-se novamente. Quanto antes resolvesse aquilo, mas rápido poderia deitar com Naruto. Infelizmente não seria durante todo um dia, mas iria roubá-lo uma hora ou outra. Ele não perdia por esperar.
– Madoka: Susano’o. – Uma outra armadura Susano’o surgiu sobre Madoka, igualmente à outra que ainda batalhava ferozmente contra o Gedo Mazou. A estátua de madeira já estava em seus últimos suspiros. Madoka avançou contra Nagato junto com seu outro Susano’o. O golpe da lança foi feroz contra o shinobi.
– Nagato: Retribuição Divina. – Bradou o Akatsuki. O escudo do Rinnegan se formou e, no instante do impacto, Madoka se pronunciou:
– Madoka: Retribuição Divina: Liberar! – O jutsu de Nagato foi cancelado e a lança do Susano’o o perfurou, estraçalhando seu corpo em migalhas e libertando-o do Edo Tensei. O Gedo Mazou desapareceu e Madoka liberou seus dois Susano’os. Olhou nos olhos de Shisui e respirou fundo. – O que farei com você? – A pergunta foi inocente e repleta de angústia. Madoka pôde ver um olho apagado de Shisui devido ao Izanagi, enquanto o outro mantinha o Mangekyou sem mais a utilidade do Kotoamatsukami. De princípio ele lhe olhava triste, mas logo seus olhos lhe direcionaram fúria e determinação.
↨ Prédio Kage de Kumo.
Shikamaru acabara de ver todas as batalhas tomarem proporções épicas e inimagináveis. Madoka havia invocado inúmeros meteoros, havia derrotado Itachi e Nagato, sobrando apenas Shisui. A batalha ali estava perdida. Hinata havia derrotado também seus oponentes, e um chakra desconhecido e muito poderoso havia acabado de destruir Neji. Não importava quem era, lutaria contra Hinata, e Shikamaru lhe era grato por isso. Por enquanto, ao menos.
Porém, o que mais lhe preocupava e lhe tirava os cabelos, deixando-o com o cenho franzido e os olhos cerrados, era sua maquete se destruindo devido ao chakra de Naruto. Havia visto Kushina e Minato atacarem o filho e sua ira borbulhava na direção de Shisui.
– Shikamaru: O que diabos você fez? – A palavra “você” foi dita com um urro de raiva. Irritar Naruto era a última coisa que queria em toda a face da terra. Agora via o furioso Nidaime Rikudou matar ninjas apenas com sua presença. Havia sido atacado por seus pais e agora toda a tática de conversação foi por água abaixo.
– Shisui: O quê? – Perguntou surpreso. A conversa se passava apenas em suas mentes, por meio do Yamanaka. – Do que está falando?
– Shikamaru: Não se faça de idiota! Minato e Kushina acabaram de acordar a fúria do Naruto. – Shisui por um momento argumentaria que não estava no controle dos corpos, mas Shikamaru foi mais rápido. – Atacaram contra a vontade deles, pude ver daqui. Você pôs toda a guerra a perder, droga!
– Shisui: Shikamaru... Eu não fiz nada! – Falou em sua defesa. Estava agora atordoado e surpreso. – Não tive tempo para fazer nada, e mesmo que tivesse, não o faria. Sei muito bem o que isso poderia resultar. – Shikamaru se calou por um momento e suspirou.
– Shikamaru: Se não foi você... – Suspirou mais uma vez. – Então quem foi?
↨
Tsunade observava o desenrolar daquela conversa. Naquele momento Naruto conversava com Kushina. Sentia, mesmo de longe e escondida, o chakra de Naruto oscilar e seu corpo ficar rígido. Sorriu meigamente ao notar o quão feliz, mesmo estando nervoso, ele se sentia. Havia lutado há pouco com alguns ninjas, apenas dez, e os corpos jaziam colocados de maneira organizada e honrosa pouco abaixo de uma grande árvore. Sentiu uma nova presença no local e esta era inconfundível.
– Tsunade: Shizune. – Murmurou, sentindo saudades e uma enorme vontade de abraça-la.
Shizune saltou dos galhos de uma árvore e caiu a poucos metros de Tsunade. A ninja médica tinha olheiras e os olhos marejados. Suas vestes eram as mesmas de sempre, notando-se que não estava em batalha. E se estivesse, acaba de desistir dela.
– Shizune: Tsunade-sama... Eu senti tanto a sua falta! – Aproximou-se em velocidade e, vendo os braços da mestra abertos, pulou e sentiu o calor do abraço. Havia sofrido tanto quando soube da morte de Tsunade. Todo aquele peso nas costas, toda aquela solidão. Um buraco no peito que aumentava cada vez que tinha que entrar em casa e lembrar de sua querida mestra bebendo ou dormindo largada em qualquer lugar. – Eu senti tantas saudades!
Ao descobrir que Tsunade estava viva, Shizune encontrou novamente gás para a vida. Infelizmente não havia como sair de Konoha. Apesar de ainda sustentar uma importante função no hospital, as vigilâncias em todos os lugares estavam intensas. Sair de Konoha e tomar o rumo de Kiri naquele momento seria impossível. O fato de Tsunade também não tê-la procurado lhe perfurava o peito. Mas aquilo não importava. O que importava era que poderia brigar com ela novamente, seja por beber demais ou por não trabalhar. Esperou, paciente e euforicamente, por todo aquele tempo e fugiu logo após o exército ninja se retirar de Konoha rumo à batalha. Teria de vê-la novamente.
– Shizune: Mestra... Eu sei de algo. – Limpou as lágrimas dos olhos. – E é bom você escutar tudo com muita atenção. Neste momento o chakra de Naruto explodiu com violência, fazendo Tsunade e Shizune caírem por cima uma das outras. – Parece que cheguei tarde.
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A complexa execução de selos foi completada e Shinju ofegou. Algo parecido com um parafuso de dez centímetros saiu do olho de Naruto, o que sustentava o Mangekyou. O tal objeto caiu ao chão e tudo tremeu com o impacto de sua queda. Segundos após o colossal chakra foi sentido em todo aquele país. Os shinobis que estavam mais próximos caíram ao chão, como se a gravidade multiplicasse seu poder. O Edo Tensei de Minato e Kushina ameaçava ser desfeito. A terra tremia, o chão voltava aos minúsculos farelos enquanto as árvores perdiam as folhas para o vendaval que se criava. E ali, em pé, com um olho cinzento e outro vermelho em ódio e mágoa, podia-se ver um homem cuja imagem podia ser associada com a própria existência. Aquele era o poder do Nidaime Rikudou Sennin, um quase Deus.
Seis dos corpos mais pertos levantaram como zumbis e logo criaram as estacas de transmissão de chakra, formando os seis caminhos do Rikudou. Naruto os ordenou que fossem para a batalha, e logo mais corpos tomaram o rumo do além. O chakra de Naruto cessou e desapareceu completamente após isso.
– Naruto: Tenho uma guerra para terminar, nós conversaremos depois. – Mentiu. Apesar de estar borbulhando em ódio, não conseguiria ferir seus pais. Sua família valia muito mais que sua vida. Mirou o Rinnegan nos dois e os selou em um piscar de olhos. – Susano’o. – Sussurrou enquanto trocava o Rinnegan pelo Mangekyou Sharingan, enquanto ainda sustentava o Rinnegan no outro olho. Afinal, a defesa de Kiri dependia dos Limbos que o Rinnegan mantinha.
A gigantesca sombra, antes invocada por Naruto, agora estava evoluída a seu ápice. A figura masculina estava vestida numa Yukata totalmente branca, mas aberta, deixando o peito e barriga definidos à mostra. Tinha um aspecto físico exatamente igual ao de Naruto, sustentando os mesmos cabelos loiros, com os mesmos olhos azuis e os mesmos bigodes felinos. Tinha as mãos nuas e calçava sandálias de madeira. Havia causado uma enorme confusão gigantesca quando revelada, e nem mesmo Shinju sabia identificar o porquê do Susano’o de Naruto possuir a imagem de seu dono. Não que Naruto se importasse, pois, assim sendo, teriam mais ainda a temer por ele. O Susano’o desconectou-se de Naruto, assim como com Madoka, e dirigiu-se à batalha.
– Naruto: Estado Natural: Noite. – O céu escureceu e o sol rapidamente se pôs ao horizonte, sendo substituído pela lua. O senhor da natureza havia escolhido a noite como palco de sua vitória, e assim seria mais fácil de batalhar. Naruto olhou para o céu e logo forçou as nuvens a lhes conceder uma forte chuva. A água caía forte sobre todo o campo de batalha, e logo também fora adicionado eletricidade em toda ela. Inúmeros ninjas começaram a morrer eletrocutados, enquanto outro conseguiam se proteger de alguma forma.
– Estado Natural: Dia. – Uma voz trovejou nas costas de Naruto, assustando o loiro. Não havia notado a presença de mais ninguém e ainda não conseguia identificar chakra vindo daquela pessoa. A lua desapareceu do céu e o sol novamente voltou a brilhar, fazendo a chuva invocada desaparecer.
– Shinju: N-Naruto-kun... – Murmurou Shinju perplexa, de dentro da mente de Naruto. O loiro virou-se e contemplou a imagem do homem. – E-ele é...
O homem de aparência desgastada, mas não velho, lhe encarava com uma parte de Rinnegans. Os cabelos brancos batiam em seus ombros e eram arrepiados, parecidos um pouco com os de Naruto. Vestia uma calça negra e botas shinobis, junto com uma camisa branca de manga comprida. Não sustentava arma alguma, mas o sorriso ferino em seus lábios intimidava a Naruto. Não conhecia aquela imagem, mas, como Nidaime Rikudou, aquela existência jamais poderia ser confundida.
– Naruto: Otsutsuki Hagoromo, o Shodaime Rikudou. – Falou com a voz surpresa e olhos esbugalhados.
– Quase acertou, Naruto-kun. – Certo! O corpo era inconfundível, com certeza pertencendo a Hagoromo. Mas aquela voz também era inconfundível. Aquele tom malicioso e a voz melodiosa eram praticamente um carimbo.
– Naruto: Orochimaru...
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