Cinquenta Tons de Balsano
5 Quatro
Notas iniciais
Olhar Matteo trabalhando é uma distração e tanto. Ele é bem dedicado e perfeccionista, ele quer que tudo saia como o planejado, caso contrario ele fica bem irritado e dá um jeito de fazer da certo. Com ele não tem essa de "obrigado" e "por favor", ele é bem sério e controlador. Eu não ia querer trabalhar para ele!
Eu permaneço sentada no sofá durante todo esse tempo que ele está trabalhando, ele disse que seria rápido, mas apareceu alguns contratempos e estamos aqui há umas duas horas. Eu não me importo, até que está sendo divertido observar Matteo em seu modo CEO.
Ele conquistou muitas coisas para alguém com apenas 25 anos de idade, ele deve ter dado muito duro para chegar até aqui, nem quero imaginar pelo que ele teve que passar. No fundo, mesmo sem saber quase nada sobre ele, sinto-me orgulhosa dele, por ele ter passado por cima de tudo e todos que o afetaram de maneira negativa. Ele é uma rapaz forte!
Matteo, agora, está de pé em frente à grande janela observando a cidade, enquanto fala ao telefone. Ele parece tenso, tem os ombros curvados e passa as mãos pelos cabelos constantemente, enquanto murmura alguma coisa para a pessoa do outro lado da linha.
— Saqueados? Como assim foram saqueados, Santi? — ele explode, de repente e eu dou um pulo, levantando-me do sofá. — Porra, como isso foi possível? Eu não mandei escoltar os caminhões? — ele bufa e começa a andar de um lado para o outro. — Santi, você está muito fodido, estou avisando! Dê um jeito nessa merda que você fez!
Ele desliga o telefone e o coloca em cima da mesa com força até demais, Matteo passa as mãos por suas madeixas e suspira. Caminho até ele hesitante, temendo que ele desconte sua raiva em mim.
— Matt, está tudo bem? — balbucio.
Ele ergue sua cabeça e me olha, sua expressão de raiva some drasticamente e ele sorri fraco.
— Eu espero que fique, meu anjo. — murmura e dá a volta na mesa, vindo até mim. Fico tensa. — Sinto muito, mas terei que cancelar os planos de hoje. Ficamos muito tempo aqui e daqui a pouco tenho outra reunião, Pedro também virá aqui para resolvermos a compra de uma empresa de Publicidade.
— Está tudo bem, teremos outras oportunidades. — ergo a mão e a levo até seu rosto, acariciando.
— Posso pedir para Ramiro te levar para casa. — fala, com os olhos fechados.
— Se não se importar, quero ficar. Gostei daqui e gostei de te ver trabalhando. — coro.
— Ok. — sussurra e segura minha cintura.
Ao sentir suas mãos firmes em minha cintura, os pelos de meu corpo se eriçaram e eu fico toda tensa. Ele percebe isso e suspira.
— Eu não vou fazer nada que você não queira, meu anjo. — sussurra com o rosto bem próximo ao meu. — Sei que já extrapolei com você, mas não pretendo fazer isso de novo. Mas... te pedir um beijo seria pedir muito? Apenas um beijo.
Olho para seus lábios carnudos e avermelhados, bem próximos aos meus e me implorando para serem beijados. Ele tem uma boca muito bonita, muito desejável e eu gostaria de saber se seu gosto é melhor do que aparenta ser. Da primeira vez não me dei a oportunidade para saber, mas agora... agora eu quero. Quero demais!
Fico na ponta dos pés, devido a diferença de altura, e seguro seu rosto entre minhas mãos, então o beijo. Era para ser um beijo calmo, mas quem disse que Matteo quer um beijo calmo? Seus braços envolvem minha cintura e ele me ergue do chão, gemo em surpresa quando sua língua invade minha boca sem permissão e se enrosca na minha.
Matteo me coloca sentada sobre sua mesa e se coloca entre minhas pernas, minhas vão para suas madeixas e eu entrelaço meus dedos nas mesmas, puxo sem pudor. Ele geme e pressiona seu quadril no meu, fazendo-me sentir toda sua virilidade, todo seu desejo por mim.
Separo-nos quando o ar se faz necessário e Matteo leva seus lábios até meu pescoço, distribuindo beijos molhados. Ofego e tombo a cabeça para trás, dando-o total acesso ao meu pescoço. Mas, então, sinto suas mãos em minhas coxas e noto que passamos de "apenas um beijo".
— Matteo, não. — coloco as mãos em seu peito e o empurro. — Nós passamos dos limites!
— Não, não passamos. — ele segura minhas mãos e volta a me beijar. — Eu preciso te fazer minha. Preciso te mostrar algo.
— O quê? — indago contra seus lábios.
— Hoje à noite. Após o jantar, me encontre no meu quarto.
Matteo quer que eu vá em seu quarto. Ele nunca me permitiu nem sequer tocar na porta de seu quarto. O que será que ele esconde? Isso atiça minha curiosidade no nível máximo.
Um beijo, tornou-se vários e por mais que eu estivesse tentando me controlar, não estava conseguindo. As mãos de Matteo estão por toda a parte, acariciando-me, apalpando-me e isso me dá uma sensação estranha, mas boa. Mas estamos indo rápido demais, eu quero conhecê-lo melhor, quero ir mais devagar, pois, apesar da confiança que estou depositando nele, para mim ele ainda é um completo desconhecido.
Talvez, eu tenha feito a escolha errada ao preferir ficar. Estou distraindo Matteo, tirando-o de seus afazeres e para quem é o CEO de uma empresa tão grande e famosa, distrações não são uma boa.
Estamos no sofá, Matteo me tem em seu colo enquanto beija-me com voracidade e luxuria. Suas mãos estão em minhas coxas, apertando-as sob a saia e temo o rumo que elas possam tomar.
— Sr. Balsano, sua reunião é daqui a cinco minutos e os senhores estão a seu aguardo. — a voz de Daniela surge e eu olho para ele.
— Maldita hora! — ele revira os olhos e me tira de seu colo. Ele caminha até sua mesa e pressiona um botão no telefone. — Leve-os para a sala de reunião, por favor, já estou indo.
— Sim, senhor.
Ajeito minha roupa e meu cabelo, enquanto Matteo ajeita sua camisa e a gravata, ele veste seu paletó e se volta para mim, com seu cabelo todo bagunçado. Rio.
— O que foi? — indaga, com uma sobrancelha erguida. — Eu sou engraçado?
— Não, mas esse seu cabelo bagunçado sim. — vou até ele e arrumo seu cabelo, deixando-o com um sorriso bobo de garoto. — Eu acho que agora eu quero voltar para casa. Talvez eu possa ligar para a Tamara e pedir para ela me dar uma aula hoje.
— Por que você não fica? Você queria até há pouco tempo.
— Mas eu mudei de ideia. Eu estou te distraindo e não quero fazer isso. — limpo o canto de sua boca, tirando uns resquícios de batom. — Você não precisa pedir para o Ramiro me levar, eu posso ir de...
— Nem fodendo que você sai daqui sozinha! — me interrompe. — Ramiro vai te levar sim e nem pense em discutir isso comigo, porque não vou mudar de ideia!
Bufo e reviro os olhos, ele me rouba um selinho e pega o celular. Ele fala com Ramiro e depois liga para Tamara, pedindo para ela ir até sua casa, para me dar aula. Nós saímos de sua sala juntos e Daniela nos olha desconfiada, talvez seja pelo sorriso de Matteo, ou porque eu esteja inteiramente corada e me sentindo desconfortável.
Matt se despede de mim com um beijo na bochecha e seu segurança — e motorista — Ramiro aparece do nada, acompanhando-me no elevador. A descida até o térreo é bem desconfortável e completamente silenciosa, Ramiro é um cara bem profissional e bem sério.
— Então... — murmuro, sem jeito. — A quanto tempo você trabalha para o Matteo?
— Cinco anos, senhorita.
— Hum. É bastante tempo. — balbucio. — Você sabe o que aconteceu com ele, quando mais novo?
— Não estou autorizado a falar sobre esse ou quaisquer outro assunto relacionado à infância do Sr. Balsano. — diz sério e as portas do elevador se abrem. — Senhorita.
Saio e ele vem logo atrás de mim. Nós vamos até o carro e ele abre a porta para mim, reviro meus olhos, pois não gosto disso. Eu posso abrir a porra de uma porta sozinha!
Penso na breve conversa sobre Matteo que tivemos no elevador. Gostaria que Matteo fosse mais aberto, falasse mais sobre si, isso me ajudaria a confiar mais nele. Até seus empregados são fechados demais. Um amigo faz bem, poxa!
— Ramiro, me desculpa ser invasiva, mas... O que aconteceu com ele, depois que ele perdeu os pais? — indago, com a cabeça encostada no vidro.
— Ele foi morar com a tia, senhorita. — ele me olha pelo espelho retrovisor. — Quer um conselho, senhorita? — aquiesço, olhando para ele. — Pergunte a ele, mas não o pressione. Na hora certa, ele vai te contar tudo.
— Obrigada. — sorrio de lado e ele me devolve o sorriso.
[...]
Tamara estava me esperando na sala de estar, eu pedi para ela esperar e fui trocar de roupa. Agora nós estamos sentadas à mesa de jantar, enquanto ela me explica alguma matéria que eu não consigo prestar atenção, pois minha cabeça está em Matteo. Estou tão curiosa para saber o que ele vai me mostrar e o que ele quis dizer com "te fazer minha." Achei um tanto possessivo, mas não disse nada, até porque estava muito ocupada beijando ele.
— Luna! — Tamara me repreende e eu encolho os ombros. — Preste atenção, por favor!
— Desculpa.
Tamara é minha professora particular, já que Matteo não quer me deixar frequentar um colégio. Só a faculdade, mas vou ter que estar acompanhada da porra de uma segurança. Tamara até que é legal, mas às vezes é muito severa, mas eu sei que ela é assim para o meu bem, para mim prestar mais atenção, porque eu sou bem distraída.
Ela volta a explicar a matéria. É matemática e ela sabe o quanto eu odeio matemática, tanto que minhas notas na escola eram baixas e eu quase reprovei uma vez, por causa disso. Mas até que com as explicações de Tamara, eu estou começando a entender e a pegar o jeito.
[...]
Nós acabamos quase na hora do almoço e Matteo ainda não voltou para casa, talvez vá ficar até o final da tarde na empresa. Se ele voltasse agora, talvez eu pudesse fazê-lo mudar de ideia e me levar para o seu quarto depois do almoço. Sim, seria uma ótima! Eu estou tão curiosa que não consigo me aguentar e também estou distraída, tão distraída que a Tamara me chamou a atenção várias vezes durante a aula.
— Amanda, você viu o Ramiro? — indago, entrando na cozinha.
— Ele voltou para a empresa, querida. Ele não gosta de deixar o senhor Balsano sozinho por muito tempo, a última vez que isso aconteceu... — ela suspira. — Pobre coitado, sentiu-se tão culpado.
— O que aconteceu, Amanda? — me sento na bancada.
— Há uns dois anos, Matteo estava saindo de um baile beneficente e pediu para o Ramiro ir buscar o carro. Ele não queria, estava desconfiado de um homem que não parava de olhar para o sr. Balsano de forma um tanto suspeita, mas o sr. Matteo conhecia o rapaz e disse estar tudo bem. — ela pera, pegando ar. — Ramiro saiu e foi questão de segundos... — ela é interrompida.
— Ele atirou em mim. Duas vezes. — ouço a voz de Matteo e viro a cabeça para o lado da porta. — Um pegou de raspão, no braço. O outro me acertou em cheio. — ele abre a camisa, fazendo-me prender a respiração por seu belo corpo. — Bem aqui. — coloca a mão sobre uma cicatriz, do lado esquerdo de seu peito.
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