Cinquenta Tons de Balsano
6 Cinco
Suspiro pesadamente ao ouvir a confissão. Meu Deus, foi muita sorte ou milagre Matteo ter sobrevivido. Eu sinto um aperto no peito só de pensar que, talvez, ele não estivesse aqui entre nós, caso aquela operação não tivesse dado certo. Se ele tivesse morrido, hoje eu estaria lá em Buenos Aires e nada teria mudado, papai continuaria bebendo, mas pelo menos eu não estaria morando com um completo desconhecido. Ou talvez, estivesse sim. Talvez estivesse morando com outra pessoa, uma bem ruim e que abusaria de mim. Pensando bem, Matteo me fez um grande favor me tirando daquela casa.
— Que bom que está aqui hoje. — murmuro, contra o peito dele.
Ele sorri e me envolve em seus braços fortes, abraço sua cintura e fecho os olhos, respirando fundo, sentindo seu perfume. Seu peito está quente e eu ouço seu coração bater, está acelerado e sua respiração está desregular.
— Bem, vamos almoçar, eu ainda tenho que voltar para a empresa. — ele nos separa do abraço e fecha a camisa.
Fico calada e aquiesço, vou para a sala de jantar. Amanda está terminando de arrumar a mesa e me olha, erguendo uma sobrancelha. Não digo nada, apenas me sento e me recosto na cadeira, com o pensamento em Matt.
Por que ele agiu de modo tão estranho? Será que fiz alguma coisa que ele não gostou? Ou será que foi aquela conversa com a Amanda, sobre o que aconteceu com ele? Poxa, ele não pareceu se importar, até me mostrou sua cicatriz. Ou será que foi alguma coisa que eu fiz em seu escritório? Ah, não importa. Balsano me confunde tanto.
Ele se junta a mim e Amanda nos serve, como em completo silêncio. Vez ou outra Ramiro vem chamar ele, para informar sobre algo relacionado a segurança. Matteo já está com a paciência esgotada, tanto que, quando seu telefone toca, ele explode com Daniela e a manda cancelar seus compromissos dessa tarde.
— Está...hum...tudo bem, Matt? — pergunto, brincando com a minha comida.
— Sim. — respira fundo. — Eu só preciso treinar.
Matteo se levanta e começa a subir as escadas, largo minha comida pela metade e vou atrás dele. Alcanço-o na metade da escadaria e quando ele se vira para mim, não dou-lhe tempo para me perguntar "o que foi", apenas o beijo.
Ele segura firme em minha cintura e retribui com selvageria. Matteo me beija com emergência, como se fosse a última coisa que fará antes de sua morte. Mas o ar se faz necessário e nos separamos.
— O que está acontecendo? Por que está tão estranho?
— Eu estou tenso. Preciso soltar minha tensão em alguma coisa, então eu preciso treinar. — ele suspira. — Eu preciso estar no controle, Luna! Mas nem no trabalho estou conseguindo, isso é desconcertante!
— Mas você não precisa descontar essa sua tensão nos outros. Eles não tem culpa de nada. — solto, exasperada.
— Você tem razão. — passa as mãos pelo cabelo. — Sinto muito. Mas eu preciso realmente ir treinar.
— Não. Não precisa. Você precisa de um tempo comigo. Venha.
Seguro a mão dele e descemos. Guio-o até a piscina e o mesmo me olha, intrigado, mas não diz nada. Paro em frente à piscina e começo a tirar minha roupa, está frio, mas não me importo com isso.
— Valente, você está louca? O que pensa que está fazendo? — indaga e tenta me impedir de tirar o short.
— Oras, vou tomar banho de piscina. E você também vai. — sorrio.
Termino de tirar a roupa e fico apenas de lingerie, ele me come com os olhos. Mas depois volta sua atenção para os seguranças, que, disfarçadamente, olham para mim. Matteo e Ramiro trocam olhares, em uma conversa silenciosa e Ramiro dispensa os seguranças, e ele mesmo fica á uma certa distância de nós.
— Você está louca, essa agua está gelada!
— Não me importo.
Pulo dentro da piscina e o choque do meu corpo com a água gelada, faz todos os pelos de meu corpo se arrepiarem. Suspiro e olho para Matteo, que permanece parado e vestido.
— Anda! — ele nega e eu finjo estar chateada. Estico minha mão para ele. — Me ajuda a sair, então.
León segura minha mão e eu o puxo, fazendo-o cair dentro da água com roupa e tudo. Ele começa a xingar e eu rio, me aproximando dele. Seguro a gola de sua camisa.
— Não fica irritado, estou tentando divertir você. — murmuro, sorrindo maliciosamente.
— Minha forma de divertimento, não é essa. — revira os olhos, irritado.
— Então, qual é? — começo a desabotoar sua camisa.
— Muito em breve saberá.
Tiro sua camisa e a coloco para fora da piscina, começo a abrir seu cinto e ele me observa, seus olhos escuros, agora assumiram um tom ainda mais escuro, de puro desejo.
Tiro seu cinto e abro sua calça, ele a tira e a joga para fora da piscina. Ele agarra minha cintura e cola nossos corpos, fazendo-me suspirar e morder o lábio ao sentir seu membro, coberto apenas pela cueca, batendo em meu ventre. Em meus pensamentos mais íntimos, desejo que Matteo pare de me respeitar e que faça amor comigo aqui e agora. Desejo que ele me possua, com calma e sempre pressa, sem se importar com a presença de seus seguranças.
Papai não se orgulharia de mim se me visse desta maneira, muito menos se soubesse de meus pensamentos. Ele me chamaria de vadia, sem vergonha e diria que não foi dessa forma que ele me criou. E realmente, não foi. Mas eu tenho dezessete anos, daqui há um mês estarei completando dezoito e posso muito bem tomar minhas decisões e se eu quiser transar com Matteo, eu posso, mesmo que isso possa vir a magoar Simón, o meu namorando, que por algum motivo me procura pelas ruas da cidade.
Estou aqui há catorze dias, duas semanas, para ser exata. É um tempo relativamente curto para dizer que estou apaixonada por ele, mas é tempo suficiente para me fazer sentir atraída por ele. Matteo é um homem muito bonito, com o corpo em forma e que tem mulheres caindo ao seus pés, mas não está com nenhuma. E começo a perceber, que, o que achava sentir por Simón enfraquece-se muito quando estou com Balsano.
Eu sempre fui bem tranquila, sempre desejei encontrar o cara certo para mim e formar uma família. Sexo antes do casamento? Nem pensar. Sequer com Simón tive vontade, e eu gosto dele desde criança. Mas depois que conheci Matteo, isso mudou e eu já nem penso mais assim. Sinto-me envergonhada, às vezes. Sou muito inexperiente, nunca tive relações, nunca vi um homem nu e nunca fui vista nua.
Sei que eu me relacionar com Matteo, de qualquer forma, seja sexual ou não, é considerado pedofilia por causa da minha idade, mas ninguém precisa saber, ninguém vai saber. E se saber, ninguém se importa!
— No que você está pensando? — Matteo me tira de meus devaneios.
Coro violentamente e olho para o lado, ele sorri malicioso. Com certeza já sabe, mais ou menos, no que eu pensava. Ele me beija, sua língua explorando minha boca e suas mãos passeando por meu corpo, até que as sinto em meus seios, apalpando-os por cima do sutiã. Mordo seu lábio e jogo a cabeça para trás, Matt me prende contra a beira da piscina e envolvo minhas pernas em sua cintura.
— Você me deixa louco, sabia? — sussurra e beija meu pescoço. — Seu corpo, sua boca atrevida... Você não tem noção do que me causa, das coisas que quero fazer com você.
— Es-estou disposta a saber. — sussurro. — Agora mesmo, se me permitir.
Fico um tanto surpresa com a minha atitude, mas eu não estou muito disposta a esperar até à noite. Eu sou muito curiosa, quero logo saber o que ele faz de tão misterioso assim.
Matteo me olha, impassível. Penso que talvez eu não devesse ter dito isso, mas não estou arrependida. Ou talvez esteja, só um pouquinho. Mas não quero nem saber, ele sabe como sou curiosa e odeio que façam suspense. Tenho o direito de estar assim, não tenho?
Balsano brinca com a minha calcinha, ele me olha nos olhos e sorri com malicia, tentando ver se há alguma hesitação, mas não. Balanço a cabeça, positivamente e ele morde o lábio.
— Está bem. Depois do banho, vá até meu quarto.
Aceno com a cabeça e ele me ajuda a sair da piscina, ele sai em seguida. Nós vamos para dentro de casa e subimos, mas vamos um para cada lado, já que nossos quartos são de lados opostos. Tomo um banho rápido, colocando um vestido com estampa florida e uma sapatilha rosa clara, deixo minhas madeixas soltas e molhadas, não estou com paciência para secar. Decido esperar mais um pouco, porque Matteo ainda deve estar no banho.
Sinto uma forte pontada na cabeça, levo minha mão ao local aonde dói e gemo baixinho. Meu quarto tem uma varandinha por onde se pode ver o jardim. Penso que se tomar um ar talvez a dor de cabeça passe. Eu não quero ficar maldisposta logo agora que vou saber o que tanto Matteo esconde naquele quarto.
Surpreendo-me ao ver que alguém apoia-se no varão da varanda, de costas para mim. Meu coração palpita. Eu o reconheceria mesmo se ele estivesse pintado de ouro. Nego com a cabeça, não querendo acreditar que ele estava mesmo ali. Então, a figura subitamente vira-se, como se pressentisse minha presença e sorri timidamente ao me ver. Tenho naquele instante a confirmação de que estou vendo Simón na minha frente, me sorrindo!
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