Cinquenta Tons de Balsano
10 Nove
Matteo vai até a garota, que pula em seus braços, abraçando-o. Ele não parece satisfeito, foi pego de surpresa e se eu o conheço o suficiente, ele não gosta disso. Assim que se separam do abraço, ele segura o braço da garota e a arrasta até a sala, e eu fico aqui, com cara de tacho. Balanço a cabeça e desço da bancada, vou até a sala e o escuto brigando com ela, perguntando o porquê dela não ter avisado que viria, dizendo que não gosta de surpresas e que ela deveria ir embora. Oras, por quê?
— Eu só queria vir matar a saudade, porque faz tanto tempo que não nos vemos. — ela pega a mala. — Eu sinto sua falta, sabia? Você costumava ser mais presente.
— Eu também sinto sua falta, Nina. Mas já somos adultos, temos nossos empregos, nossas responsabilidades. — ele a abraça e beija a cabeça. — Desculpe-me por isso, você me pegou totalmente de surpresa e você sabe que eu não gosto disso.
— Tudo bem, me desculpe também, eu deveria ter avisado.
Os observo de braços cruzados. Não gostei nem um pouco dessa demonstração de afeto. Por quê? Não sei e nem quero saber. Seja lá o que ela for dele, acho que já deu e já pode se afastar. Pigarreio e eles se separam, e olham para mim.
— Não vai me apresentar, Matt? — indago, impassível.
Matteo me fita com uma sobrancelha erguida, sem entender porque ajo assim. Eu também quero saber, querido! Penso, exasperada. Ele vem até mim e passa o braço por minha cintura, mantendo-me perto, e olha para a tal de Nina. Ele vai dizer o que? Que sou sua amiga? Porque ela viu na cozinha que isso não éramos.
— Nininha, esta é Luna. — me apresenta. — Ela é...
— Sua namorada, eu vi. — Nina sorri. — Prazer em conhecê-la, Luna. Sou Nina, prima dele, mas você pode me chamar de Ni se quiser.
— O prazer é todo meu, Nina. — seguro a mão dela, que ela me estende, e aperto.
Então quer dizer que ela é prima dele? Menos mal, pensei que fosse uma ex-submissa que virou melhor amiga dele. Seria estranho, muito estranho. Olho para Matteo e o mesmo parece desconfortável, então decido ir para o meu quarto.
— Matt, eu vou para o meu quarto. Preciso fazer umas pesquisas. — pisco para ele e fico na ponta dos pés, selando nossos lábios. — Mais tarde nos vemos.
Ele aperta minha bunda, sem Nina perceber e sorri de lado, malicioso. Subo, mas ouço Nina perguntando a minha idade e quanto tempo estamos juntos.
— Ela tem dezessete, completa dezoito daqui há um mês. — Nina se surpreende. — Ela tá morando comigo há duas semanas, por motivos de que não são da sua conta!
— Grosso! — murmura.
Chego em meu quarto e pego o notebook, jogo-me em cima da cama e abro no Google, busco por "submissa" e me arrependo imediatamente. Várias e várias imagens de mulheres amarradas e amordaçadas — entre outras coisas — aparecem, sem falar de alguns vídeos que me arrependi de ver. Após ver algumas outras imagens e videos, chego a conclusão de que Amordaça é um limite rígido para mim. Como vou me comunicar com ele quando estiver quase ou atingindo o meu limite? Sem falar que eu fico desesperada com esses tipos de coisa. Anoto mentalmente para falar sobre isso com o Matteo.
Dou mais uma lida no contrato e nem ferrando que quero grampos genitais ou de mamilos como formas de punição. Balsano vai tirar isso por bem ou por mal. Guardo outras coisas para depois falar com ele. Confiro as horas e já são cinco e meia da tarde, o tempo passou rápido ou eu que não prestei atenção na hora em que acordei. Mas eu tenho certeza de que eram quatro horas quando eu comecei a minha pesquisa. Demorei demais.
Coloco o contrato dentro do envelope e vou até o escritório de Matteo, levando o contrato comigo. Bato na porta e quando ouço a voz de Matteo, liberando minha entrada, entro e fecho a porta.
— Podemos conversar? — lhe mostro o contrato.
— Claro. — sorri. — Sente-se. — me sento em frente a ele e tiro o contrato do envelope. — Em que posso lhe ser útil?
— Quero falar sobre os meus limites rígidos. — esclareço. — E quero que desconsidere algumas.
— Estou ouvindo.
— Amordaça é um limite rígido para mim. Não me sinto à vontade, não conseguiria me comunicar com você. — murmuro, esclarecedora. Ele assente e pega uma caneta e me entrega.
— Risque o que não deseja. — Sério? Ta bom. — Mais o que?
Pego a caneta.
— Grampos genitais, nem pensar. — risco. — Introdução de mão na vagina e no ânus? Nem ferrando! — risco. — Eu ainda não tenho como saber até que ponto estou disposta a sentir dor, não senti nenhuma até agora. — ele só me observa. — Sono. Estamos de acordo, até porque durmo de oito à nove horas. — ele murmura um "correto". — Roupas. Você já decide o que eu devo e o que não devo usar, porque tá aqui? — olho para ele e ele tem uma cara emburrada. — Desculpa.
— Apenas continue.
— Tá. Higiene Pessoal e Beleza, não tem que se preocupar, me cuido constantemente. — murmuro. — Não bebo, nem fumo e nem uso drogas. Você já sabe. Hum... — coloco a caneta na boca, mordiscando sem perceber. — Sobre os exercícios, eu aceito quatro horas, dois dias da semana.
— Mas...
— Meu corpo, eu decido. — ele revira os olhos.
— Está bem. Mais alguma coisa?
— Não, ainda.
Guardo o contrato e me levanto, agradecendo a ele, que também se levanta e dá a volta na mesa, ficando de frente para mim. Ele segura minha cintura e roça o nariz em minha bochecha.
— Adorei nossa tarde, o que acha de repetirmos? — sua mão direita vai para minha bunda. — Não me importo de ser aqui, posso improvisar algo.
Ele não me permite responder e sela nossos lábios, largo o contrato em cima da cadeira e ele sai jogando todas as coisas de cima da mesa, no chão e me senta sobre a mesma. Envolvo as pernas em sua cintura e tiro sua camisa com pressa, jogando-a no chão. Ele me deita sobre a mesa e levanta meu vestido, deixando minha barriga exposta, mas não o tira. Matteo beija e morde meu lábio e distribui beijos molhados por meu pescoço, ele estimula meu clitóris por cima da calcinha e eu gemo, me contorcendo.
— Matteo, será que... Meu Deus, por que vocês não vão para um quarto? — Nina exclama, assustada.
— Porra Nina, bata na porta! — Matteo rosna, irritado e se vira para ela.
Eu estou corada, pareço um tomate ou pimentão de tão vermelha que estou. Sento-me e saio de cima da mesa, ajeitando meu vestido, mas fico atrás de Matteo. Estou com tanta vergonha, gostaria que tivesse um buraco no chão para eu poder enfiar a cabeça.
— O que você quer? — indaga, irritado e eu tento me concentrar em algo. Fico olhando para a bunda dele, descaradamente. Isso me ajuda um pouco.
— Mande seus cães de guarda pararem de me perseguir! Eu só quero ir ao shopping. — ela diz, irritada, batendo o pé.
— Nina, é por segurança, não quero que nada te aconteça e se quer ir ao shopping, eles terão de ir junto! É isso e não se discute!
Ela sai batendo os pés, irritada e eu mordo o lábio, envergonhada. Matteo se vira para mim, não deixou-se abalar pela interrupção, até parece que já passou por isso outras vezes. Com certeza já passou, não sou a primeira e nem a última submissa dele. Penso e suspiro, olho para o chão.
— Qual o problema?
— Eu...hum... nada. Eu vou procurar Amanda, preciso distrair-me com algo. — afasto-me dele e vou até a porta. — Nos vemos no jantar?
— Sim, claro. — coça a nuca. — Amanhã à noite não terá nada para fazer, não é? — nego. — Ótimo, nos vemos no quarto de jogos.
Pisco, captando o que ele me disse e me retiro do cômodo. Encontro Amanda passando para a cozinha e me junto à ela, para ocupar-me e para não passar por mais nenhuma vergonha.
Depois de ajudar Amanda por um tempo vou para meu quarto e me deito na cama. Começo a pensar em Matteo, no contrato, nas situações vergonhosas em que Nina nos flagrou. Suspiro. Como minha vida mudou depois de ter vindo morar aqui. Ouço o toque de meu celular. Preguiçosamente o pego. Tenho uma nova mensagem pendente. Estou curiosa e abismada para saber de quem poderia ser, por isso a abro.
Luna, me encontre na baia central de Veneza as 19:00. Precisamos conversar sobre algo importante — De seu, Simón
Suspiro ao ler a mensagem. Parece que Simón não desistiu, mesmo depois de eu ter claramente demonstrado que prefiro Matteo. Definitivamente eu nem sequer devo cogitar me encontrar com ele. Por outro lado Simón foi ou ainda é meu namorado, e acima de tudo meu amigo, e como sei que Matteo provavelmente nunca vai me contar nada sobre o segredo que os envolve talvez Simón posso esclarecer minhas duvidas. Sim, eu irei ao encontro dele. Apenas terei que achar um jeito de driblar Matteo pois ele claramente não vai me deixar sair a essa hora, muito menos sem seguranças. Bufo, frustrada.
— Droga. — Praguejo para mim mesma.
Tenho sede, então vou na cozinha pegar alguma bebida e vejo Amanda toda arrumada e maquiada. Me surpreendo. Nunca a vi assim.
— Onde vai, Amanda? — Indago curiosa com um sorriso.
Ela sorri de volta para mim e seus olhos brilham.
— Ah, vou numa festa de uma amiga minha. Quem sabe eu finalmente encontro um gato e desencalhe.
Rio com o que ela disse. De repente me vem uma ideia maluca na cabeça, mas que pode dar certo.
— Amanda, posso te acompanhar na festa?
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