Cinquenta Tons de Balsano
11 Dez
Notas iniciais
— Mas nem pensar que eu te deixo ir nessa porcaria de festa, nem que pra isso você tenha que ficar trancada numa torre senhorita Luna!
Essas foram as palavras proferidas por Matteo quando lhe pedi inocentemente permissão para poder acompanhar Amanda na festa da tal amiga dela. Naquela hora ele olhou-me com tamanha furia que tive a certeza que que meu encontro com Simón iria pela descarga a baixo. O pior era que eu sentia que tinha de me encontrar com ele, que isso seria importante, e que eu poderia arrancar dele algo a respeito dos segredos que envolviam ele e Matteo. Eu posso ser muito persuasiva quando quero.
Para minha sorte, Amanda fez o seu típico show dramático, fazendo um belo escandalo e alegando que sua vida não faria o menor sentido sem minha presença na festa. A mulher berrou tanto, mas tanto que Matteo teve de concordar em me deixar ir. Passei a gostar mais de Amanda depois disso.
Quando estávamos fora de casa eu revelei a ela o real motivo pelo qual eu estava saindo, e ela romântica incurável me disse que amava relações proibidas e que me daria toda a cobertura que eu fosse precisar. Agora estou aqui, na baia veneziana que por sinal é maravilhosamente linda, e neste momento milhões de turistas estão ao meu redor e consigo ouvir o murmurar deles em diversas línguas diferentes. Estou tremendo de frio pois apenas visto-me com uma top branca de manga curta e umas leggings pretas mas transparentes que deixam minhas pernas visíveis. Eu havia deixado minha jaqueta em casa mas agora estava arrependida de te-lo feito. Neste momento são 19:15h segundo meu telefone celular e Simón ainda não deu sinais de vida. Talvez seja melhor eu voltar para casa, penso.
Então vejo-o correr em minha direção, chocando-se e sendo xingado em italiano por muita gente para chegar ao meu encontro. Ele sorri largamente ao me ver e eu tento retribuir o gesto sorrindo de lado. Ele me abraça de maneira muito forte, o que chega a me sufocar.
— Simó.. — Tento dizer, em meio a arfadas, mas ele logo solta-me e eu respiro aliviada.
— Luna, que bom que veio. — Ele exclama, parecendo eufórico demais, fato que por alguma razão me incomoda um pouco. — Me diga, o idiota do meu irmão fez alguma merda com você, Luninha? — Simón indaga.
Suspiro. Estou a menos de um minuto na presença de Simón e minha vontade é de dar um tapa na cara dele e sair daqui, deixando-o plantado. A forma como ele se referiu a Matteo me irritou bastante, e eu que antes amava quando ele chamava-me pelo apelido agora tinha vontade de vomitar apenas de ouvir ele proferi-lo.
— Diga logo o que quer, Simón. — Digo, ríspida. Esse fato parece o deixar desconcertado por alguns segundos mas logo o sorriso volta a estampar sua face.
— Luna, eu te chamei aqui porque eu te amo demais. E nem por um segundo desde que eu soube que Miguel tinha te vendido para meu irmão que eu deixei de me preocupar contigo, e com sua segurança. Luna, meu amor. Acredite em mim, Matteo é perigoso. — Sussurra, em tom alto o suficiente para que eu posso o escutar.
A forma como ele fala de Matteo me intriga. Porque ele seria perigoso? Simón sabe do que ele faz com suas submissas? Ou seria outra coisa? Não sei se devo acreditar em Simón sendo que tudo leva a crer que ele tentou matar Matteo, o seu irmão, membro de sua familia, sangue de seu sangue. No entanto eu sei muito bem que Matteo tem um lado obscuro, e esconde muito mais coisas do que ele deixa transparecer.
— E porque o Matteo seria perigoso, Simón? — Pergunto, as palavras escapando de minha boca antes que eu possa perceber.
O sorriso dele morre e seu rosto assume um semblante tenso devido a minha pergunta. Por algum motivo o olhar de Simón me causa arrepios e meu coração bate descompensada mente no meu peito.
— Eu não prudente te contar detalhes desse assunto, Luna. — Ele me responde com um tom alarmante em sua voz.
Cruzo os braços. Ele certamente não acha que eu vim aqui escondida para depois ficar apenas na curiosidade.
— Porra, Simón. O que custa me contar caralho. — Elevo minha voz, minha irritação muito visível.
Simón apenas me olha com uma expressão indecifrável em seu rosto por alguns minutos e então bufa.
— Ok, me venceu Luninha. — Sorri novamente. — Eu vou te contar, afinal tem o direito de saber que tipo de homem meu maninho é.
O tom de voz de Simón é baixo e calmo ao dizer essas palavras, o que me assusta e me faz estremecer. Meu coração bate forte em antecipação pelo que vou ouvir.
— Luna, o Matteo é um bandido, um assassino frio e cruel. — Ele pausa, como se esperando que eu diga algo, mas eu fico calada então ele apenas continua. — O Matteo tem serios problemas mentais, Luna. Sempre teve inveja de mim. Quando eu era criança e ele um adolescente ele tentou me matar quase me queimando vivo com um isqueiro. Minha sorte foi que mamãe chegou e impediu essa desgraça de acontecer. Luna, Matteo sempre me odiou porque eu era o preferida de nossos pais por ser o caçula. Ele sempre arranjava formas de se ver livre de mim, mas nunca conseguia. Ele atentou contra minha vida quatro vezes, sem sucesso. Então, nossos pais o internaram numa clinica psiquiátrica, onde ele ficou ate completar dezessete anos quando fugiu. Nossos pais ficaram desesperados pelo sumiço dele e vieram para Veneza, onde tínhamos uma mansão convictos que ele estaria aqui. Eu resolvi ficar em Buenos Aires, afinal queria mais era que Matteo se ferrase depois de tudo que ele fez contra mim. — Simón pausa para respirar, e eu estou atônita com o que estou ouvindo. Motivo pelo qual permaneço calada.
— Depois desse dia nunca mais tive noticia alguma de meus pais por muitos anos. Fiquei morando com Clara, melhor amiga de mamãe que me acolheu muito bem, me tratando como um filho. Eu queria pensar que meus pais estavam bem, seguros e felizes mas a minha intuição sempre me dizia que algo estava errado. Então a dois anos eu resolvi que tinha que fazer algo. Vim para Veneza decidido a descobrir algo sobre meus pais. Acabei descobrindo coisas desastrosas com a ajuda de Rey, um detetive particular que contratei. Luna, eu descobri que Matteo havia se tornado chefe da mafia italiana, e mais, que ele havia assassinado nossos pais friamente! — Simón exclamou.
Tudo que estou ouvindo parece surreal demais para ser verdade. Matteo tem segredos sim, mas não é um bandido com sangue frio. Disso eu tinha plena certeza. Sinto minha face molhada por lagrimas que insistem em cair. Ao ver meu estado Simón me abraça, mas eu me afasto bruscamente dele. Eu não quer sequer que ele me toque. Ele mente para mim. Essa é a única explicação que encontro para este fato. Tudo que ouvi aqui tem que ser mentira. Eu não posso estar atraída por um criminoso sem escrúpulos nem coração.
— ME SOLTE! — Grito, sem me importar se atrairei a atenção das pessoas. — TENHO NOJO DE TI, NOJO. SEU MENTIROSO.
Simón me abraça contra a minha vontade, mas eu acabo encostando a cabeça no ombro dele e choro, choro tudo que tenho para chorar.
— Eu sei o quão difícil é pra você, querida. — murmura, acariciando meus cabelos. — Estar apaixonada por um bandido não deve nada fácil.
Me afasto, revoltada com a fala dele. De onde ele tirou este absurdo que estou apaixonada por Balsano? Mas claro que nunca vai acontecer!
— Eu não estou apaixonada por Matteo coisa nenhuma. — Rio nervosamente. — Deve ter apenas merda na cabeça Simón!
Simón ri.
— Luna, eu vi o seu olhar para meu irmão naquele dia. Apaixonou-se por ele sim. — Respira fundo. — Olha, Luna eu te aconselho a sair daquela casa o quanto antes. Matteo é completamente louco e fora de si. Pode te matar a qualquer momento. Essa cicatriz que ele tem e alega ter sido eu o causador com certeza foi algum inimigo da mafia que a causou. Vem comigo, Luninha. Ao meu lado vai estar segura.
Nego com a cabeça. Estou muito atordoada com o que ouvi. Simón despejou toda essa bomba em cima de mim de forma rápida, sem se importaria com o que eu sentiria. Estou completamente confusa, sem saber o que pensar. Algo me diz que Simón mente. Mas algo também me diz que Matteo é extremamente misterioso e obscuro. E o sadomasoquismo que ele pratica com suas submissas somente comprova ainda mais o que Simón contou. Estou muito, mas muito assustada.
— Simón.. — Sussurro, voltando a me aninhar nele, e chorar ainda mais.
— Fuja comigo Luna. Case comigo. Te levo para fora daqui, para um lugar onde Matteo nunca vai te encontrar. Me deixa ser seu marido e te fazer a mulher mais feliz desse mundo! — Simón exclama sorrindo ao se afastar de mim e pegar uma caixinha de veludo preta do bolso do casaco, onde reside um belo anel de diamantes prateado, que deve custar uma fortuna. Abro a boca em espanto. — Casa comigo, Luna? — Simón me pergunta mais uma vez.
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