Cinquenta Tons Mais Intensos.
79 Uma vez minha mãe me disse "ás vezes tudo que precisamos é de um novo começo".
Notas iniciais
Por Christian.
— Ah cara, não tem coisa pior do que ficar na bad, não é? Eu sei por que fiquei por um tempo quando a Kate quase ameaçou terminar comigo depois de uma briga que tivemos. — Disse Elliot deitado enquanto estava comendo amendoins no sofá do meu escritório enquanto eu revisava papéis para a próxima viagem ao México para fechar negócios.
— Bad? Você vai mesmo usar esse termo de adolescente comigo? — Perguntei já sem paciência com o barulho que sua boca fazia quando ele mastigava alto demais me desconcentrando na leitura dos documentos.
Elliot revirou os olhos parecendo tão entediado e impaciente quanto eu.
— Vou sim, ainda mais agora que pelo que eu vejo é a sua primeira dor de coração quebrado. Você nunca se sentiu assim antes? Nem quando terminou com suas outras namoradas? — A voz de Elliot soava quase impressionada.
— Eu não tive outras namoradas Elliot, Anastásia foi e sempre será a minha primeira. — Respondi sem mais detalhes, sentindo a minha cabeça doer de tanto ler por horas a fio sem parar em uma tentativa tão frustrada de manter a minha mente ocupada com outras coisas.
— Como assim foi e sempre será? Está me dizendo que nunca mais irá namorar ninguém? Nunca mais na sua vida? Acabou para sempre essa história de namoro já no seu primeiro coração partido? —
— Eu não sei se consigo mais namorar, eu vivi tudo tão intensamente com Anastásia pela primeira vez, eu nunca tive nenhum relacionamento, nunca precisei me preocupar com nada e nem com ninguém, era apenas eu e meu sexo por diversão e pronto, cada um ia para sua casa e a vida se seguia, sem compromissos, sem palavras bonitas e sem cobranças, mas de repente Ana entrou em minha vida de forma tão repentina e mudou tudo, mudou a minha forma de agir, de pensar, e de me relacionar. Eu nunca senti por ninguém nem um terço do que sinto por ela e isso é realmente assustador para mim. Por isso acredito que não consigo mais me relacionar novamente, não um relacionamento sério, e não agora com a minha mente ocupada pensando nela o tempo inteiro. —
— Mas vocês terminaram? Quer dizer, ela terminou mesmo ou vocês deram um tempo? —
— Eu não sei, estou dando um tempo para ela pensar direito no que realmente quer, mas se a escolha dela for me ver longe de sua vida, for viver sem mim, eu terei que aceitar e seguir em frente sem a mulher que eu amo do meu lado, isso vai ser difícil pra caralho, mas se for à escolha dela o que me resta é aceitar. —
— Uau, desde quando você virou tão aberto a falar de sentimentalismo? Há meses atrás o Christian que eu conheço jamais teria essa conversa comigo. — Apenas dei de ombros ignorando seu comentário. — Eu gosto disso, eu gosto dessa sua transformação, dessa sua nova fase de não ter medo de falar o que realmente sente, de você ser mais abeto aos seus sentimentos, é bom se abrir Christian, guardar tudo para você só faz mal, e uma hora explode, uma hora você se quebra quando engole tudo para você. —
— Já estava na hora de eu mudar. Mudança é necessária para todos em um determinado ponto de sua vida. Não vê você, está também namorando a Katherine, quem diria que você iria se prender a alguém. —
Elliot sorriu com um suspiro apaixonado.
— A Kate me encantou de um jeito que nenhuma outra mulher conseguiu fazer, eu estou de quatro por essa mulher, faço tudo por ela. —
— Não sei que feitiço essas duas tem que fisgaram o nosso coração e pelo que parece não há mais volta. —
— Eu nem quero que tenha volta, Kate é a mulher que eu quero me casar. —
— Você vai pedi-la em casamento? — Perguntei realmente surpreso com essa alternativa vinda de Elliot – que sempre jurou ser contra o casamento. –
— Irei, só não sei quando, mas vai ser em breve. —
Suspirei me encostando mais desajeitadamente na cadeira confortável e espaçosa pensando no que Elliot tinha acabado de dizer.
Casamento.
Há meses atrás essa palavra provavelmente me faria revirar os olhos e me causar arrepios, somente em pensar em me prender á alguém para mim já era como uma execução ao inferno com passagem de ida à primeira classe.
Nunca tive bons olhos para esse patrimônio entre duas pessoas, para mim era mais como uma forma de prisão ainda legalizada em todos os estados dos países onde dois indivíduos loucos entravam nessa loucura maior ainda de se unir perante á Deus e a leis dos homens.
Imagina, se prender a alguém para o resto da vida – para mim antes de conhecer Anastásia – era o pior sacrifício que eu poderia cometer, mas agora é tudo que eu mais quero e desejo para nós dois.
Definitivamente, essa mulher me levou a loucura de um modo que eu jamais irei conseguir voltar à sanidade.
{...}
Elliot já tinha ido embora á muitas horas.
Na verdade, todos os funcionários da empresa já tinham ido embora á muito tempo.
Somente eu que fiquei ali até tarde revisando aqueles inacabáveis papeis e relatórios que eu nem se quer precisava entregar nesse momento e sim daqui a alguns meses, mas voltar para casa e ficar horas e horas sozinho com os meus pensamentos era algo ainda difícil de enfrentar, então, eu prefiro ocupar a minha mente com papeladas e papeladas para ler e evitar pensar em qualquer outra coisa que não seja os negócios.
Mas quando o relógio soou quase dez e meia da noite eu sabia que já estava na hora de ir para casa, mesmo com uma chuva moderada caindo lá fora.
Respirei fundo passando a mão sobre o meu rosto cansado demais para pensar em qualquer outra coisa do que comida quente e fresca, banho e uma boa cama.
Arrumei todas as coisas do meu escritório tentando ao máximo possível deixar organizado, mesmo sem estar com o mínimo de paciência para isso.
Apaguei as luzes e desci com calma girando as chaves do Audi em meus dedos em uma brincadeira de distração enquanto escutava a chuva ainda cair lá fora.
Dormir com chuva sempre me tranquilizou. Tempos nublados ás vezes me agradavam mais do que dias ensolarados.
Assobiava uma canção qualquer em meus lábios quando o elevador parou me permitindo sair.
Comecei a planejar o que poderia fazer para comer quando chegasse a casa, já que a senhorita Jones já teria ido embora, mas sou péssimo para cozinhar qualquer coisa que não envolva um microondas, então para não correr nenhum risco de por fogo em minha cozinha, irei optar por pedir algo como comida chinesa ou talvez algo que tenha carne, estranhamente me sinto necessitado de carne.
Quando me sentei no banco do motorista em meu Audi suspirei aliviado sentindo o cheiro agradável de ervas doces que os bancos exalavam, era o cheiro de estar finalmente indo para casa depois de um longo e exaustivo dia de trabalho.
Sai do estacionamento da empresa ligando os limpadores de para-brisas por conta da chuva que havia aumentado gradativamente.
Porém ao sair do estacionamento tentando enxergar através do vidro do carro com a chuva que caia lá fora não pude deixar de me assustar com o repentino vulto que estava a alguns metros a frente do meu carro com a chuva caindo em cima de si.
Quem era o louco?
A silhueta pequena e bem acentuada me mostravam que não era um homem e sim uma mulher, mas o capuz sobre a cabeça misturado com a chuva que caia e que molhava o meu para-brisa me impossibilitando de enxergar me fazia não ter uma boa visão do rosto da pessoa.
Procurei por algum guarda-chuva no carro, e não achando nenhum, vi a única opção que me restava.
Sair debaixo da chuva mesmo.
E assim o fiz, indo de encontro com a pessoa escondida na escuridão me impossibilitando de ver o seu rosto.
— Hey, quem é você? E o que está fazendo debaixo dessa chuva? —
Meus olhos se arregalaram como dois pires quando a pessoa se aproximou da claridade da luz do poste que iluminava ali perto me revelando a sua identidade.
Era Anastásia.
— Ana?! O que está fazendo aqui debaixo dessa chuva? Enlouqueceu?! —
— Eu acho que enlouqueci sim, porque se me dissessem meses atrás que eu iria agir dessa forma por um homem eu jamais iria acreditar, eu provavelmente riria na cara dessa pessoa e tiraria sarro dela, mas olhe para mim agora, aqui atrás de você. — Ela riu quase como se não acreditasse no que estava dizendo á mim.
— Ana... —
— Eu estava achando que ir atrás de você iria contra todos os meus princípios, iria ser o mesmo que ir contra eu mesma. Não iria fazer o menor sentido correr atrás de um homem que me magoou tanto. Mas eu não posso simplesmente fingir que o que eu sinto por você não é forte o suficiente para fazer loucuras porque é. Eu te amo Christian. Amo como nunca pensei ser capaz de amar uma pessoa, mas eu não confio em você, eu não confio nem um pouco em você, e eu acho que confiança é a base de tudo em um relacionamento, então eu estou com medo, medo de nunca mais conseguir confiar em você novamente e isso afundar a nossa relação, porque não é isso que eu quero. Eu não perdoei totalmente você, porque acredite, apesar de estar aqui na sua frente falando tudo isso, eu ainda estou muito puta com tudo que você fez, mas pelo amor que eu sinto por você, eu posso esquecer todas as merdas que você ou eu já fizemos, podemos recomeçar do zero, eu quero poder confiar novamente em você, então se não for tarde demais para nós dois, você quer recomeçar tudo do zero? Você está disposto a colar novamente a confiança que foi quebrada? Ou não? —
Meu coração pulava freneticamente do peito.
Era até mesmo difícil de respirar.
Me aproximei dela e ela fez o mesmo, ficamos centímetros de distância um do outro.
— Você está brincando? Tudo que eu mais quero é recomeçar novamente ao seu lado, eu te amo Anastásia, e quero gritar isso para o mundo inteiro ouvir e ter você na minha frente dizendo tudo isso, dizendo que me quer novamente mesmo depois de tudo que eu fiz, é... Como um sonho, difícil de acreditar, sinto como se estivesse sonhando. —
— Eu vou mostrar para você que não é um sonho. —
Suas mãos foram para o meu pescoço e ela o puxou me fazendo ir para frente e colar os seus lábios nos meus iniciando um beijo ali embaixo da chuva.
Era como um renascimento.
Um renascimento não somente de nossa relação, mas também de nós mesmos como seres humanos e da nossa mudança como pessoas.
Era o significado de algo bom.

Continua.
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