Cinquenta Tons Mais Intensos.
78 Uma decisão.
Notas iniciais
Por Anastásia.
—É isso? Vai terminar tudo por isso? – Perguntou Katherine quase em um tom de descrença.
Katherine e eu estávamos na sala, não eram nem 8 horas da manhã, passava desenho animado na TV, e ela tinha uma tigela de cereal nas mãos enquanto conversávamos.
—Kate, você faz parecer ser uma coisa boba, mas não é, eu tenho direitos e motivos para estar chateada com ele, não fale como se eu estivesse me comportando como uma adolescente mimada. – Retruquei para me controlar em não ser rude ou grossa demais com minha melhor amiga.
Katherine suspirou cruzando os braços parecendo pensar em algo para me dizer.
Eu contei para ela tudo, exatamente tudo, do começo até o fim, toda a história com Elena, e também sobre a minha demissão por culpa de Christian, e Katherine não demostrou muita surpresa ou choque com o que contei, era quase como se ela esperasse por algo assim, como se ela já imaginasse.
Espera-se por algo estranho, uma história estranha, até mesmo chamaria de bizarro.
—Eu não estou fazendo pouco caso, acredite, eu concordo com a sua chateação e acho Christian um cara muito, muito complicado para relacionamentos e tudo isso, dá para ver que ele é claramente constipado em sentimentos, mas Ana, ele gosta de você, na verdade, ele te ama, e ele quer recomeçar a história de vocês ao seu lado, ele quer mudar, mudar por você, você não pode simplesmente ignorar isso e terminar tudo acreditando que pode esquecê-lo, você e eu sabemos muito bem que não consegue esquecê-lo, você também o ama, terminar tudo é apenas fazer com que vocês dois sigam suas vidas sofrendo cada um em um canto. –
—Como posso continuar com ele? Eu não confio nele. A confiança foi totalmente quebrada. Eu nem se posso voltar a confiar em alguém. –
—Reconstrua, confiança pode ser reconstruída, você acha que vale a pena? Ele vale a pena? –
—Eu não sei Kate, eu estou confusa, eu preciso de um tempo para pensar. – Murmurei sentindo dor de cabeça com tanta coisa se passando em minha mente. -Eu estou tão confusa, tudo está acontecendo ao mesmo tempo e tão depressa, eu não sei mais o que fazer e agora nem sei mais o que pensar. –
—Você tem todo o tempo do mundo, então não faça nada sem pensar bem, não faça nada por impulso. – Katherine me aconselhou.
Assenti me jogando no sofá e fechando os olhos em pura confusão em minha mente que parecia criar nós de problemas e mais problemas, eu gostaria que tudo fosse mais fácil.
Eu não sabia o que fazer.
Eu amava Christian, é claro que amava, e eu tenho certeza disso, mas onde fica a confiança nisso tudo? Eu simplesmente não confio nele, e como se tem um relacionamento sem confiança? Simplesmente não tem.
Confiança é a base de tudo, não é o que dizem?
Eu sempre fui uma mulher independente, nunca precisei de homem e nunca gostei de depender de nenhum, nem mesmo do meu pai, sempre prometi jamais perdoar um homem que me enganasse, eu sinto que se perdoar Christian, eu irei contra todos os meus princípios, e eu não gosto disso, não gosto mesmo.
{...}
—Mãe, você não me avisou que iria me visitar. – Eu disse lhe entregando uma xícara de chá de ervas doces.
Eram quase três da tarde quando alguém tocou a campainha e foi uma grande surpresa ao me deparar com Carla com uma pequena mala e um sorriso aberto no rosto.
Foi uma surpresa vê-la vim até aqui, porque não era algo que acontecia com frequência, era mais propicio de eu ir até ela visitá-la e não o contrário.
—Eu quis fazer uma surpresa para você. –
—E foi uma surpresa mesmo. –
—Como você está filha? –
—Bem, e você? –
—Muito bem também, Geórgia está com um clima ótimo, apesar da umidade, mas o céu demora para escurecer, isso me agrada. –
—Fico feliz, mas se gosta tanto do clima da Geórgia nessa época então por que veio? Você detesta Seattle e esse clima de frio que parece jamais acabar. –
—Fiquei com saudades de você. Quis te ver. – Sorri com suas palavras. -Como está Christian? –
Me mexi desconfortável com a pergunta.
—Nós demos um tempo. –
—Por quê? –
—Bom, acho melhor você se preparar por que a história é longa. –
{...}
—Oh, isso tudo é muito complicado filha, e muito delicado. –
—Eu sei. O que eu não sei é o que fazer. Tudo está tão confuso. –
—Você o ama? –
—Sim, eu o amo. –
—Mas não confia nele? –
—Não. –
—Está disposta a confiar novamente? –
—Mãe ele me enganou. –
—Mas está disposta a confiar nele novamente? –
—Eu tenho a sensação de que se confiar novamente nele, se o perdoar, eu irei contra os meus princípios de jamais perdoar um homem depois do mesmo me enganar. –
—Ana, isso não tem a ver com princípios, tem haver com seus sentimentos, com os sentimentos de Christian e com o futuro de vocês dois, você está chamando de princípios, mas não são princípios, isso é orgulho, orgulho de ser feliz com esse homem. –
—Eu não acho que... –
—Não deixe de ser feliz por medo. A confiança foi quebrada, mas pode ser colada novamente e reconstruída. Basta deixar o orgulho de lado e dar mais uma chance ao amor, porque na maioria das vezes, ele vale a pena. –
—Eu fui uma idiota por mandá-lo embora, não fui? –
—Não diria idiota, diria orgulhosa, você sempre foi orgulhosa demais. –
—O que eu faço então? –
—Vá atrás dele, diga a verdade, diga o que quer, seja sincera e peça sinceridade, apenas não deixe o amor de sua vida escapar de suas mãos, não quando isso e a última coisa que você e ele quer. –
—Eu não posso mais esperar tanto tempo. – Eu disse sem pensar em mais nada a não ser levantar do sofá e correr atrás de um casaco, sem nem ao menos me importar se a roupa estava descente.
Eu precisava falar com Christian e precisava ser agora.
Eu não podia mais esperar.

Continua.
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