Cinquenta Tons Mais Intensos.

72 Uma das mais belas descobertas ocorrem quando as mesmas coisas são vistas com um novo olhar.


Notas iniciais
Boa Leitura! ♥

Por Christian.

1º dia.

Ela não estava lá.

Ela não apareceu para o trabalho.

Eu já deveria imaginar que aquilo iria acontecer.

Ela precisava de um tempo sozinha e inevitavelmente fui eu quem pedi por aquilo.

Eu a mandei embora no momento da dor e da raiva das antigas lembranças que se formaram do meu passado na minha mente na medida em que eu revelava ainda mais tudo que eu já havia passado na minha infância e adolescência.

Eu não conseguia fazê-la entender o meu lado.

Ela insistia em dizer que Elena era a errada, que ela havia abusado de mim e da minha inocência aos 15 anos, mas ela não via a verdade.

A verdade que Elena tinha me salvado, tinha me feito ser o homem que eu era, o homem responsável no qual eu virei, mas ela- assim como Mia – não entendia, não conseguia entender que Elena foi uma parte significativa para minha vida, uma parte que me ensinou a ser quem eu sou hoje.

Elena é minha amiga e a primeira mulher com quem me relacionei sexualmente, ela me ensinou tudo que eu sei hoje e eu sempre pude confiar nela, era sempre para Elena que eu contava todas as minhas frustrações naquela época, todo o meu ressentimento, meu medo, e insegurança de fazer parte da família Grey.

Eu era- e na verdade sempre serei – o adotado, o garotinho que todos tinham pena, eu não era bom suficiente para aquela família e sempre soube daquilo.

Eu não era um Grey de sangue.

Eu não sabia montar a cavalo como Elliot sabia.

Eu não era bom em pintar quadros com perfeitas retratações e formas como Mia era capaz.

Eu me sentia um inútil.

E Elena estava lá para me aconselhar e me fazer me sentir melhor por todas as hesitações que eu carregava em minha mente.

Foi estranho trabalhar sem Anastásia e Andrea pareceu estranhar também, mas logicamente, ela nada comentou sobre isto.

Não foi fácil passar o dia todo sem ela, almoçar sozinho, e fazer todos os arquivos e analisar os contratos sem vê-la na minha frente sempre com um sorriso no rosto ao me olhar de voltar.

Não enviei nenhuma mensagem para ela.

Por mais que eu desejasse fazer isso, me controlei.

Amanhã provavelmente ela voltaria para o trabalho, e nós finalmente conversaríamos pessoalmente e tudo iria se revolver.

Eu iria fazê-la entender que Elena foi uma parte importante da minha vida que eu não me arrependo do que aconteceu entre nós, e espero que ela possa me compreender.

Quando fui dormir de noite dormi com o pensamento de que Anastásia estava errada sobre Elena.

2° dia.

Ela não estava lá de novo.

Aquilo foi um golpe para mim que imaginava encontrá-la sentada na sua mesa me esperando para termos uma conversa.

Dessa vez Andrea me questionou.

Perguntou se a senhorita Steele estava bem, eu respondi que sim e não dei maiores detalhes e ela não ousou questionar mais nada.

Trabalhar no segundo dia sem ela foi ainda pior que o primeiro.

Cada pensamento parecia carregado com ela, eu não conseguia me desviar meus pensamentos de tudo o que conversamos e minha mão coçava para mandar alguma mensagem para ela.

Respirei fundo colocando minhas mãos em meus cabelos e os puxando, mas não com muita força.

Minha mente passou a me trair.

“Se eu fosse uma garota de 15 anos e um homem muito mais velho me propôs-se um acordo BSDM e eu aceitasse, o que você acharia desse homem”? –

Foi o que Anastásia me perguntou e eu não fui capaz de responder.

“Você tem que olhar a história pelo lado de fora”! –

Anastásia gritou, mas eu não a escutei, eu não queria olhar pelo lado de fora.

Por algum motivo eu não queria olhar a minha história pelo lado de fora.

Por que eu não queria? Por que eu tinha medo do que talvez fosse encontrar pelo lado de fora? Medo de talvez ver o outro lado e ver que ele faz sentido? Eu estou com receio do outro lado da história, essa é a verdade.

Respirei fundo novamente.

Elena me salvou.

Elena me salvou.

Elena me salvou?

Me salvou mesmo? Ou foi isso o que ela fez com que eu pensasse?

Quando fui dormir a noite, eu tinha duvidas em relação á Elena.

3° dia.

Novamente ela não estava lá.

Aquilo estava acabando comigo.

Eu não conseguia dormir direito, me pegava acordando no meio da madrugada com pesadelos, mas não eram os mesmos pesadelos de sempre do cafetão me batendo e a minha mãe não fazendo nada, eram pesadelos com Anastásia me deixando, me deixando por causa do meu passado fodido, me deixando por causa de Elena.

Eu não conseguia comer direito e nem dormir, minha cabeça está cheia de pensamentos nos quais me deixam em duvidas e sem mais certezas que eu tinha antes.

Agora quando eu pensava em Elena e no que ela fez comigo quando adolescente, não parecia mais certo como parecia antes.

Quando cheguei ao escala à noite, não consegui me segurar e mandei uma mensagem para Anastásia, perguntando se ela estava bem, e ela me respondeu com um simples “sim”.

Eu não fiquei com raiva da sua resposta simples e curta, eu a mandei embora, eu merecia aquilo.

Quando fui dormir á noite eu já não tinha mais certeza de nada, mas eu sabia que algo em meu ponto de vista sobre tudo estava errado.

4° dia.

Quando entrei na sala novamente sem vê-la, senti uma dor em meu peito com a constatação da culpa – que eu sabia que era minha. –

Eu nunca deveria tê-la mandando embora, mandá-la embora é como mandar embora a minha vontade de viver.

Sem ela eu não tenho vontade nenhuma de me levantar da cama.

Ela é o meu motivo por sorrir e sem ela, eu não sou mais eu mesmo, na verdade, sem ela eu nem sei quem eu sou.

Quando estava indo embora a caminho do escala, parei em uma floricultura, olhei todas as flores que havia lá e escolhi um buque daquelas que mais achei bonitas e que me lembravam de Ana.

Escrevi um cartão com as minhas próprias palavras para ela e com toda a sinceridade que havia em mim.

Tudo que consigo pensar nesses últimos dias é em você. Descobri que sem você ao meu lado não sou nada além de um homem sem expectativas e esperanças.

Me desculpe por tudo o que falei.

Eu jamais quero que você vá embora da minha vida.

Por que você é a minha vida.

Pedi para enviar para o seu endereço, a atendente sorriu abertamente e me desejou uma boa noite antes de eu sair do estabelecimento.

Jantei sozinho de novo.

Mas quase não consegui comer.

Tomei um banho longo.

Passei novamente a conversa que tive com Anastásia á 4 dias atrás

“Elena então fez você se tornar esse homem controlador, arrogante, distante da família, onde só sente prazer se fazer alguém sentir dor, e não gosta de ser tocado? É esse homem no qual Elena te transformou?” –.

Eu sou distante da minha família, eu não consigo ficar muito tempo perto deles, a sensação de ser inútil e não ser bom o suficiente para eles ainda é presente em mim. – então os ensinamentos de Elena não foram tão eficazes assim. -

Antes de Anastásia, eu realmente só sentia prazer com dor das minhas submissas, mas com Ana era tudo diferente, eu não precisava machucá-la para sentir prazer.

Ana me fazia me sentir sempre mais leve em todos os sentidos.

Ela é diferente de todas.

“Se eu fosse uma garota de 15 anos e um homem muito mais velho me propôs-se um acordo BSDM e eu aceitasse, o que você acharia desse homem”?

Agora eu sei a resposta.

Eu jamais iria achar normal um homem fazer isso com uma garota de 15 anos virgem. Um relacionamento BSDM já não é fácil para uma pessoa maior de idade com consciência de onde está entrando, agora imagina para uma adolescente de 15 anos que está entrando na puberdade e está com raiva de tudo e todos em sua volta e com a autoestima mais baixa que o chão.

Puta que pariu!

Foi como um estalo na minha cabeça.

Como se todas as peças se encaixassem em minha mente.

Isso não era normal.

O que Elena fez comigo não foi normal.

Eu era uma criança.

Uma criança que aos 15 anos entrou em um relacionamento de sadomasoquismo.

Elena jamais deveria ter me proposto isso.

Ela estava errada em fazer o que fez.

Eu posso até ter mudado o meu jeito e ter ficado mais responsável e comportado, mas tudo isso aconteceu por meio de punições severas, surras e muita pressão psicológica.

Ela me usou.

Me usou por prazer.

Não pensou na minha idade, não pensou que eu era somente uma criança começando a viver, não pensou que eu era um garoto cheio de traumas e inseguranças, ela simplesmente se aproveitou da minha inocência e da minha cabeça que já estava fodida demais para conseguir o que queria.

Um submisso. Um cachorrinho á quem ela iria servir. Alguém quem ela iria punir sempre que quisesse.

Eu me lembro de ir para o colégio com roupas compridas para esconder os hematomas das cintadas e varadas que ela me dava, e eu realmente achava isso normal, achava justo as punições, afinal eu tinha sido um garoto mal e garotos maus devem ser punidos.

Mas isso não era normal. Não era aceitável ela fazer isso com um garoto apenas para se satisfizer.

O que ela fez foi nojento e abusivo, ela me usou, eu fui a sua vitima, ela me manipulou todos esses anos me fazendo sempre acreditar que era a minha salvação.

Mas Elena não foi a minha salvação. Elena foi a minha pior destruição.

Naquela noite quando eu fui dormir eu sabia o que tinha que fazer no dia seguinte.

Continua.

Notas finais
Beijos e até...