Cinquenta Tons Mais Intensos.
73 Uma hora tudo irá dar certo.
Notas iniciais
Por Anastásia.
—Uma hora você vai ter que me dizer o que aconteceu entre vocês. – Murmurou quase aos sussurros.
Katherine estava sentada ao meu lado enquanto tomava uma xícara de chocolate quente.
Ghost era uma boa opção para essa noite.
Os clássicos faziam a minha cabeça e um pouco com a de Katherine que insistia em querer ver Titanic.
Mas a ultima coisa que eu queria era ver a cena torturosa de Jack na água congelada.
A morte de Patrick Swayze em Ghost era menos dolorosa.
Já fazia 5 dias que Christian e eu havíamos dado um tempo – ou melhor dizendo, Christian havia me mandado embora — eu não contei a Katherine o verdadeiro motivo, eu não iria sair por aí espalhando o passado de Christian, por mais que eu confie em Katherine, sei que é errado fazer isso.
—Eu já disse, nós brigamos e ele pediu um tempo, é isso. –
Katherine me olhou com aqueles dois olhos azuis e desconfiados enquanto bebia o seu chocolate quente.
—Hm. Ok. Mas por que brigaram? –
—Eu já disse Katherine, eu não posso dizer, é pessoal, algo de Christian que eu não posso sair por aí espalhando para todos. –
—Tem algo haver com o passado dele? –
Suspirei.
—Sim, mas isso é a única coisa que eu posso dizer. –
—Tudo bem, eu entendo, mas deve ser algo muito grave a ponto de ele ter terminado, jamais imaginei isso. –
—Como assim? O que quer dizer com isso? –
—Christian é completamente louco e apaixonado por você, não consigo nem acreditar que foi ele que pediu um tempo. –
—Você acha que ele é apaixonado por mim? –
—Ana, só um cego para não ver que ele está apaixonado por você. –
Sorri com a frase de Katherine.
A possibilidade fazia o meu coração disparar e minha respiração falhar.
Pensar em Christian realmente apaixonado por mim é... Sem palavras.
Christian em tão pouco tempo se tornou muito para mim, ele é meio que uma base onde eu posso me agarrar, um porto seguro, uma pessoa que eu sei que é muito mais que apenas uma paixonite ou apenas atração física.
—E você? O que sente por ele Ana? – Perguntou Katherine com um olhar desafiador em espera da resposta.
Ela queria a verdade e eu não iria mentir, afinal eu sei exatamente o que sinto por Christian.
Não há duvidas dentro de mim, apenas uma certeza.
—Eu o amo. – Foi a mais sincera verdade.
O que eu sentia por Christian era mais que uma paixão, era mais que atração, era realmente amor.
Eu confiava nele como jamais confiei em outro homem, confiei nele abertamente e cegamente quando aceitei a sua proposta para nossa relação BSDM, confiei nele também abertamente quando fomos pela primeira vez na sala de jogos, onde eu descobri que dor poderia dar prazer e Christian tinha limites, assim como eu tenho os meus, e ele os respeita acima de tudo, e a troca é mútua.
E eu tinha fé em Christian, fé que ele iria entender o meu lado, fé que ele iria descobrir sozinho o quão manipuladora Elena foi.
Fé que ele irá sair dessa visão que ele tem a anos, dessa fé cega que ele depositou em Elena, a vendo como uma grande salvadora e heroína, a mulher que o salvou de um futuro desprezível, mas Elena não passava de uma vilã que aproveitou e abusou da fragilidade e inocência de Christian, além claro de sua baixa autoestima.
Ele se sentia tão deslocado estando na família Grey.
Se sentia imperfeito e um intruso.
Elena o manipulava mais afundo para ele realmente acreditar que era um peso naquela família.
Eu não estava com raiva dele por ter me mandado embora.
Longe disso.
Eu entendia que ele provavelmente estava cheio de pressão naquele momento, e sua mente deveria e pode ainda estar uma verdadeira bagunça.
A minha estava. A dele deveria estar ainda pior.
Ele passou sua vida toda acreditando que Elena era a sua salvadora, a colocou em um pedestal, como a heroína e salvadora da pátria, e no momento que eu discordei dele e mostrei um novo ponto de vista em relação a seu passado tudo foi uma avalanche de sentimentos trocados e novos pontos de vista que ele nunca havia tido antes.
Eu mostrei a ele uma nova visão e isso o assustou, sua fé nela foi abalada.
Eu pude ver em seus olhos quando eu me coloquei em sua situação, eu pude ver o medo, o receio e a quase compreensão quando eu levantei a hipótese de ser eu em seu lugar como uma submissa aos 15 anos com um homem mais velho.
Eu vi a hesitação, eu vi naquele momento que ele podia quase me compreender, ele apenas não aceitava ter sido tão enganado durante esse tempo inteiro, ele não acreditava que aquilo que acreditou por anos era na verdade uma mentira, mas eu vi que se ele parasse um tempo sozinho para refletir e pensar, ele iria conseguir me entender e talvez iria mudar sua opinião em relação a Elena.
Eu esperava que isso acontecesse.
Eu também tinha fé.
Rezava todas as noites para que sua mente se clareasse, que ele compreendesse o que estava errado em seu passado, que ele visse as coisas de formas diferentes para assim ter uma noção da verdadeira realidade por trás de toda aquela história.
Christian apenas está com a mete confusa.
Está perdido, sem saber que lado seguir, e eu espero que ele siga o meu, pois eu não irei aguentar vê-lo continuar acreditando em Elena e em toda a sua bondade extrema de ajuda-lo a ser um bom menino na adolescência, não irei aguentar vê-lo nessa fé cega com essa mulher.
O que essa mulher fez é tão nojento e repugnante que minha vontade é de pegá-la pelos cabelos e lhe dar uma boa surra, mas a melhor situação nesse momento era manter a compostura, mesmo que minhas mãos implorassem por marcar aquela pele que tanto gostava de machucar os outros.
Ela é doente.
Christian é a vítima.
Eu espero que ele entenda isso.
Peguei meu celular na mão no momento que vi uma nova mensagem chegando ao ver vibrá-lo sob a mesinha de centro da sala.
Ana.
Sinto sua falta.
Christian.

Continua.
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