Cinquenta Tons Mais Intensos.
77 Uma confiança não pode ser quebrada.
Notas iniciais
Por Anastásia.
—Você acha mesmo que esse vestido fica bom mesmo em mim? Me sinto meio apertada com esse decote, não que eu tenha seios muitos grandes, mas ainda assim fica um pouco apertado. O que você acha? –
Mia iria sair com Elliot para algum jantar, e apesar de ter relutado em aceitar o convite dele – alegando que não iria me deixar sozinha da maneira que eu estava – eu a obriguei a me ignorar e ir jantar com o seu namorado, pois eu iria ficar bem sozinha.
Já havia se passado alguns dias, eu me sentia melhor, apesar de não ter tido a coragem necessária para retornar a mensagem de Christian.
O que eu poderia mandar?
“Também sinto a sua falta”.
Mas do que isso serviria? E o que a mensagem dele queria dizer?
“Ei Ana, eu sinto a sua falta, e vamos voltar tudo como era antes, mas em relação á Elena nada posso fazer porque ainda sou seu amigo e ainda a acho a heroína e salvadora da minha vida.”
Não era isso que eu queria, eu não tenho sangue de barata, não sou capaz de ignorar Elena em sua vida e tudo que ela representa para ele.
—Eu acho que fica muito bom em seu corpo, mas se você se sente desconfortável com o decote é melhor colocar outro. – Respondi analisando o seu vestido verde musgo que batia até os seus joelhos e eram justo, com um decote comportado no formato V.
—Acho que está bom, posso aguentar esse decote. – Ela disse passando seu clássico batom vermelho. –Como eu estou? –
Os cabelos ondulados de Katherine caiam como uma cascata por suas costas, e o vestido parecia ter sido feito exclusivamente para o seu corpo acurvado.
—Está linda. –
Ela sorriu me agradecendo e calçando os sapatos de salto alto.
—Tem certeza mesmo que não quer que eu fique? Por que eu fico. –
—Tenho sim, vai sair e se divertir, você e Elliot merecem isso. –
—Mas eu não quero te deixar sozinha. –
—Kate, eu estou bem, é sério, eu vou ficar bem com a maratona de Grey’s Anatomy e um pote de sorvete de chocolate, estou a salvo. –
Katherine suspirou.
A semana toda ela tinha-me “vigiado”, não exatamente desta maneira, mas eu sabia e via pelo canto do olho às vezes quando ela me encarava com aquela expressão de preocupação como se a qualquer momento eu fosse desabar com um único sopro de ar.
Mas eu tentava aparentar estar bem o suficiente, apesar de não ser bem uma verdade, eu estava bem fisicamente, mas mentalmente cansada para tentar resolver toda merda que minha vida amorosa tinha se tornado e ainda tinha a questão do meu emprego, eu estava totalmente certa de que não queria mais permanecer lá, não se houvesse um provável rompimento com Christian.
Na verdade, eu não queria mais aquele emprego, mesmo se Christian e eu voltássemos não que eu não goste do que faço, por que eu gosto, mas preciso admitir para mim mesma que trabalhar com o namorado não é uma tarefa fácil, ainda mais ele sendo Christian, completamente possessivo, eu preciso me reafirmar como pessoa, e para isso largar o meu emprego é um ótimo passo.
Eu não quero ser a garota que chegou aonde chegou por causa do namorado rico e influenciador, eu quero crescer profissionalmente pelo meu próprio esforço e por meu próprio mérito.
—Tudo bem, se você vai ficar bem, eu fico bem, mas lembre-se que se precisar de qualquer coisa me ligue, eu não irei desligar meu celular, e caso eu não atender, não hesite em ligar para o Elliot, se quiser eu vou deixar o número do restaurante também. –
—Kate, está tudo bem, eu vou ficar bem. – A tranquilizei.
—Eu apenas não gosto de ver você assim Ana, e eu nunca te vi assim por homem nenhum, seja o que aconteceu entre Christian e você, saiba que eu o odeio desde já por te magoar. –
Sorri com as suas palavras.
—Obrigada, eu te amo Kate. –
Ela me abraçou apertado.
—Também te amo. – Seu celular apitou. –É Elliot, ele já está lá embaixo. – Ela avisou. –Você quer mesmo que eu vá... –
—Quero sim Kate, como eu já disse mil vezes, eu estou bem. –
—Tudo bem então... Me liga. Tchau. –
Acenei para ela a vendo desparecer porta a fora.
Me enfiei novamente no sofá aumentando o volume da TV onde passava Grey’s Anatomy, suspirei enquanto abraçava o meu próprio corpo, tentando pensar no que faria amanhã para mudar essa situação, pois permanecer da maneira que está não dá mais.
{...}
Acabei adormecendo no sofá com o pote de sorvete nas mãos, fui acordada de repente pelo som da campainha tocando, me obriguei a levantar, e ir em direção à porta para atender sem nem ao menos olhar pelo olho mágico quem poderia ser àquela hora.
Por isso, foi uma grande surpresa ao me deparar com Christian na minha frente segurando um enorme buque de rosas vermelhas, além de estar impecavelmente bonito, com o cabelo alinhado em gel de uma forma que eu nunca tinha visto antes, ou o terno perfeitamente passado e um sorriso de tirar o fôlego, como se fosse a primeira vez que me visse.
—Boa noite Anastásia. –
Uma onda de raiva bateu em mim.
Quem diabos ele pensa que é para estar aqui em minha porta com a porra de um buque de flores na mão depois de ter praticamente me mandado para fora da sua vida por causa de Elena?
Ele pensa o que? Que vai me entregar esse buque de flores com meia dúzia de palavras bonitas e eu irei esquecer tudo? Ele está muito enganado.
—O que você está fazendo aqui? –
—Eu vim para conversar com você. – Eu não disse nada, apenas permaneci quieta. –Ah... Eu posso entrar? – Dei espaço para ele poder entrar e assim ele fez, mas antes esticou as rosas em minha direção com um sorriso largo no rosto, eu as peguei, mas sem retribuir o sorriso.
Coloquei as rosas em cima da mesa, antes de me virar para ele novamente e questioná-lo.
—O que você quer conversar? –
—Sobre nós. -
—Ah... Então existe um nós? –
—Mas é claro que existe. –
—Pensei que depois de você ter literalmente me mandado embora não existisse mais um nós. –
—Mas está enganada porque ainda existe. –
—Eu não acho que exista, olha Christian, não dá mais, eu pensei que realmente pudesse dar certo entre nós, mas eu já entendi que não pode, eu não vou conseguir aceitar ou engolir o seu discurso de que Elena é sua salvadora, heroína, amiga ou sei lá o que você quer chamá-la, então pode dar meia volta e se retirar porque eu não vou mais aceitar isso. –
Christian me olhava sem demonstrar muita reação.
Na verdade, havia um pequeno sorriso no canto de seus lábios.
—Elena é passado. –
—Você diz isso agora, até ela aparecer novamente entre nós e tudo virar essa bagunça que está. –
—Não, você não entendeu, Elena literalmente é passado, eu dei um basta em nossa relação, em outras palavras, eu a chutei para fora da minha vida. –
Minha boca se abriu em um “o”.
—Como? Ah – Ah- Você tirou literalmente Elena da sua vida? –
—Sim. –
—Ela sabe disso? –
Christian riu.
—Sim, digamos que nós tivemos uma discussão bem acalorada com a minha mãe presente. Ah, aliás, minha mãe já sabe de tudo, eu contei para ela a verdade sobre Elena e eu. –
Minha boca se abriu em um “o” ainda maior.
—Sua mãe sabe?! Oh meu Deus. Christian... Ela... –
—Calma, está tudo bem, já está tudo resolvido, conversamos abertamente sobre o assunto, eu expliquei tudo para ela, revelei de me sentir inseguro dentro da família, ela conseguiu entender, e não irá contar nada para Carrick, o que particularmente me deixa aliviado. –
—Christian... Eu nem sei o que dizer. –
—Mas eu sei. Eu te amo Anastásia, e quero agradecer por você fazer com que eu abrisse os olhos para a realidade, tudo que Elena fez por mim foi nojento, errado e sem sobra de duvidas abusivo, eu era uma criança, ela me manipulou, e agora eu vejo isso. Eu fui um babaca com você na última vez que nos vimos, eu mandei você embora e esse foi o pior erro que cometi, por que eu preciso de você Anastásia, sem você eu não sou mais eu mesmo, sem você eu não consigo mais seguir em frente, esses dias sozinhos foram uma verdadeira tortura para mim. Eu não acho que sou digno de perdão, mas se você me perdoasse e me aceitasse de volta, eu iria ficar imensamente feliz, eu prometo jamais magoar você novamente, mas antes eu preciso ser completamente sincero, e talvez depois do que eu diga, você vá ficar com muita, muita raiva de mim, e eu vou entender. –
—Christian... Do que você está falando? –
Ele respirou fundo.
—Eu fiz você ser demitida da Starbucks. –
—O-O que?! -
—Eu paguei a sua chefa para que ela te demitisse e dessa forma eu te convenceria a trabalhar para mim. –
Minha cabeça rondou.
Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
Como ele pode fazer uma coisa dessas? Como ele teve coragem de fazer uma coisa dessas?
—Como você pode?! Tudo isso para que? Para me levar para cama?! –
—Não! Eu queria que você fosse minha, mas não fiz isso com o intuito de levar você para cama. –
—Era o meu emprego! A minha vida! Você não pode chegar à vida de uma pessoa e bagunçar tudo só porque quer, o que você fez Christian é nojento e babaca! Estou me sentindo como uma prostituta! Como se eu não fosse boa o suficiente para trabalhar na sua empresa, e eu só consegui porque o homem com quem eu transo me colocou lá! –
—Isso não é verdade! Você é competente e boa no que faz, conseguiria sem sombra de dúvida o emprego na minha empresa. –
—Então porque diabos fez o que fez? Por que não deixou as coisas seguir o seu rumo?! –
—Por que eu queria você comigo, ao meu lado. –
—Vai embora Christian. –
—Ana, por favor, me entenda. –
—Você me enganou, fez com que eu fosse demitida pra entrar na sua vida e isso não é normal Christian, não é, eu estou me sentindo enganada, eu preciso de um tempo sozinha para pensar se sou capaz de perdoar você ou não. –
—Eu te amo Anastásia, isso não é o suficiente? –
—Não basta amor Christian, eu preciso confiar em você, e nesse momento eu não consigo. –
—Me perdoe. Eu me arrependo muito de ter feito o que fiz, só que eu não posso mudar o passado, mas eu posso garantir que vou ser alguém melhor no futuro, e eu faço isso por você. –
Christian abaixou a cabeça e saiu de maneira calma e silenciosa do apartamento.
Me deixando com uma dúvida nas mãos.
Continua.
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