Cinquenta Tons Mais Intensos.

70 Um passado em cinquenta tons. - Parte II.


Notas iniciais
Boa Leitura! ♥

Por Anastásia.

—Se você quiser parar e continuar outro dia está tudo bem, eu irei entender. –

Eu não queria forçar a Christian á dizer nada que ele não quisesse, eu entendia que deveria ter sido duro e difícil demais para ele me contar parte da sua infância traumática, então se ele parasse por agora e decidisse contar o restante outro dia, eu realmente não iria me chatear.

Eu sempre soube que Christian era adotado e tinha algum problema com o seu passado e algo relacionado á sentimentos e toques, mas não havia me passado em nenhum momento pela minha cabeça que seria um passado tão traumatizante.

—Não... Eu quero continuar... Eu preciso colocar isso para fora e se eu não fizer agora, eu sei que não vou ter coragem de continuar mais tarde... – Ele secou as lágrimas com as costas da mão. –Como eu disse, eu chamei por ajuda, mas ninguém me ouviu. Me encontraram somente três dias depois, o porteiro do prédio estranhou que ninguém havia saído do apartamento por três dias seguidos e foi ver se tinha algo de errado e acabou me encontrando. Depois eu só me lembro de muitas pessoas entrarem no apartamento, polícia, pessoas vestidas de branco, vi colocarem um saco preto em cima do corpo da minha mãe e eu chorava torcendo para que ele não chegasse ali. Felizmente ele não apareceu e eu fui levado para um hospital, eu estava desnutrido, e também com hematomas ainda evidentes. E foi lá que eu conheci Grace, me lembro de que a primeira vez que eu a vi, eu achava que ela era um anjo, literalmente, um anjo que tinha ido me salvar de todo o mal. Ela gostou de mim também, ela cuidou de mim no tempo que eu fiquei internado no hospital. Carrick também apareceu por lá, eu lembro que ele costumava ler histórias para mim e me dar pirulitos escondidos da Grace. – Christian sorria ao contar esta parte. –Eles me tratavam como pais, como minha mãe biológica nunca havia me tratado. E então ela me contou que iria ser a minha nova mãe e Carrick o meu novo pai. Céus, eu acho que eu nunca sorri tanto quanto aquele dia. Eu fiquei tão feliz em ter uma família, uma família de verdade.— Ele fungou. –Mas eu ainda fiquei com alguns traumas do meu passado, como raramente falar para Grace e Carrick que eu os amava, ou deixar que qualquer pessoa me tocasse, isso eu anda não suporto muito, você é uma das poucas pessoas que eu me sinto completamente confortável em sentir as mãos sobre mim, mas dói ver o olhar decepcionado de Grace toda vez que ela quer me abraçar, mas eu simplesmente não consigo... Eu não queria decepcioná-los, mas eu... Eu sei que os decepcionei demais... Eu sei que fui ingrato diversas vezes com eles que me deram tudo e me amaram como um filho... Eu me odeio tanto por isso... –

Segurei nos ombros de Christian e o abracei, ele me abraçou de volta.

—Shh... Calma, está tudo bem agora, você pode mudar esta situação. –

—Eu não sei se eu consigo. –

—É claro que consegue Christian, se você tentar você consegue sim. –

—Mas eu tenho medo Ana. – Ele sussurrou a confissão. –Eu tenho medo de falhar novamente com eles e ser mais uma decepção como sempre fui. –

—Christian eu estou ao seu lado, com você para o que der e vier, eu sempre vou estar aqui e você poderá sempre contar comigo, acredite em mim, você não é uma decepção e nunca foi. –

Christian entrou em negação.

—Eu sou sim Ana, não tente me convencer do contrário, olha o que eu fiz com o meu relacionamento com a minha irmã, ela me odeia... –

—Sua briga com Mia é por que ela não aceita o seu passado? – Perguntei chocada com essa possibilidade.

Mia parecia ser uma pessoa incrível, pensar que ela pode odiar o irmão por causa de algo que ele não tem nenhuma culpa faz o meu estômago se embrulhar.

—Não... Não é por causa do meu passado... Aconteceu um incidente há alguns longos anos atrás que eu só soube ontem na festa. –

—O que? –

—Como eu disse, eu me tornei um garoto rebelde ao começar a entrar na adolescência, eu me sentia na maioria das vezes inútil e substituível, eu não era perfeito como Elliot e Mia, eu não era um filho exemplar, eu me sentia só uma vergonha da família que todos me aturavam por pena. A minha autoestima naquela época nem se quer existia, eu me menosprezava todo dia, eu me olhava no espelho e sentia nojo do que eu era, sentia que não merecia a família que eu tinha e as coisas que havia ganho, eu sentia que era incapaz de ser amado, eu só conseguia pensar “Como eles podem me amar? Olha para mim, um fraco com um passado de merda que não consegue superar, como eles sentem amor por isso?” Eu só conseguia sentir pena de mim mesmo, na minha cabeça era uma luta todo dia para não pegar a faca na cozinha ou o frasco de remédios que minha mãe tinha na sua gaveta e acabar com tudo de uma vez por todas. –

Escutar aquilo fazia meu coração perder o ritmo das batidas.

Christian não se amava e isso é horrível, quando você não ama a si mesmo é como se não houvesse nada dentro de você, você só sente que nunca é capaz de nada e que sempre é só mais uma decepção para as pessoas em sua volta.

Christian se sente assim.

Ele acha que as pessoas somente o aturam e não que realmente o amam.

—Aos quinze anos eu acabei me metendo em uma briga realmente feia no colégio, e fui suspenso por alguns dias. Carrick não gostou nada disso, ele queria que eu começasse a tomar jeito e disciplina, ele queria que essa fase de menino rebelde passasse e eu começasse a ter mais responsabilidades, então ele me mandou para casa dos Lincoln, para que eu ajudasse lá no jardim e em outras coisas, ele queria que eu fosse prestativo, fizesse algo de bom já que só estava fazendo merda. Elena, amiga da minha mãe, era a senhora Lincoln, sempre muito educada comigo, ela não me olhava como todos, ela não me olhava com pena e eu gostava disso. Ela era bem mais velha que eu, mas isso não impedia que ela flertasse comigo e eu correspondesse, sei que pode parecer errado, mas eu era só um adolescente na puberdade, ter uma mulher mais velha flertando comigo era... Nossa, era demais para mim. –

Engoli em seco sentindo nojo de Elena – no fundo eu sempre tive aquele instinto de que algo já tinha sobre eles. –

—Mais ou menos umas duas semanas depois nós transamos pela primeira vez, eu tinha quinze anos, já tinha ficado com garotas mais velhas, mas somente ficado, alguns beijos e amassos, mas nunca havia chego até o fim. –

—Elena tirou a sua virgindade. – Conclui e Christian assentiu.

—Sim, ela foi a minha primeira. Eu achei que seria só um lance de uma noite, uma transa qualquer com uma mulher mais velha, mas não foi só algo casual de uma vez. Ela... Ela me propôs um acordo. –

—Que acordo? –

—Ela me propôs um relacionamento BDSM no qual eu seria o seu submisso. –

Minha boca estava aberta e meus olhos arregalados em choque.

Christian submisso, eu nem consigo imaginar e tão nojo... Céus, isso é nojento.

Ela... Ela literalmente seduziu um garoto de quinze anos quando ele estava na pior fase da sua vida, que mulher nojenta.

—Christian... Você só tinha quinze anos... –

—Eu sei que era jovem, e eu hesitei antes de aceitar, aceitei por curiosidade, eu não fazia ideia do que poderia ser. Eu tive um relacionamento BDSM com uma das melhores amigas da minha mãe sem ela nem ao menos saber, eu me envergonho disso e muito, mas Elena me ajudou, como eu era o submisso, ela me ensinou a ficar na linha, a respeitar e parar de agir como um adolescente imaturo como eu agia, eu mudei por causa dela, ela me ajudou a ser uma pessoa melhor, ela me ajudou a me tornar um homem, eu parei de meter em confusão, eu passei a tirar as melhores notas, eu passei a respeitar completamente os meus pais e não dei mais trabalho para eles com problemas de rebeldia, eu mudei com a sua ajuda e disso eu não me arrependo. –

Continua.

Notas finais
Christian acha realmente que Elena o salvou... Coitado... Ele não entende o que ela realmente fez. Beijos pessoal e até a próxima.