Cinquenta Tons Mais Intensos.

71 Um cego que não quer ver.


Notas iniciais
Boa Leitura! ♥

Por Anastásia.

Respirei fundo.

Contando alguns segundos para assimilar o que eu havia acabado de escutar.

Minha cabeça rodava um pouco e eu me sentia meio tonta.

Mas me obriguei a me manter forte para continuar tirando a limpo toda essa história insana.

Parecia loucura demais para mim.

Eu precisava me acalmar se não eu iria surtar no sentido literal da palavra.

Naquele momento eu tinha a certeza absoluta de uma coisa.

Elena Lincoln era a porra de uma pedófila nojenta que se aproveitou de Christian quando ele era apenas uma criança e ao que tudo indica, ela fez uma lavagem cerebral nele o fazendo acreditar que ela foi a sua grande salvadora – basicamente que o resgatou de ser um adolescente inconsequente – e fez isso através do sexo brutal e doloroso – além de toda pressão psicológica que a prática BDSM faz com o submisso (a).

Isso é uma grande loucura.

Um garoto de apenas 15 anos acabando de entrar na adolescência sendo submetido a sadomasoquismo, o quão doente isso soa?

Para mim isso é um grande absurdo e essa mulher não passa de uma abusadora nojenta que merecia a porra de uma surra.

Eu não sou uma pessoa violenta. Realmente não sou.

Mas estou sentindo tanta raiva nesse momento que seria capaz de socá-la até sangrar se ela aparecesse em minha frente.

Respirei fundo – pela segunda vez-.

Eu ainda precisava entender o porquê da briga de Christian e Mia.

Uma coisa de cada vez.

—Christian... Você e Mia brigaram por que ela descobriu sobre seu relacionamento com Elena? –

—Mia me contou ontem que na sua festa de 12 anos de idade ela acabou me flagrando transando com Elena em meu quarto, e eu contei para ela sobre meu relacionamento com Elena, contei sobre o acordo BDSM que tivemos, Mia me olhou com nojo, jamais vou esquecer esse olhar que ela lançou para mim, parecia que iria vomitar a qualquer momento... Ela disse que me achava nojento. –

Havia dor em seu olhar e lágrimas quase que derramadas.

—Christian... -

—Eu sinto tanta raiva de mim. – Ele me interrompeu. –Ela era uma garotinha de 12 anos quando descobriu que o irmão estava transando com uma mulher muito mais velha, amiga de nossa mãe e casada, eu sinto nojo de mim mesmo por jamais ter pensado nas consequências de ter algo com Elena debaixo do nosso próprio teto. Céus, Mia era uma criança, imagina o trauma de ver seu irmão transando com uma mulher casada. –

Lágrimas voltaram a escorrer de seus olhos.

—Christian... – Tentei novamente falar, mas ele me interrompeu.

—Mas Mia não entende, ela não entende que Elena me salvou, ela não entende que Elena fez eu me tornar o que eu sou hoje, se não fosse por ela, eu nem sei o que teria me tornado, se eu sou hoje esse homem sério, responsável e com uma grande fortuna sendo controlada em minhas mãos foi com a ajuda de Elena. –

—Christian isso não é verdade, essa mulher não te ajudou, Christian... Você não consegue enxergar isso, mas quem está vendo essa história pelo lado de fora consegue entender perfeitamente que Elena abusou de você, abusou de um garoto de 15 anos de idade, um relacionamento BSDM para uma criança desde quando isso é normal Christian? –

—O que? Não! Elena me salvou me fez ser quem eu sou e eu sou um homem melhor, eu sou um homem muito bem sucedido, eu sei me comportar e sei me controlar por que Elena me ensinou ser assim, eu devo tudo á ela. –

—Elena então fez você se tornar esse homem controlador, arrogante, distante da família, onde só sente prazer se fazer alguém sentir dor, e não gosta de ser tocado? É esse homem no qual Elena te transformou? –

Minhas palavras poderiam até ser cruéis, mas eu precisava o fazer ver o quão mal essa mulher lhe fez.

—Eu não gosto de ser tocado por causa por causa do que o cafetão da vadia da minha mãe fez comigo, não por causa de Elena. –

—Ainda assim Christian, você não está enxergando o quão doentio é um garoto de 15 anos se envolver neste tipo de relacionamento e o fato de você sentir prazer machucando as pessoas com esse lance de BSDM. –

—Eu me sinto... De certo modo livre quando machuco, mas isso é somente no sexo e com o consentimento da pessoa, eu jamais sentiria prazer machucando de verdade alguém, eu não ultrapasso limites. –

—Por quê? –

—Por que o que? –

—Por que você sente prazer machucando mulheres? –

—Todas as minhas submissas são morenas por que minha mãe era morena. –

—Você está querendo dizer que... –

—Que de certa forma eu sinto prazer machucando garotas morenas que se pareçam com a minha mãe para descontar a raiva que ainda sinto dela, depois de tantos anos. –

—Você sente prazer em me machucar? –

—Não desta forma que você está pensando. Eu não sinto prazer em machucar você fora do sexo e sem consentimento. –

—Quando você transa comigo, você pensa na sua mãe? –

—O que? Claro que não! Eu jamais pensei em minha mãe desta maneira! –

—Mas você sente prazer em machucar garotas que se pareçam com ela. –

—Sim, mas é somente para descontar minha raiva que ainda tenho dela, mas na hora do sexo, ela não vem em minha cabeça, nunca! –

—Me responde uma pergunta. – Christian assenti positivamente. –Se eu fosse uma garota de 15 anos e um homem muito mais velho me propôs-se um acordo BSDM e eu aceitasse, o que você acharia desse homem? –

Christian não respondeu.

Ele ficou estático por longo 2 minutos.

—Me responde Christian, o que você acharia desse homem? –

—Eu não irei responder. –

—Por quê? Por que no fundo sabe a verdade, no fundo sabe que Elena não passa de uma pedófila abusadora. –

—Não fale assim dela! –

—É sério Christian?! Vai defendê-la?! –

—Você não entende! –

—Não! Você não entende! Você não entende o quão doentio é uma mulher propor uma coisa dessas a um menino de 15 anos, você não entende que é loucura você gostar de machucar garotas que se parecem com sua mãe, você não entende que isso não é normal! Você tem que entender! Você tem que enxergar a verdade! Você tem que olhar a história pelo lado de fora! –

A essa altura eu já estava quase gritando.

Christian ficou quieto por alguns segundos até dizer algo que eu não estava esperando.

—Vai embora. –

—O que? –

—Vai embora agora. –

—Você está me mandando ir embora? –

—Sim, eu quero que você vá agora. –

—Por quê? Não está aguentando lidar com a verdade? Não está lidando aguentar com o fato de que a mulher que você acha que te salvou na verdade só fodeu mais com você?! –

—Eu já disse para você ir embora! Eu não quero você aqui! – Christian gritou.

—Eu quero te ajudar. Você precisa de ajuda. –

—Não, eu não preciso de ajuda, e eu não quero a sua ajuda. –

—Christian, você precisa sim de ajuda, precisa de tratamento, precisa entender algumas coisas do passado, precisa se livrar das lembranças que ainda guarda e tirar essa raiva que sente da sua mãe de você, caso contrário jamais conseguirá viver sendo feliz, essas lembranças irão te seguir para sempre. –

—Eu não preciso de nada disso. Eu estou bem da forma que estou. –

—Christian... –

—Não! Eu não preciso de tratamento! Não preciso de ajuda e muito menos da sua ajuda! Eu sou normal! Vai embora! Me deixa em paz! –

—Se eu sair dessa porta talvez eu não vá voltar. –

—Talvez eu não queira que você volte. –

Segurei as lágrimas e o choro preso na garganta.

—Eu quero te ajudar Christian, mas você não quer ser ajudado e desta forma não há nada que eu possa fazer. –

—Não tem o que você possa fazer por que não há nada que precise ser feito. –

Dei as costas para ele e sai de seu apartamento.

Não esperava ser o fim.

Eu não estava com raiva de Christian.

Eu estava com pena dele.

Pena por que ele não via o que qualquer um veria nesta história.

Ele não via que quem lhe fazia mal estava ao lado dele se fazendo de amiga.

Elena criou uma história na cabeça de Christian que o fez crer fielmente naquilo.

Elena o manipulou certinho e Christian caiu na armadilha de acreditar ter sido salvo por ela.

Christian estava cego.

E como diz o ditado.

O pior cego é aquele que não quer ver.

Continua.

Notas finais
Até...