Cinquenta Tons Mais Intensos.
75 Um jeito nada agradável de descobrir a verdade. - Parte II.
Notas iniciais
Por Christian.
Tem momentos em nossa vida que tudo que queremos é fechar os olhos e voltar no tempo, não é mesmo? Fingir que nada aconteceu.
Você só quer se teletransportar e resolver a merda que acabou de fazer ou o que acabou de acontecer, mas infelizmente você não é o Martin McFly e não tem um amigo cientista que tem um carro maluco capaz de voltar para o passado ou futuro.
Você está ali no presente.
Tendo que enfrentar o presente.
Tendo que resolver as merdas do presente, mas que aconteceram no passado mal resolvido.
Não pode fugir das suas obrigações.
Mas nada havia me preparado para aquele acontecimento que jamais havia se passado em minha cabeça que um dia poderia acontecer.
Era inacreditável ter a minha mãe na minha frente exigindo respostas do meu relacionamento com Elena.
Era tudo para ser um segredo, sempre pensei assim, um segredo que minha família jamais descobriria sobre mim, era algo somente entre Elena e eu, no entanto, Grace estava ali na minha frente, exigindo explicações e mentir não era uma possibilidade, até porque eu não queria mentir.
Eu não queria mais segredos.
Eu apenas queria recomeçar a minha vida com a verdade sendo esclarecida de uma vez por todas.
Eu sentia que havia um peso em cima de mim, da minha alma para ser mais exato, e eu precisava tirar esse peso de cima para poder seguir a minha vida e ser feliz ao lado da mulher que eu amo, caso contrário, irei para sempre conviver com os meus fantasmas e traumas mal resolvidos, deixados de lado.
—Alguém pode me explicar o que está acontecendo? O que eu acabo de ouvir? – A voz exasperada de minha mãe perguntou.
Elena estava paralisada.
Seus olhos petrificados enquanto encarava Grace, nenhuma fala saia de sua boca, ela parecia não acreditar no que estava acontecendo.
Respirei fundo sabendo que tinha que tomar partida e iniciar o esclarecimento mais difícil de toda a minha vida.
—Você não ouviu errado, mãe. Elena e eu tivemos um caso em minha adolescência. – Revelei.
—Christian! – Elena me repreendeu.
—Ela tem o direito de saber, já passou da hora dela saber a verdade Elena. –
Grace tinha as duas mãos na boca, seus olhos chocados estavam passando de Elena para eu em uma sequencia assustadora, suas maças do rosto estavam arreganhadas em surpresa e seus lábios quase tão brancos como de um papel.
—Não, me diga que isso é uma brincadeira e não é verdade Christian. – Pediu Grace.
—É claro que é uma brincadeira Grace, você sabe como Christian pode ser tão brincalhão quanto Elliot. – Elena tentou inventar, mas eu não iria deixar.
A verdade precisava ser dita.
—Não de ouvidos á Elena, nós tivemos sim um caso quando eu tinha apenas 15 anos. –
—Oh Christian, pare de mentir, por que está fazendo isso? – Elena tentava a todo custo manter a sua imagem de vitima puritana.
—Pare você de mentir e conte a verdade de uma vez para Grace, ela merece saber o que a sua amiga que ela tanto confia fez com o filho dela na adolescência. –
—Eu não fiz nada, foi ele que quis! Ele aceitou! Ele disse sim para o contrato! –
A máscara de negação de Elena começou a cair.
—Eu era uma criança e você se aproveitou da minha inocência e dos meus traumas! –
—Parem com isso! – Gritou Grace nos interrompendo. –Parem com isso agora e me expliquem direito essa história agora! – Ela exigiu aos gritos.
—Não escute o que ele diz Grace, ele mente. – Acusou Elena.
—Cala-se Elena, cala-se e deixe meu filho falar! –
Elena se assustou com o grito de minha mãe sendo direcionado diretamente para ela e se calou.
Esperei alguns segundos de silêncio para iniciar o que iria falar.
—Aos 15 anos quando eu fui trabalhar no jardim da casa dos Lincoln como punição por ter brigado na escola, Elena e eu nos envolvemos, tivemos um caso. –
—Oh céus, como você pode? –
—Eu sinto muito Grace, eu estava solitária, carente, meu marido nunca estava em casa e Christian sempre foi tão bonito e atraente, mas eu tentei , tentei resistir à tentação, mas ele me seduziu, ele me perseguia com insinuações mesmo eu dizendo não. –
Fiquei perplexo como Elena conseguia mentir de forma tão descarada? Como ela tinha coragem de jogar a culpa toda em cima de mim para tentar se sair da vitima injustiçada?
—Pare de mentir Elena! Foi você que foi atrás de mim, foi você que me seduziu, foi você que me fez acreditar que era um adolescente solitário e sem amor, foi você que me fez acreditar que era um merda e precisava da dependência de alguém e foi você que me propôs aquele maldito contrato nojento! –
—Contrato? – Grace perguntou enquanto lágrimas ainda escorriam de seus olhos.
—Não acredite nele Grace! Ele não sabe o que diz! – Elena gritava com convicção e insistência de me fazer de louco e mentiroso, sua mascará estava caindo diante de mim que sempre a vi como uma protetora ou heroína, agora apenas vejo o monstro que ela realmente é.
—Para me mentir Elena! Não vê que não adianta mais contar mentiras?! É hora de a verdade ser esclarecida. –
—Christian, não faça isso. – Implorava Elena, mas eu não podia mais esconder.
—Elena e eu tínhamos um relacionamento BDSM. – Revelei.
—BDSM? – Minha mãe perguntou sem entender o significado daquelas siglas.
—Significa Bondage, Disciplina, Sadismo, e Masoquismo, um relacionamento sexual de submisso e dominadora, onde a dominadora através de punições e castigo sexual “educa” seu submisso quando ele faz algo de errado. –
Minha mãe colocou as mãos na boca em choque.
—Elena e eu começamos esse tipo de relacionamento quando eu tinha 15 anos, foi até os meus 21 anos. Nós nos relacionávamos sexualmente, mas não era sexo casual. Havia muita dor, brinquedos, chicotes, algemas e tudo que pode imaginar. Não era normal. –
—Mas foi consensual. Foi dessa maneira que ele se transformou em um bom menino, ele parou de brigar no colégio, parou de tirar notas ruins e começou a melhorar por minha causa, eu o ajudei, eu o salvei. – Elena dizia com insistência para minha mãe que tinha a cabeça baixa e as mãos apoiadas nas pernas.
—Consensual? Você se aproveitou das merdas do meu passado, você me manipulou, eu só tinha 15 anos, não foi consensual. – Acusei.
—15 anos já não é mais uma criança, você já era um adolescente, já entendia muito bem as coisas, já sabia o que era sexo e como fazer, eu não manipulei você, se você disse sim foi por que você quis! – Elena se defendeu.
—Oh cale a boca! Sua desgraçada! – Grace gritou indo em direção á Elena e partindo para cima da mesma, a estapeando, fazendo Elena cair no chão com a minha mãe por cima, batendo nela com força.
Elena tentava revidar, mas a minha mãe estava em um estado de fúria que eu duvidava que Elena conseguisse ter qualquer força para conseguir se proteger.
Fui em direção delas e segurei minha mãe a tirando de cima de Elena que tinha o lábio inferior sangrando.
—Me solta Christian! Eu vou matar essa desgraçada por ter feito isso! Me solta! – Ela se debatia em meus braços.
—Mãe, não vale a pena. –
—Eu salvei o seu filho! Você não foi mãe suficiente para ensinar corretamente Christian a se comportar diante da sociedade, se não fosse por mim e pela educação que dei á ele, só Deus sabe o que ele teria se tornado, provavelmente um prostituto viciado igual á mãe era! – As palavras de Elena eram cortantes.
Meu sangue ferveu com as suas palavras que eram duras direcionadas para minha mãe.
Eu apenas via tudo vermelho.
—Cala a merda dessa boca! Você estragou a minha vida! Estragou! Por sua culpa eu só consigo fazer com que as pessoas se afastem de mim! Por sua culpa eu odeio que me toquem e nem consigo falar sobre meus próprios sentimentos sem ter receio! Você me estragou! Eu quero que você suma da minha vida! Da minha vida, da minha família, na de Anastásia, na vida de todo mundo, apenas suma! Eu quero fingir que jamais te conheci! – Gritei tudo que estava entalado em minha garganta enquanto segurava minha mãe em meus braços para que ela não partisse para cima de Elena mais uma vez.
—Seu ingrato! Eu fiz tudo por você! Tudo! –
—Vai se foder! Vamos embora daqui e você nunca mais vai entrar em contato conosco, nunca! –
Segurei na mão de minha mãe e caminhamos para a saída, mas minha mãe parou.
—Espere um minuto. – Grace disse caminhando de volta para Elena.
Achei que ela fosse falar mais alguma coisa para Elena, mas estava enganado quando sua mão foi com total força de encontro com a bochecha direita de Elena.
—Isso é por todo o mal que causou em minha família, sua vadia. –Outro tapa, agora na bochecha esquerda de Elena. -Isso foi por que você merece! – Grace se afastou e caminhou até mim. –Vamos embora daqui Christian, nós dois temos muito que conversar. –

Continua.
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