Cinquenta Tons Mais Intensos.
76 Uma vez me disseram que a liberdade é o ápice da loucura.
Notas iniciais
Por Christian.
—Essa é a maior loucura que eu já ouvi. Eu jamais esperei algo assim de você Christian. – Disse Grace com lágrimas escorrendo em seu rosto, ela parecia atordoada pelas coisas que eu revelei á ela.
Estávamos já no meu apartamento – o Escala – e eu contei tudo, sem ocultar nenhuma verdade de toda a história, desde o começo até hoje, eu sabia que precisava fazer isso, eu não podia mais esconder, ela tinha o direito de saber sobre tudo que passei nesses últimos anos.
Contei sobre como começou meu caso com Elena, de como naquela época eu me sentia um grande infeliz, um nada, imperfeito demais para estar naquela família, e toda a merda sempre vinha à tona a noite quando eu ia dormir e acabava sonhando com a morte de minha mãe biológica e as agressões constante de seu cafetão.
Sempre era a pior parte do meu dia, dormir deveria ser algo prazeroso, bom, pelo menos para as pessoas normais eram, mas para mim sempre foi um desafio.
Contei á ela de como era o relacionamento que Elena e eu tínhamos, de cada surra que ela me dava quando eu fazia algo que para ela era considerado errado como até mesmo conversar com uma garota da minha classe de literatura, Elena sempre foi extremamente possessiva com coisas banais e que não tinha necessidade para ter ciúmes, e ela acabou me ensinando a ser assim também.
Contei para ela sobre Mia e o nosso relacionamento conturbado, o porquê dele ser conturbado e de como ela provavelmente me odiava e contei sobre meu relacionamento com Anastásia e como ele começou, todo bagunçado, já cheio de problemas e também com mentira – até hoje ela não sabe que eu fui responsável por sua demissão na Starbucks. –
—Me perdoe por não ser o filho que você sempre quis ter, eu tentei melhorar para todos em minha volta, tentei agradar, mas sempre trouxe somente dor e desgosto. –
—Christian, você sempre foi um ótimo filho, nunca foi motivo para desonra ou desgosto, nem antes de se envolver com Elena, você nunca foi um problema para nós. Carrick e eu te amávamos e amamos da maneira que era, nós sabíamos da bagagem que você carregava e estávamos sempre dispostos a ajudá-lo a se livrar de seus medos internos e de todo o seu trauma. –
—Eu- Eu sempre acreditei que era o intruso na família, o garotinho adotado que tinham pena, eu não era perfeito como Elliot ou Mia, eu amava vocês, mas não me sentia em casa, não me sentia confortável em estar naquele meio, eu me sentia um lixo, eu não me sentia bom suficiente para aquela família, eu nunca me senti bom o suficiente para nada. – Tudo aquilo que há muito tempo estava preso em minha garanta estava finalmente saindo livremente junto com as minhas lágrimas. –No colégio eu poderia tirar as notas mais altas que ainda não me sentia digno de ser elogiado pelos professores, em casa por mais que Carrick olhasse para mim com orgulho e me abraçasse para assistirmos juntos os jogos de futebol eu ainda não conseguia me sentir digno do orgulho e do abraço dele, e você sempre foi um anjo aos meus olhos e eu me sentia tão sujo e indigno de ser abraçado ou até mesmo amado por você mãe, você foi a pessoa que me salvou de morrer, e eu não soube retribuir o que você fez por mim, eu sempre agi como um merda nunca ligando para casa, raramente aparecendo em casa, mandando somente mensagens frias e presentes nos aniversários, me distanciando cada vez mais daqueles que mais me deram amor porque eu simplesmente não consigo me sentir digno de nenhum amor. –
—Oh Christian... –
Grace me abraçou com força, e eu retribuí sentindo seus braços me apertarem contra si mesma, fazia anos, muitos anos, que nós não nos abraçávamos de verdade.
—Eu queria poder ser digno de vocês, do amor que vocês me dão. – Confesso ao meio das lágrimas.
—Meu anjo, você é digno sim de todo e qualquer amor, você é perfeito Christian, do seu jeito, mas é perfeito, eu te amo, seu pai te ama, seus irmãos te amam e Anastásia te ama, nós todos te amamos da forma que você é, nós jamais vamos abandoná-lo, você é um dos homens mais dignos que eu conheço, você é forte meu filho, enfrentou tanta coisa sozinho, e esse é o problema, você está a muitos anos enfrentando tudo sozinho, você tem que compartilhar o que sente com nós, com a sua família, com a sua namorada, com os amigos que confia, você não precisa carregar o peso do mundo nas costas sozinho, você pode compartilhar com a família, é para isso que estamos aqui Christian, para apoiarmos você, para te amarmos da maneira que você é, você precisa entender que se tem uma coisa da qual você é digno é de todo amor que recebe. –
—Mãe... –
—Não, me escute. – Ela disse pegando o meu rosto entre as suas duas mãos. –Você precisa parar de se autodepreciar, precisa parar de se colocar para baixo, de se achar indigno daquilo que a vida lhe oferece, se continuar dessa maneira Christian, você jamais vai conseguir ser feliz, jamais vai conseguir seguir em frente. –
—Uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida foi Anastásia, e eu a deixei escapar entre os meus dedos com o meu jeito fodido, eu a mandei embora, eu me arrependo tanto disso mãe. – Minha voz saia esguichada.
—Anastásia te ama Christian, se você for até ela, abrir seus sentimentos, e o principal de tudo, se estiver disposto a mudar por ela, a melhorar, ela vai lhe aceitar de volta, mas antes você tem que saber se quer mesmo isso, quer mesmo mudar? –
—É tudo que eu mais quero, eu não aguento mais ver as pessoas que eu amo se afastando de mim. –
—Admitir isso para si mesmo e para as outras pessoas já é um grande passo Christian. –
—Eu já sei o que tenho que fazer. –
—O que? –
—Ir atrás do amor da minha vida. –

Continua.
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