Cinquenta Tons Mais Intensos.

74 Um jeito nada agradável de descobrir a verdade. - Parte I.


Notas iniciais
Obrigada á todos que mandaram melhoras para minha irmã, ela está bem =) ♥ Boa Leitura!

Por Christian.

Quando estacionei o carro na frente da casa de Elena, suspirei feliz me sentindo confiante e decidido de tudo o que iria falar para ela.

Era como se tudo na minha mente tivesse se iluminado.

Tudo fazia sentido agora.

As palavras de Mia faziam sentido.

As palavras de Ana faziam sentido.

Eu fui enganado por Elena na adolescência.

Ela realmente me fez acreditar que foi a minha salvação, a minha heroína, quando a única coisa que ela fez foi se aproveitar da minha insegurança e de todos os meus traumas de infância para literalmente me usar sexualmente ao seu favor e para o seu prazer.

Eu me sinto sujo.

Usado.

Um brinquedo em suas mãos que ela fez questão de moldar e me tornar o que eu sou hoje.

Eu sou um homem bem sucedido e sei disso, mas sou totalmente constipado em relação aos meus sentimentos, não consigo me abrir para ninguém, não sou um homem que sai por ai falando de seus sentimentos e de como se sente em relação á vida, na verdade, eu mal falo sobre mim para outras pessoas.

Meus pais se tornaram distantes para mim, mal os visito no máximo nos feriados e datas comemorativas.

Eu nem consigo abraçar direito a minha mãe e não consigo aguentar o toque de outras pessoas em meu peitoral e algumas partes do meu corpo.

Eu não sou mais um garotinho que vai cair nos encantos dela e em palavras elaboradas como há 12 anos atrás.

Quando toquei a campainha à empregada disse que Elena já estava vindo me ver e me deixou esperando na sala de estar.

Quando Elena apareceu na sala de estar com um vestido branco e batom vermelho chamativo indo a minha direção para me cumprimentar eu desviei do seu cumprimento.

Elena franziu a testa sem entender.

—Está tudo bem meu menino? -

—Não, não está. Eu vim aqui para termos uma conversa séria. –

—Tudo bem. – Ela disse se sentando. –Me diga o que está acontecendo? –

Respirei fundo sentindo que o momento era aquele de colocar tudo para fora.

—Está acontecendo que a minha vida está fodida e a culpa disso tudo é sua. –

Seus olhos se arregalaram em descrença.

—Como é que é? –

—Isso mesmo que você ouviu, a minha vida é fodida e principalmente eu sou um fodido por sua causa por que você me transformou nisso que eu sou hoje! –

—Do que você está falando Christian? –

—Estou falando do fato de você ter a minha vida toda manipulado me fazendo acreditar que foi a minha salvação e me ajudou quando na verdade o que você fez foi me afundar na merda. –

—Christian, meu menino, você está com raiva, se acalme, respire fundo... –

—Pare de me tratar como se eu fosse à porra do seu submisso ainda, a minha irmã Mia não olha nem na minha cara por que ela sempre soube que tínhamos algo no passado. –

—Oh... Como ela descobriu isso? –

—Na festa de aniversário dela de 12 anos ela nos viu fodendo no meu quarto, caralho Elena, ela era só uma criança quando descobriu que o irmão fodia com a amiga da mãe. –

—Christian isso já faz muito tempo, não há mais como voltar no passado, tente conversar com Mia e... –

—Eu tentei, tentei conversar com ela e sabe o que ela me disse? Que você não passa da porra de uma pedófila que se aproveitou do meu pior momento quando adolescente para tirar proveito de mim e quer saber de uma coisa Elena? Eu não concordei com Mia, eu acreditei realmente que você foi a pessoa certa na minha vida e que me fez entrar na linha e virar gente de verdade, mas agora, agora eu vejo a verdade Elena, vejo como Mia e Anastásia estiveram certas o tempo inteiro em relação á você, o quão desprezível e nojenta você foi ao propor um relacionamento BDSM para um garoto de 15 anos! –

—Ah, mas claro que essa Anastásia tinha que estar no meio disso tudo, foi ela não foi? Foi ela que está colocando essas asneiras e bobagens na sua cabeça? Céus, onde já se viu uma submissa querer controlar uma relação. –

—Anastásia não é uma submissa, ela é a minha namorada! –

—O que essa mulher fez com você? No que ela te transformou? Esse não é o Christian que eu conheço. –

—O Christian que você conhece é aquele manipulável em suas mãos, aquele que você diz meia dúzias de palavras e o faz acreditar em tudo, mas esse Christian não vai mais existir Elena, por que esse Christian está morto, eu não sou mais um menininho que vai cair nas suas lábias e nos seus joguinhos, eu finalmente acordei a tempo para ver o tipo de pessoa que você realmente é. –

—Eu salvei você Christian de ser um moleque inconsequente e rebelde que poderia ter se tornado um marginal ou um nada, mas eu te coloquei no caminho certo, te transformei no homem civilizado e centrado que você é. –

—Eu tinha 15 anos Elena, eu era uma criança cheia de traumas e inseguranças na mente e você me propôs um relacionamento BDSM, você tem ideia disso?! Uma criança! Era isso que eu era e você se aproveitou! –

—Você teve uma escolha, eu sempre lhe dei uma escolha e você escolheu se entregar a mim. –

—Você me manipulou, usou todas as minhas merdas contra mim a seu favor. –

—Céus Christian, você já tinha 15 anos, não era mais uma criança. –

—Era sim, eu era uma criança sim, eu estava passando por uma péssima fase me sentindo um lixo de pessoa, eu acreditava que não era digno de pertencer à família Grey, eu me sentia descartável, sentia que não merecia o amor que meus pais davam para mim, todas as noites eu sonhava com a minha mãe biológica e o seu cafetão e todas as manhãs eu acordava chorando, eu não deixava ninguém me tocar nem para um abraço e continuei não deixando mesmo depois de ter me entregue a você, você não curou nenhum dos meus traumas Elena, você só me fez acreditar que sim, mas eu continuo tendo dificuldades para me relacionar com as pessoas da minha família, eu continuo tendo dificuldade em ter uma relacionamento estável com Anastásia, continuo sonhando com a minha mãe e o cafetão dela me batendo, nada melhorou depois de você na minha vida Elena, nada. –

—Você está insano. Tudo isso por causa daquela maldita menina que colocou essas coisas em sua cabeça. Ela que fez você vir aqui? Ela que fez você falar tudo isso para mim? Essas palavras são realmente suas ou são dela? –

—Anastásia me fez abrir os olhos, não ouse falar o nome dela por que você não tem o mínimo de dignidade para isso, você não significa mais nada para mim, eu não sou mais uma criança Elena, eu não preciso mais de você, é de Anastásia que eu preciso e é ela que eu quero e escolho. –

A face de Elena estava vermelha de tanta raiva.

—Inacreditável que depois de tudo que eu fiz para você, você irá me descartar. – Elena dizia com descrença total em sua voz.

—Inacreditável é o que eu acabo de ouvir. –Escutei uma voz dizer atrás de Elena.

Quando ambos olhamos para trás vimos à última pessoa que queríamos ali naquele momento.

Minha mãe.

Grace.

Continua.

Notas finais
Beijos e até... =)